10mai/131

Fala, Claire

Claire no meio dos tubarões

O desafio de Claire Williams é enorme: recolocar o time do pai Frank no caminho do sucesso (o triunfo em Barcelona no ano passado, vimos depois, foi apenas pontual) em meio a um momento economicamente instável da categoria. Por ser a "filha do chefe", sofre ainda mais ceticismo dentro do paddock. Tive uma boa conversa com ela, abordando estes temas e entendendo como funciona sua motivação para encarar esta árdua tarefa. Ficou uma entrevista bem legal. Confira clicando aqui.

7mai/132

As causas do descalabro

Apontando caminhos para sair do buraco

Jackie Stewart, jocosamente, dizia que o segredo dos pilotos brasileiros era a água que eles bebiam. Muita gente acreditou. Depois de Emerson Fittipaldi, Nelson Piquet e Ayrton Senna, parecia que gênios da pista brotavam do chão. Claro que não é assim. Hoje, o quadro do país na formação de novos valores é horroroso e preocupante. E o tempo está correndo para que alguma coisa mude. Tudo isso fica mais claro depois de ler a análise das causas disso que o Amir Nasr faz na segunda parte da minha entrevista com ele. E há caminhos para mudar o quadro. Mas isto precisa ser feito com urgência.

Se você gosta de automobilismo, não deixe de ler, é só clicar aqui!

6mai/132

Papo com o Amir

Foco total na GP2: é a receita de Amir para o momento de Felipe Nasr

Tem conversas que você não quer que termine nunca. Falar com o Amir Nasr sobre automobilismo fez me sentir assim. Me sentei com ele por quase uma hora no início de uma noite tranquila no paddock da GP2 no circuito do Sakhir. Falamos sobre a GP2 e os pilotos meio "malucos" que a categoria tem formado. Fomos a fundo para entender porque o automobilismo brasileiro não está mais formando pilotos para a Fórmula 1. Na opinião dele, sempre uma resposta sensata. Foi tanta coisa que a entrevista teve de ser dividida. A primeira parte, você lê aqui. Não perca! E divulgue para que outras pessoas também leiam, porque vale a pena.

1mar/1311

Razia exclusivo: “Minha carreira não acabou”

Razia: sem mágoa com a Marussia e sem desistir do sonho de correr na Fórmula 1

Apenas vinte e três dias depois de ter sido anunciado como piloto da equipe Marussia para a temporada deste ano da Fórmula 1, o brasileiro Luiz Razia perdeu sua vaga para o francês Jules Bianchi. Falei com ele há pouco por telefone, que demonstrou muita serenidade com a situação. Afirmou entender a posição da equipe e explicou que um de seus patrocinadores teve problemas com o banco para transferir a segunda parcela e levaria tempo para resolver. Com o atraso, seu contrato perdeu validade.

“Não fico com mágoa de ninguém, sempre fui tolerante com as pessoas e as situações adversas. Dá para entender a posição da Marussia. Eles falaram para corrermos atrás de uma solução e avisaram que procurariam uma para eles também. Trabalhamos muito falando com várias outras empresas, mas eles acabaram conseguindo um outro piloto para cumprir o pagamento que cobria as necessidades financeiras que eles tinham”, disse.

Razia fez questão de deixar claro que ter o objetivo de uma carreira nas mãos e ver ele se desvanecer em tão pouco tempo não diminuiu seu ânimo. Ele garante que vai continuar lutando para chegar na Fórmula 1.

“Existem dois tipos de fracassos na vida: os circunstanciais e os existenciais - que são aqueles em que se desiste do que se acredita. Este foi circunstancial. Fiz tudo o possível, trabalhei com pessoas que achei serem as certas para me ajudar, mas acabou não dando certo. Só que minha carreira não acabou. Não lesaram a minha fé e vou continuar trabalhando para conseguir o meu objetivo, que é o mesmo que tinha atingido há duas semanas atrás”.

Ainda digerindo o ocorrido, o brasileiro ainda não definiu qual será seu próximo passo no automobilismo. “Sempre que coloco um objetivo na minha frente, me concentro totalmente nele - e foi o que fiz nesta tentativa de disputar esta temporada. Agora estou um pouco sem rumo. Gosto da ideia de vencer e detesto perder. Então vou levantar de novo e trabalhar atrás dos meus sonhos. Mas ainda não pensei em nada concreto”.

A saída de Luiz Razia da Marussia significa que pela primeira vez desde 1978 uma temporada da Fórmula 1 vai começar com apenas um piloto brasileiro.

1jun/1211

Prost, com e sem pressão

O nariz é o mesmo de sempre. Já o sorriso...

Já tinha visto e até feito perguntas a Alain Prost na entrevista coletiva da edição de 2010 do Race of Champions, quando estive em Dusseldorf. Mas o encontro que tivemos com ele na semana passada em Mônaco foi especial. Por ter sido num clima mais amistoso e por ele estar ali aberto a falar sobre qualquer assunto, sem ter um evento para participar como piloto.

