8out/1221

Um pio desafinado

Respeito começa muito além de uma conta no twitter

Lewis Hamilton tem mais de um milhão de seguidores no twitter. Jenson Button não está entre eles. Algo que o incomoda. Tanto que ele se confundiu, achou que tinha levado um “unfollow” do companheiro e resolveu tornar pública sua frustração. Depois, foi informado que o companheiro na McLaren jamais havia sido seguidor seu e se desculpou.

Este gesto e o fato de não ter apagado o momento embaraçoso são os únicos aspectos positivos de um episódio ridículo. Se fosse um pouquinho mais maduro, Hamilton esperaria até a Coreia para ir cobrar de Button este suposto “desrespeito”. Frente a frente.

Ao optar pela via pública, Hamilton sublinhou que ainda possui dificuldades em relação a autoconfiança - digo isto da pessoa, não do piloto. É legal, mostra o lado humano de esportistas que muitas vezes são idealizados como infalíveis super-heróis por seus fãs.

A presença deles no twitter é bacana. Nos casos de Rubens Barrichello, Fernando Alonso e do próprio Hamilton quando se tornou mais ativo na mídia social a partir do meio deste ano, o canal teve o positivo de efeito de apagar o foco deturpado que muitas vezes os fãs tinham deles. Se mostrar sem os filtros indesejados das agências de marketing ou do jornalismo inacurado fez muito bem para eles.

Mas é preciso haver um limite. Atacar um colega de pista de forma pública está claramente além dele. Quando ainda por cima não se tem razão, fica mais ridículo. Nestas horas é mais fácil entender porque alguns, como Sebastian Vettel, preferem ficar longe das mídias sociais. Melhor mesmo é se concentrar totalmente em fazer o melhor trabalho possível nas pistas. É o pio mais contundente que tem.

2out/120

Credencial e Ásia

Quais rumos surgem após Hamilton ter tomado um novo rumo? O Credencial debate!

Daqui a poucas horas tenho de acordar e pegar o avião para o Japão. De barriga cheia após dias muito legais explorando a Coreia. A turnê asiática continua e passei boa parte do dia hoje atualizando materiais para a TV Blogo, este canal muito especial para compartilhar impressões de viagens com vocês. Tem o vídeo do jogo de beisebol que fui assistir em Seul, o que vai ajudar ainda mais a ilustrar o texto que eu escrevi ontem aqui mesmo no blog. E tem também a nova edição do Credencial, um papo muito rico com o Felipe Motta e a Julianne Cerasoli para discutir os rumos do mercado de pilotos depois do anúncio de Lewis Hamilton na Mercedes, além de uma análise das confusas decisões dos comissários em Cingapura.

Fica também o convite para que você acesse a todos os vídeos dos "Diários da Ásia", caso tenha perdido algum.

Parte 5: o beisebol

Parte 4: a montanha

Parte 3: o futebol

Parte 2: a viagem

Parte 1: o mochilão

28set/1267

Questão de prioridade

A caminho de Málaga...

Acho legal Lewis Hamilton adotar o visual “gangsta”, de bonezão, calças largas, roupas coloridas. Acho legal ele chamar seu carro de F-1 de “bad ass motherfucker”. Acho legal que ele encha a cara, vá para um hotel com os amigos e umas periguetes e mande o dedo do meio para os fotógrafos que realmente não têm nada a ver com isso.

Só não acho legal quando um esportista se deslumbra e perde o compromisso com a única coisa que interessa: a vitória.

Não há um contrato milionário no mundo que justifique sua saída da McLaren. Um time que encontrou um caminho em meio ao campeonato mais equilibrado da história para se tornar mais competitiva que as demais. Um time que, no ano passado, foi o único que conseguiu desenvolver o difusor soprado a ponto de superar o praticamente imbatível RB7 em alguns circuitos. Enfim, o time de maior excelência técnica do grid.

O argumento de que a Mercedes pode chegar com tudo em 2014 com a nova regulamentação de motores tem o valor de uma nota de três reais. Em primeiro lugar, porque qualquer outra equipe com um cheque de cinco milhões (ou menos, a FIA vai pressionar para isto) pode ter exatamente o mesmo motor. A própria Sauber mostrou esse ano que, com um chassi melhor, pode superar a “matriz” Ferrari em algumas ocasiões.

