30set/142

TV Blogo – Jun Mayuzumi

Dia de encarar a longa viagem para este incrível país chamado Japão, assistir a uma corrida que é um dos pontos altos da temporada, pela tradição e pelo desafio de Suzuka e pela contagiante paixão pela Fórmula 1 que impregna os torcedores de lá. Enquanto eu tomo chá de cadeira de avião, você vai se inspirando para a semana com este ótimo som dos anos 60. Aperte o play e boa audição!

29set/143

Credencial – GP de Cingapura de 2014

O podcast do TotalRace voltou! Julianne Cerasoli e Luis Fernando Ramos debatem os temas que viram 'in loco' no paddock de Cingapura, medem a temperatura da disputa pelo título entre os pilotos da Mercedes e fazem suas apostas para o GP do Japão em Suzuka. Ouça/baixe, divulgue e comente!

26set/1432

Alonso entre a cruz e a espada

Cadeira elétrica ou voo kamikaze?

Cadeira elétrica ou voo kamikaze?

Não é coincidência a proximidade do GP do Japão e o aumento dos rumores sobre o futuro do espanhol Fernando Alonso. As notícias vindas da imprensa da Itália e da Espanha dão conta de que ele pode ser anunciado como piloto da McLaren-Honda para 2015 já em Suzuka. Seria uma bomba no mercado de pilotos.

Mas a direção da Ferrari mantém a calma. Alonso teria contrato até 2016 e, apesar de alguns rumores afirmarem o contrário, não há nenhuma cláusula que o liberaria do time. Se ele sair antes, seria só com o consentimento dos homens fortes de Maranello. Estes já fizeram uma proposta para a renovação de contrato do espanhol. Que Alonso não gostou.

O espanhol vive dias entre a cruz e a espada. Permanecer na Ferrari seria consentir com um projeto a longo prazo. As mudanças recentes na direção da marca apontam que há um movimento em curso para levar o time de volta aos títulos, mas que não será algo já para 2015 - e, aos 33 anos, Alonso sente que não tem ainda muitos à disposição.

Seria também consentir em receber menos do que gostaria. Um dos pilotos mais bem pagos do grid, parte do salário do espanhol seria muito bem aceita pela nova direção da Ferrari para empregar no desenvolvimento do carro. Estaria ele disposto a aceitar isso?

Sonhar com uma vaga na Mercedes ou na Red Bull é irreal, então lhe resta a McLaren, onde reside uma proposta polpuda feita pela Honda. Mas o time já corre atrás da velha forma há duas temporadas e inevitavelmente a próxima estaria comprometida por ser um ano de aprendizado dos japoneses em relação à performance dos motores V6.

Assim, o espanhol deve estar agora decidindo seu futuro, com dois projetos poucos promissores para um piloto tão impaciente por títulos. A opção pela Ferrari é um pouco mais lógica em termos esportivos, a da McLaren em termos financeiros. Se optar por essa, seria curioso ver o espanhol voltando a Woking depois de ter deixado o time em 2007 de maneira turbulenta - e desde então tendo feito todos seus esforços para conseguir um dia uma vaga na Ferrari.

(Texto da coluna "Direto do Paddock", publicada nesta semana no Diário Lance!)

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25set/144

TV Blogo – Jaco Pastorius

Uma das músicas mais bonitas dos Beatles fica ainda mais tocante nesse arranjo feito para Steel Drum - comandado pelo virtuoso baixista Jaco Pastorius, sinal indiscutível da musicalidade que ele tinha. Aperte o play e emocione-se à vontade!

24set/1418

Um banho de performance

Muito mais rápido, mesmo que um tiquinho mais lento.

Muito mais rápido, mesmo que um tiquinho mais lento.

Foi em Cingapura no ano passado que vimos a excelência de um carro de Fórmula 1 equipado com os 800 cavalos de um motor V8 e contando com toda a eficiência dos difusores soprados. Foi a prova em que Sebastian Vettel nadou de braçada com o RB9 depois de largar da pole-position, tendo feito no Q3 um tempo de 1min42s841.

No último final de semana, com um carro com o qual não se sente tão à vontade, Vettel marcou na classificação um tempo mais de três segundos mais lento: 1min45s902. Vale lembrar que esta é a pista do calendário onde a perda de eficiência aerodinâmica (asas reduzidas, fim do difusor soprado), os compostos de pneus mais duros neste ano feitos pela Pirelli e o peso extra de 50 quilos seria mais sentido.

Assim, é estranho falar que a geração de 2014 é mais veloz que a anterior, mas é exatamente este o caso. Vamos usar dois exemplos:

O primeiro é olhar a performance em Cingapura de um carro que não era tão eficiente do ponto de vista aerodinâmico como o RB9 de Vettel. No ano passado, Jules Bianchi registrou na classificação 1min48s830 com sua Marussia. Neste ano ele fez sua volta em 1min49s440. Apenas seis décimos de segundo mais lento com 50 quilos a mais!

