A primeira vez
Foi um mês de março de sonhos para os fãs de automobilismo no Brasil, aquele de 1996. No dia 17, um circuito “oval” construído no autódromo de Jacarepaguá sediou a primeira corrida de Indy no país. Duas semanas depois, a Fórmula 1 desembarcava em São Paulo para fazer sua etapa brasileira. Overdose de velocidade, velocidade de qualidade.
Para um jornalista iniciante como eu, e que gostava do assunto, foi um mês no Nirvana. Vivi cada dia com intensidade, cada pauta como se fosse a última. A primeira foi na fábrica da Cummins no ABC Paulista, uma empresa de auto-peças que patrocinava a equipe Walker e promoveu uma coletiva com o piloto Robby Gordon.
De lá partimos para o Rio de Janeiro, o plural do verbo denotando a equipe do Jornal da Tarde formada por Castilho de Andrade, Valéria Corbucci e eu. Era minha primeira visita ao autódromo de Jacarepaguá e foi uma paixão à primeira vista ao ver aquele cenário de sonho, com montanhas, céu e nuvens ao final do retão. Hoje ainda dói o coração ao pensar o que foi feito dele.
A Indy vivia seu auge no Brasil, eram oito pilotos no grid - incluindo ninguém menos que Emerson Fittipaldi (que também batizava o “oval” improvisado no autódromo Nelson Piquet) - e o interesse pelo evento era total. No ambiente aberto da categoria, abundavam histórias em outros boxes também. Uma que marcou foi uma longa entrevista que fiz com Jeff Krosnoff, único piloto que utilizava os motores Toyota que estavam entrando na categoria.
Meses depois ele perderia a vida num acidente que eu vi pela televisão - o primeiro caso de fatalidade automobilística de alguém com quem eu havia tido contato. Uma experiência estranha e difícil de se passar, que se repetiria depois de maneira também dolorosa com o uruguaio Gonzalo Rodriguez.
Mas o final de semana no Rio continuou numa nota positiva. Um público excelente compareceu no domingo para acompanhar a corrida e fez uma festa tremenda quando André Ribeiro - um dos oito pilotos “da casa” - cruzou a linha de chegada em primeiro lugar. Esta emoção das arquibancadas foi o mote da matéria do Jornal da Tarde no dia seguinte, encerrando uma cobertura inesquecível.
Duas semanas depois, estávamos eu, Castilho e Valéria em Interlagos para mais uma semana onde trabalho era o mesmo que diversão. Era minha segunda cobertura da Fórmula 1 (a primeira foi no GP do ano anterior), mas nem por isso foi menos marcante. Tenho até hoje guardada a edição do JT do domingo da corrida, quando em três pessoas produzimos material para cinco páginas inteiras e mais um caderninho especial de quatro páginas em formato tablóide. Já trabalhei em várias equipes boas na minha carreira profissional, essa era uma das que mais alegria e ensinamentos me deu.
Hoje, aqui do meu retiro perto de Viena, fico com inveja dos amigos que estão no Anhembi vivendo os dias dessa São Paulo 300. Que sejam vividos intensamente, como deve ser.


lframos@totalrace.com.br

abril 28th, 2012 - 12:05
Tava tranquilo , quando você falou: “Hoje ainda dói o coração ao pensar o que foi feito dele.”
Aí a pancada foi forte. Cara o que aconteceu, tava tudo lá,perfeito?!
Você tinha até que trocar para a 3a marcha algo que não vejo em nenhum oval, os patrocinadores, os pilotos, os motores diferentes, tava todo mundo lá.
a stock car poderia correr hoje lá também … A culpa é só do Tony George?, me pergunto… um crime.
Não sei o que aconteceu e hoje temos que ver os pilotos saltando dentro do carro numa pista cercada de grades, muito mais perigosa e rezando pra não chover.
abril 28th, 2012 - 20:56
O problema é que o autódromo virou parte das obras para o panamericano e teve seu traçado desfigurado pra construção daquela porcaria do HSBC arena.
abril 30th, 2012 - 13:29
Obrigado, Dé. Até sabia o que aconteceu -
foi mais um desabafo. Abr
abril 28th, 2012 - 12:34
Ico, vc acha que a Indycar pode ser comparada a F1 ?
Nao desmerecendo a categoria o enaltecendo a outra, tirando os carros que sao monopostos e alguns pilotos que jah correram em ambas categorias , honestamente nao vejo nenhuma outra similaridade, por isso nao entendo por que hj seguem fazendo comparativos como se as categorias fossem competidoras, entendo que nos 90 sim, mas depois do Tony George a INDY / Champcar deixaram de ser comparaveis….o que vc acha ??
abril 29th, 2012 - 04:50
Também acho que não dá para haver comparações: a técnica dos carros, a proposta e a dinâmica das corridas são completamente diferentes. Seria como comparar a F-1 com qualquer outra categoria de monoposto, GP2, World Series, F-3, F-Abarth – são completamente distintas. O que vale é comparar o impacto que o espetáculo causa. Infelizmente, a Indy tinha realmente tinha um impacto bem maior naquela época (anos 90) do que hoje. Mas não deixa de ser uma categoria bem interessante de acompanhar.
abril 28th, 2012 - 17:05
Vc mora em viena por:
a)logistica
b)vontade própria
c)imposição do seu empregador
Vc ñ cobre mais a indy por:
a)logistica
b)falta de interesse
c)proibição por parte do empregador
se vc puder responder ..
abril 29th, 2012 - 04:51
Moro por vontade própria, minha mulher é de Viena e resolvi ir morar na cidade dela. Assim, o foco do trabalho se concentrou na F-1, uma categoria mais europeia, por uma questão de interesse, acima de tudo, e também de geografia/logística.
Abs
abril 28th, 2012 - 21:32
Estive no autódromo de Jacarepaguá nesses dias também. Ganhei de um amigo passes para o padock. Lembro de ter tirado muitas fotos.
Numa delas estou com Mario Andretti e Emerson. Mas minha câmera era analógica ainda e depois desses anos não lembro onde foram parar… A Indy é muito mais relax com o público do que a F1.
Quem apareceu por lá foi o próprio Rubens Barrichelo. Até pensei que ele iria se transferir pra Indy naquela época.
abril 28th, 2012 - 21:58
Naquele momento a Indy tinha sua força, embora fosse o primeiro ano da cisão. Mas as provas do Rio fora históricas. Uma pena que ficou so na lembrança…