E depois, ninguém deixa o Barcelona para ir jogar no Málaga achando que “daqui a dois anos dá para disputar o título da Champions”. Hamilton sempre falou que “arde de desejo pelas vitórias (burn to win)”. Se fosse verdade, não deixaria o atual melhor carro do grid para ir se sentar no quarto, quinto ou sexto melhor, dependendo da pista.

Achar também que a turma de Brackley é capaz de dar-lhe um carro vencedor seja quando for é uma grande besteira. O Brawn BGP01 só acabou com a concorrência na primeira metade daquele ano porque Ross foi malandro demais: ajudou a bolar um regulamento no qual sabia muito bem onde estava o buraco para introduzir uma peça que dava uma vantagem gigantesca sobre o resto. Até a FIA julgar o mérito e os adversários adaptarem seus projetos para copiar a solução, Button já havia vencido um punhado de corridas e o título estava bem encaminhado. Quando os rivais acertaram a mão, o time caiu para trás e passou a ser sistematicamente superado por eles.

Acho a decisão de Hamilton uma das piores que já vi na Fórmula 1. Para mim, só reforça a imagem de um piloto excepcional, mas muito mal assessorado na hora de encaminhar sua carreira. Adoraria que o tempo provasse que estou errado, mas temo que ele não vá ganhar nenhum título pelo tempo em que estiver na Mercedes. Pelo menos, vai ganhar muito dinheiro, encher seu macacão de patrocinadores pessoais e, aposto, gravar um disco de rap que ficará muito bem produzido com a ajuda de seus amigos.

Vai ver era isso mesmo que ele queria.

12set/124

Credencial – GP da Itália de 2012

É festa, é hora de Credencial!

O nosso podcast finalmente volta a ser no formato mais completo para satisfazer os verdadeiros fãs de velocidade. Além do bloco de Fórmula 1, esta edição reúne boa parte da equipe do TotalRace para falar também de outras categorias: GP2, GP3, Nascar, Moto GP, Fórmula Indy, Rally dos Sertões, 6 Horas de SP, Brasileiro de GT e Stock Car. Ufa! Assunto é o que não falta para você ficar bem informado sobre tudo que se move em alta velocidade.

Na parte de Fórmula 1, uma boa discussão sobre a polêmica da manobra entre Sebastian Vettel e Fernando Alonso, além do termômetro sobre o mercado de pilotos e tudo o que envolveu a prova em Monza. Falamos também sobre o início do "Chase", o playoff da Nascar, a disputa pelo título da MotoGP e muito mais!

Portanto, é hora de entrar na TV Blogo para ouvir/baixar o nosso podcast. É hora de Credencial!

9set/1223

À prova de confusão

Especulações who?

A semana turbulenta de Lewis Hamilton pode tê-lo deixado imune à confusão. Nos últimos dias no paddock de Monza, só se falou numa possível transferência sua para a equipe Mercedes. O inglês deu de ombros às especulações e tratou de se concentrar na pista, o que deu grande resultado: domínio total nos treinos livres, pole-position e a primeira vitória de sua carreira no Grande Prêmio da Itália.

"Venho a este país desde meus 13 anos de idade. Aprendi a amar sua cultura, a comida e o país como um todo. Foi por isso que pintei uma bandeira italiana em meu capacete neste final de semana. Monza é um circuito histórico e fiquei pensando em todos os grandes nomes que venceram aqui. Que eu finalmente tenha conseguido é a cereja do bolo", festejou o piloto da McLaren.

Hamilton passou incólume a uma corrida bastante movimentada, cheia da acidentes, incidentes e quebras. E que trouxe também o brilho de dois pilotos que saíram do fundo do grid para o pódio. Sérgio Perez inverteu a estratégia de pneus, largando com o composto mais duro. Isso lhe rendeu dividendos ao ser o último a parar nos boxes dos que só fizeram um pitstop e ultrapassar quem tivesse pela frente na parte final da corrida. Um segundo lugar que garantiu o terceiro pódio do mexicano da Sauber na temporada.

