14fev/1328

A F-1 precisa se reaproximar do público

Um bem valioso que está sendo completamente esquecido

Para uma categoria que fez no ano passado um dos melhores campeonatos de sua história, com uma decisão de título de infartar, é sintomático que a Fórmula 1 esteja no meio de uma crise. Uma equipe fechou, as que ficaram relatam grandes dificuldades em conseguir atrair patrocinadores - uma solução paliativa tem sido a contratação de pilotos que trazem consigo grandes orçamentos, algo que não é uma novidade na história da categoria.

Pior: Bernie Ecclestone, que vive vendendo a ideia de que tem quase uma dezena de países loucos para fazer seu grande prêmio, não conseguiu achar alguém que pagasse a organização de uma 20ª etapa que estava no calendário inicial - a temporada terá 19 corridas.

Neste cenário, o chefe da McLaren Martin Whitmarsh deu uma interessante entrevista ao site da revista “Autosport”, sublinhando que a época de excessos da Fórmula 1 acabou. Nada de eventos extravagantes para o lançamento de novos carros ou de motorhomes que parecem naves espaciais - a ideia é gastar menos e com mais eficiência.

Por mais que seja bem-intencionado, assusta o fato do pensamento de um sujeito inteligente como Whitmarsh se concentrar apenas na questão da crise econômica e jamais passar pelo público. Pois o que a F-1 mais fez na sua “era da gastança” foi se distanciar do torcedor, isolando completamente o paddock, reservando acesso aos boxes apenas aos endinheirados frequentadores das arquibancadas VIP, criando uma geração de pilotos treinada a dizer o que os patrocinadores querem ouvir, mas não o que pensam de verdade.

Reconhecer e mudar isto é o único caminho para a categoria resolver seus problemas. A qualidade das corridas existe, mas faltam personagens de apelo. Falta também presença na Internet, um erro absurdo de Bernie Ecclestone. A geração que vê a vida através das telas de seus tablets e smartphones mal sabe que a F-1 existe. Ao contrário, o velho dirigente empurra a categoria cada vez mais para as transmissões em canais por assinatura. E isto é condená-la a um público velho, abandonado e que não será renovado. Qual patrocinador mira uma faixa como esta? Seria o fim.

(Texto da coluna "Direto do Paddock", publicada na edição de hoje do Diário Lance!)

29jan/138

Dias estranhos

Braço-de-ferro no clássico estilo liliputiano (Foto: James Moy)

Em julho de 2009 a Fórmula 1 acabou. As equipes, então unidas, se encontraram na sede da então Renault em Enstone e decidiram que abririam um outro campeonato com outro nome, organizado por elas próprias. O que foi anunciado como uma decisão definitiva era na verdade uma manobra, um cheque-mate que selou a saída de Max Mosley da FIA - que tentava a todo custo empurrar goela abaixo dos times um teto orçamentário para salvar a categoria num momento de crise econômica mundial.

Três anos e meio depois, o caos financeiro continua, assim como a crise política que envolve a categoria automobilística. Desde o último dia do ano passado não há um Pacto da Concórdia em vigor. O documento que determina a divisão dos lucros da Fórmula 1 sempre foi um instrumento regulador num meio cheio de espertalhões. Sem ele, as coisas nos bastidores andam quentes. O problema do calendário que eu citei neste post ou a questão das taxas que eu expliquei neste são só alguns indícios do confuso cenário.

Na semana passada, Bernie Ecclestone foi a Maranello falar com Luca di Montezemolo (Ferrari), Christian Horner (Red Bull), Martin Whitmarsh (McLaren) e Niki Lauda (Mercedes). Um encontro do alto escalão sinaliza que há muito dinheiro em jogo: mais precisamente, 40 milhões de dólares anuais que a FIA quer receber como pagamento por organizar a F-1 (sendo 25 milhões da FOM e 15 vindo das equipes). Para conseguir isso, Jean Todt pressiona com a introdução do teto orçamentário, uma ideia que os quatro times grandes da categoria abominam. Sem Pacto da Concórdia, a manobra faz sentido, ao contrário de 2009 com Max Mosley.

