31jul/1152

O encantador de pneus

O homem que faz chover ou a chuva que faz o homem?

O circuito de Hungaroring terá para sempre um lugar especial na memória de Jenson Button. Foi aqui que ele venceu pela primeira vez na Fórmula 1, em 2006. E, hoje, reencontrou o caminho das vitórias em sua 200ª participação na categoria. Mas não é apenas o lugar que une os dois triunfos. As condições de pista também: variáveis entre úmido e seco, tornando difíceis as decisões estratégicas e a maneira de usar os pneus.

Um cenário no qual ele costuma exceder. “No meio da corrida, a equipe me chamou pelo rádio para colocar pneus intermediários, mas depois pediram que eu ficasse na pista porque Lewis (Hamilton) estava entrando nos boxes. Mas eu não teria entrado de qualquer jeito porque não achava que era a decisão correta”, relatou o piloto.

Button ri envergonhado quando os repórteres dizem que ele é um especialista em corridas em que o asfalto está em condições variando entre úmido e seco. Meio que por humildade, meio que por frustração por ainda não ter conseguido uma vitória pela McLaren em uma prova com condições normais de pista seca.

Mas não há como negar: quando os pilotos alinham para um grid de largada em que as condições meteorológicas são incertas, todos ficam de olho no que fará o piloto da McLaren. “Ele é o melhor nestas condições. Cada piloto tem um ponto forte e um fraco. Button tem essa qualidade que nós não temos e precisamos aprender com ele. Sempre que a pista fica variável assim, ele toma as decisões perfeitas e se dá bem. Sem falar que tem uma confiança absoluta de pilotar nesse cenário”, elogiou o espanhol Fernando Alonso, terceiro colocado na corrida.

O vencedor de Hungaroring nega que costuma se sobressair por ser “menos louco” que os adversários quando pilota em situações como essa. E prova isso citando as duas saídas breves de pista que teve durante a prova. Mas admite que normalmente acerta na hora de ler as condições do asfalto.

“É impossível sempre tomar as decisões corretas. Mas sinto que sou muito bom em fazer a escolha certa na hora de trocar pneus. Mas não sou o único, os outros dois que chegaram ao pódio fizeram o mesmo que eu fiz. Mas tivemos um ritmo bom de corrida e consegui preservar bem os meus pneus. Foram por estes dois motivos que consegui a vitória hoje. Mesmo que não tivesse chovido, não teria feito diferença”, falou o inglês.

Um dos pontos altos da corrida de Button foi a disputa com o companheiro de equipe. A McLaren voltou a apresentar um bom ritmo em uma prova disputada sob temperaturas amenas. E o time costuma confiar na capacidade de julgamento de seus pilotos na hora em que eles se enfrentam na pista.

“Sábado à noite, no coquetel de celebração do meu 200º GP, agradeci a Lewis por infernizar minha vida na pista, porque eu aproveitei cada minuto dessas batalhas. E voltamos a ter uma delas aqui. A equipe não deu nenhum tipo de orientação pelo rádio, o que é bom. Acho que eles julgaram ser melhor que nos concentrássemos no que estávamos fazendo”, brincou Button.

Quem saiu da Hungria como um segundo vencedor foi Sebastian Vettel. Único capaz de seguir o ritmo das McLarens na corrida, ele herdou a segunda posição depois do erro estratégico da equipe prateada com Hamilton - que ainda levou uma punição de Drive Through por uma manobra perigosa. Assim, o alemão abriu vantagem na tabela. Mas, perfeccionista, não ficou satisfeito com a performance: “Foi uma corrida difícil em termos de estratégia e acho que tomamos as decisões corretas. Mas estamos aqui para vencer e hoje ficamos em segundo, o que não é exatamente o que queremos”.

O maior perdedor, certamente, foi Lewis Hamilton. Tinha carro para brigar pela vitória, mas tropeçou com o time na estratégia e foi afoito ao fazer um cavalo-de-pau em momento inadequado depois de uma rodada antes de voltar para a pista. Um tipo de manobra que rende punição na certa até mesmo na minha liga de corridas virtuais do Grand Prix Legends. Talvez por isso, ele não quis muita conversa quando perguntei à ele no final da prova sobre se ainda dava para sonhar com o campeonato. “Ainda nem pensei sobre esse assunto. E terei muito tempo até Spa para fazer isso”, respondeu ele, antes de se dirigir até Paul di Resta para se desculpar pelo incidente, num gesto bonito de se ver.

Para os pilotos brasileiros, um domingo difícil. Felipe Massa jogou fora qualquer chance de pódio depois de rodar ao passar com o carro sobre a linha branca numa freada - teve até sorte de conseguir se recuperar e voltar para a pista apenas com um dano menor na lâmina lateral da asa traseira. Já Rubens Barrichello ficou a maior parte do tempo na briga pela nona e décima posição mas, a exemplo de Hamilton e de Mark Webber, optou por colocar pneus intermediários quando a garoa apertou. Uma decisão que, como ficou claro depois, não foi a correta.

Ao menos, a Fórmula 1 entra agora para essa pausa no ameno verão europeu com mais uma grande corrida. Que rendeu outros assuntos também. Aproveite o espaço dos comentários para deixar suas dúvidas e opiniões para o “Credencial”!