4set/1217

Hora de punir atos, não consequências

A punição a Grosjean pela batida com Hamilton é correta. Pela chuva de carros posterior, não

A vantagem de acompanhar a Fórmula 1 nos dias de hoje é poder gravar as corridas e rever cenas polêmicas quantas vezes quisermos. Foi o que fiz com a largada do Grande Prêmio da Bélgica. Não é a primeira e nem será a última colisão múltipla na entrada ou na saída da La Source - as inacreditáveis cenas de 1998 foram apenas uma de muitas, mas tivemos confusão lá também em 2004, no ano passado e certamente em outras ocasiões que me fogem à memória agora.

Revendo as imagens, concordo plenamente com a suspensão de Romain Grosjean - algo que no domingo à noite, ainda discordava, conversando com colegas da sala de imprensa. O que me fez mudar de opinião foi simplesmente que a revisão das imagens com calma me permitiu concentrar no verdadeiro cerne da questão: o toque entre a Lotus do francês e a McLaren de Lewis Hamilton.

Para mim, este é o único ponto relevante para a questão de uma punição esportiva. Se pilotos que lutam pelo campeonato foram prejudicados (como a FIA ridiculamente argumentou na sua explanação) ou se sairiam mortos e feridos em consequência da batida são assuntos que não deveriam interferir no julgamento.

Ninguém (repito: absolutamente ninguém) pode prever as consequências de uma batida. Não há computador no mundo que consiga calcular e antever os fenômenos físicos que acontecem na explosão de diversas energias cinéticas encontrando-se nas mais diversas direções. Grosjean não bateu de próposito, assim como Bruno Senna não bateu de propósito em Jaime Alguersuari no mesmo ponto no ano passado. O fato daquela batida ter sido mais “leve” que esta foi mera questão de física, de ciência.

Dito isso, a suspensão a Grosjean foi justa por ele ter sido absolutamente imprudente ao executar o que quis executar. A imagem de cima, feita por um helicóptero é clara: o francês larga melhor que Hamilton, percebe isso e cruza a pista toda, da esquerda para a direita, para fechar a porta de um possível troco do inglês na freada. Ele estava vendo e reagindo em cima do carro do inglês. Então era sua obrigação certificar que a) ele o havia ultrapassado completamente para fechar a trajetória; ou b) ele havia deixado espaço para o carro de Hamilton.

No meu julgamento, o que Grosjean fez foi o que não deveria ser feito no automobilismo: tirar o espaço de um adversário em plena reta, dando a ele apenas a opção de escolher entre bater ou tirar o pé. Isto é errado. Foi o mesmo que fez Michael Schumacher com Rubens Barrichello no GP da Hungria de 2010 - e ali o alemão também merecia uma suspensão.

Voltando no tempo, me lembro da celeuma que causou a manobra em que Ayrton Senna quase prensou Alain Prost no muro do circuito do Estoril, em 1988. O brasileiro foi duro, mas soube a hora de que havia perdido a “batalha” e abriu espaço para que o francês completasse a manobra. É assim que deveria ser.

Pena que foram justamente estes dois, pelo que fizeram em Suzuka nos dois anos seguintes, que incutiram no inconsciente coletivo que jogar o carro na trajetória de outro piloto e dar-lhe apenas a opção de bater ou aliviar era algo válido. A FIA errou feio na maneira de agir naquela época e a coisa ficou meio banalizada.

Quando Alonso falou em “cultura de GP2” no domingo à noite, é impossível não lhe dar razão. A cada final de semana assistimos a algumas barbaridades feitas nas categorias de base - e em outras espalhadas pelo mundo também. Em Spa, James Calado foi tão irresponsável numa defesa de posição contra Luiz Razia quanto Grosjean - só que num lugar de velocidade muito mais alta. O brasileiro teve de ir para a grama e voltou atravessado na reta Kemmel diante de um grid inteiro chegando com o pé embaixo. Foi um verdadeiro milagre que nada aconteceu.

Mas a FIA nem puniu o piloto inglês. Certamente porque todo mundo saiu ileso da cena. E é justamente este o grande problema: estão julgando as consequências dos atos, não os atos em si. Um erro enorme que precisa ser corrigido antes que a consequência de alguma bobagem - e ninguém tem controle sobre as consequências - seja severa demais. Que a suspensão de Grosjean seja um primeiro passo nessa direção.

