14set/127

Precisamos de comissários permanentes

É hora dos especialistas

A importância que a atuação dos comissários de prova da Fórmula 1 ganhou nos últimos anos é inegável. Por conta disso, já passou da hora da FIA colocar um grupo de especialistas para a função. Quatro pessoas responsáveis por julgar as manobras polêmicas em todas as etapas da temporada. Comissários permanentes, não rotativos como está acontecendo até aqui.

Isto evitaria situações como as que tivemos nas últimas semanas. No final de semana do GP da Bélgica, os mesmos comissários que agiram com firmeza na hora de suspender o francês Romain Grosjean por uma corrida por ter provocado o acidente na largada - uma punição que não acontecia na Fórmula 1 há dezoito anos - absolveram o inglês James Calado de um perigoso “chega prá lá” em cima do brasileiro Luiz Razia.

Sete dias depois, em Monza, quatro comissários diferentes foram rápidos em aplicar um Drive Through para Sebastian Vettel por manobra similar sobre Fernando Alonso. Pior: nem chegaram a investigar o lance em que Paul Di Resta obriga Bruno Senna a sair da pista em plena freada, apesar de reclamação da equipe Williams. Dois lances iguais na sua essência e tratados de maneira completamente diferente.

Esse tipo de inconsistência nas decisões gera o pior dos efeitos: a impressão forte de que a FIA está julgando os lances sem objetividade. Dentre os quatro comissários em Monza haviam dois italianos e uma espanhola. Não é errado imaginar que isso influenciou na hora de tomar uma decisão que, na prática, seria uma boa ajuda para as pretensões de Alonso no Mundial de Pilotos.

Ter quatro comissários permanentes, que trariam desde a abertura do campeonato o histórico de punições e agiriam em cima disso seria uma solução óbvia. Mas será que a FIA quer objetividade nas decisões?

(Texto da coluna "Direto do Paddock", publicada na edição de ontem do Diário Lance!)

12set/124

Credencial – GP da Itália de 2012

É festa, é hora de Credencial!

O nosso podcast finalmente volta a ser no formato mais completo para satisfazer os verdadeiros fãs de velocidade. Além do bloco de Fórmula 1, esta edição reúne boa parte da equipe do TotalRace para falar também de outras categorias: GP2, GP3, Nascar, Moto GP, Fórmula Indy, Rally dos Sertões, 6 Horas de SP, Brasileiro de GT e Stock Car. Ufa! Assunto é o que não falta para você ficar bem informado sobre tudo que se move em alta velocidade.

Na parte de Fórmula 1, uma boa discussão sobre a polêmica da manobra entre Sebastian Vettel e Fernando Alonso, além do termômetro sobre o mercado de pilotos e tudo o que envolveu a prova em Monza. Falamos também sobre o início do "Chase", o playoff da Nascar, a disputa pelo título da MotoGP e muito mais!

Portanto, é hora de entrar na TV Blogo para ouvir/baixar o nosso podcast. É hora de Credencial!

9set/1223

À prova de confusão

Especulações who?

A semana turbulenta de Lewis Hamilton pode tê-lo deixado imune à confusão. Nos últimos dias no paddock de Monza, só se falou numa possível transferência sua para a equipe Mercedes. O inglês deu de ombros às especulações e tratou de se concentrar na pista, o que deu grande resultado: domínio total nos treinos livres, pole-position e a primeira vitória de sua carreira no Grande Prêmio da Itália.

"Venho a este país desde meus 13 anos de idade. Aprendi a amar sua cultura, a comida e o país como um todo. Foi por isso que pintei uma bandeira italiana em meu capacete neste final de semana. Monza é um circuito histórico e fiquei pensando em todos os grandes nomes que venceram aqui. Que eu finalmente tenha conseguido é a cereja do bolo", festejou o piloto da McLaren.

