19set/1412

Tropeço no cadarço

"Preciso trocar isso por um tablet"

"Preciso trocar isso por um tablet"

Foi típico dessa gestão da FIA: implementar uma mudança de regra sem ter entendido perfeitamente os efeitos colaterais que a novidade traria. A intenção é sim louvável: dar aos pilotos uma maior responsabilidade sobre a sua performance global. Não basta mais acelerar, é preciso saber administrar tudo o que acontece no carro e na corrida. Ótimo.

Mas essa volta atrás de Charlie Whiting, permitindo que os pilotos continuem a receber informações em relação aos ajustes do complexo sistema das unidades de potência não é exatamente uma questão de segurança como pode ter transparecido.

Como a Julianne Cerasoli bem explicou nesse post, foram as diferenças entre os volantes das equipes que fez a FIA voltar atrás. Red Bull, Williams, Lotus, Force Índia, Caterham e Marussia possuem um visor diferente das outras, menor e com menos informações.

Pelo que apurei, para encontrar uma determinada informação, é preciso passar várias “páginas” até encontrar a que está o dado desejado. Já os volantes mais modernos, com visor maior, é possível programar exatamente as informações que você quer ver.

Foi por isso que a FIA justificou a volta atrás com um “qualquer lista de restrições impostas repentinamente teria um efeito significativamente diferente dependendo da equipe”. Tudo o que eles não querem é mexer de maneira significativa na distribuição de forças com uma canetada impensada no meio do ano. Poderiam ter feito a coisa direito, sem confudir torcedores. Mas infelizmente tem sido a marca da F-1 nos últimos anos: para que simplificar se dá para complicar?

17set/144

TV Blogo – Led Zeppelin

Dias corridos demais, infelizmente sem tempo de me aprofundar em alguns temas da Fórmula 1, o que vai acontecer a partir de amanhã com a cobertura do GP aqui em Cingapura. Por enquanto, coloco um tema que eu não ouvia há algum tempo e que me empolgou demais na trilha sonora da minha corrida (a pé) ontem. Como é bacana essa música, desde a introdução e até com a caidinha meio "viola caipira" que Jimmy Page faz no minuto 1:00. Aperte o play e boa audição!

15set/1420

Williams paz e amor

Trabalho em equipe, o tempo todo

Trabalho em equipe, o tempo todo

Foi em novembro do ano passado em Austin que eu conversei com Claire Williams pela primeira vez depois que o time havia confirmado a contratação de Felipe Massa. Cantei a bola: “Pelo que eu conheço do Felipe e do pouco que conheço do Valtteri, aposta que vocês terão o box com ambiente mais tranquilo de todo o grid. Eles vão trabalhar muito bem juntos”.

Já na terceira ou quarta corrida deste ano ela veio confirmar que eu tinha razão. Agora em Monza, em cima do anúncio da manutenção da dupla para o ano que vem, fui colher a opinião do engenheiro-chefe Rob Smedley. “Há muita harmonia entre os dois. Eles trabalham muito bem juntos e nós da equipe valorizamos muito isso porque torna nosso trabalho muito mais fácil. Acho que eles são uma mistura muito boa: ambos são pilotos muito rápidos. Valtteri está aprendendo a cada corrida, tornando-se cada vez mais um piloto melhor, enquanto Felipe traz uma boa mistura de velocidade e experiência. Ele também traz uma certa calma para a equipe porque ele sabe o que ele quer do carro e qual a direção que quer. É impressionante a maneira como os dois trabalham juntos”, testemunhou.

Para uma equipe que vive um momento de reestruturação, esta é a melhor mistura possível. Ao invés de adotarem uma postura de competição intensa ou mesmo de confronto, Massa e Bottas trabalham juntos para o crescimento da Williams como um todo. Para ajudar, os dois ainda possuem gostos muito parecidos no acerto do carro - assim, o trabalho de Massa (“que sabe a direção que quer” do carro, como aponta Smedley) é também de grande valia para o aprendizado de Bottas.

