Os acertos da pista de Buddh
Antes de mais nada, vamos acertar a pronúncia da pista nova: os locais dizem “Bud” mesmo, como um buda sem o “a”, e não “bãd”, como a cerveja ou o cão amigo.
E, apesar da presença sempre aterrorizadora de cães amigos pela pista logo no início do primeiro treino livre do dia, a pista indiana agradou bastante aos pilotos da Fórmula 1. A mim também. Ontem à noite fui correr pelo traçado e deu para ver em detalhes como Hermann Tilke acertou em algumas decisões neste seu novo projeto.
O principal foi fazer uma pista larga, mas bem larga mesmo, antes das curvas mais lentas: 1, 3, 4 e 16. Talvez isso não crie inteiramente o efeito desejado diante da sujeira excessiva no asfalto, poeira acumulada no resquício de uma obra que ficou pronta de última hora. Mas nos próximos anos, essa pista deverá estar limpa e poderemos ver ótimas disputas baseadas nas diferentes linhas que cada carro poderá tomar nestas freadas.
Outras coisas que devem ser destacadas nessa nova pista: a curva 3 é inteiramente cega e, mesmo na velocidade reduzida de uma corrida a pé, é quase impossível decifrar onde estariam o apex e saída dela. Não há muitas referências e podemos ver alguns erros ali nos próximos dias.
Muito bacana também, como destacou Bruno Senna na entrevista que fizemos hoje, é a seqüência de curvas rápidas entre a 5 e a 15: com variações de elevação e uma espécie de laço feita praticamente de pé embaixo. Ouvi também Mark Webber, que exultou o fato da pista ter “curvas de verdade para um carro de Fórmula 1, ao invés de andar em segunda marcha todo o tempo como onde andamos recentemente”.
Também me pareceu que estamos diante da melhor pista destas novas da Fórmula 1. Melhor até que Istambul, um traçado interessante e desafiador para os pilotos, mas que proporcionou mais corridas chatas do que emocionantes. O único problema é que provavelmente teremos de esperar pela prova do ano que vem. Pelo volume de poeira que engoli durante minha corrida a pé ontem e pelo “rali” que vimos muitas vezes durante os treinos livres de hoje, a sujeira vai mascarar um pouco a realidade esportiva do evento desse ano.


lframos@totalrace.com.br

outubro 28th, 2011 - 17:04
Ico,
Salvo engano, ano que vem será a mesma coisa.
Pelo que sei, esse circuito não será palco de frequente atividade automobilística. Ideal seria promover outras categorias na semana antecedente ao GP para limpar e emborrachar a pista.
outubro 28th, 2011 - 17:05
Ótimo texto, como sempre.
Particularmente detesto pistas “aeroportos”, muito largas, mas vá lá… aguentarei firme e forte para manter vício.
Saludos.
outubro 28th, 2011 - 17:06
Acho pouco provável que no ano que vem a pista esteja limpa e mais emborrachada, pois acredito que ocorrerão muitas corridas nessa pista. Automobilismo na Índia deve ser muito desenvolvido.
outubro 28th, 2011 - 18:48
Fique certo de que esse autodromo sera muito usado. além deste so existem mais dos circuitos e existem atualmente quatro categorias nacionais em atividade.
Some isso ao fato de terem uma equipe na f1 e serem um dos maiores mercados potenciais do mundo, logo é so uma questão de tempo para que um rica cultura de automobilismo seja estabelecida no país.
outubro 29th, 2011 - 10:32
Só tive contado com o traçado, mesmo, no treino de classificação e gostei muito do que vi. Deve ser muito divertido pilotar lá.
O treino foi bem legal, mesmo tendo um resultado tão comum no ano. Para se aferir quem é mais rápido, dou dez a pista.
Vamos esperar pra ver como se desenrola a corrida para que tenhamos a noção exata de como os carros e pilotos se comportam em disputas mais “corpo a corpo”.
Por enquanto as impressões são as melhores possíveis.