26fev/1522

Barcelona, dia 5

Aos poucos, a Williams dá pinta de que pode começar como melhor do resto

Aos poucos, a Williams dá pinta de que pode começar como melhor do resto

Felipe Massa já exibia confiança no início da semana pelas redes sociais. “2015 promete!”, escreveu o piloto na sua conta no Instagram como comentário de uma foto da sua celebração com os mecânicos da Williams após o segundo lugar obtido no GP de Abu Dhabi do ano passado. Depois dos testes desta quinta-feira em Barcelona, o ânimo deve ter aumentado ainda mais: o brasileiro marcou o melhor tempo da pré-temporada no circuito: 1min23s500.

A marca, obtida com pneus macios, indica que o time pode se destacar como o principal perseguidor da Mercedes no início da temporada - um papel que desempenhou nas últimas corridas do ano passado. O FW 37 recebeu diversas novidades para esta última semana de testes, nas asas dianteira, traseira, assoalho e nas entradas de ar laterais. O fato de Massa ter completado mais de 100 voltas mostra também que as mudanças não afetaram a confiabilidade do modelo.

- Foi um bom dia para nós, em que o carro se comportou bem. Quando experimentamos o novo composto macio de pneus, conseguimos fazer algumas voltas rápidas. O FW37 não teve nenhum tipo de problema e tem sido assim desde o primeiro teste em Jerez - destacou o brasileiro.

A Mercedes também trouxe muitas novidades em seu carro para a última semana de testes. Lewis Hamilton marcou logo de cara um tempo competitivo - 1min24s881, com pneus médios. Mas não foi um dia sem dores de cabeça para o atual campeão. Logo no início da tarde, um problema no KERS encerrou as atividades e Hamilton foi o segundo que menos andou nesta quinta.

Nenhuma surpresa em constatar qual time ficou mais tempo parado nos boxes. A McLaren seguiu sua pré-temporada de pesadelos com Jenson Button completando apenas sete voltas, com um problema hidráulico gerando a necessidade de troca da unidade de potência. Como se não bastasse, o time ainda pode perder Fernando Alonso para a abertura da temporada em Melbourne - o espanhol está descansando em sua casa em Oviedo após o acidente sofrido no último domingo e o time ainda não pode garantir a sua participação no GP da Austrália.

Os tempos do dia:
1. Felipe Massa Williams 1:23.500 101 voltas
2. Marcus Ericsson Sauber 1:24.276 122 voltas
3. Lewis Hamilton Mercedes 1:24.881 48 voltas
4. Daniil Kvyat Red Bull 1:25.947 75 voltas
5. Romain Grosjean Lotus 1:26.177 75 voltas
6. Kimi Raikkonen Ferrari 1:26.327 80 voltas
7. Carlos Sainz Jr. Toro Rosso 1:26.962 86 voltas
8. Jenson Button McLaren 1:31.479 7 voltas

26fev/154

O preço da falta de transparência

Perdidinho na hora de dar as respostas necessárias...

Perdidinho na hora de dar as respostas necessárias...

A McLaren distribui na segunda-feira um longo comunicado sobre o acidente de Fernando Alonso, ocorrido no dia anterior durante os testes de pré-temporada da Fórmula 1 em Barcelona. O documento afirma que a condição do piloto foi considerada “normal” após os exames de rotina e de que ele seria mantido no hospital para se recuperar dos efeitos do sedativo que recebeu.

O texto também traz a versão da equipe para o acidente, colocando nas rajadas de vento que incidiam sobre o circuito a causa da batida. O espanhol teria perdido o controle do carro por isso e batido contra o muro. O time categoricamente nega qualquer tipo de falha mecânica ou problema com a bateria do Kers.

Ainda assim, muita gente vê inconsistência no que foi relatado. A longa permanência do piloto no hospital não sustenta o diagnóstico apresentado pela equipe. A causa do acidente também não: porque Sebastian Vettel, que vinha logo atrás de Alonso no momento do acidente, não sofreu a ação do vento e nem relatou nada a respeito?

É difícil, mas não impossível, imaginar que o time queira esconder algo mais sério, como uma eventual descarga elétrica causada por um defeito na unidade de potência. Mas há um risco grande nisso: se uma outra verdade vier eventualmente à tona, a reputação do time estaria completamente manchada.

