11ago/126

Top 5 – Corridas

Não faz muito tempo que era impossível compilar cinco boas corridas num universo de onze. Basta voltarmos a 2010, ano de provas chatíssimas, decididas após uma rodada única de pitstops, que ao menos criaram uma emocionante disputa pelo título. Mas esta temporada tem sido pródiga em boas corridas, com a vitória decidida nas voltas finais. Continuando nossa análise da primeira parte do Mundial de 2012, escolho os cinco melhores GPs até aqui. Confere com a sua opinião?

1 - GP da Europa
Mesmo com o domínio de Sebastian Vettel na fase inicial da corrida, antes da entrada do Safety Car, a corrida em Valência já estava animada com uma série de ultrapassagens no pelotão intermediário. Depois que a neutralização juntou o grid, o bicho pegou de vez: Fernando Alonso aproveitou sua grande chance, Vettel e Romain Grosjean quebraram e a briga pelas outras posições continuou feroz, culminando com uma polêmica batida entre Lewis Hamilton e Pastor Maldonado. No final de um GP em que passamos prendendo a respiração a maior parte do tempo ainda houve a bonita apoteose do piloto espanhol com sua torcida, um daqueles momentos que marcam tanto qualquer esporte pelo nível de emoção que contém.

2 - GP do Canadá
A corrida de Montreal foi a melhor tradução até aqui para um campeonato temperado por muito equilíbrio, a importância das decisões estratégicas e as incertezas quanto ao comportamento dos pneus. Lewis Hamilton venceu tanto por ter sido o piloto mais brilhante do final de semana como por ter acertado em fazer duas paradas para andar rápido o tempo inteiro. Num circuito onde ultrapassar não seria um problema, se deu mal quem tentou para uma vez, como Sebastian Vettel e, especialmente, Fernando Alonso, que virou boi de piranha para quem vinha atrás nas voltas finais.

3 - GP da Malásia
A segunda corrida do ano já trouxe um thriller emocionante e improvável na disputa pela vitória. As primeiras gotas caíram bem na hora da largada e o início da corrida foi animado até que os céus malaios se abriram de vez, causando a interrupção da prova. No reinício, Fernando Alonso foi fazendo tudo certo enquanto seus adversários erravam. Mas o espanhol estava sendo alcançado por Sergio Perez a medida que o asfalto ia secando. A primeira vitória da Sauber parecia perto até que o mexicano cometeu um deslize nas voltas finais que o fez perder um tempo precioso. De qualquer forma, foi um daqueles casos raros de uma prova em que o segundo colocado sai também com um ar de vencedor.

4 - GP da Inglaterra
Mais uma corrida decidida apenas no final depois de uma emocionante batalha estratégica. A prova em Silverstone parecia um passeio para Fernando Alonso, que dominou a parte inicial de uma corrida no seco depois de conseguir uma improvável pole position num treino completamente molhado. Mas era o dia do caçador. Mark Webber se manteve a uma distância pequena do espanhol e preparou o bote para a parte final da corrida, quando estava com um composto de pneus mais eficiente que Alonso. Esperou algumas voltas para dar o bote no momento certo, numa bonita manobra por fora na curva Brooklands a cinco voltas do fim.

5 - GP de Mônaco
Da sala de imprensa no cais de Monte Carlo, dei um suspiro admirado quando se formou um grupo compacto de seis carros após a última rodada de pitstops da corrida. Melhor tradução de equilíbrio técnico e batalha estratégica não existe. Teria acontecido troca de posições não fosse o traçado estreito de Mônaco. Mas ainda assim, não entendo os que ficam se lamentando por isso: se você não acha alucinante um trem de seis carros parecendo um só andando a toda velocidade por aquelas apertadas e tão tradicionais esquinas, tendo ainda de lidar com as gotas de uma garoa que foi apertando nas voltas finais, você não gosta de automobilismo.

9jul/124

Foto do dia – GP do Canadá de 1980

Jackie has been experienced...

A repercussão do procedimento de entrevistas utilizado em Silverstone teve uma repercussão extremamente positiva no paddock da Fórmula 1. Ao invés das geladas entrevistas na frieza de uma sala reservada com perguntas feitas por um jornalista, os pilotos foram entrevistados ainda no calor da festa do pódio por ninguém menos que Jackie Stewart, um dos maiores embaixadores da categoria.

