3mar/1534

Muito obrigado!

Uma experiência para a vida toda

Uma experiência para a vida toda

Foi em março de 2011, há quatro anos portanto, que o TotalRace surgiu. Daria para dizer que ele veio do nada, mas o correto é afirmar que veio do esforço de muitas pessoas que acreditaram ser possível ter um site de Fórmula 1 no Brasil com um conteúdo diferenciado, respeitando o dicionário onde produzir vem antes de reproduzir.

Hoje, chega ao fim minha participação neste site, que vai continuar seu caminho com a autonomia conquistada ao longo desse tempo. Despedidas fazem parte da vida, algumas são mais dolorosas que outras mas, como eterno otimista que sou, sempre vejo a ocorrência deles como um processo de recomeço - fica um lugar/pessoa/espaço para trás, outro surge adiante. O que vale para quem vai e para quem fica.

Em breve meu blog estará abrigado em outro espaço, o UOL Esporte. Continuarei também produzindo reportagens para o Lance! e para a Rádio Bandeirantes, estando presente em todas as etapas da temporada.

Deixo em ótimo espírito essa casa que ajudei a criar com tanto carinho e empenho, olhando para trás com orgulho tudo o que conquistamos juntos neste tempo. Ainda tão jovem, o TotalRace já é faz tempo referência internacional na cobertura de Fórmula 1, com o conteúdo sendo reproduzido constantemente em sites do mundo todo.

Uma vitória que não seria possível sem um grande número de pessoas, a quem faço questão de agradecer. Um muito obrigado ao Felipe Motta, Julianne Cerasoli, Bruno Vicaria, Rian Assis, Guilherme Carvalho, Gabriel Lima, José Edgar de Mattos, Pedro Lopes, Thiago Alves, James Moy, Gerald Enzinger, Karin Sturm, Will Buxton (e a todos os outros colegas que contribuíram com a Coluna “Olhar Estrangeiro”), Luiz Razia, Lucas di Grassi, Anderson Giorgi, Emanuel Colombari e a todos mais que colaboraram com a redação de alguma forma; e muito obrigado também à toda turma da retaguarda: Erick Melo, Ivan Bastos, Rodrigo Mourão, Vinicius Christe, Oscar Neves, Ana Paula Meira, PC Basso, Sérgio Buchabick, Arturo Kelmer e outros que contribuíram nessa jornada. O respeito e a amizade a gente carrega para sempre, os caminhos profissionais inevitavelmente se cruzarão no futuro.

Muito obrigado também à vocês leitores, que tornaram desde sempre essa página a mais lida do site depois da home, o que me deixa muito lisonjeado. Vejo-os em breve no novo espaço do blog. Sucesso e longa vida ao TotalRace!

1mar/156

Barcelona, dia 8

Daniel Ricciardo vai para sua Austrália com uma ou outra preocupação na bagagem

Daniel Ricciardo vai para sua Austrália com uma ou outra preocupação na bagagem

Os testes de pré-temporada se encerraram neste domingo em Barcelona, com Valtteri Bottas da Williams marcando o melhor tempo do dia em 1min23s063, com o composto de pneus supermacio. Foi novamente uma semana de vencedores e perdedores. Vale a pena conferir como cada time se saiu no trabalho destes quatro dias.

QUEM IMPRESSIONOU
Mercedes
Na última semana de testes, o time campeão finalmente mandou seus pilotos para a pista com pneus macios e o resultado foi um sinal contundente de que a superioridade da temporada passada vai continuar, com Nico Rosberg marcando na sexta-feira o melhor tempo de toda a pré-temporada em 1min22s792. Ainda que seus pilotos reclamassem por vezes do equilíbrio do carro, os tempos do time em ritmo de corrida confirmam que a Mercedes deve correr sozinha também em 2015.

Williams
Finalmente a equipe fez algumas simulações de performance com o carro. E ficou muito satisfeita com o resultado. O melhor de Felipe Massa com os pneus macios ficaram a cerca de sete décimos da melhor marca da Mercedes com o mesmo composto - repetindo a distância que separavam os dois times no final do ano passado. O carro se mostra extremamente confiável e a equipe tem tudo para começar o ano lutando por pódios.

Sauber
O time parece ter resolvido os problemas de confiabilidade que apareceram na semana passada, completando mais de cem voltas em todos os dias de atividade. O que será importante. A Sauber vai para Melbourne justamente com a esperança de capitalizar em cima de uma boa confiabilidade, aproveitando que outros times ainda lutam para completar a distância de um GP.

