17mar/1366

Liian helppo*

Apertando bem o dedão para segurar a bebida (Foto: James Moy)

Ele tomou um gole de champanhe, espirrou um pouco do que havia na garrafa para fora do pódio e tomou um outro mais prolongado. A naturalidade com que Kimi Raikkonen festejou a vitória no GP da Austrália foi a mesma com que o triunfo foi construído na pista. Na abertura de um Mundial em que todo mundo falou das dúvidas sobre o entendimento dos pneus, o finlandês da Lotus mostrou que ele já tinha todas as respostas.

"Nosso plano era fazer apenas duas paradas e conseguimos cumprir isso de maneira perfeita. A equipe trabalhou bem e tínhamos uma boa estratégia. Consegui poupar os pneus e poderia ter ido mais rápido se fosse necessário. Foi uma das minhas vitórias mais fáceis", admitiu Raikkonen no final da corrida.

Mais do que a avaliação do homem de poucas palavras, a contundência do seu triunfo fica clara vendo outros fatores. Ele largou apenas em sétimo depois do que um desempenho no treino classificatório que julgou “decepcionante”. Foi o único piloto das equipes de ponta que conseguiu para apenas duas vezes. E terminou a corrida com uma vantagem superior a 1min20s para seu companheiro de equipe, que dispunha do mesmo equipamento.

Tão inesperada quanto a vitória do finlandês foi o fracasso da Red Bull de Sebastian Vettel. O alemão começou o domingo marcando uma pole position contundente, na continuação da sessão que havia sido adiada pela chuva do dia anterior. Seu ritmo de corrida, porém, foi ruim e ele perdeu a liderança assim que parou nos boxes pela primeira vez. Acabou em terceiro lugar.

Logo à sua frente ficou Fernando Alonso, que esteve num daqueles seus dias inspirados: uma primeira volta agressiva e uma decisão estratégica de adiantar sua segunda parada o jogou da quinto lugar no grid para a segunda posição na corrida. Ele ainda tentou, mas não encontrou antídoto para superar a estratégia imbatível de Kimi Raikkonen. Mas saiu feliz da vida ao reverter a derrota momentânea no grid para Vettel e para Felipe Massa e terminar a prova na frente de ambos.

O brasileiro fez uma boa corrida, atrapalhada por um erro estratégico de não acompanhar a decisão de Alonso no segundo pit-stop. Mesmo assim, começa o ano de 2013 num patamar infinitamente acima do que havia começado o Mundial passado. Ele negou qualquer leviandade na decisão estratégica da Ferrari que o levou a cair da segunda para a quarta posição após a segunda bateria de pitstops da corrida de ontem, uma delas para o companheiro de equipe Fernando Alonso.

"Era difícil saber o que ia acontecer, porque não tínhamos noção dos pneus. Fazer duas paradas, como fez o Kimi, para mim era impossível. E também parar antes, como fez o Alonso, parecia um pouco arriscado. Nosso planejamento era tentar alongar o uso daquele jogo de pneus. Acabamos errando e perdemos duas posições importantes ", explicou.

O passado da Ferrari fez com que muita gente levantasse a suspeita de uma manobra orquestrada. Desculpe torcida brasileira, mas fazer isso é diminuir a qualidade do que fez Fernando Alonso. A estratégia inicial dos dois pilotos da Ferrari era a de parar pela segunda vez em torno da 23ª volta, mas o espanhol viu a chance de tentar ganhar a posição de Massa e de Vettel antecipando bem isto. É algo que tem até nome, o chamado "undercut". Massa não tinha como saber o efeito global disso no resultado final da prova, já que era a primeira corrida e ninguém sabia direito como os pneus se comportariam - na avaliação da Ferrari antes da corrida, parar antes poderia significar ficar com pneus desgastados demais no final da prova.