O correto seria que o time tivesse chamado um engenheiro para dar explicações à imprensa pouco depois do acidente, munido de dados de telemetria. Responderia ao questionamento dos repórteres e a situação estaria esclarecida de maneira mais convincente.

No fundo, o grande problema é a cultura que permeia à Fórmula 1. Numa paranóia doentia, há anos que as equipes omitem ao máximo questões técnicas e orientam os próprios pilotos a não falarem exatamente o que aconteceu em uma eventual falha mecânica. Essa falta de transparência é conhecida e torna cada vez menos críveis os comunicados das equipes. Não admira que a versão da McLaren tenha falhado em convencer os mais céticos.

(Texto da coluna "Direto do Paddock", publicada na edição de hoje do Diário Lance!)

25fev/1513

Os cinco acidentes mais bizarros na história da F-1

Felipe Massa se recuperou totalmente do acidente na Hungria. Outros não tiveram a mesma sorte (Foto: Ferrari)

Felipe Massa se recuperou totalmente do acidente na Hungria. Outros não tiveram a mesma sorte (Foto: Ferrari)

O acidente de Fernando Alonso no último domingo gerou inúmeras especulações. Embora a McLaren tenha distribuído um comunicado há dois dias dando detalhes do acidente, ainda restam muitas dúvidas: o vento como fator da saída de frente na curva 3 não condiziria com a velocidade reduzida do piloto naquele momento; e a longa permanência no hospital não condiziria com uma concussão leve. Seria legal ver estes pontos esclarecidos e esperamos que o sejam, mas o mais importante no momento é torcer para o espanhol se recuperar bem - três dias no hospital sugere que algo relativamente sério aconteceu.

Embora ainda não sabemos exatamente o que houve em Barcelona, a Fórmula 1 traz em sua história uma série de acidentes bizarros, envolvendo elementos improváveis. A maioria teve consequências muito graves. Fiz abaixo uma lista dos cinco casos mais importantes:

1) Alan Stacey - Lotus - GP da Bélgica de 1960

Na 25ª volta da corrida, o piloto inglês perdeu o controle de seu carro e passou reto na curva Burnenville. A Lotus bateu num pequeno muro, passou sobre arbustos e caiu num campo, com o piloto sendo atirado do carro e falecendo por conta dos ferimentos. O testemunho de torcedores deu conta que ele foi atingido no rosto por um pássaro quando acelerava na reta, o que provavelmente o fez perder a consciência - vale lembrar que, na época, os capacetes eram abertos na frente.

2) Tom Pryce - Shadow - GP da África do Sul de 1977

Na 22ª volta da corrida, um princípio de incêndio fez o italiano Renzo Zorzi estacionar seu carro no acostamento da longa reta dos boxes. Dois bandeirinhas resolveram atravessar a pista para prestar assistência, sem autorização prévia e sem notarem que uma ondulação pouco antes do local tirava a visão deles sobre carros que vinham em alta velocidade. Quatro pilotos duelavam por posições e um deles, o britânico Tom Pryce, atingiu em cheio o bandeirinha Frederik Jansen van Vuuren, de 19 anos, matando-o instantaneamente. O extintor de incêndio de 18 quilos que este carregava atingiu a cabeça do piloto em cheio, com Pryce também morrendo na hora. O objeto ainda atingiu depois o santantônio do carro, com o impacto sendo tão forte que o extintor voou sobre a arquibancada na beira da pista, indo parar no estacionamento do circuito.

3) Stefan Johansson - McLaren - GP da Áustria de 1987

Durante um treino livre, o sueco encontrou um cervo no meio da pista na saída de uma curva cega. O impacto aconteceu na suspensão dianteira esquerda do carro e foi tão forte que destruiu todo o lado da McLaren, além de rachar o monocoque. O carro ainda bateu várias vezes no guard-rail. Por muita sorte, Johansson teve apenas algumas costelas quebradas. Com dores, correu no sacrifício no domingo e chegou num heróico 7º lugar.