O finlandês é um piloto extremamente veloz, o que já provou ano passado aniquilando Pastor Maldonado em treinos de classificação - justo o ponto forte do errático venezuelano. Neste ano, Bottas também obtém um desempenho melhor que o do brasileiro aos sábados, provando ser dono de futuro brilhante na Fórmula 1.

Comparar a diferença enorme entre a pontuação dos dois em corridas é inacurado pela anormal quantidade de incidentes envolvendo Massa, a maioria sem que tivesse parcela de culpa. Mas a regularidade impressionante do finlandês deixa a sensação de que ele estaria na frente mesmo se Massa tivesse terminado todas as provas.

Mais do que enxergar nesse quadro uma decadência do brasileiro - alguém que é o único até aqui a roubar uma pole da dupla da Mercedes não é exatamente um cara lento -, é preciso ver que é Bottas quem está se desenvolvendo como um grande piloto, com a ajuda da maneira tranquila e aberta de trabalhar do companheiro de equipe Felipe Massa.

Essa força pode ter levado ao discreto ato falho de Frank Williams no discurso improvisado no terraço do motorhome do time em Monza, ao falar sobre a dupla do time. “Nossos dois pilotos trabalham duro e sabem muito bem encarar uma competição, formando uma dupla muito forte para nos ajudar no Mundial de Construtores. E um deles... ou talvez os dois... será um dia possivelmente um campeão do mundo”. Bottas?

Elocubrações à parte, vale destacar que esta harmonia da dupla de pilotos é uma parte importante no crescimento do time - mas é apenas uma das muitas partes. Depois das saídas do péssimo Adam Parr e de Toto Wolff, a grande jogada de Claire Williams foi colocar as pessoas certas em posições-chave, como Pat Symonds e Rob Smedley, reconhecendo suas limitações especialmente em relação à parte técnica e descentralizando o processo de decisões dentro da Williams.

Ela mesma reconheceu isso conversando comigo no grid em Monza: “A Fórmula 1 é um esporte que exige um esforço em equipe. Então não existe uma pessoa responsável pelo sucesso. Temos 550 pessoas trabalhando na Williams e cada uma delas cumpre seu papel nos resultados que estamos obtendo. Mas ainda temos trabalho pela frente. Queremos voltar a ser os primeiros”, afirmou.

12set/143

TV Blogo – Arctic Monkeys

Um pouco de música para espairecer, com um riff eletrizante para começar bem o final de semana. Arctic Monkeys, que pulou da playlist da Julianne Cerasoli para enriquecer a minha. Aperte o play e boa audição!

11set/1434

Pilotando com a cabeça

Decifra-me ou te devoro

Decifra-me ou te devoro

O GP de Cingapura pode marcar o início de uma nova fase do Mundial de 2014. Graças à ação da FIA. Depois de adotar uma atitude mais “liberal” em relação às disputas por posição na pista a partir do GP da Alemanha - o que resultou em corridas mais movimentadas - o diretor-técnico da federação Charlie Whiting vai proibir orientações sobre pilotagem dos engenheiros aos pilotos.

É algo com o qual nos acostumamos a ouvir nas conversas pelo rádio que aparecem na transmissão. Orientações como “Use a terceira marcha na curva oito”, “tire o pé do acelerador antes da freada para economizar combustível”, “use um traçado mais aberto na curva doze”.

Ouvir os pilotos da principal categoria do mundo ouvindo esse tipo de orientação é algo ruim para a imagem da Fórmula 1. A FIA resolveu agir e mandou uma comunicação para os times de que isso não será mais tolerado. E justificou citando o já existente artigo 20.1 do regulamento esportivo da categoria: “o piloto deve pilotar o carro só e sem auxílios”.

Essa mudança de atitude pode trazer resultados interessantes na prática. Especialmente com o fim da orientação sobre ajuste de funções no volante. Agora, quando um piloto tiver algum tipo de problema no carro, a equipe só pode informá-lo qual o problema. Como ajustar isso no volante ficará completamente a seu cargo.

