24out/1415

Rosberg joga pelo título em Austin

Matematicamente não, mas uma nova derrota deixa Rosberg dependendo de um milagre

Matematicamente não, mas uma nova derrota deixa Rosberg dependendo de um milagre

Com 17 pontos de desvantagem para Lewis Hamilton na tabela, a missão de Nico Rosberg para a dobradinha Estados Unidos-Brasil é simples: descontar pelo menos quatro em relação ao companheiro de equipe. Assim, ele chegaria para a final em Abu Dhabi com 13 pontos de desvantagem. Portanto, correria pelo título por apenas por uma vitória simples, já que diferença entre o primeiro e o segundo colocado nesta prova de pontuação dupla seria de catorze pontos (50 a 36).

Mas a tarefa do alemão perde em simplicidade por sua forma atual. Nas quatro vitórias seguidas de Lewis Hamilton, Rosberg cedeu a liderança em três delas (em Monza e em Sochi por erros seus, em Suzuka por sua inabilidade de se entender com o carro na pista molhada). Apenas em Cingapura, quando sofreu com um problema eletrônico antes mesmo da largada, que o alemão nem teve a chance de lutar pela vitória. Ou seja, a tranquilidade de atual Hamilton ocorre muito em cima de um momento de fraqueza do adversário.

Fraqueza que surgiu logo após toda a polêmica do GP da Bélgica em Spa-Francorchamps. Crucificado pela equipe pelo toque que arruinou a prova do companheiro de equipe, Rosberg acabou constrangido a pedir desculpas públicas pelo incidente. Coincidência ou não - provavelmente não -, nunca mais demonstrou a mesma confiança de antes no duelo contra Hamilton.

Neste cenário, é fundamental para o alemão dar uma resposta já na corrida em Austin. Se chegar atrás de Hamilton numa dobradinha, verá o rival abrir 24 pontos de vantagem - e o inglês quase teria a chance de encerrar matematicamente o Mundial já no Brasil: em caso de nova vitória em Interlagos com abandono de Rosberg ele abriria 49 pontos de vantagem para a decisão de Abu Dhabi, necessitando de um mero décimo lugar para liquidar a fatura.

Mais do que isso, uma quinta vitória consecutiva tão perto do encerramento do Mundial daria a Hamilton a tranquilidade necessária para administrar sua vantagem. Em termos psicológicos, o inglês tem um “match point” a favor nos Estados Unidos. Sobra para Rosberg a obrigação de se defender dele.

(Texto da coluna “Direto do Paddock”, publicada na edição de hoje do Diário Lance!)

22out/1413

Éramos três

O futuro das equipes da F-1 seria assim? (Foto: McLaren)

O futuro das equipes da F-1 seria assim? (Foto: McLaren)

Os problemas financeiros da Caterham apontam que a perspectiva é real da Fórmula 1 perder algumas equipes para o ano que vem. Além dela, a Marussia e a Sauber também atravessam sérias dificuldades pelo que se comenta nos bastidores. Na espiral descontrolada de custos da categoria, os times seriam vítimas de um sistema perverso que acaba premiando quem gasta mais e prejudicando quem não tem o que gastar.

No meio disso, não há nenhuma decisão quanto à possibilidade das equipes contarem com um terceiro carro. Eric Boullier, da McLaren, já disse que seria preciso pelo menos seis meses para tornar isso uma realidade. Uma pena que a abertura do Mundial de 2015 vai acontecer daqui a menos do que cinco meses.

Mas vamos entrar no mundo das suposições aqui: se os três times citados fechassem suas portas e os oito restantes colocassem um terceiro carro, como ficariam os times? Para este exercício, levo em conta uma condição que se comenta nos bastidores: o piloto do terceiro carro não pode ter mais de um ano de experiência na Fórmula 1 (a ideia por trás seria de dar dois anos para estreantes terem a chance de se ambientar à categoria e mostrar seu potencial).

Mercedes
Além de manter a dupla atual, o time chamaria o hoje piloto reserva Pascal Wehrlain. O alemão de vinte anos recém-completados é o novo xodó da marca, tendo vencido neste ano sua primeira corrida na DTM.