4) Felipe Massa - Ferrari - GP da Hungria de 2009

Ao final do Q2 no treino de classificação, o brasileiro foi de encontro à barreira de pneus - na volta de desaceleração. Massa foi atingido no capacete por uma mola que havia se soltado da Brawn de Rubens Barrichello instantes antes. A peça saiu saltitando por uma pequena reta e, depois de subir um pouco, veio na direção contrária e acertou o piloto da Ferrari. O impacto gerou uma pequena fratura no crânio e uma concussão cerebral. Mantido inicialmente em coma artificial, Massa melhorou rapidamente assim que a sedação diminuiu e voltou a competir no ano seguinte. Um verdadeiro milagre.

5) Jules Bianchi - Marussia - GP do Japão de 2014

A chuva que apertava e a visibilidade baixa tornaram traiçoeiras as condições no circuito de Suzuka. Na 42ª volta, Adrian Sutil escapou na curva Dunlop e foi parar na barreira de pneus. A direção de prova optou por acionar bandeiras amarelas duplas no local. Na passagem seguinte, o Jules Bianchi aquaplanou no mesmo ponto, mas acabou batendo de frente com o trator que fazia o resgate da Sauber de Sutil. O francês sofreu um “contusão grave na cabeça”, ficou em coma artificial por um mês e meio e, depois foi transferido para um hospital em Nice, na França, onde permanece internado. A FIA se eximiu de culpa num polêmico relatório publicado em dezembro, concluindo que o piloto não moderara a velocidade adequadamente naquele instante.

23fev/1529

Mercedes na frente após segunda bateria de testes

O potencial do W06 começou a sair das sombras

O potencial do W06 começou a sair das sombras

A segunda bateria de testes da pré-temporada acentuou a impressão de que a Mercedes continua com uma vantagem significativa sobre as adversárias. Na última hora do último dia de testes, Nico Rosberg marcou um tempo extremamente competitivo, 1min24s321, utilizando o composto médio de pneus médios.

A marca é oito décimos de segundo mais veloz que a de Kimi Raikkonen com o mesmo composto, registrada na quinta-feira. E o alemão ainda afirmou que a equipe “esperava mais” da configuração com a qual ele estava na pista naquele tempo. Será que o time ainda tem mais a mostrar?

Com a Mercedes como grande vencedora e a McLaren como clara perdedora, confira quem saiu ganhando e quem perdeu na segunda bateria de testes da pré temporada.

QUEM IMPRESSIONOU:
Mercedes - Superou um primeiro dia ruim, com um problema mecânico encurtando o trabalho no final da tarde, para voltar a andar bastante, a ponto de novamente ser o time que mais quilometragem acumulou. Além da boa confiabilidade, o W06 chamou atenção também pelo excelente ritmo de corrida demonstrado (de sete a oito décimos mais veloz por volta em relação a outras equipes grandes que andavam em configuração similar no mesmo momento). E a volta rápida de Rosberg no final mostrou que ainda há mais performance a transparecer na última semana de testes.

Red Bull - Após uma semana marcada por problemas em Jerez de la Frontera, a atual vice-campeã mostrou sua capacidade fazendo funcionar bem todas as soluções introduzidas no carro. O time conseguiu acumular boa quilometragem, sinalizando ter encontrado uma boa instalação para o motor Renault dentro do chassi do RB11. Tem tudo para começar o ano bem mais preparada do que começou a temporada passada.

Toro Rosso - A melhor coisa que uma equipe com dois pilotos estreantes pode almejar na pré-temporada é fornecer o máximo de quilometragem possível para eles. Foi o que a Toro Rosso conseguiu. Ainda que a semana não tenha sido perfeita, com alguns problemas mecânicos e dois incidentes com Carlos Sainz, o saldo geral foi positivo.

QUEM FEZ O ESPERADO:
Williams - O time de Felipe Massa continuou concentrado em acumular quilometragem e apenas no segundo dia deu sinais de seu potencial com o brasileiro andando na casa de 1min24s com pneus macios. A boa confiabilidade e o fato de serem o time com maior velocidade final de reta (como era no ano passado) são sinais positivos. Mas ainda aguardamos saber mais sobre o seu potencial em uma volta lançada.

Ferrari - Depois de impressionar em Jerez, os italianos optaram por trabalhar mais na confiabilidade do equipamento, então a semana em Barcelona ficou concentrada em séries longas de volta. Alguns problemas apareceram, o que é esperado em testes de pré-temporada. Encerra a semana tendo aprendido muito sobre o carro, mas ainda sem ter feito nenhuma simulação de corrida, ao contrário de outros times de ponta.

