21nov/1220

Acorda, São Paulo!

Cadê as obras ali?

Foi uma quarta-feira gostosa em Interlagos, sentindo aquela movimentação ir crescendo ao longo do dia com a preparação das equipes e da organização para os últimos detalhes do final de semana. Deu tempo até de ir até o S do Senna para conferir de perto o asfaltamento da área de escape - uma pena pois tira muito do desafio da curva.

Dei uma olhada lá da parte de cima do circuito para a reta oposta, para a área onde seriam construídos uma nova estrutura de boxes em cima da ideia de modernizar Interlagos. A boa notícia é que não há nada construído por ali. A má é que é um terreno bastante desnivelado e o trabalho de aterramento e construção teria que ser feito rapidamente para ficar pronto até o meio do ano que vem, a tempo de uma vistoria da FIA. E sairia relativamente caro.

Com a mudança de gestão na Prefeitura de São Paulo, o processo pode ficar demorado. Bernie Ecclestone, que não é bobo nem nada, foi correndo para Santa Catarina para encontrar algumas autoridades de lá e estudar a possibilidade da construção de um autódromo para a Fórmula 1 ao lado do Beto Carrero World - como foi reportado no jornal “A Notícia” em matéria indicada pelo leitor do blog João Kula.

Pode ser apenas o velho trunfo do chefão da categoria em ensaiar um namoro com uma alternativa apenas para pressionar a opção prioritária a agir rapidamente em prol dos interesses dele.

Mas a alternativa não é tão irreal quanto possa parecer. Penha é minúscula sim, pode pecar em infra-estrutura, mas a proximidade com Joinville e Balneário Camboriú garante um número mínimo de quartos para a movimentação de um GP. E, embora quase todo mundo do circo da Fórmula 1 adore a corrida em Interlagos, cada vez mais pessoas demonstram desconforto quanto às questões de insegurança e de trânsito na capital paulista.

Um GP do Brasil é algo fundamental para a categoria. Mas se São Paulo não se atualizar, pode ficar a ver navios. Uma corrida brasileira “na praia” seria uma aposta que a Fórmula 1 poderia pagar para ver. E se Penha parece meio o fim do mundo para os padrões dela, Mokpo também é.

Acorda, São Paulo!

Comentários (20) Trackbacks (3)
  1. Ico, Jacarepaguá é a triste lição para ficarmos com os olhos bem abertos. Não tenha dúvida que se entrarmos num processo letárgico, protelatório, as coisas se complicarão seriamente. Ação! E do lado dos que gostam de Interlagos, prestigiemos. apoiemos, participemos, mexamo-nos.
    Grande Abraço, Grande ICO.
    Parabéns pela cobertura da temporada.

  2. Fui assistir a corrida em interlagos em 2003 pra nunca mais, estrutura horrível assim como dos arredores do autodromo, transporte péssimo também. Prefiro assistir em casa comendo uma pipoquinha, só volto quando puder pagar um ingresso com acesso ao paddock.

    Pelo que leio as equipes detestam as estruturas dos boxes. A F1 no Brasil merece um autodromo moderno e interlagos está a milhas de distância disso. Se modernizarem os boxes a infraestrutura para os torcedores bem como os arredores permenecerão deficientes.

  3. Isso de fato seria uma ótima oportunidade pro governo Eduardo Paes.
    Não sou seu eleitor mas moro no Rio e acho que essa é uma bela cidade pra sediar um GP.
    Freqüentei o Autodromo de jacarapagua ate os anos 90. Apesar da precariedade o lugar era muito bacana.
    Mesmo em Deodoro não seria uma má idéia.

    • Pode esquecer Deodoro,infelizmente…

      O circuito (que já deveriam ter começado a construir…) não será feito para receber F1,mesmo que o governo do Estado e prefeitura digam o contrário…

      Conheço o terreno onde pretendem fazer o autódromo.É muito pequeno e em uma região sem A MENOR(!!!)(sério,o lugar onde fica o Aurodromo de Interlagos é Alphaville/Leblon/Ipanema perto Deodoro/Sulacap/Marechal Hermes…)condição de receber um evento do nível da F1.

