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McLaren MP4-27

O caçador dos touros vermelhos?

É um típico modelo da McLaren: elegante e cuidadoso nos detalhes. Mas ainda é cedo para se ter alguma noção do potencial que existe no MP4-27. Muitas mudanças acontecerão até Melbourne, como de costume, resultado das lições aprendidas ao longo dos testes de pré-temporada. Isso vale especialmente para itens como as lâminas das asas dianteira e traseira. Avaliá-las agora é perda de tempo e as que foram acopladas no modelo apresentado em Woking parecem muito com algumas das evoluções utilizadas no ano passado.

Mas existem pelo menos três aspectos que chamam a atenção. O bico dianteiro atende à nova regra que exige uma distância máxima de 55 centímetros em relação ao solo. Mas, para alívio geral da nação, os projetistas encontraram uma solução menos radical que o “degrau” do Caterham CT-01. Nossos olhos agradecem.

Como fica bem claro no vídeo abaixo, as entradas de ar laterais também mudaram radicalmente, ficando menores e com a abertura em cima. O objetivo é claro: aumentar o fluxo de ar até a traseira do carro na parte mais rente ao solo para compensar um pouco a perda de aderência ali com o fim dos difusores soprados.

É justamente essa busca pelo Santo Graal da pressão aerodinâmica que nos traz à terceira grande novidade do MP4-27: os escapamentos. Como manda a nova regra, eles possuem uma altura maior em relação ao solo do que tinham no ano passado. E a McLaren apontou os seus diretamente para a asa traseira. Isso sugere a tentativa de se reproduzir efeito similar ao do difusor soprado, mas usando o agora o aerofólio como elemento que aproveitaria os gases, algo que a Julianne Cerasoli já havia apontado nesse texto.

Enfim, a única equipe que chegou a dar calor ao domínio da Red Bull em algumas ocasiões no ano passado vem com um carro sem nenhuma grande novidade aparente, mas certamente com ideias lógicas para os desafios impostos pelo regulamento técnico de 2012. Agora é esperar o que fazem as outras para ver quem seguiu pelo mesmo caminho.

Confira a galeria de imagens do MP4-27 aqui

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Adrian Sutil e os amigos de ocasião

Momentos felizes de uma amizade que se tornou amarga

É surpreendente o ocorrido com Adrian Sutil. Durante todos estes anos de cobertura na Fórmula 1, poucas vezes encontrei um piloto que parecesse tão tranqüilo e equilibrado como o alemão. Mesmo quando eu o entrevistava na tensão do grid, ele sempre estava num estado absolutamente relaxado, respondendo às perguntas com educação e profundidade. Não é do tipo que você imagina envolvido numa briga dentro de uma boate.

Mas naquele domingo à noite em Xangai, sob efeito de álcool, Sutil brigou. E, num incidente infeliz, feriu gravemente Eric Lux no pescoço. Um instante inpensado, um ato mal calculado e a vida de duas pessoas muda para sempre. Um se lembrará daquela noite toda vez em que olhar no espelho e ver uma enorme cicatriz. O outro carregará o peso de uma condenação na justiça. Mesmo que o cumprimento da pena tenha sido suspenso, Sutil não é mais réu primário.

O fato ocorreu e é importante arcar com as conseqüências. É importante frisar que o incidente e o julgamento não são os únicos responsáveis pelo fato do alemão não estar mais na Fórmula 1. Por mais que sua temporada em 2011 tenha sido boa, a Force India realmente se encantou com o trabalho de Nico Hulkenberg em treinos livres no ano passado e exerceu a opção sobre ele.

Além do mais, Sutil perdeu o patrocínio da Medion depois que a empresa foi vendida para a Lenovo, que já é patrocinadora da McLaren e cujos donos decidiram encerrar o apoio dado a outro piloto.

O alemão também perdeu um amigo. Um velho dito popular dizem que os amigos de verdade são os que não somem quando você está no aperto. Hamilton, que estava com Sutil na noite do incidente e com quem tinha uma excelente relação desde que foram companheiros de equipe na Fórmula 3, resolveu não depor como testemunha no processo, alegando ter outros compromissos.

De acordo com declarações publicadas pelo “Bild”, Sutil não gostou nada do fato. “Lewis é um covarde, não quero ser amigo de gente assim. Para mim ele não é homem. Até o pai dele me mandou uma mensagem desejando sorte no processo. Dele não veio nada. Ele mudou o número do celular e eu não podia encontrá-lo”, desabafou.

Depois de ver no paddock como os dois eram realmente muito próximos, essa “trairagem” é no fundo o aspecto mais triste de toda a história.