De acordo com dados da Lotus, cada 10 quilos no circuito de Marina Bay gera uma perda de 0s33 por volta - ou um handicap de 1s65 apenas com os 50 quilos a mais impostos pelo regulamento. Traduzindo isso, a Red Bull perdeu apenas 1s5 em uma volta feita em acima de 100 segundos (ou 1min40s). Ou seja, perdeu em torno de 1,5% do tempo de volta mesmo tendo perdido acima de 20% de eficiência aerodinâmica. Já a Marussia ganhou mais de um segundo, fazendo essa conta do peso extra.

O segundo exemplo é para provar que não é só carro “ruim” que melhorou. Em Monza - uma pista para sublinhar a eficiência em reta das novas unidades de potência, o tempo de pole em relação a 2013 subiu apenas 0s354! Traduzindo com a penalização de volta que os 50 quilos a mais trazem para aquela pista, o carro melhorou 1s8 neste ano. Quase dois segundos em doze meses! E vale ilustrar que a velocidade máxima registrada na prova por Daniel Ricciardo foi 22 km/h mais veloz que a velocidade máxima do V8 no ano passado.

Para uma geração de carros que nasceu sob o tiroteio da estética (sobre o desenho dos bicos) e do volume sonoro (o barulho dos motores), não haveria melhor resposta. Mesmo precisando trabalhar com uma eficiência muito maior em relação ao consumo de combustível, os V6 estão dando um banho de performance nos V8.

24set/140

TV Blogo – Nick Drake

O cansaço da viagem a Cingapura vai esmorecendo mas, antes de falar de F-1, queria dividir com vocês a minha descoberta musical da última semana. Em meio a uma noite agradável de violão e cantoria com os colegas, um fotógrafo inglês perguntou se eu conhecia Nick Drake. Nunca tinha ouvido falar. Quando ele colocou o alto falante de seu celular no meu ouvido, fiquei prontamente encantado com essa balada em tempo de 5/4, muito bonita e muito triste ao mesmo tempo. Depois fui entender que a tristeza foi a marca da vida desse artista morto aos 26 anos com uma dose excessiva de antidepressivos. Ficou o legado, amplificado muitos anos depois por uma série de artistas influenciados por ele. Aperte o play e boa audição!

21set/1436

Melhor, impossível

Schadenfreude

Schadenfreude

Foi da beira da pista, de bermuda e camiseta, que Nico Rosberg acompanhou resignado a maior parte do GP de Cingapura. Viu seu companheiro de equipe e rival na briga pelo título coroar da melhor maneira um trabalho perfeito. A sétima vitória de Lewis Hamilton no ano lhe rendeu a retomada da liderança no Mundial de Pilotos depois do abandono do alemão.

- Eu buscava muito um final de semana assim, sem nenhum tipo de problema com o carro. Fazia muito tempo que isso não acontecia. Claro que a gente queria uma dobradinha para a equipe, mas do meu lado é ótimo ganhar esses pontos de volta, porque a diferença na tabela era muito grande antes - comemorou o inglês.

Rosberg teve problemas desde a volta de apresentação, quando sua Mercedes nem saiu do lugar. Teve de largar dos boxes e sofreu durante 14 voltas com um volante que não executava quase nenhuma função direito, antes de abandonar. O mal funcionamento de um cabo situado na barra de direção gerou o problema com a peça.

- É um resultado frustrante, mas não há nada que eu possa fazer a não ser aceitá-lo. Uma sensação meio boba, porque uma coisa pequena destruiu minha corrida. Foram muitos pontos jogados fora, especialmente porque Lewis somou muitos hoje. A confiabilidade ainda é o nosso grande problema, essas coisas ainda acontecem de maneira frequente demais - reclamou o alemão.

A dinâmica da corrida de Cingapura foi influenciada por um Safety Car na 31ª volta para a retirada de detritos da asa dianteira da Force Índia do mexicano Sergio Perez. Ao contrário de Hamilton, muitos pilotos optaram por ir até o final sem parar novamente nos boxes. Por isso o inglês acelerou o ritmo quando a prova foi retomada. Ao fazer sua última parada na volta 52, Hamilton retornou à pista em segundo, logo atrás do alemão Sebastian Vettel. Mas o ultrapassou com facilidade na passagem seguinte.

- Quando tirei a diferença, achei que ele iria endurecer a briga. Então tentei passá-lo o mais rápido possível. Olhando agora acho que o ultrapassei no lugar errado. Ainda bem que ele estava atento e não tocamos, mas eu poderia ter feito de uma maneira mais simples - disse.

As exigências do forte calor de Cingapura ficaram claras após a prova, com Sebastian Vettel, Daniil Kvyat e Kevin Magnussen necessitando de cuidados médicos por conta da desidratação sofrida ao longo de 60 voltas na pista.

Em Cingapura, Felipe Massa foi o piloto que completou o maior número de voltas com o mesmo jogo de pneus. Numa prova marcada pelo desgaste da borracha, ele fez seu jogo de pneus macio durar 38 das 60 voltas. Para isso, teve de pilotar com extremo cuidado. Como uma senhora em pleno trânsito. Uma atitude que lhe rendeu o quinto lugar.