Mas o outro grande vencedor do domingo foi Fernando Alonso. Largou em décimo, sobreviveu a uma dura e polêmica batalha contra Sebastian Vettel e terminou em terceiro lugar, vendo o abandono de adversários na luta pelo título, como Vettel, Mark Webber e Jenson Button.

"Um domingo perfeito para o campeonato, aumentando a vantagem na tabela. Uma pena a recuperação de Perez no final. Mais do que por mim, pois são apenas três pontos, sinto por não termos conseguido um pódio duplo e não ver Felipe entre os primeiros. Acho que ele merecia".

A menção do espanhol sublinha como a Ferrari ficou satisfeita em ver o brasileiro fazendo o que ela espera dele. "Fiz meu trabalho. Minha meta é fazer o melhor trabalho possível com o carro que tenho nas mãos e hoje eu fiz. Um piloto vive de resultados e hoje foi um bom resultado para a equipe", disse o brasileiro, que cedeu a posição ao espanhol a treze voltas do final.

O lance mais discutido do dia foi um que parecia um replay de uma manobra ocorrida no ano passado, só que com papéis invertidos. Agora foi a vez de Sebastian Vettel espremer Fernando Alonso para fora da pista numa tentativa de ultrapassagem na Curva Grande. O espanhol conseguiu controlar sua Ferrari, mas reclamou bastante pelo rádio. Posteriormente, Vettel recebeu uma punição de Drive Through. E não gostou. Até porque, no ano anterior, Alonso fez manobra parecida e não aconteceu nada. "Do meu ponto de vista, não foi uma punição correta. Mas não cabe a mim julgar".

Fernando Alonso se recusou a comentar a cena com a imprensa, mas o chefe da Ferrari, Stefano Domenicali, apontou que o padrão de julgamento mudou em 2012. "Depois do que aconteceu no Bahrein (manobra entre Nico Rosberg e Fernando Alonso), houve uma explicação dos comissários de que o piloto à frente deve deixar espaço no caso de quem vir atrás ter pelo menos colocado o bico no carro ao lado. Não há discussão. A manobra do ano passado pode ter sido parecida, mas neste ano a regra é diferente".

Sem fazer parte da polêmica, o chefe da McLaren, Martin Whitmarsh, acha que o fator local pesou na decisão dos comissários. "Pessoalmente, achei a punição um pouco dura. Mas, também, estamos na Itália", tripudiou.

Com o Drive Through, Vettel perdeu cinco posições. Mas a punição foi o menor de seus problemas na corrida. A seis voltas do final, o alemão abandonou a corrida com um problema no alternador quando ocupava a sexta posição.

Depois de mais uma grande corrida, aproveito o espaço dos comentários para participar da edição do "Credencial"!

8set/123

As estratégias para Monza

Lewis correndo sozinho: os indícios apontam que não será essa a realidade amanhã

A McLaren confirmou sua grande forma e colocou sua dupla de pilotos na primeira fila do grid de largada em Monza. Além disso, possui uma das melhores velocidades de reta do final de semana, o que teoricamente dificulta as ultrapassagens para quem vem atrás. Veremos mais um passeio de seus pilotos como o que Jenson Button deu na semana passada em Spa?

Não necessariamente. Foi justamente o que eu perguntei a Button depois da classificação.

“Ter mais velocidade de reta pode nos ajudar ou pode nos atrapalhar, já que não usamos a asa móvel o tempo todo amanhã. Talvez tenhamos uma sétima marcha mais longa, o que não te ajuda. Talvez eles batam no limitador com 337 km/h, enquanto nós chegamos a 341 km/h sem bater no limitador. Precisamos esperar para ver”, foi sua resposta.

Para entender melhor a resposta de Button, é preciso olhar também para a variante decisiva em Monza: os pneus. Com um pouco mais de asa que os rivais, a Ferrari espera ter um carro mais estável em freadas e curvas, sendo mais benevolente com a borracha. Já a McLaren pode voar nas longas retas de Monza, mas pode sofrer também com um desgaste maior.

E ele pode ser bem grande.

Historicamente, as provas aqui premiam a estratégia de uma parada, mas ela parece impossível pelo desgaste verificado nos pneus durante os treinos livres - especialmente o dianteiro esquerdo. A tendência é que todo mundo pare duas vezes.

