27jan/1510

Check-up 2015 – Williams

Grove apresenta sua arma

Grove apresenta sua arma

Passei boa parte de 2014 acompanhando de perto o trabalho da Williams, especialmente pela presença no time dos dois pilotos brasileiros envolvidos na F-1. Pude acompanhar de perto como o crescimento do time não se deve apenas a um bom pacote formado pelo FW36, o carro com melhor velocidade em retas, e a unidade de potência da Mercedes, a melhor do grid.

Deu para ver que a Williams cresceu principalmente como um todo. Ao longo da temporada, conseguiu desenvolver o modelo para compensar suas deficiências e ganhar uma performance satisfatória para pistas com diferentes características. O time também cresceu operacionalmente, minimizando erros custosos como o pitstop desastroso de Felipe Massa na China - mas ainda assim cometeu algumas falhas de estratégia até o final do ano, seja por conservadorismo ou por erro mesmo.

Assim, há margem para cima e é por isso que digo: se a Williams mostrou no ano passado que pode voltar a ser grande, agora precisa provar isso com uma segunda temporada com boa competitividade e mais consistência. As peças para isto estão no lugar certo: o time não teve nenhuma mudança significativa e ainda ganhou alguns patrocinadores a mais. É uma turma entrosada e que terá um pouco mais de recursos à disposição.

As imagens já divulgadas do FW37 apontam para um modelo bem diferente do ano anterior. Como deve acontecer com todas as equipes que usaram um bico “pontudo” em 2014, as novas dimensões previstas pelo regulamento geraram um desenho diferente na frente, que vai influir bastante no fluxo de ar no resto do carro. Por isso deu para perceber mudanças significativas nas entradas de ar laterais (menores e mais altas) e na superior (mais larga).

É correto acreditar neste momento que Red Bull, Ferrari e McLaren vão ter um ano ainda melhor que o do ano passado, o que dificultaria a tarefa da Williams em disputar posições no pódio. Mas, em cima da curva ascendente de 2014 e do clima incrivelmente positivo que existe dentro dos boxes, seria errado não colocar o time de Grove nesse bolo que deve disputar o segundo lugar no Mundial de Construtores.

O que você acha?

26jan/1510

Check-up 2015 – McLaren e Ferrari

Uma dupla de respeito

Uma dupla de respeito

Nunca na história da Fórmula 1 uma temporada começou com duas equipes compostas apenas por campeões mundiais. Só isto bastaria para dar um tempero especial para 2015, mas o que torna o cenário ainda mais interessante é que tanto a McLaren como a Ferrari começam o ano correndo por fora, apesar das estrelas que têm ao volante.

Com Fernando Alonso e Jenson Button, a McLaren vai ter à disposição experiência de sobra para fazer o time crescer. Com a Honda, volta a ter uma fornecedora de motores que aposta todas suas fichas no time. Para quem passou 2014 tendo que tirar os mecânicos dos boxes quando os engenheiros da Mercedes abriam o motor, o ganho de sinergia deve ser significativo.

O fato do V6 japonês fazer sua primeira temporada pode ser um ponto negativo. Mas vejo no carro o principal problema da McLaren. Os modelos das duas últimas temporadas foram simplesmente ruins. Assim, mais até que os pilotos ou a unidade de potência, a maior responsabilidade pelo sucesso da equipe neste ano está nas mãos da equipe técnica liderada por Tim Goss, Neil Oatley e o novo recruta Peter Prodromou. Se acertarem a mão - e se o motor não comprometer muito -, dá para esperar bons resultados por parte do time.

As mudanças na Ferrari não são menos significativas, mas podem levar mais tempo para render frutos. Novo presidente, novo chefe de equipe, primeiro projeto de James Allison, novo chefe de motores e um novo líder dentro dos boxes em Sebastian Vettel - Kimi Raikkonen deve pilotar bem, mas jamais será o incentivador interno. É natural esperar que leve um certo tempo para que todas estas peças se encaixem e funcionem com sinergia.

Na parte técnica, a dependência de sucesso vai recair em cima da unidade de potência. O modelo do ano passado não era de todo ruim e certamente forneceu uma boa base na criação do SF15-T (a Ferrari gosta mesmo de variar a nomenclatura dos carros). Mas é no motor, liderado agora por Mattia Binotto, que os italianos podem dar o maior salto em relação ao ano anterior. O único problema é que o déficit de potência era grande e Renault e Mercedes também não ficar paradas em seus projetos.