Muitos pilotos do grid não sabem de memória tantos comandos - são diversas centenas de ajustes possíveis. Vai ser interessante ver quem se adapta melhor à esta nova realidade. Saber processar as informações vindas pelo rádio (agora em menor detalhe) e agir dentro do cockpit de maneira correspondente vai aumentar a responsabilidade dos pilotos e erros podem se tornar mais frequentes. Fazia tempo que os fãs da categoria pediam isso. É hora da cabeça contar mais na hora de pilotar.

(Texto da coluna "Direto do Paddock", publicada na edição de hoje do Diário Lance!)

10set/1412

Entre pistas e pistões

Encurralado em seu próprio castelo

Encurralado em seu próprio castelo

Quatro dias depois de jurar em Monza diante de um batalhão de repórteres que só sairia da Ferrari se quisesse, Luca di Montezemolo deixou hoje a presidência da empresa. Não por vontade própria, que fique claro. As palavras duras do presidente do grupo FCA (Fiat Chrysler Automobiles), Sergio Marchionni, após o fiasco do time em Monza já mostravam que ele não era mais bem visto no comando.

“Uma coisa é vender carro e ter resultados, outra bem diferente é a parte essencial do que fazemos – não os mercados, mas sermos vitoriosos na Fórmula 1. Isso não é negociável e continua sendo um objetivo muito claro”, afirmou o novo chefe.

Em seu discurso, Marchionni reconhece a qualidade de Montezemolo em transformar em lucrativa uma fábrica de automóveis que por tanto tempo só deu prejuízos. Mais do que o sucesso nas pistas de Fórmula 1 na era dourada de Michael Schumacher, este é o maior feito do “avvocato”.

Mas ao que tudo indica, o problema que gerou a saída de Montezemolo reside justamente no lado automotivo, não no esportivo da empresa. O discurso de Marchionni de falta de resultados na F-1 é bonito e, de certa forma, justifica mandar embora um executivo de tanto sucesso.

Fontes bem informadas de Maranello apontam que o ponto de atrito entre os dois estava justamente na maneira de gerir a fábrica de automóveis. Montezemolo transformou a operação em lucro optando por produzir poucas unidades e vendê-las por preços altos, criando uma demanda maior que a oferta.

Prestes a entrar na bolsa de valores de Nova York, Marchionni preferiria mudar a filosofia e produzir mais unidades a preços menores. Com a resistência encontrada em Montezemolo, resolveu removê-lo. Com apoio da família Agnelli, claro, já que sua moral anda em alta com a gestão do grupo FCA.

Montezemolo havia se oferecido em março deste ano para renovar seu contrato com a empresa. Um sinal de que isso não aconteceria foi dado no mês seguinte quando Stefano Domenicali, seu braço direito dentro da “Gestione Sportiva”, foi mandado embora. E colocaram Marco Mattiacci, vindo justamente da indústria automotiva, no lugar.

O fracasso de Monza - e de toda a temporada de modo geral - apenas sacramentou o processo. Claro que Marcchioni e todo mundo da Ferrari (assim como o próprio Montezemolo) quer ver o time de Fórmula 1 vencendo e não pouparão esforços para que isso aconteça. Mas a cruz de Montezemolo foi justamente insistir na política automotiva que lhe garantiu tanto sucesso à frente da Ferrari.

O que vai acontecer daqui para frente? Difícil saber com certeza. Mas um cenário que ouvi muito em Monza é o de Marchionni assumindo também a Ferrari, com Mattiacci voltando para os Estados Unidos para chefiar esta importante entrada do grupo FCA no mercado de ações de lá, e o comando da equipe de F-1 sendo oferecido para Ross Brawn. Aguardemos com ansiedade os próximos capítulos...

8set/1496

Sacripantas

Até Hamilton achou ruim

Até Hamilton achou ruim

Torcedores apaixonados existem em todos os esportes e na Fórmula 1 não é diferente. Mas não dá para deixar de notar como alguns deles implementaram uma cultura do futebol na sua maneira de torcer, trazendo uma abordagem mais radical e cega. Isto acabou levando a alguns episódios que chateiam qualquer verdadeiro fã deste esporte: ver um piloto vaiado em plena celebração do pódio.