Um possível cenário em cima do quadro atual seria um acordo entre as partes: a FIA recebe seu dinheir(ã)o, os times ganham liberdade de gastos (mais testes, túnel de vento por 24 horas, etc) e Bernie Ecclestone ganha um novo Pacto da Concórdia assinado por todos e que regula o dinheir(aç)o que circula na categoria.

Se não houver acordo, teoricamente a FIA pode impor a medida que quiser e qualquer equipe pode deixar a Fórmula 1 quando bem entender, uma vez que não há nenhum documento vigente que as obrigue a ficar - ou a pagar multas milionárias se quiserem sair.

E tudo isso bem na seqüência de um campeonato extraordinário. Strange days have found us.

3jan/1310

E se Bernie deixasse a Fórmula 1?

Os dias atuais não estão fáceis para Mr. E

O ano de 2013 começou com algumas incertezas rondando a Fórmula 1. Uma menor, mas nem tanto, é a indefinição do calendário deste ano, com a data da corrida do dia 21 de julho ainda reservada para uma corrida na Europa que ninguém sabe se vai ocorrer. Mas o principal assunto para a categoria é em relação ao futuro de Bernie Ecclestone.

No último domingo, o inglês admitiu em uma entrevista ao “The Sunday Telegraph” que deixaria o comando da F-1 caso seja condenado por suborno no processo que está correndo na Alemanha, relativo à venda dos direitos comerciais da categoria para o grupo de investidores CVC, em 2006. Algo lógico, ele não poderia tocar o negócio de dentro da cadeia. Importante citar que ele alega inocência.

Preso ou não, Ecclestone está em idade avançada e muita gente já se mexe nos bastidores de olho neste negócio lucrativo - o fato é que a F-1 rende muito dinheiro tanto para o grupo CVC como para as equipes e também para a FIA. As brigas que ocorrem remetem justamente a algum lado insatisfeito com a distribuição atual desse bolo.

É por isso que Luca di Montezemolo, presidente da Ferrari, já deu algumas indiretas via imprensa ao dizer que a categoria precisa de “gente com uma visão mais moderna” e que “Bernie precisa entender que o show de um homem só acabou”.

Faz um tempo que o italiano pleiteia mais poder de decisão para os times. É algo que funciona bem na DTM. Mas fica a dúvida se isto seria o melhor para a F-1. Afinal, a Ferrari cansou de dar exemplos recentes de não se importar em jogar o espírito esportivo para o inferno quando pode ganhar uma vantagem para si. Imagine só como seria isto com os times no poder. Provavelmente uma enorme confusão.

A gestão de Ecclestone tem seus defeitos, especialmente em relação à política de organização das corridas quando a tradição não conta nada, apenas o tamanho do cheque do organizador. Mas será que um novo comando não continuaria apostando também no mercado e fugindo da Europa em crise?

Vai saber, quem sabe o resultado final seria pior sem Bernie no comando. Por mais que ele pense sempre nos negócios em primeiro lugar, pelo menos demonstrou ao longo de tantas décadas que jamais deixaria o show descambar para o ridículo. A ótima temporada de 2012 está aí para mostrar isso.

11dez/128

GP da Áustria – realista?

Só o cenário já vale!

Muitos indícios apontam que a misteriosa décima etapa do Mundial do ano que vem, marcada para o dia 21 de julho, uma semana antes do GP da Hungria, acontecerá na Áustria. Tirar o GP da Alemanha dessa vaga passando-a para o início do mês aponta que a corrida será mais perto de Budapeste do que é Hockenheim. Traça-se uma linha reta - e larga - entre os dois pontos e a lista de opções é restritíssima: Salzburgring, Adria, Brno, Pannoniaring - todas sem a homologação máxima exigida pela FIA para a Fórmula 1  - e Red Bull Ring - que possui esse requisito. É lógico, é óbvio e é inteligente.

