Herman, The German
Michael Schumacher foi um dos assuntos da quinta-feira em Spa-Francorchamps. A melhor medida da sua importância neste seu GP de número 300 esteve no conteúdo do que os outros pilotos falaram sobre ele. Especialmente Fernando Alonso, a quem eu perguntei se o alemão ainda era hoje a mesma referência de quando ele, Alonso, começou na Fórmula 1. A resposta você confere nessa matéria.
O alemão recordista e bem-sucedido é conhecido e reverenciado por todos. Mas eu compilei algumas curiosidades sobre Michael Schumacher, coisas que não são tão conhecidas assim:
- O heptacampeão tem um nome do meio. Seu nome completo é Michael Fritz Schumacher.
- Seu melhor amigo no automobilismo é o italiano Luca Badoer, piloto de testes da Ferrari durante boa parte do período em que o alemão correu pela equipe.
- Michael Schumacher não toma de café por questão de gosto.
- Até hoje ele mantém o hábito de dormir cinco minutos no motorhome antes de ir para o grid de largada.
- O alemão tem uma fascinação pela Escócia. “Se eu pudesse voltar no passado, seria na Escócia da idade média. Adoro filmes como ‘Highlander’ e ‘Braveheart’, a paisagem é muito ampla e impressionante”.
- “Herman, The German” era o apelido que Nelson Piquet deu a Schumacher quando o alemão entrou na Benetton para ser companheiro do brasileiro.
- O coquetel favorito é do alemão é Cuba Libre.
- O fanático por futebol Schumacher é torcedor do Colônia, atualmente na segunda divisão do Campeonato Alemão.
- As inscrições em chinês em seu capacete são os nomes de sua esposa Corinna e dos filhos Gina Maria e Mick.
- O primeiro carro de sua vida foi um Fiat 500
Além da lista acima, reproduzo um texto meu publicado originalmente no GP Total (um site que sempre vale a visita) após o GP da Bélgica de 2004, quando, aqui em Spa, ele confirmou seu sétimo título mundial.
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Uma das características mais impressionantes de Juan Manuel Fangio era sua imponência ao discursar. A fala pausada e a auto-confiança que transmitia o ajudaram muito a se transformar em um mito. Não importa onde estivesse, suas palavras eram sempre proferidas no então ultra-exótico castelhano, o que deixava as platéias ainda mais admiradas. O argentino até arranhava um italiano, mas deixava que seu público se virasse para entendê-lo. Afinal, ele era O Fangio. Sem falar que atingiu o ápice de sua carreira com mais de 45 anos, numa época em que a experiência contava muito na Fórmula 1, ao contrário de hoje.
Outros campeões mundiais também se destacaram por saber transmitir em palavras todos os permeios que formam um grande piloto, como Jackie Stewart, Emerson Fittipaldi, Niki Lauda. E não podemos esquecer de Ayrton Senna, que trouxe o discurso metafísico ao automobilismo (visões de Deus, corpo que se derrete no cockpit) e ganhou com isso tantos admiradores quanto detratores. Eram sensações tão estranhas ao homem comum, coisa de gente com alma tão impenetrável quanto misteriosa. Isto deixou muitas vezes no ar a sensação que é preciso ter um dom especial para ser um grande piloto. É como se fosse um desperdício, um erro se interessar por outra atividade, diante de tanto talento para domar a máquina e escravizar o cronômetro.
E tem Michael Schumacher, oriundo da classe média-baixa alemã e detentor de pelo menos ¾ de todos os recordes que alguém se dispuser a imaginar na Fórmula 1. No último domingo, quando obteve a incrível marca de sete títulos mundiais, o piloto ostentava a mesma tranqüilidade e simplicidade de alguém que ganhou um torneio regional de truco. Diante da insistente tentativa dos repórteres em captar a emoção do momento histórico, o piloto se saiu com esta: “Só estou meio perdido em pensamentos. Foi, em parte, um dia caótico. Sou heptacampeão e tenho de admitir que a ficha ainda não caiu. Infelizmente não sou nenhum poeta, que encontra as palavras certas para expressar seus sentimentos”.
É impressionante como Michael Schumacher se humanizou desde 2000, quando tirou de suas costas o peso da responsabilidade de tirar a Ferrari da fila. Repare: desde então, o alemão nunca detalhou em suas entrevistas o que pensa sobre suas habilidades técnicas, nunca fez discursos filosóficos sobre sua capacidade de concentração, nunca louvou seu triunfo sobre este ou aquele inimigo.
