30abr/1312

Os duelos internos

Bateu a abstinência etílica ou é a velha fama dos franceses, Kimi?

Após apenas quatro corridas, a classificação do Mundial de Pilotos já aponta um desequilíbrio no duelo interno das principais equipes deste ano na Fórmula 1. Uma explicação mais simplória do que simples seria dizer apenas que “fulano é melhor que beltrano” e pronto. Mas como aqui a gente gosta de ver a categoria sob todos os ângulos possíveis, aqui vai uma análise de cada disputa interna, suas causas e consequências.

Red Bull (Sebastian Vettel +45 pontos sobre Mark Webber)
A polêmica na Malásia e os problemas na China não ajudaram a causa do australiano, mas a verdade é que ele está tomando um banho de Vettel neste ano. Não largou na frente do companheiro nenhuma vez. Pior do que isso, as distâncias nas classificações podem ser enormes - no Bahrein ficaram na casa de meio segundo no Q3. Webber teve de engolir e está claro que não digeriu a situação ocorrida em Sepang. A foto do jantar com Alonso no twitter é um indício de que vai apelar para jogos psicológicos sempre que possível. É o jeito, já que na pista não há nada que funcione a seu favor.

Lotus (Kimi Raikkonen +41 pontos sobre Romain Grosjean)
Apenas no Bahrein, quando ganhou um novo chassi, que o francês fez uma boa corrida. Saindo de trás, dosando sua agressividade na hora de ganhar posições, um desempenho que o levou ao pódio como havia acontecido no ano anterior. Mas não há como imaginar mais do que lampejos pontuais de sua parte. Kimi Raikkonen está em outra esfera, mantendo a mesma regularidade incrível ao mesmo tempo em que parece ter resolvido sua fraqueza. No ano passado, o duelo entre os dois era equilibrado em treinos classificatórios. Neste ano, está 4 a 0 para o finlandês.

Mercedes (Lewis Hamilton +36 pontos sobre Nico Rosberg)
Foi um sinal de vida importante o dado por Nico Rosberg no sábado no circuito do Sakhir. Uma volta beirando a perfeição que, mais do que a pole position, lhe valeu a certeza de que pode endurecer o duelo com Lewis Hamilton. Mas a corrida foi uma ducha de água gelada nesta perspectiva. Afinal, o problema de um desgaste acentuado demais dos pneus traseiros - repetindo o problema que afligiu o time no ano passado - acabou com sua corrida, mas não com a de Hamilton. Questão de acerto do carro ou de estilo de pilotagem? São perguntas que o alemão precisa responder rapidamente para não ver o inglês sumir na sua frente.

Ferrari (Fernando Alonso +17 pontos sobre Felipe Massa)
A menor diferença entre as duplas das equipes de ponta não pode ser apenas explicada pelo abandono precoce de Alonso na Malásia. Afinal isso vai na conta de um erro de julgamento em conjunto do piloto e de sua equipe na pitwall. Massa demonstrou sinais positivos com um bom ritmo de corrida em Melbourne e boas classificações nas duas primeiras corridas. Mas voltou a demonstrar dificuldades com os pneus nas provas seguintes - desta vez com o composto médio da Pirelli. Justamente o que deve ser utilizado na maioria dos GPs deste ano. Precisa resolver isso rapidinho. Mais que o duelo com Alonso, está em jogo seu próprio futuro na Fórmula 1.

17abr/134

O Grupo dos 4

Ferrari, Red Bull e mais duas. E só.

O Mundial de 2013 da Fórmula 1 começou marcado pela pluralidade: vitória fácil para a Lotus de Kimi Raikkonen na Austrália; polêmica à parte, uma dobradinha relativamente fácil para a Red Bull na Malásia; e um triunfo tranquilo da Ferrari de Fernando Alonso na China. Enquanto todo mundo ainda está tentando se entender com os pneus, parece que há um espaço democrático no topo do pódio. Como havia sido no início do ano passado, quando foram sete vencedores nas sete primeiras corridas, com o registro de vitórias de cinco pilotos de equipes diferentes nas cinco primeiras provas.

