17mai/130

Credencial – GP da Espanha

Chegou! A nova edição do Credencial está no ar, não deixe de conferir!

Mais uma edição do "Credencial" no ar, mais de uma hora de uma conversa descontraída e informativa sobre a Fórmula 1, com tudo o que aconteceu no GP da Espanha e as tendências da categoria (imediatas e a longo prazo) com as notícias da última semana, incluindo a mudança na construção dos pneus e o retorno da Honda à categoria. E, claro, buscando responder às dúvidas de vocês. Sempre na boa companha da Julianne Cerasoli e do Gabriel Lima. Ficou um programa muito legal! Clique aqui para ouvir/baixar!

14mai/1312

Problema de foco

Três campeões mundiais com três carros equivalentes. Quer mais o quê?

A Fórmula 1 é um meio cínico, onde celebra quem vence e reclama quem perde. Sempre foi assim, sempre será. Escapamentos soprados, difusores duplos, amortecedores de massa. Basta olhar para a história recente que sempre haverá alguém descontente, culpando algum elemento técnico para justificar, mais para os patrocinadores do que para a opinião pública, uma derrota na pista. Até mesmo os pneus já foram o pivô de uma discussão recente: em 2005, quando os Michelin era claramente superiores aos Bridgestone e a Ferrari foi pressionar os franceses nos bastidores para mudarem seu produto. Como se vê, ter mais de um fornecedor não basta para cessar o mimimi. Nada adianta.

Dito isto, é uma pena que tenha se politizado a discussão sobre os pneus atuais. Achei que Paul Hembery, sempre um cara sensato, errou na conversa aos jornalistas ao afirmar que, se mudarem os pneus, a imprensa vai reclamar dizendo que a Pirelli teria dado o título nas mãos da Red Bull. Dá a impressão que foi feito um pneu anti-Red Bull. Se for o caso, poderiam fazer no ano que vem um pneu que só funcionasse nos carros de Caterham e Marussia, para equilibrar a disputa. Não é por aí.

Eu gosto da maneira que os pneus italianos apimentaram as corridas. Quando puxo na memória as corridas do Mundial de 2010, dou graças a Deus que acabaram aquelas procissões chatíssimas, com disputas só até o primeiro pitstop (e olhe lá) e um trenzinho de carros conduzidos por pilotos frustrados pela impossibilidade quase absoluta de se ultrapassar.

Mas está claro que a Pirelli errou a mão no tempero deste ano. Em janeiro eu estive no lançamento dos compostos atuais e o discurso era de corridas com duas paradas nos boxes. A média do GP da Espanha foi próxima a quatro. Ou seja, chororô de times à parte, eles mesmos não chegaram nem perto de cumprir nesta prova o objetivo que tinham proposto.

Por um lado, isto nos deu a corrida mais animada em Montmeló dos últimos anos. Por outro, confundiu ou frustrou os torcedores já que, para a própria sobrevivência da borracha, as disputas reais de ataque e defesa foram mínimas. Não deve ser assim e os italianos sabem disso.

Infelizmente a mídia internacional em geral também está perdida nesta situação e não focando no mais importante: este é um daquele raros mundiais com um equilíbrio interessante entre vários carros. Olhem só:

Temos uma Ferrari que se sobressai em ritmo de corrida especialmente em circuitos que a velocidade de reta é fundamental, como em Xangai e Barcelona. E que larga muito bem. Com isto, as deficiências do time em classificação acabam relevadas a segundo plano e os bons resultados aparecem neste tipo de circuito.

Temos uma Red Bull que funciona ao contrário, um carro que é premiado em pistas onde é o equilíbrio aerodinâmico que conta. E que pena mais em velocidade de reta, algo que eles vem sacrificando já há alguns anos. Por isso que vi um Sebastian Vettel bastante relaxado com o quarto lugar após a prova de domingo. Era uma corrida para salvar pontos e doze ficou de bom tamanho. Poderiam ter sido quinze mas eles erraram na estratégia, mostrando mais uma vez que podem se perder quando não estão no papel de líder, só controlando o que fazem os quem vêm atrás.

Temos uma Lotus bastante equilibrada e que vai bem em todos os tipos de circuito pela maneira suave com que trabalha os pneus, efeito potencializado pela qualidade de Kimi Raikkonen em fazer corridas infalíveis com a precisão de um relógio suíço, somando sempre bons pontos para suas pretensões no campeonato.

Três equipes andando em nível parecido, cada uma com seus pontos fortes e fracos e lideradas por um campeão mundial. E, como cereja do bolo, uma Mercedes diabolicamente rápida em classificação e incrivelmente lenta em ritmo de corrida, para se colocar como um fator pertubador na dinâmica das corridas deste trio da frente.

