28nov/1121

No limite

Problema de câmbio no carro de Vettel foi real e ocupou o engenheiro Guillaume Rocquelin o tempo inteiro

As circunstâncias da vitória de Mark Webber em Interlagos deixaram muita gente com a pulga atrás da orelha: teria a Red Bull armado um jogo de cena em cima de um suposto problema com o câmbio no carro de Sebastian Vettel, que liderou a primeira parte da corrida, para permitir que o australiano encerrasse o ano com pelo menos um triunfo?

Conhecendo a personalidade de ambos os pilotos, uma coisa é clara: eles jamais aceitariam uma condição como essa. Vettel nunca entregaria uma vitória, assim como Webber jamais toparia receber uma de presente. Mas o trabalho conduzido pelo time nos boxes de Interlagos noite adentro no domingo dissipou as dúvidas: a pressão do óleo no câmbio do carro de Vettel era realmente baixíssima.

De acordo com a revista alemã “AutoMotor und Sport”, o bicampeão mundial ficou na pista para acompanhar a abertura da peça. Havia muito óleo, que foi vazando ao longo da corrida. Vettel recebeu a informação de que tinha um problema de câmbio na 13ª volta. A pressão, que normalmente é de 2100 milibares, foi caindo. No momento da bandeirada, era de apenas 400.

Eu também conversei com gente ligada ao time e os engenheiros se surpreenderam com o fato do carro ter aguentado a prova toda nessas condições. Me disseram até que o carro chegou ao final literalmente“no limite” e que provavelmente o câmbio quebraria em mais umas cinco voltas.

O segredo para ir até o fim foi o engenheiro de Vettel, o francês Guillaume Rocquelin, que forneceu orientações constantes ao piloto ao longo de toda a corrida. O alemão comentou sobre isso na coletiva de imprensa:

- Até conseguia manter um ritmo parecido a Mark (Webber) no setor intermediário do circuito, mudando de marchas mais cedo e usando uma marcha mais alta em algumas curvas. O grande problema era no setor final, que só tem uma curva e um longo trecho em subida, porque eu perdia muito em aceleração.

Quem esteve em Interlagos pôde constatar os problemas no carro de Vettel tanto no barulho do motor como no fato da luz de chuva na traseira estar acesa, efeito do problema com a pressão do óleo. Na última corrida do ano, o RB7 - que havia se destacado ao longo da temporada pela ótima confiabilidade - resolveu dar problema. Ainda assim, o time conseguiu uma dobradinha. Este era mesmo o ano da Red Bull.

Comentários (21) Trackbacks (0)
  1. Pois é, e teve um monte de sites escrevendo logo após a corrida que tudo foi um teatro, sem sequer buscar a informação. Faltou jornalismo e sobrou chute neste GP do Brasil.

  2. Boa, Ico!

    O Luciano Burti chegou a dizer na transmissão da Globo que desconfiava da história do problema porque os tempos de Vettel no segundo setor (que exige mais trocas de marcha) era equiparável ao de Webber. É provável que não fosse verdade, mas fazia bastante sentido.

    • A questão dos tempos de Vettel e Webber realmente me deixou confuso na hora da corrida e muita gente pergunta sobre isso aqui tb. Mas o Webber explicou na coletiva sobre isso, ele sabia que deveria pautar seu ritmo no que as outras equipes estavam fazendo, e não no que Vettel fazia. A íntegra da resposta:

      MW: Well, I didn’t drive Seb’s car. All I can do is what I can do. When I first got past Seb, obviously, I realised that the race was not over for him, but I thought, OK, I’m maybe managing the race with the other guys, because problems normally only get worse. So my rhythm wasn’t only judging myself against Seb at that point. If I pushed, obviously, most of the time it was half a second per lap or four tenths, and then some laps it would the same, mainly because I was not completely disciplined myself because I knew I could give the tyre a bit of a chance to breathe a bit more and make the stints a bit longer, and keep the gap at whatever it was. Some laps I could push, obviously, and give the tyres a bit more of a chance when I had less fuel and stuff like that.

  3. Bem, a fonte é uma revista alemã e um depoimento de uma pessoa no setor A falando do carro do Vettel. Olhando tempos e tudo o mais, não me convence essa matéria da revista alemã. Na transmissão da Globo, o Galvão duvidou do jogo da equipe, quando o Burti levantou a lebre. Para responder, o Burti disse que estava se baseando em seu conhecimento técnico e comentou algo sobre o Vettel estar mudando as marchas nos tempos que seriam normais. Não entendi bem o argumento dele, ele citou algo sobre o Vettel estar trocando marcha na luz azul, acho, e se ele tivesse com problema estaria trocando na luz vermelha. Quem entendeu, se puder comentar aqui e explicar, ajudaria. Parabéns pelo trabalho ao longo do ano, Ico!