Outra maneira de enxergar como não foi uma "sacanagem orquestrada" contra Massa é notar que o brasileiro - e também Sebastian Vettel - tentaram o contra-ataque fazendo um "undercut" em cima de Alonso na última bateria de pitstops: Massa parou três voltas, o alemão duas antes do espanhol. Não funcionou porque Alonso tinha aberto uma vantagem grande o suficiente para não permitir isso. Méritos dele - e nenhum demérito dos outros. A Ferrari já interferiu na disputa entre os dois, mas insistir no discurso do jogo de equipe, neste caso específico, é coisa de gente que não entende de Fórmula 1.

Melhor seria destacar que o brasileiro se classificou à frente do espanhol no grid e teve um bom duelo com ele nas primeiras voltas, segurando a posição. Um sinal de que a temporada deste ano pode trazer uma paridade de performance entre os dois que praticamente inexistiu em 2012.

"Espero que isto aconteça a cada corrida. No final das contas, para vencer você tem que ser mais veloz que todos os pilotos. É para isso que eu trabalho. Alonso fez aqui uma grande corrida e tomou a decisão certa de parar antes naquele momento da prova. Mas certamente mostrei que estou num bom nível em relação a ele".

Apesar de ter subido no pódio em Albert Park na corrida de 2010, Massa considerou seu desempenho de ontem o melhor que já teve neste circuito. "Sempre foi uma vista em que eu sofri muito, especialmente com o desgaste dos pneus traseiros. Mas desta vez isso não aconteceu. Olhando o ano de 2012 e olhando o trabalho que fizemos neste final de semana, acho que foi um começo campeonato muito positivo".

* - "Muito fácil", em finlandês

16mar/1310

Varrendo a sujeira para debaixo do tapete

Varre, varre a bandalheira!

Toda a expectativa de milhões de fãs da Fórmula 1 no mundo todo foi literalmente por água abaixo neste sábado em Melbourne. Está certo que realmente choveu muito forte em alguns momentos durante a 1h47 que transcorreu entre o início previsto da classificação e o minuto em que a FIA anunciou o adiamento do que restou dela para amanhã. Mas houve também tempo de sobra para a realização do treino em condições de pista que pareciam possíveis.

A FIA pecou pelo excesso de zelo em alguns dos adiamentos de dez ou vinte minutos e ao resolver esperar o cair de uma pancada mais forte de chuva que vinha no radar. Ela demorou bem mais que o previsto para chegar e veio mesmo só depois do cancelamento. Pareceu que seria possível ter andando na meia hora anterior à ela se tivessem tomado a decisão para isso. Resolveram esperar (e esperar, e esperar...). O Q2 e o Q3 de amanhã levará 33 minutos para ser cumprido. Dava para ter acontecido hoje.

Está certo que ninguém quer correr o risco de dar o sinal verde e ver algum piloto se machucando porque as condições eram perigosas demais. Mas o próprio Jenson Button sublinhou nas entrevistas que o asfalto melhorava à medida que os carros circulavam. Se ao invés de deixá-los nos boxes os mandassem à pista, o risco de um acidente feio diminuiria a cada minuto.

Por se tratar da primeira sessão oficial do ano, depois de tantos meses de ansiedade, foi especialmente frustrante.

Faria sentido também definir o grid apenas pelo resultado do Q1, quando todos andaram na mesma condição de pista. Só não é possível porque o regulamento não permite. Ele reza que, se a sessão classificatória não ocorrer inteiramente, o grid seria definido pela ordem de numeração. Queriam mudar isso, mas é óbvio que a Red Bull vetou para não perder a vantagem que a regra lhe dá.

Um dos problemas da F-1 é que a exigência de unanimidade acaba sendo no final um obstáculo neste meio em que cada um só pensa em si.

Já passou faz tempo da hora de rever isso.

14mar/134

180 graus em 365 dias

Um sorriso antes de uma temporada decisiva

Daqui a poucas horas os carros da Fórmula 1 vão para a pista e finalmente deixaremos de lado as especulações para sentir de forma um pouco mais concreta como está a distribuição de forças das equipes. Na quinta, o dia de entrevistas em Melbourne, só deu para medir um pouco o astral deste ou daquele piloto: os da McLaren bastante céticos, os da Mercedes buscando baixar expectativas, um Sebastian Vettel fazendo mistério e uma dupla da Ferrari até certo ponto confiante.

