30abr/1312

Os duelos internos

Bateu a abstinência etílica ou é a velha fama dos franceses, Kimi?

Após apenas quatro corridas, a classificação do Mundial de Pilotos já aponta um desequilíbrio no duelo interno das principais equipes deste ano na Fórmula 1. Uma explicação mais simplória do que simples seria dizer apenas que “fulano é melhor que beltrano” e pronto. Mas como aqui a gente gosta de ver a categoria sob todos os ângulos possíveis, aqui vai uma análise de cada disputa interna, suas causas e consequências.

Red Bull (Sebastian Vettel +45 pontos sobre Mark Webber)
A polêmica na Malásia e os problemas na China não ajudaram a causa do australiano, mas a verdade é que ele está tomando um banho de Vettel neste ano. Não largou na frente do companheiro nenhuma vez. Pior do que isso, as distâncias nas classificações podem ser enormes - no Bahrein ficaram na casa de meio segundo no Q3. Webber teve de engolir e está claro que não digeriu a situação ocorrida em Sepang. A foto do jantar com Alonso no twitter é um indício de que vai apelar para jogos psicológicos sempre que possível. É o jeito, já que na pista não há nada que funcione a seu favor.

Lotus (Kimi Raikkonen +41 pontos sobre Romain Grosjean)
Apenas no Bahrein, quando ganhou um novo chassi, que o francês fez uma boa corrida. Saindo de trás, dosando sua agressividade na hora de ganhar posições, um desempenho que o levou ao pódio como havia acontecido no ano anterior. Mas não há como imaginar mais do que lampejos pontuais de sua parte. Kimi Raikkonen está em outra esfera, mantendo a mesma regularidade incrível ao mesmo tempo em que parece ter resolvido sua fraqueza. No ano passado, o duelo entre os dois era equilibrado em treinos classificatórios. Neste ano, está 4 a 0 para o finlandês.

Mercedes (Lewis Hamilton +36 pontos sobre Nico Rosberg)
Foi um sinal de vida importante o dado por Nico Rosberg no sábado no circuito do Sakhir. Uma volta beirando a perfeição que, mais do que a pole position, lhe valeu a certeza de que pode endurecer o duelo com Lewis Hamilton. Mas a corrida foi uma ducha de água gelada nesta perspectiva. Afinal, o problema de um desgaste acentuado demais dos pneus traseiros - repetindo o problema que afligiu o time no ano passado - acabou com sua corrida, mas não com a de Hamilton. Questão de acerto do carro ou de estilo de pilotagem? São perguntas que o alemão precisa responder rapidamente para não ver o inglês sumir na sua frente.

Ferrari (Fernando Alonso +17 pontos sobre Felipe Massa)
A menor diferença entre as duplas das equipes de ponta não pode ser apenas explicada pelo abandono precoce de Alonso na Malásia. Afinal isso vai na conta de um erro de julgamento em conjunto do piloto e de sua equipe na pitwall. Massa demonstrou sinais positivos com um bom ritmo de corrida em Melbourne e boas classificações nas duas primeiras corridas. Mas voltou a demonstrar dificuldades com os pneus nas provas seguintes - desta vez com o composto médio da Pirelli. Justamente o que deve ser utilizado na maioria dos GPs deste ano. Precisa resolver isso rapidinho. Mais que o duelo com Alonso, está em jogo seu próprio futuro na Fórmula 1.

20abr/132

Um pole fora da briga

Hoje, ele brilhou. Amanhã, todos apostam, se apaga.

A Fórmula 1 recebeu com um ar de surpresa a pole position de Nico Rosberg para o GP do Bahrein, que acontece hoje com largada às 9hs de Brasília. O carro da Mercedes não havia demonstrado um grande potencial nos treinos livres, mas o alemão fez uma ótima volta em 1min32s330 para registrar sua segunda pole na carreira e superar o companheiro Lewis Hamilton numa classificação pela primeira vez no ano. Mesmo saindo da primeira posição, o alemão assumiu um discurso humilde em relação às suas chances de vitória.

- Somos melhores em classificação do que em corrida, vimos na China como sofremos mais com os pneus durante a prova. Amanhã vai ser difícil para nós, nos treinos livres haviam outras equipes tão boas ou melhores que a gente. É preciso ser cauteloso, mas dá para obter um bom resultado - analisou Rosberg.