Hamilton passou incólume a uma corrida bastante movimentada, cheia da acidentes, incidentes e quebras. E que trouxe também o brilho de dois pilotos que saíram do fundo do grid para o pódio. Sérgio Perez inverteu a estratégia de pneus, largando com o composto mais duro. Isso lhe rendeu dividendos ao ser o último a parar nos boxes dos que só fizeram um pitstop e ultrapassar quem tivesse pela frente na parte final da corrida. Um segundo lugar que garantiu o terceiro pódio do mexicano da Sauber na temporada.

Mas o outro grande vencedor do domingo foi Fernando Alonso. Largou em décimo, sobreviveu a uma dura e polêmica batalha contra Sebastian Vettel e terminou em terceiro lugar, vendo o abandono de adversários na luta pelo título, como Vettel, Mark Webber e Jenson Button.

"Um domingo perfeito para o campeonato, aumentando a vantagem na tabela. Uma pena a recuperação de Perez no final. Mais do que por mim, pois são apenas três pontos, sinto por não termos conseguido um pódio duplo e não ver Felipe entre os primeiros. Acho que ele merecia".

A menção do espanhol sublinha como a Ferrari ficou satisfeita em ver o brasileiro fazendo o que ela espera dele. "Fiz meu trabalho. Minha meta é fazer o melhor trabalho possível com o carro que tenho nas mãos e hoje eu fiz. Um piloto vive de resultados e hoje foi um bom resultado para a equipe", disse o brasileiro, que cedeu a posição ao espanhol a treze voltas do final.

O lance mais discutido do dia foi um que parecia um replay de uma manobra ocorrida no ano passado, só que com papéis invertidos. Agora foi a vez de Sebastian Vettel espremer Fernando Alonso para fora da pista numa tentativa de ultrapassagem na Curva Grande. O espanhol conseguiu controlar sua Ferrari, mas reclamou bastante pelo rádio. Posteriormente, Vettel recebeu uma punição de Drive Through. E não gostou. Até porque, no ano anterior, Alonso fez manobra parecida e não aconteceu nada. "Do meu ponto de vista, não foi uma punição correta. Mas não cabe a mim julgar".

Fernando Alonso se recusou a comentar a cena com a imprensa, mas o chefe da Ferrari, Stefano Domenicali, apontou que o padrão de julgamento mudou em 2012. "Depois do que aconteceu no Bahrein (manobra entre Nico Rosberg e Fernando Alonso), houve uma explicação dos comissários de que o piloto à frente deve deixar espaço no caso de quem vir atrás ter pelo menos colocado o bico no carro ao lado. Não há discussão. A manobra do ano passado pode ter sido parecida, mas neste ano a regra é diferente".

Sem fazer parte da polêmica, o chefe da McLaren, Martin Whitmarsh, acha que o fator local pesou na decisão dos comissários. "Pessoalmente, achei a punição um pouco dura. Mas, também, estamos na Itália", tripudiou.

Com o Drive Through, Vettel perdeu cinco posições. Mas a punição foi o menor de seus problemas na corrida. A seis voltas do final, o alemão abandonou a corrida com um problema no alternador quando ocupava a sexta posição.

Depois de mais uma grande corrida, aproveito o espaço dos comentários para participar da edição do "Credencial"!

8set/123

As estratégias para Monza

Lewis correndo sozinho: os indícios apontam que não será essa a realidade amanhã

A McLaren confirmou sua grande forma e colocou sua dupla de pilotos na primeira fila do grid de largada em Monza. Além disso, possui uma das melhores velocidades de reta do final de semana, o que teoricamente dificulta as ultrapassagens para quem vem atrás. Veremos mais um passeio de seus pilotos como o que Jenson Button deu na semana passada em Spa?

Não necessariamente. Foi justamente o que eu perguntei a Button depois da classificação.

“Ter mais velocidade de reta pode nos ajudar ou pode nos atrapalhar, já que não usamos a asa móvel o tempo todo amanhã. Talvez tenhamos uma sétima marcha mais longa, o que não te ajuda. Talvez eles batam no limitador com 337 km/h, enquanto nós chegamos a 341 km/h sem bater no limitador. Precisamos esperar para ver”, foi sua resposta.