O que seria um momento de celebrar o esforço e o trabalho destes esportistas e das equipes por trás deles vira puro constragimento por conta de alguns babacas - e, sim, reconheço o direito de qualquer um que pagou ingresso vaiar quem quiser, assim como me reservo o direito de achar o que eu quiser de quem faz isso.

Para ilustrar meu ponto de vista, não há relatos de vaias coletivas para Alain Prost após sua vitória no GP do Brasil de 1990, prova realizada menos de meio ano depois de toda a polêmica de Suzuka-89. A expressão de insatisfação de torcedores em Interlagos se resumiu a uma bem-humorada faixa que criticava mais o presidente da FISA Jean-Marie Balestre do que o piloto francês. Parece que as pessoas eram mais inteligentes naqueles tempos.

No ano passado, vaiaram Sebastian Vettel depois de algumas de suas vitórias simplesmente por ele dominar a categoria por tanto tempo. Agora resolveram pegar no pé de Nico Rosberg.

Vale frisar que em Monza, os gritos de apoio a Felipe Massa foram ensurdecedores, enquanto que as vaias a Rosberg foram mais tímidas - e foram encobertas depois que o piloto passou a se dirigir aos torcedores em italiano. É mesmo coisa de alguns, não da maioria.

Seria bom se essa meia dúzia de infelizes descesse da onisciência de seus sofás e ouvisse quem realmente sabe o que está falando. Juan Pablo Montoya esteve em Monza e foi bem claro. “Para nós, pilotos, o que aconteceu faz parte das corridas: carros se encostam. É normal. O problema é que vocês, da mídia, ficam logo nervosos gritando ‘oh meu Deus, eles se tocaram’ e o público entra na onda”.

Também em Monza, Felipe Massa voltou a opinar que Rosberg merecia uma punição - mas apenas pela consequência do toque, pelo prejuízo que o incidente causou para a corrida de Hamilton. O brasileiro também não viu intenção no gesto. “Muita gente disse que ele fez por querer, mas é muito difícil ter essa certeza. A chance de você perder a asa ao tentar furar o pneu de outro carro é muito maior do que a de conseguir furar e não acontecer nada com você”.

Até mesmo o próprio Lewis Hamilton deixou claro seu desconforto com o ocorrido em Monza. “Me senti envergonhado quando estavam vaiando Nico. Não gosto disso no esporte. Depois da corrida e quando saímos do carro, devemos ser bons uns com os outros”.

É obvio: vaiar um piloto por ter sido apenas piloto é coisa de quem não entende e não tem nada a ver com o esporte que diz gostar.

7set/1427

Instinto animal

Pole, vitória, melhor volta e a indução ao erro do rival

Pole, vitória, melhor volta e a indução ao erro do rival

Determinação, velocidade e instinto de vitória. Com Lewis Hamilton abusando destes ingredientes, parecia mesmo impossível encontrar meios de impedir uma vitória sua no Grande Prêmio da Itália em Monza. Fortalecido depois da polêmica que envolveu a Mercedes em Spa-Francorchamps, o piloto inglês superou uma largada problemática para fazer uma boa corrida de recuperação, induzindo o companheiro de equipe e rival Nico Rosberg ao erro.

O lance aconteceu na 29ª volta, pouco depois de ambos terem feito suas paradas únicas nos boxes. O engenheiro de Lewis Hamilton, Pete Bonnington, tinha orientado o piloto a poupar pneus e combustível para um ataque nas voltas finais. O piloto ignorou o pedido, sentou o pé no acelerador e veio tirando a diferença para Rosberg. O alemão acusou o golpe e acabou errando na freada para a primeira chicane. O suficiente para Hamilton assumir a liderança e vencer sem sofrer ameaças. "É realmente uma questão de instinto. O pessoal da equipe só me guia e dá conselhos, mas cabe a mim decidir como proceder em cima destes conselhos e eu sabia que aquela era a hora de pressionar", afirmou o inglês.