22mai/126

Automobilismo Total

Indianápolis, here we come!

Está em curso a semana mais especial do ano para o automobilismo mundial. Um domingo em que se encontram as duas mais tradicionais provas de monopostos do mundo justifica a frase anterior. Grande Prêmio de Mônaco de Fórmula 1 e 500 Milhas de Indianápolis separadas por poucas horas. É de esfregar as mãos em antecipação.

Ainda mais num ano como este. A Fórmula 1 vive sua temporada mais emocionante em três décadas e a lista de candidatos à vitória é mais longa que o número de eventos VIP marcados para acontecer ao longo da semana. E você vai poder acompanhar tudo aqui, tanto o aspecto esportivo no noticiário como o lado glamouroso na TV Blogo. Com chances incríveis como a de mandar sua pergunta para uma entrevista com o chefe da McLaren Martin Whitmarsh (não perca tempo, clique aqui).

Em Indianápolis teremos uma prova que pode consagrar Helio Castroneves como o maior vencedor de sua história ao lado de outras lendas. Teremos também outros três brasileiros em ação, com o foco naturalmente concentrado no estreante Rubens Barrichello. Teremos também um repórter acompanhando tudo direto do mítico circuito, o Luis Ferrari - que fará companhia lá ao meu colega do “Lance”, Fred Sabino. Serão 200 voltas com 33 carros na pista e um trabalho de fôlego para levar até você todos os detalhes da corrida.

Para completar, o TotalRace também estará presente na etapa de Curitiba do Brasileiro de GT com o Rian Assis, trazendo as notícias e as curiosidades de uma categoria que coloca diversos pilotos de ponta do Turismo brasileiro em carros de sonho.

Quando o site começou em março do ano passado, focado praticamente apenas na Fórmula 1, sempre frisamos a preocupação de cobrir os eventos onde eles acontecem. Mais do que respeito ao internauta, é uma premissa básica do jornalismo. Neste domingo o TotalRace, um ano e dois meses de vida, estará presente nas duas principais corridas do automobilismo mundial - e na principal prova acontecendo no mesmo dia no Brasil.

Orgulho é pouco. Navegue pelas páginas e desfrute!

20mai/127

Surpreendente

A primeira vez nunca é fácil...

Vinte e três centímetros. Essa é a distância que teria separado no final os carros de Ryan Briscoe e James Hinchcliffe se os dois tivessem começado a classificação de quatro voltas. A diferença de 0s0023 é a menor na história das 500 Milhas de Indianápolis - e olha que ele tem história - foi o ponto alto de um Pole Day muito bacana de se acompanhar à distância, uma sessão que dura horas, com apenas um carro na pista de cada vez, mas nem por isso menos emocionante, o que pode ser explicado pela tradição da prova, pela imponência da pista e pelo formato adotado.

Os quatro brasileiros já definiram suas posições no grid de largada. Helio Castroneves larga em sexto lugar na busca de uma imortal quarta vitória no brickyard, algo que o igualaria a A.J. Foyt, Al Unser e Rick Mears como recordista absoluto por lá. Tony Kanaan passou um susto por um erro besta de sua equipe que eliminou sua primeira tentativa, mas vai largar em oitavo. Rubens Barrichello é o décimo e Bia Figueiredo sai em 13º lugar.

Dos quatro, o que mais me surpreendeu foi mesmo Barrichello. Tive uma rápida troca de mensagens com ele durante a semana e ele pareceu que ainda não estava completamente à vontade, tentando entender como trabalhar os detalhes que podem fazer a diferença em circuitos ovais, ainda mais num tão específico como é Indianápolis.

O que eu jamais esperaria é que ele obtivesse sua melhor posição num grid de largada da Indy até agora justamente na sua primeira experiência em circuitos desse tipo. Décimo lugar pode parecer pouco para um múltiplo vencedor de GPs na Fórmula 1, mas é um resultado altamente respeitável para quem está no meio de uma transição que está provando ser um tanto complicada.

Talvez o fato desta prova ter um extenso programa de preparação explique o bom desempenho de Barrichello. Nos mistos, a principal dificuldade que ele relata é ir para a classificação sem nenhuma experiência com o composto macio, que precisa ser poupado para a sessão. Em Indianápolis ele pode se preparar bem melhor para a tarefa.

