Favoritismo real
Vendo o desempenho da Mercedes nas últimas três corridas - partindo da pole-position para a absoluta obscuridade na corrida por conta de um carro que desgasta excessivamente os pneus - seria de se imaginar que nem em Mônaco eles conseguiriam algo. Mas os treinos livres de hoje mostram que a melhor aposta para a vitória no domingo é mesmo em um dos carros prateados da equipe. Especialmente em Nico Rosberg.
O alemão foi o mais veloz nas duas sessões realizadas. Até aqui, se mostrou bem a mais à vontade do que Lewis Hamilton para tirar mais do carro numa volta rápida, com pouca gasolina. É favorito à pole e, sabemos todos, aqui é bom complicado para se ultrapassar.
Outros fatores conspiram a seu favor. O desgaste de pneus já é tradicionalmente pequeno e, mesmo com os compostos da versão 2013, Paul Hembery da Pirelli aposta numa corrida de duas paradas, com uma sendo “muito possível” de se fazer. Quanto menos pitstops, mais chances do pole fazer prevalecer sua posição de pista.
O fato do desgaste dos pneus traseiros aqui não ser a grande preocupação - e sim o dianteiro esquerdo - também ajuda ao W04, que sofre mais que os outros carros quando desgaste mais acentuado acontece nos posteriores.
Ok, ainda teremos a classificação e imprevistos podem acontecer. A sessão classificatória no sábado será acirrada e conquistar a pole position, pela primeira vez no ano podemos dizer isso, é realmente um passo importante para buscar a vitória. E quem se mostrou mais propenso a largar na frente no domingo é, sem dúvida, Nico Rosberg. Olho nele!
Os duelos internos
Após apenas quatro corridas, a classificação do Mundial de Pilotos já aponta um desequilíbrio no duelo interno das principais equipes deste ano na Fórmula 1. Uma explicação mais simplória do que simples seria dizer apenas que “fulano é melhor que beltrano” e pronto. Mas como aqui a gente gosta de ver a categoria sob todos os ângulos possíveis, aqui vai uma análise de cada disputa interna, suas causas e consequências.
Red Bull (Sebastian Vettel +45 pontos sobre Mark Webber)
A polêmica na Malásia e os problemas na China não ajudaram a causa do australiano, mas a verdade é que ele está tomando um banho de Vettel neste ano. Não largou na frente do companheiro nenhuma vez. Pior do que isso, as distâncias nas classificações podem ser enormes - no Bahrein ficaram na casa de meio segundo no Q3. Webber teve de engolir e está claro que não digeriu a situação ocorrida em Sepang. A foto do jantar com Alonso no twitter é um indício de que vai apelar para jogos psicológicos sempre que possível. É o jeito, já que na pista não há nada que funcione a seu favor.
Lotus (Kimi Raikkonen +41 pontos sobre Romain Grosjean)
Apenas no Bahrein, quando ganhou um novo chassi, que o francês fez uma boa corrida. Saindo de trás, dosando sua agressividade na hora de ganhar posições, um desempenho que o levou ao pódio como havia acontecido no ano anterior. Mas não há como imaginar mais do que lampejos pontuais de sua parte. Kimi Raikkonen está em outra esfera, mantendo a mesma regularidade incrível ao mesmo tempo em que parece ter resolvido sua fraqueza. No ano passado, o duelo entre os dois era equilibrado em treinos classificatórios. Neste ano, está 4 a 0 para o finlandês.
Mercedes (Lewis Hamilton +36 pontos sobre Nico Rosberg)
Foi um sinal de vida importante o dado por Nico Rosberg no sábado no circuito do Sakhir. Uma volta beirando a perfeição que, mais do que a pole position, lhe valeu a certeza de que pode endurecer o duelo com Lewis Hamilton. Mas a corrida foi uma ducha de água gelada nesta perspectiva. Afinal, o problema de um desgaste acentuado demais dos pneus traseiros - repetindo o problema que afligiu o time no ano passado - acabou com sua corrida, mas não com a de Hamilton. Questão de acerto do carro ou de estilo de pilotagem? São perguntas que o alemão precisa responder rapidamente para não ver o inglês sumir na sua frente.
Ferrari (Fernando Alonso +17 pontos sobre Felipe Massa)
A menor diferença entre as duplas das equipes de ponta não pode ser apenas explicada pelo abandono precoce de Alonso na Malásia. Afinal isso vai na conta de um erro de julgamento em conjunto do piloto e de sua equipe na pitwall. Massa demonstrou sinais positivos com um bom ritmo de corrida em Melbourne e boas classificações nas duas primeiras corridas. Mas voltou a demonstrar dificuldades com os pneus nas provas seguintes - desta vez com o composto médio da Pirelli. Justamente o que deve ser utilizado na maioria dos GPs deste ano. Precisa resolver isso rapidinho. Mais que o duelo com Alonso, está em jogo seu próprio futuro na Fórmula 1.