Mas uma olhada no Mundial de Construtores mostra que quatro equipes já se aglomeram bem na frente das outras. Um sinal de que há um limite claro e apenas membros deste “G4” luta para vencer corridas. É o espanhol Fernando Alonso quem opina: "Red Bull, Lotus, Mercedes e Ferrari estão um passo à frente do resto e quem dentre elas desenvolver melhor o carro vai ganhar boa parte das próximas corridas. Neste sentido, temos de pressionar ao máximo a fábrica para produzir novidades que nos tragam vantagem".

Para o vencedor da última corrida, apenas no meio da temporada este “grupo dos quatro” pode se afunilar ainda mais. "Preciso esperar até a pausa de verão na Europa para vermos com clareza quem realmente está na briga pelo título. Espero estar neste grupo para o segundo semestre. Espero que o Felipe (Massa) também esteja, o que sinalizaria que temos um bom carro. Mas o quadro atual é de equilíbrio e ninguém tem uma vantagem clara", afirmou Alonso.

O finlandês Kimi Raikkonen segue o mesmo discurso de Alonso e prevê um quadro de equilíbrio nas próximas etapas, começando pelo GP do Bahrein neste final de semana. "Uma equipe que é forte numa corrida acaba vivendo uma estória diferente na seguinte. Acredito que as quatro primeiras colocadas na tabela estão próximas também na pista, então quem trabalhar melhor aos sábados e aos domingos sairá vencedor. Será interessante".

16abr/1341

Repensando o espetáculo

Ultrapassagem ou mera abertura de caminho entre estratégias distintas. Nem sempre é fácil saber

A dinâmica do Grande Prêmio da China dividiu opiniões dentro do paddock da Fórmula 1. O desgaste excessivo dos pneus, especialmente do composto macio, fez com que o treino classificatório tivesse carros nos boxes a maior parte do tempo para economizar borracha. E a corrida virou um xadrez estratégico. Para complicar, as duas zonas de ativação da asa traseira móvel tornaram as ultrapassagens fáceis demais. Com tudo isso, quase nenhuma disputa ferrenha ocorreu, já que a ordem era poupar equipamento.

A Pirelli ouviu a opinião dos engenheiros e pilotos e vai avaliar a situação. Não está descartada uma mudança na composição de cada tipo de pneu a partir da quinta etapa do campeonato, o GP da Espanha.

Vettel é um dos que saiu frustrado com a dinâmica da prova. “Saber a atual divisão de forças no momento é uma piada, não parece muito uma corrida atualmente já que tudo depende exclusivamente dos pneus”.  Mas as reclamações não são unânimes. Para o chefe da Ferrari Stefano Domenicali, é mero choro de perdedor. “Os pneus são iguais para todos o importante é administrá-los bem. Reclama quem termina atrás e não reclama quem termina na frente”.

O finlandês Kimi Raikkonen foi surpreendentemente eloquente na hora de avaliar o quadro. E se mostrou satisfeito com a F-1 do jeito que está. “Não é diferente do ano passado, não sei do que as pessoas reclamam. Mesmo há dez, quinze anos atrás, você também não podia acelerar o máximo o tempo todo. É a mesma situação para todos, é parte da Fórmula 1. Os pneus funcionam bem para a classificação e é preciso cuidar deles na corrida, mas ainda dá para pisar fundo”, analisou

Perguntei em Xangai ao inglês Lewis Hamilton sobre o tema. Ele admitiu que essa dinâmica de controlar seu ritmo o tempo todo é muito mais complicado para os pilotos. “É bom mais desafiador agora, com este tipo de pneus que temos. Mas eu me divertia mais como era até 2008, quando os carros tinham melhor aerodinâmica, havia o reabastecimento e era possível andar de pé embaixo o tempo inteiro”, afirmou.

