A borracharia da F-1
Visitar o lugar onde se fabrica os pneus dos carros de Fórmula 1 foi uma experiência enriquecedora. Afinal estamos acostumados a achar que a categoria se resuma quase a apenas ao que acontece entre uma largada e uma chegada. E nos esquecemos o quanto de trabalho é feito em cima de um único dos milhares de aspectos que a cercam. Os detalhes da visita eu lhes trarei num futuro próximo. Por hoje, deixo uma palhinha com o boletim feito depois do passeio em Izmit.
Afinando os instrumentos
Novos aerofólios e um novo duto de refrigeração dos freios: a Ferrari vai para Istambul com bagagem extra. O que não é dito em público é que eles acreditam finalmente ter encontrado a razão para os problemas na performance do 150º Italia: os dados do túnel de vento em Maranello realmente estavam discrepantes com a realidade mostrada na pista e isto atrasou o desenvolvimento do modelo. Sinais disso já haviam sido dados na conversa que tive com o diretor-técnico Aldo Costa no GP da China.
- Hoje em dia não há muitos testes e temos que confiar nos dados do túnel de vento. Mas a Fórmula 1 está ficando cada vez mais complexa do ponto de vista aerodinâmico e, de tempos em tempos, algumas equipes têm problemas na correlação de algum componente - me explicou ele há algumas semanas.
A pulga atrás da orelha foi solucionada num teste em linha reta no circuito de Vairano conduzido na última semana pelo piloto reserva Jules Bianchi. Ali, a Ferrari experimentou essas novas peças aerodinâmicas que foram inteiramente desenvolvidas no túnel de vento da Toyota (que fica nos arredores da cidade alemã de Colônia) - e percebeu que os dados finalmente corresponderam.
Além do dinheiro que isso custou pelo aluguel das instalações na Alemanha, a Ferrari também perdeu tempo com isso. Mas vai conseguir recalibrar seu próprio túnel de vento a partir dos resultados de Vairano. Porque não é que ele estava com defeito. Apenas a aerodinâmica na Fórmula 1 é uma ciência tão complexa que as mudanças que ela impõe acabando gerando a necessidade de mudanças nos túneis de vento. É algo que a Ferrari está experimentando agora.
Pelo menos, o discurso para as próximas corridas é de otimismo. Um sinal positivo para Felipe Massa e Fernando Alonso.
- Achamos que metade do déficit que temos vêm disso. Se resolvermos essa questão e combinarmos isso com novas partes, voltaremos a ser competitivos - me garantiu Aldo Costa na China.
A prova neste final de semana vai mostrar se ele tinha razão.
Uma prova de fogo para as equipes
Acabo de voltar de uma visita à fábrica da Pirelli em Izmit, a cem quilômetros de Istambul. É num enorme galpão na zona industrial da cidade que são produzidos os pneus utilizados na Fórmula 1, que estão dando o que falar nesta temporada, além dos modelos utilizados na GP2, GP3 e Mundial de Rali.
Os detalhes da visita serão contados com mais calma mais prá frente. Mas a certeza é que a borracha será novamente o foco central das conversas no paddock neste final de semana. Principalmente se as previsões da meteorologia local se confirmarem.
Elas dão conta de chuva constante durante os treinos livres de sexta-feira e pancadas de chuva pontuais no sábado, especialmente na parte da manhã. Isto significa que a possibilidade das equipes irem para a classificação, que deve ocorrer com pista seca, ou mesmo só para a corrida sem a menor referência de desgaste dos pneus (para o domingo, não há previsão de chuva).
Se é claro que isso pode ser traiçoeiro em qualquer situação, a coisa fica ainda mais crítica na Turquia. Principalmente pela famosa curva 8, que submete a borracha à forças laterais incríveis - para se ter uma idéia, 40% das forças laterais que os pneus recebem nesta pista estão apenas naquela curva.
Assim, o quadro estratégico para a corrida será coberto de incertezas. E mais do que nunca será importante a sensibilidade do piloto em administrar o uso de seus pneus e, mais do que isso, antecipar o momento em que a aderência vai “acabar” pelo desgaste deles para ir aos boxes na hora certa.
Em suma, na teoria tem tudo para ser a prova mais movimentada do ano até agora.




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