Red Bull
Tendo já confirmados Daniel Ricciardo e Daniil Kvyat, a terceira vaga ficaria com Carlos Sainz Jr., campeão da World Series e potencial candidato à vaga na Toro Rosso num mundo de equipes com dois carros.

Williams
Com Felipe Massa e Valtteri Bottas anunciados em Monza para o ano que vem, a escolha  pelo piloto reserva Felipe Nasr é mais do que lógica, pelo crescimento demonstrado na temporada da GP2 e pelo apoio que traz do Banco do Brasil.

Ferrari
A dupla formada por Sebastian Vettel e Kimi Raikkönen traz dois campeões mundiais, o que permitiria à equipe de Maranello arriscar, trazendo o promissor Raffaele Marciello para o terceiro carro, apesar da temporada irregular demais que ele fez na GP2.

McLaren
Ainda acho que Fernando Alonso não é louco de ficar um ano fora da F-1 e vai afinar suas condições com as da McLaren-Honda, se é que já não o fez. Assim, ele correria ao lado de Kevin Magnussen e, no terceiro carro, o belga Stoffel Vandoorne, oriundo da GP2.

Force Índia
Nico Hülkenberg já foi confirmado e Sergio Perez faz temporada no nível do alemão, merecendo a renovação. A terceira vaga poderia ser ocupada pelo piloto de testes Daniel Juncadella, mas no meu exercício de fantasia ela acabaria nas mãos de Susie Wolff, garantindo ao time um bom desconto no pagamento dos motores Mercedes, oferecimento do maridão Toto.

Toro Rosso
Com vagas em profusão, Jean-Eric Vergne seria mantido pela experiência correndo ao lado de Max Verstappen, com o terceiro carro reservado ao eventual campeão da GP3, o inglês Alex Lynn.

Lotus
O time manteria a dupla deste ano formada por Romain Grosjean e Pastor Maldonado. A terceira vaga iria, por merecimento, para o francês Esteban Ocon, de apenas 18 anos e campeão da F-3 Europeia logo em seu ano de estreia.

Reforço que a lista acima é um mero exercício de fantasia meu. Mas na perspectiva, a meu ver ruim, de termos três times do grid fechando as portas, seria pelo menos uma solução interessante para termos um bom elenco de pilotos. E, pelo menos, a categoria se livraria da qualidade questionável de nomes como Max Chilton e Marcus Ericsson. Amém.

21out/144

Três candidatos, uma vaga

Sainz (esq.), Lynn (centro) estão na briga com Vergne. Pierre Gasly (dir.) aguarda um pouco mais (Foto: GEPA/Red Bull)

Sainz (esq.), Lynn (centro) estão na briga com Vergne. Pierre Gasly (dir.) aguarda (Foto: GEPA/Red Bull)

O mercado de piloto aos poucos vai andando, mesmo com a indefinição em relação ao futuro de Fernando Alonso - mais um sinal de que ele não é o “tomador de decisões” como alegou em recentes entrevistas. Ontem, Nico Hülkenberg teve seu contrato renovado com a Force Índia. A oficialização de Sebastian Vettel na Ferrari é iminente.

Uma vaga que me deixa curioso é a da Toro Rosso. Vale lembrar que em 18 de agosto, o time foi o primeiro do grid a confirmar sua dupla de pilotos para o ano que vem, com o estreante Max Verstappen correndo ao lado de Daniil Kvyat. Mas os acontecimentos surpreendentes de Suzuka jogaram o russo para a “matriz” Red Bull e abriram uma vaga na “filial”. São três os candidatos.

Jean-Eric Vergne ganhou uma luz no fim do túnel. Após três temporadas na equipe - e sendo deixado para trás na hierarquia do programa de pilotos por Daniel Ricciardo e por Kvyat - sua era na Fórmula 1 parecia fadada ao final. Mas ele ganhou moral com boas corridas em Cingapura e no Japão. E conta com o apoio dos principais nomes da equipe técnica de Faenza, que vêem na sua experiência um ingrediente importante para o desenvolvimento do carro do ano que vem. Para Helmut Marko, que terá a palavra final, Vergne aparece como um parâmetro mais válido para ajudar o estreante Max Verstappen e também testar o potencial do holandês.