Vai ser interessante ver que tipo de corrida teremos no Bahrein. Com os compostos médios (originalmente seriam os macios, mas a Pirelli também dá sinais de repensar a situação) e duros - e com um traçado sem curvas que judiam demais da borracha - quiçá seja uma prova com mais disputas por posição. Não tenho nada contra um formato que privilegia o cuidado dos pneus e a estratégia em cima disso. Se olharmos para 2010, para as corridas mais chatas da F-1 recente, a estratégia era óbvia para todos, e a prova durava só até o primeiro dos dois pit-stops, virando um comboio depois. Mas, em Xangai, o peso em cima da estratégia foi demasiado. Seria legal encontrar um meio termo.

4abr/1314

Até onde pode ir a Lotus?

Kimi vai sumir sozinho na frente mais uma vez?

A vitória de Kimi Raikkonen na abertura da temporada - classificada pelo próprio finlandês como uma das mais fáceis de sua carreira - acabou ofuscada por uma participação discreta da dupla da Lotus na semana seguinte na Malásia. Para a direção do time, o desempenho abaixo do esperado foi uma anomalia e num final de semana mais normal, sem pista molhada na classificação e/ou na corrida para embaralhar o grid, o time voltará a brigar por vitórias.

Faz sentido. A chave para o sucesso pelo menos nestas corridas iniciais da temporada está sendo uma boa administração dos pneus, que estão desgastando em demasia. Em Sepang a Lotus não conseguiu fazer diferença pelo tempo perdido na parte inicial da prova quando o asfalto era úmido. Mas na Austrália, uma prova inteiramente no seco, Raikkonen sobrou ao imprimir um bom ritmo e fazer uma parada a menos que os principais adversários, vencendo mesmo tendo largado apenas em sétimo lugar.

Existe uma explicação para isto. A nova geração dos compostos da Pirelli foi desenvolvido utilizando o R30, o carro da equipe utilizado no Mundial de 2010, quando ela ainda era batizada como Renault. Ainda que seja um modelo com várias diferenças para o deste ano, a base é a mesma e as reações que os pilotos de testes trabalharam com aquele carro acabaram caindo como uma luva no atual.

Ainda assim, pouca gente está apostando suas fichas em um eventual título de Raikkonen (ou de Romain Grosjean, claro). O motivo disto é o orçamento da Lotus, muito menor do que os de Red Bull, Ferrari, McLaren e Mercedes. Num campeonato longo como este, o campeão será definido no ritmo de desenvolvimento do carro. Ainda que os adversários voltem a comer poeira nas próximas corridas, elas têm grana e conhecimento para descontar a desvantagem a tempo. Por mera questão financeira, o brilho da Lotus tem data de validade. E não deve demorar para expirar.

(Texto da coluna "Direto do Paddock", publicada na edição de hoje do Lance!)

8fev/132

Jerez, dia 4 – Fim do primeiro ato

A Lotus dando a impressão de que estará no mesmo ritmo do ano passado (Foto: James Moy)

A equipe Lotus teve motivos para sorrir ao final da primeira semana dos testes de pré-temporada da Fórmula 1. Na sexta-feira em Jerez de la Frontera, Kimi Raikkonen marcou o melhor tempo do dia com 1min18s148. O outro piloto do time, o francês Romain Grosjean, já havia sido o mais veloz na quarta-feira. O melhor tempo da semana, porém, ficou com o brasileiro Felipe Massa, que registrou 1min17s879 na sua melhor passagem na quinta.

Raikkonen ficou claramente satisfeito com o trabalho feito nos dois dias em que esteve ao volante do E20. "Estar no topo da folha de tempos de um teste não significa nada. Mas progredimos bem e consegui achar um acerto mais ao meu gosto. O carro parece forte e temos uma boa ideia da direção que estamos indo com as melhoras para ele", analisou.

