5fev/134

Caterham CT03 e Marussia MR02 – A luta no fundão

Quem levará a melhor na briga pelo décimo lugar? (Fotos James Moy)

O primeiro dia de testes foi marcado também pela apresentação dos carros das equipes do fundo do grid. O que mais chamou a atenção nos modelos de Marussia e Caterham foi o vasto espaço para patrocinadores, sinal contundente de tempos comerciais difíceis para os times da Fórmula 1.

O MR02 da Marussia apresentou mudanças substanciais em relação a seu antecessor, com um bico mais baixo e a introdução do KERS, que não tinha em 2012. O time ainda não oficializou a contratação do brasileiro Luiz Razia, mas a ocorrência disso é iminente e ele deve testar o novo modelo a partir de quinta-feira.

Já o CT03 é muito parecido com o carro do ano passado, com o time admitindo que a maior preocupação nos últimos meses foi o de estruturar melhor seu organograma. Uma evolução mais significativa do carro só deve acontecer mais para frente na temporada. Resta saber se a base de 2012 será o suficiente na briga com a Marussia nas primeiras corridas do ano.

Ainda estou devendo um review do novo Toro Rosso, que deve ir ao ar amanhã.

FICHA TÉCNICA

CATERHAM CT03
Chassi: fibra de carbono e alumínio
Suspensão dianteira: estilo pushrod
Suspensão traseira: estilo pullrod
Câmbio: semi-automático com sete marchas
Motor: Renault RS27 2013
Gasolina: Total
Freios: Hitco e AP Racing
Rodas: BBS
Peso: 642 kg

MARUSSIA MR02
Chassi: fibra de carbono e alumínio
Suspensão dianteira: estilo pushrod
Suspensão traseira: estilo pullrod
Câmbio: semi-automático com sete marchas
Motor: Cosworth CA2013K
Gasolina: BP Castrol
Freios: Hitco e AP Racing
Rodas: BBS
Peso: 642 kg

27nov/1235

O mercado para 2013

Um carro cobiçado à frente dos outros

A Williams vai anunciar Valteri Bottas até o final da semana como companheiro de Pastor Maldonado para o ano que vem. A decisão foi tomada no início da semana passada e o clima na equipe em Interlagos não era dos melhores. Muita gente da parte técnica gostaria que Bruno Senna permanecesse na equipe, acreditando que ele faria um campeonato melhor no ano que vem caso com a experiência acumulado neste ano no time de Grove e podendo participar de todas as sessões do final de semana. Mas prevaleceu o desejo de Toto Wolff em promover o finlandês, que demonstrou potencial nas sessões de sexta-feira de que participou.

A decisão colocou em marcha o mercado de piloto para as vagas restantes. No caso da Lotus, a Genii não descarta a venda da equipe se aparecer uma boa proposta. Por isso ainda não houve a confirmação do segundo piloto. Se a direção permanecer a mesma, Romain Grosjean terá seu contrato renovado. Se o dono for outro, o francês pode ficar ou podem encontrar uma alternativa.

A vaga da Force Índia é bastante atraente e a corrida excepcional de Nico Hulkenberg em Interlagos sublinhou que o carro pode ser competitivo nas condições certas. Pelo que ouvi dali, Adrian Sutil aparece com boas chances. Mas restam outros candidatos, incluindo Bruno Senna e Luiz Razia.

A Caterham estuda promover o piloto de testes Giedo Van der Garde, mas também negocia com outros nomes, incluindo o dos brasileiros. Razia andou com o carro do time no ano passado e é um na briga. Bruno Senna tem chances, restando saber se o time tem força suficiente para que ele mantenha a totalidade de seus patrocinadores - e também se uma vaga nas equipes menores lhe interessa neste estágio.

Na Marussia, o piloto de testes Max Chilton é a bola de segurança do time, mas há conversas com diversos outros pilotos. Também aqui os brasileiros possuem chances de conseguir uma vaga.

A HRT luta para encontrar um comprador e sobreviver. Existem interessados, mas a compra de um time fica um processo ainda mais complicado quando o potencial dele é pequeno e sua situação financeira é incerta.