Me lembro muito bem da expressão de preocupação de Felipe Massa há doze meses quando nos falamos pela primeira vez no Albert Park, depois de uma pré-temporada desastrosa. Até busquei aquela entrevista nos meus arquivos para ouvir de novo. Que diferença para o piloto relaxado e articulado que conversamos hoje. Que diferença a expectativa de ter um bom carro em mão não pode fazer. Hoje: “Se aqui for igual aos testes, seria ótimo. Porque nosso carro parecia bom na pré-temporada”.

Mesmo em perguntas sobre o lado psicológico ele esteve firme, sendo que há pouco tempo as respostas vinham não muito coesas. Não agora. “A gente vive em um mundo no qual um detalhe faz diferença, em que três décimos fazem uma diferença grande. Você tem de estar perfeito em todas as áreas – e o lado psicológico é muito importante, mesmo que você às vezes não perceba que há algo errado. Eu tive um click, que me ajudou a melhorar muito, mas acho que a melhora dos resultados foi o que mais me ajudou. E tomara que esse click fique virado para o resto da minha carreira.”

Ainda precisamos ver como é a real competitividade do F138 e como Massa vai lidar com ela. Mas, pelo menos fora da pista, na primeira entrevista num final de semana oficial de corrida, 2013 começou muito melhor do que 2012.

Clique aqui para ler mais sobre a conversa que tivemos com o brasileiro hoje em Albert Park.

12mar/1314

Dez assuntos para Melbourne

Fartos motivos para aguçar nossa curiosidade

Faltam poucos dias para a abertura da temporada e existem uma série de assuntos que valem a pena prestar atenção. Compilei abaixo os dez temas que julgo ser mais interessantes para este GP da Austrália. Confira e comente!

1) Felipe Massa
O brasileiro se mostra relaxado e animado para o início da temporada, especialmente depois de ter andado bem nas últimas corridas do ano passado. Mas terá tempo limitado para mostrar serviço para seu futuro, já que até julho a Ferrari (e as outras equipes de ponta) já devem estar fechando suas duplas para o ano que vem. Começar o ano com o pé direito é fundamental, mais do que nunca.

2) Pneus
A pré-temporada trouxe mais dúvidas do que respostas. Ficou a expectativa de que a temperatura baixa do inverno europeu tenha sido a responsável pelos desgaste excessivo dos pneus e de que em Melbourne, com temperaturas mais normais, o desempenho seria mais uniforme. A corrida deve confirmar se isso é verdade ou não.

3) Clima
Ainda em cima dos pneus: a previsão é de temperaturas amenas em Melbourne, em torno de 20 graus. O que não é o normal para a corrida e repetiria mais ou menos o clima que tivemos nos testes. Assim, a prova pode ser um festival de pitstops. E com mais um elemento complicador: a possibilidade de chuva na classificação no sábado.

4) Red Bull
Ficar longe das primeiras posições nos testes de pré-temporada não adiantou muito: a Red Bull continua no topo das previsões dos especialistas. Ficou a impressão de que o RB9 andou pesado o tempo todo e que só em Albert Park que os pilotos do time terão a chance de extrair o máximo de performance do carro. Que seria mais do que o dos adversários. A se confirmar. No ano passado se pensava o mesmo, mas quem dominou o final de semana foi a McLaren.

5) Lewis Hamilton
O filho pródigo saiu de casa e ganhou na Mercedes liberdades que não tinha na McLaren. Isto pode ter um efeito positivo para um piloto que sempre esbanjou talento e velocidade, mas se perdia na cabeça. A equipe de Brackley parece ter preparado um bom carro para esta temporada. Vale a pena conferir o que este gênio indomável vai fazer com ele nas mãos.

6) McLaren
Assumiu um discurso surpreendentemente negativo antes do GP da Austrália, não se vendo na briga por vitória nesta primeira etapa. Pode ser um blefe ou pode ser uma maneira de amenizar um final de semana desastroso. O fato é que o time encerrou 2012 com ótimas perspectivas ao vencer as duas últimas corridas. Vai ser interessante ver onde eles se colocam agora.

