19fev/136

Williams FW35 – Esquisito e polêmico, mas ao menos diferente

Até Pastor Maldonado parece incrédulo com o projeto de Mike Coughlan (Foto: James Moy)

A Williams esperou até a segunda bateria de testes para apresentar o seu carro para a temporada de 2013 da Fórmula 1. E fez valer o tempo extra que teve para trabalhar nele. O FW35 possui diferenças significativas para o carro do ano passado - e também para os de seus adversários deste ano. As entradas de ar laterais e uma traseira extremamente compacta chamaram a atenção. E já criaram polêmica.

A discussão ontem em Barcelona girou em torno do escapamento do carro. Com os times fazendo o possível para aproveitar o fluxo dos gases ali para ganhar em pressão aerodinâmica, o projetista Mike Coughlan inovou no desenho da saída do escapamento. Mas o diretor-técnico da FIA, Charlie Whiting, esteve no circuito e já deixou claro que não vai tolerar a solução usada pelo time (e também no carro da Caterham) de fechar a carroceria em torno da saída de ar.

Este pequeno contratempo não deve diminuir o potencial que Coughlan buscou atingir com o carro. A parte de trás ficou muito mais leve com mudanças na caixa de câmbio e no eixo traseiro. O aspecto frontal também mudou, com um nariz alto e largo que cria uma espécie de túnel na parte debaixo do carro, uma solução que lembra a que foi adotada pelo novo carro da Ferrari.

Os riscos assumidos por Mike Coughlan são procedentes. No ano passado, o time quebrou o jejum de vitórias com o triunfo de Pastor Maldonado no GP da Espanha, mas o desempenho do time no restante do ano fez que a conquista parecesse obra do acaso. Agora é hora de andar regularmente entre os primeiros e lutar por pódios com certa frequência. Por isso, arriscar faz todo o sentido.

WILLIAMS FW35
Chassi: fibra de carbono e alumínio
Suspensão dianteira: estilo pushrod
Suspensão traseira: estilo pullrod
Câmbio: semi-automático com sete marchas
Motor: Renault RS27-2013
Gasolina: Total
Freios: AP
Rodas: Rays
Peso: 642 kg

27dez/1212

Os piores de 2012

Já é uma tradição do meu blog a eleição dos piores e dos melhores do ano. E numa temporada que foi tudo de boa, nem tudo foi bom. Equipes que decepcionaram ou não fizeram valer as expectativas, pilotos que tiveram momentos ruins e outras bobagens que não fizeram jus a um grande ano da Fórmula 1 ganharam espaço na nossa lista. Que, como sempre, vai em ordem crescente, com o pior, pior mesmo do ano lá no fim do post. Boa leitura e dê também os seus pitacos nos comentários!

10 - Os erros da McLaren
Num ano muito equilibrado, a equipe de Woking teve dois momentos de superioridade de performance: nas primeiras corridas e no auge do verão europeu. Em ambas, não capitalizou isso por uma sucessão de erros. Na parte inicial, o grande problema da equipe foi uma série de pit-stops desastrados. Depois o time se acertou, bateu diversos recordes de tempo de parada. Mas aí a confiabilidade decaiu, com quebras que tiraram do time uma dobradinha em Monza e uma vitória em Cingapura - e, mais tarde, outra vitória que parecia certa em Abu Dhabi. Resultados que custaram à McLaren o vice-campeonato entre os Construtores. E, com isso, alguns milhões a menos na conta.

9 - A “polêmica” de Interlagos
Foi uma das melhores finais de campeonato da história, um GP de tirar o fôlego do início ao fim. Mas que teve um epílogo estúpido, feito através da cegueira de torcedores travestidos de jornalistas na Europa, fazendo barulho por nada ao invés de fazer seu trabalho propriamente, consultando a FIA antes de escrever um monte de besteiras em seus veículos. Tivessem feito isto, saberiam que a entidade nunca questionou a ultrapassagem de Vettel sobre Jean-Eric Vergne pois conheciam as regras e sabiam que havia uma bandeira verde agitada no início da reta. Criaram uma polêmica que jamais existiu.