9ago/129

Top Five – Equipes

Aproveitando a pausa da Fórmula 1 em agosto, é tempo de olharmos para o que tem sido uma das temporadas mais fantásticas da história. E uma boa maneira de fazer isto é com listas no melhor estilo “Alta Fidelidade”. Farei então uma lista de alguns “Top Five” desta primeira metade do Mundial de 2012. No cardápio, equipes, corridas e pilotos, ordenados por critérios estritamente pessoais. Começando hoje pelos times. Confira, concorde, discorde e, se quiser, faça também o seu “Top Five” nos comentários!

1 - Lotus
Depois do modelo tão inovador quanto problemático do ano passado, ninguém poderia imaginar que neste ano a equipe de Enstone estaria brigando de igual para igual com os times grandes da Fórmula 1. É este salto impressionante que coloca no topo da nossa lista uma equipe que ainda nem corridas venceu. Ainda. A Lotus é a equipe que mais somou pontos nas últimas cinco provas e demonstrou na Hungria, com Kimi Raikkonen, que também é capaz de acertar na estratégia. Falta só encaixar um pouco melhor as peças num final de semana (classificação boa + estratégia correta) para o triunfo acontecer.

2 - Red Bull
Num campeonato tão equilibrado, nenhuma equipe conseguiu demonstrar tanta constância quanto a atual bicampeã do mundo. Se perdeu o domínio avassalador de 2011, a Red Bull demonstrou poucas fraquezas neste ano. Mesmo quando não ganha - ou até quando nem briga pela vitória - a equipe sempre coloca seus carros numa posição de ganhar bons pontos. A pior corrida da equipe até agora foi em Barcelona, quando somou apenas os oito pontos do sexto lugar de Sebastian Vettel. Uma regularidade que explica a vantagem de 53 pontos no topo da tabela.

3 - Ferrari
A pré-temporada indicava que a Ferrari seria motivo de piadas em 2012. Um carro com o qual seus pilotos não conseguiam se entender e que não conseguia tempos competitivos. Mas a equipe técnica comandada por Pat Fry provou sua qualidade. Enquanto Fernando Alonso (e só ele) fazia milagres com um carro ruim, a luz não se apagava em Maranello em busca de melhoras para o F2012. Hoje, o time italiano tem um carro que, se não é o melhor, é extremamente competitivo. E um piloto que, contra todas as previsões, lidera com sobras o Mundial de Pilotos.

4 - Williams
A mudança na direção técnica da Williams após o fracasso do FW33 do ano passado surtiu efeitos muito antes do que o esperado. O novo modelo é veloz e eficiente, embora nem sempre tenha o máximo de potencial extraído por uma dupla de pilotos propensa a erros. Não fosse por isso, o time poderia estar brigando até mesmo pela quinta colocação no Mundial de Construtores. Algo que ainda dá para fazer com uma boa segunda metade da temporada.

5 - Caterham
Não, o primeiro ponto ainda não veio. E não, a Caterham ainda não conseguiu dar o salto para o pelotão intermediário da Fórmula 1. Mas continua mostrando evolução e é a única entre as equipes que estrearam na categoria em 2010 que mostra organização e competência para se manter crescendo e não apenas sobrevivendo. Heikki Kovalainen passou algumas vezes para o Q2 e, volta e meia, seus pilotos brigam com carros do pelotão intermediário nas corridas. Se a taxa de quebras neste ano não fosse praticamente inexistente, poderiam até já ter beliscado um merecido pontinho.

18jul/1211

Kovalainen merece uma chance

Azedo, mas veloz

Se os jornalistas da Fórmula 1 ainda fizessem como nos anos 80 e entregassem um “Troféu Limão” para o piloto mais chato/difícil de se entrevistar, Heikki Kovalainen seria um sério candidato ao prêmio. Posturas com a imprensa à parte, não dá para fechar os olhos ao fato do finlandês estar fazendo um belo trabalho na equipe Caterham. E fazendo por merecer uma nova chance em pelo menos uma equipe média da categoria.

Kovalainen estreou na Fórmula 1 em 2007 sob grande expectativa depois de fazer bonito nas categorias de base. Mas a quantidade de erros cometidos nas primeiras corridas o levou a receber críticas até mesmo do homem que lhe abriu as portas da equipe Renault, Flavio Briatore.