O segundo mais rápido do dia foi o francês Jules Bianchi, da Force Índia, tido como principal candidato à segunda vaga na equipe - a única do grid que ainda não foi confirmada. Ele aproveitou a chance e ficou a apenas 27 milésimos do tempo de Kimi Raikkonen no seu primeiro contato com o VJM06.

Luiz Razia foi o único brasileiro a andar na sexta-feira. O piloto da Marussia marcou o 11º tempo e, ao contrário do primeiro dia que andou, pôde completar algumas seqüências longas de voltas para ganhar informações sobre o ritmo de corrida de seu carro.

Ainda é cedo para tirar conclusões e pretendo fazer amanhã uma análise mais profunda das lições desta semana em Jerez, mas há indícios de que o quadro de equilíbrio verificado na maior parte do ano passado continua. O que seria uma boa notícia para uma F-1 competitiva.

Na próxima semana, o trabalho das equipes ficará concentrado nas fábricas avaliando os resultados de Jerez e preparando novidades para a próxima bateria de testes, a partir do dia 19 deste mês em Barcelona.

Resultados
1    Kimi Raikkonen (FIN)        Lotus        1min18s148    83 voltas
2    Jules Bianchi (FRA)            Force Índia    1min18s175    56 voltas
3    Sebastian Vettel (ALE)        Red Bull    1min18s565    96 voltas
4    Esteban Gutierrez (MEX)        Sauber    1min18s669    142 voltas
5    Jean-Eric Vergne (FRA)        Toro Rosso    1min18s760    92 voltas
6    Lewis Hamilton (ING)        Mercedes    1min18s905    145 voltas
7    Sergio Perez (MEX)        McLaren    1min18s944    98 voltas
8    Valteri Bottas (FIN)            Williams    1min19s851    92 voltas
9    Pedro de la Rosa (ESP)        Ferrari        1min20s316    51 voltas
10    Charles Pic (FRA)            Caterham    1min21s105    109 voltas
11    Luiz Razia (BRA)            Marussia    1min21s226    82 voltas
12    Paul di Resta (ESC)        Force Índia    1min23s435    49 voltas

28jan/136

Lotus E21 – As primeiras pistas de 2013

O E21 ainda vai mudar muito. Até porque mudou pouco em relação ao E20

O primeiro carro da temporada 2013 da Fórmula 1 a ser apresentado mostrou que as mudanças técnicas serão realmente pequenas em relação aos modelos do ano passado. O E21 da equipe Lotus apresentou poucas mudanças comparando com o carro que levou Kimi Raikkonen à vitória no último GP de Abu Dhabi. O diretor-técnico do time, James Allison, explicou:

"Como as regras são praticamente iguais, você encontra neste carro muitas das ideias que existiam no modelo anterior. Mas o segredo da Fórmula 1 está nos pequenos detalhes e trabalhamos muito para que o novo modelo nos ajude a dar um salto rumo aos objetivos da equipe".

E o objetivo da Lotus é claro: ficar entre as três primeiras do campeonato. Uma meta ambiciosa, sinalizando o desejo de se intrometer no meio do “trio de ferro” da Fórmula 1, formado por Red Bull, Ferrari e McLaren. Mas de maneira nenhuma irreal, vide o terceiro lugar conquistado por Kimi Raikkonen no último Mundial de Pilotos. Fala o chefe do time Eric Boullier:

"É algo possível, o salto que demos no ano passado mostra do que somos capazes. Com a continuidade da nossa dupla de pilotos temos uma boa combinação para este ano. Para seguir na meta de sermos um dos times de ponta da F-1, precisamos de subir ao pódio de maneira consistente. Vamos trabalhar forte para isso", garantiu.

O aspecto geral do E21 deve mudar bastante ao longo dos testes em fevereiro e o carro que veremos no grid de largada em Melbourne será bastante distinto deste apresentado ontem na fábrica do time em Enstone, na Inglaterra. Mas o diretor-técnico James Allison aponta uma revisão no desenho das suspensões dianteira e traseira. O objetivo é melhorar o pacote aerodinâmico do carro.