QUEM FEZ O ESPERADO
Ferrari
Concentrou-se esta semana em trabalhar no ritmo de corrida e o SF15-T mostrou boa confiabilidade. Time parece animado, mas ainda incerto em relação a onde eles estarão neste segundo pelotão. A tendência é logo atrás da Williams, pouco à frente da Red Bull.

Lotus
Completou o cronograma trabalhando em variações no acerto do carro e em simulações de corrida. Hoje, teve o trabalho encurtado após um acidente com Pastor Maldonado ao volante - apesar de ser tentador colocar a culpa no piloto, testemunhas confirmam a versão de uma falha no freio do carro. Que está pronto para a estreia, mas ainda em busca de mais performance.

Toro Rosso
Mais uma semana boa pela quilometragem acumulada. O time trouxe várias atualizações para este teste e o resultado em termos de confiabilidade parece ter sido bom. A performance indica o time num terceiro pelotão, mas com chances de pontuar com certa frequência. Depois de tanta quilometragem acumulada na pré-temporada, a dupla de pilotos estreantes está certamente pronta.

QUEM DECEPCIONOU
Force Índia
Conseguiu colocar o carro deste ano na pista, afinal. E ele se mostrou bem confiável. Mas o atraso certamente deixa o time desvantagem para o início da temporada, algo que os próprios pilotos reconhecem. Ainda terá trabalho para que eles fiquem à vontade em relação ao acerto e à busca de mais performance.

Red Bull
O carro não é ruim e o time tem tudo para se juntar à Williams e Ferrari na disputa por pódios, atrás da dupla da Mercedes. Mas a semana em Barcelona ilustrou que o RB11 ainda deve um pouquinho em termos de confiabilidade, o que nunca é uma boa notícia logo antes do início da temporada.

McLaren
Viveu um sábado de sonhos com Jenson Button completando mais de cem voltas, mas ficou nisso. O potencial do MP4-30 existe, mas as dificuldades para fazer com que ele complete a distância de um GP indica que vai demorar um certo tempo para explorar as qualidades do carro. Vai para a Austrália com o único objetivo de terminar.

Os tempos do dia:
1. Valtteri Bottas Williams 1:23.063 89 voltas
2. Sebastian Vettel Ferrari 1:23.469 127 voltas
3. Felipe Nasr Sauber 1:24.023 159 voltas
4. Max Verstappen Toro Rosso 1:24.527 84 voltas
5. Daniel Ricciardo Red Bull 1:24.638 69 voltas
6. Sergio Perez Force India 1:25.113 127 voltas
7. Nico Rosberg Mercedes 1:25.186 148 voltas
8. Jenson Button McLaren 1:25.327 30 voltas
9. Pastor Maldonado Lotus 1:28.272 35 voltas

28fev/1514

Barcelona, dia 7

A Mercedes ainda sobra, mas a Ferrari dá sinais de que pode brigar por pódios

A Mercedes ainda sobra, mas a Ferrari dá sinais de que pode brigar por pódios

Pelo segundo dia consecutivo a Mercedes ficou no topo da folha de tempos nos testes de pré-temporada que as equipes da Fórmula 1 estão realizando no circuito de Barcelona, na Espanha. A marca obtida por Lewis Hamilton neste sábado, 1min23s022, ficou abaixo da que Nico Rosberg havia registrado no dia anterior, 1min22s792, ambos os tempos registrados com pneus macios.

- Não foi um dia espetacular. A pista parece ter perdido um pouco de aderência nos últimos dias, então a sensação não foi muito boa. Mas me sinto bem no carro. Tentamos entender algumas coisas em relação ao acerto e tivemos uma indicação clara na parte da tarde. Não vejo a hora da primeira corrida, vai começar a diversão - analisou o campeão de 2014.

Mas o tempo de Hamilton foi suficiente para ser mais veloz que outras equipes que utilizaram os pneus supermacios. Caso do brasileiro Felipe Massa, que marcou 1min23s262 - e, certamente, não tinha tão pouca gasolina no carro, já que na quinta-feira havia feito um tempo menos de três décimos de segundo mais lento, com os macios. O piloto da Williams reconhece a superioridade da Mercedes, mas encerra sua participação na pré-temporada animado com suas chances.