Não é jogo de cena. Numa Fórmula 1 em que o peso das estratégias e o desgaste dos pneus são os fatores determinantes, as posições no grid de largada são cada vez mais irrelevantes. Mesmo os adversários, normalmente politicamente corretos, não fazem cerimônia em não incluir Rosberg entre os candidatos à vitória. Fala Fernando Alonso, terceiro do grid:

- Sabemos como a Mercedes sofre com a degração dos pneus. Na China, Hamilton perdeu rendimento já na quarta ou quinta volta. Os pilotos que terei de marcar durante a prova são (Sebastian) Vettel, que sai logo à minha frente, e alguns que estão atrás, incluindo Kimi (Raikkonen), que certamente vai chegar nos ponteiros em algum momento da corrida.

Com o asfalto barenita chegando a temperaturas acima de 40 graus centígrados, a expectativa é de um desgaste elevado e de várias paradas nos boxes. Quanto para cada piloto é difícil de dizer, de acordo com Vettel:

- Uma parada é impossível para todos. Fazer duas parece impossível para a maioria. Acho que serão entre três e quatro paradas. Minha aposta foi economizar pneus duros na classificação, usando apenas médios. Não tínhamos com clareza a nossa força nesta sessão, então optamos pelos médios para se classificar o mais à frente possível no grid.

Felipe Massa larga apenas em quarto lugar na corrida de hoje. Mas todas as outras equipes estarão de olho nele. Afinal, o brasileiro optou por uma estratégia diferente de pneus, se classificando com os pneus duros, os mesmos que utilizará na largada.

- Eu não estava satisfeito com o desgaste e a aderência dos médios, achava que não poderia brigar pelas primeiras posições com ele. Vendo que haveriam dois pilotos que sofreriam punições no grid (Lewis Hamilton e Mark Webber), resolvi arriscar uma coisa diferente e, por enquanto, deu certo. Vamos ver se funciona na corrida.

Embora a situação de desgaste seja tão preponderante como na prova anterior, na China, há uma diferença fundamental: no Bahrein, o principal problema acontece nos pneus traseiros. Massa explica as consequências disso:

- O jeito de pilotar muda. Esta pista tem um desgaste grande dos pneus traseiros, então você precisa ser muito mais progressivo na hora de acelerar na saída de curvas. Se for agressivo para ganhar tempo, acaba usando os pneus muito rapidamente.

25mar/1333

Na marca do pênalti

Um político em final de mandato

Se as consequências da confusão na Red Bull ainda não estão muito claras - eu apostaria numa postura conciliatória e não punitiva por parte da direção do time -, na Mercedes tudo aponta para que Ross Brawn saia como o grande derrotado do episódio ocorrido na Malásia.

Embora existam semelhanças entre as interferências das equipes na briga de seus pilotos, há uma diferença fundamental: na Mercedes, um carro (o de Hamilton) estava realmente no limite de sua resistência e o ritmo precisava ser dosado. O que vinha atrás (o de Rosberg) tinha sobras e, como o próprio piloto falou pelo rádio, poderia tentar pressionar e se aproveitar de qualquer eventualidade com a dupla da Red Bull. Ross Brawn não permitiu que isto acontecesse.

Rosberg, claro, não gostou. Hamilton também não gostou e disse que, na improvável hipótese de um cenário como este se repetir, cederia a posição ao companheiro de equipe. Niki Lauda, o consultor do time, condenou com veemência a ordem de Brawn. Toto Wolff foi mais conciliador, mas também indicou que a atitude será outra caso um episódio assim aconteça no futuro. Quando se reunirem novamente na fábrica em Brackley, todos olharão feio para o homem que passou o GP da Malásia fazendo sua velha política com o dedão enfiado no botão do rádio.

São os ventos da mudança soprando fortes nos campos da Mercedes. Nick Fry já deixou o time no último final de semana. Com a chegada iminente de Paddy Lowe no ano que vem, Brawn está com os dias contados. E, depois do ocorrido no último domingo, deve perder influência dentro do time até sua saída.

No fundo, esta é a melhor notícia de um domingo deveras confuso para a Fórmula 1. Afinal, o inglês esteve por trás de muitas das ordens de equipe recentes da categoria que tiveram o impacto de uma flecha no coração dos fãs de esporte. Quanto menos poder este tipo de gente tiver, melhor para todos nós.