Um pole fora da briga
A Fórmula 1 recebeu com um ar de surpresa a pole position de Nico Rosberg para o GP do Bahrein, que acontece hoje com largada às 9hs de Brasília. O carro da Mercedes não havia demonstrado um grande potencial nos treinos livres, mas o alemão fez uma ótima volta em 1min32s330 para registrar sua segunda pole na carreira e superar o companheiro Lewis Hamilton numa classificação pela primeira vez no ano. Mesmo saindo da primeira posição, o alemão assumiu um discurso humilde em relação às suas chances de vitória.
- Somos melhores em classificação do que em corrida, vimos na China como sofremos mais com os pneus durante a prova. Amanhã vai ser difícil para nós, nos treinos livres haviam outras equipes tão boas ou melhores que a gente. É preciso ser cauteloso, mas dá para obter um bom resultado - analisou Rosberg.
Não é jogo de cena. Numa Fórmula 1 em que o peso das estratégias e o desgaste dos pneus são os fatores determinantes, as posições no grid de largada são cada vez mais irrelevantes. Mesmo os adversários, normalmente politicamente corretos, não fazem cerimônia em não incluir Rosberg entre os candidatos à vitória. Fala Fernando Alonso, terceiro do grid:
- Sabemos como a Mercedes sofre com a degração dos pneus. Na China, Hamilton perdeu rendimento já na quarta ou quinta volta. Os pilotos que terei de marcar durante a prova são (Sebastian) Vettel, que sai logo à minha frente, e alguns que estão atrás, incluindo Kimi (Raikkonen), que certamente vai chegar nos ponteiros em algum momento da corrida.
Com o asfalto barenita chegando a temperaturas acima de 40 graus centígrados, a expectativa é de um desgaste elevado e de várias paradas nos boxes. Quanto para cada piloto é difícil de dizer, de acordo com Vettel:
- Uma parada é impossível para todos. Fazer duas parece impossível para a maioria. Acho que serão entre três e quatro paradas. Minha aposta foi economizar pneus duros na classificação, usando apenas médios. Não tínhamos com clareza a nossa força nesta sessão, então optamos pelos médios para se classificar o mais à frente possível no grid.
Felipe Massa larga apenas em quarto lugar na corrida de hoje. Mas todas as outras equipes estarão de olho nele. Afinal, o brasileiro optou por uma estratégia diferente de pneus, se classificando com os pneus duros, os mesmos que utilizará na largada.
- Eu não estava satisfeito com o desgaste e a aderência dos médios, achava que não poderia brigar pelas primeiras posições com ele. Vendo que haveriam dois pilotos que sofreriam punições no grid (Lewis Hamilton e Mark Webber), resolvi arriscar uma coisa diferente e, por enquanto, deu certo. Vamos ver se funciona na corrida.
Embora a situação de desgaste seja tão preponderante como na prova anterior, na China, há uma diferença fundamental: no Bahrein, o principal problema acontece nos pneus traseiros. Massa explica as consequências disso:
- O jeito de pilotar muda. Esta pista tem um desgaste grande dos pneus traseiros, então você precisa ser muito mais progressivo na hora de acelerar na saída de curvas. Se for agressivo para ganhar tempo, acaba usando os pneus muito rapidamente.
O Grupo dos 4
O Mundial de 2013 da Fórmula 1 começou marcado pela pluralidade: vitória fácil para a Lotus de Kimi Raikkonen na Austrália; polêmica à parte, uma dobradinha relativamente fácil para a Red Bull na Malásia; e um triunfo tranquilo da Ferrari de Fernando Alonso na China. Enquanto todo mundo ainda está tentando se entender com os pneus, parece que há um espaço democrático no topo do pódio. Como havia sido no início do ano passado, quando foram sete vencedores nas sete primeiras corridas, com o registro de vitórias de cinco pilotos de equipes diferentes nas cinco primeiras provas.
Mas uma olhada no Mundial de Construtores mostra que quatro equipes já se aglomeram bem na frente das outras. Um sinal de que há um limite claro e apenas membros deste “G4” luta para vencer corridas. É o espanhol Fernando Alonso quem opina: "Red Bull, Lotus, Mercedes e Ferrari estão um passo à frente do resto e quem dentre elas desenvolver melhor o carro vai ganhar boa parte das próximas corridas. Neste sentido, temos de pressionar ao máximo a fábrica para produzir novidades que nos tragam vantagem".