- Os sinais são positivos em ritmo de corrida e o carro se mostrou muito consistente. Não somos o único carro veloz na pista e acho que a briga atrás da Mercedes vai ser interessante. Agora é me preparar para a primeira corrida da temporada em Melbourne, e estou bastante animado - resumiu Massa.

Um dos times que deve brigar com a Williams é a Ferrari. Kimi Raikkonen marcou o terceiro melhor tempo do dia, também com pneus supermacios, uma volta praticamente idêntica à de Felipe Massa. A McLaren, que vinha de uma quilometragem animadora na sexta-feira, voltou a sofrer. Com o piloto de testes Kevin Magnussen ao volante, o time completou apenas 38 voltas e encerrou o trabalho cedo depois de um vazamento de óleo no motor.

Neste domingo acontece o último dia de testes da pré-temporada e o único brasileiro em ação será Felipe Nasr, da Sauber.

Os tempos do dia:
1º Lewis Hamilton (Mercedes) 1m23.022s 76 voltas
2º Felipe Massa  (Williams) 1m23.262s 102 voltas
3º Kimi Raikkonen (Ferrari) 1m23.276s 135 voltas
4º Carlos Sainz Jr (Toro Rosso) 1m24.191s 132 voltas
5º Romain Grosjean (Lotus) 1m24.200s 116 voltas
6º Marcus Ericsson (Sauber) 1m24.477s 123 voltas
7º Nico Hulkenberg (Force India) 1m24.939s 158 voltas
8º Kevin Magnussen (McLaren) 1m25.225s 39 voltas
9º Daniel Ricciardo (Red Bull) 1m25.742s 128 voltas

28fev/155

Barcelona, dia 6

Uma volta fantasmagórica - para os concorrentes - de Rosberg

Uma volta fantasmagórica - para os concorrentes - de Rosberg

O chefe da Mercedes Toto Wolff interrompeu uma entrevista que dava no motorhome de sua equipe no circuito de Barcelona quando foi informado que Nico Rosberg estava para entrar na pista com pneus macios. Foi a primeira vez que o W06 utilizou o composto na pré-temporada e Wolff pressentia que algo especial estava por vir.

Numa série de apenas quatro voltas, o vice-campeão registrou 1min22s792 em sua melhor passagem. Um golpe duro para os concorrentes. Na quinta, o melhor tempo de Felipe Massa - também com pneus macios - havia sido em 1min23s500 - uma marca mais de sete décimos de segundo mais lenta.

- Estou feliz com minhas duas voltas no final, eu acertei tudo bem e elas foram idênticas, então foi um bom final de dia. Estamos confiantes que temos um bom carro e começo a me sentir bem nele. Ao mesmo tempo, sabemos que outros estão marcando bons tempos e não estamos dando nada por vencido - disse o alemão.

A vantagem é similar à que separava os dois times na última corrida do ano passado, quando a pole de Rosberg foi cerca de seis décimos de segundo melhor que o tempo de Felipe Massa. Em relação ao tempo da Williams desta sexta-feira, a vantagem foi acima de um segundo: Valtteri Bottas registrou 1min23s995, também de pneus macios. O finlandês, que não escondeu o espanto com o ritmo da Mercedes, louvou também o trabalho de sua equipe.

- Foi bom se concentrar em performance e trabalhar para diminuir os tempos de volta. Foi um dia cheio, mas ainda há mais por vir. Me sinto animado e o equilíbrio do carro é bom - afirmou o companheiro de Felipe Massa.

Também com pneus macios, utilizados numa simulação de classificação, o brasileiro Felipe Nasr encerrou o dia com o terceiro melhor tempo. Mais do que a marca, o piloto celebrou um programa bastante produtivo com 140 voltas completadas no total - apenas Sebastian Vettel, da Ferrari, andou mais, completando 142 voltas.

- Um dia muito produtivo. De manhã fiz séries curtas de voltas para sentir o carro com pneus macios e médios. À tarde fiz uma simulação de corrida com diferentes compostos. Foi uma boa experiência, agora entendo melhor o carro nestas condições. Demos mais um passo à frente - avaliou o brasileiro.

Quem também teve muito o que comemorar foi a McLaren. Pela primeira vez na pré-temporada, a equipe completou mais de cem voltas com o MP4/27. Jenson Button ficou com o quinto melhor tempo do dia.

