Corrida em Mônaco é sempre diferente
Esqueça a lógica das corridas cheias de ultrapassagens e paradas nos boxes para trocas de pneus. O Grande Prêmio de Mônaco fará valer mais uma vez a máxima de ser uma corrida atípica e oferecerá um cardápio bem diferente. “Tenho certeza absoluta que não teremos nenhuma ultrapassagem aqui. O circuito simplesmente não permite isso”, apostou o espanhol Fernando Alonso, o mais rápido dos treinos livres de ontem.
Há outros fatores também nessa equação: o uso da asa traseira móvel na corrida será permitido apenas na reta de chegada, muito curta para permitir uma ultrapassagem. Além disso, as atividades de pista na quinta-feira mostraram que o desgaste dos pneus será muito baixo e a expectativa para a prova é de apenas duas paradas, o que vai limitar muito as estratégias. E mesmo o stint muito longo feito por pilotos como Sergio Perez e Jaime Alguersuari insinuam que pode ser possível terminar a prova até mesmo com apenas uma parada.
Assim, ao contrário do que vimos em 2011 até agora, o treino classificatório do sábado será fundamental. E não vai existir o que vimos em Barcelona de economizar jogos de pneus para a corrida. Com apenas duas visitas ao boxes esperadas, isso é desnecessário. “Essa não é uma pista para correr contra outros, é apenas para você circular”, resumiu o australiano Mark Webber.
Para completar o clima diferente em Mônaco, os treinos livres realizados ontem significam que não haverá atividade de pista hoje. Tradicionalmente, é um dia para importantes reuniões de diretores das equipes com patrocinadores. E de muitas festas para promover as marcas envolvidas na categoria. Só os pilotos não costumam aparecer nelas. “Nada de balada, como em todas as outras corridas. Só quando tudo dá certo no domingo a gente abre uma exceção”, brincou o líder do Mundial Sebastian Vettel.
Amanhã, a brincadeira termina e o treino de classificação será meio caminho andado para a vitória. “Voltamos aqui ao mesmo quadro do ano passado, quando a posição no grid e também sua posição na pista durante a corrida é fundamental”, apontou Jenson Button. Assim, a escolha do momento certo de parar nos boxes não se resume apenas ao desgaste dos pneus, mas também ao cálculo de voltar para a pista sem correr o risco de ficar preso atrás de um carro mais lento. Erros no pitstop como já vimos acontecer este ano com Lewis Hamilton, Felipe Massa e Rubens Barrichello, só para citar alguns, serão fatais para as pretensões dos pilotos na corrida.
Na quinta, a impressão que ficou é que o ritmo de prova da Ferrari é superior ao da McLaren. No cronômetro, também foi superior ao da Red Bull, mas ficou a incógnita se a equipe líder do Mundial não mandou seus pilotos para a pista com mais combustível no tanque que os adversários. Pela tranquilidade da dupla e pelo ceticismo dos adversários, eu diria que sim.
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Repórter de Fórmula 1 do Grupo Bandeirantes de Rádio, do diário Lance e da revista Racing. Apreciador de boa música, viagens e velocidade. Guitarrista amador, corredor de rua e piloto virtual. Colunista do TotalRace.
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