18jun/128

70 vezes Paul

Nancy, Paul, um velho amigo e o momento em que eu cheguei mais próximo da lenda

A primeira vez que vi Paul McCartney foi numa inesquecível noite de abril de 1990, num Maracanã apinhado com mais de 180 mil pessoas. Era na época um recorde de Guiness para público de um só artista e foi uma viagem incrível pelos tempos de Beatles e também pelo melhor de sua carreira solo, pontuada por músicas de seu “disco de trabalho” na época, o honesto mas não brilhante “Flowers In The Dirt”.

A cada pausa entre uma música e outra, eu enchia os pulmões e berrava “For No Oooooooneeee!!!” - queria muito que ele tocasse minha música predileta dos Fab Four, algo que era bem possível já que a composição é dele mesmo.

(Se por acaso você não sabia que, apesar de Lennon e McCartney assinarem juntos todas as músicas que faziam, são diversas as compostas só por um ou pelo outro. Para mergulhar nessas diferenças, fundamental para entender melhor o obra dos Beatles, confira essa lista aqui)

Isso significa que vi Paul McCartney aos 47 anos de idade. Hoje ele completa 70, perdeu a esposa de então, Linda, para o câncer, teve um casamento fracassado com Heather e agora vive com sua Nancy. Depois de ler uma ótima biografia sobre ele chamada “Fab”, que conta também o lado não tão glamouroso e recomendável do ex-beatle, consegui ter um quadro mais humano deste que é, sem dúvida, um dos grandes gênios musicais da história.

Vi Paul outras três vezes desde aquela noite no Rio. Uma em São Paulo, uma em Viena, uma em Abu Dhabi. Em todas elas, enchi os pulmões e gritei “For No Ooooooneeee!!” sem jamais ser atendido. Sem problemas. O Mozart do século XX nos deu tantas melodias e canções que marcaram nossas vidas que cada uma dessas sessões com sua banda geraram horas de pura alegria, uma explosão de boas memórias e bons sentimentos.

Por tudo isso, é engraçado pensar na mística do “Paul Is Dead” que surgiu na época do disco “Abbey Road”. Algo que o beatle mais ativo desde o fim da banda tratou de desmentir. Paul faz 70. Paul fará 700. Paul não morrerá nunca com o legado que criou.

18jun/120

Keep the change

Hora de pagar, hora de fazer contas...

Bons eram os tempos em que gente como Noel Rosa chegava no bar, fazia um monte de solicitações e ainda saía sem pagar a conta, como no seu clássico "Conversa de Botequim". Quem viajava pelo mundo às vezes não percebe, mas essa relação entre garçons-serviço-gorjeta também é uma parte importante do reflexo das diferenças culturais que encontramos. Sobre isso, fiz um novo texto na TV Blogo. Entre lá, confira e comente!

18jun/123

Pobre WRC

Esqueceram de mim!

A gestão de Jean Todt no comando da FIA está sendo incrivelmente bipolar. Por um lado, a entidade está trabalhando pesado numa campanha para aumentar a segurança nas estradas, um trabalho importante para o automóvel clube central do planeta. E a maneira discreta com que ele age na Fórmula 1 é, no final das contas, bem mais agradável que a gestão espalhafatosa de Max Mosley. Todt também foi inteligente em prosseguir com um regulamento mais ou menos estável, o que contribuiu de forma decisiva para o equilíbrio de forças atual que vivemos na categoria.

Mas outros pontos importantes foram deixados de lado. O Mundial de Turismo (WTCC) virou um campeonato pequeno e pouco significativo, que não atrai mais o interesse de nenhuma montadora - é apenas um palco para a Chevrolet, a única que sobrou ali, correr e vencer contra uma concorrência praticamente inexistente.

Esperava-se também que Todt seria a pessoa que recolocaria o Mundial de Rali no patamar que ele merece, até pelo seu passado na modalidade. Aqui também há um mar de decepções. O WRC perdeu seu promotor e o processo para se encontrar um novo está sendo lento e demorado demais.

Na última sexta-feira, a FIA anunciou onde serão os treze ralis da próxima temporada. A inclusão de apenas três fora da Europa (Austrália, Argentina e México) surpreendeu e fez sentido num momento de crise intensa na economia europeia, algo que se abate com força ainda maior numa categoria como o WRC.

Mas a lista não trouxe a data de nenhuma das etapas. A FIA explica que é porque não houve uma definição de calendário dos “outros campeonatos” (leia-se Fórmula 1) é que é preciso esperar para não haver um encontrão de datas. Mas a imprensa europeia relata uma briga nos bastidores entre ela e os organizadores de cada rali. Tudo porque, sem um promotor para a categoria, a FIA pretenderia passar a conta paga à empresa que faz a cronometragem para os organizadores de cada evento. Estes resolveram se unir e deixar claro que não pretendem assumir o abacaxi. Negociações seguem nos bastidores.

Enquanto isso, a categoria sumiu da cobertura nas televisões, o que significa praticamente sumir do radar dos patrocinadores, do interesse dos torcedores, enfim, praticamente sumir do mapa. Mudar este quadro, com urgência, deveria ser a prioridade número um da FIA para os próximos meses, semanas, dias, horas.

18jun/120

TV Blogo – Chick Corea

Semana para irmos até a Espanha e, pelo acaso do shuffle, estava ouvindo ontem essa que, para mim, é uma das músicas mais bonitas já feitas. Chick Corea, o cara do jazz, fazendo um número que não deve em nada para os melhores sonetos para piano dos compositores clássicos de séculos atrás. "My Spanish Heart" é também a faixa-título do que, para mim, é o melhor album dele - se não tem, vá atrás. Aumente o volume, aperte o play e tenha uma ótima audição!