Carlos Sainz Junior seria a escolha natural, depois do título confirmado neste último final de semana na World Series. O espanhol também agradou nos testes que fez com um carro de Fórmula 1 e, por isso tudo, seria o favorito à vaga. Mas nunca dá para enxergar qual a lógica de Marko na hora de tomar as decisões. Há quem aponte uma falta de brilhantismo na sua conquista da World Series. Injusto pelas seis vitórias conquistadas neste ano. Justo pelo final de semana apagadíssimo que teve em Jerez, no encerramento da temporada.

Alex Lynn aparece correndo por fora, mas com alguma chance de ser o escolhido. O inglês precisa de um mísero pontinho na rodada dupla de Abu Dhabi para sacramentar o título da GP3. Impressionou bastante pela regularidade em seu ano de estreia na GP3. Uma escolha sua seguiria a mesma lógica da escolha feita a favor de Kvyat no ano passado: uma aposta num piloto ainda com pouca experiência em carros mais potentes, mas que vive um momento de alta.

Quem leva?

20out/1414

Estamos salvos

Um brinde pelo sucesso de hoje e o de amanhã

Um brinde pelo sucesso de hoje e o de amanhã

Junho de 2012. Era um início de tarde ensolarado no paddock do circuito de rua de Valência quando levei um verdadeiro choque. “O futuro da Fórmula 1 sou eu, Grosjean e Perez. Isto é muito claro”. O brado de Pastor Maldonado veio pouco mais de um mês depois de sua vitória em Barcelona e me fez refletir até se valeria a pena continuar fazendo a cobertura da categoria.

Não que os três citados pelo venezuelano não possuam qualidades. Mas já na época era claro que elas apareceriam de maneira pontual. Maldonado brilhou no GP da Espanha de 2012, Sergio Perez pilotou demais no GP da Itália do mesmo ano, Romain Grosjean ameaçou quebrar a sequência de vitórias de Sebastian Vettel no GP do Japão do ano passado. Mas falta consistência - e sobram erros - nos três.

Pois, para meu alívio, o Mundial de 2014 acelerou o processo de renovação da categoria. Num campeonato inteiramente dominado pela Mercedes, quem aparece logo abaixo de Hamilton e Rosberg são duas promessas - e já com cara de garantia de um futuro brilhante para eles e para o esporte: Daniel Ricciardo e Valtteri Bottas (confira no final do post um duelo eletrizante entre os dois na Fórmula Renault).

O australiano não deu a menor bola para os defeitos do RB10 e, desde a primeira corrida, impôs o tom dentro da Red Bull. Seus resultados acabaram amplificados diante das dificuldades enormes que o tetracampeão Sebastian Vettel passou com o mesmo equipamento. E a cada derrapada do alemão, o sorriso de Ricciardo parecia crescer de intensidade, dentro e fora do capacete. Especialmente dentro, com triunfos inspirados no Canadá, na Hungria e na Bélgica. O único além da dupla da Mercedes a festejar uma vitória até aqui.

O finlandês é outro que impressionou bastante neste ano, também pela vantagem em cima do companheiro de equipe. Em que pese a série de infortúnios que Felipe Massa sofreu neste ano, tornando cínica a comparação entre ambos apenas em cima dos pontos marcados, é inegável que Bottas provou ter a consistência que sempre faltou ao brasileiro. Mesmo cometendo erros pontuais, como na corrida na Austrália ou na classificação na Rússia, o finlandês deixou claro que aprende rápido, se concentra apenas no que é importante e vai atrás dos resultados com firmeza e confiança. Traços que ficam evidentes também no momento das entrevistas, com respostas diretas e sinceras.

Enquanto isso, Grosjean e Maldonado (especialmente este) anda comendo o pão que o diabo amassou numa pouco competitiva Lotus. E Sergio Perez já desperdiçou uma chance de ouro numa equipe de ponta, mais por sua postura equivocada do que por qualquer atributo nas pistas.

Com Ricciardo e Bottas, estamos salvos. E ainda temos mais dois nomes promissores para observar a evolução em 2015: Daniil Kvyat e Max Verstappen. Essa nova geração pode ficar cada vez melhor. Sorte da Fórmula 1.