Eu estive na reinauguração da pista em Spielberg em maio do ano passado. É preciso trabalhar apenas em duas frentes para deixar o circuito pronto para um eventual GP da Áustria: a construção de mais arquibancadas para aumentar a capacidade, algo facilmente contornável com a opção de estruturas móveis; e ampliar a sala de imprensa, pequena demais para o número de profissionais que vai cobrir uma corrida de F-1. Seriam obras baratas para abrigar um evento deste porte, no mais estaria tudo pronto.

A grande questão é a da taxa a ser paga a Formula One Management de Bernie Ecclestone. É como eu escrevi depois de visitar a pista em 2011. O dono da Red Bull, Didi Mateschitz, tem muito dinheiro porque não gosta de jogá-lo fora. A corrida só aconteceria se houvesse um “precinho camarada”.

Como este eventual GP da Áustria teria um efeito “tampão” no calendário, sem a necessidade daqueles contratos de cinco anos e com aumentos anuais substanciais da maneira que Ecclestone gosta, podemos ter aí as condições para o tal “precinho camarada”. Um único GP da Áustria para a Red Bull celebrar o país de origem da empresa na esteira de tanto sucesso nas pistas, enquanto Nova Jersey (ou Sotchi ou qualquer outro lugar) termina seu projeto para 2014. A hora para que o evento aconteça é perfeita.

Fã que sou da lindíssima região da Estíria e da beleza do circuito encravado na encosta de uma montanha, bato os tambores para que as duas partes entrem em acordo. Uma corrida de F-1 tão pertinho de casa seria uma espécie de Natal no mês de julho para mim.

2ago/1210

O futuro é Fabiana?

Fabiana e Bernie se conheceram fazendo o que gostam: administrando assuntos relativos à F-1

Já faz tempo que a comunidade da Fórmula 1 se pergunta quem substituirá Bernie Ecclestone no comando da categoria quando o octagenário não estiver mais presente. Várias nomes já foram ventilados ao longo dos anos: Flavio Briatore, Gerhard Berger, Tamara Ecclestone. Todos perderam força por diferentes motivos.

Aqui na Europa, muita gente anda comentando que Ecclestone está trazendo sua nova esposa, a brasileira Fabiana Flosi, para um número cada vez maior de suas reuniões. Um indício de que pode ser ela a pessoa a assumir o comando da categoria num futuro próximo.

Antes que me chamem de louco, preciso dizer que seria uma excelente opção para Ecclestone. Flosi trabalhou durante muitos anos como braço direito de Tamas Rohonyi na organização do Grande Prêmio do Brasil. Sabe muito bem como funciona a negociação e os contratos entre a Formula One Management e os organizadores de uma corrida, incluindo as que ocorrem também entre as duas partes e os governos locais. Justamente o pilar central da principal fonte de renda da F-1.

Há um medo generalizado de que a categoria perca equilíbrio no vácuo do período inicial em que Ecclestone não esteja mais no comando. Neste sentido, a presença da discreta e inteligente esposa dele sinalizaria com clareza a continuidade de um sistema que existe há tanto tempo que é difícil imaginar como funcionaria de forma diferente.

Confesso que eu já cheguei a sonhar com uma F-1 administrada nos moldes da DTM: pelas próprias equipes participantes, que usam de bom senso para fazer uma disputa esportiva justa e um show em que o esporte esteja sempre em sintonia com os negócios. Mas desisti depois da ridícula dissolução da FOTA, a última esperança de que isso pudesse acontecer.

Na conjuntura atual, uma continuidade do estilo Ecclestone seria a opção melhor. Ou a menos pior.