Foram vinte minutos que passaram voando. Simpático, sorridente, o tetracampeão falou sobre diversos assuntos. A um metro dele, fui ficando impressionado a cada resposta com o contraste deste senhor com aquele Alain Prost sisudo e sério que víamos nas entrevistas pela televisão nos anos 80. Foi aí que eu perguntei se ele era hoje uma pessoa mais feliz do que naquela época. A resposta não deixou dúvidas:

“Claro. Quando eu pilotava na F-1, botava muita pressão em mim e tinha muita pressão, principalmente na luta com Ayrton [Senna]. Antes, só sentia a minha pressão, pois queria vencer corridas, ser campeão. Com ele, senti muita pressão e tive problemas com imprensa, público... Não gostava dessa pressão, para ser honesto. Por isso abandonei a Fórmula 1.”

Quando comentei isso com um veterano jornalista estrangeiro, sua reação veio em um segundo: “Ayrton acabou com o clima de amizade que existia na Fórmula 1”. Não sei dizer se isso é real ou exagero. Mas a verdade é que hoje o clima de competição que existe entre os pilotos na categoria é extremo. E fica claro que a rivalidade entre Senna e Prost teve um papel preponderante, tanto nesse quadro como na explosão de popularidade que o esporte viveu no final dos anos 80. Teria sido muito legal ver aquilo de perto para ter uma noção melhor de como ela funcionava no cotidiano do paddock.

Para ler todos os tópicos da conversa com Prost, clique aqui.

14mar/122

A hora da verdade para Daniel Ricciardo

Em busca do chute certeiro para acertar o gol

O sorriso escancarado ganhou o aspecto metálico de um aparelho ortodontico, o que confere a Daniel Ricciardo um ar ainda mais juvenil. De certa forma, o australiano de 22 anos tem aquela ambição de criança de querer abraçar o mundo. Foi o que o levou a dar as costas para sua cidade Perth e partir para a Europa com o objetivo de se estabelecer na Fórmula 1.

Hoje, às vésperas de iniciar sua primeira temporada completa na categoria pela Toro Rosso, ele volta para a Austrália para um momento especial em sua vida. Fui acompanhar   a coletiva em que ele atendeu a imprensa de seu país. Num lugar muito propício: um estádio de futebol australiano.

Conversei com ele um pouco sobre o esporte. “É uma tradição daqui, um jogo em que sai muitos gols e que viradas incríveis são sempre possíveis. É por isso que desperta tantas paixões. Como todo australiano, pratiquei bastante quando era pequeno”, me explicou.

Falamos, claro, também de F-1. E é sempre bom ver um piloto tão jovem consciente de cada passo da sua carreira. A briga com o também promissor Jean-Eric Vergne promete ser acirrada. “Nos conhecemos desde as categorias de base. Ele é rápido e competente, está na Fórmula 1 justamente por isso. Acho que um vai exigir o máximo do outro e isto será importante”.

Prevalecer nessa briga é uma obrigação para ambos. Mas o fato do duelo começar na terra de Ricciardo pode contar a seu favor. Afinal, a torcida deve comparecer em peso neste final de semana no Albert Park para torcer por seus compatriotas. Há dez anos, o hoje piloto da Red Bull era um na multidão da arquibancada. Para viver um momento prá lá de especial.

“Eu estava com meu pai na reta dos boxes. Era estreia do Mark Webber na Fórmula 1 e ninguém acreditava que ele estava em quinto lugar nas voltas finais correndo com uma Minardi, e segurando os ataques de Mika Salo. Quando ele cruzou a linha de chegada, a emoção em todos foi tão intensa. Algo tremendo mesmo. Jamais sonharia que uma década depois voltaria aqui para estar no mesmo grid que ele”, conta.

A maior ironia da história é que o menino da torcida, hoje, é uma verdadeira ameaça para o futuro de Mark Webber na Fórmula 1. Bater Vergne com clareza na mesma equipe é um passo importante para que Ricciardo faça isso acontecer. E ele encara o desafio com a mesma segurança com que chuta uma bola de futebol australiano.

1abr/113

Exemplo

Por essa ninguém esperava: Yamamoto é um líder com conteúdo

Caso você ainda não tenha lido a conversa que tive com Sakon Yamamoto sobre como a Fórmula 1 está ajudando o Japão, fica a dica para clicar aqui. O piloto japonês, agora na reserva da Virgin, dá uma lição sobre a filosofia japonesa, de aprender com os erros e de trabalhar pelo bem comum acima dos interesses pessoais. E disse uma frase de arrepiar e para se pensar sobre a questão energética: “A natureza fez a noite para ficar escura e o dia para ter luz. Então, talvez, isso tudo traga uma lição positiva e permita com que as pessoas voltem a ver o que é realmente importante”.

Impossível não concordar.