28out/115

Os acertos da pista de Buddh

Buddh, um circuito iluminado?

Antes de mais nada, vamos acertar a pronúncia da pista nova: os locais dizem “Bud” mesmo, como um buda sem o “a”, e não “bãd”, como a cerveja ou o cão amigo.

E, apesar da presença sempre aterrorizadora de cães amigos pela pista logo no início do primeiro treino livre do dia, a pista indiana agradou bastante aos pilotos da Fórmula 1. A mim também. Ontem à noite fui correr pelo traçado e deu para ver em detalhes como Hermann Tilke acertou em algumas decisões neste seu novo projeto.

O principal foi fazer uma pista larga, mas bem larga mesmo, antes das curvas mais lentas: 1, 3, 4 e 16. Talvez isso não crie inteiramente o efeito desejado diante da sujeira excessiva no asfalto, poeira acumulada no resquício de uma obra que ficou pronta de última hora. Mas nos próximos anos, essa pista deverá estar limpa e poderemos ver ótimas disputas baseadas nas diferentes linhas que cada carro poderá tomar nestas freadas.

Outras coisas que devem ser destacadas nessa nova pista: a curva 3 é inteiramente cega e, mesmo na velocidade reduzida de uma corrida a pé, é quase impossível decifrar onde estariam o apex e saída dela. Não há muitas referências e podemos ver alguns erros ali nos próximos dias.

Muito bacana também, como destacou Bruno Senna na entrevista que fizemos hoje, é a seqüência de curvas rápidas entre a 5 e a 15: com variações de elevação e uma espécie de laço feita praticamente de pé embaixo. Ouvi também Mark Webber, que exultou o fato da pista ter “curvas de verdade para um carro de Fórmula 1, ao invés de andar em segunda marcha todo o tempo como onde andamos recentemente”.

Também me pareceu que estamos diante da melhor pista destas novas da Fórmula 1. Melhor até que Istambul, um traçado interessante e desafiador para os pilotos, mas que proporcionou mais corridas chatas do que emocionantes. O único problema é que provavelmente teremos de esperar pela prova do ano que vem. Pelo volume de poeira que engoli durante minha corrida a pé ontem e pelo “rali” que vimos muitas vezes durante os treinos livres de hoje, a sujeira vai mascarar um pouco a realidade esportiva do evento desse ano.

Comentários (5) Trackbacks (0)
  1. Ico,
    Salvo engano, ano que vem será a mesma coisa.
    Pelo que sei, esse circuito não será palco de frequente atividade automobilística. Ideal seria promover outras categorias na semana antecedente ao GP para limpar e emborrachar a pista.

  2. Ótimo texto, como sempre.

    Particularmente detesto pistas “aeroportos”, muito largas, mas vá lá… aguentarei firme e forte para manter vício.

    Saludos.

  3. Acho pouco provável que no ano que vem a pista esteja limpa e mais emborrachada, pois acredito que ocorrerão muitas corridas nessa pista. Automobilismo na Índia deve ser muito desenvolvido.

  4. Fique certo de que esse autodromo sera muito usado. além deste so existem mais dos circuitos e existem atualmente quatro categorias nacionais em atividade.

    Some isso ao fato de terem uma equipe na f1 e serem um dos maiores mercados potenciais do mundo, logo é so uma questão de tempo para que um rica cultura de automobilismo seja estabelecida no país.

  5. Só tive contado com o traçado, mesmo, no treino de classificação e gostei muito do que vi. Deve ser muito divertido pilotar lá.
    O treino foi bem legal, mesmo tendo um resultado tão comum no ano. Para se aferir quem é mais rápido, dou dez a pista.

    Vamos esperar pra ver como se desenrola a corrida para que tenhamos a noção exata de como os carros e pilotos se comportam em disputas mais “corpo a corpo”.
    Por enquanto as impressões são as melhores possíveis.


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