FICHA TÉCNICA - LOTUS E21
Chassi: fibra de carbono e alumínio
Suspensão dianteira: estilo pushrod
Suspensão traseira: estilo pullrod
Câmbio: semi-automático com sete marchas
Motor: Renault RS27-2013
Gasolina: Total
Freios: AP Racing e Brembo, de carbono
Altura máxima: 0,95 m
Largura máxima: 1,80 m
Comprimento: 5,09 m
Peso: 642 kg

17dez/1222

Grosjean merece uma chance

Você promete ser mais cuidadoso nas largadas no ano que vem?

(Update) Poucas horas depois que eu escrevi este texto, a Lotus confirmou Grosjean para a próxima temporada. Assim, o texto abaixo serve como uma análise de porque eu acho que foi uma decisão acertada do time.

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Estive na Corrida dos Campeões em 2010, uma edição disputada em Düsseldorf, na Alemanha. Tinha o mesmo clima festivo, quase amistoso, de eventos deste tipo, como o Desafio das Estrelas de kart. Mas essa turma de pilotos tem a competição no DNA e, sorrisos e tapinhas nas costas à parte, todo mundo quer ganhar na hora em que a viseira se fecha. Assim, o triunfo de Romain Grosjean ontem na Tailândia ilustra que o francês tem suas qualidades como piloto.

Algo que, aliás, ficou visível na sua temporada da Fórmula 1. Velocidade em uma volta rápida ele tem de sobra. Superou Kimi Raikkonen em dez das 19 classificações que disputou, o que não é pouco. Teve uma boa fase até o meio da temporada, com pódios e exibições fortes. A atitude positiva que demonstrou após abandonar o GP de Valência por uma quebra mecânica quando ocupava uma posição que o permitiria brigar pela vitória sinaliza que ele está mais maduro também.

Mas não podemos esquecer das confusões que o francês promoveu em largadas. Foram tantas que ele até ganhou alguns apelidos dos colegas, “o maluco da primeira volta” sendo o mais significativo deles. E virou também piada pronta em mídias sociais, como nesta montagem de um desastre numa garagem. Sua imagem ficou afetada e isso atinge por tabela a confiança dos patrocinadores.

Pois essa demora na definição da segunda vaga na Lotus está no meio disso. Por um lado existe o receio de algumas marcas em associar seu nome a alguém que se envolve em tantos acidentes (fora os toques na largada que não o tiraram da prova, o francês abandonou seis vezes por acidente ou rodada) e que chegou a tomar uma suspensão da FIA. Por outro lado, existe ainda a chance do Grupo Genii encontrar um comprador para a Lotus, fazer seu caixa e ainda dar de lambuja uma vaga para algum piloto apadrinhado do novo comprador.

De um jeito ou de outro, eu daria uma nova chance para Grosjean. Pela velocidade que demonstrou em classificações, especialmente em relação a um sujeito veloz como Raikkonen. Nas corridas ele ficou devendo, mas seus três pódios mostram que ele tem potencial para aprender a ser consistente. Para mim, está atrás de Nico Hülkenberg mas à frente de Sergio Perez e Pastor Maldonado dentre os expoentes dessa nova geração. Há vaga para ele nessa Fórmula 1.

27nov/1235

O mercado para 2013

Um carro cobiçado à frente dos outros

A Williams vai anunciar Valteri Bottas até o final da semana como companheiro de Pastor Maldonado para o ano que vem. A decisão foi tomada no início da semana passada e o clima na equipe em Interlagos não era dos melhores. Muita gente da parte técnica gostaria que Bruno Senna permanecesse na equipe, acreditando que ele faria um campeonato melhor no ano que vem caso com a experiência acumulado neste ano no time de Grove e podendo participar de todas as sessões do final de semana. Mas prevaleceu o desejo de Toto Wolff em promover o finlandês, que demonstrou potencial nas sessões de sexta-feira de que participou.

