Problema de foco
A Fórmula 1 é um meio cínico, onde celebra quem vence e reclama quem perde. Sempre foi assim, sempre será. Escapamentos soprados, difusores duplos, amortecedores de massa. Basta olhar para a história recente que sempre haverá alguém descontente, culpando algum elemento técnico para justificar, mais para os patrocinadores do que para a opinião pública, uma derrota na pista. Até mesmo os pneus já foram o pivô de uma discussão recente: em 2005, quando os Michelin era claramente superiores aos Bridgestone e a Ferrari foi pressionar os franceses nos bastidores para mudarem seu produto. Como se vê, ter mais de um fornecedor não basta para cessar o mimimi. Nada adianta.
Dito isto, é uma pena que tenha se politizado a discussão sobre os pneus atuais. Achei que Paul Hembery, sempre um cara sensato, errou na conversa aos jornalistas ao afirmar que, se mudarem os pneus, a imprensa vai reclamar dizendo que a Pirelli teria dado o título nas mãos da Red Bull. Dá a impressão que foi feito um pneu anti-Red Bull. Se for o caso, poderiam fazer no ano que vem um pneu que só funcionasse nos carros de Caterham e Marussia, para equilibrar a disputa. Não é por aí.
Eu gosto da maneira que os pneus italianos apimentaram as corridas. Quando puxo na memória as corridas do Mundial de 2010, dou graças a Deus que acabaram aquelas procissões chatíssimas, com disputas só até o primeiro pitstop (e olhe lá) e um trenzinho de carros conduzidos por pilotos frustrados pela impossibilidade quase absoluta de se ultrapassar.
Mas está claro que a Pirelli errou a mão no tempero deste ano. Em janeiro eu estive no lançamento dos compostos atuais e o discurso era de corridas com duas paradas nos boxes. A média do GP da Espanha foi próxima a quatro. Ou seja, chororô de times à parte, eles mesmos não chegaram nem perto de cumprir nesta prova o objetivo que tinham proposto.
Por um lado, isto nos deu a corrida mais animada em Montmeló dos últimos anos. Por outro, confundiu ou frustrou os torcedores já que, para a própria sobrevivência da borracha, as disputas reais de ataque e defesa foram mínimas. Não deve ser assim e os italianos sabem disso.
Infelizmente a mídia internacional em geral também está perdida nesta situação e não focando no mais importante: este é um daquele raros mundiais com um equilíbrio interessante entre vários carros. Olhem só:
Temos uma Ferrari que se sobressai em ritmo de corrida especialmente em circuitos que a velocidade de reta é fundamental, como em Xangai e Barcelona. E que larga muito bem. Com isto, as deficiências do time em classificação acabam relevadas a segundo plano e os bons resultados aparecem neste tipo de circuito.
Temos uma Red Bull que funciona ao contrário, um carro que é premiado em pistas onde é o equilíbrio aerodinâmico que conta. E que pena mais em velocidade de reta, algo que eles vem sacrificando já há alguns anos. Por isso que vi um Sebastian Vettel bastante relaxado com o quarto lugar após a prova de domingo. Era uma corrida para salvar pontos e doze ficou de bom tamanho. Poderiam ter sido quinze mas eles erraram na estratégia, mostrando mais uma vez que podem se perder quando não estão no papel de líder, só controlando o que fazem os quem vêm atrás.
Temos uma Lotus bastante equilibrada e que vai bem em todos os tipos de circuito pela maneira suave com que trabalha os pneus, efeito potencializado pela qualidade de Kimi Raikkonen em fazer corridas infalíveis com a precisão de um relógio suíço, somando sempre bons pontos para suas pretensões no campeonato.
Três equipes andando em nível parecido, cada uma com seus pontos fortes e fracos e lideradas por um campeão mundial. E, como cereja do bolo, uma Mercedes diabolicamente rápida em classificação e incrivelmente lenta em ritmo de corrida, para se colocar como um fator pertubador na dinâmica das corridas deste trio da frente.