Fazer a associação do escocês em pódios do passado celebrando seus resultados nas pistas é algo óbvio. Mas o que pouca gente se lembra é que ele costumava também fazer entrevistas ali depois de ter se aposentado. Foi no final da década de 70 e em boa parte dos anos 80, quando Stewart trabalhava nos comentários para a emissora ABC. Como mostra a foto acima, feita em Montreal quando Alan Jones conquistou o título da temporada de 1980. Clique na imagem para ampliar!

14jun/121

Credencial – GP do Canadá 2012

Chegue na frente ouvindo o Credencial!

A gente vai aprendendo na base da tentativa e erro e o importante é evoluir sempre. Fico feliz de ver que o “Credencial” do GP do Canadá é o melhor do ano até agora, já que a participação de vocês, leitores do blog, foi utilizada de forma maciça para ajudar a fazer a pauta do programa. Uma lição aprendida em Montreal, no contato com fãs da Fórmula 1 da América do Norte. Sem eles, e sem vocês, o esporte a motor não seria um décimo do que é. Bom poder integrá-los de forma mais efetiva no programa.

Que, como de costume, traz uma ampla visão também de outras categorias: Nascar, Indy, Stock Car, GT Brasil, Porsche Cup, DTM, Le Mans e Moto GP. Uma verdadeira revista no formato MP3 sobre esporte a motor, debatida por gente que, como vocês, também ama muito tudo isso. Não perca a chance de ouvir, baixar, debater e/ou divulgar em fóruns e mídias sociais. E nos dê o seu feedback. Afinal, o nosso podcast é o seu podcast!

Como de costume, você acessa a edição do Credencial na TV Blogo.

13jun/127

Mangia che te fa bene!

Saumon au Tartarre

A primeira noite que eu passei em Montreal foi uma das melhores do ano - e por uma questão de estômago. Para conhecer o melhor restaurante que eu já comi na minha vida, entre na TV Blogo. Vale a pena! E comente, lá ou aqui, qual o melhor que você conhece. Quem sabe um dia eu posso compará-los...

12jun/124

Quanto vale o show?

"Lionel" Hamilton em ação no Canadá

Como já havia colocado no meu texto de domingo sobre o GP do Canadá, Lewis Hamilton deixou de lado as especulações sobre seu futuro na McLaren para vencer pela primeira vez no ano e reassumir a liderança do Mundial de Pilotos. Uma atitude que, no fundo, o fortalece bastante nas negociações com a equipe.

O contrato atual de Lewis Hamilton foi assinado em 2007, em condições anteriores ao “setembro negro” de 2008 quando a economia mundial iniciou uma crise em bola de neve depois da insolvência do banco norte-americano Lehman Brothers - crise que hoje paira como um abutre faminto sobre a União Europeia.

Há algumas semanas já circula nos bastidores a intenção da McLaren em ajustar o contrato do inglês à nova realidade econômica da Fórmula 1. Algo que foi confirmado numa entrevista de Ron Dennis para a Sky antes da corrida de domingo. “Ele está no final de um contrato que foi assinado em um momento quando a economia estava um pouco diferente. Agora tem que haver um equilíbrio”, pregou o chefão do Grupo McLaren, que estava presente no circuito.

Mas o momento não é da equipe fazer exigências. Enquanto os mecânicos e engenheiros acumulam erros graves nos finais de semana de corrida - nas paradas de boxes ou no erro de cálculo de combustível na classificação de Barcelona, que jogou a pole de Hamilton no lixo -, o piloto mantém a cabeça fria para somar os melhores resultados possíveis e não atacou o time em nenhum momento, algo que fazia sem cerimônia no ano passado.

E se esta liderança atual é mais de Hamilton do que da McLaren, o piloto ganha ainda mais força diante do momento horrível que vive Jenson Button. Seu desempenho no Canadá foi abaixo da crítica, como havia sido em Mônaco. Ainda que a equipe tenha assumido sua parcela de culpa no resultado pelos problemas mecânicos que deixaram Button parado nos boxes na maior parte dos treinos livres de sexta-feira, já está claro para todos em Woking que apenas um de seus pilotos tem chances de vencer o Mundial neste ano.

O que fazer num momento destes? Bancar o durão e correr o risco de enfezar o craque do time? Ou abrir os cofres para segurar sua estrela e abrir mão de uma quantia que seria empregada, de forma importante, no desenvolvimento do carro? É uma equação difícil.