Para entender melhor a resposta de Button, é preciso olhar também para a variante decisiva em Monza: os pneus. Com um pouco mais de asa que os rivais, a Ferrari espera ter um carro mais estável em freadas e curvas, sendo mais benevolente com a borracha. Já a McLaren pode voar nas longas retas de Monza, mas pode sofrer também com um desgaste maior.

E ele pode ser bem grande.

Historicamente, as provas aqui premiam a estratégia de uma parada, mas ela parece impossível pelo desgaste verificado nos pneus durante os treinos livres - especialmente o dianteiro esquerdo. A tendência é que todo mundo pare duas vezes.

Assim, a 13ª temporada do Mundial deve trazer novamente as incertezas e o amplo leque estratégico que vimos nas outras doze. Sorte nossa e sorte também de quem aparenta ter um bom carro em ritmo de corrida, como Ferrari, Red Bull e Lotus. A McLaren ainda é favorita assim, mas o equilíbrio aparente ser muito maior do que o verificado em Spa-Francorchamps.

Vai ser mais um GP para não se perder de jeito nenhum.

7set/1213

Cockpits fechados: inevitáveis?

O futuro da Fórmula 1 é este?

Na cabeça e no tema das conversas da maioria dos personagens da Fórmula 1 ainda estão vivas as cenas do acidente na largada da corrida passada, na Bélgica, quando por um pequeno milagre ninguém saiu ferido de uma colisão múltipla envolvendo seis carros.

O ocorrido trouxe de volta à tona a discussão sobre a introdução de cockpits fechados na categoria, um tema que vem sendo estudado desde o acidente com o brasileiro Felipe Massa no final de semana do GP da Hungria de 2009, quando uma mola atingiu seu capacete. O assunto ainda divide opiniões no paddock. O brasileiro da Ferrari, naturalmente, é a favor.

"É difícil ter uma ideia de suas implicações sem nunca ter experimentado, mas eu estou de acordo. Seria bom para a segurança, que vem evoluindo bastante desde o acidente com o Ayrton (Senna). E acho que seria bonito também, o carro de Fórmula 1 já tem linhas futuristas", falou Massa.

Já o bicampeão Sebastian Vettel não gosta da idéia. E por uma questão de estética. Mas vê a introdução da novidade como “inevitável”. "Não é bonito e não combina com a Fórmula 1. Mas se a principal preocupação fosse a beleza, certamente não teríamos um padrão de segurança tão alto como hoje", ponderou o piloto da Red Bull.

Há 18 meses a FIA está trabalhando em cima da ideia, mas ela ainda esbarra em algumas questões. Encontrar uma solução que permita uma rápida saída do piloto em caso de incêndio e também um esquema de pára-brisas que funcione a contento tem sido os maiores desafios até o momento.

E você, é a favor ou contra a introdução de cockpits fechados na Fórmula 1?

5set/124

O legado de Jochen Rindt

Uma perda incalculável

Neste aniversário da morte de Jochen Rindt, reproduzo este texto publicado há exatamente dois anos na versão antiga do blog, quando se completaram 40 anos daquele trágico sábado em Monza. Vale a pena reler, ou ler pela primeira vez para quem não o fez.

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O espaço da galeria é modesto. Cada espaço na parede é utilizado para abrigar fotos de Jochen Rindt, o velho campeão da Fórmula 1 falecido no dia 5 de setembro de 1970. “Era uma época fantástica. Talvez a mais bonita na história do esporte, mas infelizmente uma em que era muito difícil sobreviver”, diz Gerhard Berger, os olhos fixos nos retratos que registram toda a movimentação em frente ao box da Lotus em Monza naquela fatídica tarde.

