23abr/147

Um caso perdido

Dr. Evil?

Dr. Evil?

O final de semana em Xangai mostrou sinais positivos para a Lotus. Romain Grosjean colocou seu carro entre os dez primeiros nos treinos livres de sexta-feira, no seco, e na classificação no sábado, no molhado. Teria conquistado também o primeiro ponto do time no ano não fosse o problema no câmbio - o francês estava em décimo, à frente de Daniil Kvyat, quando abandonou na metade da corrida.

A má notícia para o time de Enstone veio do outro lado da garagem. Se alguém ali ainda tinha dúvidas do preço cobrado pelos petrodólares que Pastor Maldonado traz ao time, elas se dissiparam depois de (mais) um final de semana tenebroso do venezuelano: nos treinos livres, escapou da pista quando mexia distraído no volante e bateu na entrada dos boxes por pura imperícia.

Quando um vazamento no motor foi notado antes da classificação, a decisão de deixá-lo nos boxes foi natural: Maldonado já perderia cinco posições pelo acidente que havia provocado no Bahrein, não havia porque correr o risco dele demolir o carro novamente nas condições difíceis da pista na classificação. Na corrida, depois de largar em último fez uma prova discreta para terminar em 14º lugar. Ao menos não causou confusão.

Mas a pior manobra de Maldonado veio fora das pistas. O mundo inteiro achou leve demais sua punição pelo acidente com Gutierrez no Bahrein. Ele não, e resolveu atacar os comissários da FIA. “Foi leve, um contato normal de corrida. As regras são as mesmas para todos, então você precisa evitar incidentes. Mas ao mesmo tempo, não dá para disputar. Se você atacar e sua manobra não for clara ou o cara que está se defendendo a posição e você arriscam, você pode ser penalizado”, reclamou.

O sempre tranquilo Gutierrez foi quem melhor resumiu a atitude do colega. “Ele foi punido, então isso já diz tudo. E nem preciso discutir as imagens da televisão, porque são claras. O mais importante é saber reconhecer seus erros para analisar o que aconteceu e cuidar para que não se repita. Esse é o problema: ao que parece, Pastor não está reconhecendo seus erros, só vê as coisas de seu lado e não acho que isso é certo”.

É um problema grave. Velocidade, Maldonado tem. Mas sua história na Fórmula 1 é recheada demais de acidentes inexplicáveis, batidas de roda com colegas por estar de cabeça quente, a acusação estúpida de sabotagem feita à Williams no final do ano passado. Sua atitude é a de uma criança mimada e a esperança de que isso possa mudar diminui a cada lambança.

20abr/14133

Voa Lewis, voa

The loneliness of the long distance runner

The loneliness of the long distance runner

Lewis Hamilton pode estar quatro pontos atrás de Nico Rosberg na classificação do Mundial de Pilotos, mas aparece bem à frente do companheiro na equipe Mercedes no atual momento do campeonato. Venceu na China pela terceira vez consecutiva - e 25ª na carreira, se igualando às marcas do escocês Jim Clark e do austríaco Niki Lauda, hoje seu chefe na Mercedes. Foi um triunfo fácil demais.

- Preciso agradecer a todo o trabalho feito pelos funcionários da equipe. Espero que o pessoal da fábrica estejam curtindo isso e tenham uma boa semana. Estou muito feliz, tive uma corrida bastante prazeirosa, especialmente nas voltas finais em que eu acelerei para manter a temperatura dos pneus e o carro estava ótimo. Eu corri contra mim mesmo - afirmou Hamilton.

O final de semana em Xangai sublinhou mais uma vez que os adversários terão trabalho para descontar a vantagem atual do carro da Mercedes. Nico Rosberg, que terminou em segundo lugar, fez a melhor volta da prova com um segundo de vantagem para o carro de outra equipe com a melhor volta, a Red Bull de Daniel Ricciardo. A força do conjunto foi fundamental para o alemão não encontrar muitas dificuldades para se recuperar depois de um início ruim de corrida, quando chegou a ocupar a sétima posição.