7) Adrian Sutil
De volta à Fórmula 1 depois de um ano no ostracismo, o alemão mostrou determinação para superar o lamentável episódio criminal de 2011 e conseguir novamente um cockpit. Vai correr num time que conhece e contra um companheiro de equipe que já superou. Resta saber se estará enferrujado na hora de fazer uma volta voadora, de largar ou de disputar uma posição na pista.

8 ) Os trapalhões
Romain Grosjean e Pastor Maldonado colecionaram confusões no ano passado. Especialmente o francês, que mostrou velocidade mas ganhou justificadamente o apelido de “maluco da primeira volta”. Um final de semana que alie boa performance com a ausência absoluta de erros é importante para que os dois demonstrem logo de cara que a história neste ano será diferente.

9) Valtteri Bottas
Não é a geração de estreantes mais brilhante que existe e, entre eles, sem dúvida o nome que mais chama a atenção é o de Valtteri Bottas. Campeão da GP3 e lapidado cuidadosamente no ano passado pela Williams, marcando bons tempos e colecionando elogios pelo desempenho nos treinos livres. Assim como Sutil, resta a dúvida se a falta de prática em corridas não lhe trará problemas nas horas decisivas desta prova na Austrália.

10) Os carros do gramado
Uma das coisas mais legais da corrida em Albert Park está nos carros expostos pela organização no gramado em frente ao paddock. Bólidos de corrida, alguns históricos, sempre no meio do clima festivo que acontece por lá. Certamente trarei eles retratados para que vocês também não percam nada do que acontece in loco.

Quais outros temas chamam a atenção de vocês para esta prova?

23mar/121

Credencial – GP da Austrália

Motivos para se embriagar de felicidade

Essas corridas em dobradinhas são sempre uma correria sem fim, especialmente as com fuso trocado. Infelizmente, isso acabou atingindo o "Credencial". Problemas de conexão e de horário impedirem a realização de uma mesa-redonda com o pessoal do Brasil. Mas o nosso podcast não poderia ficar sem sua edição e fiz uma conversa-relâmpago em cima das perguntas de vocês. Algumas não foram respondidas simplesmente porque a pilha e o tempo acabaram. Mas tenha a certeza da qualidade de sempre. E uma edição feira no calor, literalmente, do GP da Malásia. Com motores roncando na pista e tudo. Semana que vem, voltaremos no formato ideal!

Para ouvir o Credencial da Austrália, basta entrar no TV Blogo. Confira!

21mar/1244

As razões do descalabro

O camber dianteiro do F2012 em Melbourne aponta para os problemas. Do carro e de Massa.

A performance pavorosa de Felipe Massa na Austrália, ele que há dois anos não vem mostrando serviço, foi a senha para uma chuva de críticas. A revista italiana Autosprint até estampou o brasileiro na capa, clamando que ele ameaçava as chances da Ferrari no Mundial de Construtores.

O que esta manchete - e os jornalistas da revista - quiseram esconder foi que o desempenho da Ferrari como um todo foi pavoroso. E que apenas a genialidade de Fernando Alonso salvou o time de um vexame histórico. Ao apontar o cano de suas armas apenas para Massa a Autosprint relevou isso, de forma intencional ou não. Afinal, ele é sim um problema da Ferrari, mas não é “o” problema - primazia que fica com o F2012, carro com o qual é inútil qualquer discussão sobre o potencial de ser campeão entre as equipes.

Não que o desempenho do brasileiro não mereça suas críticas, muito pelo contrário. Mas ao invés de tomar o caminho fácil de olhar o resultado e apenas falar mal, vale a pena mergulharmos juntos para entender o que realmente aconteceu, sem o maniqueísmo imbecil de “porque fulano é bom e beltrano é ruim”.