8 - Michael Schumacher em Cingapura
Se o conjunto da obra do alemão nestes três anos de Mercedes é triste, até que neste 2012 ele teve alguns brilhos eventuais, como o pódio em Valência e o melhor tempo na classificação em Mônaco. Mas também fez muitas lambanças, inclusive não capitalizou sua performance do sábado em Monte Carlo pela justa punição sofrida após o acidente bobo com Bruno Senna na corrida anterior em Barcelona. Mas foi em Cingapura que Schumacher estava impossível: perdeu a homenagem a Sid Watkins no grid (apesar da FIA ter insistido com todos o final de semana inteiro da importância dela), estampou seu carro na traseira da Toro Rosso de Jean-Eric Vergne de maneira ridícula e ainda chamou o francês de “Jean-Marc” ao pedir desculpas, ao mesmo tempo em que não assumiu completamente a culpa pela batida. Não é à toa que os diretores da Mercedes não perderam um segundo para dar “sim” à Lewis Hamilton quando este ligou para fechar negócio na semana seguinte. Posto na rua sem contrato, restou ao alemão se aposentar para tentar passar menos ridículo.

7 - Mark Webber
O australiano fez um bom campeonato até o GP da Inglaterra, quando pontuou com consistência e venceu duas corridas. Renovou seu contrato com a Red Bull após a corrida de Silverstone e... entrou de férias? É a impressão que fica, mas a queda do australiano tem a ver também com sua incapacidade de tirar o máximo do RB8 à medida em que ele foi sendo desenvolvido, ao contrário do que fez Sebastian Vettel. E se ver novamente batido claramente pelo companheiro de equipe lhe fez mal e criou uma bola de neve que jogou sua performance ainda mais para baixo. O que aconteceu em Abu Dhabi, quando foi alcançado por Sebastian Vettel antes da metade da corrida, sendo que havia largado em segundo e o alemão, em último, é um bom exemplo disso.

6 - Williams
Não concordo quando leio que 2012 foi o ano do renascimento da Williams. Pelo contrário, para mim foi o ano em que a equipe desperdiçou condições excepcionais para dar um grande salto rumo ao topo. Na temporada em que voltou a vencer e em que Pastor Maldonado largou onze vezes entre os dez primeiros, o time ficou apenas em oitavo na tabela, atrás de equipes com carros nitidamente piores que o FW34. O problema é que o venezuelano apagou o brilho de seu triunfo em Barcelona com uma sucessão de bobagens na pista que lhe tirou muitos pontos - e lhe rendeu muitas punições. E que Bruno Senna tenha passado o ano todo sem resolver seu problema em treinos de classificação - o ‘handicap’ que sofreu por ceder lugar a Valteri Bottas em quinze treinos livres não justifica que ele só tenha passado para o Q3 uma única vez. Com dois pilotos mais consistentes, dá para imaginar tranquilamente a equipe terminando o ano em sexto, talvez até mesmo em quinto lugar. O que a tornaria menos dependente do dinheiro que seus pilotos trazem.

5 - As primeiras voltas de Romain Grosjean
Romain Grosjean é veloz e capaz de fazer corridas consistentes que o levem ao pódio. Desde que sobreviva às voltas iniciais da prova, que fique claro. A quantidade de confusões que o francês aprontou em largadas ou disputas nos momentos iniciais das corridas foi muito além do aceitável e a suspensão de um GP após a batida em Spa-Francorchamps foi merecida (embora os critérios utilizados pela FIA para fazê-lo não tenham sido os corretos, como discuti aqui). Que a lição tenha sido aprendida e o “maluco da primeira volta”, como foi apelidado pelos colegas, fique no passado.