É uma equação saborosa que promete uma disputa intensa ao longo da temporada, cheia de altos e baixos para todos os envolvidos. E todo mundo olhando só para os pneus...
Os duelos internos
Após apenas quatro corridas, a classificação do Mundial de Pilotos já aponta um desequilíbrio no duelo interno das principais equipes deste ano na Fórmula 1. Uma explicação mais simplória do que simples seria dizer apenas que “fulano é melhor que beltrano” e pronto. Mas como aqui a gente gosta de ver a categoria sob todos os ângulos possíveis, aqui vai uma análise de cada disputa interna, suas causas e consequências.
Red Bull (Sebastian Vettel +45 pontos sobre Mark Webber)
A polêmica na Malásia e os problemas na China não ajudaram a causa do australiano, mas a verdade é que ele está tomando um banho de Vettel neste ano. Não largou na frente do companheiro nenhuma vez. Pior do que isso, as distâncias nas classificações podem ser enormes - no Bahrein ficaram na casa de meio segundo no Q3. Webber teve de engolir e está claro que não digeriu a situação ocorrida em Sepang. A foto do jantar com Alonso no twitter é um indício de que vai apelar para jogos psicológicos sempre que possível. É o jeito, já que na pista não há nada que funcione a seu favor.
Lotus (Kimi Raikkonen +41 pontos sobre Romain Grosjean)
Apenas no Bahrein, quando ganhou um novo chassi, que o francês fez uma boa corrida. Saindo de trás, dosando sua agressividade na hora de ganhar posições, um desempenho que o levou ao pódio como havia acontecido no ano anterior. Mas não há como imaginar mais do que lampejos pontuais de sua parte. Kimi Raikkonen está em outra esfera, mantendo a mesma regularidade incrível ao mesmo tempo em que parece ter resolvido sua fraqueza. No ano passado, o duelo entre os dois era equilibrado em treinos classificatórios. Neste ano, está 4 a 0 para o finlandês.
Mercedes (Lewis Hamilton +36 pontos sobre Nico Rosberg)
Foi um sinal de vida importante o dado por Nico Rosberg no sábado no circuito do Sakhir. Uma volta beirando a perfeição que, mais do que a pole position, lhe valeu a certeza de que pode endurecer o duelo com Lewis Hamilton. Mas a corrida foi uma ducha de água gelada nesta perspectiva. Afinal, o problema de um desgaste acentuado demais dos pneus traseiros - repetindo o problema que afligiu o time no ano passado - acabou com sua corrida, mas não com a de Hamilton. Questão de acerto do carro ou de estilo de pilotagem? São perguntas que o alemão precisa responder rapidamente para não ver o inglês sumir na sua frente.
Ferrari (Fernando Alonso +17 pontos sobre Felipe Massa)
A menor diferença entre as duplas das equipes de ponta não pode ser apenas explicada pelo abandono precoce de Alonso na Malásia. Afinal isso vai na conta de um erro de julgamento em conjunto do piloto e de sua equipe na pitwall. Massa demonstrou sinais positivos com um bom ritmo de corrida em Melbourne e boas classificações nas duas primeiras corridas. Mas voltou a demonstrar dificuldades com os pneus nas provas seguintes - desta vez com o composto médio da Pirelli. Justamente o que deve ser utilizado na maioria dos GPs deste ano. Precisa resolver isso rapidinho. Mais que o duelo com Alonso, está em jogo seu próprio futuro na Fórmula 1.
Fim da relação?
O australiano Mark Webber completa neste final de semana sua 200ª corrida na Fórmula 1. São fortes os indícios de que não restam muitas mais pela frente. Na segunda após o GP do Bahrein, o piloto voará até a cidade austríaca de Salzburg para conversar com o dono da equipe Red Bull, Dietrich Mateschitz. Em meio a rumores cada vez maiores de que Kimi Raikkonen chegaria no time no ano que vem para substituí-lo, Webber deve definir seu futuro, dentro ou fora da F-1.