É uma equação saborosa que promete uma disputa intensa ao longo da temporada, cheia de altos e baixos para todos os envolvidos. E todo mundo olhando só para os pneus...

12mai/1324

Erga la bandera

Um piloto vencendo em casa, algo difícil de acontecer em 2013

Num Mundial de 19 corridas com apenas cinco tendo a participação de um piloto da casa, o triunfo de Fernando Alonso precisava mesmo de uma celebração especial. Pela classe com que ele a conquistou, com uma bonita manobra na primeira volta para ganhar duas posições que foram fundamentais para que sua estratégia funcionasse. Pela própria estratégia inteligente da Ferrari em adiantar a primeira parada do espanhol para que ele ganhasse a posição de Sebastian Vettel e partisse para a liderança. Pela festa intensa de uma torcida apaixonada, mais de 90 mil pessoas que foram empurrar o ídolo local para seu segundo triunfo na temporada.

- A cada ano eles fazem esforços maiores para vir, com uma crise econômica que está cada vez mais forte. Poder ganhar correndo em casa sempre é emocionante. É a terceira vez que eu faço isso, mas foi tão especial como a primeira. E poder dar um bom domingo para que estes torcedores voltem para casa com um sorriso é uma alegria dupla para esta vitória.

Diante de tudo isso, beirou o ridículo o fato da FIA ter chamado Alonso para dar explicações aos comissários depois da corrida por ter “recebido um objeto estranho” na volta de desaceleração. Era apenas uma bandeira espanhola, que tremulou em seus braços para delírio do povo nas arquibancadas. Ao final, prevaleceu o bom senso e o caso não foi levado adiante.

Adiante está a Ferrari quando as corridas acontecem em pistas que geram um alto desgaste de pneus. Foi assim na China e foi assim ontem em Barcelona. Neste caso, nem a Lotus, o carro que costuma ser o melhor em termos de preservar a borracha, encontra meios para superar o ritmo de corrida superior dos carros do time italiano. Como havia acontecido em Xangai, Kimi Raikkonen também terminou em segundo atrás de Alonso.

A prova teve um total de 79 paradas, uma média de 3,59 por carro, ilustrando a intensidade do desgaste acontecido na corrida. Quando isto acontece, quem costuma sofrer mais é a Red Bull, cujo carro é mais agressivo com os pneus. Assim, não surpreendeu o fato de Sebastian Vettel se mostrar bastante tranquilo depois de terminar o GP em 4º lugar. Somou doze pontos importantes para se manter na liderança do Mundial num dia que poderia ter sido bem pior para sua equipe.

Felipe Massa terminou em terceiro, conquistando seu primeiro pódio da temporada num momento importantíssimo. Em julho a Ferrari deve acelerar o processo de decisão sobre o companheiro de equipe de Fernando Alonso no ano que vem. E o desempenho do brasileiro em Barcelona foi o melhor sinal que ele poderia ter dado: se classificou a apenas um milésimo de segundo do espanhol, fez uma grande primeira volta para se recuperar da punição que sofreu depois do treino e terminou no pódio, tirando pontos do líder do Mundial, o alemão Sebastian Vettel. Mas Massa garantiu que uma eventual renovação de contrato não é algo em que ele pensa agora.

- Estou nessa equipe há oito anos, tenho certeza que eles já sabem o que eu posso fazer. O que mais me preocupa no momento é brigar para chegar no pódio e para vencer corridas. Faço o meu melhor dentro do carro e o resto, eles já sabem - afirmou.

Diante da melhor performance da Ferrari na temporada, que levou o time a assumir a vice-liderança no Mundial de Construtores, Massa deixou claro estar otimista para o restante do campeonato.

- Estamos num bom caminho e espero lutar por pódios em cada corrida. É o nosso ponto forte, enquanto que as classificações não tem sido fáceis para nós. É algo no qual estamos trabalhando para melhorar o carro. Mas sabemos que temos um bom carro em ritmo de corrida. Com certeza existe a chance de eu conseguir uma vitória em breve - analisou.

Com 45 pontos somados em cinco corridas, este é o seu melhor início de campeonato desde que a Pirelli passou a ser a fornecedora de pneus, a partir de 2011.

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11mai/131

O triunfo do ceticismo

Já vi primeiras filas mais animadas...

O Grande Prêmio da Espanha neste domingo possui todos os ingredientes para ser uma grande corrida. A Mercedes se consolida como o carro mais veloz do grid em ritmo de classificação ao tomar para si a primeira fila, com Nico Rosberg na pole position e Lewis Hamilton em segundo lugar. Mas os pilotos continuam bastante céticos na hora de avaliar suas chances de vitória, já que o carro da equipe apresenta um desgaste de pneus mais elevado que os dos principais rivais.