4 - Paul di Resta
O escocês chegou na Fórmula 1 em 2011 como campeão da DTM, agraciado pelo chefe da Mercedes Norbert Haug e tido como substituto natural de Michael Schumacher na equipe prateada. Até começou bem suas duas temporadas até aqui, mas nas duas acabou atropelado e claramente superado pelos companheiros de equipe que teve, primeiro Adrian Sutil e depois Nico Hülkenberg. Dá a impressão de só permanecer na Force Índia por trazer um eventual desconto no fornecimento dos motores Mercedes. Com a saída de Haug da categoria, precisa andar bem em 2013 para garantir um futuro na categoria.

3 - As primeiras corridas de Felipe Massa
A sala que a Ferrari reservou para as entrevistas de seus pilotos no paddock de Sepang era no segundo andar de um puxadinho feito para abrigar as equipes. Foi lá que vimos um Felipe Massa no fundo do poço, atônito com o abismo gigantesco que separava sua performance da de Fernando Alonso. De fato, nas duas primeiras corridas do ano, o brasileiro chegava a levar um segundo por volta do espanhol. Um desempenho que justificaria qualquer troca no meio da temporada, em qualquer equipe. O desenvolvimento do F2012 o ajudou a reencontrar seu caminho e no final do ano ele esteve muito bem, mas até o GP de Mônaco sua performance foi de dar dó.

2 - Mercedes
Num ano cheio de paradoxos, a equipe anglo-germânica foi o maior deles. Começou o ano com uma vitória incontestável num final de semana de domínio total na China. Encerrou penando em lutas na parte de trás do pelotão intermediário. A total incapacidade em desenvolver o W03 preocupa. A direção de Stuttgart parece receosa em entrar com os dois pés no projeto da equipe de Fórmula 1, controlando como pode os gastos. Se em 2013 a performance continuar nesta espiral descendente, não seria surpreendesse se puxassem o carro. No sentido figurado e no literal também.

1 - Comissários da FIA
Quatro horas para saber quem era o vencedor do GP de Cingapura, para entender a questão do combustível no RB8 de Sebastian Vettel na classificação em Abu Dhabi, para julgar um sem número de decisões com potencial influência no resultado final de uma corrida ou de um grid de largada. A falta de agilidade da FIA foi o fator mais lamentável num ano em que a Fórmula 1 teve pouco a lamentar. Mesmo com acesso à telemetria e a inúmeros replays, algumas decisões demoraram demais para serem tomadas. Sem falar que a rotatividade de comissários gerou algumas decisões inconsistentes, deixando os pilotos muitas vezes confusos com o que pode e o que não pode ser feito. A ideia do sistema não é ruim, mas ele precisa ser aprimorado com urgência.

1set/125

Entendendo as surpresas

É pista permanente, mas Spa está cheia de zebras

Para entender o que aconteceu hoje em Spa-Francorchamps, é preciso olhar para o passado. Mais precisamente para 2009. Sim, era outra Fórmula 1 - outros pneus, carros, conjunto de regras. Mas uma que demonstra uma característica imutável de Spa-Francorchamps. O primeiro e o terceiro setor possuem longas retas e aceleração plena quase o tempo todo. O segundo é extremamente sinuoso. Isto significa que você tem duas opções de acerto: com menor pressão aerodinâmica (pouca asa) para voar nos setores 1 e 3 e para ter boa velocidade de reta; ou com maior pressão aerodinâmica para ganhar tempo no setor 2, o mais longo (em torno de 50 segundos, contra 30 dos outros dois).

O final de semana de 2009 ilustra bem o efeito prático destas duas escolhas. Giancarlo Fisichella, então na Force Índia, colocou mais asa e acertou na mosca para a classificação, conseguindo uma heróica e improvável pole position para a corrida. Já Kimi Raikkonen, com menos pressão aerodinâmica, pode ter sacrificado a pole, mas tinha mais velocidade na reta para ultrapassar o italiano. Uma vez feito isso, não teria como receber o troco já que era mais veloz no único ponto de ultrapassagem.