Se procurarmos na história da F-1 recente uma prova em que um piloto tome um segundo por volta do companheiro de equipe, encontraremos exemplos muito esporádicos. Por mais que Massa costume andar atrás de Alonso (e numa base de seis décimos de segundo por volta), o que aconteceu em Melbourne foi anormal pela disparidade de desempenhos. E há uma explicação.

Quem viu a prova com atenção notou o camber agressivo dos pneus dianteiros do F2012. Já nos testes de inverno o F2012 se mostrou instável em freadas, algo que piora ainda mais numa pista ondulada como a de Melbourne. Este camber ajuda a minimizar isso. Mas o torna nervoso demais, o que foi sublinhado em saídas de pista de Massa (num treino livre) e Alonso (na classificação).

Isto afeta muito o brasileiro, que gosta de frear tarde e já anda com a confiança abalada. Escorregando nas curvas com um carro de traseira nervosa, Massa acabou sofrendo um desgaste acelerado dos pneus e pagou caro por isso. Na entrevista após a classificação complicada do sábado, que já anunciava o desastre do dia seguinte, perguntei para ele se o carro saía só de um jeito nas curvas, sinal de um problema pequeno de acerto. “Não. Ele sai de todos os jeitos, às vezes muda o equilíbrio durante a mesma curva”, foi a resposta. Qualquer um que já jogou um simulador um pouco mais realista num computador sabe bem o tamanho da encrenca quando um carro de corrida está assim.

Como o problema da instabilidade nas freadas acontece porque os engenheiros ainda não conseguiram otimizar a pressão aerodinâmica do carro em baixas velocidades, ainda há esperança para o time (e para Massa) de que isto seja solucionado antes do início da temporada europeia. Até lá, o brasileiro vai sofrer, especialmente em curvas de baixa. Um consolo mínimo é que elas são minoria em Sepang, onde a F-1 corre neste final de semana.

Na entrevista pós-corrida, Domenicali deixou claro que a equipe quer dar um carro competitivo a seu piloto antes de cobrá-lo. “Encontramos o problema fundamental do carro e isto é uma boa notícia. Agora, precisamos trabalhar para solucioná-lo para que Felipe não sofra nenhuma pressão extra. Sabemos que ele está pressionado, mas quero vê-lo concentrado apenas em sua pilotagem e vamos ajudá-lo para que isto aconteça”.

Ainda assim, o beco sem saída em que se encontra o brasileiro indica que seu futuro na equipe termina mesmo no final da temporada - acho pouco provável uma mudança antes disso. Mesmo que os problemas do F2012 sejam resolvidos, a genialidade de Fernando Alonso vai significar sempre um abismo grande entre os dois.

Na mesma proporção em que foi triste ver a corrida de Massa, o desempenho do espanhol foi de encher os olhos. Com um carro ruim, pulou de 12º para oitavo na largada e já era o sexto na segunda volta após o contato entre Pastor Maldonado e Romain Grosjean. Se defendeu com naturalidade da pressão do venezuelano durante boa parte da corrida e conseguiu colocar o horrível F2012 onde estava seu não tão ruim assim antecessor: atrás apenas de McLarens e Red Bulls. A eficiência de Alonso é tão infinita que apequena quem está a seu lado.

20mar/128

Marko promete reação da Red Bull em Sepang

Para austríaco, má forma do time na Austrália foi circunstancial

Ter saído da Austrália com dez pontos de desvantagem para a McLaren no Mundial de Construtores não foi visto pela Red Bull como uma maneira de minimizar o prejuízo em uma corrida totalmente dominada pelo time de Woking. Pelo contrário: para o consultor Helmut Marko, a desvantagem na abertura da temporada foi apenas pontual. Foi o que ouvi dele após a prova.

"No último dia de testes em Barcelona tivemos um problema no câmbio e mal andamos. Teria sido o dia decisivo para a análise do novo pacote do carro. Na Austrália choveu na sexta e também andamos pouco. Vettel saiu da pista no sábado de manhã e não andou com os pneus macios. Por tudo isso, os engenheiros ficaram no escuro e não sabiam bem que direção seguir com todas as peças novas que tínhamos. Mas a gente sabe do potencial do carro, só não conseguimos otimizá-lo dessa vez", analisou.