Pessoalmente, acho que se Hamilton optar por buscar outra equipe de ponta para ganhar muito bem, poderia encontrar lugar apenas na Red Bull. A Mercedes adoraria tê-lo, mas os diretores de Stuttgart controlam a torneira da F-1 com enorme pragmatismo. A Ferrari tem Alonso e não há lugar para o inglês ali.

Mas a relação do campeão de 2008 com a McLaren é intrínseca e acho que eles encontrarão um denominador comum: não o corte que Ron Dennis gostaria e nem o contrato polpudo com que os novos empresários do piloto sonham. E acho que vão achar uma solução para o impasse até Silverstone, em menos de um mês. Aí, com ambas as partes livres de um possível conflito interno, não vai ser fácil segurar Hamilton.

10jun/1225

Sorrisos de sobra

"Meu garoto!"

Na metade do Grande Prêmio do Canadá, a briga pela liderança era intensa entre Lewis Hamilton, Fernando Alonso e Sebastian Vettel. Num momento em que os três contornavam a curva quatro do circuito de Montreal, a imagem da televisão captou no canto da tela dois torcedores em pé na beira de uma arquibancada e de braços abertos, celebrando a passagem dos carros como quem comemora um gol de futebol.

Foi a melhor tradução não apenas da corrida de hoje mas também de toda a temporada. Enquanto pilotos sofrem com tantos detalhes que determinam o vencedor de uma corrida, os fãs se deliciam com um equilíbrio absoluto que resultou num sétimo vencedor diferente na sétima corrida do ano. E Lewis Hamilton aproveitou a chance de subir ao degrau mais alto do pódio para assumir a liderança no Mundial de Pilotos.

Uma condição que foi propiciada pelo sucesso da estratégia de corrida de dois nomes que não estão exatamente na luta pelo título. Romain Grosjean, da Lotus, e Sergio Perez, da Sauber, foram os únicos pilotos da tarde canadense que conseguiram capitalizar fazendo apenas uma parada. Já Alonso e Vettel, que tentaram fazer o mesmo, se deram mal quando tiveram um desgaste excessivo nas voltas finais - o espanhol caiu da liderança para o quinto lugar no final, o alemão optou por uma troca emergencial de pneus e conseguiu salvar uma quarta colocação.

Assim, natural que o inglês da McLaren creditasse a vitória conquistada por uma inspirada pilotagem na pista à estratégia utilizada nos boxes: "Sabíamos que duas paradas seria a melhor opção para a corrida. E mesmo com ela eu tive de trabalhar para preservar os pneus. Quando eu abri vantagem para Alonso e Vettel depois da primeira parada, sabia que eles parariam apenas uma vez. Sabia que se eu mantivesse um bom ritmo eu os ultrapassaria no final pois eles teriam problemas para segurar o carro na pista", analisou.

Olhando em retrospecto, Hamilton iniciara o final de semana bombardeado de perguntas sobre seu futuro na McLaren. Com seu contrato terminando em dezembro e depois da equipe ter cometido diversos erros que o prejudicaram em corridas anteriores, parecia o momento propício para especular sobre uma eventual mudança de equipe. Mas ele nem quis abordar o tema, respondendo de forma firma que só pensava no campeonato, não no futuro.

Ao final da corrida de ontem, ele provou que não era conversa para boi dormir. A vitória no GP do Canadá serviu para incendiar alguém que alia velocidade e emoção em sua pilotagem. Líder do campeonato, difícil imaginar Hamilton querendo mudar de casa se está tão feliz quanto demonstrou nas entrevistas.

"Foi uma das corridas mais legais que eu tive até agora. De manhã estava pensando como seria especial para mim ganhar a corrida no mesmo lugar em que venci pela primeira vez na Fórmula 1 em 2007. Não acreditei quando cruzei a linha de chegada, tive uma explosão de alegria dentro de mim. É por isso que eu amo as corridas e quero voltar a sentir isso por muitos anos, porque espero continuar aqui por muito tempo".

Em contraste com o Hamilton perdido e errático do ano passado, o inglês realmente está provando ter reencontrado sua sintonia neste ano. Os já citados erros da equipem não o desconcentram mais, a pilotagem continua exuberante e sua regularidade é incrível, sendo o único do grid ao lado de Alonso a ter pontuado em todas as corridas aqui. Não é por acaso que o espanhol, tido como o melhor piloto do grid, afirmou ontem em Montreal: "Como já havia dito no início do ano, um piloto que eu sempre fico de olho numa disputa por um título é Lewis. Ele é meu maior rival".