- Comecei a guiar como uma vovó, trocando de marcha a cada curva. E deu certo. Foi possível chegar até o fim, mas quando a equipe me comunicou que deveria ir até o final com aqueles pneus, eu dei risada. Uma pena que o Bottas teve problemas no fim e não conseguiu somar pontos, mas foi uma ótima corrida para nós.

O companheiro de Massa na Williams seis posições nas duas voltas finais porque seus pneus simplesmente acabaram. O brasileiro reafirmou a importância de sua cautela na pilotagem. E celebrou o bom trabalho feito para a Williams num circuito em que se esperava pouca competitividade do carro.

- Tivemos uma melhora muito grande da sexta para o sábado. Para acontecer isso, é preciso de um bom grupo. Trabalhamos como uma equipe grande, usando a cabeça para encontrar e reverter o problema que tínhamos no carro.

20set/1413

007 – Licença para ganhar

Um raro momento de confraternização entre os dois postulantes ao título - o que o esporte não faz...

Um raro momento de confraternização entre os dois postulantes ao título

Sete milésimos de segundo numa pista de 5.065 metros significa uma distância de apenas 33 centímetros. Foi isso, e apenas isso, que separou a dupla da Mercedes no treino de classificação ontem no circuito de Marina Bay. Melhor para Lewis Hamilton, que fez sua sexta pole na temporada e conseguiu uma vantagem importante em um circuito de difícil ultrapassagem.

O inglês não escondeu sua alegria com o feito. Especialmente pelo fato de ter iniciado sua volta com um erro logo na primeira curva, perdendo o ponto de freada e um pouco de tempo ali.

- Não tinha travado rodas na curva um em todo o final de semana e aí senti aquela escapada e perdi a linha ideal. Pensei que já era, pois estava dois décimos mais lento que minha volta anterior. Quando isso acontece, já na curva dois você sabe que não vai melhorar. Mas continuei e comecei a melhorar. Às vezes você tende a exagerar para ganhar o tempo de volta, mas eu acertei tudo e estou muito feliz com isso - vibrou.

Quando informado pelo engenheiro da diferença ínfima para Hamilton, Nico Rosberg chegou a soltar um “droga” pelo rádio. Depois, explicou o motivo de sua frustração.

- É quase nada. Claro que olho minha volta e vejo que poderia ter ganhado tempo. Em todas as curvas poderia ter feito sete milésimos mais rápido. Mas, no final, o segundo lugar está bom - conformou-se.

Apesar da primeira fila ter ficado novamente com a dupla da Mercedes, a sessão de classificação foi equilibrada e teve pilotos de outras equipes liderando a folha de tempos, como Daniel Ricciardo (terminou em 3º no grid), Fernando Alonso (5º) e Felipe Massa (6º). O brasileiro ficou satisfeito com o crescimento da Williams no sábado, depois de uma sexta-feira complicada.

- Sem dúvida é melhor ficar em sexto do que 17º. O carro melhorou muito. Na classificação, a diferença foi muito pequena entre os carros e, na minha primeira tentativa, a volta foi muito boa logo de cara. Depois os outros carros foram melhorando e eu não consegui melhorar o suficiente para ficar, quem sabe, entre os quatro primeiros. Não era impossível, mas também não era fácil, pensando no nosso carro em comparação com os outros - analisou.

19set/1413

Tropeço no cadarço

"Preciso trocar isso por um tablet"

"Preciso trocar isso por um tablet"

Foi típico dessa gestão da FIA: implementar uma mudança de regra sem ter entendido perfeitamente os efeitos colaterais que a novidade traria. A intenção é sim louvável: dar aos pilotos uma maior responsabilidade sobre a sua performance global. Não basta mais acelerar, é preciso saber administrar tudo o que acontece no carro e na corrida. Ótimo.

Mas essa volta atrás de Charlie Whiting, permitindo que os pilotos continuem a receber informações em relação aos ajustes do complexo sistema das unidades de potência não é exatamente uma questão de segurança como pode ter transparecido.

Como a Julianne Cerasoli bem explicou nesse post, foram as diferenças entre os volantes das equipes que fez a FIA voltar atrás. Red Bull, Williams, Lotus, Force Índia, Caterham e Marussia possuem um visor diferente das outras, menor e com menos informações.

Pelo que apurei, para encontrar uma determinada informação, é preciso passar várias “páginas” até encontrar a que está o dado desejado. Já os volantes mais modernos, com visor maior, é possível programar exatamente as informações que você quer ver.

Foi por isso que a FIA justificou a volta atrás com um “qualquer lista de restrições impostas repentinamente teria um efeito significativamente diferente dependendo da equipe”. Tudo o que eles não querem é mexer de maneira significativa na distribuição de forças com uma canetada impensada no meio do ano. Poderiam ter feito a coisa direito, sem confudir torcedores. Mas infelizmente tem sido a marca da F-1 nos últimos anos: para que simplificar se dá para complicar?