De qualquer forma, colocar seus dois pilotos entre os quatro primeiros colocados despertou um certo sentimento de revanche no austríaco. "Foi engraçado ver no sábado como os ‘grandes especialistas’ afirmavam que estávamos fora da briga e que a Red Bull tinha acabado. Estamos muito longe dessa situação! Temos mais dados agora e olhamos de forma positiva para a Malásia. É preciso de trabalhar duro, mas sabemos que não temos nenhum grande problema", observou Marko.

Além do bom desempenho de Vettel, o consultor da Red Bull acredita que o time poderia ter ido longe na Austrália também com Mark Webber, não fosse a má largada do piloto local. "Infelizmente ele apertou o botão do Kers cedo demais. Ele teve de reiniciá-lo e com isso perdeu oito metros. Isto prejudicou demais sua corrida, já que vimos que ele era o piloto mais rápido com os pneus médios ao longo de toda a prova".

A prova deste final de semana em Sepang será interessante para ver se Marko está sendo apenas otimista ou se tem razão. A abertura da temporada mostrou uma McLaren mais forte em uma vitória em que Button não foi ameaçado - nem depois que perdeu a vantagem construída com o Safety Car. Se esse quadro mudar já na Malásia, será mais um indício de que estamos diante de uma temporada que se desenha cheia de variáveis. Bem diferente - eba - da que tivemos no ano passado.

18mar/1244

Soberano Button

O rei da brincadeira, ô Jenson

A prova de abertura da Fórmula 1 2012 foi repleta de desafio para os pilotos. Na primeira corrida com o fim dos difusores soprados, ficou clara a dificuldade de encontrar uma boa estabilidade para os carros. Num dia marcado por saídas de pista, acidente e quebras, apenas um piloto mostrou ter tudo sob controle o tempo todo no GP da Austrália.

Jenson Button foi simplesmente perfeito desde a largada, quando assumiu a ponta logo na primeira curva. Abriu logo uma vantagem segura para Lewis Hamilton e não perdeu a calma nem na parte final da prova, quando o Safety Car entrou na pista. Na relargada, logo abriu vantagem para seu novo perseguidor Sebastian Vettel e passeou até o final. Não por acaso, soltou um “bem-vindo 2009” ao cruzar a linha de chegada, lembrando a temporada em que começou com tudo para se tornar campeão ao final dela.

"Estou no topo do mundo. É ótimo ganhar 25 pontos, mas o mais importante foi vencer aqui pela 3ª vez em quatro anos e começar esta temporada tão em alta", celebrou.

Mesmo com o domínio de um piloto, a corrida deste domingo teve diversos destaques. A nova dinâmica fornecida pelos pneus Pirelli, com dois compostos de desempenho parecido, trouxe um equilíbrio pouco visto no ano passado. Chance para que pilotos experientes como Sebastian Vettel (2º colocado), Fernando Alonso (5º) e Kimi Raikkonen (7º) conseguissem resultados aquém que seus equipamentos ou posições de largada permitiam.

Ou que nomes não tão experientes assim, como Pastor Maldonado e Kamui Kobayashi, mostrassem qualidade em disputas contra carros de equipes de ponta. O venezuelano da Williams acabou batendo na última volta quando perseguia Fernando Alonso, depois de uma tarde inspirada. Já o japonês mostrou a qualidade de sempre nas ultrapassagens para um ótimo sexto lugar com a Sauber.

No meio de tudo, um início decepcionante de temporada para os pilotos brasileiros, que culminou num toque entre os dois na 47ª volta, quando disputavam a 13ª colocação. Bruno Senna e Felipe Massa abandonaram por conta do entrevero, sublinhando um final de semana para esquecer o mais rápido possível. Terão a chance disso já no próximo domingo, quando acontece o GP da Malásia no circuito de Sepang.

Participe nos comentários com suas perguntas para o Credencial - o podcast do TotalRace dentro da TV Blogo.