Uma história de amor
É meio clichê para isso, mas a verdade é que a minha história de amor é bastante especial. E se passa em Barcelona. Não deixe de conferir na TV Blogo, clicando aqui. Porque, como diria Shakespeare, o amor é a única loucura de um sábio e a única sabedoria de um tolo.
A temporada dos motorhomes
Eles estão de volta, dando o verdadeiro aspecto de "circo" para a Fórmula 1. Em tempos de crise, as mudanças são poucas - na época áurea do poço sem fundo de investimento de montadoras, faziam um motorhome diferente e maior a cada ano. Agora, dá se um tapa nos logotipos, na pintura e no interior e está pronto. De qualquer forma, aqui está o registro dos motorhomes da Fórmula 1 deste ano. Confira abaixo a galeria!
Barcelona: primeiras impressões
Depois de duas semanas e meia de pausa no calendário da Fórmula 1, o clima no voo da Swiss de Zurique até Barcelona era de volta às aulas depois de um feriado prolongado. Vários colegas jornalistas conversando sobre o que fizeram no período e sobre as expectativas para o final de semana do GP da Espanha. Pilotos também presentes: Adrian Sutil veio acompanhado da namorada (ele na executiva, ela na econômica) e Esteban Gutierrez, com um uniforme com logotipo da Sauber e as cores do México voou sozinho, mas tinha a tevê de seu país o esperando no desembarque, o que explica a indumentária.
No caminho até o circuito de Montmeló, deu para ouvir “Tattoo You” dos Rolling Stones na íntegra enquanto eu me perdia no labirinto de carreteiras ao norte de Barcelona e me encantava com um dos melhores dentre os menos festejados discos da banda inglesa. A movimentação no paddock era intensa com a construção dos motorhomes, que estreiam aqui nesta temporada. Alguns com nova decoração, como o da Ferrari, que trocou a dupla da equipe simulando um karaokê do ano passado com um arranjo futurista, com iPads e telas de computador “touch screen” que trarão o clipping de imprensa sobre o time. A sala de imprensa ainda estava às moscas. Quis ouvir também algum diretor da Lotus para comentar a saída do diretor-técnico James Allison, mas apenas mecânicos ocupadíssimos estavam nas instalações do time quando passei lá. Não sei não, mas acho que a perda do cara responsável pelo bom momento do time pode selar também a saída de Kimi Raikkonen. Vamos conferir.
Na passagem por Granollers, cidade próxima ao circuito, veio o grande ingrediente do final de semana: a chuva. A previsão é de pista molhada o dia inteiro na sexta, o que vai colocar abaixo toda a avaliação dos times das novidades preparadas com esmero para esta etapa. Existe também a possibilidade (menor) de chover no sábado e deve ficar seco no domingo. Condições instáveis como a que tivemos nas duas primeiras corridas do ano e que misturaram bastante o grid, tendo impacto no resultado final da prova. Acho que vai ser uma etapa cheia de surpresas.
Tomara. A temporada europeia da Fórmula 1 em 2013 está começando. E eu gosto demais dela! Menos deslocamentos e mais ação. Muitos tópicos legais para explorar. O resultado disso você confere, como sempre, aqui no blog e no TotalRace, no Lance e no Grupo Bandeirantes de Rádio. Fique ligado!
TV Blogo – GP da Espanha de 1973
Curioso ver como a Fórmula 1 funcionava há 40 anos, com os carros sendo trabalhados lado a lado na grama, sem toda a tecnologia e a paranoia de segredos que existe agora. E num circuito que, hoje, seria uma insanidade, com direito a um pequeno salto no final da reta. Confira a categoria em Montjuic, uma das áreas mais bonitas de Barcelona, para onde vamos nesta semana.
TV Blogo – GP da Espanha de 1951
Para irmos entrando no clima da abertura da temporada europeia na Espanha, vai aqui um resumo do primeiro GP lá a fazer parte do Mundial de Fórmula 1. Foi a decisão do campeonato de 1951, disputado em ruas e avenidas que ainda existem ao norte de Barcelona. E, já naquela época, foi uma corrida definida pelos pneus. A Alfa Romeo de Juan Manuel Fangio optou por rodas traseiras de 18 polegadas, enquanto que a Ferrari de Alberto Ascari se deu mal ao correr com 16 polegadas, o que desgastou demais a borracha. O vídeo é curto mas bem bacana, trazendo a atmosfera típica do automobilismo nos anos 50 e até alguns acidentes. Confira!
Cabeça fria, pneus quentes
A chuva que caiu em Barcelona atrapalhou bastante o último dia de trabalho das equipes da Fórmula 1 neste semana. Com pista molhada, os times perderam a chance de aprender mais sobre o comportamento dos pneus para seco que, nos dias anteriores, foram o foco principal de preocupação dos pilotos.
