Credencial GP da Hungria
Mais uma corrida, mais um Credencial. Aproveitando a presença da equipe do TotalRace reforçada em Budapeste (comigo, Felipe Motta e Julianne Cerasoli), gravamos logo na segunda-feira pela manhã uma mesa redonda para falar de tudo que marcou o final de semana: a força da McLaren em Hungaroring, o crescimento da Lotus, a boa prova de Bruno Senna, a situação de Felipe Massa no atual cenário do mercado de pilotos e a acirrada disputa pelo título da GP2. Para aproveitar o calor do instante, essa edição acabou não respondendo a 100% das perguntas, as que foram feitas depois da gravação mas antes do arquivo ir para ar, embora acho que mesmo estas foram debatidas ao longo do programa. E a volta do "Credê" completo, com todas as outras categorias, acontecerá numa edição de prévia do GP da Bélgica, no meio dessa pausa da F-1. Aguardem!
De bem com a vida
Lewis Hamilton mudou muito nas últimas semanas. Ficou mais ativo na sua conta do twitter, deu de ombros às fotos publicadas pelos tablóides ingleses de uma noitada sua em Londres e apareceu nos paddocks da Fórmula 1 visivelmente mais relaxado. Uma postura que se mostrou efetiva nas pistas também.
No Grande Prêmio da Hungria, o inglês da McLaren pilotou com a calma de um veterano para não dar a menor chance aos pilotos da Lotus, que tinham um carro mais veloz mas não acharam caminho para ultrapassar o carro prateado no apertado traçado nas cercanias de Budapeste. Depois, ao invés de atacar os críticos, Hamilton preferiu celebrar sua juventude.
"É sempre bom sair com uma vitória. Parece sempre haver muita conversa sobre minha vida privada. Espero que isso responda a muito do que foi dito. Estou 100% concentrado este ano, mesmo que pensem o contrário. Nunca tive tão comprometido com o trabalho. Mas também estou perto dos 30, me falaram que a partir dali a coisa só piora. Tenho de encontrar um bom equilíbrio e acho que consegui".
Aprender a relaxar e se permitir a rir de si mesmo parece a melhor decisão que Hamilton tomou nos últimos anos. Ter recebido apoio da McLaren desde a tenra idade lhe ajudou muito, mas também lhe colocou um peso muito grande nos ombros: o de corresponder às imensas expectativas que se tinha dele. Se continuar como o vimos na Hungria, pode minar o que sempre foi seu ponto fraco: a incapacidade de lidar com a pressão. Hoje vimos um exemplo de alguém que superou isso.
A corrida em Hungaroring foi, com folgas, a mais aborrecida de um ano abarrotado de corridas incríveis. E o brilho do carro da Lotus, que colocou Kimi Raikkonen e Romain Grosjean no pódio, acabou ajudando a Fernando Alonso. Mesmo num final de semana apagado da Ferrari, o espanhol conseguiu ampliar sua vantagem na liderança do Mundial já que o vice-líder, Mark Webber, chegou atrás dele.
A única má notícia para o piloto da Ferrari foi o fato de que outros pilotos fortes ganharam terreno na tabela. Entre eles um relaxado e alegre Lewis Hamilton.
Quem também pode ter encontrado o momento da virada em 2012 é Bruno Senna. Andou bem em todos os treinos livres, finalmente se classificou entre os dez primeiros do grid e fez uma corrida forte, não cometendo erros na pressão exercida por pilotos com carros e pneus melhores. Se seguir nesta toada nas próximas etapas, pode reverter a impressão de que suas chances de permanecer na Williams são pequenas. A questão do custo-benefício, na Fórmula 1, é mais importante do que apenas o dinheiro em si.
Quanto a Felipe Massa, sua prova foi definida numa largada ruim e um ritmo de corrida absolutamente aceitável se comparado ao de Fernando Alonso. Mas o grande problema dele neste momento está fora das pistas. Cresce a impressão de que a Ferrari está ativa atrás de uma opção para correr ao lado do espanhol no ano que vem. Pode ser que não encontrem o que querem e permaneçam com o brasileiro. Nomes de candidatos aparecem o tempo todo na imprensa, alguns realistas, outros absolutamente impossíveis.
Sobre o mercado de pilotos e o GP da Hungria, discutiremos no “Credencial” e também no blog ao longo da semana. Participe com suas dúvidas nos comentários!