      Deodoro,na verdade,será feito para receber a “maior categoria do automobilismo brasileiro”…

  4. Sou carioca e passei o Reveillon desse ano em Balneário Camboriú.
    Fiquei surpreendido com a cidade.

    Grande,bonita,com boa rede hoteleira…
    Toda região (Itajaí,Joinville e Blumenau) parece ter condições de receber um evento desse porte.

    Impressona ainda mais por pensar que o próprio estado de Santa Catarina era,de longe,o menor e menos desenvolvido do Sul.

    É um lugar em franco crescimento.
    Tem tudo para sediar uma corrida de F1.

    Por outro lado,como carioca,fico triste por ver a grande chance do Rio de Janeiro voltar a receber a categoria passar por pura incompetência das autoridades…

    Fui na despedia oficial do Autódromo de Jacarepagua,na etapa carioca da Copa Petrobras de Marcas.
    Muito trise ver o automobilismo do estado ser tratado dessa forma…

  5. Se eu fosse a prefeitura de São Paulo, daria um pé nos fundilhos da F1 e colocaria a Indy em interlagos. Não seria tão dispendioso e a possibilidade de se ter um brasileiro na frente, que é o que o povo quer, é muito maior.

    Aliás, estou pra ver o tal ganho da “cidade” com essa corrida. E a da Indy na marginal é outro atraso, logo todo mundo sairia ganhando: Bernie afanaria dinheiro de outro otário – não da prefeitura de São Paulo que sequer tem créches para todas as suas crianças! – e Interlagos continuaria com um grande evento.

  6. Se eu fosse administrador da*

  7. André Alves: Como assim a corrida não dá dinheiro??? Vc acha que o Bernie e alguns políticos “bem intencionados” com o desenvolvimento da cidade não ganham uma bela bolada???

    Sobre a F1 ser em SC… Olha, moro em Blumenau, 45 minutos de Penha. Penha é uma cidade de passagem. Não possui praias populares como Balneário Camboriú(BC), Joinville ou mesmo Bombinhas, Floripa e mais ao sul do estado. Talvez por isso mesmo seja uma ótima alternativa. Ela fica a no máximo 45 minutos das principais cidades, 20 minutos de BC, 15 de Itajaí. As rodovias para acesso ao parque do Beto Carreiro agilizariam o acesso ao “talvez” autódromo. Só que, vendo um GP de Austin, com 120 mil pessoas… Aí já acho que complica. É gente demais para o local e novas vias teriam que ser construídas para dar acesso a BR 101. A própria cidade deveria se modernizar, visto que as ruas são pequenas, muitas sem um calçamento adequado. Mas a região, se receber esses “cuidados”, acho que seria ideal para receber.

    Ainda assim acho que o Rio está na frente. O dinheiro que o estado e a prefeitura tem para investir em algo como um autódromo é maior, mesmo sendo em área precária, como citado pelo colega Arthur Simões. A grana recolhida é muito pequena e o parque, mesmo sendo grande e ganhando muita grana, não sei se teria cacife para bancar o autódromo, ou boa parte dele, mesmo tendo o direito sobre o uso.

    Acho a ideia do Ico que seja o Bernie mostrando ter alternativa pra dar nos dedos do pessoal de Sampa mais convincente.

    Mas… É esperar pra ver… Eu adoraria.

  8. Sou paulistano e já fui em Interlagos…

    O autódromo é pior que os estádios que temos (o Pacaembú é melhor que o autódromo em 1 milhão de vezes) com arquibancadas de circo que parecem improvisadas, com ingressos caríssimos e não tem sanitários decentes, somenteb aqueles químicos, não tem lanchonetes e áreas para refeição decentes, áreas de escape deficientes, acho o traçado antiquado com excessão feita a parte da curva do Sol até a reta oposta… Os boxes são minúsculos e esse negócio de que a F1 adora Interlagos é a maior mentira descarada… os pilotos gostam pelo percurso ser desafiador com aclives e declives, possibilidades de mudanças de tempo repentinas… de resto… todos odeiam… participei nos últimos dois anos da equipe de logística que ajuda os membros das equipes (técnicos / mecanicos / engenheiros) a se deslocarem, todos odeiam o transito, o rio fedorento, as favelas que cercaneiam a falta de segurança… enfim…

    Um dos únicos aspectos que se salvam é a rede hoteleira que é abundante, mas não é próxima, o transito complica e aí fica impossível chegar, eu que moro na capital por exemplo fiquei preso no congestionamento e perdi as 10 primeiras voltas…