“O único momento em que a chuva deu uma trégua eu completei uma sequência de voltas com os pneus médios, mas a pista estava fria e escorregadia demais para aquecê-los e fazer uma comparação correta entre performance e desgaste”, apontou o brasileiro Felipe Massa.
E foi justamente o desgaste elevado que preocupou muitos pilotos. O mexicano Sergio Perez fez soar o alarme ao apostar em uma corrida com “sete a dez paradas” para cada piloto na abertura da temporada em Melbourne. De fato, em Barcelona ficou claro que o tempo de volta subia rapidamente à cada volta. Mas, como no ano passado, as preocupações (seja dos pilotos como de alguns torcedores) parecem ser precipitadas.
O asfalto frio do inverno espanhol, mais do que o observado em anos anteriores, pode ser a única causa do que vimos esta semana. A aposta do diretor-técnico da Pirelli, Paul Hembery, é que a situação volte à normalidade na Austrália. “As condições que tivemos em Barcelona são distintas do que teremos no resto da temporada, o que levou a problemas como a granulação da borrada. Quando chegarmos em Melbourne, os pneus estarão mais dentro da faixa de temperatura ideal de trabalho, o que vai eliminar este desgaste incomum que algumas equipes estão sofrendo”.
Com apenas mais quatro dias de testes antes da abertura da temporada - e a previsão de chuva em boa parte deles -, fica a impressão que os times da F-1 chegarão cheio de incertezas na Austrália. Um quadro que pode levar a algumas surpresas, pelo menos nas primeiras corridas do ano. Como no ano passado, quem entender mais rapidamente como a borracha vai se comportar levará vantagem.
Há quem não goste dessa tamanha influência dos pneus na competitividade. Eu acho normal. O produto é o mesmo para todos. E a F-1 já teve diversas temporadas que o pneu teve influência decisiva na disputa esportiva. Claro, se a previsão pessimista de Perez se confirmar, tudo será uma grande farsa e a Pirelli mereceria todas as críticas que eventualmente receberia.
Mas eu acredito que Hembery tem razão e que teremos na abertura do ano uma boa corrida, com a maioria fazendo uma estratégia de duas paradas, como no ano passado. E com chances de surpresas, o que é sempre muito bom. Numa categoria que restringe cada vez mais o escopo de atuação dos engenheiros, pelo menos a borracha está aí para fazer eles quebrarem a cabeça.
Barcelona, dia 2 – Os pneus, sempre os pneus…
Os testes de hoje no circuito de Barcelona mostraram que a grande questão técnica da Fórmula 1 em 2013 será a mesma dos últimos anos: como será o desgaste de pneus? A pista espanhola sempre fornece um bom indicador do comportamento da borracha já que possui algumas uma curva de alta velocidade e longo raio. E os pilotos já perceberam que, novamente, não será fácil gerenciar o uso dos compostos que têm à disposição.
"Está sendo difícil fazer estes pneus durarem. Deu para ver como os tempos de volta sobem rapidamente à medida que eles vão se desgastando. Aqui em Barcelona não está tão frio, mas aparentemente frio demais para que a borracha funcione da forma ideal", afirmou em entrevista no circuito o alemão Sebastian Vettel, autor do segundo melhor tempo do dia.
O mais veloz foi o mexicano Sergio Perez, numa tentativa de apenas uma volta rápida com pneus macios. Seu tempo de 1min21s848 é mais veloz inclusive do que o que garantiu a pole position para Pastor Maldonado no GP da Espanha do ano passado.
Mas o piloto da McLaren chamou mesmo a atenção com uma longa série de voltas que fez no final do dia, marcando tempos de volta muito constantes e dando a sensação de que o time encontrou um bom acerto para lider com o problema do desgaste dos pneus. Nenhuma surpresa aqui, já que o mexicano já demonstrou no ano passado, quando corria pela Sauber, ser capaz de completar muitas voltas a uma boa velocidade e sem sofrer com a degradação da borracha.
O trabalho das equipes da Fórmula 1 prossegue amanhã, quando é esperada a presença do brasileiro Luiz Razia testando pela equipe Marussia. Felipe Massa, da Ferrari, assume o cockpit apenas na sexta-feira.
