6abr/1213

O ridículo fim de uma novela chata

Jim Clark orna a entrada do motorhome de uma das Lotus, nenhuma legítima

Ah, a volta da história e da tradição da Lotus na Fórmula 1! Um dos nomes míticos da categoria foi revivido em 2010 depois que Tony Fernandes entrou em acordo com o filho e a viúva de Colin Chapman e conseguiu uma licença da Proton, a fabricante malaia que era a dona da fabricante de carros homônima. Até o boné do lendário construtor inglês foi colocado no pitwall do time, numa inteligente e, ao mesmo tempo, inútil estratégia de marketing.

Quando Fernandes conseguiu o direito de usar o logotipo original da Lotus em 2011, a fabricante de carros tinha passado por cima dele e se arranjado com a Renault. Foi uma temporada em que tínhamos duas Lotus, ambas explorando imagens do passado como uma forma de tomar para si a tradição. Ambas soando claramente impostoras, especialmente quando a família Chapman debandou para os lados da Lotus Cars depois que Danny Bahar acenou um maço mais gordo de dinheiro para eles. O velho Colin repousa agora de bruços.

Hoje, mais um capítulo grotesco. A Lotus (ex-Renault, única nesse ano a correr com esse nome já que a de Tony Fernandes virou Caterham) encerrou o acordo com a Lotus Cars, como foi revelado numa reportagem da Autosport. Vai manter o nome do time, mas não trará mais o patrocínio da marca.

Encerrar um contrato no meio do caminho só acontece quando o patrocinador não honra seu compromisso. A Lotus Cars é uma das causas da crise financeira da Proton, que foi recentemente vendida para um conglomerado malaio. E a primeira medida deles foi cortar as asinhas de Danny Bahar e encerrar os mundos e fundos que ele tinha prometido no mundo do automobilismo (F-1, Indy, Le Mans, etc). Hora de sanar as contas.

Se o nome fica, o logotipo da Lotus deve sair do carro em breve. E aposto que o time mudará de nome no fim do ano novamente - algo que já se tornou tão corriqueiro na F-1 moderna quanto pilotos que trocam as cores de seus capacetes. Essas mudanças de alcunha - e toda essa confusão, para falar a verdade - é o efeito óbvio do bando de investidores que tomou conta da categoria, cujo único compromisso é com o lucro, nenhum com ela.

Ridículo.