6mai/132

Papo com o Amir

Foco total na GP2: é a receita de Amir para o momento de Felipe Nasr

Tem conversas que você não quer que termine nunca. Falar com o Amir Nasr sobre automobilismo fez me sentir assim. Me sentei com ele por quase uma hora no início de uma noite tranquila no paddock da GP2 no circuito do Sakhir. Falamos sobre a GP2 e os pilotos meio "malucos" que a categoria tem formado. Fomos a fundo para entender porque o automobilismo brasileiro não está mais formando pilotos para a Fórmula 1. Na opinião dele, sempre uma resposta sensata. Foi tanta coisa que a entrevista teve de ser dividida. A primeira parte, você lê aqui. Não perca! E divulgue para que outras pessoas também leiam, porque vale a pena.

25set/1211

A temporada da GP2

Um título, muitos vencedores

Faz anos que acompanho a GP2 junto da Fórmula 1, o que nem sempre é fácil. Muitas vezes o horário das corridas da categoria menor é junto do horário das entrevistas da principal; muitas vezes o paddock de ambas é tão distante um do outro que fica impraticável ouvir a molecada com a frequência que eles merecem. Mas a frequência que existe é boa. E de todas as temporadas que eu vivi de perto, nenhuma foi tão especial quanto essa.

Em especial por poder acompanhar de perto a evolução de Luiz Razia. A do piloto e também a do indivíduo. Não me entendam mal, desde meu primeiro contato com ele, sempre foi agradável conversar com um menino positivo, humilde e divertido. Mas ver a maneira como ele canalizou todas suas energias em 2012 para correr atrás de seus sonhos foi impressionante. O trabalho consequente que fez para identificar, trabalhar e superar suas deficiências técnicas e mentais para se tornar um melhor esportista é um exemplo para todos nós, seja em que profissão estivermos. A conversa que tivemos em Cingapura após a perda do título, com um visão positiva do trabalho global, apesar da frustração do resultado, fez crescer ainda mais meu respeito por ele. São poucos os pilotos na Fórmula 1 com esta atitude e, só por isso, ele já mereceria uma chance de estar lá para mostrar o que poderia fazer.

No paddock da GP2 de Cingapura presenciei também o encontro dele com Davide Valsecchi, que estava bastante feliz com o título conquistado. Nós conversámos com Razia quando chegou o pai do italiano dando lhe um forte abraço e o puxando alguns metros adiante, onde Davide dava entrevista para a tevê de seu país. O campeão da temporada se emocionou e falou que foi justamente a força do brasileiro, um adversário veloz, leal, lutador e infalível, que tornou a conquista tão especial. Uma cena de arrepiar que é raiz da paixão que o esporte desperta.

Foi muito bom também ouvir Felipe Nasr falando sobre sua temporada. Ciente que os resultados não foram condizentes com a força de sua temporada - e por motivos completamente alheios a seu controle. O brasiliense apresenta a segurança de quem entende demais de automobilismo - e tem na companhia de seu tio Amir uma referência excelente para isso - para se incomodar se farão uma leitura errada do seu trabalho. Quem entende (muita gente ali dentro do paddock da Fórmula 1) é unânime em afirmar que a cara da GP2 em 2013 será a de Nasr e a de James Calado, dois novatos cujo talento se sobressaem aos demais. A categoria é complexa e muitos resultados podem mascarar a verdade, mas contra talentos não há argumentos. O brasileiro e o inglês estão pavimentando muito bem o difícil caminho até a Fórmula 1. Não parece haver obstáculos para pará-los.

Que venha logo a temporada do ano que vem para ficar de olho no que farão estes dois!

12set/124

Credencial – GP da Itália de 2012

É festa, é hora de Credencial!

O nosso podcast finalmente volta a ser no formato mais completo para satisfazer os verdadeiros fãs de velocidade. Além do bloco de Fórmula 1, esta edição reúne boa parte da equipe do TotalRace para falar também de outras categorias: GP2, GP3, Nascar, Moto GP, Fórmula Indy, Rally dos Sertões, 6 Horas de SP, Brasileiro de GT e Stock Car. Ufa! Assunto é o que não falta para você ficar bem informado sobre tudo que se move em alta velocidade.