Resultados
1 Sergio Perez (MEX) McLaren 1min21s848 97 voltas
2 Sebastian Vettel (ALE) Red Bull 1min22s197 84 voltas
3 Kimi Raikkonen (FIN) Lotus 1min22s697 43 voltas
4 Lewis Hamilton (ING) Mercedes 1min22s726 121 voltas
5 Fernando Alonso (ESP) Ferrari 1min23s247 76 voltas
6 Valteri Bottas (FIN) Williams 1min23s561 98 voltas
7 Daniel Ricciardo (AUS) Toro Rosso 1min23s718 70 voltas
8 Paul di Resta (ESC) Force Índia 1min23s971 62 voltas
9 Nico Hülkenberg (ALE) Sauber 1min24s205 88 voltas
10 Max Chilton (ING) Marussia 1min25s115 67 voltas
11 Charles Pic (FRA) Caterham 1min26s243 102 voltas
Os melhores de 2012
Num ano em que as equipes viveram grandes altos e baixos e alternando em pequenos períodos (às vezes corrida por corrida) suas janelas de domínio, os destaques do ano ficaram para pilotos e para corridas específicas. Talvez o que explique esta excelente temporada tenha sido isto, como o lado humano voltou a ganhar peso num momento de grande competitividade. Com vocês, os melhores de 2012, novamente em ordem crescente:
10 - Uma corrida para Frida
Na manhã do GP da Malásia, Sergio Perez expressou no twitter sua tristeza pela morte de “Frida”, sua cachorra que vivia no México e o acompanhou em boa parte de sua vida. “Dedico a corrida de hoje para ela”, escreveu. Seguiu-se uma das grandes exibições da temporada, com Perez aproveitando condições favoráveis a sua Sauber para imprimir um ritmo alucinante e pressionar um endiabrado Fernando Alonso na briga pela vitória. Ela não veio, mas Frida foi devidamente homenageada.
9 - Nico Hülkenberg
Em sua segunda temporada completa na Fórmula 1 o alemão voltou a demonstrar sinais positivos. Demorou um pouquinho para pegar a mão, talvez fruto do ano sabático que fez, mas andou bem em diversas ocasiões. No Brasil foi onde mais chamou atenção, mas suas performances na Bélgica (onde terminou em quarto) e na Coreia do Sul (onde fez uma das ultrapassagens do ano) foram outros exemplos de um piloto com muito potencial.
8 - As corridas finais de Felipe Massa
Se as primeiras corridas foram de chorar, as duas últimas provas de Felipe Massa em 2012 fizeram lembrar o seu auge. Em ambas, superou Fernando Alonso na classificação e em ritmo de corrida, isto com o espanhol no meio de uma acirrada briga pelo título. Por conta disso, o brasileiro ainda agiu como o companheiro de equipe que a Ferrari tanto preza, recebendo um golpe abaixo da linha da cintura no Texas e fazendo uma prova tática a favor do espanhol no Brasil (protegou Alonso na ultrapassagem da segunda volta, segurou o pelotão que vinha atrás em seguida, cedeu posição perto do final). Não sabemos se foi pura forma ou se foi questão de circuito, mas se ele levar um pouco disto para 2013 fará um favor enorme a seu futuro.
7 - A apoteose de Alonso em Valência
Fernando Alonso desabou no pódio em Valência. Ao final de uma semana onde muito se falou da falta de futuro da prova em meio à turbulenta recessão que assola o país, o espanhol passou a semana dizendo que a corrida traria um bálsamo para o sofrimento geral. E ele conseguiu uma vitória improvável, largando de 11º lugar, fazendo ultrapassagens importantes e se colocando na posição certa para aproveitar o infortúnio de outros pilotos. Ao final, parou o carro diante de uma arquibancada e celebrou uma das festas mais bonitas de 2012.
6 - Os rádios de Kimi Raikkonen
Sempre me referi a Kimi Raikkonen como o “Buster Keaton” das pistas, pela sua capacidade inata de cativar sem precisar sorrir. A veia para comediante pulsou forte nas conversas pelo rádio com seu engenheiro durante o GP de Abu Dhabi. O finlandês sabia mesmo muito bem o que estava fazendo, tanto que encontrou uma equipe que o deixasse em paz nesta sua volta à Fórmula 1 - e isto o permitiu render o máximo. E nos permitiu ter acesso a momentos de comédia poética como estas falas na noite do deserto.
5 - O pódio de Kobayashi
Uma das memórias que sempre guardarei com carinho destes anos de périplo por circuitos do mundo todo foi o de ver e ouvir Suzuka explodindo no momento em que Kamui Kobayashi apareceu no pódio para receber seu troféu pelo terceiro lugar no GP do Japão. Um grito de gol há muito engasgado na garganta de um povo absolutamente fanático por Fórmula 1 para celebrar seu herói. O resultado não foi o suficiente para lhe garantir um lugar no ano que vem, mas a festa em sua casa foi algo que ele merecia muito.