O polêmico episódio das ordens de equipe na Malásia e seus desdobramentos colocaram o australiano como o grande perdedor do incidente. No pódio, reclamou publicamente da insubordinação de Sebastian Vettel e afirmou que o time protegeria o alemão “como sempre faz”. Não pegou bem e Webber assumiu uma postura mais conciliadora, se recusando a comentar o assunto nas semanas seguintes.
Outro episódio que não caiu bem na direção da Red Bull foi a foto dele jantando com o espanhol Fernando Alonso nesta semana, publicada na conta do twitter do espanhol. Muitos leram como uma provocação a Sebastian Vettel, que já havia reclamado publicamente da maneira como Webber o atrapalhara na decisão do ano passado, quando o adversário pelo título era justamente Alonso.
Perguntado sobre o tema, Vettel ironizou: “Porque tanto barulho em cima disso? Os dois estavam pelados? Não vi a foto, me falaram sobre ela, mas todo mundo janta todo dia e é muito chato jantar sozinho”.
Fernando Alonso, espertamente, colocou a culpa da celeuma na imprensa. “Querem ver polêmica onde não existe, foi uma janta entre amigos que se conhecem há 13 anos e que possuem o mesmo empresário, o Flavio (Briatore). Temos uma boa relação. Se vocês querem publicar a foto e fazer uma matéria polêmica em cima disso, é opção de vocês”.
A aposta é que o australiano deve tomar um pito e um pedido de Mateschitz para baixar a bola até o final do ano. Insatisfeito com a situação da Red Bull e em rota de conflito com a direção do time, Webber busca alternativas. Uma possível seria correr pela Porsche na Mundial de Endurance. Há aqui no paddock quem aposte que isto seria confirmado na própria segunda-feira: a marca de Stuttgart convocou uma coletiva de imprensa para a manhã para anunciar um novo representante. Se é Webber ou não, precisamos esperar para saber.
O Grupo dos 4
O Mundial de 2013 da Fórmula 1 começou marcado pela pluralidade: vitória fácil para a Lotus de Kimi Raikkonen na Austrália; polêmica à parte, uma dobradinha relativamente fácil para a Red Bull na Malásia; e um triunfo tranquilo da Ferrari de Fernando Alonso na China. Enquanto todo mundo ainda está tentando se entender com os pneus, parece que há um espaço democrático no topo do pódio. Como havia sido no início do ano passado, quando foram sete vencedores nas sete primeiras corridas, com o registro de vitórias de cinco pilotos de equipes diferentes nas cinco primeiras provas.
Mas uma olhada no Mundial de Construtores mostra que quatro equipes já se aglomeram bem na frente das outras. Um sinal de que há um limite claro e apenas membros deste “G4” luta para vencer corridas. É o espanhol Fernando Alonso quem opina: "Red Bull, Lotus, Mercedes e Ferrari estão um passo à frente do resto e quem dentre elas desenvolver melhor o carro vai ganhar boa parte das próximas corridas. Neste sentido, temos de pressionar ao máximo a fábrica para produzir novidades que nos tragam vantagem".
Para o vencedor da última corrida, apenas no meio da temporada este “grupo dos quatro” pode se afunilar ainda mais. "Preciso esperar até a pausa de verão na Europa para vermos com clareza quem realmente está na briga pelo título. Espero estar neste grupo para o segundo semestre. Espero que o Felipe (Massa) também esteja, o que sinalizaria que temos um bom carro. Mas o quadro atual é de equilíbrio e ninguém tem uma vantagem clara", afirmou Alonso.
O finlandês Kimi Raikkonen segue o mesmo discurso de Alonso e prevê um quadro de equilíbrio nas próximas etapas, começando pelo GP do Bahrein neste final de semana. "Uma equipe que é forte numa corrida acaba vivendo uma estória diferente na seguinte. Acredito que as quatro primeiras colocadas na tabela estão próximas também na pista, então quem trabalhar melhor aos sábados e aos domingos sairá vencedor. Será interessante".