Use e abuse do espaço dos comentários para concordar ou discordar do espanhol e para abordar qualquer assunto desse GP do Canadá e dessa F-1 brilhante, que nesta semana tem Credencial!

9jun/126

The Special Ones

Só fera

Quando os três primeiros colocados do grid de largada do GP do Canadá se sentaram para a entrevista coletiva aqui em Montreal, o pensamento foi inevitável: ali estavam os três grandes nomes da Fórmula 1 atual. Num ano marcado por vencedores e estrelas inesperados, pela primeira vez os talentos inquestionavelmente excepcionais de Sebastian Vettel, Lewis Hamilton e Fernando Alonso (colocados aqui pela ordem do cronômetro de hoje) ocuparam o topo de uma sessão oficial (classificação ou corrida).

Não que o apenas o talento tenha sido a explicação disso. Mas o fato é que os três vivem um ótimo momento num ano em que está sendo tão difícil se destacar. Vettel vem somando pontos com regularidade e se não fosse o incidente bobo com Narain Karthikeyan na Índia estaria na liderança do campeonato. Que é ocupada por um Alonso capaz de capitalizar a cada corrida 200% do potencial do seu carro. O fato de Lewis Hamilton não haver vencido não esconde a verdade dele estar andando quase sempre no máximo ou além do que o carro pode alcançar - e de, ao contrário do ano passado, estar com a cabeça tão no lugar que nem os seguidos erros cometidos pela equipe que o prejudicam não o atrapalham na hora de pilotar.

A lógica dessa temporada aponta que a vitória amanhã vai ficar com um deles. Mas não dá para falar em lógica no circuito Gilles Villeneuve. Os muros estão sempre à espreita e o melhor erro pode causar a entrada de um Safety Car que vai fazer a corrida de uns e arruinar a de outros.

Para falarmos um pouco das estratégias, o legal dessa prova é que ninguém sabe direito qual é a ideal. Os pneus aguentariam uma parada apenas na opinião da maioria. Mas o pitlane aqui é o mais curto da temporada e o uso de mais borracha nova poderia recompensar o tempo a mais perdido por quem fizer duas.

Enfim, ingredientes para mais uma grande corrida do que vem sendo uma grande temporada.

8jun/121

Pelas ruas e subterrâneos de Montreal

O Pelé local

Ir de metrô para uma corrida. Para mim, este é um dos grandes atrativos do GP do Canadá. E faço questão de levar vocês me acompanhar nesse passeio pelo cotidiano de Montreal, para entrar ainda mais no clima da prova desse final de semana. Entre já na TV Blogo e faça também uma saudação à fera acima!

7jun/123

Um encantador de pneus em crise

Em busca da forma perdida

No próximo final de semana o mundo do automobilismo celebra um ano de uma das melhores corridas de sua história. O GP do Canadá de 2011 foi uma ópera celebrada em três atos. O primeiro com um início de prova agitadíssimo; o segundo com a angústia da espera durante a interrupção da corrida depois de um dilúvio bíblico; o terceiro com a inesperada e dramática trajetória de Jenson Button da última colocação até a vitória, tomando a liderança na última volta. Quatro horas inesquecíveis para os fãs de velocidade.

Desde aquele domingo, a carreira de Jenson Button se tornou uma montanha russa. Nas etapas seguintes de 2011, o piloto assumiu o comando da equipe McLaren e contribuiu para plantar ainda mais dúvidas na atormentada cabeça de Lewis Hamilton. No final do ano, era Button a principal garantia de pontos da McLaren.

Se a atual temporada começou em alta com a vitória na Austrália, o piloto entrou em queda livre na sequência. Nas três provas mais recentes, apenas dois pontos somados. Pior que isso, a constatação de não se sentir confortável no carro da equipe. Que contraste com o sorridente vencedor há um ano em Montreal!

Curiosamente, o principal problema de Button permanece o mesmo do ano passado: o desempenho em treinos classificatórios, algo que ele mesmo reconhece. A diferença é que as equipes estão muito mais próximas neste ano. O que era um quarto lugar no grid em 2011 agora é uma posição fora do top 10. Largando no meio do pelotão, o “encantador de pneus” da F-1 não consegue poupar sua borracha por conta de tantas disputas por posição.

Sua torcida é para que a prova do Canadá marque uma mudança de trajetória rumo a dias melhores. Como foi no ano passado.

(Coluna "Direto do Paddock" publicada na edição de hoje do Diário Lance)