30ago/1126

Majestosa

De cinema

Confesso que treinei bastante na pausa de verão para encarar uma volta correndo em Spa-Francorchamps. Sete quilômetros de subidas e descidas não seriam fáceis para alguém que havia saído da Hungria reconhecendo os malefícios da vida sedentária e com o fôlego de uma lesma. O jeito foi conciliar a cerveja e o vinho austríacos com corridas regulares, um pouco de bicicleta e um mínimo de natação. Praticamente um triatleta - e tecnicamente um pentatleta, considerando o halterocopismo e o halterotacismo.

Animado, resolvi encarar a pista mítica logo ao final do trabalho de quinta-feira. Fui para a linha da largada em frente aos boxes e acionei o cronômetro partindo rumo a La Source. Não imaginava que era o início de um dos grandes momentos da temporada para mim. A descida em direção a Eau Rouge foi recheada de lembranças das largadas nas corridas do GPL, já que era dali que os carros partiam.

Depois veio a encrenca.

(Antes, um parêntese: a curva que convencionamos chamar de “Eau Rouge” é apenas a parte baixa, a primeira perna daquele enorme ‘S’ que começa numa compressão - onde Mark Webber se espremeu para passar Fernando Alonso na corrida. A partir do momento em que a elevação começa, a curva se chama Raidillon)

Talvez eu precisasse de um equipamento de alpinista para fazer a Raidillon. É praticamente uma parede, muito mais íngreme do mais íngreme que eu poderia imaginar. A pulsação foi lá em cima e o relógio começou a apitar mais que juiz comprado. Mas não me abalei e fiz ela correndo mesmo assim. Quando eu vi a extensão da subida da Kemmel na seqüência, percebi que cometera um erro. Rookie.

Para atenuar o esforço da subida de montanha, o visual: do outro lado do vale, o sol encontrou um espaço entre as nuvens enquanto descia para repousar no coração da floresta das Ardenhas, enchendo o ar de uma luz vibrante e de um ótimo astral. Quando cheguei para fazer a Les Combes, já estava completamente apaixonado pelo circuito. A corrida, o tempo, nada importava mais. O negócio era curtir. Tanto que na descida para Rivage, eu contra-ataquei a música bate-estaca que vinha de um camping ali atrás aumentando o volume do meu iPod. Tocava Egberto Gismonti, eu quase chorava.

O trecho em descida foi feito num ritmo excelente e minha simbiose com o ambiente era interrompida apenas pelo zunido de dois ou três ciclistas que passaram voando (sim, o paddock também tem a turma das bicicletas, Bruno Senna é um deles). A maneira como o traçado flui com a topografia do lugar me fez amaldiçoar os circuitos planos. A diferença de caráter é total.

Ao chegar na Stavelot, o traçado começa a subir novamente. O cansaço que ameaçava apertar era imediatamente afastado pelo simples tesão de estar num lugar tão majestoso - uma energia talvez influenciada pela bonita loirinha que trabalha na equipe Renault e que tinha me ultrapassado naquele trecho. Faltava pouco para o final.

Após a Blanchimont, surge a visão do complexo de boxes e paddock, a senha para tentar um sprint decisivo. Difícil foi decifrar a chicane de longe, já que uma barreira de pneus parecia bloquear o lugar onde eu imaginava que o traçado passasse. Mas a chicane final é muito mais apertada do que parece, tomando um ângulo surpreendente.

Ainda consegui acelerar na reta antes de cruzar a linha de chegada, mas tomei um susto quando parei o cronômetro. Mesmo fazendo a volta sem nenhuma pausa para caminhada e me sentindo bem o tempo inteiro, fiz um tempo um pouco acima do máximo que gostaria de ter feito. Era o preço que as subidas de Spa-Francorchamps haviam cobrado pelo espetáculo.

Não dei muita bola. Ainda hoje, dias depois, tenho a agradável imagem de cada segundo daquele exercício colada na retina. Nem tanto pela tradição da Fórmula 1 em si, aquela região é simplesmente bonita demais. Um cenário perfeito para assassinar o sedentário que existia dentro de mim.