E você, o que espera da McLaren e também da Ferrari para esta temporada?

Uma dupla harmoniosa

Uma dupla harmoniosa

21jan/1515

Check-up 2015 – Force Índia

As cores e o bico são novos, mas o carro é do ano passado

As cores e o bico são novos, mas o carro é do ano passado

A Force Índia apresentou hoje no México suas novas cores para a temporada - mas não o novo carro. Nico Hülkenberg e Sergio Perez posaram para fotos com o antigo VJM07, com o prata no lugar do branco e um bico diferente, dando uma pista (e apenas uma pista) do que pode ser a área frontal do VJM08, que só deve aparecer para as câmeras na segunda bateria de testes de pré-temporada, a partir de 19 de fevereiro em Barcelona.

O motivo disso está na mudança do túnel de vento do time. Ao invés de usar o seu próprio na Inglaterra, o time passou a utilizar o da Toyota em Colônia, na Alemanha (como fazem ou já fizeram outras equipes do grid, incluindo a Ferrari). Isso permitiu que o diretor-técnico Andy Green tirasse algumas conclusões sobre o carro do ano passado. A partir disso, a ideia é estender a aplicação de um novo conceito aerodinâmico no novo modelo. Em Jerez, nos primeiros testes do ano, o time vai apenas aprender sobre os novos motores da Mercedes com o modelo de 2014.

A cerimônia de hoje no México aponta também para outra mudança importante no time. A Force Índia acabou absorvendo alguns patrocinadores que estavam antes associados a Esteban Gutierrez. A America Movil cresceu sua presença colocando no carro o logotipo da Telcel, além do da Claro que já havia em 2014. A tequila José Cuervo também passa a apoiar o time - que continua com o patrocínio da cerveja Kingfisher e da vodka Smirnoff. Só falta mesmo o patrocínio do Engov...

O cenário parece propício para o time tentar em 2015 ir além da 6ª posição no Mundial de Construtores do ano passado - a melhor de sua história junto de 2013 e 2011. Arriscando mais no projeto do carro, ainda que perca uma semana de testes, o time pode dar um salto de performance. E a entrada de mais dinheiro deve ajudar no desenvolvimento do modelo. Com uma dupla que soma oito temporadas completas na Fórmula 1, vai ser interessante ver se a Force Índia vai transformar este potencial em resultados. É um time que pode surpreender.

Concorda? Opine nos comentários!

Será que essa dupla finalmente decola?

Será que essa dupla finalmente decola?

18jan/155

Check-up 2015 – Toro Rosso

Técnica amadurecendo, pilotos verdes

Técnica amadurecendo, pilotos verdes

Desde 2008, quando o jovem Sebastian Vettel venceu de maneira surpreendente o GP da Itália em Monza, a Toro Rosso não terminava o Mundial de Construtores tão bem colocada. O sétimo lugar do time em 2014 pode ser em grande parte explicado pela fraqueza de alguns rivais (leia-se Lotus e Sauber).

Mas há muito mérito no resultado também. O diretor-técnico James Key criou no STR9 um carro competitivo, que só perdeu terreno ao longo do ano pois o time de Faenza não tem recursos para desenvolver na mesma velocidade que a maioria dos rivais. Ainda assim, o time somou pontos eventuais até o final do ano e colocou seus carros no Q3 em 16 ocasiões - seis a mais em relação a 2013, provando sua evolução.

Se na parte técnica a perspectiva é manter a curva ascendente, a dupla de pilotos aparece como a grande dúvida do time. O fato de serem ambos estreantes deve trazer mais problemas para o desenvolvimento do carro - deve levar um tempo para os dois se adaptarem ao processo de trabalho na F-1 e saber o que querem do modelo e como conduzir a isso. Resta saber se o potencial que Helmut Marko viu em Max Verstappen e em Carlos Sainz vai se confirmar - o talento poderia se sobrepor à inexperiência.

Para você, o que a Toro Rosso pode almejar para a temporada de 2015?

