3jun/1112

Uma $ábia decisão

A Bastilha não cai tão fácil assim

A decisão de recolocar o Bahrein no calendário deste ano vai ao encontro do interesse de todo mundo que tem voz ativa na categoria. Para Bernie Ecclestone, a decisão mantém o pagamento milionário que recebe do governo barenita pela realização do evento; o presidente da FIA agrada a um importante parceiro financeiro da entidade e um dos maiores apoiadores de sua campanha; e a Ferrari - representante das equipes no Conselho Mundial - atende o desejo das marcas de carros preocupadas se promover no mercado árabe, o que inclui também a Mercedes e a McLaren (equipe que tem a família real barenita como uma de suas acionárias).

O comunicado da oficial da FIA, é claro, segue um tom altruísta: “a decisão reflete o espírito de reconciliação no Bahrein, o que é evidente no forte apoio que a corrida recebe do governo e todos os grandes partidos do país, incluindo o maior grupo de oposição. O Conselho Mundial reconhece que recolocar o GP no calendário é uma forma de ajudar a unir as pessoas num país que busca olhar em frente”.

Não é o que parece estar acontecendo hoje, com a polícia usando de violência para conter protestantes mais uma vez.

O único sinal público de descontentamento partiu da Red Bull, que reconheceu a decisão e disse que irá discutí-la nos fóruns apropriados com as outras equipes da Fórmula 1 e membros da FOTA. Deixar os funcionários trabalhando até o meio de dezembro é justamente o que desagrada a esta e outras equipes também. Mas com os diretores de Ferrari, McLaren e Mercedes apoiando o GP, como imaginar que vão pensar na família do Zé Ninguém que ganha a vida polindo rodas?

Se o futebol, esporte mais popular do mundo, está se afundando na máfia comandada por Joseph Blatter e seus comparsas, a F-1 provou hoje que não deve em nada em falta de escrúpulos e de bom senso. Com estes no comando, estamos ferrados.