Lotus - Ficou no topo da folha de testes em três dos quatro dias realizados, mas foi algo muito relacionado com os pneus e a configuração com que foram à pista, muitas vezes com o composto supermacio. Certamente evoluiu com a utilização dos motores Mercedes e a confiabilidade do carro parece boa. Mas a performance ainda não é totalmente convincente comparando seus tempos com o de outros times, tanto com pneus médios como com macios.

QUEM FICOU DEVENDO:
Sauber - O time de Felipe Nasr teve uma semana mais atribulada, com o aparecimento de diversos problemas pequenos, mas que somados impediram que o time sequer se aproximasse da quilometragem acumulada em Jerez. Há também uma necessidade de melhora na performance se o time quiser capitalizar a chance de somar pontos no início de temporada, quando times mais ricos ainda podem sofrer mais problemas.

Force Índia - Andou com o carro do ano passado e, ainda assim, não completou um número compreensivo de voltas. Pôde testar vários componentes mas, enquanto não pôr o carro novo na pista, o aprendizado é bem limitado. Deve começar a temporada correndo atrás do tempo perdido.

McLaren - Uma semana tenebrosa para o time. Que a Honda tivesse problemas neste início de trabalho com a sua unidade de potência era esperado. Que as soluções empregadas para os problemas que surgiram não funcionassem, não. E ainda houve o estranho acidente de Fernando Alonso para coroar as dificuldades. O cronograma da pré-temporada está muito atrasado e vai demorar algumas corridas ainda até estar completamente preparada.

VOLTAS COMPLETADAS NA SEMANA:
1º Mercedes 446 voltas
2º Red Bull 415 voltas
3º Toro Rosso 412 voltas
4º Williams 406 voltas
5º Ferrari 345 voltas
6º Lotus 361 voltas
7º Sauber 311 voltas
8º Force Índia 304 voltas
9º McLaren 124 voltas

22fev/1514

Barcelona, dia 4

Ficou só no susto. Mas e a causa?

Ficou só no susto, ainda bem. Mas e a causa?

O último dia de treinos desta semana em Barcelona foi marcado por um grande susto. No final da sessão da manhã, o espanhol Fernando Alonso perdeu o controle de sua McLaren na saída da curva 3 e bateu contra o muro. Sem conseguir sair sozinho do carro, o piloto foi levado de ambulância para o centro médico do circuito e, depois, ao hospital onde passou por novos exames. Por precaução, o piloto ficará uma noite em observação.

O empresário do piloto, Luis Garcia Abad, não deu mais detalhes sobre o estado de saúde de Alonso, apenas que ele esteve consciente o tempo todo. Ele afirmou também que a telemetria aponta para um “acidente de Fórmula 1 normal”. Não foi o que achou o alemão Sebastian Vettel. O piloto da Ferrari vinha logo atrás de Alonso no momento da batida e disse que a velocidade do espanhol era baixa quando ele foi de repente de encontro ao muro. Difícil encontrar uma explicação convincente, espero que algo mais concreto apareça além de especulações.

O acidente encerrou prematuramente o trabalho da McLaren, coroando uma semana muito ruim para o time. Com diversos problemas na unidade de potência da Honda, o time completou apenas 124 voltas nos quatro dias de trabalho em Barcelona - uma distância que outras quatro equipes já são capazes de absorver em um único dia com seus carros.

O mais rápido do domingo foi o francês Romain Grosjean, registrando o melhor tempo da semana em 1min24s067, com o composto de pneus supermacio, o mais veloz à disposição. Quem impressionou mesmo foi Nico Rosberg, que registrou 1min24s321 com o composto médio. A título de comparação, quem chegou mais perto dessa marca usando o mesmo composto na semana foi Kimi Raikkonen, com uma volta 0s8 mais lenta feita na quinta-feira. Rosberg, porém, preferiu manter as expectativas baixas.

- Vendo os tempos, ainda não está claro onde estamos em relação aos outros. Estamos de olho na concorrência, mas estou confiante que temos um bom carro pelo menos - disse o vice-campeão de 2014.

Felipe Nasr foi o único brasileiro na pista neste último dia. Perdeu tempo na parte da manhã com problemas mecânicos, mas andou bem à tarde e encerrou o dia com o quarto melhor tempo:

- Pude testar diferentes compostos de pneus e algumas séries longas de voltas. Foi para ter uma noção do que esperar do carro e dos pneus. Acho que novamente tivemos uma pequena melhora no equilíbrio do carro - avaliou o piloto da Sauber.