Na parte de Fórmula 1, uma boa discussão sobre a polêmica da manobra entre Sebastian Vettel e Fernando Alonso, além do termômetro sobre o mercado de pilotos e tudo o que envolveu a prova em Monza. Falamos também sobre o início do "Chase", o playoff da Nascar, a disputa pelo título da MotoGP e muito mais!

Portanto, é hora de entrar na TV Blogo para ouvir/baixar o nosso podcast. É hora de Credencial!

10set/124

Uma chance para Razia

A F-1 nunca esteve tão perto

O teste de Luiz Razia com a Force Índia veio em boa hora. O final de semana em Monza foi um golpe para suas pretensões de título, ainda que o piloto tenha encarado com excelente maturidade os resultados e o quadro que vai encarar na decisão em Cingapura. Assim, pilotar um carro de Fórmula 1 é uma chance de se concentrar em outra coisa. Acima de tudo, é uma conquista para um piloto que, campeão ou não, fez um trabalho que o torna merecedor de entrar na categoria.

E quem diz isso não sou (apenas) eu, mas também muita gente importante de dentro da F-1, como Christian Horner (chefe da Red Bull) ou Will Buxton (narrador oficial da GP2 e repórter do Speed Channel). Em sua quarta temporada na categoria de base, o baiano soube aliar sua velocidade com consistência. Mais do isso, demonstrou neste ano um comprometimento exemplar com o trabalho. Uma dedicação que mesmo dentro da F-1 é rara de se ver. Dedicar-se aos mínimos detalhes tornou o Razia 2012 um piloto muito forte.

A equipe pela qual ele vai testar amanhã em Magny-Cours é uma ótima escolha. Na eventualidade de uma mudança nas duplas de pilotos da Ferrari ou da McLaren, há uma boa chance de algum dos titulares ascender no grid e uma vaga se abrir na equipe com sede em Silverstone.

Qualquer candidato à esta possível vaga precisa mostrar não apenas qualidades ao volante, mas também aliar isto a um pacote financeiro interessante. A soma destes dois fatores será fundamental. A primeira parte, Razia buscará mostrar. A segunda, é mais complicada. Mas, como bem colocou o Will Buxton, “os patrocinadores brasileiros precisam apoiar alguém novo, alguém que pode tirar o máximo. Por que não Luiz Razia?”

Pelo que ele fez na GP2 deste ano, seria um investimento mais que justificado.

4set/1217

Hora de punir atos, não consequências

A punição a Grosjean pela batida com Hamilton é correta. Pela chuva de carros posterior, não

A vantagem de acompanhar a Fórmula 1 nos dias de hoje é poder gravar as corridas e rever cenas polêmicas quantas vezes quisermos. Foi o que fiz com a largada do Grande Prêmio da Bélgica. Não é a primeira e nem será a última colisão múltipla na entrada ou na saída da La Source - as inacreditáveis cenas de 1998 foram apenas uma de muitas, mas tivemos confusão lá também em 2004, no ano passado e certamente em outras ocasiões que me fogem à memória agora.

Revendo as imagens, concordo plenamente com a suspensão de Romain Grosjean - algo que no domingo à noite, ainda discordava, conversando com colegas da sala de imprensa. O que me fez mudar de opinião foi simplesmente que a revisão das imagens com calma me permitiu concentrar no verdadeiro cerne da questão: o toque entre a Lotus do francês e a McLaren de Lewis Hamilton.

Para mim, este é o único ponto relevante para a questão de uma punição esportiva. Se pilotos que lutam pelo campeonato foram prejudicados (como a FIA ridiculamente argumentou na sua explanação) ou se sairiam mortos e feridos em consequência da batida são assuntos que não deveriam interferir no julgamento.

Ninguém (repito: absolutamente ninguém) pode prever as consequências de uma batida. Não há computador no mundo que consiga calcular e antever os fenômenos físicos que acontecem na explosão de diversas energias cinéticas encontrando-se nas mais diversas direções. Grosjean não bateu de próposito, assim como Bruno Senna não bateu de propósito em Jaime Alguersuari no mesmo ponto no ano passado. O fato daquela batida ter sido mais “leve” que esta foi mera questão de física, de ciência.