Assim, a 13ª temporada do Mundial deve trazer novamente as incertezas e o amplo leque estratégico que vimos nas outras doze. Sorte nossa e sorte também de quem aparenta ter um bom carro em ritmo de corrida, como Ferrari, Red Bull e Lotus. A McLaren ainda é favorita assim, mas o equilíbrio aparente ser muito maior do que o verificado em Spa-Francorchamps.

Vai ser mais um GP para não se perder de jeito nenhum.

6set/129

Mercedes e Hamilton (e McLaren)

Uma porta para um mundo de fama e fortuna?

Eddie Jordan conseguiu o que ele (ou o que Bernie Ecclestone através dele) queria: colocou o paddock da Fórmula 1 em ebulição com a notícia de um suposto acordo entre Lewis Hamilton e Mercedes. Foi um verdadeiro temporal numa até agora modorrenta “Silly Season”, algo que garante muitas manchetes e interesse. Mas faz algum sentido?

No final das contas, foi justamente de Jenson Button o ponto de vista mais sensato do dia. “Só posso comentar sobre o que eu li. Honestamente, ficaria surpreso e não consegui imaginar Lewis pilotando em outro lugar. Se há alguma equipe que você gostaria de estar no momento, é a McLaren”.

Acho engraçado como muita gente engole qualquer rumor ventilado por alguém e compra como verdade, sem pensar. Se houve um contato entre Hamilton e a Mercedes? Certamente houve. Faz tempo que ela é uma equipe que não sabe se terá Michael Schumacher no ano que vem e seu papel é sondar eventuais alternativas. E faz tempo que o mundo sabe que Hamilton é uma possibilidade enquanto não renovar com a McLaren.

A confusão não veio em mal momento para ele também. Mas Hamilton, apesar do que alguns dizem desde ontem, demonstra bastante propensão para ficar na McLaren. Hoje declarou que o seu principal critério na hora de definir seu futuro é “vencer. É para isso que um piloto e uma equipe existem. Só é preciso ter a certeza de que você está no lugar certo para fazer isso”.

O lugar certo para fazer isso, Hamilton sabe, é a McLaren.

O piloto está no seu direito de lutar ao máximo para receber quanto quiser. Mas só vejo dois motivos para que ele troque a McLaren pela Mercedes. Um seria pelo dinheiro, mostrando que, na verdade, vencer não está no topo de suas prioridades. O outro seria pelo fator “astro”. Se associar com uma marca global como a Mercedes saciaria a propensão que ele tem para virar um superstar mundial, a chance de viver a vida de um rapper famoso mesmo sendo piloto de corridas. Talvez também isso lhe seja mais importante que as vitórias.

De um jeito ou de outro, se essa mudança vier a se concretizar (algo que, como Jenson Button, eu não acredito que aconteça), entraria no alto da lista de “worst career moves” da história da Fórmula 1.

30ago/1210

Sem saída

Ganhar (dinheiro) ou vencer (corridas), eis a questão...

Na verdade era para Lewis Hamilton já ter assinado sua renovação com a McLaren faz tempo. Afinal, que horizontes ele espera encontrar em alguma outra equipe? Correr na Ferrari de Fernando Alonso é impossível desde a explosiva convivência dos dois na mesma equipe em 2007. Red Bull? Se quisessem o inglês, não teriam corrido para renovar com Mark Webber mesmo sabendo que Hamilton estava disponível no mercado.

Na Mercedes? Bem, primeiro é preciso saber se Michael Schumacher quer se aposentar - e ele não está com pressa para decidir. De qualquer jeito, seria um passo atrás para alguém que está sentado no único carro prateado do grid capaz de brigar pelo título desta temporada, o da McLaren. Restaria a Lotus, mas é uma equipe de futuro incerto e que demonstra estar muito satisfeita com sua dupla de pilotos.

O fato é que a relutância em renovar com a McLaren reside na questão financeira. O contrato em vigor de Hamilton é de uma época em que a realidade econômica, da F-1 e Mundial, era outra. Mas ele se recusa a se adaptar à realidade atual, ciente do que é capaz de fazer quando está num final de semana endiabrado, como na Hungria.

