28jun/116

As magrelas de Valência

I want to ride my bicycle

Estou me movendo pelo fundo do rio. Deixando para trás crianças brincando, cachorros correndo sem coleira, atletas de final de semana, recém-mães empurrando seus recém-nascidos, um time uniformizado de rúgbi, uma pelada entre times multi-uniformizados de futebol e até mesmo um parque de diversões.

Eu estou no leito do Rio Túria, cujo curso foi desviado para fora da cidade de Valência para evitar enchentes. Não há mais água, portanto. E o “rio seco” que sobrou foi transformado numa enorme área pública de lazer muito apreciada pelos moradores locais. Um parque longo e extenso que cruza boa parte da cidade e que consistia no maior trecho do caminho que ligava o hotel em que meu hospedei até o circuito montado no porto.

Eram mais de nove quilômetros percorridos em cerca de meia hora com minha bicicleta alugada. Algo que nunca tinha feito na cobertura de um GP e que cai como uma luva para Valência, de longe a cidade do calendário que mais promove o uso das magrelas.

É algo genial e prático para uma cidade plana. A rede de ciclovias que interligam diferentes bairros é extensa e eficiente. São também vários pontos desse sistema de aluguel automático de bicicletas que tantas cidades europeias disponibilizam aos cidadãos. Quem não tem a sua própria, pode conseguir uma apenas cadastrando seus dados e seu cartão de crédito no sistema, um processo de minutos. Pedala, se locomove, devolve em outro ponto e paga uma taxa ínfima por isso.

Nas ciclovias, nas ruas e nas calçadas, as pessoas respeitam os ciclistas e vice-versa. Para mim, não havia nada melhor do que ir para o trabalho dividindo espaço com os locais que faziam a mesma coisa. Me fez sentir bem integrado aos valencianos.

Olhares arregalados só mesmo quando encontrava algum colega quando entrava ou saía do estacionamento reservado para a imprensa perto do circuito. Mas vários deles elogiaram a iniciativa e disseram que fariam o mesmo no ano que vem. Legal. Aos poucos, o ínfimo universo do paddock vai percebendo as benesses da bicicleta como transporte público: menos trânsito, menos poluição, menos custos, população mais saudável.

Seria legal se esse amplo mundão aí fora fizesse o mesmo.