8jul/115

A mais completa tradução

Luz, quero luz!

A mudança no meio do campeonato de uma regra que nem a FIA entende direito como funciona só podia dar em confusão. Depois de determinar o fim dos escapamentos soprados nas freadas - ou, na verdade, determinar um novo limite para seu funcionamento, Charlie Whiting acabou fazendo concessões nesse limite. Primeiro para os motores Mercedes e depois para a Renault, baseado em interpretações da regra e alegações de problemas de confiabilidade.

Claro que isso gerou protestos de ambos os lados e, na coletiva oficial de hoje, Martin Whitmarsh da McLaren e Christian Horner da Red Bull trocaram acusações de vantagem indevida daquela maneira elegante que só os ingleses conseguem.

O melhor veio a seguir. Tony Fernandes pediu a palavra depois das réplicas e tréplicas dos dois, para dizer exatamente o que eu penso. Confira:

“Estou vendo estes dois à minha frente. Queria falar algo sobre isso, como alguém que é novo no esporte, no que eu acho ser um pouco ridículo termos esse tipo de discussão. Você não vê muito isso em outros esportes. As regras precisam ser muito claras. As mudanças custam muito dinheiro. Acho que um dos perigos é mudar interpretações, tem que ser preto no branco e acho que é possível que seja. Se você olhar para a GP2, é tudo muito claro. Eu tenho uma equipe de GP2 e não temos lá esse tipo de situação. É claro que a Fórmula 1 é mais avançada tecnologicamente e você precisa de todas essas coisas mas acho que quem controla o esporte precisa deixar as coisas claras. Assim não teremos isso de 10% soprado, 50% soprado, quente, frio, dentro, entre, etc. As equipes e engenheiros teriam clareza. Mesmo que nos últimos meses tivemos polemicas no futebol, mas as regras no futebol são claras, são preto no branco, fáceis do torcedor entender. Este é um grande desafio para a F-1 porque uma pessoa na arquibancada... nem eu consigo entender o que estes dois estão falando, imagina só as pessoas lá fora! Só queria acrescentar isso, como alguém relativamente novo no esporte. Acho que precisa ser mais simples e não acho que faça muita diferença para as pessoas que estão assistindo”.

Brilhante Tony! Espero que te dêem ouvidos.

8jul/119

Alma Perdida

Venha com sua família para o Shopping Pedra Prateada (mas traga o guarda-chuva!)

Pelo menos a chuva intermitente, o frio e o vento que corta a alma servem para lembrar que estamos em Silverstone. Para sobreviver à ganância de Bernie Ecclestone (ou “tornar o circuito viável para a Fórmula 1”, como descreveu o presidente do BRDC Damon Hill), o tradicional templo do automobilismo teve de se submeter a uma cirurgia plástica que incluiu a construção desse novo complexo de boxes e paddock que custou 27 milhões de libras.

Ficou tudo muito bonito, moderno, espaçoso, mesmo com algumas idiotices como uma sala de imprensa sem janelas ou um andar sem banheiros. O problema é que o aspecto de Shopping Center de última geração não combina nada com um GP rural, que sempre teve o atrativo de ter uma estrutura típica de um circuito com muita história para contar. A verdade é que Silverstone perdeu completamente o seu charme.

Esperar que a estrutura de todos os circuitos da temporada tenham o mesmo padrão de suntuosismo (existe isso?) das pistas novas asiáticas é absolutamente sem propósito. Tudo bem, dá para dizer que um pouco mais de espaço em Interlagos faria bem, mas mesmo a maioria das pistas tradicionais possuem condições de sediar uma corrida de F-1 sem problemas. Já tinha doído no coração ver a entrada da histórica Nürburgring ser transformada num monstro metálico que inclui até um centro comercial e uma montanha russa. E agora Silverstone.

Muito gente aqui dentro do paddock adora dizer que Bernie Ecclestone fez muito bem para a Fórmula 1, por ser a força que transformou a categoria num espetáculo global de estatura parecida à uma Olimpíada ou uma Copa do Mundo. Mas fez muito mal também. E muito mal desnecessário.