Entendido isto, voltemos ao presente. Depois do dilúvio de ontem que jogou no lixo as duas sessões de treinos livres, os pilotos fizeram suas escolhas completamente no escuro. Pilotos como Jenson Button, Pastor Maldonado e Fernando Alonso escolheram menor pressão aerodinâmica, pensando na corrida. Já Kamui Kobayashi e Kimi Raikkonen colocaram mais asa para brilharem no treino.

Curiosamente, o comportamento dos modelos (carros mais pneus) deste ano em Spa subverteu a lógica que todos esperavam: Button fez a pole mesmo com pouca pressão aerodinâmica. Largando na frente, dificilmente vai ser superado na corrida, seja por Kamui Kobayashi ou por Kimi Raikkonen.

A não ser que na corrida a lógica seja subvertida novamente. Com menos asa, Button e quem fez a opção da velocidade pode sofrer um desgaste exagerado dos pneus (o asfalto deve estar frio e os carros tenderão a escorregar muito). E serem superados na estratégia por carros mais “no chão” como os da Sauber e da Lotus.

O mais legal é que, mesmo depois de um mês de “abstinência”, a F-1 2012 continua sendo mestre em surpreender e distribuindo competitividade pelo grid. Decidida nos detalhes e encantando quem se dispõe a entender todos eles.

Não vejo a hora de ver como vai terminar essa corrida amanhã!

16ago/122

Hora de mostrar velocidade

Chegar na frente é preciso, viver não é preciso

Uma das disputas entre companheiros de equipe mais interessantes desse Mundial está acontecendo na Williams. Apenas cinco pontos separam Pastor Maldonado e Bruno Senna na tabela: 29 a 24. O venezuelano se escora na sua vitória na Espanha para afirmar frases como “faço parte do futuro da Fórmula 1, isso é claro”. Mas pontuou em apenas duas das onze corridas até aqui. Já o brasileiro da equipe é bem mais regular, tendo pontuado em seis ocasiões.

A direção da equipe observa tudo com calma. Afinal, tem como opção para o futuro o talentoso finlandês Valteri Bottas, piloto de currículo vencedor nas categorias de base e que está sendo minuciosamente preparado participando do primeiro treino livre nas sextas-feiras de corrida, impressionando pelo bom trabalho feito.

Independente se Bottas será efetivado como titular no ano que vem, a disputa interna da Williams chegou nesta pausa da temporada em equilíbrio nos pontos. Se o venezuelano é mais rápido como demonstra nas classificações, o brasileiro tem a seu favor o fato de ser mais regular nas corridas.

A Williams também sabe que Bruno Senna acaba prejudicado a cada final de semana de corrida para dar lugar a Bottas no primeiro treino livre e leva isso em consideração. A ele, resta repetir nas próximas etapas o que fez na Hungria, passando para o Q3 e fazendo uma boa corrida para pontuar. Afinal, o brasileiro já demonstrou ter mais inteligência que Maldonado, mas ainda não que tem mais velocidade. E, no final das contas, isso conta mais do que tudo. Até mesmo do que o dinheiro que cada um traz de patrocinadores.

(Texto da coluna "Direto do Paddock" publicada na edição de hoje do Diário Lance!)

11jul/1211

O Pastor selvagem

Errático sim. Mas a quem cabe ajudá-lo?

Vamos lembrar de cabeça, correndo o risco de esquecer alguma coisa: Pastor Maldonado foi vítima da agressiva pilotagem de Lewis Hamilton no GP de Mônaco do ano passado; depois se envolveu num inexplicável bater de rodas com o mesmo Hamilton na classificação do GP da Bélgica, meses depois, quando um achou que havia sido atrapalhado pelo outro; o mesmo aconteceu com Sérgio Perez em Mônaco neste ano, e foi para abrir caminho em um treino livre (!); em Valência, ele voltou a se encontrar com seu “karma” Hamilton e arruinou a corrida do inglês; no último domingo em Silverstone, novo choque com Perez, só que desta vez durante a corrida, uma manobra desastrada que tirou o mexicano da prova.

