Fórmula 1 e o Kremlin
Quando eu era moleque e assistia às corridas de Fórmula 1, não havia nada mais distante da categoria do que a União Soviética. Talvez seja difícil para a geração Internet entender, mas no início dos anos 80 era realmente complexo saber o que havia por trás da chamada “cortina de ferro”. Certamente, não era esta categoria automobilística que tomava um caminho cada vez mais mercantilista. Mesmo com a surpreendente inclusão do GP da Hungria no calendário a partir de 1986 - o que, pouca gente sabe, foi feito com muita ajuda vinda do Brasil -, o Kremlin ainda continuava um tabu.
Mas a URSS acabou, os tempos mudaram e a Rússia se tornou um país de oligarcas, justamente o terreno preferido para alimentar os abutres do esporte. O primeiro passo foi dado pelo COI, que deu à cidade de Sochi a Olimpíada de Inverno de 2014. Depois foi a vez de Bernie Ecclestone fechar um contrato com a mesma Sochi para sediar um Grande Prêmio, com um contrato de sete anos a partir de 2014. Os corvos da FIFA chegaram mais tarde, acertando a Copa do Mundo para 2018.
O fato da Fórmula 1 invadir uma fronteira tida antes como improvável e intransponível por uma mera questão financeira não surpreende. Foi a mesma coisa na Malásia, Bahrein, China, Cingapura, Coreia e Abu Dhabi. Mas as chances da prova russa dar certo são muito grandes por um simples fato: a presença de Vitaly Petrov no grid.
O russo faz um trabalho apenas correto na equipe Renault, conseguiu um excelente pódio na abertura da temporada e vai construindo sua carreira com apoio dos donos da equipe, que escolheram onde ele deve morar e até quem vai gerenciar sua carreira. Mas ter um piloto do país no grid faz toda a diferença.
Enquanto as provas citadas no parágrafo acima vão continuar com muitos lugares vazios (Cingapura é a exceção, mas o fator “corrida noturna e shopping center” explica isso), o evento em Sochi vai estar lotado, assim como já consigo notar cada vez mais torcedores russos nos circuitos da atual temporada - aparentemente, a classe alta de lá tem tanto dinheiro que não há o menor problema em viajar pelo planeta acompanhando o circo.
Um gostinho da prova de 2014 a gente já teve neste final de semana, com várias equipes da Fórmula 1 colocando seus carros para correr nas ruas de Moscou numa espécie de apresentação oficial da categoria ao povo de lá. Alguns falaram em 300 mil pessoas nas ruas. Uma baita de uma festa, como fica claro pela foto acima ou pelas imagens onboard feitas por Luiz Razia com o carro da Lotus.
Legal. Tudo que a F-1 não precisa é de mais uma etapa fantasma, correndo num país sem tradição para um autódromo às moscas.
TV Blogo – Yes
Para começar bem a semana, a minha favorita do Yes numa versão ao vivo. Senti falta das flautas, mas deu para ver que eles deram um nó na cabeça da audiência do mesmo jeito. Quem sabe, sabe. Aperte o play e boa audição!


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