No domingo que vem, ele completará esta sua primeira experiência em ovais com uma corrida que tem suas próprias leis em termos de estratégia, pilotagem e mesmo resistência física. Certamente vai sair de lá tirando esse peso de uma estreia das costas. E, depois dessa classificação de ontem, deve estar mais à vontade para encarar um mês de junho com quatro corridas em quatro finais de semana, sendo três delas em ovais.

28fev/1212

Indy de portas abertas ao torcedor

Leitor do blog fazendo um belo "panning" em teste da F-Indy

Recebi um e-mail bem bacana do leitor Eduardo Cordeiro:

Eu tinha uma viagem de trabalho marcada para o dia 26 pra Califórnia quando descobri que teria teste das equipes da Chevrolet em Sonoma no dia 25. Acho que é pra sortes desse tamanho que se refazem planos, então remarquei tudo e vim pra cá no fim da semana anterior pra poder assistir aos treinos.

O clima estava ótimo e as pessoas da Indy foram extremamente receptivas, com direito a garagens abertas, autógrafos, fotos, entrevistas, e Jimmy Vasser parando na frente da galera só pra dizer "thanks for coming out". O nível de acesso que tivemos aos carros e às pessoas foi muito maior que esperava, e a pista estava toda aberta, com arquibancadas e pontos ótimos pra assistir e tirar fotos vazios.

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Muito bom ver essa abertura que a Indy tem com seus torcedores. Na Fórmula 1, especialmente nestes testes de pré-temporada, o que temos é uma paranóia absoluta: os times inclusive colocam tapumes em frente aos boxes para que os fotógrafos não registrem imagens do carro enquanto ele está sendo trabalhado pelos mecânicos. O que dizer então dos torcedores, que passam o dia nas arquibancadas, vendo tudo de muito longe.

Ter esse tipo de contato que o Eduardo teve e compartilhou conosco no álbum de fotos nesse link só traz ganhos para a modalidade. Um dia, a F-1 ainda vai se arrepender por se levar tão a sério.

8fev/1215

Barrichello e a Indy: uma decisão lógica

Rubens Barrichello em seu habitat natural

Foi entre os GPs do Canadá e da Europa do ano passado que Felipe Massa convidou Rubens Barrichello para participar de uma corrida virtual pela Internet. O brasileiro da Ferrari havia participado de uma prova que conta com pilotos que atuam também na Stock Car e na F-Truck, além de especialistas em simuladores. Se saiu bem, conseguindo um pódio apesar de ser sua primeira experiência neste tipo de disputa.

Quando Barrichello fez sua estréia, conquistou a pole-position e liderou a prova até o servidor dar problema pelo grande número de pessoas que entraram para assistir a transmissão online da prova. Quando o parabenizei em Valência pela surpreendentemente performance, a resposta veio rápido:

"Treinei seis horas por dia durante uma semana. Não gosto de entrar numa competição se não puder dar o máximo", explicou.

O exemplo acima deixa claro o quanto Rubens Barrichello ama a competição. Por mais que ele afirme “não ter fechado a porta da Fórmula 1”, não faz o menor sentido imaginá-lo passar um ano sem fazer o que mais gosta, a disputa em um carro de corrida.

Nos testes que fez na Fórmula Indy, o piloto mostrou uma rápida adaptação e foi recebido de braços abertos pelos principais nomes de lá. Disse que vai tomar uma decisão se corre ou não na categoria na próxima semana. É uma decisão lógica.

Uma eventual participação de Barrichello na categoria só trará vencedores. A Indy ganhará mais atenção não só no Brasil, onde até o público menos fanático por automobilismo vai querer acompanhar como ele vai se sair, como na Europa, onde é muito popular.

E o piloto poderá dourar seu desejo por competição com carros de corrida, algo que o move a cada dia em que acorda. Poderá, enfim, ser Rubens Barrichello. E isto, para ele, é o mais importante.