Pelo contrário, se tornou mais um homem de família e sempre creditou seu sucesso à todos que o cercam, de Jean Todt até a faxineira de Maranello. Ao dividir os louros da vitória, fez a opção clara de despir a vestimenta de semi-Deus e foi curtir a vida. Suas atividades extra-pista se tornaram prosaicas: bater bola com os amigos (e também com Zico, Zidane, Ronaldinho, Robinho e Figo, afinal ele pode); levar os filhos à Disneilândia (onde consegue andar incógnito); passear, também protegido pelo anonimato de um capacete, com sua Harley Davidson pelas estradas européias; tomar uma cerveja e fumar um charuto todos os domingos após as corridas, em uma sala reservada no motorhome da Ferrari para o ritual sagrado de um homem normal após um dia duro no escritório.
Infelizmente no Brasil, especialmente pela parca cobertura feita pela emissora detentora dos direitos de transmissão, a imagem de Schumacher vive deturpada. Em toda a Europa, especialmente na Itália e na Alemanha, todos vibram com a habilidade ao volante de um homem que, por seus hábitos (futebol, cerveja, família), podia ser um colega de trabalho. Com sua disciplina e sisudez alemã (o que talvez explique sua falta de magnetismo no caráter), o piloto colocou o povo no Olimpo sagrado dos grandes nomes da Fórmula 1. Alguém cuja vida não se resume à corridas, vitórias e recordes, mas também inclui atividades realizadas e valorizadas por gente como eu e você.
Outros campeões também foram como Schumacher. Gente como Nelson Piquet, que também manteve uma aura de pessoa comum, mesmo após tanto sucesso. No auge de sua carreira, o brasileiro dava tanto valor à vitória quanto a uma noite bem-dormida no seu barco, de preferência em companhia feminina.
Mas há uma diferença marcante entre estes dois, e para notá-la basta reparar nas entrevistas. Piquet sempre disse o que pensava, era de uma época em que isto ainda era possível. Isto feriu muitos sentimentos e fez com que a maioria burra da opinião pública o deixasse de fora dos primeiros lugares nas inúteis listas dos maiores pilotos de todos os tempos (não que o brasileiro se importe com isto). Mas como os italianos podem ter simpatia por alguém que disse que o Comendador Enzo Ferrari estava gagá (quando estava)? Como os ingleses vão gostar de alguém que chamou a mulher do endeusado Nigel Mansell de feia (embora ela seja)?
Michael Schumacher, ícone da Fórmula 1 regulamentada pelos diretores de marketing dos patrocinadores, só demonstra medo nas entrevistas. Eu já estive presente em um par delas, e é um espetáculo interessante: o piloto está sempre aberto para aquelas perguntas já mil vezes formuladas e respondidas. Mas quando o assunto é mais delicado, seu queixo vai ainda mais para a frente, a boca vira um bico e o rosto se retorce. O ser humano que não tem problemas em dividir freadas a mais de 200 km/h se borra de medo de falar alguma coisa errada. E vai bloqueando qualquer tentativa de quebrar sua superfície, com silêncio ou respostas evasivas.
Nisso, ele está no mesmo pé que gente como Fangio, Stewart ou Senna. A falta de eloqüência no seu discurso o deixa tão impenetrável e misterioso como os outros. Subvertendo a operação, Schumacher chega ao mesmo resultado. Resta a nós continuar divagando sobre se não há realmente um segredo que une os, com a licença do Edu, Grandes Senhores das Pistas.
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Em dias de celebrar o esportista Schumacher, este post vem com o propósito de valorizar o homem por trás do esportista. É ele, afinal, quem teve papel preponderante nessa incrível carreira de sucesso na Fórmula 1.
Sem saída
Na verdade era para Lewis Hamilton já ter assinado sua renovação com a McLaren faz tempo. Afinal, que horizontes ele espera encontrar em alguma outra equipe? Correr na Ferrari de Fernando Alonso é impossível desde a explosiva convivência dos dois na mesma equipe em 2007. Red Bull? Se quisessem o inglês, não teriam corrido para renovar com Mark Webber mesmo sabendo que Hamilton estava disponível no mercado.
Na Mercedes? Bem, primeiro é preciso saber se Michael Schumacher quer se aposentar - e ele não está com pressa para decidir. De qualquer jeito, seria um passo atrás para alguém que está sentado no único carro prateado do grid capaz de brigar pelo título desta temporada, o da McLaren. Restaria a Lotus, mas é uma equipe de futuro incerto e que demonstra estar muito satisfeita com sua dupla de pilotos.