Repensando o espetáculo
A dinâmica do Grande Prêmio da China dividiu opiniões dentro do paddock da Fórmula 1. O desgaste excessivo dos pneus, especialmente do composto macio, fez com que o treino classificatório tivesse carros nos boxes a maior parte do tempo para economizar borracha. E a corrida virou um xadrez estratégico. Para complicar, as duas zonas de ativação da asa traseira móvel tornaram as ultrapassagens fáceis demais. Com tudo isso, quase nenhuma disputa ferrenha ocorreu, já que a ordem era poupar equipamento.
A Pirelli ouviu a opinião dos engenheiros e pilotos e vai avaliar a situação. Não está descartada uma mudança na composição de cada tipo de pneu a partir da quinta etapa do campeonato, o GP da Espanha.
Vettel é um dos que saiu frustrado com a dinâmica da prova. “Saber a atual divisão de forças no momento é uma piada, não parece muito uma corrida atualmente já que tudo depende exclusivamente dos pneus”. Mas as reclamações não são unânimes. Para o chefe da Ferrari Stefano Domenicali, é mero choro de perdedor. “Os pneus são iguais para todos o importante é administrá-los bem. Reclama quem termina atrás e não reclama quem termina na frente”.
O finlandês Kimi Raikkonen foi surpreendentemente eloquente na hora de avaliar o quadro. E se mostrou satisfeito com a F-1 do jeito que está. “Não é diferente do ano passado, não sei do que as pessoas reclamam. Mesmo há dez, quinze anos atrás, você também não podia acelerar o máximo o tempo todo. É a mesma situação para todos, é parte da Fórmula 1. Os pneus funcionam bem para a classificação e é preciso cuidar deles na corrida, mas ainda dá para pisar fundo”, analisou
Perguntei em Xangai ao inglês Lewis Hamilton sobre o tema. Ele admitiu que essa dinâmica de controlar seu ritmo o tempo todo é muito mais complicado para os pilotos. “É bom mais desafiador agora, com este tipo de pneus que temos. Mas eu me divertia mais como era até 2008, quando os carros tinham melhor aerodinâmica, havia o reabastecimento e era possível andar de pé embaixo o tempo inteiro”, afirmou.
Vai ser interessante ver que tipo de corrida teremos no Bahrein. Com os compostos médios (originalmente seriam os macios, mas a Pirelli também dá sinais de repensar a situação) e duros - e com um traçado sem curvas que judiam demais da borracha - quiçá seja uma prova com mais disputas por posição. Não tenho nada contra um formato que privilegia o cuidado dos pneus e a estratégia em cima disso. Se olharmos para 2010, para as corridas mais chatas da F-1 recente, a estratégia era óbvia para todos, e a prova durava só até o primeiro dos dois pit-stops, virando um comboio depois. Mas, em Xangai, o peso em cima da estratégia foi demasiado. Seria legal encontrar um meio termo.
Até onde pode ir a Lotus?
A vitória de Kimi Raikkonen na abertura da temporada - classificada pelo próprio finlandês como uma das mais fáceis de sua carreira - acabou ofuscada por uma participação discreta da dupla da Lotus na semana seguinte na Malásia. Para a direção do time, o desempenho abaixo do esperado foi uma anomalia e num final de semana mais normal, sem pista molhada na classificação e/ou na corrida para embaralhar o grid, o time voltará a brigar por vitórias.
Faz sentido. A chave para o sucesso pelo menos nestas corridas iniciais da temporada está sendo uma boa administração dos pneus, que estão desgastando em demasia. Em Sepang a Lotus não conseguiu fazer diferença pelo tempo perdido na parte inicial da prova quando o asfalto era úmido. Mas na Austrália, uma prova inteiramente no seco, Raikkonen sobrou ao imprimir um bom ritmo e fazer uma parada a menos que os principais adversários, vencendo mesmo tendo largado apenas em sétimo lugar.