Hamilton mostra força na Hungria
Foi a maior exibição individual de um piloto nesta temporada. No treino de classificação para o Grande Prêmio da Hungria, Lewis Hamilton não deu a menor chance para os adversários, sendo o mais veloz em cada uma das três partes da sessão. Na decisiva, fez uma volta feroz em 1min20s953, colocando uma vantagem impressionante de mais de quatro décimos sobre Romain Grosjean, da Lotus, que larga a seu lado na primeira fila.
O histórico do inglês da McLaren, duas vitórias e duas poles nesta pista, sugere um caso de piloto que faz a diferença num circuito reconhecidamente técnico. Mas o próprio Hamilton faz questão de dissipar esta impressão e apontar para o verdadeiro motivo do banho que deu nos rivais neste sábado: o ritmo de desenvolvimento da McLaren.
- A cada ano, quando chegamos aqui, trazemos novidades no carro. É um ciclo que se repete, chegamos com um pacote melhor que o da prova anterior e o desse ano está funcionando muito bem. Fico feliz em contribuir com o sucesso da equipe - falou o piloto nesta que foi a 150ª pole do time de Woking.
Mesmo assim, a prova deste domingo permanece em aberta já que a meteorologia local prevê chuvas fortes na região do circuito na parte da tarde. De qualquer forma, o sábado de Hungaroring foi um dia para reconhecer que ainda estamos na 11ª etapa do Mundial e que é cedo demais para tirar um piloto como Hamilton da disputa pelo título, mesmo com ele a 62 pontos do líder Fernando Alonso.
- Hamilton está na pole e ele também é um adversário do campeonato. Talvez muitos pensem diferente por se orientar só pela tabela de pontos, mas é preciso prestar atenção em tudo. Lewis mostrou na última corrida que é rápido, pode não ter somado pontos mas será uma força que deve ser considerada até o final do ano - opinou Sebastian Vettel.
Correndo aquela pista
Foi no sábado do GP da Hungria do ano passado que tudo (re-)começou. Desde 2009 eu vinha correndo algumas pistas do calendário, mas de forma absolutamente esporádica - como acontecia também no meu cotidiano fora das viagens. Mas em Hungaroring houve uma corrida coletiva do Run That Track, uma iniciativa muito bacana que incentiva a comunidade da Fórmula 1 correr para reverter em dinheiro para uma instituição de caridade. E eu consegui agregar alguns colegas para correr comigo, o Carlos Gil e o Felipe Motta.
Foi muito legal viver o clima de um circuito tomado de gente correndo. Tão legal que me deu o incentivo que faltava para voltar a correr de forma regular, algo que fazia antes de começar a correria de viajar o mundo e que me rendeu duas inesquecíveis meias-maratonas em Viena. Fico feliz que tenha tomado essa decisão.
Hoje completo um ano dessa minha volta. A saúde vai muito bem, obrigado. E a alegria de criar uma intimidade com os circuitos nos quais você vai comentar e completar uma volta neles é sempre especial. Não me esquecerei nunca do GP da Índia do ano passado: corri na quinta e, quando os carros foram desbravar o traçado na sexta, eu já sabia exatamente a sequência e as características das curvas e da topografia da pista, algo que muitas vezes surpreende a quem vê as imagens na tevê.
Também fiz novas amizades e estreitei os laços de algumas antigas, encontrando gente que também corre atrás da saúda na correria da vida. Só sei que desde aquele sábado, o tempo dedicado a gastar a sola dos meus tênis são sempre momentos muitos especiais de cada semana. Correr é tudo de bom!
Um céu que esconde a resposta
O grande tema deste final de semana na Hungria está sendo a forma da Red Bull: todos no paddock ficaram assustados com a forma de Sebastian Vettel na metade inicial do GP da Europa em Valência e todos querem ver como o time fica agora depois que a FIA interferiu na questão do mapeamento dos motores para frear a leitura que os engenheiros do time faziam do regulamento.
Olhando a folha de tempos, a sensação é de que o time andou para trás: Sebastian Vettel em oitavo e Mark Webber apenas em 14º lugar na sessão da tarde. Mas, como sempre, a tabela das voltas mais rápidas de sexta-feira mais mente e confunde do que informa - impossível tirar conclusões só com elas como base. O fato é que nenhum dos dois conseguiu uma volta rápida com o composto macio na sessão. Com o duro, Vettel foi consistente, embora admitisse que esperava “melhorar um pouco mais do carro” para a classificação.
Talvez a sessão de amanhã seja o único indício que vamos ter da real forma da atual bicampeã do mundo antes dessa pausa de verão. Afinal, o clima aqui anda um tanto instável - como esteve na Inglaterra e na Alemanha. E a previsão é de que a corrida do domingo seja perturbada por chuva forte - algo que torna a realidade técnica inconclusiva.