O fato é que a relutância em renovar com a McLaren reside na questão financeira. O contrato em vigor de Hamilton é de uma época em que a realidade econômica, da F-1 e Mundial, era outra. Mas ele se recusa a se adaptar à realidade atual, ciente do que é capaz de fazer quando está num final de semana endiabrado, como na Hungria.
O que Hamilton não enxergou ainda é que abrir mão de um salário astronômico é fundamental para a própria competitividade da McLaren. No final deste ano a equipe vai perder seu principal patrocinador, a Vodafone. E a Mercedes pára de ceder motores de graça para o time no final de 2013. Sem falar nos custos de manutenção da suntuosa sede da equipe e do prejuízo financeiro que a McLaren Cars causa aos cofres do grupo.
A McLaren chegou a um ponto em que cinco milhões a mais fazem uma diferença tremenda. É um dinheiro que renderia mais se for empregado no motor ou no desenvolvimento do carro. Afinal, de que adianta Hamilton renovar com a McLaren para ganhar bem, mas sem um carro competitivo em mãos?
(Texto da coluna "Direto do Paddock", publicada na edição de hoje do Diário Lance!)
Spa antiga, on board
A primeira vez que andei por lá foi no simulador Grand Prix Legends. Mesmo num mundo virtual, tinha de prender a respiração antes de encarar curvas como a Masta. Tudo passava numa velocidade alucinante e postes, árvores e casas na beira da pista invariavelmente recolhiam os destroços dos meus carros a cada trajetória mal-feita. Acertar uma volta limpa não era nada fácil e foi lá que eu aprendi uma máxima do automobilismo: é mais difícil ganhar tempo em curvas de alta velocidade do que nas lentas.
Na vida real, “descobri” a pista antiga na minha primeira cobertura de um GP da Bélgica, em 2008. Eu voltava do circuito atual para a casa em que me hospedo no vilarejo de Malmedy quando estranhei a familiaridade que meu cérebro demonstrava com um caminho que fazia pela primeira vez. Demorou um segundo para identificar que estava na descida para a Burnenville.
Poder fazer este passeio retratado no vídeo linkado acima é roteiro obrigatório em qualquer visita a Spa. Muito pouco mudou por ali desde os anos 70 e os postes, árvores e casas ainda estão por lá. Um museu vivo de uma época em que a Fórmula 1 era um eterno bailar de mãos dadas com a morte a velocidades muito acima de 300 km/h e mergulhado numa banheira de gasolina, com um mínimo de segurança. Tinha que ter muito culhão para fazer isso.
Miniaturas – Eagle F1
O piloto que mais vezes venceu o GP da Bélgica é Michael Schumacher, mas o maior vencedor desta corrida é este carro acima. O Eagle foi construído na Califórnia e era mantido na Inglaterra sob o comando de Dan Gurney e com um certo Jo Ramirez como mecânico-chefe, numa época em que era possível ter uma equipe de Fórmula 1 com apenas sete ou oito pessoas. E esta turma de aventureiros conseguiu triunfar, numa vitória absolutamente justa e merecida, em Spa-Francorchamps.
A miniatura mais legal da minha coleção, em edição limitada e assinada pelo próprio Gurney, foi feita pela Spark na escala 1:43. Presente especialíssimo que recebi do amigo Rica Ramos, contumaz piloto da Eagle no Grand Prix Legends. Eternamente grato, mano!
Até onde pode chegar a Fórmula E?
O futuro da indústria automobilística vai passar pelos carros elétricos. É algo que está claro para mim desde a minha visita ao Salão de Genebra do ano passado, quando vi como as marcas levam a sério esta tendência. E não podemos ignorar a existência do Kers na Fórmula 1. O uso de baterias nos carros para armazenar e despejar potência no motor é uma realidade faz tempo.
Assim, não surpreende que a FIA abrace a causa e crie a Fórmula E. Os carros serão criados a partir do protótipo EF 01, que podemos ver no vídeo acima fazendo um irritante barulho que lembra um pouco o motorzinho das brocas de dentista. O campeonato está sendo feito por gente que entende do riscado. Alejandro Agag, é o dono da equipe Barwa Addax da GP2 e vai organizar tudo. Este blog também pode adiantar que Lucas di Grassi foi contactado para trabalhar no desenvolvimento dos carros da Fórmula E - e eventualmente competir na série também.