Existe uma explicação para isto. A nova geração dos compostos da Pirelli foi desenvolvido utilizando o R30, o carro da equipe utilizado no Mundial de 2010, quando ela ainda era batizada como Renault. Ainda que seja um modelo com várias diferenças para o deste ano, a base é a mesma e as reações que os pilotos de testes trabalharam com aquele carro acabaram caindo como uma luva no atual.
Ainda assim, pouca gente está apostando suas fichas em um eventual título de Raikkonen (ou de Romain Grosjean, claro). O motivo disto é o orçamento da Lotus, muito menor do que os de Red Bull, Ferrari, McLaren e Mercedes. Num campeonato longo como este, o campeão será definido no ritmo de desenvolvimento do carro. Ainda que os adversários voltem a comer poeira nas próximas corridas, elas têm grana e conhecimento para descontar a desvantagem a tempo. Por mera questão financeira, o brilho da Lotus tem data de validade. E não deve demorar para expirar.
(Texto da coluna "Direto do Paddock", publicada na edição de hoje do Lance!)
Liian helppo*
Ele tomou um gole de champanhe, espirrou um pouco do que havia na garrafa para fora do pódio e tomou um outro mais prolongado. A naturalidade com que Kimi Raikkonen festejou a vitória no GP da Austrália foi a mesma com que o triunfo foi construído na pista. Na abertura de um Mundial em que todo mundo falou das dúvidas sobre o entendimento dos pneus, o finlandês da Lotus mostrou que ele já tinha todas as respostas.
"Nosso plano era fazer apenas duas paradas e conseguimos cumprir isso de maneira perfeita. A equipe trabalhou bem e tínhamos uma boa estratégia. Consegui poupar os pneus e poderia ter ido mais rápido se fosse necessário. Foi uma das minhas vitórias mais fáceis", admitiu Raikkonen no final da corrida.
Mais do que a avaliação do homem de poucas palavras, a contundência do seu triunfo fica clara vendo outros fatores. Ele largou apenas em sétimo depois do que um desempenho no treino classificatório que julgou “decepcionante”. Foi o único piloto das equipes de ponta que conseguiu para apenas duas vezes. E terminou a corrida com uma vantagem superior a 1min20s para seu companheiro de equipe, que dispunha do mesmo equipamento.
Tão inesperada quanto a vitória do finlandês foi o fracasso da Red Bull de Sebastian Vettel. O alemão começou o domingo marcando uma pole position contundente, na continuação da sessão que havia sido adiada pela chuva do dia anterior. Seu ritmo de corrida, porém, foi ruim e ele perdeu a liderança assim que parou nos boxes pela primeira vez. Acabou em terceiro lugar.
Logo à sua frente ficou Fernando Alonso, que esteve num daqueles seus dias inspirados: uma primeira volta agressiva e uma decisão estratégica de adiantar sua segunda parada o jogou da quinto lugar no grid para a segunda posição na corrida. Ele ainda tentou, mas não encontrou antídoto para superar a estratégia imbatível de Kimi Raikkonen. Mas saiu feliz da vida ao reverter a derrota momentânea no grid para Vettel e para Felipe Massa e terminar a prova na frente de ambos.
O brasileiro fez uma boa corrida, atrapalhada por um erro estratégico de não acompanhar a decisão de Alonso no segundo pit-stop. Mesmo assim, começa o ano de 2013 num patamar infinitamente acima do que havia começado o Mundial passado. Ele negou qualquer leviandade na decisão estratégica da Ferrari que o levou a cair da segunda para a quarta posição após a segunda bateria de pitstops da corrida de ontem, uma delas para o companheiro de equipe Fernando Alonso.
"Era difícil saber o que ia acontecer, porque não tínhamos noção dos pneus. Fazer duas paradas, como fez o Kimi, para mim era impossível. E também parar antes, como fez o Alonso, parecia um pouco arriscado. Nosso planejamento era tentar alongar o uso daquele jogo de pneus. Acabamos errando e perdemos duas posições importantes ", explicou.