Cinco incidentes em uma temporada e meia de Fórmula 1. Neles, há um Pastor Maldonado barbeiro, um vítima de barbeiragens e um que se envolve em incidentes de corrida. Incidentes distintos que envolvem distintas decisões dos comissários. Às vezes o barbeiro não é punido, as vezes a vítima perde posições no grid da prova seguinte.

Qualquer um que entende de psicologia canina, sabe: se eu treinasse um cão dessa forma (ora punindo ora premiando o mesmo comportamento), teria um exemplar neurótico, inseguro e que não sabe como se comportar. Confesso que o comportamento de Pastor Maldonado nas pistas me lembra um pouco disso (fora delas é um cara muito bacana e cortês na hora das entrevistas). Como me lembrava o de Hamilton no ano passado, por exemplo. Existem pilotos mais arrojados que outros na hora da disputar e, por arriscar mais, eles são mais propensos a erros.

A imagem de Maldonado ganha ainda uma mancha a mais por seu passado: quando corria na World Series, em Mônaco, ignorou completamente um trecho de bandeiras amarelas e acabou machucando um fiscal que estava na pista retirando um outro carro. Queriam baní-lo do esporte ali mesmo. Mas, pelo que me disseram, Pastor tratou de custear o tratamento do sujeito, reconheceu ter cometido um erro gravíssimo e jurou seguir sua carreira sem fazer mais uma bobagem dessas. Perez, que não é bobo, sabe dessa história e foi esperto ao jogar na imprensa que ele “coloca a vida dos outros em risco” para despertar esse fantasma do passado.

Ainda acho tudo muito exagerado. Maldonado pode ser agressivo demais, cometer erros demais, bater demais. Mas o maior prejudicado disso tudo é ele. Na soma de pontos perdidos em todos os incidentes em que ele se envolveu, o próprio venezuelano foi quem mais perdeu. Normalmente, pilotos aprendem rapidamente com isso. Neste caso, está demorando um pouco mais.

Ao invés da FIA, quem tem de lhe dar um corretivo é a Williams. Deixar claro para ele que, se tivesse tido paciência de esperar uma ou duas voltas até que os pneus se aquecessem, ele poderia tentar passar o mexicano numa condição para uma manobra mais segura, com menos riscos. E, talvez, puní-lo de alguma forma internamente. Jogador de futebol sempre sente quando fica sem “bicho” ao final da partida.

O único risco para o futuro de Maldonado, e para quem convive com ele na F-1, é se o time continuar a tratá-lo como o cliente rico que pode fazer tudo. Muitas vezes, esta é a impressão que fica para nós que vemos de fora.

2jul/127

Bruno Senna precisa virar o jogo

 

Passar por cima da zebra e dos problemas para trazer resultados deve ser o mantra do brasileiro

Ficou muito legal a sabatina com Bruno Senna - é sempre especial para nós poder levar a pergunta de vocês, leitores, diretamente aos personagens da Fórmula 1. E ele respondeu tudo da forma direta com que costuma fazer, às vezes tomando cuidado para não entrar em polêmica, mas sendo sincero quanto aos problemas que está enfrentando nesta temporada de Fórmula 1 - seu primeiro ano “de verdade”, como ele havia me dito nessa entrevista publicada em junho no Lance!

Se o piloto brasileiro tem inteligência e discernimento de sobra para ficar na Fórmula 1, lhe falta algo fundamental: resultados em pista que justifiquem isso. O fato é que a Williams trabalha para colocar Valteri Bottas como titular do time no ano que vem - e o finlandês realmente está agradando à equipe nas suas participações em treinos livres às sextas-feiras.

Como numa bola de neve, é justamente nisso que mora o principal handicap de Bruno Senna. Perder uma sessão de treinos numa temporada tão equilibrada é começar a disputa em desvantagem. Basta ver exemplos como os de Kimi Raikkonen em Mônaco ou Jenson Button no Canadá, quando ficaram nos boxes no primeiro treino livre com problemas mecânicos e não voltaram a se encontrar no restante do final de semana.