16jan/154

Jogo de empurra

2014: Hockenheim às moscas

2014: Hockenheim às moscas

Bernie Ecclestone declarou ontem que o GP da Alemanha vai ser em Hockenheim e não mais em Nürburgring, como era de se imaginar pelo revezamento iniciado em 2008. Eu, que não nasci ontem, corri para fazer reservas perto da pista em Baden-Württemberg. Mas mantenho meu ceticismo. Afinal, nem mesmo os organizadores de Hockenheim estão em condições de garantir a prova.

No fundo, é a velha tática de guerra de Ecclestone. Na negociação do contrato, os novos proprietários de Nürburgring pressionam por uma taxa menor a ser paga para a FOM. A pista passou por uma reforma picareta no final da década passada e o estado de Rheinland-Pfalz amargou um prejuízo e tanto. Se puderem pagar um preço razoável para a realização da prova, podem almejar algum tipo de retorno com a venda de ingressos.

Ecclestone se manteve duro e soprou para um dos quatro ou cinco jornalistas com quem tem linha direta que a prova seria em Hockenheim. Como esperado, o mundo inteiro repercutiu.

Mas vai ser mesmo?

Vale lembrar que a prova do ano passado foi um fracasso retumbante de público e deu um enorme prejuízo para os organizadores. Se o revezamento for (ou fosse) mantido, como planejado, a turma de Hockenheim teria mais tempo para se recuperar do tombo com os outros eventos que realiza por lá.

Mas, embora tenha condições estruturais e uma equipe capaz de organizar a prova deste ano, os diretores de Hockenheim também já sinalizam que só aceitariam fazê-lo se Ecclestone baixar a taxa para um valor razoável. Justamente o que Nürburgring almeja também. Até porque, no meio da confusão, os dois lados perderam a chance de incrementar a venda de ingressos no período de Natal, um dos melhores para qualquer organizador de corrida.

Conhecendo o baixo nível de bom senso do baixinho, a chance de não termos um GP da Alemanha neste ano parece um tanto concreta.

14jan/1511

Check-up 2015 – Lotus

O motor será melhor... mas e o carro?

O motor será melhor... mas e o carro?

Assim com a Sauber, a Lotus viveu também seu “Annus Horribilis” em 2014. O oitavo lugar no Mundial de Construtores não acontecia ao time de Enstone desde 2009, quando o time ainda se chamava Renault e desfacelou-se em meio aos efeitos do “Crashgate”. Pior que isso, é preciso voltar à Toleman de 1985, quando o time não pontuou com um carro que só quebrava - mas que fez uma pole-position mesmo assim.

Também como no caso da Sauber, não dá para colocar a culpa do fracasso só no motor. A Lotus atrasou a compleição do E22, perdeu a primeira bateria de testes e acabou sofrendo mais que as outras para fazer funcionar as complexas unidades de potência. Quando o fez, viu que o carro era ruim demais - apenas duas vezes (!) em toda a temporada o time viu um de seus pilotos chegar ao Q3.

Para este ano, a equipe acertou com a Mercedes e vai receber o que muito provavelmente será a melhor unidade de potência do grid. Fim das mazelas? Talvez não. O fato é que a Lotus perdeu seus dois nomes mais importantes da equipe técnica que teve tanto sucesso recentemente com Kimi Raikkonen ao volante: James Allison e Dirk de Beer. O modelo deste ano será a prova de fogo para saber se o grupo liderado por Nick Chester pode dar conta do recado.

A questão financeira também será uma sombra constante, a Lotus fazendo parte do grupo que fez campanha por uma melhor distribuição dos lucros e de custos mais razoáveis - aparentemente sem sucesso. Para completar, o time perdeu no final do ano passado um importante patrocinador para a Williams.

Na dupla de pilotos, restam dúvidas também. Mesmo numa temporada complicada como a anterior, Romain Grosjean deu novas provas de amadurecimento e foi o piloto do time que se colocou em condições de aproveitar as parcas chances de sucesso que apareciam. Já Pastor Maldonado voltou a apresentar um elevado volume de erros. Resta saber se foi por tentar ir além do que um carro limitado permitia ou se sua cabeça continua fora de sintonia com seu pé.

Qual a sua aposta para a performance da Lotus em 2015?

12jan/1516

Check-up 2015 – Sauber

Ericsson já pôde experimentar o C33 - e espera um novo carro bem melhor

Ericsson já pôde experimentar o C33 - e torce por um novo carro bem melhor

Antes de começar o lançamento dos carros de 2015, vale a pena uma análise de cada uma das equipes da temporada. Antes de saber mais sobre suas armas, a ideia aqui é olhar para o momento dos times: como terminaram a última temporada e quais as perspectivas para este ano. Começamos com a Sauber.