Os tempos do dia:
1. Nico Rosberg Mercedes 1:22.792 106 voltas
2. Valtteri Bottas Williams 1:23.995 90 voltas
3. Felipe Nasr Sauber 1:24.071 140 voltas
4. Sebastian Vettel Ferrari 1:25.339 142 voltas
5. Jenson Button McLaren 1:25.590 101 voltas
6. Pastor Maldonado Lotus 1:26.705 140 voltas
7. Max Verstappen Toro Rosso 1:26.705 139 voltas
8. Daniil Kvyat Red Bull 1:26.965 84 voltas
9. Nico Hulkenberg Force India 1:28.412 77 voltas

26fev/1534

Barcelona, dia 5

Aos poucos, a Williams dá pinta de que pode começar como melhor do resto

Aos poucos, a Williams dá pinta de que pode começar como melhor do resto

Felipe Massa já exibia confiança no início da semana pelas redes sociais. “2015 promete!”, escreveu o piloto na sua conta no Instagram como comentário de uma foto da sua celebração com os mecânicos da Williams após o segundo lugar obtido no GP de Abu Dhabi do ano passado. Depois dos testes desta quinta-feira em Barcelona, o ânimo deve ter aumentado ainda mais: o brasileiro marcou o melhor tempo da pré-temporada no circuito: 1min23s500.

A marca, obtida com pneus macios, indica que o time pode se destacar como o principal perseguidor da Mercedes no início da temporada - um papel que desempenhou nas últimas corridas do ano passado. O FW 37 recebeu diversas novidades para esta última semana de testes, nas asas dianteira, traseira, assoalho e nas entradas de ar laterais. O fato de Massa ter completado mais de 100 voltas mostra também que as mudanças não afetaram a confiabilidade do modelo.

- Foi um bom dia para nós, em que o carro se comportou bem. Quando experimentamos o novo composto macio de pneus, conseguimos fazer algumas voltas rápidas. O FW37 não teve nenhum tipo de problema e tem sido assim desde o primeiro teste em Jerez - destacou o brasileiro.

A Mercedes também trouxe muitas novidades em seu carro para a última semana de testes. Lewis Hamilton marcou logo de cara um tempo competitivo - 1min24s881, com pneus médios. Mas não foi um dia sem dores de cabeça para o atual campeão. Logo no início da tarde, um problema no KERS encerrou as atividades e Hamilton foi o segundo que menos andou nesta quinta.

Nenhuma surpresa em constatar qual time ficou mais tempo parado nos boxes. A McLaren seguiu sua pré-temporada de pesadelos com Jenson Button completando apenas sete voltas, com um problema hidráulico gerando a necessidade de troca da unidade de potência. Como se não bastasse, o time ainda pode perder Fernando Alonso para a abertura da temporada em Melbourne - o espanhol está descansando em sua casa em Oviedo após o acidente sofrido no último domingo e o time ainda não pode garantir a sua participação no GP da Austrália.

Os tempos do dia:
1. Felipe Massa Williams 1:23.500 101 voltas
2. Marcus Ericsson Sauber 1:24.276 122 voltas
3. Lewis Hamilton Mercedes 1:24.881 48 voltas
4. Daniil Kvyat Red Bull 1:25.947 75 voltas
5. Romain Grosjean Lotus 1:26.177 75 voltas
6. Kimi Raikkonen Ferrari 1:26.327 80 voltas
7. Carlos Sainz Jr. Toro Rosso 1:26.962 86 voltas
8. Jenson Button McLaren 1:31.479 7 voltas

26fev/155

O preço da falta de transparência

Perdidinho na hora de dar as respostas necessárias...

Perdidinho na hora de dar as respostas necessárias...

A McLaren distribui na segunda-feira um longo comunicado sobre o acidente de Fernando Alonso, ocorrido no dia anterior durante os testes de pré-temporada da Fórmula 1 em Barcelona. O documento afirma que a condição do piloto foi considerada “normal” após os exames de rotina e de que ele seria mantido no hospital para se recuperar dos efeitos do sedativo que recebeu.

O texto também traz a versão da equipe para o acidente, colocando nas rajadas de vento que incidiam sobre o circuito a causa da batida. O espanhol teria perdido o controle do carro por isso e batido contra o muro. O time categoricamente nega qualquer tipo de falha mecânica ou problema com a bateria do Kers.