Se a Mercedes confirmou o domínio, a Ferrari surpreendeu ao conquistar seu primeiro pódio do ano com um trabalho sólido de Fernando Alonso. O espanhol foi agressivo na primeira volta - chegou a bater rodas com Felipe Massa, num lance de corrida - e mostrou que o F14T tinha um bom ritmo de corrida na China.

- Foi uma corrida em que não corremos sozinhos, tivemos disputas e trabalhamos bem para conseguir este pódio. Espero que isso dê uma motivação extra para a equipe continuar melhorando e se sair ainda melhor nas próximas provas - pediu o espanhol.

O toque na largada acabou não tendo consequências para Massa. Sorte num lance, azar no outro: na sua primeira parada nos boxes, uma trapalhada dos mecânicos da Williams encerrou suas chances.

- O problema não teve nada a ver com o toque. Foi um erro. Inverteram os pneus traseiros e demoraram um pouco para perceber. Quando isso aconteceu, numa das rodas a porca acabou quebrando na ânsia de colocar o pneu rápido e tiveram de trocá-la. Nisso tudo, perdi mais de um minuto e minha corrida acabou ali - lamentou o brasileiro.

Já Sebastian Vettel se mostra tranquilo nas entrevistas, mesmo não vivendo um bom momento. Mas a calma não é reproduzida no calor do cockpit. No GP da China, o tetracampeão questionou uma ordem de equipe e reclamou de retardatários. O fato é que Vettel chegou atrás do companheiro Daniel Ricciardo pela segunda corrida consecutiva. Em classificações, foi superado pelo australiano por três vezes em quatro oportunidades. Pelo menos, reconheceu com sinceridade desconcertante que está atrás neste cenário surpreendente do duelo interno da Red Bull.

- Acho que é bom que Daniel consegue tirar o máximo do carro, é bom ter uma referência assim. No momento, a diferença é muito grande e preciso trabalhar nisso. Por algum motivo, o carro não está do jeito que eu quero. Mas ele está mostrando que há mais no carro do que eu estou conseguindo tirar no momento.

Sobre a ordem de equipe que pareceu ignorar, o alemão afirmou que foi apenas um problema na sua comunicação com a equipe.

- No começo eu não entendi, por isso fiquei um pouco confuso. Mas assim que me disseram que estávamos em estratégias diferentes, pois meu plano inicial era fazer três paradas, fez mais sentido. A prioridade da equipe naquele ponto era facilitar o caminho de Daniel para ele lutar com Fernando, então o pedido foi correto - assegurou.

O sempre sorridente Ricciardo afirmou que o clima interno do time não vai azedar por sua boa fase. Mas reforçou que não pretende facilitar a vida de Vettel em nenhum momento.

- Seu companheiro de equipe é sempre o primeiro com quem você se compara e tenho certeza que Seb não está feliz com seu resultado. Mas não é algo que o deixe sem falar comigo. Ele apenas vai trabalhar ainda mais forte para ver onde pode melhorar para a próxima. Eu também não vou descansar - garantiu.

19abr/1438

Sábado quente no frio de Xangai

Tudo jóia para Lewis Hamilton

Tudo jóia para Lewis Hamilton

Clima úmido o dia todo, pista molhada e um frio do cão, com 14 graus de temperatura no paddock e apenas 16 no asfalto. O dia de hoje em Xangai (confira a galeria de imagens clicando aqui) garantiu um treino de classificação emocionante, que deu uma pequena embaralhada no grid. Pequena não só pela terceira pole de Lewis Hamilton no terceiro treino com chuva do ano. O inglês faz uma volta seis décimos de segundo mais veloz que a de Daniel Ricciardo, um segundo na frente de Sebastian Vettel. E ainda afirmou que perdeu um pouco de tempo nela.

Se ficar seco amanhã, como aponta a meteorologia, seu trabalho ficará ainda mais fácil. A dupla da Red Bull vê a possibilidade de bater a Mercedes na eventualidade de “largarmos bem, passarmos Hamilton e andarmos lado a lado até o final da corrida”, segundo Ricciardo, ou de “colocarmos duas chicanes no meio da reta”, sugere Vettel.