17out/144

Credencial – GP da Rússia de 2014

Luis Fernando Ramos, Julianne Cerasoli e Gabriel Lima debatem os acontecimentos das últimas semanas na Fórmula 1: as culpabilidades no grave acidente com o francês Jules Bianchi; o momento positivo de Lewis Hamilton no campeonato após o GP da Rússia com sua quarta vitória consecutiva; a ida iminente de Sebastian Vettel para a Ferrari e as incertezas sobre o futuro de Fernando Alonso. Muitas opiniões interessantes para assuntos idem. Ouça, baixe, divulgue!

15out/1415

Um tapa merecido

As respostas estavam lá. Nós também

As respostas estavam lá. Nós também

É raro, para não dizer inédito, uma equipe de Fórmula 1 soltar um comunicado público contra o que foi publicado em alguns veículos da imprensa, como fez hoje a Marussia. Em tempos em que nada se apura, tudo se copia e surgem aos borbotões “especialistas” em F-1 que passam o dia sentados diante de um computador no quarto de casa, não é realmente algo que valha a pena fazer.

Mas é nesse caso absolutamente apropriado. Existe apenas um fato: Jules Bianchi luta pela vida num Hospital no Japão e sua situação é delicada. Isso ficou claro pela tocante e franca entrevista feita pelo colega Paolo Ianieri, da Gazzetta Dello Sport, com o pai do piloto lá na cidade de Yokkaichi. A família que vive um drama terrível e Philippe, o pai, se apega na esperança do amor que um pai possui para um filho para manter a fé.

Claro que as circunstâncias que levaram ao acidente precisam ser estudadas e entendidas. A FIA mesmo fez uma coletiva de imprensa em Sochi na sexta-feira e exibiu para nós a imagem do acidente captada por uma das câmeras de segurança deles na pista de Suzuka - não confundir com as imagens da transmissão, que ficam a cargo da FOM.

Nelas dá para ver claramente como Adrian Sutil perde a traseira de seu carro ao sair um pouquinho da linha ideal, pegando uma parte da pista com maior volume de água. A Sauber do alemão roda, perde velocidade e bate na barreira de pneus. Pouco depois, a mesma câmera capta o acidente de Bianchi. O início é idêntico, com o carro perdendo a traseira. Mas o francês reage com um rápido contra-esterço, a Marussia ganha aderência e segue praticamente em linha reta para fora da pista. Ao passar por grama e brita molhadas, parece mal perder velocidade antes do impacto com o trator.

Achei que a imprensa presente se saiu muito bem nas perguntas feitas na coletiva, todas apropriadas, corretas e sem sensacionalismo. Mas há profissionais ruins em todas as áreas e no jornalismo não é diferente. Primeiro alguém escreveu que o piloto não tinha tirado o pé na volta do acidente. Mas, na própria coletiva, o delegado-técnico da FIA Charlie Whiting já afirmara que Bianchi diminuiu a velocidade ao passar na área da bandeiras amarelas duplas.

Depois veio a afirmação de que a Marussia teria incentivado o piloto a ir mais rápido pois estava perdendo terreno na briga com Marcus Ericsson pela 17ª colocação. Curiosamente, a “informação” veio de jornalistas que nem estavam presentes na Rússia. A equipe desmentiu a veracidade disso da maneira categórica.

O problema é que a cobertura da F-1 hoje, com tantos sites trabalhando a distância e copiando indiscriminadamente tudo o que circula sobre a categoria, acaba jogando joio e trigo no mesmo saco. Quando o assunto é o contrato de um piloto, acaba confundindo o leitor, mas até aí é algo inofensivo, ainda que errado e inaceitável. Mas quando há uma vida em jogo e uma família em profundo sofrimento, é mais do que isso.  É abjeto.

A situação é uma pena, pois a atuação irresponsável de alguns acaba denegrindo a imagem geral de todos. É por isso que vale sempre a recomendação: ao invés de ler tudo o que sai, vale a pena ler só o que você sabe que tem credibilidade. Assim você acaba melhor informado e, o principal, ganha mais tempo para fazer outras coisas importantes.

Pense nisso.