7mar/1322

Um azarão ignorado

Velocidade ele tem. Mas será que tem estatura para se colocar entre os grandes? (Foto: James Moy)

Ele marcou a melhor volta da corrida já em sua estreia na Fórmula 1 - e com um carro apenas mediano. Depois, se tornou o único piloto a ter um retrospecto favorável num duelo interno contra o lendário Michael Schumacher - amplamente favorável, diga-se de passagem. Foi também o responsável por colocar a equipe Mercedes no topo do pódio da categoria, encerrando um hiato de quase seis décadas.

Ainda assim, ninguém fala de Nico Rosberg.

É um cenário claro como em outras equipes: se a Mercedes tiver carro para brigar pelo título, será com Lewis Hamilton. Como se fosse na Red Bull com Sebastian Vettel, na Ferrari com Fernando Alonso, na McLaren com Jenson Button ou na Lotus com Kimi Raikkonen. Ninguém vê Rosberg na liga destes grandes nomes. Ele aparece como um eterno figurante mesmo que tenha um grande carro nas mãos - e os sinais dados pela Mercedes na pré-temporada foram positivos.

Se Rosberg tem velocidade, o que lhe falta é carisma. O piloto dá entrevistas como se fosse um pugilista disputando um torneio de ginástica artística: desinteressado, arrogante e com respostas óbvias. Mas há uma diferença fundamental entre o alemão da Mercedes e os coadjuvantes das outras equipes grandes: ele nunca foi superado pelo companheiro de equipe - a não ser no seu ano de estreia e por uma diferença marginal de três pontos.

Se tem alguém que pode surpreender num duelo interno neste ano, é ele. O melhor tempo do ano para o circuito de Barcelona no último dia de testes fica de aviso. Que Lewis Hamilton não considere ganha a disputa contra seu companheiro de equipe e velho amigo. A briga ali pode ser bem mais acirrada do que se pensa. Rosberg sabe que o que fizer neste ano será decisivo para ele ser considerado um futuro campeão ou apenas um eficiente piloto que pode ganhar vez ou outra uma corrida.

18fev/1319

Uma tribo em guerra

Onde há fumaça, há fogo

Já faz tempo que tenho deixado claro minha descrença no futuro imediato da equipe Mercedes. Não que eles não possam ter um 2013 melhor do que o ano passado - triunfo na China à parte, não tem muito como errar ainda mais. Mas é impressionante como reina a mais absoluta confusão numa equipe que precisa tanto de paz para finalmente encontrar o caminho do sucesso na F-1.

Na edição de ontem do “Frankfurter Allgemeiner Zeitung”, um dos mais influentes da Alemanha, dois acionários da montadora deram declarações contra a presença dela na categoria. Muito dinheiro para poucos resultados (e pouco retorno) foi o argumento mais contundente, embora um deles tenha citado que a marca sofra danos de imagem com corridas “questionáveis, em países onde a não-observação dos direitos humanos esteja no centro das críticas”. Um pensamento legítimo, mas irônico vindo de uma empresa com o passado da Mercedes. Ainda ontem, no site do “Bild Zeitung”, um porta-voz da montadora já respondeu afirmando que o compromisso dela com a F-1 é de longo prazo.

O conteúdo da discussão não importa tanto quanto o fato dela mostrar como o time não vai ter paz para trabalhar. Em todos os sentidos. Existe tensão entre acionários e o corpo diretivo da marca. Na direção esportiva, parece inevitável um conflito de interesses entre a facção austríaca de Toto Wolff e Niki Lauda com a inglesa de Ross Brawn e Nick Fry. Na equipe técnica, os rumores de uma futura vinda de Paddy Lowe - ainda na McLaren - devem assombrar as mentes de Rob Bell, Geoff Willis e Aldo Costa - por si só engenheiros respeitados e que devem receber altos salários. No meio deste caos onde cada um está mais preocupado em defender sua posição estão os responsáveis para lidar com o tão genial como genioso Lewis Hamilton nos momentos inevitáveis de derrotas e frustração que vão acontecer ao longo da temporada.

São muitos caciques para um tribo só. E a guerra pelo poder ali dentro promete ser intensa. Uma receita prática para o desastre esportivo. Estou sendo pessismista demais?

4fev/1311

Mercedes F1 W04 – Um ano de transição?

Mesma cor, novo modelo

Acima está a principal novidade da Mercedes para apagar a péssima temporada de 2013. Claro que não me refiro ao W04, o novo carro do time, mas ao piloto que está ao volante. Lewis Hamilton chega para refrescar um ambiente que há anos promete muito e consegue muito pouco.