28ago/1144

Palco para gente grande

Seis líderes na corrida, um único no campeonato

Uma pista com caráter, veloz e desafiadora que testa realmente os limites de cada piloto: Spa-Francorchamps é um palco para o brilho de gente grande e a prova de ontem teve vários desses personagens. Como o alemão Sebastian Vettel. O GP da Bélgica foi sua sétima vitória no ano e uma das mais trabalhosas, já que seis pilotos se revezaram na liderança e ele teve de fazer ultrapassagens na pista para vencer, algo raro nos 17 triunfos que ele soma na Fórmula 1.

“Fico orgulhoso de ganhar aqui, um circuito fantástico que é divertido mesmo andando sozinho. Competindo é ainda mais legal e a corrida foi emocionante para todos nós”, disse o alemão.

Falando em emoção, uma das maiores do dia foi a ultrapassagem australiano Mark Webber, sobre o espanhol Fernando Alonso. Dividir a entrada da curva Eau Rouge a mais de 300 km/h exige confiança completa no adversário. “Quando você lida com um piloto excepcional como o Fernando é diferente de brigar com outros. Foi uma boa batalha e eu levei a melhor dessa vez”, celebrou o piloto.

A prova movimentada em Spa teve outros destaques. Jenson Button, que subiu ao pódio em 3º lugar após ter largado em 13º, lamentou que a McLaren tinha ritmo para brigar pela vitória mas sua posição no grid atrapalhou. “Gostei de ultrapassar pessoas por fora, foi divertido. Mas falei para a equipe que queria ganhar essa, tínhamos carro para isso mas a coisa não deu certo”.

Fernando Alonso chegou a liderar, mas teve problemas com os pneus duros e encerrou a prova em 4º. Mesmo assim, marcou presença em diversos momentos da prova em que teve um carro competitivo nas mãos. Destaque também para Michael Schumacher, quinto colocado depois de sair da última posição.

Fazendo um contraponto ao show de alguns, os brasileiros tiveram um dia muito ruim. Felipe Massa voltou a encontrar dificuldades para ultrapassar Nico Rosberg, encontrou algumas explicações técnicas para isso mas deixa a impressão de que o problema para ganhar posições na pista em momentos decisivos é crônico. Seu ritmo de corrida comparado com o de Alonso com os pneus moles também foi muito ruim. A busca pelo crescimento de performance nessa parte final da temporada começou mal.

Bruno Senna pecou pela inexperiência na largada, mas manteve um ritmo de prova parecido ao de Petrov e isso foi um fator positivo. Pelo menos deu para “tirar a ferrugem” ao completar a primeira prova de uma F-1 bem diferente da do ano passado. Rubens Barrichello acabou não conseguindo aproveitar as poucas chances que a prova proporcionou para o carro da Williams e terminou uma prova atrás do companheiro de equipe pela segunda vez na temporada. Lewis Hamilton foi outro que fez feio em Spa: lambança no sábado e no domingo, num circuito onde já deu muito show.

Com os campeões (piloto e equipe do ano) já consagrados mas ainda não sacramentados, ao menos fica a expectativa para mais uma prova emocionante em Monza. Aproveite o espaço dos comentários para participar da próxima edição do Credencial.

27ago/1112

Um grande retorno

Nunca o motorhome da equipe Renault ficou tão cheio no ano de 2011. Horas depois do treino de classificação para o Grande Prêmio da Bélgica, a imprensa do mundo todo foi até lá para ouvir Bruno Senna, a maior surpresa de uma sessão cheia de surpresas em Spa-Francorchamps.

Não pelo sétimo lugar no grid de largada da corrida hoje em si, um resultado perfeitamente possível pela junção entre a qualidade do piloto e o potencial do carro em si. Mas por ele ter extraído a performance no momento decisivo de um final de semana complicado, com pouco tempo para se adaptar ao carro - e superando o companheiro de equipe.

“Não esperava estar entre os dez primeiros e acho que isso é o que importa. Estou em sétimo. A corrida vai ser bem difícil com certeza. Felizmente, consegui não cometer erros hoje e aproveitar todas as chances que eu tive e aí está o resultado”, falou o piloto.