O time suíço viveu em 2014 o pior ano de sua história: ficou sem marcar pontos e, com o décimo lugar, amargou sua pior colocação no Mundial de Construtores desde que estreou na Fórmula 1. Colocar o fracasso na conta apenas do motor Ferrari - o pior do grid - não conta a história toda. O C33 era um péssimo carro e não trouxe respostas às mudanças tentadas pelos engenheiros ao longo do ano - a pior característica que um bólido pode ter.

Fora das pistas, a situação foi ainda pior. Monisha Kaltenborn, que já faz tempo é uma voz ativa no paddock de alerta sobre a inacapacidade da F-1 em se adaptar à nova realidade econômica mundial, lutou por mudanças no sistema da premiação da categoria. Sem sucesso. No último ano, sobraram rumores de que a Sauber fecharia as portas. Não aconteceu, mas parece claro que sobreviver economicamente será a principal tarefa administrativa do time em 2015.

Com Felipe Nasr e Marcus Ericsson, o time angariou pilotos que trazem apoio de patrocinadores - e certamente ganhou um desconto nos motores Ferrari ao acertar com Rafaelle Marciello como piloto de testes.

Chances de sucesso? Vai depender muito do C34. A Sauber tem engenheiros capazes e uma boa fábrica para aprender com os erros do projeto anterior. E a unidade de potência de Maranello deve avançar também. Conhecendo as limitações de Ericsson, as maiores expectativas de resultados ficarão com o brasileiro Nasr. Para ele e para Sauber, uma adaptação rápida à Fórmula 1 será fundamental para transformar qualquer potencial em pontos. O ano que ele passou testando e observando o trabalho da Williams tende a ajudar muito para que isso aconteça.

E quais são as suas expectativas em relação à Sauber em 2015? Comente!

9jan/151

“Tabela Verstappen” é uma vergonha

Contra talento não há argumento

Contra talento não há argumento

Não dá para dizer que me surpreendo.

Da FIA, o que se espera há tempos é alguma ação que ajuda a Fórmula 1 resolver sua crise político-econômica. Alguma medida que efetivamente traga a diminuição dos custos da categoria para ajudar as equipes em dificuldades e evitar o esvaziamento do grid. Alguma posição mais decisiva para que Bernie Ecclestone e os times de ponta revejam o modelo de distribuição dos lucros da categoria.

Mas não. Vieram com uma tabelinha.

Uma reação inútil e interesseira à polêmica contratação de Max Verstappen, que vai estrear na F-1 com 17 anos de idade e sem carteira de motorista. Ainda precisamos conferir o que o garoto pode fazer, mas quem o viu andar muito bem em piso molhado na sexta-feira em Interlagos ficou animado.

Ainda assim, exigir mais resultados e experiência de quem está chegando na Fórmula 1 não é, a princípio uma ideia ruim. O novo conceito evitaria que pilotos ruins mas endinheirados conseguissem uma vaga, gente como Marcus Ericsson, Max Chilton e Giedo Van der Garde.

Por outro lado, vale lembrar de que nada vale isso se os custos continuam lá em cima. Equipes como Marussia e Caterham sobreviveram anos à fio contando com pelo menos um (nos últimos anos, dois) desse tipo de piloto.

E a medida também evitaria a ascensão meteórica de foras-de-série como Kimi Raikkonen e Fernando Alonso, que precisaram de apenas uma (no caso do finlandês) ou duas temporadas (no do espanhol) em categorias de base para sobressaírem como talentos excepcionais. O que pode ser o caso do próprio Max Verstappen.

Tudo isso foi também discutido com propriedade pela Julianne Cerasoli no blog dela.

Só a acrescentar, o absurdo dessa medida. Ao invés de agir para resolver os problemas que se acumulam e vão acabando com a popularidade da F-1, a FIA inventa um factóide que no fundo só servirá para trazer mais dinheiro para seus cofres - como justificar, afinal, uma tabela que tire o valor da ótima World Series by Renault e supervalorize um campeonato de F-2 comandado pela própria FIA que nem saiu do papel.

Uma vergonha pura, mais uma da atual administração do esporte. Coloquemos os narizes de palhaço para aguardar pela próxima.