Ainda assim, muita gente vê inconsistência no que foi relatado. A longa permanência do piloto no hospital não sustenta o diagnóstico apresentado pela equipe. A causa do acidente também não: porque Sebastian Vettel, que vinha logo atrás de Alonso no momento do acidente, não sofreu a ação do vento e nem relatou nada a respeito?

É difícil, mas não impossível, imaginar que o time queira esconder algo mais sério, como uma eventual descarga elétrica causada por um defeito na unidade de potência. Mas há um risco grande nisso: se uma outra verdade vier eventualmente à tona, a reputação do time estaria completamente manchada.

O correto seria que o time tivesse chamado um engenheiro para dar explicações à imprensa pouco depois do acidente, munido de dados de telemetria. Responderia ao questionamento dos repórteres e a situação estaria esclarecida de maneira mais convincente.

No fundo, o grande problema é a cultura que permeia à Fórmula 1. Numa paranóia doentia, há anos que as equipes omitem ao máximo questões técnicas e orientam os próprios pilotos a não falarem exatamente o que aconteceu em uma eventual falha mecânica. Essa falta de transparência é conhecida e torna cada vez menos críveis os comunicados das equipes. Não admira que a versão da McLaren tenha falhado em convencer os mais céticos.

(Texto da coluna "Direto do Paddock", publicada na edição de hoje do Diário Lance!)

25fev/1513

Os cinco acidentes mais bizarros na história da F-1

Felipe Massa se recuperou totalmente do acidente na Hungria. Outros não tiveram a mesma sorte (Foto: Ferrari)

Felipe Massa se recuperou totalmente do acidente na Hungria. Outros não tiveram a mesma sorte (Foto: Ferrari)

O acidente de Fernando Alonso no último domingo gerou inúmeras especulações. Embora a McLaren tenha distribuído um comunicado há dois dias dando detalhes do acidente, ainda restam muitas dúvidas: o vento como fator da saída de frente na curva 3 não condiziria com a velocidade reduzida do piloto naquele momento; e a longa permanência no hospital não condiziria com uma concussão leve. Seria legal ver estes pontos esclarecidos e esperamos que o sejam, mas o mais importante no momento é torcer para o espanhol se recuperar bem - três dias no hospital sugere que algo relativamente sério aconteceu.

Embora ainda não sabemos exatamente o que houve em Barcelona, a Fórmula 1 traz em sua história uma série de acidentes bizarros, envolvendo elementos improváveis. A maioria teve consequências muito graves. Fiz abaixo uma lista dos cinco casos mais importantes:

1) Alan Stacey - Lotus - GP da Bélgica de 1960

Na 25ª volta da corrida, o piloto inglês perdeu o controle de seu carro e passou reto na curva Burnenville. A Lotus bateu num pequeno muro, passou sobre arbustos e caiu num campo, com o piloto sendo atirado do carro e falecendo por conta dos ferimentos. O testemunho de torcedores deu conta que ele foi atingido no rosto por um pássaro quando acelerava na reta, o que provavelmente o fez perder a consciência - vale lembrar que, na época, os capacetes eram abertos na frente.

2) Tom Pryce - Shadow - GP da África do Sul de 1977

Na 22ª volta da corrida, um princípio de incêndio fez o italiano Renzo Zorzi estacionar seu carro no acostamento da longa reta dos boxes. Dois bandeirinhas resolveram atravessar a pista para prestar assistência, sem autorização prévia e sem notarem que uma ondulação pouco antes do local tirava a visão deles sobre carros que vinham em alta velocidade. Quatro pilotos duelavam por posições e um deles, o britânico Tom Pryce, atingiu em cheio o bandeirinha Frederik Jansen van Vuuren, de 19 anos, matando-o instantaneamente. O extintor de incêndio de 18 quilos que este carregava atingiu a cabeça do piloto em cheio, com Pryce também morrendo na hora. O objeto ainda atingiu depois o santantônio do carro, com o impacto sendo tão forte que o extintor voou sobre a arquibancada na beira da pista, indo parar no estacionamento do circuito.

3) Stefan Johansson - McLaren - GP da Áustria de 1987

Durante um treino livre, o sueco encontrou um cervo no meio da pista na saída de uma curva cega. O impacto aconteceu na suspensão dianteira esquerda do carro e foi tão forte que destruiu todo o lado da McLaren, além de rachar o monocoque. O carro ainda bateu várias vezes no guard-rail. Por muita sorte, Johansson teve apenas algumas costelas quebradas. Com dores, correu no sacrifício no domingo e chegou num heróico 7º lugar.