Se o resultado positivo surpreendeu o próprio piloto, não serviu para desviá-lo do seu foco de continuar trabalhando de forma conseqüente:

“Não estou com a fantasia de que vou chegar na corrida e fazer um milagre. Estou feliz com o passo que demos até aqui, mas amanhã terei de enfrentar outro aprendizado enorme”, avaliou o brasileiro.

Sua postura deve servir de exemplo para todos nós que acompanhamos sua carreira. Rubens Barrichello fez uma boa análise sobre isso hoje: “Acho que todo mundo que passou na era pós-Senna viveu no meio de uma euforia muito grande, muito maior do que precisa ser no começo. Depois é massacre, facada, essas coisas. O Brasil está carente de um campeão, mas precisamos construir esse campeão. Ele não vai ser campeão em um primeiro sábado em Spa”.

Foi um bom resultado, o melhor possível nessa sua volta à Fórmula 1. Mas foi só um resultado. Devagar com o andor.

26ago/113

Workaholic

May I introduce to you the act you've known for all these years?

Foi uma espécie de intervenção poética dos céus de Spa-Francorchamps: depois que Michael Schumacher marcou um tempo melhor que o do companheiro Nico Rosberg no início do primeiro treino livre, choveu forte sobre o circuito. Assim, ele abre o final de semana que marca o 20º aniversário da sua estreia na Fórmula 1 no topo da tabela, justamente o lugar mais fácil de encontrá-lo nestes anos todos.

Foi muito interessante falar com ele, que sempre falou não gostar de olhar para atrás, sobre a carreira. Perguntei o que ele sentia ao vislumbrar os últimos vinte anos. “Orgulho. Foram 20 anos de emoção e não tenho nada para lamentar. Foi pura diversão”.

A palavra diversão é a metade da explicação dessa sua volta à categoria depois de três anos de ausência. A outra é sua motivação pela competição. “Eu estava cheio de dúvidas e se eu pudesse voltar 20 anos atrás, talvez chegasse com mais autoconfiança. Mas de certa forma essa abordagem crítica comigo mesmo me ajudou porque eu sempre me questionei o que fazer para melhorar. E ainda faço isso, não  perdi essa característica e continuo olhando em frente, seja nas corridas ou em outras coisas, para ver onde posso avançar”.

Não nos iludamos. Schumacher se importa um décimo do que nós nos importamos com o dano de imagem causado pela sova que ele vem levando de Nico Rosberg. Acima disso, ele assume o papel de motivador da equipe Mercedes, misturando apoio e cobrança para que cada funcionário do time incorpore a mesma abordagem crítica que ele aplica a si. E trabalha como um obcecado para reverter o quadro atual - o dele e o da equipe.

Um sinal disso está no que li há pouco no site da Autosport, uma reformulação na sua equipe de engenheiros, visando a preparação para o ano que vem. É o último de vigência do seu contrato atual. Vendo de perto como a dedicação ao trabalho na sua era prateada é a mesma da sua era vermelha, acho hoje que ele ficaria na F-1 por ainda mais tempo.

25ago/1113

Lei da mordaça

Ouvir Barrichello hoje, só amanhã...

Cheguei em Spa e, como de costume, fui conferir os horários das entrevistas dos pilotos para a quinta-feira nas folhas de cada equipe afixadas num mural. Quando olhei no papel da Williams, o susto: Rubens Barrichello e Pastor Maldonado não estavam escalados para falar hoje - apenas na sexta, sábado e domingo.

Logo chegou a assessora da equipe, um amor de pessoa, para dar explicações. “Ultimamente saiu muitas reportagens negativas sobre a equipe na imprensa. Queremos nos concentrar em melhorar o carro”. Como é, querida? Se formos esperar o time voltar a vencer para ouvir o que os pilotos pensam, talvez esperaremos algumas gerações.

Questionei a prática estranha. Toda educada, ela me pediu mil desculpas, mas comentou que ultimamente saíram várias reportagens negativas sobre o time, que eles admitiam o bom momento e preferiam se resguardar para que os pilotos falassem apenas sobre o desenvolvimento do carro. E acrescentou: “saiu muita besteira também sobre a situação contratual dos pilotos e nossa equipe não costuma comentar sobre esse assunto na imprensa”.