- Preciso ser cauteloso porque minha pole recente não me ajudou muito na corrida, só andei para trás e não quero viver isto de novo. Nos preparamos melhor para a corrida amanhã mas ainda assim será difícil - disse Rosberg ao final da sessão.

Para piorar, a pista espanhola é uma das mais duras com os pneus em todo o calendário.  Tanto que na opinião de Sebastian Vettel, terceiro colocado do grid, será impossível que algum piloto opte por fazer apenas duas paradas na corrida de hoje.

- Existe uma expressão alemã: eu vou comer uma vassoura se algum piloto chegar ao final da corrida amanhã com apenas duas paradas.

Quem se mostrou até agora um especialista em economizar pneus nesta temporada é o finlandês Kimi Raikkonen, que larga em quarto no grid. É, para o ídolo local Fernando Alonso, o favorito à vitória.

- É quem mais preocupa para a corrida. Nas outras etapas, ele conseguiu aliar um ritmo de corrida fantástico com pouca degradação da borracha. É o favorito - sentenciou o espanhol, um pouco frustrado ao se classificarapenas em quinto no grid.

Decepcionado ficou também o brasileiro Felipe Massa. Seu desempenho no treino foi até satisfatório, ficando a apenas um milésimo de segundo do tempo de Alonso. Mas ele acabou perdendo três posições no grid por atrapalhar Mark Webber numa volta rápida. Ganhou mais trabalho pela frente para que volte a andar perto do espanhol.

Com a primeira fila de um grid tendo, na teoria, um ritmo de corrida mais lento do que quem vem atrás, este GP da Espanha tem tudo para ser o melhor da história recente de um GP normalmente modorrento. Se eu fosse você, não perderia por nada...

Categorias: Análise 1 Comentário
11mai/132

A volta de uma parceria icônica

Os bons tempos voltaram?

Não é nada certo, mas é o que a lógica aponta: a partir de 2015, a McLaren vai correr com motores Honda, reeditando a parceria que deu tanto sucesso entre 1988 e 1992. O sempre bem informado jornalista alemão Michael Schmidt afirma que o time deixou passar o prazo de renovação de contrato com a Mercedes, que expira ao final do ano que vem. Em meio aos rumores recentes de volta dos japoneses, e diante dos custos bem mais altos que os V6 turbo trarão às equipes clientes, tudo indica que a McLaren inteligentemente foi atrás de reviver a parceria - e ganhar motores gratuitamente. O time não trocaria apenas de fornecedor para continuar gastando.

Confirmando-se isto, o efeito no mercado será interessante. A Cosworth sai de cena no final do ano e, servindo apenas a Marussia, já não tinha muita influência no meio. Mas a chegada da Honda deve enriquecer a disputa com as grandes Renault, Mercedes e Ferrari. Mais concorrência significa preços menores. Os times clientes agradecem, ainda mais nestes tempos de crise. Atualmente, dependendo do que inclui o acordo (câmbio, KERS, etc), se paga entre cinco e dez milhões de Euros. A partir do ano que vem, com os novos motores, os preços ficarão em torno de 20 milhões.

10mai/131

Fala, Claire

Claire no meio dos tubarões

O desafio de Claire Williams é enorme: recolocar o time do pai Frank no caminho do sucesso (o triunfo em Barcelona no ano passado, vimos depois, foi apenas pontual) em meio a um momento economicamente instável da categoria. Por ser a "filha do chefe", sofre ainda mais ceticismo dentro do paddock. Tive uma boa conversa com ela, abordando estes temas e entendendo como funciona sua motivação para encarar esta árdua tarefa. Ficou uma entrevista bem legal. Confira clicando aqui.

10mai/131

Uma história de amor

Onde as fadas moram

É meio clichê para isso, mas a verdade é que a minha história de amor é bastante especial. E se passa em Barcelona. Não deixe de conferir na TV Blogo, clicando aqui. Porque, como diria Shakespeare, o amor é a única loucura de um sábio e a única sabedoria de um tolo.

9mai/136

A temporada dos motorhomes

Eles estão de volta, dando o verdadeiro aspecto de "circo" para a Fórmula 1. Em tempos de crise, as mudanças são poucas - na época áurea do poço sem fundo de investimento de montadoras, faziam um motorhome diferente e maior a cada ano. Agora, dá se um tapa nos logotipos, na pintura e no interior e está pronto. De qualquer forma, aqui está o registro dos motorhomes da Fórmula 1 deste ano. Confira abaixo a galeria!