4) Felipe Massa - Ferrari - GP da Hungria de 2009

Ao final do Q2 no treino de classificação, o brasileiro foi de encontro à barreira de pneus - na volta de desaceleração. Massa foi atingido no capacete por uma mola que havia se soltado da Brawn de Rubens Barrichello instantes antes. A peça saiu saltitando por uma pequena reta e, depois de subir um pouco, veio na direção contrária e acertou o piloto da Ferrari. O impacto gerou uma pequena fratura no crânio e uma concussão cerebral. Mantido inicialmente em coma artificial, Massa melhorou rapidamente assim que a sedação diminuiu e voltou a competir no ano seguinte. Um verdadeiro milagre.

5) Jules Bianchi - Marussia - GP do Japão de 2014

A chuva que apertava e a visibilidade baixa tornaram traiçoeiras as condições no circuito de Suzuka. Na 42ª volta, Adrian Sutil escapou na curva Dunlop e foi parar na barreira de pneus. A direção de prova optou por acionar bandeiras amarelas duplas no local. Na passagem seguinte, o Jules Bianchi aquaplanou no mesmo ponto, mas acabou batendo de frente com o trator que fazia o resgate da Sauber de Sutil. O francês sofreu um “contusão grave na cabeça”, ficou em coma artificial por um mês e meio e, depois foi transferido para um hospital em Nice, na França, onde permanece internado. A FIA se eximiu de culpa num polêmico relatório publicado em dezembro, concluindo que o piloto não moderara a velocidade adequadamente naquele instante.

23fev/1529

Mercedes na frente após segunda bateria de testes

O potencial do W06 começou a sair das sombras

O potencial do W06 começou a sair das sombras

A segunda bateria de testes da pré-temporada acentuou a impressão de que a Mercedes continua com uma vantagem significativa sobre as adversárias. Na última hora do último dia de testes, Nico Rosberg marcou um tempo extremamente competitivo, 1min24s321, utilizando o composto médio de pneus médios.

A marca é oito décimos de segundo mais veloz que a de Kimi Raikkonen com o mesmo composto, registrada na quinta-feira. E o alemão ainda afirmou que a equipe “esperava mais” da configuração com a qual ele estava na pista naquele tempo. Será que o time ainda tem mais a mostrar?

Com a Mercedes como grande vencedora e a McLaren como clara perdedora, confira quem saiu ganhando e quem perdeu na segunda bateria de testes da pré temporada.

QUEM IMPRESSIONOU:
Mercedes - Superou um primeiro dia ruim, com um problema mecânico encurtando o trabalho no final da tarde, para voltar a andar bastante, a ponto de novamente ser o time que mais quilometragem acumulou. Além da boa confiabilidade, o W06 chamou atenção também pelo excelente ritmo de corrida demonstrado (de sete a oito décimos mais veloz por volta em relação a outras equipes grandes que andavam em configuração similar no mesmo momento). E a volta rápida de Rosberg no final mostrou que ainda há mais performance a transparecer na última semana de testes.

Red Bull - Após uma semana marcada por problemas em Jerez de la Frontera, a atual vice-campeã mostrou sua capacidade fazendo funcionar bem todas as soluções introduzidas no carro. O time conseguiu acumular boa quilometragem, sinalizando ter encontrado uma boa instalação para o motor Renault dentro do chassi do RB11. Tem tudo para começar o ano bem mais preparada do que começou a temporada passada.

Toro Rosso - A melhor coisa que uma equipe com dois pilotos estreantes pode almejar na pré-temporada é fornecer o máximo de quilometragem possível para eles. Foi o que a Toro Rosso conseguiu. Ainda que a semana não tenha sido perfeita, com alguns problemas mecânicos e dois incidentes com Carlos Sainz, o saldo geral foi positivo.

QUEM FEZ O ESPERADO:
Williams - O time de Felipe Massa continuou concentrado em acumular quilometragem e apenas no segundo dia deu sinais de seu potencial com o brasileiro andando na casa de 1min24s com pneus macios. A boa confiabilidade e o fato de serem o time com maior velocidade final de reta (como era no ano passado) são sinais positivos. Mas ainda aguardamos saber mais sobre o seu potencial em uma volta lançada.