Superado na pista, Rosberg não escondeu a irritação por seu deslize na pista. Mas reconheceu as qualidades demonstradas por Hamilton. "É uma sensação horrível perder a liderança assim. Mas no final Lewis esteve rápido a corrida toda. Ele teve o problema da largada, mas veio chegando como um foguete. Então eu tive que arriscar um pouco mais e acabei induzido ao erro, o que foi uma pena".

Com o triunfo, o seu sexto na temporada, Hamilton diminuiu sua diferença para na tabela para 22 pontos e possui condições matemáticas de sair líder da próxima etapa, o GP de Cingapura.

Além da briga pela vitória, o GP da Itália trouxe ainda o primeiro pódio do brasileiro Felipe Massa e muitas disputas nas posições intermediárias, com destaque para as boas provas de recuperação feitas por Valtteri Bottas e Daniel Ricciardo, quarto e quinto colocados respectivamente.

Do alto do pódio, Felipe Massa observava com um sorriso na boca e olhos marejados a multidão de torcedores que ocupavam quase toda a extensão da reta dos boxes de Monza. Estes gritavam seu nome. Foi impossível não ver uma simbologia no fato dele conseguir seu primeiro pódio pela Williams justamente na terra da Ferrari.

"Foi emocionante ver a torcida inteira gritando meu nome. Tenho um carinho muito grande por esta torcida maravilhosa e eles por mim. Independente se faltaram muitos pódios neste ano, não tinha lugar melhor para isso acontecer do que aqui na Itália".

O domingo de brasileiro em Monza já havia começado da melhor maneira possível, com a Williams fazendo um anúncio oficial da manutenção de sua dupla de pilotos para o ano que vem - o contrato de Massa, de três anos, já estava em vigor, mas o de Valtteri Bottas foi renovado nesta semana. "Isto mostra o quanto competitiva é a Williams, o quanto estamos fortes e bem preparados para acabar bem este ano e para lutar no ano que vem quem sabe até por posições mais à frente", afirmou Massa.

Além do pódio do brasileiro, o time também celebrou, com o quarto de lugar de Valtteri Bottas, o fato de terem deixado a Ferrari para trás e assumido a terceira posição no Mundial de Construtores.

A decepção ficou por conta da Ferrari. Correndo diante de seus torcedores, o time italiano não foi além de um apagado nono lugar com Kimi Raikkonen. Fernando Alonso abandonou na 23ª volta com um problema no sistema de recuperação de energia. Foi seu primeiro abandono por causa mecânica desde o GP da Malásia de 2010.

6set/142

De volta às poles

A quinta pole do ano para Hamilton chegou

A quinta pole do ano para Hamilton chegou

Lewis Hamilton abriu decidido sua volta rápida no início do Q3 em Monza. Arriscou especialmente nas duas pernas da curva Lesmo, no setor intermediário. Só ali ganhou quatro décimos de segundo em cima dos outros pilotos. No final, a volta em 1min24s109 serviu para garantir sua primeira pole-position desde o início do mês de maio.

O inglês celebrou o sábado sem problemas mas, com o companheiro de equipe Nico Rosberg largando em segundo lugar, preferiu não colocar a mão no fogo ao ser questionado se vai lembrar das recomendações da direção da Mercedes na hora da disputa entre os dois.

- Não dá para ir para uma corrida pensando nisso. Pilotar é o que sei fazer melhor, o que me inspira, e sempre quero manter meu carro intacto e ficar na frente. Então não farei nenhuma besteira. Pode estar na cabeça dele, quem sabe, mas para mim será como sempre foi - ponderou.

Nico Rosberg não entrou em polêmica e garantiu que não pretende nenhum tipo de ação impensada, mas afirmou que a disputa na pista continuará ocorrendo como em diversas outras ocasiões ao longo do ano. O alemão levou um susto no início do sábado, quando o câmbio de seu carro não funcionou, mas o time trabalhou para bem no conserto da peça a tempo da classificação.

- Estou me sentindo bem. Foi uma surpresa para mim andar tão bem. O time fez um grande trabalho na última noite e conseguimos ir bem. Temos um carro bom para amanhã, fizemos um grande trabalho.