O inglês se mostra concentrado na missão de ganhar mais uma prova e um ótimo momento nesse estágio inicial do campeonato. Uma eventual terceira vitória cimentaria também o melhor começo de temporada na carreira de um piloto que era acostumado a “esquentar” só a partir do meio do ano. Seis estações depois do seu título, chega como o melhor Hamilton que já vimos.

O dia trouxe também outras surpresas, com Daniel Ricciardo novamente largando à frente de Vettel com uma volta com uma excelente volta no Q3, quando disse ter finalmente se sentido à vontade com o carro. Fernando Alonso mostrando na estreia do calado e sério Marco Mattiacci um bom trabalho da Ferrari na China - Kimi Raikkonen, com problemas todo o final de semana e pouquíssimo tempo de pista, está longe de conseguir aproveitar esse claro sinal de melhora do F14T.

Melhora também houve no FW36 da Williams, com as novidades colocadas no carro dando um pouco mais da aderência aerodinâmica tão solicitada por seus pilotos. Felipe Massa reconheceu que contou com um pouco de sorte ao passar do Q2, mas terminou o Q3 em sexto. Ele andou com pneus intermediários usados na tentativa final já que, na correria de tantas trocas ao longo de um treino movimentado, o engenheiro colocou o último jogo de novos no início deste turno.

Fico curioso para saber que corrida o clima instável de Xangai nos dará amanhã. No seco, como aponta a dupla da Red Bull, a Mercedes sobra. Um cenário que torna interessante de observar o início de prova de Nico Rosberg. Mas vai ser legal também saber se o promissor long run de Daniel Ricciardo na sexta vai se repetir e confirmar uma evolução do pacote RB10-Renault. Numa pista que castiga os pneus dianteiros, o carro “mais no chão” economiza mais e a diferença para os prateados diminui um pouquinho.

Williams e Ferrari também duelariam para ser a terceira força, os ingleses levando vantagem em velocidade de reta, os italianos em aderência de curva. E seria legal ver também o que a Lotus pode fazer, com Grosjean largando em décimo depois de ter demonstrado também na sexta que o carro evoluiu. Numa hora dessas, Maldonado larga em último depois de nem treinar por um vazamento no motor - outro ponto a fixarmos os olhos nos primeiros metros da corrida, mas pelos motivos errados.

Se chover, o que é possível ainda que não o mais provável pela previsão do tempo, fica melhor ainda. Em sua curta história, a prova de Xangai já nos proporcionou ótimos GPs no molhado, com os de 2006, 07, 09 e 10 como exemplo.

Não vai ser que nem o excepcional GP do Bahrein, mas os indícios são de uma prova bem agitada.

18abr/149

Blindados

É nóis - e o resto que se dane

É nóis - e o resto que se dane

Um dos momentos mais interessantes das entrevistas de ontem aqui em Xangai foi no pagode da Mercedes - me refiro à construção oriental, não confundir com o gênero musical. Jornalistas ingleses cercavam Nico Rosberg como uma alcateia em torno de uma gazela. Já havia presenciado cena similar após o GP do Japão de 2008, com Felipe Massa. Os mesmos personagens bombardeando um piloto com perguntas capiciosas, com o objetivo de desestabilizar o adversário de um compatriota deles.

Rosberg saiu-se bem. Foram dez minutos tentando extrair dele alguma reclamação mais exaltada contra a pilotagem de Lewis Hamilton no Bahrein. Com uma calma monástica, o alemão explicou que achou ruim apenas uma entre inúmeras manobras, mas exaltou a disputa e afirmou que seria injusto pinçar só esta e ignorar quase a totalidade de um duelo eletrizante.

Encerrado o tempo da entrevista em inglês, ainda enquanto os jornalistas se levantavam para dar lugar à imprensa de língua alemã, Rosberg virou-se para seu assessor de imprensa e desabafou no idioma do Goethe. “Não tem como você não errar, né? Eles só fazem perguntas para depois pegar as três frases que podem usar”.