Dito isso, a suspensão a Grosjean foi justa por ele ter sido absolutamente imprudente ao executar o que quis executar. A imagem de cima, feita por um helicóptero é clara: o francês larga melhor que Hamilton, percebe isso e cruza a pista toda, da esquerda para a direita, para fechar a porta de um possível troco do inglês na freada. Ele estava vendo e reagindo em cima do carro do inglês. Então era sua obrigação certificar que a) ele o havia ultrapassado completamente para fechar a trajetória; ou b) ele havia deixado espaço para o carro de Hamilton.

No meu julgamento, o que Grosjean fez foi o que não deveria ser feito no automobilismo: tirar o espaço de um adversário em plena reta, dando a ele apenas a opção de escolher entre bater ou tirar o pé. Isto é errado. Foi o mesmo que fez Michael Schumacher com Rubens Barrichello no GP da Hungria de 2010 - e ali o alemão também merecia uma suspensão.

Voltando no tempo, me lembro da celeuma que causou a manobra em que Ayrton Senna quase prensou Alain Prost no muro do circuito do Estoril, em 1988. O brasileiro foi duro, mas soube a hora de que havia perdido a “batalha” e abriu espaço para que o francês completasse a manobra. É assim que deveria ser.

Pena que foram justamente estes dois, pelo que fizeram em Suzuka nos dois anos seguintes, que incutiram no inconsciente coletivo que jogar o carro na trajetória de outro piloto e dar-lhe apenas a opção de bater ou aliviar era algo válido. A FIA errou feio na maneira de agir naquela época e a coisa ficou meio banalizada.

Quando Alonso falou em “cultura de GP2” no domingo à noite, é impossível não lhe dar razão. A cada final de semana assistimos a algumas barbaridades feitas nas categorias de base - e em outras espalhadas pelo mundo também. Em Spa, James Calado foi tão irresponsável numa defesa de posição contra Luiz Razia quanto Grosjean - só que num lugar de velocidade muito mais alta. O brasileiro teve de ir para a grama e voltou atravessado na reta Kemmel diante de um grid inteiro chegando com o pé embaixo. Foi um verdadeiro milagre que nada aconteceu.

Mas a FIA nem puniu o piloto inglês. Certamente porque todo mundo saiu ileso da cena. E é justamente este o grande problema: estão julgando as consequências dos atos, não os atos em si. Um erro enorme que precisa ser corrigido antes que a consequência de alguma bobagem - e ninguém tem controle sobre as consequências - seja severa demais. Que a suspensão de Grosjean seja um primeiro passo nessa direção.

3mai/125

Um Credencial muito especial

Um programa campeão!

O Credencial começou numa madrugada australiana em 2009 como um bate-papo absolutamente informal sobre a corrida que tinha ocorrido horas antes. Desde então, ele aconteceu nas mais diversas formas e tamanhos. O que não impediu do podcast se firmar como um alternativa de muito respeito e envergadura para quem gosta de se aprofundar sobre a Fórmula 1. O diferencial de trazer a vivência de dentro do paddock se mostrou decisivo nisso.

A partir de agora, o Credencial cresceu. Cresceu junto com o TotalRace, incorporando outras categorias como a Indy, a Stock Car, o Brasileiro de GT e a Nascar (essa, a partir da próxima edição), que contam com a cobertura da equipe do site da maneira que a gente preza, buscando a informação onde ela acontece e produzindo seu próprio conteúdo.

Assim, o que era o “podcast do Ico” passa a ser mais do que nunca o “podcast do TotalRace”, com todo mundo que o faz tendo voz e participando sempre que as agendas permitirem.

Para ampliar ainda mais a qualidade do programa, a ideia é termos a cada edição um piloto convidado, para explorar a fundo a realidade da categoria que ele participa trazendo a visão de quem se senta no cockpit. Sempre com a qualidade de conteúdo que marca o nosso site. Neste programa, bati um papo muito legal com o Luiz Razia, piloto da GP2 e colunista do site, uma conversa que por si só mereceria um programa à parte. Mas tem muito mais coisas também!

É, enfim, um Credencial mais completo e abrangente. Uma cara que o cara que começou tudo isso numa madrugada australiana gosta muito.

Para acessar ao Credencial, vocês sabem, é só entrar na TV Blogo. Corram lá, escutem, baixem, comentem, divulguem!

8jan/120

Um novo caminho para os brasileiros?