Para o vencedor da última corrida, apenas no meio da temporada este “grupo dos quatro” pode se afunilar ainda mais. "Preciso esperar até a pausa de verão na Europa para vermos com clareza quem realmente está na briga pelo título. Espero estar neste grupo para o segundo semestre. Espero que o Felipe (Massa) também esteja, o que sinalizaria que temos um bom carro. Mas o quadro atual é de equilíbrio e ninguém tem uma vantagem clara", afirmou Alonso.
O finlandês Kimi Raikkonen segue o mesmo discurso de Alonso e prevê um quadro de equilíbrio nas próximas etapas, começando pelo GP do Bahrein neste final de semana. "Uma equipe que é forte numa corrida acaba vivendo uma estória diferente na seguinte. Acredito que as quatro primeiras colocadas na tabela estão próximas também na pista, então quem trabalhar melhor aos sábados e aos domingos sairá vencedor. Será interessante".
Currywurst*
Achei que a Force Índia acertou na mosca ao escolher Adrian Sutil em detrimento de Jules Bianchi na fase final da escolha de sua vaga remanescente para esta temporada. O alemão era a garantia de resultados sólidos, enquanto que o francês ainda não me tinha me convencido depois de uma passagem bem abaixo do esperado pela GP2 e de ser superado (de forma polêmica, é verdade) por um novato na World Series. Claro que o francês está dando o que falar com o excelente trabalho que vem fazendo na Marussia, mas ainda prefiro esperar para avaliar o quanto da sua qualidade brilha em cima das enormes deficiências de Max Chilton e também o quanto o carro da Marussia evoluiu.
Mas era subentendido que a escolha por Sutil tinha outros motivos além da pilotagem e o recente anúncio de que o time contará com motores, câmbio e hidráulica da Mercedes confirma isto. O alemão veio com o apoio de Toto Wolff, o novo homem forte do time de Stuttgart e é uma ameaça mais que realista para Paul di Resta, o queridinho do ex-chefe Norbert Haug. Aliás, vai ser uma briga boa entre os dois ao longo da temporada e é justamente os benefícios deste duelo que o time buscou ao escolher Sutil em detrimento a um estreante na F-1.
Para a Force Índia, foi um passo importante para uma certa “germanização” da equipe. A Mercedes fez um precinho camarada no pacote inteiro e roubou um cliente da McLaren (que vendia câmbio e hidráulica para o time de Silverstone até este ano). No paddock, há quem aposte que os motores da marca serão os melhores desta era V6 que se inicia no ano que vem.
A Mercedes também ganha a manutenção de um aliado na complicada política da Fórmula 1. Perder a Force Índia para a Ferrari seria também dar mais poder ao já tremendamente influente time italiano - que colocou Bianchi na Marussia e já está costurando o acordo de fornecimento de motores para ela.
Dito isto, não devemos nos surpreender com o bom início de temporada do time hindo-britânico. Em que pese o ridículo abandono duplo em Sepang por conta de uma inovação técnica para acelerar a troca de pneus que não funcionou, o time começou o ano firmemente estabelecido como a quinta força do grid. À frente da McLaren, por enquanto, e bem à frente de Sauber, Williams e Toro Rosso. Vale ficar de olho por quanto tempo eles conseguirão manter esta forma.
(* - Currywurst é o mais popular “street food” da Alemanha, uma salsicha picada banhada em gordura e num molho que mistura curry e ketchup. Eu acho um nojo, mas o povo de lá adora)
Na marca do pênalti
Se as consequências da confusão na Red Bull ainda não estão muito claras - eu apostaria numa postura conciliatória e não punitiva por parte da direção do time -, na Mercedes tudo aponta para que Ross Brawn saia como o grande derrotado do episódio ocorrido na Malásia.
Embora existam semelhanças entre as interferências das equipes na briga de seus pilotos, há uma diferença fundamental: na Mercedes, um carro (o de Hamilton) estava realmente no limite de sua resistência e o ritmo precisava ser dosado. O que vinha atrás (o de Rosberg) tinha sobras e, como o próprio piloto falou pelo rádio, poderia tentar pressionar e se aproveitar de qualquer eventualidade com a dupla da Red Bull. Ross Brawn não permitiu que isto acontecesse.