O que Hamilton não enxergou ainda é que abrir mão de um salário astronômico é fundamental para a própria competitividade da McLaren. No final deste ano a equipe vai perder seu principal patrocinador, a Vodafone. E a Mercedes pára de ceder motores de graça para o time no final de 2013. Sem falar nos custos de manutenção da suntuosa sede da equipe e do prejuízo financeiro que a McLaren Cars causa aos cofres do grupo.

A McLaren chegou a um ponto em que cinco milhões a mais fazem uma diferença tremenda. É um dinheiro que renderia mais se for empregado no motor ou no desenvolvimento do carro. Afinal, de que adianta Hamilton renovar com a McLaren para ganhar bem, mas sem um carro competitivo em mãos?

(Texto da coluna "Direto do Paddock", publicada na edição de hoje do Diário Lance!)

13ago/128

Top 5 – Pilotos

Encerrando nossa série que faz um retrospecto do melhor desta primeira metade da temporada, os cinco pilotos que mais se destacaram até aqui na minha opinião. O primeiro era uma escolha mais do que óbvia, mas os que vem a seguir não seguem a classificação do Mundial. Confira, concorde, discorde e opine nos comentários!

1 - Fernando Alonso
Que o espanhol é um fenômeno das pistas é algo claro para mim desde o respeito que ele tinha dos outros pilotos quando ainda era um imberbe na Fórmula 3000. Os recordes de precocidade e o bicampeonato mundial pela Renault convenceram o mundo disso. Mas o Alonso “trintão” é um piloto excepcional vivendo o seu auge como esportista. A maneira como vem dominando um campeonato em que não tem o melhor carro é a melhor prova disso. Até aqui, merece com sobras o título por ter chegado muito, mas muito próximo da perfeição nas onze etapas já realizadas. Tem sido um privilégio ver essa forma de perto.

2 - Lewis Hamilton
Que legal ver um Lewis Hamilton novamente de bem consigo mesmo! Se divertindo com o que faz realmente, sem aquela cara de perdido que ele ostentou em boa parte do ano passado. O inglês da McLaren merecia muito mais que os 117 pontos somados até agora, mas acabou castigado demais por conta de inúmeros erros da equipe (o da classificação em Barcelona em especial) e eventuais confusões em corridas como a acontecida com Pastor Maldonado em Valência. Pelo que fez até aqui nos finais de semana “limpos”, merece lutar pelo título até o final.

3 - Romain Grosjean
Na sexta-feira em Melbourne, depois dos primeiros treinos livres do ano, me sentei para conversar com Romain Grosjean e quase tive um choque. Ao invés do moleque de nariz empinado que conheci em 2009 encontrei um sujeito tranquilo, simpático e atencioso. A mudança de postura é apenas um indício de como o franco-suíço amadureceu desde que comeu o pão que o diabo amassou na esfacelada Renault pela qual havia piloto nas suas primeiras corridas na F-1. Neste ano, ainda pagou pela inexperiência nas voltas iniciais de muitas provas, em demasiado até. Mas surpreendeu pela velocidade demonstrada nas classificações e pelo ritmo de corrida. Está fazendo um baita campeonato.

4 - Kimi Raikkonen
Fui um dos muitos que vislumbraram dificuldades para Kimi Raikkonen no seu retorno na Fórmula 1, seja pelo tempo longe dos monopostos ou pela dificuldade de se motivar correndo em uma equipe média. Fui um dos muitos que se enganaram. Cinco pódios em onze corridas mostra que a Lotus é sim competitiva e que o finlandês não perdeu nem um pentelhésimo de sua velocidade natural. Só precisa encaixar melhor as classificações para estar onde merece: sorvendo fartos goles de champanhe na comemoração de uma vitória sua.

5 - Sebastian Vettel
É difícil exigir algo de um piloto que na temporada anterior esteve muito próximo da perfeição. Mas o alemão da Red Bull continua somando os resultados possíveis com absoluto pragmatismo. Seus dois resultados “ruins” foram consequência de problemas alheios: a barbeiragem de um retardatário e a quebra de um diferencial. Detalhes que lhe custaram pontos importantes no campeonato. Ainda assim, sua regularidade sugere que é ele e não Mark Webber quem vai estar com mais chances na briga pelo título no final do ano. Só vai precisar ser “mais Alonso” e começar a ir além do potencial do carro com mais frequência se quiser descontar rapidamente sua diferença na tabela para o endiabrado espanhol.