    Reitero que sou paulistano e amo muito minha cidade, mas eu não consigo mais ser conivente com a falta de estrutura latente pra este tipo de evento… a estrutura completa do autódromo deveria ser derrubada e erguida novamente, modernizada, não há mais espaços para “puxadinhos” e “reparos”… isto tem que ser feito… pra ingressos tão caros as coisas devem ser de melhor qualidade…

    • Opinião para se jogar fora. Alias: ” moro na capital por exemplo fiquei preso no congestionamento e perdi as 10 primeiras voltas…”
      Nao pode ser sério, nao pode.

  9. os prefeitos de São Paulo também não são bobos nem nada – seja o atual ou o próximo.
    nenhum administrador público com um mínimo de bom senso aceitaria sem contestação realizar uma reforma multimilionária na estrutura do palco e ainda continuar pagando uma taxa idem, todo santo ano, para o direito de receber o circo e o espetáculo do esporte a motor mais fascinante do planeta – mas, ainda assim, fundamentalmente um circo.
    ao menos não no mundo de agora, tendo em conta os contextos tanto mundial quanto o local, o da cidade em questão.
    a situação parece ainda mais incoerente, na falta de palavra melhor, quando se fica sabendo que a empresa, de há muito tempo, promotora do evento no Brasil, no presente é propriedade da rede televisiva que detém os direitos de retransmissão de todo o campeonato aqui no bananão.
    ou seja, um evento de entretenimento, muito caro, bancado em boa parte por dinheiro público, e cuja rentabilidade é dividida, talvez na maior parte, pelos donos da trade mark F1 e pela maior emissora de TV nacional.
    ( importante não esquecer, essa emissora teve parte fundamental na realização do primeiro GP Brasil, aquele extra-oficial em 1972, que, ainda mais, foi um dos primeiros, senão o primeiro, a ter a realização negociada direta e principalmente por mr. Ecclestone – isso quando ele ainda não havia ainda tomado as rédeas de toda a caravana do circo, como se sabe; talvez esse fato seja um dos fortes motivos de mr. E tanto querer manter uma data brasileira no calendário mundal da F1 – aparentemente jamais houve por aqui sequer uma contestação a quaisquer exigências do poderoso empresário. )
    fica difícil de aceitar, mesmo que se comprove, que a rentabilidade que o evento traz å cidade na semana do GP seja maior que a despesa total com o direito de realizar o evento anualmente – o que costuma ser o argumento de alguns jornalistas estrangeiros a respeito do benefício de se hospedar/realizar um GP de F1.

    de algum modo, a criação da prova de rua do Anhembi, da F-Indy, serve de contraponto interessante, já que nela a Prefeitura tratou de aproveitar um equipamento já existente com alguma disponibilidade ociosa e trouxe um evento de repercussão internacional tendo que fazer não mais que adaptações ao local para a corrida – saiu bem mais em conta (aliás, pelo que li em jornais, quem teve que gastar uma grana considerável foi outra emissora de TV, a que detem os direitos de transmissão dessa outra competição…), dado que também houve o tal lucro com os gastos dos visitantes etc.

    lanca a idéia, talvez óbvia, de realizar a rota contrária, ou seja equipar Interlagos também para receber eventos de outra natureza além do automobilismo, e assumir o local definitivamente como equipamento de lazer urbano, multiuso, o que certamente combina com uma megalópole.

    • Perfeito o seu comentário. Uma cidade como São Paulo, com tantos problemas, não pode se dar ao luxo de bancar um evento privado com dinheiro público.

      Aliás, eu fui ao Anhembi e as condições para se assistir ao GP são muito melhores. Passou da hora de São Paulo abdicar dessa corrida que, como disseram acima, muito provavelmente é onerosa.

      Ainda sobre isso, me espanta ver um jornalista como o Ico, que sabe de todos os problemas que a cidade enfrenta, alertando para uma certa “sonolência” quanto à esta brincadeira caríssima e se esquecendo de todos os problemas sociais. É simplesmente lamentável.