Ferrari - Depois de impressionar em Jerez, os italianos optaram por trabalhar mais na confiabilidade do equipamento, então a semana em Barcelona ficou concentrada em séries longas de volta. Alguns problemas apareceram, o que é esperado em testes de pré-temporada. Encerra a semana tendo aprendido muito sobre o carro, mas ainda sem ter feito nenhuma simulação de corrida, ao contrário de outros times de ponta.

Lotus - Ficou no topo da folha de testes em três dos quatro dias realizados, mas foi algo muito relacionado com os pneus e a configuração com que foram à pista, muitas vezes com o composto supermacio. Certamente evoluiu com a utilização dos motores Mercedes e a confiabilidade do carro parece boa. Mas a performance ainda não é totalmente convincente comparando seus tempos com o de outros times, tanto com pneus médios como com macios.

QUEM FICOU DEVENDO:
Sauber - O time de Felipe Nasr teve uma semana mais atribulada, com o aparecimento de diversos problemas pequenos, mas que somados impediram que o time sequer se aproximasse da quilometragem acumulada em Jerez. Há também uma necessidade de melhora na performance se o time quiser capitalizar a chance de somar pontos no início de temporada, quando times mais ricos ainda podem sofrer mais problemas.

Force Índia - Andou com o carro do ano passado e, ainda assim, não completou um número compreensivo de voltas. Pôde testar vários componentes mas, enquanto não pôr o carro novo na pista, o aprendizado é bem limitado. Deve começar a temporada correndo atrás do tempo perdido.

McLaren - Uma semana tenebrosa para o time. Que a Honda tivesse problemas neste início de trabalho com a sua unidade de potência era esperado. Que as soluções empregadas para os problemas que surgiram não funcionassem, não. E ainda houve o estranho acidente de Fernando Alonso para coroar as dificuldades. O cronograma da pré-temporada está muito atrasado e vai demorar algumas corridas ainda até estar completamente preparada.

VOLTAS COMPLETADAS NA SEMANA:
1º Mercedes 446 voltas
2º Red Bull 415 voltas
3º Toro Rosso 412 voltas
4º Williams 406 voltas
5º Ferrari 345 voltas
6º Lotus 361 voltas
7º Sauber 311 voltas
8º Force Índia 304 voltas
9º McLaren 124 voltas

22fev/1514

Barcelona, dia 4

Ficou só no susto. Mas e a causa?

Ficou só no susto, ainda bem. Mas e a causa?

O último dia de treinos desta semana em Barcelona foi marcado por um grande susto. No final da sessão da manhã, o espanhol Fernando Alonso perdeu o controle de sua McLaren na saída da curva 3 e bateu contra o muro. Sem conseguir sair sozinho do carro, o piloto foi levado de ambulância para o centro médico do circuito e, depois, ao hospital onde passou por novos exames. Por precaução, o piloto ficará uma noite em observação.

O empresário do piloto, Luis Garcia Abad, não deu mais detalhes sobre o estado de saúde de Alonso, apenas que ele esteve consciente o tempo todo. Ele afirmou também que a telemetria aponta para um “acidente de Fórmula 1 normal”. Não foi o que achou o alemão Sebastian Vettel. O piloto da Ferrari vinha logo atrás de Alonso no momento da batida e disse que a velocidade do espanhol era baixa quando ele foi de repente de encontro ao muro. Difícil encontrar uma explicação convincente, espero que algo mais concreto apareça além de especulações.

O acidente encerrou prematuramente o trabalho da McLaren, coroando uma semana muito ruim para o time. Com diversos problemas na unidade de potência da Honda, o time completou apenas 124 voltas nos quatro dias de trabalho em Barcelona - uma distância que outras quatro equipes já são capazes de absorver em um único dia com seus carros.

O mais rápido do domingo foi o francês Romain Grosjean, registrando o melhor tempo da semana em 1min24s067, com o composto de pneus supermacio, o mais veloz à disposição. Quem impressionou mesmo foi Nico Rosberg, que registrou 1min24s321 com o composto médio. A título de comparação, quem chegou mais perto dessa marca usando o mesmo composto na semana foi Kimi Raikkonen, com uma volta 0s8 mais lenta feita na quinta-feira. Rosberg, porém, preferiu manter as expectativas baixas.

- Vendo os tempos, ainda não está claro onde estamos em relação aos outros. Estamos de olho na concorrência, mas estou confiante que temos um bom carro pelo menos - disse o vice-campeão de 2014.