11ago/126

Top 5 – Corridas

Não faz muito tempo que era impossível compilar cinco boas corridas num universo de onze. Basta voltarmos a 2010, ano de provas chatíssimas, decididas após uma rodada única de pitstops, que ao menos criaram uma emocionante disputa pelo título. Mas esta temporada tem sido pródiga em boas corridas, com a vitória decidida nas voltas finais. Continuando nossa análise da primeira parte do Mundial de 2012, escolho os cinco melhores GPs até aqui. Confere com a sua opinião?

1 - GP da Europa
Mesmo com o domínio de Sebastian Vettel na fase inicial da corrida, antes da entrada do Safety Car, a corrida em Valência já estava animada com uma série de ultrapassagens no pelotão intermediário. Depois que a neutralização juntou o grid, o bicho pegou de vez: Fernando Alonso aproveitou sua grande chance, Vettel e Romain Grosjean quebraram e a briga pelas outras posições continuou feroz, culminando com uma polêmica batida entre Lewis Hamilton e Pastor Maldonado. No final de um GP em que passamos prendendo a respiração a maior parte do tempo ainda houve a bonita apoteose do piloto espanhol com sua torcida, um daqueles momentos que marcam tanto qualquer esporte pelo nível de emoção que contém.

2 - GP do Canadá
A corrida de Montreal foi a melhor tradução até aqui para um campeonato temperado por muito equilíbrio, a importância das decisões estratégicas e as incertezas quanto ao comportamento dos pneus. Lewis Hamilton venceu tanto por ter sido o piloto mais brilhante do final de semana como por ter acertado em fazer duas paradas para andar rápido o tempo inteiro. Num circuito onde ultrapassar não seria um problema, se deu mal quem tentou para uma vez, como Sebastian Vettel e, especialmente, Fernando Alonso, que virou boi de piranha para quem vinha atrás nas voltas finais.

3 - GP da Malásia
A segunda corrida do ano já trouxe um thriller emocionante e improvável na disputa pela vitória. As primeiras gotas caíram bem na hora da largada e o início da corrida foi animado até que os céus malaios se abriram de vez, causando a interrupção da prova. No reinício, Fernando Alonso foi fazendo tudo certo enquanto seus adversários erravam. Mas o espanhol estava sendo alcançado por Sergio Perez a medida que o asfalto ia secando. A primeira vitória da Sauber parecia perto até que o mexicano cometeu um deslize nas voltas finais que o fez perder um tempo precioso. De qualquer forma, foi um daqueles casos raros de uma prova em que o segundo colocado sai também com um ar de vencedor.

4 - GP da Inglaterra
Mais uma corrida decidida apenas no final depois de uma emocionante batalha estratégica. A prova em Silverstone parecia um passeio para Fernando Alonso, que dominou a parte inicial de uma corrida no seco depois de conseguir uma improvável pole position num treino completamente molhado. Mas era o dia do caçador. Mark Webber se manteve a uma distância pequena do espanhol e preparou o bote para a parte final da corrida, quando estava com um composto de pneus mais eficiente que Alonso. Esperou algumas voltas para dar o bote no momento certo, numa bonita manobra por fora na curva Brooklands a cinco voltas do fim.

5 - GP de Mônaco
Da sala de imprensa no cais de Monte Carlo, dei um suspiro admirado quando se formou um grupo compacto de seis carros após a última rodada de pitstops da corrida. Melhor tradução de equilíbrio técnico e batalha estratégica não existe. Teria acontecido troca de posições não fosse o traçado estreito de Mônaco. Mas ainda assim, não entendo os que ficam se lamentando por isso: se você não acha alucinante um trem de seis carros parecendo um só andando a toda velocidade por aquelas apertadas e tão tradicionais esquinas, tendo ainda de lidar com as gotas de uma garoa que foi apertando nas voltas finais, você não gosta de automobilismo.