Uma corrida diferente
Já estávamos nas últimas horas de luz natural do sábado, um período em que todos só estão pensando em deixar a pista correndo para algum restaurante antes de voltar para o descanso no hotel. Mas, em Hungaroring, a corrida foi diferente. Na pista, com uma centena de pessoas da comunidade da Fórmula 1: membros das equipes, jornalistas, seguranças, patrocinadores.
Foi uma corrida na qual, com exceção de uns três ou quatro, chegar em primeiro não importava. O importante era apenas participar. Afinal, para cada um que completou a volta, um patrocinador da categoria, o banco UBS, doou 300 dólares para uma instituição de caridade. Foi o que bastou para motivar sedentários, gordinhos, contundidos e afins. Ajudar a quem precisa é infalível para deixar de lado qualquer auto-crítica.
Minha realidade ficou clara antes mesmo da curva 1, quando aquela multidão já desaparecia após o cotovelo como se tivessem acionado Kers e asa móvel. Ainda tentei acompanhar o colega Carlos Gil, mas a “subida da Brigadeiro” - o trecho entre as curvas 3 e 4 do circuito - acabou com meu parco fôlego. Dali até o final, o jeito foi alternar um trote leve e um caminhar acelerado. Nada como ir para a corrida com uma estratégia delineada.
O esforço valeu a pena e foi recompensado após a linha de chegada por um “troféu”: uma garrafa de metal para beber água durante a prática de esportes. A confraternização com os outros participantes ali foi muito gostosa, todos felizes por terem colaborado com a causa e por terem feito um favor ao próprio e precário preparo físico. Tontura e dores nos lugares mais diversos do corpo dominaram o tema das conversas. Sem falar nos mais de 30 mil dólares que juntamos para a Fundação Make-A-Wish.
Não sei quando a turma do Run That Track, que organiza o evento, vai promover uma outra corrida coletiva. Mas as voltas individuais em cada pista vão continuar - também rendendo fundos para a caridade - e a garrafinha prateada está sendo meu principal motivador para estas semanas de pausa na correria da cobertura, quando dá tempo para cuidar melhor do físico. Afinal, Spa vem aí com seus sete quilômetros em subidas e descidas. E eu vou encarar, ah se vou!
Vettel na frente, McLaren forte
O paddock de Hungaroring estava praticamente deserto na madrugada de sexta-feira para sábado, mas a movimentação nos boxes da Red Bull era intensa. Depois de um desempenho decepcionante nos treinos livres, a ordem no time era revirar o carro de cabeça para baixo para espremer uma melhora de performance. Deu certo: Sebastian Vettel marcou sua oitava pole-position da temporada. E agradeceu ao esforço de seus mecânicos:
- Estou muito feliz com o resultado. Os mecânicos trabalharam muito nos boxes ontem à noite, acho que eles foram dormir às cinco da manhã e esta é a melhor maneira de dizer obrigado. Valeu a pena, testamos muitas coisas novas na sexta e deu trabalho para voltar ao acerto que achávamos melhor, mas funcionou - vibrou o líder do Mundial.
Mas seu trabalho na corrida não será fácil, mesmo num circuito onde, tradicionalmente, poucas ultrapassagens acontecem. O habitual domínio da Red Bull nas classificações sofreu novamente a ameaça de uma McLaren que se apresentou em dose dupla, com Lewis Hamilton em segundo e Jenson Button em terceiro.
- É um ótimo sinal. Acho que estamos crescendo e melhorando o carro de forma constante. E tenho certeza que teremos novidades depois dessa pausa para finalmente superar a Red Bull também em classificações - apostou Hamilton. Pelo ritmo de corrida, ninguém duvida que a McLaren possa lutar pela vitória hoje.
E mesmo a Ferrari, que colocou Felipe Massa em quarto no grid e Fernando Alonso em quinto. Foi primeira vez que o brasileiro superou seu companheiro no sábado neste ano:
- Vai ser uma corrida difícil para todos, pois os dois compostos de pneus estão sofrendo muito desgaste e a estratégia do uso deles será a chave para o sucesso. Acho que estaremos melhor em ritmo de corrida do que na classificação - disse o brasileiro.
Apostas? Eu iria de Hamilton. Não fosse o fato dele largar no lado sujo da pista. Acho que a ordem depois da primeira curva será fundamental. Assim, acho que dá Vettel. E você?











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