Quase caí para trás. “A imprensa sempre escreveu mil linhas sobre a situação contratual dos pilotos da Williams. Especialmente quando vocês mandaram campeões mundiais embora, como Nigel Mansell ou Damon Hill”. Ela sorriu amarelo, pediu desculpas novamente mas manteve firme a postura da equipe. Explicou que era uma situação temporária e abrimos negociações para mudar o quadro em Monza.

A atitude de blindar os pilotos é de uma imbecilidade sem fim. Mas, infelizmente, não é algo inédito na Fórmula 1. Em 2009, na seqüência do “escândalo da mentira”, a McLaren ficou mais de meia temporada sem disponibilizar Lewis Hamilton para as entrevistas de quinta-feira. Quem quisesse saber algo de uma das equipes mais importantes do grid tinha de se contentar com o insosso Heikki Kovalainen. Lamentável.

No final das contas, o silêncio dos pilotos da Williams acaba sendo mais sonoro do que debater abertamente os motivos para a situação confusa que ela vive. Mais uma decisão errada no que está parecendo um amontoado de decisões erradas que o time tomou neste ano, como a desastrada entrada na bolsa de valores (cujas ações já perderam 50% do valor) ou a necessária mas mal conduzida mudanças na equipe técnica. Quem te viu, quem te vê, Williams...

25ago/117

Discrepâncias na Fórmula 1

Hispânia versus Ferrari

A coluna é sobre Fórmula 1, mas vamos nos transferir para o cenário do futebol espanhol. Enquanto os gigantes Barcelona e Real Madrid acumulam milhões entre direitos de imagem e dinheiro de patrocinadores, as outras equipes passam por sérias dificuldades financeiras e estão atrasando o pagamento de seus jogadores, o que levou a uma greve que adiou o início da temporada.

Na categoria máxima do automobilismo, as estrelas ainda recebem em dia. Mas o caminho que ela está seguindo é o mesmo. Se olharmos para as doze equipes do grid, metade delas sofre de problemas financeiros em maior ou menor grau. E são poucos os indícios de que há um movimento sério para mudar este quadro.

Os times com dificuldades no orçamento são Renault, Force India, Williams, Lotus, HRT e Virgin. Em níveis diferentes, elas buscam alternativas para compensar a debandada de grandes fontes de dinheiro na F-1. As montadoras e os bancos foram embora, o jeito é apostar na boa vontade de milionários e, principalmente, vender bem caro os cockpits.

Para reverter o quadro, os times se unem em busca de condições melhores na hora de repartir os lucros da F-1. O objetivo é que eles tenham direito a 75% do bolo a partir de 2013, contra os 50% atuais. Bernie Ecclestone se defende com unhas e dentes e a briga nos bastidores vai ferver nos próximos meses.

Mas há um ponto em que os times discordam entre si. Para ajudar os times menores, a FIA busca introduzir uma série de medidas como restrições no orçamento e no uso do túnel de vento. Mas os times grandes são contra. Muitas vezes eles têm mais dinheiro para gastar no desenvolvimento de um carro do que um time pequeno tem para construir o seu. Uma vantagem financeira da qual eles não querem abrir mão.

Sem compromisso, a bola de neve deve crescer. Será que um dia teremos greve de pilotos por falta de pagamento?

(Texto da coluna "Direto do Paddock", publicada na edição de hoje do Diário Lance!)

24ago/1113

O desafio começa agora

Aventura Fórmula 1, Parte II (Foto Beto Issa)

Foi uma novela até que se acertasse a saída de Nick Heidfeld da Renault, mas a presença de Bruno Senna na equipe - e, de acordo com o site oficial dela, até o final da temporada - foi finalmente confirmada. Certamente a entrada do grupo Genii no Brasil ajudou a acelerar a opção pelo brasileiro.

Que ganha uma oportunidade e tanto para finalmente mostrar o que pode fazer na Fórmula 1, depois da mal fadada abertura do ano passado em que começou como uma aposta de Adrián Campos na equipe Meta Campos e logo se transformou num pesadelo com a Hispânia, num carro montado de última hora, sem desenvolvimento e com um outro chefe de equipe, Colin Kolles, que tentou de tudo para tirá-lo do time e colocar um piloto pagante no lugar.