18jan/1248

Uma carreira para festejar

O futuro está ao seu lado, Rubinho (Foto Beto Issa)

Em Interlagos eu conversei com David Coulthard sobre o futuro incerto de Rubens Barrichello e, depois de fazer muitos elogios ao amigo e, durante muitos anos, adversário, o escocês fez quase uma súplica. “Se ele terminar o inverno sem uma vaga, espero que ele apareça em Melbourne para que nós do paddock, um ambiente onde ele é tão popular, possamos dar a despedida que ele merece”.

É uma ideia para a qual eu dou todo meu apoio. Quase todos os seus patrões estarão por lá: Eddie Jordan, Jackie Stewart, Jean Todt, Ross Brawn, muito possivelmente Frank Williams. Seus bons amigos e até alguns desafetos de pista, também: Michael Schumacher, o próprio Coulthard, Felipe Massa, Sebastian Vettel, Fernando Alonso, enfim, tanta gente muito boa que tem apreço de sobra pelo piloto brasileiro (com uma óbvia exceção). Seria uma festa muito bacana.

Muita gente se pergunta porque Barrichello não fez como o próprio Coulthard: em 2008, quando ficou óbvio que a Red Bull o trocaria pelo promissor Sebastian Vettel, o escocês combinou com o time e anunciou sua saída das pistas durante uma coletiva de imprensa em Silverstone. Na despedida em Interlagos teve bolo, mecânicos vestiram kilts e ele bateu numa confusão na primeira curva. Tchau, David.

Se Barrichello tivesse feito o mesmo, talvez atendesse o desejo de muitos de seus fãs e de seus detratores. Mas não teria sido fiel a si mesmo. Ele queria correr, ora, havia uma chance. Tanto que, há poucas semanas, os “medidores de negociação” da imprensa mundial chegaram a colocá-lo como favorito à vaga (e aqui eu abro um parênteses: estão vendo como isso não é notícia e não serve para nada?). Não deu, mas o tempo vai tratar de encontrar uma outra forma para que ele continue dando vazão ao seu amor pela velocidade e pela competição.

Tenho certeza que, ao ser informado que não fora o escolhido, Rubens chorou. Não por desespero, porque seu mundo havia caído ou como uma criança desamparada. Chorou simplesmente porque se emocionou ao perceber que sua longa e bonita relação com a Fórmula 1 havia chegado ao final. Com altos e baixos, como toda a relação.

Esta capacidade de ter os sentimentos o tempo inteiro à flor da pele é a maior virtude de Rubens Barrichello. Sim, virtude, embora muita gente ache que o choro sincero e honesto seja um defeito. Tudo isso tornava entrevistá-lo um exercício dos mais bacanas, especialmente nas primeiras palavras no calor de uma corrida.

Muitas vezes a expressão do rosto de um piloto diz mais do que o discurso politicamente correto que eles costumam empregar. Com Barrichello, você tinha as duas coisas: quando ele estava chateado com alguma coisa, dava voz à isso. Para nós da imprensa, era um alento lidar com um piloto sem subterfúgios, no estilo “what you see is what you get”. Com sua saída da F-1, só sobrou Sebastian Vettel - que, ainda assim, mede bem suas palavras na hora de criticar.

As entrevistas mais “frias”, no motorhome, também eram especiais. Na quinta-feira, quando temos mais tempo já que o piloto não está na correria de reuniões com os engenheiros, os papos com Barrichello sempre duravam mais de dez minutos porque a gente sabia que ele respondia à todas as perguntas. E nos acostumamos a se aproveitar disso para fazê-las: dúvidas técnicas, questões políticas, análises esportivas. Ali dava para ouvir a experiência de quem ficou por tanto tempo na Fórmula 1. E aprender muito sobre o funcionamento dela.

Algo muito falado ontem foi de como será estranho pensar na Fórmula 1 sem a sua presença. Acreditem, o paddock vai sentir tanta falta dele quanto ele vai sentir falta do paddock. Quando o brasileiro bateu a marca de GPs disputados de Riccardo Patrese, o motorhome da Honda em Istambul lotou para uma grande festa. Mas nada se compara ao que aconteceu sob o teto da Williams em Spa-Francorchamps, por conta dos 300 GPs, que ficou completamente tomado. Era inacreditável o tamanho do sorriso nos rostos de gente normalmente sisuda celebrando a companhia de um cara de quem elas realmente gostavam. Nunca vi nada que chegasse perto disso em todos estes anos cobrindo a Fórmula 1.

