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Boicote ao Japão é injustificável

Casey Stoner ainda não decidiu se vai subir na moto em Motegi

Daqui a um mês o esporte a motor fará sua tour pelo Japão, um dos países com a torcida mais apaixonada por velocidade em todo o planeta. No dia 17 de setembro, a Fórmula Indy corre em Motegi, circuito que também vai abrigar uma etapa da Moto GP em 2 de outubro. Uma semana depois, no dia 9, é a vez da Fórmula 1 se apresentar em Suzuka.

Será a primeira visita das categorias ao país depois do devastador terremoto ocorrido no mês de março. Mas ela não acontecerá, se depender do desejo dos pilotos da Moto GP.  Afinal, o circuito de Motegi fica a apenas 150 quilômetros da usina nuclear de Fukushima e há um temor grande sobre a questão radioativa na região.

O líder do Mundial Casey Stoner já chegou a negociar categoricamente sua participação na prova. Jorge Lorenzo e Marco Simoncelli também demonstraram preocupação com frases de efeito. “Quero ter filhos saudáveis”, disse o espanhol. Depois de ouvir a opinião deles na prova do final de semana, parece que uma decisão definitiva ficará para última hora.

Além de um desrespeito, manter essa sombra de um boicote é também uma irresponsabilidade. Na mesma MotoGP, dezenas de engenheiros e mecânicos vão e voltam do Japão a cada semana, sem falar que muitos desses pilotos correm para marcas do país.

Por mais que pairassem algumas dúvidas sobre o grau do vazamento atômico ocorrido em Fukushima, não dá para passar por cima do bom senso do governo japonês, que certamente tomaria as medidas necessárias se a vida na região e no país como um todo estivesse sendo afetada por níveis altos de radiotividade.

Cobrar das autoridades informações mais detalhadas é o direito de qualquer um, mas é inadmissável criar um clima de pânico como alguns personagens da Moto GP estão fazendo.

Pelo menos na Indy (que vai usar o traçado misto de Motegi na prova deste ano já que o asfalto do oval ficou com rachaduras depois do terremoto) e na F-1 não há esse tipo de preocupação. Já basta a tragédia que assolou o país, o que o esporte precisa é demonstrar apoio e levar alegria para as pessoas de lá.

(Texto da coluna "Direto do Paddock", publicado na edição de hoje do Diário Lance!)