14abr/1115

Vettel-San

O olhar lutador do campeão mundial

A coletiva oficial da FIA de hoje em Xangai trouxe uma boa mistura de pilotos: Sebastian Vettel, Lewis Hamilton, Michael Schumacher, Rubens Barrichello e Vitantonio Liuzzi. Depois, no "cercadinho" (a área reservada para entrevistas aos jornalistas de rádio e tevê), aconteceu uma daquelas cenas divertidas que mostram como o atual campeão do mundo não mudou nada com a conquista.

A repórter Lee McKenzie, da BBC, pediu a cada entrevistado que desse um "olhar de kung fu" para a câmera. Enquanto a maioria fez qualquer coisa ou nem se deu ao trabalho de improvisar uma mímica, Vettel deu um passo para trás e simulou o "Golpe da Garça" imortalizado pelo ator Ralph Macchio no filme "Karatê Kid". A risada foi geral. É bom ver como os anos passam, o sucesso chega e o alemão continua o mesmo menino despojado e divertido da época em que testava pela BMW ou corria na Toro Rosso.

14abr/117

Proton Preto

O "marvado", encarando os engomadinhos do estacionamento de imprensa em Sepang

“Mas esse carro é da década de 80?”

A resposta do mister Valbert, cujo sobrenome francês contrasta com o tom de pele malaio, foi a típica de um vendedor de carro usado. “Não, é novo”. Era óbvio que não. O proton Saga na cor preta já passava dos 130 mil quilômetros rodados e tinha a aparência de um veterano das pistas: invocado e, acima de tudo, experiente.

Sem alternativas pois não havia uma locadora de automóveis com veículo disponível, aceitamos a fera como nosso meio de transporte entre o hotel em Kuala Lumpur e o circuito de Sepang. Para completar o clima, encontrei no dial uma rádio que só tocava hits dos anos 80 como “Easy Lover” ou “Hip to be Square”. Era perfeito. Se o doutor Emmet Brown não tivesse um DeLorean para fazer sua máquina do tempo, podia bem usar o nosso carrinho.

O Felipe Motta, depois da Copa do Mundo do ano passado, já estava adaptado à condução de carros da mão inglesa com câmbio manual. Mas eu judiava do coitado quando assumia o volante: me embananava na hora de mudar as marchas, não apertava direito a embreagem e só ouvia o som das engrenagens sendo arranhadas.

O ponto alto foi quando parei num pedágio, completamente enrolado com as marchas, o motor gritando com o giro lá em cima. A mocinha da cabine olhava assustada para aquele carro velho e de aspecto agressivo, pensando que tipo de marginal eu seria. Eu sorri e cantei prá ela a música do “Fuscão Preto”.

No final da cobertura, o senhor Valbert veio sorridente receber de volta a chave do veículo: “espero que tenham cuidado bem dele”. Dessa vez, quem usou de ironia fui eu. “Sim, como se fosse o meu próprio carro”.

Vai deixar saudades o meu Proton invocado...