4 - A reação ao incêndio
Numa temporada em que a trajetória esportiva de todo mundo foi similar a de uma montanha-russa, um dos momentos mais dramáticos foi justamente um episódio que fez aflorar o lado humano em um meio tão competitivo. A explosão de um tanque de combustível dentro dos boxes da Williams após o GP da Espanha aconteceu quando a equipe e vários jornalistas estavam na frente dos boxes para festejar o inesperado triunfo de Pastor Maldonado. Em poucos instantes, membros de todas as equipes se uniam para combater o incêndio enquanto muitos ali presentes cuidaram de ajudar quem estivesse do lado a sair da zona das chamas com segurança. Um voto de esperança na espécie humana.
3 - GP dos Estados Unidos
Austin, a capital do Texas, foi um dos maiores presentes que a Fórmula 1 poderia ganhar em mais de 60 anos de história. Uma cidade alegre, que celebra a música ao vivo e com espírito jovem, um oásis bem no meio do conservadorismo daquele estado. A turma de lá construiu um circuito excepcional e fez do evento um show como os norte-americanos são especialistas em fazer. E, como a cereja do bolo, Lewis Hamilton e Sebastian Vettel protagonizaram durante mais de 40 voltas uma sensacional briga de gato-e-rato pela vitória. Que tenha sido o primeiro GP de muitos por ali.
2 - GP do Brasil
A briga está quente no pelotão intermediário, com posições sendo trocadas o tempo todo. Corte para a ultrapassagem de Jenson Button sobre Lewis Hamilton para assumir a liderança. Corte para a Lotus de Romain Grosjean escapando no mergulho e batendo na barreira de pneus. Corte para a briga intensa ali no meio, com gente escapando no final da reta e batendo rodas no “S” do Senna. Foi este o ritmo de intensidade da prova que encerrou um grande ano. Que ainda por cima carregou nos tons dramáticos da disputa pelo título, com um Sebastian Vettel escapando de maneira milagrosa de uma pancada tripla na primeira volta (e de mais um ou outro erro de estratégia) para fazer uma notável prova de recuperação e ganhar seu terceiro título consecutivo e fazer história. Numa corrida que vai entrar para a história como uma das melhores que a categoria já celebrou. Para mim, a melhor.
1 - A nova geração de ouro
Parece uma saída fácil escolher quatro pilotos para o único posto de melhor do ano, mas foi como se os planetas se alinhassem em 2012 para uma era estelar na Fórmula 1: um Sebastian Vettel ganhando seu título mais difícil num ano em que teve de trabalhar duro para deixar o carro do jeito que lhe aprazia e capitalizar quando isto aconteceu; um Fernando Alonso no auge de suas faculdades como piloto, atuando com destreza absoluta a cada segundo para maximizar suas chances de ser campeão, seja na pista ou fora dela, e por muito pouco não ganhou um título bastante improvável; um Kimi Raikkonen atuando na base do puro talento para completar quase todas as voltas do ano (só perdeu uma, no Brasil, justamente por ter pego um caminho errado numa escapada em Interlagos), vencer um GP e terminar o ano num terceiro lugar muito além do seu equipamento; e um Lewis Hamilton que reencontrou seu caminho, pilotando muito para vencer três vezes e ver três triunfos que estavam a seu alcance se desvanecerem em um instante (em Cingapura, Abu Dhabi e Brasil). No fundo, quando olhar para 2012, o que mais vou lembrar será o privilégio que eu tive de ver esta geração de ouro correndo, cada um dando o máximo de si e, juntos, sendo os principais responsáveis pelo grande espetáculo que foi esta temporada.
Credencial – GP da Espanha
Mais uma edição do "Credencial", mais uma edição no novo formato do programa, abordando uma série de categorias e com a participação de (quase) toda a equipe do TotalRace. Confesso que estou adorando isso, porque tenho aprendido um monte sobre categorias das quais eu passava ao largo antes. Entre lá na TV Blogo e ouça/baixe o programa para se inteirar sobre tudo o que vivenciamos no final de semana em Barcelona e também sobre Nascar, Stock Car, Brasileiro de GT, Moto GP, etc, etc, etc...
On The Road Again
Temporada europeia é isso: pé na estrada que, com exceção de Mônaco e Valência, os circuitos ficam longe dos centros urbanos. Uma curtição, fazendo trajetos em paisagens distintas, curtindo uma boa música no carro na expectativa do que o dia de cobertura da F-1 nos trará. Para levar um pouco dessa sensação à vocês, eu coloquei um vídeo na TV Blogo com o trajeto da casa em que eu me hospedei na Espanha até o Circuito da Catalunha em Montmeló. Entre aqui para conferir!
PERFIL
Repórter de Fórmula 1 do Grupo Bandeirantes de Rádio, do diário Lance e da revista Racing. Apreciador de boa música, viagens e velocidade. Guitarrista amador, corredor de rua e piloto virtual. Colunista do TotalRace.
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