O piloto acertou na mosca. Enquanto portais de automobilismo ainda pegaram leve, dizendo que ele “pretendia passar a limpo” a situação com Hamilton, os tablóides já manchetaram que o inglês foi “estapeado” pelo companheiro de equipe pelo ocorrido no Bahrein, totalmente fora do contexto que permeou a entrevista.

Depois, falando com a imprensa de seu país, Rosberg foi perguntado se não temia que toda essa pressão da mídia sobre o duelo no Bahrein levasse o time a mudar de ideia e impor algumas regras para a disputa entre os dois. O piloto foi categórico. “Com todo o respeito, mas a imprensa sempre busca colocar pimenta no molho. Sempre foi assim. E mesmo as outras equipes buscarão fazer isso. É a única maneira no momento que eles têm de nos enfraquecer, pelo menos em potencial caso a tática funcionasse. Mas nós estamos protegidos disso, temos um núcleo muito forte dentro da equipe. E é como equipe que vamos agir, ainda que nós, pilotos, protagonizemos uma disputa e usemos de um certo egoísmo nela”.

Diante do domínio amplo nesse estágio ainda inicial do Mundial, o melhor mesmo que a Mercedes e seus pilotos têm a fazer é se fechar e ignorar as tentativas de criar turbulência vindas de fora. Com Rosberg liderando o campeonato mas Hamilton prevalecendo nas duas provas que terminou, é melhor deixar a briga correr apenas na pista, pelo menos até o estágio em que os rivais já ficarem inteiramente para trás.

17abr/143

#NaoVaiTerCorrida

Depois dos autógrafos, vai ser hora de assinar as promissórias

Depois dos autógrafos, vai ser hora de assinar as promissórias

Seria divertido ver, em plena China comunista, os pilotos da Fórmula 1 fazendo piquete na porta do circuito de Xangai, enquanto as câmeras de tevê focalizam a pista vazia e os carros parados nos boxes. Mas isso não vai acontecer nunca. O movimento jamais vai atrair o interesse de quem anda com o salário em dia. Em especial a dupla da Mercedes, que goza de um domínio impressionante nesse início de temporada e teria muito a perder esportivamente com uma eventual paralisação.

Não que uma greve seja algo inédito na Fórmula 1. Em 1982, os pilotos se trancaram num hotel próximo ao circuito de Kyalami na África do Sul em protesto contra algumas cláusulas draconianas da recém-introduzida Superlicença. A greve acabou depois que alguns nomes furaram a greve, mas meses depois a FISA (a FIA da época) retirou as cláusulas polêmicas.

Como Nico Hülkenberg avaliou, não vai ter greve. Não só pelo fato da geração atual ser composta com gente muito mais jovem e crescida numa cultura completamente diferente dos caras que viveram os perigos quase medievais do automobilismo dos anos 70. Mas principalmente porque o cerne da questão - a falta de pagamento - não atinge a totalidade dos pilotos. Solidariedade e senso comum são conceitos meio estranhos dentro do paddock.

17abr/1424

Um rival para a Fórmula 1

Uma briga que vai ganhando mais personagens

Uma briga que vai ganhando mais personagens

Tem sido um cenário típico na Fórmula 1 atual: depois de fazer no Bahrein uma das corridas mais emocionantes de sua história, a categoria deixou de capitalizar em cima disso. Ao invés de valorizar as disputas no circuito do Sakhir e sublinhar os pontos positivos do novo pacote técnico da categoria, as manchetes geradas nos últimos dias foram sobre o julgamento de um recurso que envolve uma regra que ninguém entende, sobre a troca no comando de um time que às vezes parece usar uma cultura futebolística na sua gestão e sobre a luta das equipes pequenas para sobreviver diante da inabilidade da FIA de impor às grandes um limite para os orçamentos dos times.

Não há um sintoma mais claro da falta de habilidade que impera na administração da F-1.

Enquanto isso, nesse final de semana, o Mundial de Endurance abre sua temporada em Silverstone. Na categoria principal, a LMP1, a disputa que ficou restrita nos últimos anos aos protótipos de Audi e Toyota vai ganhar a presença da Porsche. E, a partir do ano que vem, da Nissan. A categoria, que tem nas 24 Horas de Le Mans a sua prova mais nobre, tem tudo para repetir seus melhores anos, com diversas montadoras presentes brigando pela vitória.

