O reino solitário de Vettel
É um interessante paradoxo: no ano passado, a Fórmula 1 teve um dos campeonatos mais emocionantes da história, mas as corridas, na média, eram chatas de doer; neste ano, não falta emoção na pista, mas o campeão já parece decidido depois de apenas quatro etapas.
Afinal, Sebastian Vettel deu seqüência em Istambul à sua incrível série iniciada no GP do Japão do ano passado, quando deu sua arrancada rumo ao título: das 452 voltas que completou desde então, ele liderou 352 delas. É um tipo de dominação que volta e meia acontece na categoria, quando acontece a junção de um piloto e um carro excepcionais.
É também a celebração de um estilo de ganhar. O alemão da Red Bull sempre busca largar na frente e controlar a diferença para os adversários. Uma das críticas que lhe imputam é o fato de nunca ter vencido quando precisou fazer uma prova de recuperação. Mas o que fazer se ele aplica sua tática de sumir na frente com perfeição?
A receita parece estar dando ainda mais resultados nesta temporada, quando o excesso de pitstops abre uma gama muita ampla de estratégias. Só neste domingo foram incríveis 82 paradas, com 15 dos 23 pilotos que largaram parando quatro vezes. Assim, o melhor mesmo é andar na frente e apenas reagir às estratégias dos rivais.
O excesso de troca de pneus surpreendeu até mesmo a fabricante de pneus Pirelli. O diretor-esportivo Paul Hembery reconhece que o tempero acabou sendo demais para o espetáculo.
- Quatro paradas foram uma a mais para nós. Estávamos esperando de duas a três. Acreditamos que seja uma ocasião especial. Espero que voltemos a três, mas temos de observar se foi por uma questão de performance ou de desgaste - analisou.
Mesmo um pouco confusa, a prova turca foi repleta de boas disputas. Uma delas envolveu a briga pelo segundo lugar entre Mark Webber e um surpreendente Fernando Alonso que, mesmo batido nela, levou a Ferrari ao primeiro pódio do ano - e andou no mesmo ritmo dos carros da Red Bull o tempo inteiro.
Se o espanhol brilhou, o resultado de Felipe Massa decepcionou. Ele acabou um tanto prejudicado pela equipe em três de suas quatro paradas nos boxes, o que o jogou para o meio do pelotão e o deixou preso do maior “cadeado” do grid, o russo Vitaly Petrov. Mas Massa também cometeu um erro na curva 8, o que provavelmente lhe custou a chance de salvar um pontinho com o décimo lugar. Rubens Barrichello, por sua vez, viveu mais um domingo de dificuldades com o carro da Williams que, além de lento, apresentou problemas com o Kers.
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