As equipes da Fórmula 1 voltam a se reunir a partir da próxima quinta-feira, novamente em Barcelona, para os últimos quatro dias de testes antes do início da temporada, que acontece no dia 15 de março em Melbourne, na Austrália.

Os tempos:
1. Romain Grosjean Lotus 1:24.067 111 voltas
2. Nico Rosberg Mercedes 1:24.321 129 voltas
3. Daniil Kvyat Red Bull 1:24.941 101 voltas
4. Felipe Nasr Sauber 1:25.487 72 voltas
5. Valtteri Bottas Williams 1:25.345 127 voltas
6. Carlos Sainz Toro Rosso 1:25.604 88 voltas
7. Sebastian Vettel Ferrari 1:26.312 74 voltas
8. Nico Hulkenberg Force India 1:26.591 36 voltas
9. Fernando Alonso McLaren 1:27.956 20 voltas

21fev/1529

Barcelona, dia 3

Hoje, o MP4-30 andou para trás

Hoje, o MP4-30 andou para trás

No final dos testes de sábado em Barcelona, o resultado da McLaren mostrou a realidade que o time vem enfrentando durante toda a pré-temporada: Jenson Button ficou em último na folha de tempos e foi o piloto que menos voltas completou, apenas 24 no total. Restando apenas cinco dias de atividades de pista antes da abertura da temporada em Melbourne, o funcionamento da unidade de potência da Honda está provando ser muito mais complicado que o esperado.

Isto fica claro pelo piloto voltar a sofrer com um problema de vedação na bateria do Kers, o sistema de recuperação de energia cinética, o que já havia acontecido na quinta-feira. Isso gera superaquecimento e pode causar danos ainda maiores no carro. O time experimentou uma solução nova, que não funcionou. Assim, o cronograma de trabalho do MP4-30 vai ficando cada vez mais atrasado.

O diretor-esportivo Eric Boullier admite que o time ainda mal completou 50% dos testes que gostaria de fazer antes de começar a temporada e os problemas do sábado certamente não agradaram a Fernando Alonso, que havia completado animadoras 59 voltas na sexta-feira. O espanhol entende os problemas de um projeto complexo como os das unidades de potência da F-1 atual, mas também dá os primeiros sinais de impaciência.

- Estamos na metade do nosso programa de testes e precisamos fazer alguns progressos. A Austrália está chegando rapidamente - afirmou o espanhol, que volta a assumir o volante do carro neste domingo. Torcendo para que uma nova solução para os problemas no Kers dê resultados.

O mais veloz do sábado foi o venezuelano Pastor Maldonado, que marcou o melhor tempo da semana até aqui em 1min24s348, só que usando o composto de pneus supermacios, os mais rápidos à disposição. O holandês Max Verstappen ficou em segundo, também numa volta com supermacios. Aos 17 anos, o piloto da Toro Rosso aprendeu bastante sendo quem mais acumulou quilometragem no dia. E impressionou pela constância dos tempos nas séries longas de voltas que fez.

Felipe Massa foi o único brasileiro a participar da sessão, andando apenas na parte da manhã e registrando o sétimo melhor tempo. A segunda bateria de testes de pré-temporada se encerra neste domingo e o outro brasileiro do grid, Felipe Nasr, estará em ação com o carro da Sauber.

Os tempos:
1. Pastor Maldonado Lotus 1:24.348 104 voltas
2. Max Verstappen Toro Rosso 1:24.739 130 voltas
3. Lewis Hamilton Mercedes 1:26.076 101 voltas
4. Marcus Ericsson Sauber 1:26.340 52 voltas
5. Sebastian Vettel Ferrari 1:26.407 105 voltas
6. Daniil Kvyat Red Bull 1:26.589 110 voltas
7. Felipe Massa Williams 1:26.912 55 voltas
8. Pascal Wehrlein Force India 1:27.333 81 voltas
9. Valtteri Bottas Williams 1:27.556 48 voltas
10. Jenson Button McLaren 1:29.151 24 voltas

20fev/159

Barcelona, dia 2

Uma equipe encontrando soluções

Uma equipe encontrando soluções

Único time capaz de derrotar a Mercedes em algumas corridas na temporada passada, a Red Bull ganhou no teste desta sexta-feira uma injeção de otimismo para voltar a ser a principal adversária da atual campeã. Daniel Ricciardo encerrou o dia com o melhor tempo, 1min24s574 na sua volta mais rápida.