O passado da Ferrari fez com que muita gente levantasse a suspeita de uma manobra orquestrada. Desculpe torcida brasileira, mas fazer isso é diminuir a qualidade do que fez Fernando Alonso. A estratégia inicial dos dois pilotos da Ferrari era a de parar pela segunda vez em torno da 23ª volta, mas o espanhol viu a chance de tentar ganhar a posição de Massa e de Vettel antecipando bem isto. É algo que tem até nome, o chamado "undercut". Massa não tinha como saber o efeito global disso no resultado final da prova, já que era a primeira corrida e ninguém sabia direito como os pneus se comportariam - na avaliação da Ferrari antes da corrida, parar antes poderia significar ficar com pneus desgastados demais no final da prova.
Outra maneira de enxergar como não foi uma "sacanagem orquestrada" contra Massa é notar que o brasileiro - e também Sebastian Vettel - tentaram o contra-ataque fazendo um "undercut" em cima de Alonso na última bateria de pitstops: Massa parou três voltas, o alemão duas antes do espanhol. Não funcionou porque Alonso tinha aberto uma vantagem grande o suficiente para não permitir isso. Méritos dele - e nenhum demérito dos outros. A Ferrari já interferiu na disputa entre os dois, mas insistir no discurso do jogo de equipe, neste caso específico, é coisa de gente que não entende de Fórmula 1.
Melhor seria destacar que o brasileiro se classificou à frente do espanhol no grid e teve um bom duelo com ele nas primeiras voltas, segurando a posição. Um sinal de que a temporada deste ano pode trazer uma paridade de performance entre os dois que praticamente inexistiu em 2012.
"Espero que isto aconteça a cada corrida. No final das contas, para vencer você tem que ser mais veloz que todos os pilotos. É para isso que eu trabalho. Alonso fez aqui uma grande corrida e tomou a decisão certa de parar antes naquele momento da prova. Mas certamente mostrei que estou num bom nível em relação a ele".
Apesar de ter subido no pódio em Albert Park na corrida de 2010, Massa considerou seu desempenho de ontem o melhor que já teve neste circuito. "Sempre foi uma vista em que eu sofri muito, especialmente com o desgaste dos pneus traseiros. Mas desta vez isso não aconteceu. Olhando o ano de 2012 e olhando o trabalho que fizemos neste final de semana, acho que foi um começo campeonato muito positivo".
* - "Muito fácil", em finlandês
Jerez, dia 4 – Fim do primeiro ato
A equipe Lotus teve motivos para sorrir ao final da primeira semana dos testes de pré-temporada da Fórmula 1. Na sexta-feira em Jerez de la Frontera, Kimi Raikkonen marcou o melhor tempo do dia com 1min18s148. O outro piloto do time, o francês Romain Grosjean, já havia sido o mais veloz na quarta-feira. O melhor tempo da semana, porém, ficou com o brasileiro Felipe Massa, que registrou 1min17s879 na sua melhor passagem na quinta.
Raikkonen ficou claramente satisfeito com o trabalho feito nos dois dias em que esteve ao volante do E20. "Estar no topo da folha de tempos de um teste não significa nada. Mas progredimos bem e consegui achar um acerto mais ao meu gosto. O carro parece forte e temos uma boa ideia da direção que estamos indo com as melhoras para ele", analisou.
O segundo mais rápido do dia foi o francês Jules Bianchi, da Force Índia, tido como principal candidato à segunda vaga na equipe - a única do grid que ainda não foi confirmada. Ele aproveitou a chance e ficou a apenas 27 milésimos do tempo de Kimi Raikkonen no seu primeiro contato com o VJM06.
Luiz Razia foi o único brasileiro a andar na sexta-feira. O piloto da Marussia marcou o 11º tempo e, ao contrário do primeiro dia que andou, pôde completar algumas seqüências longas de voltas para ganhar informações sobre o ritmo de corrida de seu carro.
Ainda é cedo para tirar conclusões e pretendo fazer amanhã uma análise mais profunda das lições desta semana em Jerez, mas há indícios de que o quadro de equilíbrio verificado na maior parte do ano passado continua. O que seria uma boa notícia para uma F-1 competitiva.