Hoje temos alguns carros de corrida híbridos ou mesmo completamente elétricos - como o Nissan Leaf Nismo RC - por aí. Assim, a criação de uma categoria de monospostos atende mais a uma questão de marketing do que propriamente esportiva. Levar carros de fórmula elétricos para o centro das grandes cidades, eventualmente pilotados por nomes com passagens pela Fórmula 1 ou outras categorias de ponta: que ótima maneira de reforçar a presença dos carros elétricos como uma alternativa para o futuro na cabeça das pessoas.
Este é o principal objetivo do presidente da Comissão de Campeonatos de Novas Energias e Elétricos da FIA, o alemão Burkhard Göschel. Um homem com passagem por várias grandes montadoras e fornecedoras da indústria automobilística e que já previu em entrevistas um futuro em que a maioria dos carros nas ruas sejam elétricos (mas que os movidos a derivados de petróleo sempre existirão).
Ainda acha cedo demais para que uma categoria de carros elétricos se estabeleça como exemplo de performance de ponta. Mas quem dita os caminhos pensa diferente. Que eles me surpreendam e apresentem um carro bem mais empolgante que este do vídeo acima.
TV Blogo – Iron Maiden
O Deep Purple não é banda que mais rende covers no planeta, assim como o Iron Maiden não é uma que faça muitas versões. Assim, é ainda mais especial essa regravação de "Space Truckin'". Mesmo que em ritmo de ensaio, sem nenhuma grande pretensão. Como deveria ser mesmo. Aperte o play e boa audição!
Um bando de heróis
Herói - Aquele que se distingue por seu valor ou por suas ações extraordinárias
Daqui a dois dias começa a Paraolimpíada em Londres. Vamos ver e ler um montão de histórias bonitas de luta, persistência e superação. Nada diferente do que vimos e lemos há pouco tempo, durante as Olimpíadas. Mas agora os atletas são “deficientes físicos”. É uma expressão que sempre me incomodou.
Afinal, todas as pessoas que eu conheci que se encaixam nela me impressionam pela clareza e leveza com que tocam suas vidas. Como um amigo e colega que, quando ainda era um jovem jornalista, ficou preso a uma cadeira de rodas depois de um mergulho mal dado num rio. Desde então, virou correspondente internacional, escreveu roteiros de filmes para cinema e vive entre Londres e Nova York, sempre recebendo eventuais visitantes por lá com simpatia e energia únicas.
Aqui na Áustria conheci uma amiga da minha esposa, uma mulher muito bonita, de largo sorriso e duas filhas lindas. Desde a adolescência, possui uma prótese na parte inferior de uma perna, que teve de ser amputada após um acidente de moto. Uma vez estávamos numa estação de esqui e, todos os dias, ela tirava a prótese e descia a montanha com mais destreza e velocidade que todos nós. E é uma das pessoas mais bem-humoradas que eu conheço.
Estes dois não estarão em Londres, mas temos lá o exemplo de Alessandro Zanardi. Neste final de semana estava lendo uma entrevista dele para um jornal austríaco, com frases que reforçam a atitude incrível com que ele encara a vida, mesmo após ter perdido as duas pernas naquele horrendo acidente em Lausitzring em 2001.
“Quando corro descalço, não corro o risco de ficar resfriado. E se quebrar uma perna, tudo o que eu preciso é de uma chave de fenda”, brinca ele, que vai competir, apropriadamente, no circuito de Brands Hatch em provas de ciclismo de estrada. Pela Itália, claro, o que é senha para mais uma piada. “Na verdade, eu deveria ter o passaporte alemão, já que há muito sangue alemão correndo nas minhas veias”, diz ele, se referindo às transfusões de sangue que salvaram sua vida há onze anos.
Zanardi afirmou numa outra entrevista, à Autosport, que a Paraolimpíada deverá ser o fechamento de seu ciclo neste tipo de competição. Acho que nem ele sabe o que virá depois, mas certamente não é algo que o preocupe. A única certeza é que sua atitude seguirá sendo um exemplo e uma lição para todos nós, “normais”.
Afinal, a pior deficiência que existe não é a física, mas a de caráter. E o mundo está lotado de gente que sofre disso. Uma pena. Ainda bem que existe essa turma de heróis que competirá em Londres para nos lembrar do que realmente é importante na vida: uma mente clara e positiva, em qualquer circunstância.
TV Blogo – Glen Hansard & Markéta Irglová
Serão nove corridas em treze semanas, revirando o planeta de um lado ao outro. Hora de tomar fôlego para essa parte final da temporada 2012 da Fórmula 1. Fôlego como Glen Hansard tem de sobra para cantar suas canções que me inspiram tanto. Música é sentimento e esse cara, definitivamente, sabe incorporar isso no que faz como poucos. Aperte o play e boa audição!