Felipe Nasr foi um dos que andaram no teste coletivo da World Series no final de 2011

Ainda que nem todos acertos aconteceram, os indícios apontam que o campeonato da World Series em 2012 tenha a presença de quatro pilotos brasileiros: Felipe Nasr, Lucas Foresti, André Negrão e Yann Cunha. Todos participaram do último teste coletivo da categoria no final do ano passado e demonstraram interesse em conseguir uma vaga.

Com o passar dos anos, a categoria não se tornou apenas uma alternativa mais barata para a GP2, mas também mais interessante. Os carros do ano que vem devem incorporar a asa traseira móvel e já possuem um pacote atrativo. Não por acaso, a Red Bull e a Gravity (empresa dos donos da Lotus-Renault) usam a World Series para desenvolver seus talentos.

Na GP2 o quadro é mais complicado pelo alto custo envolvido. O brasileiro com mais chance de participar da temporada é Luiz Razia, que também foi o único representante do país no ano passado e continuaria caso suas negociações com a Caterham rumem para um acordo similar ao de 2011, com a temporada completa da GP2 e participações em treinos de sexta na F-1.

Se esse quadro se confirmar, seria uma clara mudança em relação ao que tínhamos até pouco tempo. Se pegarmos a temporada de 2008, por exemplo, eram quatro brasileiros disputando a temporada completa da GP2 e apenas dois na World Series.

10nov/115

Enfrentando as feras do futuro

Max Chilton em ação

Em duas corridas realizadas até agora, o circuito de Yas Marina encantou pela beleza e modernidade de suas instalações na mesma medida em que decepcionou por um traçado aborrecido e que praticamente não oferece a chance de ultrapassagens - quem sabe os pneus Pirelli e a asa traseira móvel mude isso neste ano.

Mas se há um fator em que a pista deve servir de exemplo para os outros GPs do ano é em promoção. Quem comprou ingresso para a corrida, ganhou “de brinde” um show musical com artistas de grande apelo popular. E tem opções para todos os gostos: Britney Spears na sexta-feira, a banda de sucesso dos anos 80 The Cult no sábado e, simplesmente, Paul McCartney no domingo.

O pessoal que trabalha na Fórmula 1 também tem seus mimos. Já é tradição um grande coquetel de recepção na quinta-feira, em que membros das equipes, jornalistas e funcionários da organização se confraternizam no terraço do prédio de imprensa (sim, no suntuoso circuito não é apenas uma sala, mas um prédio inteiro que abriga sala dos fotógrafos, dos jornalistas, de coletivas de imprensa e uma cantina), uma oportunidade rara e gostosa de deixar o stress do trabalho para trás para dar boas risadas.

Neste ano, houve também um evento muito bacana. Alguns jornalistas foram convidados para uma corrida de kart em dupla com pilotos da GP2 ou pilotos do automobilismo local. Para nós, pobres escribas, uma oportunidade de ouro de ver de perto alguns nomes dessa geração: Esteban Gutierrez, Sam Bird, Marcus Ericsson, Max Chilton, Alexander Rossi e António Felix da Costa prestigiaram o evento.

Onde é luz, onde é lua?

Não os enfrentamos na pista, já que a prova foi disputada em duplas, com uma bateria para os jornalistas e a outra para quem ganha a vida acelerando. Mas foi ótimo vê-los em ação na mesma pista em que você acabou de andar, observando como eles abordam as curvas e vendo o resultado disso na folha de tempos.

Minha participação, o que menos importa, foi discreta como eu imaginava. Meu companheiro, um simpático e esforçado local chamado Sultan, se classificou em 13º e penúltimo lugar no grid. Larguei do fundão e entreguei o kart em 11º, mesma posição que ele encerrou a prova.

A dupla árabe-brasileira: velocidade não tem nacionalidade

Mas a noite valeu. Ver feras com um possível futuro na F-1 andando no mesmo ambiente que você é algo que sempre acrescenta - quem aí já participou de alguma 500 Milhas da Granja Viana sabe melhor do que eu. E dos nomes da lista acima, os que mais me impressionaram nesse kart de aluguel no kartódromo de Yas Marina foram o mexicano Gutierrez e o português Felix da Costa. Quem sabe um dia eu possa falar com orgulho que já participei de uma corrida com eles!