1ago/122

Descobrindo a América

Pelo menos Valência se despediu da F-1 com estilo...

Foi na manhã de sábado que Bernie Ecclestone fez um périplo pela sala de imprensa de Hungaroring e se colocou para responder as perguntas dos jornalistas ali presentes. Com um campeonato emocionante em andamento, não tivemos de ouvir ideias “fascinantes” como atalhos nas pistas ou chuveiros artificiais para molhar o asfalto. Desta vez o papo ficou num nível mais realista e se concentrou no calendário para 2013.

O pouco que o chefão da F-1 falou confirma o que este blog vem falando há algum tempo: na busca por fugir de uma Europa mergulhada em crise para continuar lucrando um bom dinheiro, a categoria já sentiu que o mercado asiático está relativamente saturado e mira agora para o outro lado: a América.

Assim, Bernie esclareceu que a prova em Valência sai do calendário - o que era público e notório que aconteceria - para dar lugar à corrida em Nova Jersey, uma segunda prova nos Estados Unidos chegando na F-1 num período de oito meses. Corridas como estas, Brasil incluso, ocorrem no horário nobre da televisão europeia. Algo que agrada muito aos patrocinadores envolvidos na categoria.

Assim, não nos surpreendemos se México e Argentina ganhem uma vaga no calendário num futuro próximo caso venham com propostas sérias e bem apoiadas financeiramente. Em relação à Europa, a sensação de que a manutenção/volta de corridas tradicionais vai depender de uma mudança de filosofia no comando da Fórmula 1. Algo que talvez não aconteça mesmo depois que Ecclestone sair de cena.

De minha parte, só uma dorzinha no coração pela saída de Valência do calendário. Por mais que eu nunca tenha visto o menor sentido na existência daquela corrida, era uma cidade genial para se visitar a cada ano.

10mai/126

A Fórmula 1 e o caminho da DTM

Um lugar onde a BMW é feliz. Mercedes e Audi também.

A semana foi repleta de notícias sobre uma possível saída da Mercedes da Fórmula 1. O rumor surgiu na esteira do complicado cenário político que Bernie Ecclestone costurou para assegurar um novo Pacto da Concórdia, conseguindo quebrar a união entre as equipes ao acenar com prioridades para Ferrari, Red Bull e McLaren no caso de uma eventual entrada da categoria na Bolsa de Valores de Cingapura. E deixando a marca alemã de fora da jogada.

A cartada de Ecclestone é interessante. As equipes que ganharam o direito de fazer parte da diretoria dessa “Fórmula 1 S. A.” terão voz ativa em decisões importantes dentro da categoria, algo que almejavam quando estavam todas unidas na FOTA, a associação das equipes. Mas deixar a Mercedes e todas as outras de fora é um enorme erro.

Inevitavelmente, a categoria caminharia para um cenário que agradasse a estes três times, mas não necessariamente ao resto. Essa divisão no poderio político certamente criaria uma divisão esportiva, com três times imbatíveis em virtude de um conjunto de decisões que os favorecessem ao longo dos anos. Péssimo.

Uma boa solução para a Fórmula 1 estaria na DTM. O campeonato alemão de turismo tem em seu corpo diretivo a presença dos chefes de equipe das três marcas envolvidas. Qualquer decisão precisa ser aprovada por eles de forma unânime, garantindo que o interesse comum permaneça à frente. O resultado: um campeonato emocionante com corridas incríveis, como a de Lausitzring mostrou no último domingo.

A F-1 tem doze equipes, o que é um complicador. Mas só um quadro de igualdade a salvaria do cenário de três (ou quatro) times fortes e um resto que só faz número.

29mar/127

Rumo ao GP da incerteza

Bernie e o príncipe barenita vão ao front na sala de imprensa do último GP de Abu Dhabi

Então está tudo pronto. O dia foi de quebrar a cabeça com a logística para a cobertura da dobradinha dos GPs de China e Bahrein levando em conta duas alternativas: as duas provas acontecem normalmente; ou a segunda é cancelada aos 45 minutos do segundo tempo, ou seja, no domingo da corrida em Xangai o mundo fica sabendo que não haverá corrida na semana seguinte.