Ainda não falei com Barrichello depois do anúncio. Embora ele tenha escrito no twitter que tinha “o futuro aberto”, tenho claro que isto não inclui mais a F-1. Muitos torcedores que gostam muito dele me perguntam se ainda não tem chance dele ir para outra equipe. Gente, só tem vaga na HRT. Ele não vai para a HRT. Ele não vai correr mais na F-1.

O futuro só ficou aberto justamente porque a categoria não pôde fazer uma despedida à altura para o brasileiro, como bem colocou David Coulthard. Seja em Melbourne ou em Interlagos, quiçá com ele dando umas voltas pela pista com algum carro que tenha marcado sua carreira. Mas ela tem que acontecer. Quando for o caso, os olhos dele vão marejar. E todos, no paddock, nas arquibancadas ou na frente da televisão, vão agradecê-lo por isto.

5jan/1212

Williams: pronta para 2013, mas não para 2012

Ali no cantinho, Valteri Bottas será o fiel da balança na escolha do outro piloto da Williams em 2012

A novela da definição pela vaga que resta na equipe Williams continua a todo vapor e é acompanhada com interesse pelos torcedores brasileiros. Afinal, a briga por ela envolve dois nomes daqui, Rubens Barrichello e Bruno Senna. O primeiro foi apontado por diversos jornalistas europeus nesta semana como o favorito para ficar com a vaga. O segundo chegou até a ter um eventual acerto veiculado aqui no Brasil no final do ano passado, algo que o silêncio da equipe não corrobora. Entre os dois ainda tem o alemão Adrian Sutil, que fez um campeonato decente em 2011 e luta para permanecer na categoria.

Eu não acredito nessa história de um piloto está mais próximo da vaga do que outro. Enquanto as negociações estão ocorrendo, a chance de cada piloto que conversa com um time é de 50%: ou assina o contrato e corre, ou não assina e não corre. É claro que o desejo do público em geral de saber o que está acontecendo faz com que parte da imprensa comece a tentar medir essas chances intermediárias, mas elas não tem efeito nenhum enquanto a tinta com a assinatura de um piloto não secar no papel. É assim que funciona.

Está aí a novela de Kimi Raikkönen com a própria Williams como exemplo. Muitos juravam que ele estava assinado com o time de Grove, mas no final das contas o finlandês fechou com a Renault, para a surpresa geral de todos que julgavam medir com precisão o termômetro das negociações.

O que deve estar certo para os pilotos que negociam a vaga é que ela será apenas transitória. Pois, se ainda a Williams não definiu 2012, ela já tem tudo certo para 2013: o finlandês Valteri Bottas tem todo o apoio da direção do time e está sendo preparado minuciosamente para estrear na categoria. Vai andar no primeiro treino livre de 15 das 20 corridas da temporada e certamente assumirá o posto de titular no ano que vem.

Já Pastor Maldonado continua na equipe pelo tempo que quiser, desde que Hugo Chávez continue despejando um caminhão de dinheiro por lá e o congresso venezuelano não interfira - não há ninguém no mercado capaz de cobrir o que ele oferece.

Assim, a vaga que resta para 2012 vem com prazo de validade determinado: até 31 de dezembro deste ano.

(Texto da coluna “Direto do Paddock”, publicada na edição de hoje do Diário Lance!)

23dez/1112

2011, o ano que não terminou

Para quem esse bico sorrirá?

Falta muito pouco para o fim desse calendário e a maioria das pessoas se prepara para finalmente descansar e curtir familiares e amigos. Mas a impressão é de que o ano de 2011 ainda não terminou. Três pilotos estiveram negociando na fábrica da Williams nesta semana: Rubens Barrichello, Bruno Senna e Adrian Sutil. Pessoas da entourage de cada um deles juram que nenhuma decisão foi tomada. Ainda.

De qualquer forma, a decisão deve ser iminente. Do lado dos brasileiros, a expectativa é a de que o time se decida na próxima semana, mas o empresário do alemão Adrian Sutil fala em ver o futuro de seu piloto definido na primeira ou segunda semana de janeiro. Postergar a decisão deixou a direção da Williams numa posição privilegiada na hora de fechar o pacote com os patrocinadores que os pilotos estão apresentando - sobre o quanto eles gostariam de receber e que espaço ofereceriam em troca. É essa conversa, complicada, que está atrasando uma decisão final.

