12mai/1214

Luz e Sombra

É uma lei perversa do esporte: o brilho de uns ofusca ainda mais o problema de outros

Como em qualquer esporte, a Fórmula 1 também traz um interessante contraste entre vencedores e perdedores. Em certas ocasiões, ele fica ainda maior. Como no Circuito da Catalunha. A classificação para o GP da Espanha foi cheia de surpresas e consagrou dois heróis improváveis: Pastor Maldonado, da Williams, herdou a pole position depois de uma punição aplicada a Lewis Hamilton, o mais veloz da sessão. E terá a seu lado no grid o ídolo local, Fernando Alonso, cuja melhor posição no grid até agora era um oitavo lugar.

Aí vem o contraste: seus companheiros de equipe, ambos brasileiros, largam do fundo do pelotão. Felipe Massa ficou com um tempo seis décimos de segundo mais lento que o de Alonso no Q2 e larga apenas em 16º lugar. Bruno Senna parou já no Q1, depois de uma rodada quando tentava melhorar uma marca 1s6 mais lenta que a de Maldonado. Larga em 17º.

As explicações ficaram no tráfego intenso do circuito. Um cenário ao qual mesmo os que se classificaram bem à frente também foram submetidos.

- Na minha volta rápida haviam oito carros saindo dos boxes e só por isso eu perdi mais de três décimos. Uma diferença como essa numa classificação tão competitiva como foi significou a perda de muitas posições - disse Felipe Massa.

Lá na frente, sorrisos e confiança. Para Pastor Maldonado, o resultado deste sábado pode significar o início de uma volta da Williams aos bons tempos do passado.

- Aos poucos a Williams está crescendo e minha tarefa é essa. Espero terminar a corrida no pódio e, para que isso aconteça, uma boa estratégia vai ser importante numa F-1 que está tão equilibrada.

O grid embaralhado abre boas perspectivas para a corrida deste domingo. O gasto de pneus em Barcelona está sendo intenso e há boas chances da prova ter um vencedor que não tenha largado da primeira fila, algo que não acontece desde 1996. Até porque, surpresas à parte, poucos apostam numa vitória de Maldonado ou de Alonso.

Nos treinos livres de sexta-feira, tanto Ferrari como Williams não apresentaram um tremendo ritmo de corrida. Ao contrário da Lotus, que tem Romain Grosjean em terceiro e Kimi Raikkonen em quarto no grid. Ou de Vettel, sétimo colocado. E também da McLaren, que tem Jenson Button em décimo.

Pobre do Hamilton, que não teve nada a ver com o erro de cálculo de seu time e vai largar em último (e com menos jogos de pneus novos que a maioria). Se erros dele podem ter atrapalhado a equipe em disputas de títulos passadas (Monza 2010 é um exemplo), ela está pagando em dobro neste ano.