    • Obrigado Janaína!

      Uma das fontes com quem eu falei é um técnico da Renault, que fornece motores para o time. Eu realmente confio no trabalho do AutoMotor und Sport e, claro, nas pessoas com quem conversei. O argumento usado pelo Burti sobre as luzes azuis é perfeito, mas em marchas mais curtas como a segunda e a terceira, mesmo que o piloto mude o tempo para trocá-las, a luz azul vai acender de qualquer jeito. Mas vou tentar apurar mais questões técnicas sobre esse assunto, porque é algo que realmente merece ser bem esmiúçado. Depois eu volto a abordar ele aqui, promessa.

  4. Não concondo com o que voce diz que os dois jamais aceitariam fazer isso, pois os dois já declararam que essa situação era possivel, o Vettel disse que poderia abrir espaço pra ajudar o Webber no vice, então não tem lógica o que voce disse sobre isso. Se realmente foi problema, sim é possivel, e pelo que voce disse ai, foi o que aconteceu, mas porque voce mostrou provas, não por acreditar cegamente.

    • Ricardo, pelo q eu me lembre foram pessoas do time que comentaram essa questão de “ajudar o Webber”, mas os pilotos sempre se mostraram contra. Na coletiva do GP da Índia, o Webber foi bem incisivo inclusive, dizendo q jamais aceitaria isso. Aqui:

      Q: (Ubald Parkar – F1 Pulse.com) Mark, it has been suggested that Red Bull might use team orders to give you a victory. Would you be satisfied if you were handed a win like that? And it has been suggested that Red Bull might change focus to ensure that you would win a race. What would be done differently from what has been done earlier this season?
      MW: Nothing will be different. There’s been a lot of talk from the team but no talk from me. I don’t want any positions off Sebastian, for the remainder of the year. Nothing will change.

  5. então quer dizer que Vettel foi travesso e mesmo com problemas sérios no câmbio fez volta mais rápida (no meio da corrida, depois foi batido) e ainda conseguiu abrir dos concorrentes a ponto não ser incomodado?

    Tá certo. Se você diz que o problema existia, eu acredito. Mas que ao fim da prova deu a sensação de que foi meio marmelada, ah deu…

    • Todo mundo comentando este assunto e….. muda o que???? Muda o que na vida dos pilotos??? Na história da F1???? Muda o que na minha vida.

      A opinião de todos aqui não me interessa, porque não vale absolutamente nada.

      O que vale é o ICO que estava lá, lá dentro e conversando com engenheiros e profissionais da imprensa tão sérios quanto ele.

      Se você e os outros não acreditam é porque são “intendidus” do assunto. Luciano Burti não tem nada que achar porcaria alguma sobre luzinhas no painel. O cara foi medíocre como piloto de F1 e não conhece como um piloto pode levar um carro com problemas até o final. Até eu vendo a corrida achei estranho, mas concordei com a situação.

      Ayrton Senna fez igual em 1991 ao abrir para o Berger ganhar e todos acharam a coisa mais linda do mundo. Porém nos boxes todos sabiam que ambos odiaram o que aconteceu. Senna não queria e muito menos Berger.

      Button também comentou sobre o Vettel e disse que sim, é possível, economizar combustível e fazer voltas competitivas.

      Eu acredito na versão dos pilotos, engenheiros e imprensa séria, não em um bando de patetas da internet que assistem 10 minutos de corrida por ano e acham que entendem alguma coisa, se acham no direito de duvidar da palavra de um jornalista que está em LOCO, e pior, tem gente aqui que se quer fala inglês e ainda quer dar pitaco.

      • Tipica pessoa que acredita em tudo cegamente, tome suas proprias conclusões, é muito melhor, te garanto.

        O webber não querer posição do Vettel não significa muito, o proprio webber pode não saber que era uma armação, ele só foi avisado do problema e correu como sempre(lento por sinal), o ritimo de volta dele não condizia com o problema. Voce ta desmerecendo o conhecimento que o Burti tem, um cara que já foi piloto, e ta levando em conta o que? Sua vontade de que tudo seja verdade, parabens campeão.