Jochen Rindt está falando ao microfone. Ele grava uma passagem para o programa “Motorama” da televisão estatal ORF. É uma iniciativa sem paralelo na história da mídia mundial. Um formato em que a grande estrela da Fórmula 1 aparece semanalmente nos aparelhos de televisão do país dando dicas de condução, numa parte do programa, e atuando como repórter e comentarista sobre a categoria em outra parte.

Um piloto entrevistando seus colegas numa época em que abundava respeito e amizade no paddock: foi uma mistura que rendeu momentos de pura poesia para a cobertura do esporte. Foi ao microfone de Rindt que Jack Brabham deu sua única entrevista após perder a vitória no GP de Mônaco de 1970 na última curva. “Você danificou muito o carro”, pergunta o austríaco, que herdou o triunfo. “Não, quase nada. Foi o suficiente para você me passar”, explica Brabham. “Então eu tive sorte”, diz, modesto, Rindt. “Sim”, sorri o australiano.

Outra passagem arrepiante foi a feita após o GP da Alemanha, em Hockenheim. “Não estou triste com o segundo lugar. Nós tivemos uma briga muito boa. E foi ela que permitiu que a gente abrisse em relação aos outros pilotos. Eu realmente me diverti muito”, confessa Jacky Ickx a Rindt, que ainda veste a coroa de louros depois de triunfar por apenas sete décimos de segundo.

Em Monza, Rindt relata sobre o carro que está usando. “É a Lotus 72, mas sem os aerofólios porque aqui é importante ter mais velocidade em reta. Não estamos usando a Lotus Turbina. Por mais que seja um projeto promissor, eu não acho que ele já esteja pronto para o uso. Mesmo assim, temos um bom carro para tentar vencer neste final de semana”, diz. O final da última frase sai com a voz abafada pelos motores dos outros carros que cruzam o pitlane na sessão recém-iniciada. Rindt se vira ao diretor de programa, diz que vai dar umas voltas com o carro e que volta em seguida para terminar a gravação. Minutos depois ele estava morto.

Não há fotos do momento do acidente na exposição. Acho que nenhuma foi tirada, mas não seria mesmo preciso. A imagem de um mecânico da Lotus com a mão no rosto em puro desamparo diz muito sobre a dimensão da perda. Mais ainda o instantâneo do momento em que Jackie Stewart está nos boxes dando a notícia de que Rindt havia sofrido um grave acidente para sua esposa Nina. O toque final é dado pela foto do carro acidentado descansando numa garagem da região 25 anos depois, esquecido pela Lotus, pelas autoridades italianas e encontrado por mero acaso por um fã austríaco.

Eram mesmo outros tempos. Eu sempre tracei alguns paralelos entre as mortes de Rindt e de Ayrton Senna: dois pilotos vencedores, sucumbindo na pista ainda no auge de suas trajetórias. Dois homens cujos testemunhos falam acima de tudo do enorme carisma que tinham. Duas tragédias que abalaram seus países de origem, a ponto de todos se lembrarem o que faziam e onde estavam quando o fato ocorreu.

Gerhard Berger me conta: “Eu ainda não tinha me metido com automobilismo. Era um garoto, estava na casa de meus pais e me lembro de ouvir a notícia pelo rádio. Rindt e Senna são feitos do mesmo material. Infelizmente ambos morreram muito cedo. Tinham não apenas a vida inteira pela frente, mas muito sucesso a ser conquistado também. Existe uma divisão especial no nosso esporte de pilotos que estão muito acima dos outros. E os dois estavam nessa divisão, sem dúvida alguma”.

Mas as semelhanças param por aí. Ninguém busca um culpado pela morte de Jochen Rindt – embora alguns jornalistas que eram próximos ao piloto sempre sublinhem a conhecida obsessão de Colin Chapman por materiais leves como a causa da falha de um dos freios que levou ao acidente. Não há qualquer traço de revolta, qualquer acusação de Fórmula 1 assassina, como houve em 1994.