O apoio que cada candidato traz tem peso, mas entre eles há um consenso de que não será só isso que influenciará a decisão final - duração de contrato, experiência, conhecimento técnico e velocidade são variantes que também entram na equação, como acontece em qualquer equipe na hora de escolher um piloto. Justamente pela amplitude de fatores envolvidos, fica difícil imaginar um favorito: todos tem suas vantagens e desvantagens.

Até que a Williams se decida na briga por uma vaga que envolve dois brasileiros e um alemão que fez um bom papel no último Mundial, este ano não terá terminado.

7dez/110

Galeria de fotos – Desafio das Estrelas, por Miguel Costa Jr.

Na correria do início dessa semana, nem deu para fazer um balanço sobre o Desafio das Estrelas em Florianópolis. Uma corrida que teve dois vencedores. Um de fato, o tímido e caladão Jules Bianchi, que deu um show em pista molhada para ganhar no sábado e voltou a sobrar na corrida do domingo. E um de direito, o espanhol Jaime Alguersuari, que chegou em segundo lugar nas duas baterias mas herdou a vitória dominical e o triunfo na classificação geral depois que Bianchi foi desclassificado pois tinha o kart 600 gramas abaixo do peso mínimo. A questão da balança gerou a desclassificação também de outros quatro pilotos e tem diversas explicações: alguns perderam partes pesadas do kart como a bateria durante os contatos que inevitavelmente ocorreram na pista; outros foram para a pesagem antes da prova, que servia como padrão, sem capacete e colete, e acabaram passando do peso quando se pesaram completos depois. Tecnicidades que não tiraram a graça de ver bons duelos nas duas provas. E de ver como esse Bianchi, estreante no evento, chegou mudo e saiu calado, mas só depois de mostrar que anda muito bem de kart. Muito bem mesmo. Fica o registro dessa bela galeria de fotos, imagens feitas pelo amigo Miguel Costa Jr.

2dez/115

Dois por uma vaga

Há outros candidatos, mas a grande disputa na Williams, no momento, é essa

O anúncio da Williams confirmando Pastor Maldonado no time e também o finlandês Valteri Bottas como piloto reserva praticamente restringiu a disputa pela vaga restante entre Adrian Sutil e Rubens Barrichello. Embora não se possa descartar a possibilidade dos nomes que sobrarem na disputa da Renault irem atrás dessa vaga, já em Interlagos eu ouvia que o assento estava entre o alemão e o brasileiro.

O problema para Barrichello é que Sutil é um nome em alta no mercado. De forma justificada, pois fez a melhor temporada de sua carreira. O nono lugar no Mundial de Pilotos significa que ele foi o “melhor do resto”, atrás apenas dos pilotos das quatro grandes equipes da F-1. Após um início de temporada claudicante, marcado por um episódio nebuloso em uma boate de Xangai com um dos sócios do Grupo Genii, o alemão acertou o passo e superou claramente o escocês Paul Di Resta, nome que chegou na F-1 com o conceito em alta.

A sorte de Barrichello é que Sutil é visto com alguma reservas por parte dos diretores da Williams. Por não ser um piloto de profundo conhecimento técnico e pelas dúvidas suscitadas pelo episódio não esclarecido da boate M1nt em Xangai. Nas negociações com a Williams, Sutil também deixou claro que queria um contrato de um ano apenas, ciente da movimentação intensa que deve ocorrer no mercado no final de 2012. O time não gosta muito da ideia de servir de trampolim apenas.

Para completar, o alemão ainda plantou uma semente de dúvida na cabeça de Vijay Mallya, que ainda não decidiu quem vai correr pelo time no ano que vem. Os nomes logo abaixo do patrão preferem a dupla Di Resta/Hülkenberg, mas o chefão gosta bastante de Sutil. E este está inclinado a ficar no time se for possível. Este desejo também incomoda à Williams.

No meio dessa confusão toda, a direção do time sabe depois da corrida de Abu Dhabi e da classificação em Interlagos que Rubens Barrichello, ao contrário do confirmado Maldonado, é perfeitamente capaz de performances que vão além do que o carro pode conseguir. Uma aposta na segurança e que está sendo bastante considerada pela Williams.