18jun/123

Pobre WRC

Esqueceram de mim!

A gestão de Jean Todt no comando da FIA está sendo incrivelmente bipolar. Por um lado, a entidade está trabalhando pesado numa campanha para aumentar a segurança nas estradas, um trabalho importante para o automóvel clube central do planeta. E a maneira discreta com que ele age na Fórmula 1 é, no final das contas, bem mais agradável que a gestão espalhafatosa de Max Mosley. Todt também foi inteligente em prosseguir com um regulamento mais ou menos estável, o que contribuiu de forma decisiva para o equilíbrio de forças atual que vivemos na categoria.

Mas outros pontos importantes foram deixados de lado. O Mundial de Turismo (WTCC) virou um campeonato pequeno e pouco significativo, que não atrai mais o interesse de nenhuma montadora - é apenas um palco para a Chevrolet, a única que sobrou ali, correr e vencer contra uma concorrência praticamente inexistente.

Esperava-se também que Todt seria a pessoa que recolocaria o Mundial de Rali no patamar que ele merece, até pelo seu passado na modalidade. Aqui também há um mar de decepções. O WRC perdeu seu promotor e o processo para se encontrar um novo está sendo lento e demorado demais.

Na última sexta-feira, a FIA anunciou onde serão os treze ralis da próxima temporada. A inclusão de apenas três fora da Europa (Austrália, Argentina e México) surpreendeu e fez sentido num momento de crise intensa na economia europeia, algo que se abate com força ainda maior numa categoria como o WRC.

Mas a lista não trouxe a data de nenhuma das etapas. A FIA explica que é porque não houve uma definição de calendário dos “outros campeonatos” (leia-se Fórmula 1) é que é preciso esperar para não haver um encontrão de datas. Mas a imprensa europeia relata uma briga nos bastidores entre ela e os organizadores de cada rali. Tudo porque, sem um promotor para a categoria, a FIA pretenderia passar a conta paga à empresa que faz a cronometragem para os organizadores de cada evento. Estes resolveram se unir e deixar claro que não pretendem assumir o abacaxi. Negociações seguem nos bastidores.

Enquanto isso, a categoria sumiu da cobertura nas televisões, o que significa praticamente sumir do radar dos patrocinadores, do interesse dos torcedores, enfim, praticamente sumir do mapa. Mudar este quadro, com urgência, deveria ser a prioridade número um da FIA para os próximos meses, semanas, dias, horas.

Comentários (3) Trackbacks (0)
  1. Inacreditável o que está acontecendo. Justamente na categoria onde corre o melhor piloto do mundo, Loeb, a categoria vai ficando às traças. Ford fica nesse fica não fica. Mini deve pular fora. A VW chega, mas é pouco. Não dá para entender os rumos da categoria que, na minha opinião, é a que mais reflete o espírito do automobilismo.

  2. Os melhores pilotos do mundo não podem ficar desamparados deste jeito, a FIA, em relação a sua gestão de esportes, parece a FIFA, é só copa, nela é só F1.

  3. Nesse aspecto, é verdade, Ico. Mas tem de se pensar que no centro disto tudo é uma luta entre Todt e a Eurosport, a cadeia pan-europeia de desporto. Esta, que toma conta do IRC – Intercontinental Rally Challenge – queria um contrato de cinco anos, algo que a FIA não quis ceder, apostando num contrato de três anos, e claro, poder para mexer nos ralis.

    São tempos complicados, estes. Os ralis vão passar por um mau bocado neste aspecto, logo agora que vêm aí uma nova marca, a Volkswagen. A Ford e a Citroen devem ficar mais uns dois ou três anos, por causa da tradição e também por causa do Löeb. Se este sair fora para a Endurance – já tem a sua equipa montada na LMP2 – a Citroen pode aproveitar e abandonar, colocando a Peugeot no seu lugar, por exemplo. É uma hipótese bem plausível.

    A Mini vai depender das decisões da casa de Munique. Com a confusão criada devido à quebra de acordo com a Prodrive, que desenvolvia o carro, suspeita-se muito que no final do ano vão-se embora e deixam o carro às mãos de uns privados quaisquer. E não acredito tão cedo na retirada da Ford, pois muita gente, muitos privados estão dependentes dos Fiesta preparados pela M-Sport, do Malcom Wilson, e do qual ele tira algum do dinheiro que serve para sustentar a sua estrutura.

    Dito isto, espera-se para 2013, onde provavelmente aparecerá novo promotor e se calhar deve-se fazer a tal expansão para fora da Europa.


Leave a comment

(required)

Sem trackbacks