Rosberg, claro, não gostou. Hamilton também não gostou e disse que, na improvável hipótese de um cenário como este se repetir, cederia a posição ao companheiro de equipe. Niki Lauda, o consultor do time, condenou com veemência a ordem de Brawn. Toto Wolff foi mais conciliador, mas também indicou que a atitude será outra caso um episódio assim aconteça no futuro. Quando se reunirem novamente na fábrica em Brackley, todos olharão feio para o homem que passou o GP da Malásia fazendo sua velha política com o dedão enfiado no botão do rádio.
São os ventos da mudança soprando fortes nos campos da Mercedes. Nick Fry já deixou o time no último final de semana. Com a chegada iminente de Paddy Lowe no ano que vem, Brawn está com os dias contados. E, depois do ocorrido no último domingo, deve perder influência dentro do time até sua saída.
No fundo, esta é a melhor notícia de um domingo deveras confuso para a Fórmula 1. Afinal, o inglês esteve por trás de muitas das ordens de equipe recentes da categoria que tiveram o impacto de uma flecha no coração dos fãs de esporte. Quanto menos poder este tipo de gente tiver, melhor para todos nós.
Um azarão ignorado
Ele marcou a melhor volta da corrida já em sua estreia na Fórmula 1 - e com um carro apenas mediano. Depois, se tornou o único piloto a ter um retrospecto favorável num duelo interno contra o lendário Michael Schumacher - amplamente favorável, diga-se de passagem. Foi também o responsável por colocar a equipe Mercedes no topo do pódio da categoria, encerrando um hiato de quase seis décadas.
Ainda assim, ninguém fala de Nico Rosberg.
É um cenário claro como em outras equipes: se a Mercedes tiver carro para brigar pelo título, será com Lewis Hamilton. Como se fosse na Red Bull com Sebastian Vettel, na Ferrari com Fernando Alonso, na McLaren com Jenson Button ou na Lotus com Kimi Raikkonen. Ninguém vê Rosberg na liga destes grandes nomes. Ele aparece como um eterno figurante mesmo que tenha um grande carro nas mãos - e os sinais dados pela Mercedes na pré-temporada foram positivos.
Se Rosberg tem velocidade, o que lhe falta é carisma. O piloto dá entrevistas como se fosse um pugilista disputando um torneio de ginástica artística: desinteressado, arrogante e com respostas óbvias. Mas há uma diferença fundamental entre o alemão da Mercedes e os coadjuvantes das outras equipes grandes: ele nunca foi superado pelo companheiro de equipe - a não ser no seu ano de estreia e por uma diferença marginal de três pontos.
Se tem alguém que pode surpreender num duelo interno neste ano, é ele. O melhor tempo do ano para o circuito de Barcelona no último dia de testes fica de aviso. Que Lewis Hamilton não considere ganha a disputa contra seu companheiro de equipe e velho amigo. A briga ali pode ser bem mais acirrada do que se pensa. Rosberg sabe que o que fizer neste ano será decisivo para ele ser considerado um futuro campeão ou apenas um eficiente piloto que pode ganhar vez ou outra uma corrida.
Uma tribo em guerra
Já faz tempo que tenho deixado claro minha descrença no futuro imediato da equipe Mercedes. Não que eles não possam ter um 2013 melhor do que o ano passado - triunfo na China à parte, não tem muito como errar ainda mais. Mas é impressionante como reina a mais absoluta confusão numa equipe que precisa tanto de paz para finalmente encontrar o caminho do sucesso na F-1.
Na edição de ontem do “Frankfurter Allgemeiner Zeitung”, um dos mais influentes da Alemanha, dois acionários da montadora deram declarações contra a presença dela na categoria. Muito dinheiro para poucos resultados (e pouco retorno) foi o argumento mais contundente, embora um deles tenha citado que a marca sofra danos de imagem com corridas “questionáveis, em países onde a não-observação dos direitos humanos esteja no centro das críticas”. Um pensamento legítimo, mas irônico vindo de uma empresa com o passado da Mercedes. Ainda ontem, no site do “Bild Zeitung”, um porta-voz da montadora já respondeu afirmando que o compromisso dela com a F-1 é de longo prazo.
O conteúdo da discussão não importa tanto quanto o fato dela mostrar como o time não vai ter paz para trabalhar. Em todos os sentidos. Existe tensão entre acionários e o corpo diretivo da marca. Na direção esportiva, parece inevitável um conflito de interesses entre a facção austríaca de Toto Wolff e Niki Lauda com a inglesa de Ross Brawn e Nick Fry. Na equipe técnica, os rumores de uma futura vinda de Paddy Lowe - ainda na McLaren - devem assombrar as mentes de Rob Bell, Geoff Willis e Aldo Costa - por si só engenheiros respeitados e que devem receber altos salários. No meio deste caos onde cada um está mais preocupado em defender sua posição estão os responsáveis para lidar com o tão genial como genioso Lewis Hamilton nos momentos inevitáveis de derrotas e frustração que vão acontecer ao longo da temporada.