Sim, porque embora Bernie Ecclestone continue na sua “tour de force” com as autoridades barenitas pela realização da prova, muita gente no paddock garante que as equipes estão pressionando nos bastidores para que ela seja cancelada, pois há um consenso de que o evento será fundamentalmente um instrumento político do governo para sinalizar ao planeta um cenário de calmaria, algo bem distante do propósito de uma disputa esportiva.

Apesar de preferir que a prova não aconteça, hoje eu apostaria na sua realização. A família real barenita é uma das principais acionistas da McLaren, o que deixa um dos times mais influentes da categoria de mãos atadas. Sem unanimidade, as equipes perdem força - e Bernie ganha por consequência.

Fico imaginando o que encontraremos por lá se o GP for adiante. Nas últimas semanas, tenho mantido contato com uma família de conhecidos do Brasil que mora em Manama. Tudo parece normal: os adultos acordam e vão trabalhar, as crianças vão para a escola e, no tempo livre, andam de dromedário e vão ver falcões amestrados.

Me parece que a real situação no Bahrein está entre os protestos incessantes que aparecem na mídia e a tranquilidade pregada pelos organizadores da prova. Está claro que não faz o menor sentido ela ocorrer neste momento do país. Mas se for o dado o sinal verde, vou lá para reportar o que vejo.

Só a partir disso saberei o que escreverei além da Fórmula 1: passeatas e gás lacrimogênio ou dromedários e falcões amestrados?

24mar/1211

Um bom negócio?

Não é o cabelo dele que vai ficar em pé (Foto Luis Fernando Ramos)

Stefano Domenicali foi muito gentil na carona cedida do hotel até o circuito de Sepang hoje pela manhã. Houve até um momento engraçado quando ele perguntou “o que estão falando no Brasil” e seguiu-se um silêncio constrangedor. Ele riu. “Não, não sobre a F-1, mas sobre o País como um todo. Muitas pessoas aqui acham que a F-1 é tudo. Não para mim”. Seguiu-se então uma conversa agradável sobre futebol, viagens, Brasil e Itália.

De qualquer maneira, a apreensão estampada no rosto dele tinha um motivo. O acordo de diversas equipes com Bernie Ecclestone para um novo Pacto da Concórdia - o documento que rege as diretrizes comerciais da Fórmula 1 - foi anunciado pouco depois de chegarmos na pista. O texto fala em Ferrari, Red Bull, McLaren e "a maioria das equipes". Pelo burburinho do paddock, apenas Mercedes, Williams e as três nanicas ainda não assinaram o papel. Domenicali sabia que teria um dia cheio pela frente, e não apenas com a situação esportiva da Ferrari.

Muita gente argumenta que foi oferecido aos times uma participação em ações da Fórmula 1 que seriam lançadas na Bolsa de Valores de Cingapura - algo que foi negado categoricamente por representantes de seis times (Ferrari, McLaren, Red Bull, Lotus, Sauber e Caterham) na entrevista coletiva de ontem.

De qualquer jeito, a confirmação de que as três primeiras colocadas no Mundial do ano passado já chegaram a um acordo com Ecclestone fala muito sobre os caminhos que a categoria terá nos próximos anos: um abismo cada vez maior entre os times poderosos e os pequenos; um modelo de realização de corridas que traz algumas com arquibancadas às moscas como essa em Sepang; as habituais polêmicas sobre soluções técnicas que custaram milhões e são complicadas de explicar para o torcedor médio.

Certo é que o novo acordo foi vantajoso para Bernie, principalmente, e para as equipes. Mas fica a questão fundamental: o esporte ganhou com isso?