Mais do que isto, o australiano provou que o RB11 já apresenta uma boa confiabilidade, tendo completado 142 voltas - uma distância superior a dois grandes prêmios. Após uma semana decepcionante em Jerez, quando foi o segundo time que menos andou, a Red Bull chegou em Barcelona com diversas novidades no carro. A quilometragem acumulada por Ricciardo mostra que elas funcionaram bem.

- Sei que são só testes, mas é animador nos ver no topo, ou pelo menos no grupo da frente. O carro é bom. Tem características parecidas com o RB10 em termos de chassi. E acho que tínhamos um bom carro no ano passado - comentou o piloto.

O “grupo da frente” citado por Ricciardo certamente inclui Ferrari e Williams, ambas equipes registrando um tempo menos de um décimo de segundo mais lento que o do australiano - todos usando o composto de pneus macio. Felipe Massa se mostrou animado com o desempenho do FW37.

- O carro tem muito potencial e hoje pudemos sentir um pouco disso. Mas ainda temos muito trabalho pela frente e conseguir mais voltas é importanta para continuarmos o trabalho de desenvolvimento - afirmou.

Enquanto isso, a favorita Mercedes continua concentrada em trabalhar o carro com condições de corrida e ainda não chegou nem perto de extrair performance do W06. O time foi o que mais completou voltas - 155 no total -, com Nico Rosberg andando pela manhã e Lewis Hamilton à tarde. Ambos ficaram a menos de meio segundo do tempo de Ricciardo, mas usaram pneus médios em suas melhores voltas - há pelo menos um segundo de diferença por volta em relação ao macio.

Sétimo colocado, Fernando Alonso registrou as primeiras voltas mais competitivas do novo McLaren-Honda. Ainda que o carro tenha sofrido problemas eventuais, o espanhol conseguiu completar 59 voltas, a maior quilometragem do MP4-30 num único dia nesta pré-temporada.

Os tempos:
1. Daniel Ricciardo Red Bull 1:24.574 142 voltas
2. Kimi Raikkonen Ferrari 1:24.584 90 voltas
3. Felipe Massa Williams 1:24.672 88 voltas
4. Sergio Perez Force India 1:24.702 121 voltas
5. Lewis Hamilton Mercedes 1:24.923 89 voltas
6. Nico Rosberg Mercedes 1:25.556 66 voltas
7. Fernando Alonso McLaren 1:25.961 59 voltas
8. Jolyon Palmer Lotus 1:26.280 77 voltas
9. Marcus Ericsson Sauber 1:27.343 113 voltas
10. Carlos Sainz Jr Toro Rosso 1:28.945 100 voltas

19fev/157

Barcelona – Dia 1

Pascal Wehrlein foi um dos que pagaram pela inexperiência hoje

Pascal Wehrlein foi um dos que pagaram pela inexperiência hoje

O primeiro dia da pré-temporada em Barcelona sempre é interessante pelo circuito fornecer dados mais claros às equipes sobre o desempenho dos carros. Jerez é o lugar ideal para fazer as primeiras checagens de um modelo novo, mas a natureza abrasiva do asfalto de lá não condiz com o parâmetro usual da temporada. Na Catalunha, os dados são mais claros.

E o fator mais interessante do dia está no segundo melhor tempo. O mais veloz foi Pastor Maldonado, da Lotus, que registrou 1min25s011 com pneus macios. Kimi Raikkonen andou com sua Ferrari em 1min25s167, mas com pneus médios. Uma volta mais veloz que a registrada por Lewis Hamilton na classificação do GP da Espanha do ano passado com um composto do mesmo tipo.

Não quero insinuar aqui que a Ferrari está voando ou relevar que os pneus tiveram uma evolução na sua construção. O principal ponto é olharmos para o indício de que os carros deste ano deram um enorme salto. Dois segundos, se olharmos para o tempo do próprio Kimi no treino classificatório de Barcelona de 2014.