Se o ano de estreia foi difícil, o finlandês recebeu uma chance de ouro para se redimir correndo ao lado de Lewis Hamilton pela McLaren. Fez duas temporadas apagadíssimas, pontuadas por uma vitória herdada a três voltas do final no GP da Hungria de 2008 quando o motor de Felipe Massa estourou, uma das maiores injustiças na carreira do piloto brasileiro.

Sem mercado, Kovalainen encontrou abrigo na equipe que hoje é chamada de Caterham. Em três temporadas nela, parece estar tirando o máximo do carro na maior parte das ocasiões. Neste ano está brilhando especialmente em classificações, se aproveitando de eventuais fraquezas de pilotos de equipes médias (ou mesmo grandes) para passar do Q1 em algumas ocasiões - algo notável pelo equipamento que tem nas mãos.

Neste final de semana em Hockenheim, o finlandês completa sua 100ª corrida na Fórmula 1. Num momento em que é uma opção debatida em algumas equipes para o ano que vem, como a Sauber e a Force Índia. Pode não dar em nada. Mas ele está fazendo por merecer essa “promoção”. É o seu melhor momento desde que estreou na categoria.

17mai/1215

Pensem nas meninas cegas, inexatas

O Mi-35M que nosso dinheiro ajudou a pagar

Quatro dias depois de impressionar ao mundo com uma demonstração coletiva de coragem e solidariedade no episódio do incêndio em Barcelona, a Fórmula 1 vê uma de suas equipes anunciar um acordo de patrocínio com uma fabricante de armamentos militares, o que nos faz refletir novamente sobre a curiosa moral da categoria.

O time em questão é a Caterham, que ganhou o apoio da JSC Russian Helicopters. A conexão vinda através dos contatos de Vitaly Petrov é com uma empresa que, como o nome explica, fabrica helicópteros para uso civil e também militar.

Um deles, o Mi-35M, é classificado no próprio site da empresa como um “helicóptero de ataque”. Não dá para falar aqui em equipamento para garantir a defesa de uma Nação, é uma máquina desenhada para destruir. Aliás, o governo brasileiro é um dos maiores clientes deles, tendo fechado em 2008 um acordo de 360 milhões de dólares para comprar doze unidades desse modelo - sim, contribuinte, com o seu dinheiro. Aparentemente, para ficar na base aérea de Porto Velho e vigiar a fronteira com a Bolívia. Estão fazendo um ótimo trabalho, nota-se, já que quase não chega cocaína nos grandes centros urbanos do país e não existem grandes traficantes poderosos e violentos nelas. Se você acha o contrário, saiba que é “invenção da imprensa”.

Tudo bem. Que mal faz promover armamentos no mundo atual? Ainda que o pau esteja comendo em diversos cantos do planeta, muitos deles em ex-repúblicas soviéticas, “a gente está aqui só para fazer esporte”, vão dizer todos. Não dá para esperar uma moral diferente de uma turma que deu de ombros para o Apartheid no seu auge e foi fazer seu espetáculo num Bahrein onde protestos, repressão e mortes acontecem com uma certa freqüência contra uma parcela significativa da população que era contra o evento. E a F-1 sempre pode usar o álibi de que o exército norte-americano, cujo papel na movimentação da economia de fabricantes de equipamentos militares dispensa apresentações, tem forte presença no automobilismo norte-americano.

Legal. Entrando dinheiro, os carros vão para a pista e só gente chata como eu vai reclamar se a grana é nobre ou é “suja”. Mas eu adoraria ver o dia em que um dono de equipe que fechasse um acordo como este, importante para a saúde financeira de sua organização esportiva (sejamos realistas, esse é o caso da Caterham), dedicasse o mesmo espaço no carro para o logotipo de alguma associação como a “Anistia Internacional” ou a “World Wildlife Fund”.

You may say I’m a dreamer. But I’m not the only one.

6abr/1213

O ridículo fim de uma novela chata

Jim Clark orna a entrada do motorhome de uma das Lotus, nenhuma legítima

Ah, a volta da história e da tradição da Lotus na Fórmula 1! Um dos nomes míticos da categoria foi revivido em 2010 depois que Tony Fernandes entrou em acordo com o filho e a viúva de Colin Chapman e conseguiu uma licença da Proton, a fabricante malaia que era a dona da fabricante de carros homônima. Até o boné do lendário construtor inglês foi colocado no pitwall do time, numa inteligente e, ao mesmo tempo, inútil estratégia de marketing.