A Williams apareceu bem na classificação e vai ocupar a segunda fila do grid na prova de hoje com Valtteri Bottas em 3º e Felipe Massa em 4º lugar. Batido pelo companheiro pela nona vez em treze corridas, o brasileiro preferiu ver o lado positivo da competitividade do carro. E disse que dá até para pensar em ameaçar a Mercedes na corrida.

- A diferença para a Mercedes continua, mas aqui é menor que as outras pistas. Na corrida vamos entender qual a realidade dessa diferença. Tomara que dê para ameaçá-los. E eles precisam levar os carros até o final da prova, então quem sabe também em relação a isso podemos ter uma surpresa - avaliou Massa, que ainda busca conquistar seu primeiro pódio na temporada.

5set/1412

Sete anos depois

Um cara mais zen

Um cara mais zen

“Qual a diferença da disputa que você teve em 2007 com Alonso e a de agora com Rosberg”, pergunta o repórter. “Estou mais velho. Mas sem cabelos brancos”, brinca Lewis Hamilton. Vai ser interessante acompanhar o desenvolvimento da briga pelo título até o final do ano, mas não há o menor indício de que o inglês voltará a cometer agora erros parecidos aos que fez no final daquela temporada. Como escrevi em maio, este Hamilton de 2014 é o mais forte que já vimos.

Mas quero ficar aqui a comparação das duas temporadas. A de 2007 trazia a diferença fundamental da McLaren não sobrar como a Mercedes sobra hoje. Hamilton, um novato, pegou um bicampeão mundial pelos chifres e se mostrou capaz de toureá-lo mesmo sendo um estreante. Mas sucumbiu à pressão no GP da China ao resolver lutar pela vitória quando um terceiro lugar praticamente lhe garantiria o título. Em meio ao “spygate” e ao ambiente de um ano particularmente carregado da Fórmula 1, pagou pela inexperiência.

Está sendo um prazer vê-lo mais maduro agora. Em Mônaco, deu sinais de que poderia perder a tranquilidade diante da polêmica da classificação. Mas se segurou de forma geral. Cometeu pequenos erros, como nas classificações da Áustria e da Inglaterra, mas soube recuperar pontos importantes (ou máximos, no caso de Silverstone) no dia seguinte.

Na Alemanha e na Hungria foi além, fazendo exibições impressionantes depois de problemas que o jogaram para o fundo do grid. Mesmo hoje em Monza exibiu tranquilidade depois de perder tempo com um problema no carro na segunda sessão.

Após a corrida em Spa, Hamilton foi maduro na conversa com as televisões na área reservada para isso logo após a corrida. Mas, na minha opinião, não agitou corretamente mais tarde, ao jogar para a imprensa o que Rosberg teria dito na conversa interna do time - era uma conversa interna, afinal.

Para testar a temperatura, pedi a ele aqui em Monza que respondesse quem havia sido o adversário interno mais honesto: o Alonso de 2007 ou o Rosberg de 2014. Ele saiu-se bem. “Quando você disputa contra o companheiro de equipe, é uma disputa entre competidores ferozes. Mas é importante do lado de fora que o respeito permaneça. Tive o prazer de trabalhar com diferentes pilotos e cada um deles ofereceu uma disputa difícil à sua maneira. Em geral, na maior parte do tempo, nunca tivemos grandes problemas. E é o que eu espero daqui em diante”. Uma resposta inteligente, completa e sem entrar em polêmicas. Ele realmente está mais velho.

No geral, dá para ver neste ano um Hamilton muito mais inteligente na maneira de gerir sua relação dentro do time e consigo mesmo na hora de domar seu ímpeto. Muita água ainda passará debaixo da ponte até o final dessa disputa com Rosberg. Mas, se seguir nessa toada, Hamilton encerrará o ano com uma grande vitória mesmo que o título não venha: a de se descobrir um piloto mais maduro, capaz de lidar muito bem com os altos e baixos que marcam uma disputa pelo título. Certamente, o ingrediente que lhe faltou há sete anos.