A chance das fabricantes mexerem nos motores foi o fator decisivo para isso e todos estamos curiosos para ver que tipo de performance a equipe Mercedes vai obter quando mandar seus pilotos para a pista com pouco combustível para simular uma volta lançada, o que ainda não aconteceu.

Além dessa constatação, vale destacar que o dia de testes foi cheio de incidentes: Lewis Hamilton, com febre, andou pouco, com a Mercedes convocando Pascal Wehrlain para seu lugar. O alemão estava andando com o carro da Force Índia e Sergio Perez foi chamado de última hora para substituí-lo, com o time ainda usando o modelo do ano passado.

Das incógnitas citadas neste texto, a Red Bull recuperou um pouco do tempo perdido, fazendo o ajuste de novidades para o carro de manhã e completando um bom número de voltas à tarde. Já a McLaren voltou a sofrer problemas, sendo o time que menos andou. Um problema no Kers no início da tarde encerrou o dia prematuramente e pode até impedir que o carro volte à pista amanhã.

Houve também o incidente entre Felipe Nasr e Susie Wolff. A inglesa teria dito ao brasileiro que não o vira e pediu desculpas, mas depois afirmou que ele cortou seu caminho de forma desnecessária. Mal-entendido ou culpa de alguém, vale notar que os dois ainda possuem quilometragem limitada com um F-1. Melhor que tenha ocorrido num teste e fica de lição. Com ambos completando em torno de 80 voltas cada um, foi um dia com mais pontos positivos do que negativos, tanto para a Sauber como para a Williams.

O vencedor do dia? Max Verstappen, que foi quem mais andou, com 94 voltas no total. Neste início de segunda semana, acumular quilometragem ainda é o item mais valioso. Especialmente para um estreante como ele.

Os tempos:

1. Pastor Maldonado Lotus 1:25.011 69 voltas
2. Kimi Raikkonen Ferrari 1:25.167 74 voltas
3. Daniel Ricciardo Red Bull 1:25.547 59 voltas
4. Sergio Perez Force India 1:26.636 34 voltas
5. Felipe Nasr Sauber 1:27.307 79 voltas
6. Max Verstappen Toro Rosso 1:27.900 94 voltas
7. Jenson Button McLaren 1:28.182 21 voltas
8. Pascal Wehrlein Force India 1:28.329 32 voltas
9. Pascal Wehrlein Mercedes 1:28.489 48 voltas
10. Susie Wolff Williams 1:28:906 86 voltas
11. Lewis Hamilton Mercedes 1:30:429 11 voltas

17fev/1523

A culpa dos times e dos pilotos

Tommy can you hear me?

Tommy can you hear me?

Embora a queda de popularidade da Fórmula 1 esteja essencialmente ligada ao modelo administrativo dos homens fortes da categoria, as equipes também têm uma parcela de culpa. As amarras impostas aos pilotos no contato com a imprensa acabam filtrando muito do lado interessante de suas personalidades. E personalidades carismáticas são sempre um atrativo em qualquer esporte.

Um exemplo disso está no e-mail enviado pela Red Bull com a programação para os testes em Barcelona. Cinco minutos logo após o treino para o piloto escalado conversar com os jornalistas. Um tempo tão escasso que só vai dar para responder duas ou três perguntas óbvias. “Foi um dia importante, acumulamos muitos dados e demos um passo à frente” - se o dia for bom. “Estou confiante que a equipe está trabalhando firme, aprendemos muito com os problemas e testes servem para isto” - se o dia for ruim. “Nosso carro é melhor que o do ano passado, mas não dá para comparar com as outras equipes pois não sabemos qual programa elas estão fazendo” - sobre o potencial para o início da temporada.

Cinco minutos para os fãs

Cinco minutos para os fãs

Olhem o tamanho da oportunidade perdida aqui. A Fórmula 1 fica praticamente dois meses fora do grande noticiário (dezembro e janeiro). Quando os novos carros vão para a pista, coloca-se uma mordaça nos pilotos. Quer chance maior deles extravasarem suas personalidades num teste, quando ainda não há o calor da competição acontecendo?

Ainda que o exemplo da Red Bull não valha para todas equipes (outras colocam sessões um pouco mais longas para tevê e mais uma para a imprensa escrita), vale ressaltar que o controle não difere muito.

