16abr/1341

Repensando o espetáculo

Ultrapassagem ou mera abertura de caminho entre estratégias distintas. Nem sempre é fácil saber

A dinâmica do Grande Prêmio da China dividiu opiniões dentro do paddock da Fórmula 1. O desgaste excessivo dos pneus, especialmente do composto macio, fez com que o treino classificatório tivesse carros nos boxes a maior parte do tempo para economizar borracha. E a corrida virou um xadrez estratégico. Para complicar, as duas zonas de ativação da asa traseira móvel tornaram as ultrapassagens fáceis demais. Com tudo isso, quase nenhuma disputa ferrenha ocorreu, já que a ordem era poupar equipamento.

A Pirelli ouviu a opinião dos engenheiros e pilotos e vai avaliar a situação. Não está descartada uma mudança na composição de cada tipo de pneu a partir da quinta etapa do campeonato, o GP da Espanha.

Vettel é um dos que saiu frustrado com a dinâmica da prova. “Saber a atual divisão de forças no momento é uma piada, não parece muito uma corrida atualmente já que tudo depende exclusivamente dos pneus”.  Mas as reclamações não são unânimes. Para o chefe da Ferrari Stefano Domenicali, é mero choro de perdedor. “Os pneus são iguais para todos o importante é administrá-los bem. Reclama quem termina atrás e não reclama quem termina na frente”.

O finlandês Kimi Raikkonen foi surpreendentemente eloquente na hora de avaliar o quadro. E se mostrou satisfeito com a F-1 do jeito que está. “Não é diferente do ano passado, não sei do que as pessoas reclamam. Mesmo há dez, quinze anos atrás, você também não podia acelerar o máximo o tempo todo. É a mesma situação para todos, é parte da Fórmula 1. Os pneus funcionam bem para a classificação e é preciso cuidar deles na corrida, mas ainda dá para pisar fundo”, analisou

Perguntei em Xangai ao inglês Lewis Hamilton sobre o tema. Ele admitiu que essa dinâmica de controlar seu ritmo o tempo todo é muito mais complicado para os pilotos. “É bom mais desafiador agora, com este tipo de pneus que temos. Mas eu me divertia mais como era até 2008, quando os carros tinham melhor aerodinâmica, havia o reabastecimento e era possível andar de pé embaixo o tempo inteiro”, afirmou.

Vai ser interessante ver que tipo de corrida teremos no Bahrein. Com os compostos médios (originalmente seriam os macios, mas a Pirelli também dá sinais de repensar a situação) e duros - e com um traçado sem curvas que judiam demais da borracha - quiçá seja uma prova com mais disputas por posição. Não tenho nada contra um formato que privilegia o cuidado dos pneus e a estratégia em cima disso. Se olharmos para 2010, para as corridas mais chatas da F-1 recente, a estratégia era óbvia para todos, e a prova durava só até o primeiro dos dois pit-stops, virando um comboio depois. Mas, em Xangai, o peso em cima da estratégia foi demasiado. Seria legal encontrar um meio termo.

14abr/1323

A volta do matador

Alonso ganhou fácil uma corrida que tinha tudo para ser complicada

Não demorou muito para Fernando Alonso encontrar o caminho da vitória nesta Fórmula 1 em 2013, pautada sobretudo por um ritmo contido para controlar o desgaste dos pneus. Ainda que os três primeiros colocados do pódio tenha utilizado a mesma estratégia - três paradas, usando o composto macio apenas no início da corrida - o espanhol sacramentou seu triunfo em pouquíssimo tempo, superando Kimi Raikkonen na largada e Lewis Hamilton na reta dos boxes na quinta volta. Depois, abriu vantagem e controlou seu ritmo como quis. Um triunfo encorajador para deixar o espanhol otimista em relação às suas chances no campeonato. Ele ocupa agora a terceira colocação na tabela.