Na próxima semana, o trabalho das equipes ficará concentrado nas fábricas avaliando os resultados de Jerez e preparando novidades para a próxima bateria de testes, a partir do dia 19 deste mês em Barcelona.
Resultados
1 Kimi Raikkonen (FIN) Lotus 1min18s148 83 voltas
2 Jules Bianchi (FRA) Force Índia 1min18s175 56 voltas
3 Sebastian Vettel (ALE) Red Bull 1min18s565 96 voltas
4 Esteban Gutierrez (MEX) Sauber 1min18s669 142 voltas
5 Jean-Eric Vergne (FRA) Toro Rosso 1min18s760 92 voltas
6 Lewis Hamilton (ING) Mercedes 1min18s905 145 voltas
7 Sergio Perez (MEX) McLaren 1min18s944 98 voltas
8 Valteri Bottas (FIN) Williams 1min19s851 92 voltas
9 Pedro de la Rosa (ESP) Ferrari 1min20s316 51 voltas
10 Charles Pic (FRA) Caterham 1min21s105 109 voltas
11 Luiz Razia (BRA) Marussia 1min21s226 82 voltas
12 Paul di Resta (ESC) Force Índia 1min23s435 49 voltas
Os candidatos a uma vaga cobiçada
A Fórmula 1 é assim mesmo, nem começou a temporada de 2013 e já se pensa no ano seguinte. Com a recente bateria de críticas que o consultor e manda-chuva da equipe Red Bull, o austríaco Helmut Marko, endereçou a Mark Webber, é de se esperar que este seja o último campeonato do australiano na equipe. Até porque uma mudança faria sentido para uma F-1 com carros muito diferentes em 2014. Claro que não faltariam candidatos a uma vaga na melhor equipe dos últimos anos. Mas quais nomes são realistas? Chegamos à um total de seis:
Nico Hulkenberg - Um piloto em ascensão e que tem o aval de Marko, mas ninguém sabe direito quais as bases de seu contrato com a Sauber. Há quem aposte que o alemão já tem ligações com a Ferrari para entrar no time em 2014.
Kimi Raikkonen - É um nome de apelo forte no mercado, amigo de Sebastian Vettel e adoraria a chance de pilotar um carro competitivo. Mas foi abandonado pela própria Red Bull no Mundial de Rali por não demonstrar interesse em participar de ações promocionais.
Daniel Ricciardo - Seria o substituto natural de Mark Webber na lógica de ser o mais experiente do programa de jovens pilotos da Red Bull. Mas em um ano e meio na Fórmula 1 ainda não impressionou a ponto de se mostrar merecedor de uma vaga num time de ponta.
Jean-Eric Vergne - Também sofre do mesmo problema de Ricciardo. Com o agravante de que teve muitas dificuldades em treinos classificatórios em 2012, embora tenha demonstrado bom ritmo nas corridas.
Romain Grosjean - Precisa ter um 2013 bem melhor que o do ano passado, com alguns pódios e com performances consistentes. Caso isto aconteça, teria chance de ascender à principal equipe que utiliza motores Renault, os mesmos da Lotus.
Antonio Félix da Costa - O piloto português impressionou na World Series e nos testes de F-1 que fez com a Red Bull. Se Vergne ou Ricciardo forem mal no início do ano, pode ganhar uma vaga na Toro Rosso. Se continuar impressionando, poderia ser uma aposta da Red Bull para 2014.
(Texto da coluna "Direto do Paddock", publicada na edição de hoje do Diário Lance!)
Foto do dia – Kimi Raikkonen
Nestes dias de colocar em ordem a casa e o computador, encontrei e achei curiosa essa antiga imagem de Kimi Raikkonen. Com ainda mais cara de bebê e já vencendo - e feliz empunhando uma garrafa de bebida, diriam alguns. Vamos ver se um dos protagonistas do ano passado brilha de novo neste ano! Para ampliar a imagem, clique nela. E se você ainda não viu meu texto listando os melhores de 2012, clique aqui.











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