Mas, sendo a Fórmula 1, um handicap não pode servir como justificativa. Se o problema é real, cabe ao piloto tirar forças de algum canto para reverter isso. Até o momento, a Williams viu um Pastor Maldonado errático e desperdiçando muitos pontos por isso (Austrália, Valência). Mas é, até agora, o piloto da equipe que mais está se colocando em posição de beliscar essa soma maior de pontos tão importante para a Williams.

Foram oito corridas de vinte e, pela escolha para o ano que vem da equipe estar claramente restrita aos três pilotos que ela tem hoje, é provável que a decisão da dupla de pilotos de 2013 só saia depois do encerramento da temporada. Mas, até lá, é preciso que Bruno Senna reverta completamente esse quadro: se classifique melhor no grid e some bons pontos com consistência. Senão, vai ficar fácil para a direção da equipe tomar uma decisão para o ano que vem. Se fosse hoje, eles certamente ficariam com Maldonado e Bottas.

15mai/1221

Um grande Mundial

Todos de olho para ver quem será o próximo vencedor

É o campeonato mais maluco que eu vi em muitos anos. Muita gente previa que a Fórmula 1 "voltaria à normalidade" em Barcelona, depois de três semanas de pausa e um teste de três dias em Mugello. Eu já chamava a atenção no blog que o circuito da Catalunha tem suas próprias leis e que não poderíamos confiar cegamente no quadro que ele traria. Ninguém poderia prever uma vitória de Pastor Maldonado da Williams.

Passadas cinco etapas, todos sabemos que o que os engenheiros não sabem sobre os pneus deste ano é o que garante toda essa alternância. Há quem ache isso um absurdo e condene essa Fórmula 1 "lotérica". Há quem se recoste no sofá e se deleita com as inúmeras opções  que tem para escolher um potencial ganhador antes de uma largada. Eu tratei de ouvir o que as pessoas de dentro da Fórmula 1 pensam sobre isso. O resultado está neste texto publicado hoje no Lance!

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O equilíbrio tremendo da temporada de 2012 da Fórmula 1 tem um motivo, mas não necessariamente uma explicação. O que os engenheiros da categoria perceberam é que há uma grande variação no comportamento dos pneus utilizados nesta temporada, dependendo das características do asfalto e do traçado de cada circuito. E também da temperatura ambiente. A meta agora é entender todas estas variações. E o consenso é que, uma hora, eles encontrarão uma resposta, como explicou ao LANCE! o chefe da equipe McLaren, Martin Whitmarsh.

- É preciso acreditar que existe uma lógica. Do contrário, você desiste! É algo difícil, pneus são os elementos mais orgânicos da questão técnica. Não há uma equipe hoje que poderia dizer que entende como eles funcionam e que sabe como trabalhá-los. Isto significa que você vai para cada sessão cronometrada, com cada jogo de pneus, sem saber como o carro vai se comportar. Mas eu não acho que estes pneus sejam inconsistentes. Existe um grande desafio de trabalhar com temperatura e pressão para aprender a tirar o máximo desses pneus.

Do lado dos pilotos a incompreensão é a mesma. Mas nem por isso estas variações no equilíbrio entre as equipes são mal vistas. Pelo contrário.

- É raro ver pilotos de tantas equipes diferentes vencendo corridas. É algo que encoraja a todos porque você chega a cada final de semana sabendo que pode ter um bom resultado. Essa questão e o desempenho do Pastor (Maldonado) neste final de semana me deixam muito animado para Mônaco. No trecho mais lento de Barcelona ele obteve o melhor setor. E a pista de Monte Carlo é muito travada - disse o brasileiro Bruno Senna.

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Vocês já sabem o que eu penso disso. O pneu é o mesmo para todos, que todos trabalhem para tirar dele o melhor. E valorizo demais a Pirelli ter conseguido, com ou sem intenção, minimizar o poderio econômico (e, portanto, tecnológico) das grandes organizações e ver a não tão grande (embora de história gigante) Williams ganhando uma prova.