De todas as novidades nas equipes, sem dúvida a performance do inglês será a que mais chamará atenção. No ano passado, Hamilton fez sua melhor exibição do ano em Austin, quando já corria sabendo que em breve estaria livre das amarras do esquema controlado da McLaren. Acredito que esta liberdade fará maravilhas à sua pilotagem neste ano - e não é que ele estava pilotando mal antes disso.

Mas o piloto deve aprender a conviver com a frustração do insucesso. O novo carro não difere muito do antecessor, embora os meses entre uma temporada e outra podem ter permitido que os engenheiros entendessem melhor a aerodinâmica para otimizar o efeito coanda que desenvolveram para os escapamentos. E é justamente na traseira que estão as maiores mudanças. Que são poucas, para um carro que terminou 2012 sofrendo tanto no meio do pelotão.

Técnica à parte, o que deve complicar um pouco as coisas na Mercedes é seu novo organograma. Com Toto Wolff, Ross Brawn e Niki Lauda na parte diretiva e um montão de  engenheiros de renome na direção técnica, o time parece sofrer de excesso de caciques e dá para imaginar um puxa-puxa intenso de tapetes nos bastidores, o que nunca é bom. Da minha perto, espero um ano de transição. Um salto significativo em termos de resultados, provavelmente só a partir de 2014.

FICHA TÉCNICA

MERCEDES F1 W04
Chassi: fibra de carbono e alumínio
Suspensão dianteira: estilo pushrod
Suspensão traseira: estilo pullrod
Câmbio: semi-automático com sete marchas
Motor: Mercedes-Benz FO 108F
Gasolina: Mobil
Freios: Brembo
Rodas: BBS
Peso: 642 kg

1mai/122

Impacto limitado

O segredo da asa traseira da Mercedes está na pauta em Mugello

A princípio, não seria incorreto dizer que estes três dias de testes no circuito de Mugello podem mudar a cara do Mundial de 2012. As equipes mais poderosas economicamente chegarão com diversas soluções diferentes a serem experimentadas para descobrir o grande segredo dessa temporada, entender o funcionamento dos pneus Pirelli, que mudaram muito em relação ao ano passado.

No caso da Red Bull, por exemplo: o time está em Mugello com o dobro de mecânicos que teve nos testes de pré-temporada, tudo para acelerar o processo de desenvolvimento nessa rara oportunidade de se testar sem ter de economizar pneus ou motores e sem a pressão por resultados. Uma chance de continuar experimentando diferentes versões de escapamento para dar mais estabilidade ao carro.

E, provavelmente, de desenvolver um sistema de duto de ar similar ao da Mercedes, algo que está provando ser fundamental em treinos classificatórios. Aqui também os ricos levam vantagem. Afinal, para fazer um buraco no chassi para que o ar circule da traseira até a dianteira é preciso fazer uma nova homologação na FIA - algo que o regulamento permite (ao contrário do ano passado), mas os complexos crash-tests necessários são bem caros.

Se o quadro aponta tempo bom para as endinheiradas Red Bull, McLaren, Ferrari e Mercedes, o calendário da Fórmula 1 traz esperança para as outras equipes do equilíbrio do início do ano se manter por mais tempo. A próxima corrida é em Barcelona, uma pista conhecida pelos técnicos por ter suas próprias leis - o comportamento do carro pode mudar completamente da manhã para a tarde e ninguém sabe direito a razão: alguns graus de diferença na temperatura, um pouco mais borracha no asfalto e o equilíbrio muda radicalmente.

De lá, a Fórmula 1 parte para três circuitos não permanentes: Mônaco, Montreal e Valência. Ou seja, serão quatro corridas em que as lições colhidas nesta semana em Mugello terão pouca valia. Ou dois meses inteiros. E em dois meses, no ritmo de desenvolvimento da categoria, as coisas mudam rapidamente.

Assim, não se apressem em tirar conclusões do futuro da temporada olhando apenas para os resultados em Mugello. Melhor esperar pelas provas de julho em Silverstone e Hockenheim. Até lá, nem tudo que reluzir será ouro. Melhor para nós e para esse excelente Mundial de 2012.

17abr/127

Credencial GP da China

Um grito acumulado há muito tempo

O nosso podcast de Fórmula 1 está de volta para explicar os fatores que levaram a Mercedes e Nico Rosberg à vitória, se o alemão pode deslanchar a partir dela, o dilema que a Williams vai enfrentar nesse ano em relação a seus pilotos, o calvário da Ferrari e a perspectiva de um campeonato histórico. Uma edição rápida, mas de jeito nenhum rasteira, explicando com propriedade as dúvidas da maioria de vocês sobre o GP da China. Confira no TV Blogo ou entre direto na página do programa para deixar seu comentário através de sua conta no Facebook.