Minha querida Eslovênia
O roteiro das minhas férias incluiu um dos meus países preferidos na Europa. Cheguei na Eslovênia pela primeira vez há alguns anos, sem referências e por puro acaso, como uma mera parada no meu deslocamento entre Viena e o litoral da Croácia.
A paixão por Ljubljana veio à primeira vista, despertado pelo incrível charme de seu centro histórico. Os canais que cortam pontes ricas em detalhes convidam para um passeio na água. O castelo no alto traz a vista de uma cidade que tem também seu lado moderno sem que exista um choque no contraste. Comer bem é obrigação em um lugar com uma culinária tão saborosa e torna difícil o momento de partir desta pequena jóia de cidade.
Com o passar dos anos, fui descobrindo outros destinos no país: as cavernas de Postojna, um dos maiores complexos de estalagmites do mundo, possuem um clima de beleza surreal e proporcionam uma divertida viagem de trem por suas profundezas. Beleza surreal também é a que existe um Bled, um lago de um azul incrível, cercado por montanhas e pontuado por um castelo e por igrejas históricas. Não é por acaso que era ali o refúgio que o Marechal Tito escolhia para descansar durantes os anos de Iugoslávia.
Hoje a Eslovênia está aberta ao mundo, mas ainda não totalmente descoberta por ele. Talvez seja isso que torne tão agradável as visitas que eu faço por lá. É meio que fazer parte de uma sociedade secreta. Uma sociedade riquíssima de belezas.
Retornos diferentes
Ontem falamos da motivação de Michael Schumacher em competir na Fórmula 1 e este é um ponto fundamental para entendermos porque há uma diferença clara entre a sua pausa de três anos longe da categoria e as duas temporadas de ausência dela de Kimi Raikkonen, outro campeão do mundo.
Muita gente vê na ótima temporada do finlandês - que chega em setembro numa colocação que o permite sonhar com a disputa do título, algo surpreendente - um argumento irrefutável para diminuir a qualidade do alemão. Schumacher “nunca foi tudo isso” na opinião de alguns ou estaria “velho demais” para outros.
Não concordo, assim como não creio em outras das explicações que existem para as dificuldades deste retorno de Michael Schumacher: pneus diferentes, ausência de treinos (na época da Ferrari ele testava fartamente com disciplina espartana), rivais mais fortes que os que enfrentou no auge de seu sucesso. Bobagem, bobagem, bobagem.
A diferença entre o desempenho dele e de Raikkonen neste retorno está justamente no que fizeram na pausa. No Mundial de Rali, o finlandês passou dois anos se medindo contra os melhores pilotos do mundo na modalidade. Freqüentemente passou do limite, sofreu inúmeros acidentes, mas estava o tempo todo se comparando com o mais alto padrão existente.
Já Michael Schumacher correu no Campeonato Alemão de Motociclismo, claramente por puro prazer. No final de 2008 eu entrevistei o vencedor do título daquele ano, o austríaco Martin Bauer, que havia sido companheiro dele na competição. Os elogios à velocidade natural de Schumacher não esconderam o fato dele jamais ter entrado na pista com a obsessiva ambição de ser o melhor ali. Schumacher nunca viu a atividade como um degrau inicial para uma possível carreira na MotoGP. Era apenas uma maneira de viver a adrenalina da velocidade em uma disputa com pilotos e maquinário de qualidade média em relação ao máximo possível em duas rodas.
Ou seja: Michael Schumacher ficou três anos sem ter aquela rotina de enfrentar a cada quinze dias os melhores caras do mundo. Kimi Raikkonen viveu esta rotina. Parece algo subjetivo, mas faz toda a diferença. Quando se chega lá no topo, a quantidade de gente que faz malabarismos na tênue linha do limite máximo é grande. E estar apenas perto do limite, na F-1, é estar longe do sucesso esportivo.
Neste ano, depois de dois se readaptando à dureza da competição de alta performance, Schumacher faz finalmente uma temporada decente, tanto em relação ao companheiro de equipe como para o carro que tem. É claro que a diferença matemática na tabela (77 a 29) é enorme, mas ela é fruto de uma inacreditável série de infortúnios mecânicos - e de uma barbeiragem em Barcelona que lhe custou a pole em Mônaco. No global, ele está andando no mesmo nível de Nico Rosberg. O que não é pouco para quem, há pouco tempo, andava apenas no pelotão intermediário do campeonato alemão de motociclismo.








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