O pior é que a cultura é tão enraizada que muitos pilotos já a assumem. Dois exemplos disso são Sebastian Vettel e Nico Rosberg. Vettel, vá lá, ainda é relaxado e faz piadas ou mesmo críticas diretas quando o assunto é Fórmula 1. Mas se recusa terminantemente a comentar sobre sua vida privada - a ponto de certa vez sua assessora de imprensa escrever para alguns jornalistas após uma entrevista pedindo para não citar que ele tinha um cachorro, um assunto que tinha saído na conversa. Rosberg é ainda mais fechado e costuma dar apenas respostas curtas, qualquer que seja o tema. São dois caras inteligentes e que certamente poderiam engajar muita gente por isso, mas preferem se fechar.

Com tantos bloqueios, o contato dos fãs com a personalidade dos pilotos fica restrita às mídias sociais - e tolos são aqueles que acreditam estar vendo ali a pessoa verdadeira por trás do piloto. Gosto de como Fernando Alonso e Lewis Hamilton interagem com os fãs, mas ninguém é um samurai destemido ou um rapper reflexivo 24 horas por dia. Acho que todo fã gostaria de vê-los mais humanos, menos cheios de etiquetas, menos preocupados com a maneira que são vistos.

Enquanto os times não liberarem mais os pilotos para expressarem o que pensam e enquanto a imprensa também não reagir com tanta celeuma quando um piloto finalmente fizer isso (como foi neste caso), o quadro não vai mudar. Na minha opinião, o olhar saudoso de muitos pela F-1 do passado passa menos pelo barulho dos motores do que por personalidades extravagantes como a de um Nelson Piquet, malucas como a de um James Hunt, analíticas como a de um Niki Lauda, metafísicas como a de um Ayrton Senna, desajeitadas como a de um Nigel Mansell.

E não vale culpar os tempos atuais. Estão aí um Valentino Rossi ou um Ibrahimovic para provar isso. Ou, como de costume, basta olhar para o exemplo norte-americano. Reclamar da equipe, provocar um adversário, mostrar uma vida pessoal maluca ou soltar a ira para cima dos dirigentes não é algo incomum na Nascar ou na Fórmula Indy. E, especialmente na primeira, os patrocinadores não fogem por causa disso. O público adora.

12fev/1516

Red Bull e McLaren: as duas incógnitas

Pintou a zebra?

Pintou a zebra?

Neste espaço entre o teste realizado em Jerez e os que vão acontecer em Barcelona, houve muita especulação no campo esportivo. Que a Mercedes está muito bem é um consenso, a equipe campeã tem um carro altamente confiável e certamente ainda não chegou nem perto de extrair o máximo da performance dele. A Williams, principal cliente dos motores da marca alemã, também exala confiança.

O crescimento do motor Ferrari também é algo reconhecido por todos, mas ainda há alguma desconfiança nos tempos obtidos por Sebastian Vettel e Kimi Raikkonen nos testes - embora o fato do tempo do alemão ter sido feito com pneus médios e ficado a apenas um décimo da marca do finlandês com macios indicar que ainda havia alguma sobra ali também.

As incógnitas que restam são Red Bull e McLaren. E pela mesma questão: suas unidades de potência não permitiram longa quilometragem na primeira bateria de testes. Era algo esperado no time de Woking, mas não no de Milton Keynes. “Eles andaram tão pouco que ficou difícil imaginar o programa que estavam fazendo”, comentou o diretor-técnico da Williams Pat Symonds.

Vale lembrar do ano passado, quando a Red Bull mal andou nos testes, mas começou o ano na Austrália sendo o carro que mais se aproximou do nível da Mercedes. Uma vez solucionado os problemas de confiabilidade iniciais, o mesmo pode se repetir agora.

Na McLaren, a confiança no potencial do carro também é grande. Mas o desafio dos engenheiros da Honda em desvendar todo o segredo do funcionamento dos V6 atuais parece maior, tanto que o discurso para a estreia é o de apenas terminar a prova em Melbourne, mirando um refinamento da performance ao longo da temporada.

Seja como for, as próximas duas semanas de testes serão decisivas para estes dois times. Enquanto que o potencial de performance de Mercedes, Williams e Ferrari deva ficar mais claro em Barcelona, a ordem para eles ainda será apenas acumular quilometragem.

(Texto da coluna "Direto do Paddock", publicado na edição de hoje do Diário Lance!)