15abr/1231

Um vencedor e um equilíbrio históricos

O líder do Mundial que ainda não venceu e o terceiro vencedor em três corridas

Nico Rosberg demorou 110 corridas para vencer pela primeira vez na Fórmula 1. Mas, para ele, a espera demorou um pouco mais. "As últimas 30 voltas duraram uma eternidade. Incrível, parecia que a corrida tinha seis horas, nunca tive uma sensação assim", falou o piloto.

O alemão deu à equipe Mercedes o primeiro triunfo na categoria desde 1955. Foi também, o terceiro filho de piloto vencedor de corridas a também ganhar na Fórmula 1, depois de Graham/Damon Hill e Gilles/Jacques Villeneuve. Keke Rosberg, o pai, se tornou o único a ver o triunfo do filho, já que os outros dois faleceram antes que seus herdeiros estreassem na F-1. Ele acompanhou a prova pela televisão de sua casa na Alemanha.

Numa corrida com muitas variantes estratégicas, largar na pole position foi fundamental. Mas o triunfo teve ajuda da estratégia da Mercedes. Com apenas duas paradas, contra três dos adversários, Rosberg jogou por terra a ideia de que o carro do time sofre um desgaste excessivo da borracha em ritmo de corrida.

Além de ter sido ajudado por um erro na última parada nos boxes do seu principal adversário na prova, o inglês Jenson Button. Com isso, o piloto da McLaren ficou preso atrás de um grupo de carros liderado por Kimi Raikkonen, que estava mais lento mas defendeu bem suas posição antes que ficasse com os pneus desgastados demais. Assim, Button só assumiu a segunda colocação a seis voltas do final, quando a diferença para Rosberg era grande demais para ser recuperada.

"Faz parte das corridas. As outras paradas foram muita boas e sempre tentamos ser perfeitos. Mas fizemos um erro no último que nos custou a chance de lutar pela vitória. Não quero diminuir Nico, que fez uma grande corrida, mas poderíamos ter alcançado mais".

Restou a Button o consolo de deixar Xangai na vice-liderança do campeonato, com 43 pontos. Dois a menos que seu companheiro de equipe Lewis Hamilton, 3º colocado na corrida. Este celebrou o equilíbrio que aconteceu na prova e também o que existe atualmente na F-1 como um todo.

"Incrível como nessa corrida tudo foi muito equilibrado entre Lotus, Red Bull, Sauber, Ferrari, Mercedes e nós. É um baita campeonato. E isso é divertido, eu gosto".

Hamilton está coberto de razão. Em um momento de decisões políticas equivocadas tomadas pelos dirigentes da categoria, a beleza da disputa esportiva mostra que o esporte ainda encanta. E muito.

Do lado dos brasileiros, a corrida da China começou com um susto para ambos. Uma fritada de pneus na primeira curva por parte de Bruno Senna não impediu que ele tivesse um leve toque com a traseira da Ferrari de Felipe Massa e perdesse um pedaço da asa dianteira:

"São coisas que acontecem em corrida, especialmente quando se chega a 280 km/h na primeira curva no meio de um monte de carros. Uma Lotus cruzou na frente do Felipe e ele teve de frear. Acabei espalhando e infelizmente toquei também no (Pastor) Maldonado. A asa do meu carro danificou um pouco mas fizemos um ajuste na primeira parada e isso melhorou o equilíbrio do carro".

A partir dali, o brasileiro da Williams conseguiu imprimir um bom ritmo e ganhou posições no pelotão intermediário mais compacto que a F-1 já viu. A dez voltas do final da prova, apenas 15 segundos separavam o 2º colocado do 14º. Era um gigantesco trem de carros em que os vagões trocaram posições de forma frenética. Bruno encerrou a prova em sétimo e comemorou a segunda prova consecutiva nos pontos.

"Foi uma grande corrida, em que tive de defender e atacar ao mesmo tempo. Passamos do ponto no segundo jogo de pneus e eu perdi posições ali. Quase estragou minha corrida, foi meio no limite. Mas o carro teve potencial para esse resultado".

