Miniaturas – Ferrari 126C2
Para encerrar esse dia de lembranças de Gilles Villeneuve, uma das minhas miniaturas mais especiais: esse modelo da Ferrari de 1982, feito pela Brumm, traz a asa dupla usada na prova de Long Beach.
Uma corrida em que o canadense chegou em terceiro lugar, mas acabou desclassificado justamente por isso. Era o auge da guerra entre a associação das equipes da época, a FOCA, e a federação, que se chamava FISA (hoje FIA). Certas coisas nunca mudam.
O legal dessa mini é que ela veio só com o carro. Mas eu achei uma vez um “Gilles” solitário no eBay, arrematei e coloquei no modelo, gerando um resultado ainda mais bacana. Clique na imagem para ampliar!
O despertar de uma paixão
No ano em que Gilles Villeneuve sofreu seu acidente fatal em Zolder, 1982, o Brasil disputou uma Copa do Mundo com um dos melhores times de sua história. Com Zico, Sócrates e Falcão e o comando de Telê Santana, era um time que se preocupava em atacar sempre, em dar espetáculo. Ainda que não tenha tido levado o título, ficou na memória de muita gente pelo futebol encantador que apresentava.
O paralelo com o piloto canadense é inevitável. Em 67 corridas disputadas, Villeneuve venceu apenas seis. Mas até hoje habita o imaginário de quem o viu correr, por estar sempre explorando os limites do carro - e muitas não se conformando com eles e tentando ir além. Por esse estilo cujo único compromisso era ter o pé na tábua a qualquer custo, também angariou uma legião de fãs.
Posso dizer que sou um dos milhares cujo interesse pela Fórmula 1 foi despertado por Gilles Villeneuve. Era o ano de 1980, quando Nelson Piquet esteve na briga pelo título da temporada e o interesse pela categoria no Brasil alcança até o público que não é fanático por corridas. Minha família passou a assistir as provas para torcer pelo brasileiro da Brabham. Eu, criança, me empolgava mesmo era com o piloto que colocava aquele carro vermelho nas posições mais impossíveis. Como um menino travesso.
As travessuras de Gilles Villeneuve tiveram um fim naquele sábado na Bélgica. Numa manobra mal calculada, ele decolou na traseira do carro de Jochen Mass, que vinha lento pela pista. O chefe da Ferrari na época, Mauro Forghieri, afirma que o canadense tinha recebido orientação para entrar nos boxes no final daquela volta. Ao invés de tirar o pé, Gilles vinha voando pela pista, mesmo numa volta que não seria cronometrada. Este era seu espírito: dar o máximo sempre, em qualquer ocasião. Viver a vida na mais absoluta intensidade. Lições que todos nós deveríamos carregar sempre.
É curioso pensar que foi por ele que hoje faço o que faço. E faço o que amo fazer. Como ele fazia. Merci, l’acrobate!



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