23mar/125

Os sinais da sexta em Sepang

Hamilton e a equipe a ser batida na Malásia

Ok, deixemos a corrida de Albert Park para trás: um circuito de rua que tem suas próprias leis podem nos dar indícios, mas nenhuma conclusão de como serão as coisas para a temporada da Fórmula 1. Melhor olharmos para Sepang, uma pista permanente e desenhada por Hermann Tilke, como boa parte dos circuitos da temporada.

E os sinais que vimos nesta sexta-feira em Sepang foram muito interessantes. Como sempre, ficam algumas dúvidas sobre o volume de combustível de cada carro - vale lembrar que, no ano passado, a Red Bull andava pesada na sexta e voava na classificação. Ainda assim: o domínio de Lewis Hamilton em ambas as sessões indica que também aqui a McLaren é o carro a ser batido.

Mas, como sempre na F-1, há muito além do que vemos (ou “there’s more to the picture than meets the eye”, como celebra o grande Neil Young em “Hey Hey My My”). Principalmente na sessão da tarde, várias pilotos fizeram longas sérias de voltas para testar o ritmo de corrida. E os de Red Bull e McLaren foram muito parecidos, embora pareça que o desgaste de pneus dos carros azuis foi marginalmente menor.

A seguir na distribuição de forças do grid estão a Mercedes e a Lotus. A primeira aparece com força para a classificação, sendo um lugar pelo menos na segunda fila perfeitamente realista. Em ritmo de corrida, os papéis parecem invertidos: os prateados com um desgaste mais acentuado da borracha, enquanto Kimi Raikkonen demonstrando ritmo forte e constante.

No lado dos brasileiros, o momento turbulento de Massa não ficou aliviado depois de um dia problemático. Embora o discurso empregado na entrevista à tarde foi de esperança e otimismo em ter descoberto a raiz dos problemas que ele teve em Melbourne, seu desânimo mostrava exatamente o oposto. A verdade é que Massa terminou o treino da manhã nada feliz com seu carro. E as mudanças que fizeram à tarde pioraram o carro ainda mais. Tudo aponta para mais um final de semana de pesadelo para ele. A cereja do bolo ainda foi a curiosa maneira com que Stefano Domenicali lhe prometeu apoio, mas não o bancou até o fim do ano, como você leu aqui.

Já Bruno Senna teve a primeira de suas “meia sextas-feiras” do ano, cedendo o cockpit de seu carro na sessão da manhã para Valteri Bottas - que fez um bom trabalho, diga-se. À tarde, o brasileiro trabalhou corretamente para acertar seu carro para a corrida e o resultado foi promissor: bom ritmo, mas com o mesmo desgaste acentuado de pneus da maioria. Resta saber se apenas uma sessão de uma hora amanhã cedo será o suficiente para colocá-lo bem na classificação.

No final das contas, essa questão dos pneus é a mais promissora de todas. Vimos até mesmo o mais veloz Hamilton dando suas escapadas na pista à medida em que a borracha ia embora. Na segunda corrida do ano, primeira num circuito permanente, a sensação que fica é que ninguém ainda entendeu completamente como otimizar a vida dessas novas misturas dos compostos da Pirelli.

Quem ganha com isso é principalmente a qualidade das corridas.

Comentários (5) Trackbacks (0)
  1. Ico,

    E se a previsão de chuva for confirmada, a brincadeira tende a ficar ainda melhor…

    abs

  2. Bem, mas eu achei que a diferença não foi tão absurda assim… Vamos ver.

  3. Bruno Senna é promissor no fundão do grid? Vamo ver amanhã…

    Ah….mas ele não é isso tudo mesmo que o povo diz. ou é?

    :)

  4. Os “sinais dos ‘tempos’ ” para a RBR … e para a Ferrari?

    - Esse Alonso, tem uma sorte danada. Se chover o cara vai levar esse troço vermelho pro pódio.

    Abr.

  5. A primeira análise séria, uma pessoa que entende de automobilismo é para fazer isso mesmo, analizar o conjunto e não ficar olhando para tempos de voltas e só. Parabéns pela análise.


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