      À guisa, cabe-me deixar o comentário do Flavio Gomes. Simplesmente perfeito:

      http://flaviogomes.warmup.com.br/2012/11/tri-in-sampa-2/

  10. Que a F1 venha aqui para o Sul em Santa Catarina!

  11. Não sei onde fariam a pista, mas se a estrutura viária da última vez que passei ao redor do Beto Carreiro World (2009) for a mesma ainda, e a corrida for por aquela região, teremos a mesma situação caótica de trânsito para São Paulo. Quem vai para o litoral de SC atrás de praias sofre bastante nas rodovias, nesse último feriadão não fui, mas TODOS os conhecidos que foram reclamaram. Também vai ter muito o que melhorar por aqueles lados.

    • Mas pra quem vem atrás de praias a situação é pior que a da corrida. Numa corrida a população da região vai aumentar em quanto??? 200 mil pessoas? No verão aumenta em até 2 milhões de pessoas. Então será, confortável, de certo ponto. Apenas uma nova via indo direto ao ponto da corrida em contraponto a rodovia do Beto Carreiro resolveria o problema. Aeroporto relativamente perto e com pista de boa capacidade em Navegantes e Joinville (além do de Floripa). Rede hoteleira de sobra (sobra mesmo). E se for em novembro também será bom por não competir com os turistas de verão que vem de dezembro a março, principalmente.

      E intempéries do tempo também são comuns por aqui, hehehehe.

  12. De fato, Penha não tem um trânsito agitado, todavia, para chegar na cidade através da BR-101 é um caos.

    Durante o feriado, inúmeras obras causaram filas de 10, 20 quilometros, em ambos os sentidos, e isso não é nada bom.

    Acho que é mesmo um blefe!

  13. Eu acho que a prefeitura de SP não vai dar este mole.
    Arrecada-se muito com o GP, é receita certa.
    Vão fazer tudo que for preciso.
    Ainda que sejam do PT, claro…

    • pois é, mas como cidadão paulistano não consigo admitir que a prefeitura daqui faça “tudo que for preciso”, ou seja, pagar o tanto que o dono da trade mark exige, desde sempre, sem nunca obter uma diminuição no valor do ‘direito de sediar uma etapa’ do Mundial de F1.

      esse tipo de renegociação tem acontecido em muitos autódromos pelo mundo, de GPs tradicionais como também dos novos, evidenciando o fato que não dá mais para seguir os ‘parâmetros’ monetários da FOM – e enquanto isso o ilustre dignatário da tal firma assume e declara publicamente que o Brasil está rico, passou ao largo da crise mundial, e pode muito bem arcar com mais uma colossal despesa, como já está arcando com a Copa e a Olimpíada.

      não contestar, não negociar para baixo os valores envolvidos, acho de uma estupidez comparável å de gente subserviente, sem autoestima alguma, como povos colonizados de outros tempos.

  14. Não pude deixar de comentar.

    Eu sou a favor da F1 vir para o Sul. Sou uma apaixonada por corridas e sinceramente, nunca tomei coragem de ir para o GP do Brasil pela distância e pelas tantas complicações que vejo as pessoas comentando sobre o trânsito, a insegurança, etc.

    Acho o Sul merecedor de uma oportunidade e Penha, ahhh… seria uma ótima escolha, é perto de tudo e tem opções de sobra para atrair, não somente os aficionados pelas corridas, como também a família inteira.

    Quanto as BRs e SCs, realmente isso teria que melhorar, mas não é impossível, tem espaço e locais para construir essas estradas.

    Mas, vou mais além, eu acho que ao invés de brigar por UM lugar, o Brasil deveria brigar por todos. Acho que deveria haver um “rodízio” de pistas. Deveríamos ter, no mínimo, 3 pistas e cada ano ser em uma delas, cada ano teria um atrativo diferente, um lugar diferente… é quase um sonho, mas, porque não?

    Sinceramente, espero que as corridas venham para o Sul!

    Abraços!

  15. Bom ver que a maioria dos comentários concordam que não é possível manter em São Paulo. Há muitos problemas que a cidade precisa enfrentar e acho ótimo gerar outros polos pelo Brasil.

    Pensar Interlagos só pela F1 provavelmente é inviável. Adorei a ideia do Amaral de se criar um equipamento urbano multiuso. Moro ao lado da USP e vi ela se fechar e se murar ao longo dos anos; precisamos muito recuperar nossos poucos espaços de lazer.


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