Morrer fazia parte do jogo. “É uma sensação que come seus nervos, porque a morte é a sua co-piloto. E se você se esquecer disso por um segundo, ela ganha a disputa”, escreveu o cantor Udo Jürgens na canção-homenagem “Der Champion”. Mesmo os personagens vivos hoje suspiram resignados e murmuram que “Jochen teve azar”. Nina Rindt, em entrevista à ORF: “Algumas vezes nós saíamos, esposas e namoradas de pilotos, para comprar um vestido preto para o próximo enterro. Pode parecer insensível, mas era mesmo assim naquela época”.

Sua morte, brutal e registrada em Tecnicolor na freada da curva Parabólica, foi apenas a coroação de um ano maldito que levou também Bruce McLaren e Piers Courage. A lista continuaria no ano seguinte com Ignazio Giunti, Pedro Rodriguez, Jo Siffert... “Você morreu fazendo o que gostava”, discursou ao microfone o sueco Jo Bonnier no enterro de Rindt em Graz. Palavras que seriam repetidas dois anos depois no enterro do próprio Bonnier na Suécia. Uma época em que desafiar o cronômetro era bailar numa corda bamba cujo fio era o de uma navalha.

E ninguém, ninguém mesmo bailou tão bonito sobre este fio como Jochen Rindt. “Ele foi um dos pilotos mais rápidos que já existiram. E quando se tratava de andar perto do limite, nunca houve alguém como ele”, fala Helmut Marko, amparado por imagens que mostram os carros de Rindt atravessados numa curva, o piloto cruzando o braço no contra-esterço com o olhar firme na saída dela, o pé cravado no acelerador para domar aquela veloz banheira de ferro e combustível.

Marko era mais do que o amigo do ginásio de Rindt, uma dupla cujos rachas pelas ruas de Graz eram tão famosos quanto indesejados. Era também um dos que devem a ele a chance de fazer uma carreira toda no esporte. As vitórias, a presença na mídia através do “Motorama”, a criação da feira “Jochen Rindt Show” (uma exposição especializada em automobilismo realizada anualmente em Viena e contando com a presença maciça dos maiores nomes da época): o piloto com um nariz inacreditável, bem a seu estilo explosivo, viciou uma nação inteira em velocidade.

“Antes de Jochen, pensar em automobilismo era algo como ir para a Lua. Mas foi através do seu sucesso que as portas se abriram para mim, para Lauda e para a construção dos circuitos na Áustria, o de Zeltweg e o de Salzburg”, diz o hoje conselheiro da equipe Red Bull. Helmut Marko também é firme ao especular sobre o que Rindt faria se tivesse sobrevivido ao voraz automobilismo dos anos 60/70. “Ele descobriu muito cedo o potencial do lado comercial do esporte, organizou as exposições de automobilismo. Estaria hoje ao lado de Bernie Ecclestone comandando o circo da Fórmula 1”.

Não é exagero. O homem-forte da Fórmula 1 era uma espécie de empresário de Rindt na época, além de um grande amigo pessoal. E os dois tinham planos para abrir sociedade e fundar uma equipe de Fórmula 2 em 1971. Hoje, Bernie não economiza nos superlativos na hora de falar sobre a qualidade do piloto austríaco. E empregou a filha de Jochen, Natasha, durante muitos anos na empresa que comanda a F-1. Só fecha a cara quando lhe pedem para falar do fatídico 5 de setembro de 1970. “Não quero lembrar desse dia”, disse numa entrevista à tevê austríaca, os olhos úmidos de lágrimas. Ecclestone foi até a Parabólica e constatou de perto a morte de seu parceiro. Pegou o capacete cheio de sangue, caminhou até os boxes e enfiou a peça numa bolsa de couro. Fechou o zíper e nunca mais abriu a boca para dizer o que sentiu naquele momento.

Jacky Ickx também está presente na exposição em Viena. A pele traz rugas que o mesmo Ickx retratado nas imagens das paredes não tinha. Mas o espírito da época permanece. “Jochen liderou o campeonato até a última corrida. Sinceramente, ele merecia mais do que ninguém aquele título. Quando eu tive um problema na prova de Watkins Glen que me jogou para trás, achei que tinha sido uma coisa muito boa. Prefiro perder o único título que poderia ter ganho na Fórmula 1 para alguém como ele do que superar um adversário que não tem como defender os seus pontos. Nunca tive problemas com essa situação”, explica o belga.