Quando Fernandes conseguiu o direito de usar o logotipo original da Lotus em 2011, a fabricante de carros tinha passado por cima dele e se arranjado com a Renault. Foi uma temporada em que tínhamos duas Lotus, ambas explorando imagens do passado como uma forma de tomar para si a tradição. Ambas soando claramente impostoras, especialmente quando a família Chapman debandou para os lados da Lotus Cars depois que Danny Bahar acenou um maço mais gordo de dinheiro para eles. O velho Colin repousa agora de bruços.

Hoje, mais um capítulo grotesco. A Lotus (ex-Renault, única nesse ano a correr com esse nome já que a de Tony Fernandes virou Caterham) encerrou o acordo com a Lotus Cars, como foi revelado numa reportagem da Autosport. Vai manter o nome do time, mas não trará mais o patrocínio da marca.

Encerrar um contrato no meio do caminho só acontece quando o patrocinador não honra seu compromisso. A Lotus Cars é uma das causas da crise financeira da Proton, que foi recentemente vendida para um conglomerado malaio. E a primeira medida deles foi cortar as asinhas de Danny Bahar e encerrar os mundos e fundos que ele tinha prometido no mundo do automobilismo (F-1, Indy, Le Mans, etc). Hora de sanar as contas.

Se o nome fica, o logotipo da Lotus deve sair do carro em breve. E aposto que o time mudará de nome no fim do ano novamente - algo que já se tornou tão corriqueiro na F-1 moderna quanto pilotos que trocam as cores de seus capacetes. Essas mudanças de alcunha - e toda essa confusão, para falar a verdade - é o efeito óbvio do bando de investidores que tomou conta da categoria, cujo único compromisso é com o lucro, nenhum com ela.

Ridículo.

6fev/127

A hora da verdade para Vitaly Petrov

"Alô? Vlad? Preciso de um favor seu, de novo..." (Foto Luis Fernando Ramos)

Está tudo acertado, faz tempo. Vitaly Petrov já fez reuniões com os chefes da Caterham e fechou um acordo para correr esta temporada pela equipe. Além de pagar pela vaga, pagaria também a multa pela quebra de contrato de Jarno Trulli. É muito dinheiro, mas o russo bancou a aposta. Foi o que contei aqui faz tempo.

Foi por isso que ele apareceu sorridente e relaxado na última semana de janeiro no evento da Pirelli em Abu Dhabi. Pediu aos jornalistas “uma semana, dez dias” para poder contar “algo que gostaria de dizer, mas não posso”.

Os dias passaram e nada aconteceu. Fui apurar a situação atual e o motivo é simples: o dinheiro prometido ainda não chegou. Petrov e sua entourage ainda não conseguiram juntar os mesmos valores da época da Renault - até porque a Caterham corre numa liga abaixo. Se a multa de Trulli não for paga, seu contrato ainda é válido. E, neste caso, o de Petrov não é.

Amanhã começam os testes em Jerez de la Frontera e a Caterham anunciou a ordem dos pilotos: Heikki Kovalainen anda nos dois primeiros dias; Giedo Van der Garde, o piloto de testes, assume o carro na quinta-feira; e Jarno Trulli andaria na sexta.

Este esquema não é por acaso: dá mais tempo para que a empresária do russo consiga a soma prometida. Para uma agência de notícias russa, ela admitiu o impasse com um patrocinador em potencial: “Vitaly não está confortável porque esperávamos que eles agissem um pouco mais rápido. Sem esta decisão, não podemos seguir em frente”.

Até sexta-feira, Petrov ficará de olho no telefone, aguardando novidades.

17jan/1221

Vitaly Petrov no grid em 2012

Russo disputará sua terceira temporada na Fórmula 1

O outro piloto que encerrou a temporada de 2011 pela equipe Renault e estava sem futuro definido também já se acertou para este ano. Ainda não foi oficializado, mas o russo Vitaly  Petrov fechou contrato com a equipe Caterham para correr a temporada da Fórmula 1 no lugar do italiano Jarno Trulli, que continua no time num outro papel a ser definido.

Este havia tido a extensão de seu contrato anunciada em Monza, mas há algum tempo os diretores da equipe negociavam a entrada de um possível substituto que pudesse ajudar a aumentar o orçamento para esta temporada. O anúncio deve ser feito em breve.