São muitos caciques para um tribo só. E a guerra pelo poder ali dentro promete ser intensa. Uma receita prática para o desastre esportivo. Estou sendo pessismista demais?
Mercedes F1 W04 – Um ano de transição?
Acima está a principal novidade da Mercedes para apagar a péssima temporada de 2013. Claro que não me refiro ao W04, o novo carro do time, mas ao piloto que está ao volante. Lewis Hamilton chega para refrescar um ambiente que há anos promete muito e consegue muito pouco.
De todas as novidades nas equipes, sem dúvida a performance do inglês será a que mais chamará atenção. No ano passado, Hamilton fez sua melhor exibição do ano em Austin, quando já corria sabendo que em breve estaria livre das amarras do esquema controlado da McLaren. Acredito que esta liberdade fará maravilhas à sua pilotagem neste ano - e não é que ele estava pilotando mal antes disso.
Mas o piloto deve aprender a conviver com a frustração do insucesso. O novo carro não difere muito do antecessor, embora os meses entre uma temporada e outra podem ter permitido que os engenheiros entendessem melhor a aerodinâmica para otimizar o efeito coanda que desenvolveram para os escapamentos. E é justamente na traseira que estão as maiores mudanças. Que são poucas, para um carro que terminou 2012 sofrendo tanto no meio do pelotão.
Técnica à parte, o que deve complicar um pouco as coisas na Mercedes é seu novo organograma. Com Toto Wolff, Ross Brawn e Niki Lauda na parte diretiva e um montão de engenheiros de renome na direção técnica, o time parece sofrer de excesso de caciques e dá para imaginar um puxa-puxa intenso de tapetes nos bastidores, o que nunca é bom. Da minha perto, espero um ano de transição. Um salto significativo em termos de resultados, provavelmente só a partir de 2014.
FICHA TÉCNICA
MERCEDES F1 W04
Chassi: fibra de carbono e alumínio
Suspensão dianteira: estilo pushrod
Suspensão traseira: estilo pullrod
Câmbio: semi-automático com sete marchas
Motor: Mercedes-Benz FO 108F
Gasolina: Mobil
Freios: Brembo
Rodas: BBS
Peso: 642 kg
A dança das cadeiras na DTM
Enquanto a Fórmula 1 permanece com três vagas em aberto, a DTM vai fechando o seu grid para a temporada de 2013 - e nunca o mercado das duas categorias foi tão relacionado. A atual campeã BMW acertou com o alemão Timo Glock, definindo suas oito vagas para o ano - um time que inclui ainda o brasileiro Augusto Farfus e o canadense Bruno Spengler, que levou o título no ano passado. Na Audi sobra apenas uma vaga em aberto e a Mercedes vive uma fase de transição com a saída de Norbert Haug, mas deve diminuir sua operação de oito para seis carros. Robert Kubica pode se juntar ao time.
A princípio, o polonês havia se acertado com alguns patrocinadores de seu país para disputar o Campeonato Europeu de Rali. Mas Kubica sonha em voltar à Fórmula 1 e ganhou o apoio de Toto Wolff, o novo chefe da Mercedes. Os dois se encontraram no início do ano e acertaram o recente teste com o modelo da DTM. O polonês sabe que um bom desempenho no turismo alemão teria muito mais visibilidade para seu projeto de voltar ao grande palco do automobilismo. Wolff quer ajudá-lo ao máximo.
Teoricamente, quatro vagas da Mercedes seriam ocupadas por pilotos que correram por ela no ano passado: Gary Paffett, Christian Vietoris, Robert Wickens e Roberto Mehri. Não faltam nomes ligados às outras duas: além de Kubica temos Robert Frijns, Jerome D’Ambrosio, Mike Conway e Oliver Turvey. Apesar de ter testado com o carro em janeiro, Bruno Senna não estaria na equação.
O brasileiro chegou a ter boas conversas com a BMW, mas a liberação de Timo Glock acelerou a decisão da marca em colocar um nome de apelo na Alemanha - algo que lhe faltava - para a última vaga. Assim, caso o brasileiro queira correr neste ano na DTM - o que eu acharia um ótimo passo para sua carreira - a única chance seria na vaga que resta na Audi. Justamente a marca que sua família trouxe para o Brasil nos anos 80.











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