      • Camaradinha…vê se toma vergonha na cara e aprende a escrever como gente antes de vir dar uma de gostosão. Quer dizer que o Ico estava EM LOCO é?! HAHAHAHA!
        Sério que tem gente que “SE QUER” fala inglês?! Olha, pensei que o “se” fosse condicional e fosse destinado para outros usos, outras construções frasais…
        Por que ficou tão nervosinho? Se a opinião dos outros aqui não vale nada, por que está lendo os comments? Leia apenas o post do Ico e sossegue, então.
        A propósito: “intendidus” não existe.

  6. eu, euzinha penso que:
    A Red Bull tinha um carro tao superior, tao superior( por estar ilegal- fora do regulamento-por isso renovou com Webber para ele guardar segredo-ele fez chantagem mesmo) que mesmo com problemas é muito superior aos outros!

  7. Uma grande palhaçada essa discussão sobre ordens de equipe. Elas existem desde o início do automobilismo que, por natureza, é uma competição entre carros. E continuarão a existir. Só que agora o jogo de equipe deve ser camuflado, disfarçado por um teatro. Uma hipocrisia danada. As pessoas preferem ser enganadas do que ver a realidade. Mundo das aparências.

    Quanto a esse caso da Red Bull, acredito na informação da equipe. Na F1 moderna, com tantos recursos eletrônicos, é mais fácil monitorar o funcionamento do carro e, assim, contornar eventuais problemas.

  8. Mas que a vitória foi entregue para Webber, isso foi. A ultrapassagem no final da reta dos boxes foi, no mínimo, muito estranha. Não havia distância para que Webber tentasse a ultrapassagem, e Vettel, com problema ou sem, estava mantendo ao longo de sucessivas voltas uma distância que impedia as tentativas de Webber. Eis que, do nada, ele tira completamente o pé e visivelmente deixa o companheiro passar.
    Se ele tinha condição de continuar na frente, fica claro que houve jogo de equipe aí.
    Mais um mito sobre a equipe-fake derrubado: o de que eles deixam seus pilotos lutarem livremente.

  9. Eu até acredito, ou prefiro acreditar que tudo foi verdade, que Vettel tinha mesmo problema no câmbio, e que Mark o ultrapassou por pura e simples competência.
    Concordo que o histórico dos dois, contando principalmente as últimas temporadas, não indicam que ambos aceitariam tal jogo.
    Gosto do Vettel, gosto de Webber.
    Mas além dos fatos apresentados no texto, afirmados por pessoas que certamente tem mais conhecimento e envolvimento que eu, é fato também que a coisa toda foi no mínimo estranha. Foram estranhos os tempos de volta, os diálogos por rádio, a cara de Webber ao sair do carro, o cumprimento dos dois, e a comemoração não tão efusiva para um piloto que mesmo tendo uma temporada mediana, acabou de vencer uma corrida. Se não foi teatro, como acredito que não tenha sido, é inegável que essas circunstâncias são suficientes para toda a boataria que se formou.

  10. Jovens,estou a descordar pois notável torna-se a avaria que o menino Sebastian obteve.

  11. Ico, depois que foi campeão no Japão o Vettel deu uma entrevista e disse que poderia abrir mão de vitória pra ajudar o Webber a conquistar o vice. Tanto que o Webber afirmou que dispensava completamente a ajuda.

  12. O Carro deles é tão superior aos demais, que eles nunca usam todo o potencial do carro nem na classificação nem nas corridas, no inicio o Vetel estava muito, mais muito a frente do Webber, os demais incluindo o Alonso disputavam uma corrida a parte, a formula 1b.
    Não acredito que eles estejam totalmente dentro do regulamento, a diferença é muita e só não aparece tão gritante, porque ele não utilizam todo o potencial do carro a não ser em algumas voltas, tanto nos treinos, quanto nas corrida.

  13. Ico, o barulho do motor da Red Bull era diferente desde os treinos livres. Ia até te perguntar isso, se é assim mesmo. Bom, como acho que você e o Vettel são seríssimos (não carrancudos) no que fazem, fico com a sua informação. Aproveito para te parabenizar pelo trabalho de toda temporada 2011. Minha participação aqui foi irregular, mas estive sempre lendo o blog (e o TotalRace como um todo). Como tem detalhe esta F1! Quando parece que não está acontecendo nada, tá acontecendo muita coisa. O blog, o Credencial, o TotalRace e o Pole Position são ferramentas essenciais para nos manter informados sobre o que really matters. Grande abraço.


Leave a comment

Sem trackbacks