E pegando uma opinião de fora - e muito avalizada -, fico com o que o João Paulo Oliveira, um da turma de pilotos brasileiros que conseguiu se estabelecer como profissional em automobilismo de ponta no Exterior, escreveu em seu twitter: "A Fórmula 1 atual é verdadeira. Menos máquina, mais habilidade, corridas disputadas. Uma boa administração dos pneus na corrida igual a sucesso. O fator de desafio aumentou".

Na mosca. Este ano está ficando cada vez melhor. Que Mônaco chegue logo!

13mai/1214

Um domingo de heróis

There goes my hero

Eram poucos minutos depois das 17 horas locais quando o vencedor do Grande Prêmio da Espanha, o venezuelano Pastor Maldonado, deixou correndo a área de boxes da Williams. Expressão séria e determinada, ele carregava nas costas um primo seu, um pré-adolescente que usava uma bota ortopédica. Fugiam de um forte incêndio que consumiu boa parte dos boxes do time, decorrente da explosão de um reservatório de combustível. Um momento dramático em Montmeló.

O espírito demonstrado pelo piloto foi compartido em outros cantos da dramática cena. Mecânicos de diversas equipes se juntaram para apagar as chamas. Membros do time, inclusive Bruno Senna e o sócio Toto Wolff, voltaram para dentro da fumaça para se certificar se Frank Williams, de cadeira de rodas, havia sido empurrado para fora. Um impressionante espírito de solidariedade.

O episódio emblemático aconteceu num dos instantes mais solidários da categoria em termos esportivos. Desde 1983 que um campeonato não começava com cinco vencedores de cinco equipes diferentes nas cinco primeiras corridas. A partir de então, os custos da Fórmula 1 cresceram exponencialmente e um equilíbrio similar desapareceu.

Não que hoje a categoria tenha times de forças financeiras parecidas, muito pelo contrário. Mas o comportamento imprevisível dos compostos Pirelli nesta temporada tem gerado flutuações enormes na distribuição de forças. Junta-se o tipo de pista, a temperatura ambiente, a posição no grid e a estratégia, cada prova pode apresentar um piloto diferente com o melhor ritmo de corrida. Em Barcelona, foi Pastor Maldonado.

O venezuelano chegou a perder a liderança para Fernando Alonso na largada, mas a recuperou na segunda rodada de pitstops ao parar duas voltas antes do espanhol e voltar para a pista fazendo tempos muito bons.

"A ideia era administrar o gasto de pneus, então eu não estava acelerando tudo para poupar borracha para o final da prova. Fernando chegou perto em alguns momentos, mas eu estava controlando a distância. Nosso ritmo hoje era fortíssimo", avaliou o vencedor.

Vencedores também foram os mecânicos que ajudaram a dominar o fogo após a corrida em poucos minutos, correndo para o local das chamas com extintores e mangueiras que estivessem ali perto. A brigada de incêndio catalã que ficou de prontidão no autódromo durante o final de semana já havia deixado a pista pois a prova tinha terminado.

No final das contas, trinta e um desses mecânicos passaram pelo centro médico do circuito. A maioria sofrendo efeitos dos gases inalados foram logo liberadas. Sete foram transferidos para hospitais da região para receber tratamento. Três deles da equipe Williams.

Que estes heróis anônimos se recuperem prontamente.

12mai/1214

Luz e Sombra

É uma lei perversa do esporte: o brilho de uns ofusca ainda mais o problema de outros

Como em qualquer esporte, a Fórmula 1 também traz um interessante contraste entre vencedores e perdedores. Em certas ocasiões, ele fica ainda maior. Como no Circuito da Catalunha. A classificação para o GP da Espanha foi cheia de surpresas e consagrou dois heróis improváveis: Pastor Maldonado, da Williams, herdou a pole position depois de uma punição aplicada a Lewis Hamilton, o mais veloz da sessão. E terá a seu lado no grid o ídolo local, Fernando Alonso, cuja melhor posição no grid até agora era um oitavo lugar.