Na porta da galeria Westlicht já se formou uma multidão. São duas, talvez três centenas de pessoas, ansiosas para entrar no modesto espaço e reverenciar seu maior ídolo. Já se passaram quatro décadas, a Áustria fez um tricampeão do mundo, ganhou algumas dezenas de corridas, não há como ignorar o homem que deu asas ao sonho dessa torcida. “Se existe um céu, Jochen está olhando hoje para este ponto. E sorrindo ao ver que não se esqueceram dele”, aponta Ickx. Jochen morreu há 40 anos. Jochen vive.

14set/115

O curioso caso de Jenson Button

"When I was younger so much younger than today..."

Foi com um sorriso maroto e juvenil que Jenson Button me explicou sua rápida ultrapassagem sobre a quase intransponível Mercedes de Michael Schumacher no GP da Itália em Monza: “Acho que ele não esperava que eu tentasse ali”. A facilidade com que ele conseguiu superar um adversário cujo companheiro de equipe demorou mais de vinte voltas para passar deixou claro o ótimo momento que vive o piloto. Aos 31 anos de idade, Button vai mostrando qualidades que pouca gente pensava que ele possuísse.

Dá para traçar um paralelo da sua trajetória na Fórmula 1 com o personagem do filme “O curioso caso de Benjamin Button”, que nasce idoso e vai regredindo no tempo à medida que os outros envelhecem. Eu estava em Interlagos no ano 2000, sua segunda corrida na categoria, e me espantei com a classe de veterano que ele demonstrou ao ultrapassar Jos Verstappen num lugar improvável, a freada do “Bico de Pato”. Parecia que ele estava na F-1 há anos.

Suas temporadas seguintes não tiveram tanto brilho assim, talvez por ele se portar como um piloto velho e acomodado, mais preocupado com a vida de playboy fora das pistas do que com o trabalho nelas. Depois de algumas indas e vindas na sua situação contratual, ele encontrou o foco de um jovem determinado e conseguiu a primeira vitória e, anos depois, o título mundial.

Desde então, Button parece correr com a energia de um menino. Em uma temporada e meia na McLaren, dividindo o time com o excepcional Lewis Hamilton, o piloto vem realizando um trabalho notável, pontuado por atuações memoráveis como a sua vitória na corrida deste ano em Montreal. Nas últimas três corridas da temporada europeia, deixou Hamilton para trás e subiu ao pódio em todas elas, com a pilotagem endiabrada de um garoto. O tempo passa e parece que ele fica cada mais jovem.

13set/1110

Credencial – GP da Itália

Um mundo de gente para ouvir o Credencial

Essa edição ficou especialíssima, já que Monza inspira e deu para explorar bem muitos dos temas relevantes do final de semana: a força da Red Bull pós-pausa de verão, uma análise da forma de Michael Schumacher em Monza, as emocionantes brigas do pelotão intermediário - enfim, um Credencial com a profundidade de sempre e mais abrangente do que nunca. Aqui a gente discute a Fórmula 1 para fazer você pensar, sem a pretensão de querer pensá-la para você. A parte 1 traz a minha análise e a 2, a discussão em cima das perguntas de vocês. Aperte o play (ou baixe pelo link) e aproveite!

LINK PARA BAIXAR AS DUAS PARTES
Credencial - GP da Itália by Luis Fernando Ramos Ico

11set/115

Foto do dia – GP da Itália de 1978

É uma imagem rara. E emblemática. Ronnie Peterson lidera um grupo de carros no GP da Itália de 1978,. Seria legal se fosse nas primeiras voltas da corrida. Mas a imagem foi feita na volta de apresentação. E isso fez toda a diferença. Infelizmente. Clique para ampliar!