Já Felipe Massa terminou em 13º lugar depois de tentar uma estratégia diferente. Mas enquanto Fernando Alonso já operou alguns milagres com o F2012, o brasileiro tem no carro a sua cruz e é o único piloto a não ter pontuado neste ano, com exceção dos que defendem as três equipes pequenas da categoria. E as perspectivas para o domingo que vem, no Bahrein, não são de mudanças não. "Teremos o mesmo carro daqui, mas para Barcelona esperamos melhorar e ter um carro mais competitivo".

Sobre o Bahrein eu falo mais amanhã. Enquanto isso, deixe nos comentários suas opiniões e perguntas para a próxima edição do Credencial!

14abr/128

Uma corrida imperdível

Kobayashi é um dos incontáveis candidatos a vencer amanhã, tamanhas as incertezas em Xangai

Os ingredientes para um domingo épico em Xangai foram temperados com uma das classificações mais surpreendentes da história recente da Fórmula 1 neste sábado. A primeira pole-position de Nico Rosberg na categoria, com o companheiro de equipe Michael Schumacher largando a seu lado, era inesperada. Mas talvez nem tanto quanto o japonês Kamui Kobayashi em terceiro e o finlandês Kimi Raikkonen em quarto no grid.

A perspectiva de emoção fica ainda maior pelo conhecido fato de que, nas duas primeiras corridas do ano, os carros da Mercedes apresentaram na corrida um ritmo infinitamente pior que o da classificação. Não é por menos que um feliz Nico Rosberg foi bem cauteloso ao analisar suas chances na prova. “Temos de trabalhar duro para tentar entender e melhorar o ritmo de corrida – e temos melhorado ultimamente. Mas é muito difícil saber o quão bem iremos amanhã e se é o bastante para vencer”.

Fiz questão de abordar Kobayashi com esse dado. A Sauber costuma apresentar um bom ritmo de prova. Perguntei se ele pensava na possibilidade de vencer. "Não estou pensando nisso. A melhor coisa é pensar em mim mesmo e o que tenho de usar no carro para ter a melhor performance. Nunca largamos desta posição, então isso é diferente. Vamos ver o que podemos fazer amanhã."

Falei com Monisha Kaltenborn, a diretora do time, que seguiu a mesma linha. “É difícil falar sobre colocações. Muita coisa precisa combinar: estratégia, acerto, a forma do piloto..”, respondeu, pedindo licença em seguida para dar um apertado abraço no piloto japonês. O time suíço tem um dos melhores climas internos no paddock e isso está ainda mais claro neste ano em que bons resultados estão acontecendo.

A queda da temperatura ambiente na parte final do treino explica em parte o grid embaralhado do GP da China. Como a janela ideal de funcionamento dos pneus Pirelli é muito pequena, carros que privilegiaram um acerto com mais downforce se deram bem - caso de Mercedes e Sauber. E os favoritos patinaram, caso de McLaren e também da Red Bull. E, num certo grau, de Kimi Raikkonen.

Assim, não são poucos os que apontam boas chances para o finlandês na prova de amanhã. No final do dia hoje, quando quase uma centena de personagens no paddock se encontraram para uma corrida coletiva (a pé) pela pista, falei com o engenheiro de Kobayashi, o italiano Francesco Nenci, sobre a possibilidade de vencer. Ele imediatamente apontou para o colega do lado, que trabalha na Lotus com o finlandês. “Quem está com chances melhores é ele”.

Seria legal. Mas não se pode e nem se deve descartar a força de McLaren e Red Bull. Se o clima esquentar amanhã, como diz a previsão, seus carros não sofrerão como hoje e Button, Webber, Vettel e principalmente Lewis Hamilton virão babando do meio do pelotão. Vai ser um espetáculo bonito de se ver.

Uma última informação relevante para acompanharmos esta corrida. Ao contrário do que aconteceu nas duas primeiras corridas do ano e também na pré-temporada, aqui em Xangai são os pneus dianteiros que estão sofrendo desgaste maior. Um domingo com temperaturas mais altas pode jogar o desgaste novamente para os traseiros. Por isso que Kaltenborn citou o acerto como um dos fatores decisivos para amanhã. Quem deixou a dianteira mais “presa” (ou com melhor aderência) se beneficiou hoje, mas pode inversamente sofrer bastante amanhã. Num dos grids mais equilibrados que eu já vi - apenas seis décimos de segundo separaram os quinze (!) primeiros no Q2 -, faltam dedos nas mãos para apontar pilotos que podem vencer a prova.

Assim é bom demais!