Aí vem o contraste: seus companheiros de equipe, ambos brasileiros, largam do fundo do pelotão. Felipe Massa ficou com um tempo seis décimos de segundo mais lento que o de Alonso no Q2 e larga apenas em 16º lugar. Bruno Senna parou já no Q1, depois de uma rodada quando tentava melhorar uma marca 1s6 mais lenta que a de Maldonado. Larga em 17º.

As explicações ficaram no tráfego intenso do circuito. Um cenário ao qual mesmo os que se classificaram bem à frente também foram submetidos.

- Na minha volta rápida haviam oito carros saindo dos boxes e só por isso eu perdi mais de três décimos. Uma diferença como essa numa classificação tão competitiva como foi significou a perda de muitas posições - disse Felipe Massa.

Lá na frente, sorrisos e confiança. Para Pastor Maldonado, o resultado deste sábado pode significar o início de uma volta da Williams aos bons tempos do passado.

- Aos poucos a Williams está crescendo e minha tarefa é essa. Espero terminar a corrida no pódio e, para que isso aconteça, uma boa estratégia vai ser importante numa F-1 que está tão equilibrada.

O grid embaralhado abre boas perspectivas para a corrida deste domingo. O gasto de pneus em Barcelona está sendo intenso e há boas chances da prova ter um vencedor que não tenha largado da primeira fila, algo que não acontece desde 1996. Até porque, surpresas à parte, poucos apostam numa vitória de Maldonado ou de Alonso.

Nos treinos livres de sexta-feira, tanto Ferrari como Williams não apresentaram um tremendo ritmo de corrida. Ao contrário da Lotus, que tem Romain Grosjean em terceiro e Kimi Raikkonen em quarto no grid. Ou de Vettel, sétimo colocado. E também da McLaren, que tem Jenson Button em décimo.

Pobre do Hamilton, que não teve nada a ver com o erro de cálculo de seu time e vai largar em último (e com menos jogos de pneus novos que a maioria). Se erros dele podem ter atrapalhado a equipe em disputas de títulos passadas (Monza 2010 é um exemplo), ela está pagando em dobro neste ano.

22fev/1213

Uma escolha com lógica

Dois professores de estilos e épocas diferentes

Quando tinha sua própria equipe - primeiro na F-3, depois na F-1 -, Jackie Stewart sempre fazia questão de chamar seus pilotos para umas voltas em um circuito inglês qualquer. Num carro de rua. Inicialmente, ia no banco do passageiro dando dicas para polir a tocada de seu pupilo. Depois, assumia o volante e batia quase sempre o melhor tempo que este havia feito. Quem participou de uma sessão daquelas afirma ter aprendido lições para a carreira toda.

É claro que há uma distância ainda maior do que três títulos mundiais e 27 vitórias entre Stewart e o austríaco Alexander Wurz. Este foi anunciado nesta semana como consultor dos pilotos da equipe Williams, um tipo de trabalho que praticamente inexiste na F-1. Mas ainda que a passagem de Wurz pela F-1 tenha sido discreta, a ideia do time é muito boa.

"Os pilotos são muito inteligentes e o trabalho não será o de dizer o que fazer na pista, mas o de trabalhar em cima dos detalhes que os permitirão andar no máximo de suas capacidades o tempo todo", afirmou o austríaco nesta semana em Barcelona.

Está claro que Wurz não será um professor de pilotagem, mas uma pessoa experiente que ajudará a Bruno Senna e Pastor Maldonado, a trabalhar no desenvolvimento do FW34.

Há quem diga que a chegada de um consultor é um sinal de falta de confiança nos pilotos da equipe. Eu acho que é mesmo falta de confiança no carro. O novo modelo tem se mostrado lento demais nos testes. Mais do que nunca, a opinião de alguém experiente será fundamental para salvar um ano importantíssimo para a Williams. Ainda mais de alguém que conhece muito bem os engenheiros do time e a maneira com que eles trabalham. O time certamente ganha com isso.

Resta saber o quanto - e se será o suficiente para fazer um bom papel na temporada.