Assim, o desafio de Bruno Senna começa agora. E não será tarefa fácil. O brasileiro pôde aprender ao longo do ano como a equipe trabalha num final de semana de corrida, mas ainda precisa se acostumar com o carro e certamente vai sofrer nas primeiras classificações em comparação a Vitaly Petrov.

Mas, e ele sabe muito bem disso, a F-1 não é mole para ninguém. Mostrar uma capacidade rápida de adaptação precisa ser seu primeiro feito. Depois é construir a partir disso. Boa sorte para o piloto nessa nova jornada.

24ago/115

Foto do dia – GP da Bélgica de 1988

Das oito equipes pelas quais Martin Brundle correu na Fórmula 1, a passagem pela Williams foi a mais curta de todas: uma corrida apenas, o GP da Bélgica de 1988, substituindo um Nigel Mansell acometido por catapora. Naquela temporada, Brundle era o piloto de testes da equipe e corria o Mundial de Protótipos pela Jaguar, no qual se sagrou campeão. Num dos piores anos da Williams, que corria com motores Judd, o piloto teve uma participação bem discreta em Spa-Francorchamps: apenas 12º colocado no grid e sétimo na corrida - fora da zona de pontos na época - que foi vencida pelo brasileiro Ayrton Senna.

23ago/1120

Em vez das chamas, o desprezo

Burn Baby Burn!

Foi um tempo para recarregar as baterias antes da correria do final da temporada, esse da pausa de agosto da Fórmula 1. Fui para meu retiro favorito, li bastante, corri várias vezes com a Pipoca ao pôr-do-sol, curti a família e os amigos e assisti a bons filmes que passaram na programação da televisão.

Um deles foi o clássico “Fahrenheit 451”, de François Truffaut, baseado na ficção de Ray Bradbury. Foi muito bom rever a história de um futuro imaginário em que o trabalho dos bombeiros é encontrar e queimar todos os livros que existem, numa sociedade absolutamente anti-intelectual.

O impacto ficou ainda maior depois de ler essa notícia em cima dos distúrbios ocorridos neste mês em Londres: enquanto queimaram carros, prédios e saquearam lojas para levar tênis de marca, televisores e iPods, os arruaceiros ingleses deixaram os livros intocados. Não por respeito, mas por desprezo. É como se fosse um objeto inútil, incapaz de lhes garantir o status que queriam obter através dos bens de consumo que levaram para casa.

Não há sintoma maior de uma sociedade doente. As pessoas são bombardeadas diariamente para valorizar um monte de coisas inúteis e a cultura é simplesmente desprezada. Mais vale um Nike do que um Garcia Marquez, uma 20 polegadas do que umas 20 mil léguas submarinas.

No final das contas, Ray Bradbury estava certo quando fez a sua crítica à sociedade de consumo americana no início dos anos 50. Ao invés de nos entregarmos às emoções, contradições e reviravoltas dos livros, tão similares ao que acontece na vida, preferimos viver no mundo maravilhoso das propagandas, na vã esperança que um simples produto nos trará a vida perfeita que vemos nelas. O resultado é uma sociedade de pessoas frustradas por não conseguirem alcançar o que não existe. O que gera cenas como as que vimos recentemente na Inglaterra. Triste demais.

Eu não vou mudar este quadro sozinho, mas faço o meu quinhão. Ler - não regularmente, ler sempre! - é um hábito que levo comigo e um universo do qual jamais abrirei mão. E mesmo aqui no blog, onde predomina a micro-cultura de uma mera modalidade esportiva, a busca é sempre por um enfoque diferente do tradicional "comentário em cima da notícia do dia".

Seja numa análise do momento, numa história do passado, num vídeo musical, a meta é que acrescentar o mínimo que seja no interesse de vocês por essa micro-cultura. Como se fôssemos parte da sociedade secreta que Guy Montag encontra no final da película de François Truffaut.

Espero que estejam apreciando a leitura.