Não é por acaso que ela está cada vez mais atraindo nomes com passagem pela Fórmula 1, Mark Webber sendo o exemplo mais recente. As pistas são praticamente as mesmas: Silverstone, Spa, Austin, etc. Os carros da LMP1 também são bastante avançados tecnologicamente e prazeirosos de se conduzir. Só o formato das corridas é diferente, prezando mais a regularidade do que a velocidade pura. Mas a F-1, com suas restrições de equipamento, também ensaia um passo nessa direção.

É impossível imaginar o Mundial de Endurance assumindo o posto de principal categoria do automobilismo. Mas, enquanto a F-1 patina, o campeonato tem tudo para continuar crescendo. No passado, Bernie Ecclestone era mestre em exterminar qualquer série cujo sucesso ameaçasse o seu negócio. Mas está de mãos atadas agora. O dono dos direitos comerciais do Endurance é Nicolas Todt. Filho do presidente da FIA, Jean Todt. Se depender da entidade que regulamenta a F-1, a categoria rival terá espaço e apoio para crescer com estabilidade.

(Texto da coluna "Direto do Paddock" publicada na edição de hoje do Diário Lance!)

14abr/1424

Ferrari resolve continuar arriscando

Sério e preocupado, a expressão mais comum de Domenicali nos últimos anos

Sério e preocupado, a expressão mais comum de Domenicali nos últimos anos

Stefano Domenicali foi embora. Se pediu demissão, como anunciado oficialmente, ou foi mandado prá rua, pouco importa. Com ele, encerra-se uma era em que a Ferrari conquistou apenas um título em cinco temporadas, o de Construtores em 2008. Mas não dá para dizer que foi uma gestão fracassada. Em três deste cinco campeonatos, um piloto da Ferrari disputou o título até a última corrida, coisa que a McLaren, a Brawn/Mercedes e a Lotus, vencedoras de múltiplas corridas neste período, não conseguiram.

Mas Ferrari é Ferrari e o início ruim do time nessa nova era V6 custou o cargo de Domenicali. Ele havia cometido alguns erros em sua gestão - a demissão de Aldo Costa em 2011 julgo ter sido o pior deles - e sobrevivera a anos difíceis como este mesmo 2011 ou 2013. Foi um chefe de equipe simpático no trato com as pessoas e muito habilidoso na intrincada política interna de Maranello.

Eu acho que a responsabilidade das mazelas da Ferrari neste ano seja do chefe de motores Luca Marmorini e sua equipe - e não vejo muito sentido em mandar o chefe do time embora depois de apenas três corridas. Mas a mudança no comando do time já se desenhava há tempos e uma hora tinha que acontecer. Embora tenha sido o time que mais conseguiu desafiar a Red Bull nos últimos anos, os italianos sempre deram a impressão de ficar no “quase”. Faziam carros eficientes, mas com uma abordagem conservadora, impedindo que o modelo tivesse aquele algo a mais que garantisse uma fileira de títulos como na era Todt/Byrne/Brawn/Schumacher.

A nomeação de Marco Mattiacci é um passo arriscado nos lados de Maranello - o segundo em poucos meses, depois da decisão de colocar Kimi Raikkonen, um campeão do mundo, para correr com Fernando Alonso. Mattiacci é jovem, gestor competente da marca Ferrari na América do Norte, mas sem nenhum tipo de experiência na gestão esportiva. Pode ser um fracasso total, já que a história recente da F-1 premiou com vitórias chefes que vieram de dentro do automobilismo como Christian Horner, Eric Boullier, Martin Whitmarsh e o próprio Stefano Domenicali.

Mas não vamos esquecer de um tal Flavio Briatore, polêmico até o último fio de cabelo branco, mas que desembarcou na Fórmula 1 sabendo apenas como se geria uma cadeia que confeccionava roupas e amealhou um punhado de títulos e vitórias pouco mais de uma década comandando equipes na categoria.