Felipe Nasr foi o único brasileiro na pista neste último dia. Perdeu tempo na parte da manhã com problemas mecânicos, mas andou bem à tarde e encerrou o dia com o quarto melhor tempo:

- Pude testar diferentes compostos de pneus e algumas séries longas de voltas. Foi para ter uma noção do que esperar do carro e dos pneus. Acho que novamente tivemos uma pequena melhora no equilíbrio do carro - avaliou o piloto da Sauber.

As equipes da Fórmula 1 voltam a se reunir a partir da próxima quinta-feira, novamente em Barcelona, para os últimos quatro dias de testes antes do início da temporada, que acontece no dia 15 de março em Melbourne, na Austrália.

Os tempos:
1. Romain Grosjean Lotus 1:24.067 111 voltas
2. Nico Rosberg Mercedes 1:24.321 129 voltas
3. Daniil Kvyat Red Bull 1:24.941 101 voltas
4. Felipe Nasr Sauber 1:25.487 72 voltas
5. Valtteri Bottas Williams 1:25.345 127 voltas
6. Carlos Sainz Toro Rosso 1:25.604 88 voltas
7. Sebastian Vettel Ferrari 1:26.312 74 voltas
8. Nico Hulkenberg Force India 1:26.591 36 voltas
9. Fernando Alonso McLaren 1:27.956 20 voltas

21fev/1529

Barcelona, dia 3

Hoje, o MP4-30 andou para trás

Hoje, o MP4-30 andou para trás

No final dos testes de sábado em Barcelona, o resultado da McLaren mostrou a realidade que o time vem enfrentando durante toda a pré-temporada: Jenson Button ficou em último na folha de tempos e foi o piloto que menos voltas completou, apenas 24 no total. Restando apenas cinco dias de atividades de pista antes da abertura da temporada em Melbourne, o funcionamento da unidade de potência da Honda está provando ser muito mais complicado que o esperado.

Isto fica claro pelo piloto voltar a sofrer com um problema de vedação na bateria do Kers, o sistema de recuperação de energia cinética, o que já havia acontecido na quinta-feira. Isso gera superaquecimento e pode causar danos ainda maiores no carro. O time experimentou uma solução nova, que não funcionou. Assim, o cronograma de trabalho do MP4-30 vai ficando cada vez mais atrasado.

O diretor-esportivo Eric Boullier admite que o time ainda mal completou 50% dos testes que gostaria de fazer antes de começar a temporada e os problemas do sábado certamente não agradaram a Fernando Alonso, que havia completado animadoras 59 voltas na sexta-feira. O espanhol entende os problemas de um projeto complexo como os das unidades de potência da F-1 atual, mas também dá os primeiros sinais de impaciência.

- Estamos na metade do nosso programa de testes e precisamos fazer alguns progressos. A Austrália está chegando rapidamente - afirmou o espanhol, que volta a assumir o volante do carro neste domingo. Torcendo para que uma nova solução para os problemas no Kers dê resultados.

O mais veloz do sábado foi o venezuelano Pastor Maldonado, que marcou o melhor tempo da semana até aqui em 1min24s348, só que usando o composto de pneus supermacios, os mais rápidos à disposição. O holandês Max Verstappen ficou em segundo, também numa volta com supermacios. Aos 17 anos, o piloto da Toro Rosso aprendeu bastante sendo quem mais acumulou quilometragem no dia. E impressionou pela constância dos tempos nas séries longas de voltas que fez.

Felipe Massa foi o único brasileiro a participar da sessão, andando apenas na parte da manhã e registrando o sétimo melhor tempo. A segunda bateria de testes de pré-temporada se encerra neste domingo e o outro brasileiro do grid, Felipe Nasr, estará em ação com o carro da Sauber.

Os tempos:
1. Pastor Maldonado Lotus 1:24.348 104 voltas
2. Max Verstappen Toro Rosso 1:24.739 130 voltas
3. Lewis Hamilton Mercedes 1:26.076 101 voltas
4. Marcus Ericsson Sauber 1:26.340 52 voltas
5. Sebastian Vettel Ferrari 1:26.407 105 voltas
6. Daniil Kvyat Red Bull 1:26.589 110 voltas
7. Felipe Massa Williams 1:26.912 55 voltas
8. Pascal Wehrlein Force India 1:27.333 81 voltas
9. Valtteri Bottas Williams 1:27.556 48 voltas
10. Jenson Button McLaren 1:29.151 24 voltas