Uma corrida imperdível
Os ingredientes para um domingo épico em Xangai foram temperados com uma das classificações mais surpreendentes da história recente da Fórmula 1 neste sábado. A primeira pole-position de Nico Rosberg na categoria, com o companheiro de equipe Michael Schumacher largando a seu lado, era inesperada. Mas talvez nem tanto quanto o japonês Kamui Kobayashi em terceiro e o finlandês Kimi Raikkonen em quarto no grid.
A perspectiva de emoção fica ainda maior pelo conhecido fato de que, nas duas primeiras corridas do ano, os carros da Mercedes apresentaram na corrida um ritmo infinitamente pior que o da classificação. Não é por menos que um feliz Nico Rosberg foi bem cauteloso ao analisar suas chances na prova. “Temos de trabalhar duro para tentar entender e melhorar o ritmo de corrida – e temos melhorado ultimamente. Mas é muito difícil saber o quão bem iremos amanhã e se é o bastante para vencer”.
Fiz questão de abordar Kobayashi com esse dado. A Sauber costuma apresentar um bom ritmo de prova. Perguntei se ele pensava na possibilidade de vencer. "Não estou pensando nisso. A melhor coisa é pensar em mim mesmo e o que tenho de usar no carro para ter a melhor performance. Nunca largamos desta posição, então isso é diferente. Vamos ver o que podemos fazer amanhã."
Falei com Monisha Kaltenborn, a diretora do time, que seguiu a mesma linha. “É difícil falar sobre colocações. Muita coisa precisa combinar: estratégia, acerto, a forma do piloto..”, respondeu, pedindo licença em seguida para dar um apertado abraço no piloto japonês. O time suíço tem um dos melhores climas internos no paddock e isso está ainda mais claro neste ano em que bons resultados estão acontecendo.
A queda da temperatura ambiente na parte final do treino explica em parte o grid embaralhado do GP da China. Como a janela ideal de funcionamento dos pneus Pirelli é muito pequena, carros que privilegiaram um acerto com mais downforce se deram bem - caso de Mercedes e Sauber. E os favoritos patinaram, caso de McLaren e também da Red Bull. E, num certo grau, de Kimi Raikkonen.
Assim, não são poucos os que apontam boas chances para o finlandês na prova de amanhã. No final do dia hoje, quando quase uma centena de personagens no paddock se encontraram para uma corrida coletiva (a pé) pela pista, falei com o engenheiro de Kobayashi, o italiano Francesco Nenci, sobre a possibilidade de vencer. Ele imediatamente apontou para o colega do lado, que trabalha na Lotus com o finlandês. “Quem está com chances melhores é ele”.
Seria legal. Mas não se pode e nem se deve descartar a força de McLaren e Red Bull. Se o clima esquentar amanhã, como diz a previsão, seus carros não sofrerão como hoje e Button, Webber, Vettel e principalmente Lewis Hamilton virão babando do meio do pelotão. Vai ser um espetáculo bonito de se ver.
Uma última informação relevante para acompanharmos esta corrida. Ao contrário do que aconteceu nas duas primeiras corridas do ano e também na pré-temporada, aqui em Xangai são os pneus dianteiros que estão sofrendo desgaste maior. Um domingo com temperaturas mais altas pode jogar o desgaste novamente para os traseiros. Por isso que Kaltenborn citou o acerto como um dos fatores decisivos para amanhã. Quem deixou a dianteira mais “presa” (ou com melhor aderência) se beneficiou hoje, mas pode inversamente sofrer bastante amanhã. Num dos grids mais equilibrados que eu já vi - apenas seis décimos de segundo separaram os quinze (!) primeiros no Q2 -, faltam dedos nas mãos para apontar pilotos que podem vencer a prova.
Assim é bom demais!


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