A decisão colocou em marcha o mercado de piloto para as vagas restantes. No caso da Lotus, a Genii não descarta a venda da equipe se aparecer uma boa proposta. Por isso ainda não houve a confirmação do segundo piloto. Se a direção permanecer a mesma, Romain Grosjean terá seu contrato renovado. Se o dono for outro, o francês pode ficar ou podem encontrar uma alternativa.

A vaga da Force Índia é bastante atraente e a corrida excepcional de Nico Hulkenberg em Interlagos sublinhou que o carro pode ser competitivo nas condições certas. Pelo que ouvi dali, Adrian Sutil aparece com boas chances. Mas restam outros candidatos, incluindo Bruno Senna e Luiz Razia.

A Caterham estuda promover o piloto de testes Giedo Van der Garde, mas também negocia com outros nomes, incluindo o dos brasileiros. Razia andou com o carro do time no ano passado e é um na briga. Bruno Senna tem chances, restando saber se o time tem força suficiente para que ele mantenha a totalidade de seus patrocinadores - e também se uma vaga nas equipes menores lhe interessa neste estágio.

Na Marussia, o piloto de testes Max Chilton é a bola de segurança do time, mas há conversas com diversos outros pilotos. Também aqui os brasileiros possuem chances de conseguir uma vaga.

A HRT luta para encontrar um comprador e sobreviver. Existem interessados, mas a compra de um time fica um processo ainda mais complicado quando o potencial dele é pequeno e sua situação financeira é incerta.

29out/1218

Uma triste notícia

Pelo menos continuaremos a ver este sorriso

Eu deveria estar feliz pela renovação de Kimi Raikkonen com a Lotus. Por termos a chance de acompanhar por mais uma temporada o trabalho desse excepcional piloto. Voltou à Fórmula 1 depois de dois anos capotando carros de rali pelo mundo - e capotando-se às noites. Não mudou um dedo desde que chegou à categoria: vive em seu próprio mundo, mal fala com os engenheiros, não entra em simuladores para experimentar virtualmente novidades no carro ou conhecer pistas que nunca tinha andado. Simplesmente fica lá, desligado, até receber o sinal para sair dos boxes e acelerar.

E como ele tem acelerado! Com um bólido que é o quarto melhor do grid (dependendo da pista, o quinto ou sexto), vem somando pontos como se estivesse empilhando cálices de vodka. Ensaiou uma vitória no Bahrein, deu um certo calor em Lewis Hamilton na Hungria e merecia ter subido pelo menos uma vez no lugar mais alto do pódio. A três etapas do final, ainda tem chances matemáticas (mas não reais) de se sagrar campeão.

É justamente por tudo isso que estou triste. Enquanto o mundo discute nesta reta final se é Sebastian Vettel ou Fernando Alonso quem mais merece levar o título, eu acho que é o finlandês o piloto do ano. E queria muito vê-lo sentado num carro que lhe desse chances reais de tentar ser campeão pela segunda vez. Quando ele deixou a F-1 em 2009, me chateava um pouco vê-lo tão desinteressado pela categoria por duas temporadas consecutivas, como quem estivesse apenas batendo cartão e só desse tudo de si quando a corrida era em Spa. Mas neste ano de 2012 ele está fazendo um dos melhores campeonatos de sua carreira.

Onde ele poderia estar? Pela sua saída litigiosa da Ferrari - não convidem Raikkonen e Luca di Montezemolo para se sentar na mesma mesa - não veria a equipe italiana como uma alternativa válida. Mas que tal na Red Bull no lugar do insosso Mark Webber ou na McLaren ao invés do errático Sergio Perez?

Pena, muita pena mesmo que nenhum destes dois cenários se concretizou. Vamos de Kimi na Lotus mesmo. Melhor, muito melhor que nada.