- Foi uma corrida perfeita, por vários fatores: o trabalho da equipe, a competitividade do carro. E tem mais por vir. Não por um mero desejo meu, mas estamos em débito com a sorte. Na Malásia eu abandonei depois que a asa dianteira entrou debaixo do meu carro depois de um toque; e hoje vimos Kimi (Raikkonen) terminar em segundo também depois de tocar outro carro com o bico. Acho que tive falta de sorte já e ela vai ser compensada ao final de dezenove corridas - avaliou.

Mas Alonso não deveria maldizer a sorte de Raikkonen na corrida de ontem. Afinal, o finlandês terminou a prova a apenas dez segundos do espanhol mesmo após colidir com a traseira do carro de Sergio Perez.

- Não dá para dizer o quanto o dano com a asa afetou minha corrida, mas o carro não foi desenhado deste jeito então certamente não ajudou. Mas confesso que fiquei surpreso o quão bom o carro esteve apesar de tantos danos ali na frente - falou o finlandês.

Lewis Hamilton chegou em terceiro lugar usando uma estratégia similar aos dois primeiros colocados e festejou o bom início de ano com a Mercedes, embora destacou que o ritmo ainda não está no mesmo nível da classificação. Sebastian Vettel quase superou Hamilton na última volta numa prova em que inverteu a estratégia ao usar o pneu macio apenas no final da corrida. Ainda líder do Mundial, o alemão despejou sua frustração com a dinâmica atual das corridas.

- Saber a atual divisão de forças no momento é uma piada, não parece muito uma corrida atualmente já que tudo depende exclusivamente dos pneus. Mas é assim que são as coisas e hoje, infelizmente, tiveram três que fizeram um trabalho melhor que o nosso.

No próximo domingo, no Bahrein, embaralham-se as cartas, os compostos e o jogo começa novamente.

13abr/133

Queda chinesa

O sumiço do dragão é sentido por aqui

Beira o inacreditável ver o tamanho e a velocidade da expansão na região de Jiading, bairro (bem) afastado do centro de Xangai e onde fica o circuito que recebe a Fórmula 1. O enorme vazio que visitei pela primeira vez em 2008 é hoje conectado à cidade por uma linha de metrô e está cheia de prédios. Parece mágica.

O crescimento é inversamente proporcional ao momento da categoria automobilística no País. O GP da China surgiu para abrir as portas de um gigantesco mercado. Hoje, é um evento para um público restrito a pessoas de Xangai - e que atrai cada vez menos interesse.

Conversei com uma jornalista local, Yiying Shi, para entender isso. As arquibancadas na reta dos boxes e nas primeiras curvas até que enchem, mas isto acontece porque outras ao longo do traçado foram desativadas. Este refluxo de interesse possui alguns motivos. Um deles, vejam só, é Michael Schumacher. “Ele foi o grande herói de pelo menos metade dos torcedores aqui e é natural que o interesse tenha caído após sua aposentadoria”, explica ela.

A falta de promoção, especialmente fora de Xangai, restringe ainda mais o alcance da prova. Ao contrário do que acontece no GP do Brasil, aqui não existem caravanas e legiões de fãs que vêm de outras cidades para ver a prova.

Mas o que mais preocupa é a questão da transmissão televisiva. O principal canal do país, a CCTV, abriu mão dos direitos de passar a corrida e nem noticia mais a F-1 em seus programas. Apenas uma emissora local de Xangai passará as provas desta temporada. Em termos práticos, isso vai significar uma perda enorme de audiência não só na China, mas no volume global de espectadores da F-1 dado o tamanho da população por aqui. Uma perda que já foi verificada no ano passado e vai cair ainda mais neste.

A prova, que chega em sua décima edição, acabou se tornando o GP de uma cidade, não de um país. Xangai tem dinheiro, estrutura e público o suficiente para despertar um interesse que cubra as necessidades do evento. Mas entre isso e dizer que a Fórmula 1 é popular na China como um todo, há uma distância tão grande como a que existe entre os extremos leste e oeste deste enorme país

11abr/1373

Um único vencedor

Nas últimas semanas, Vettel se entendeu com si mesmo - e com a equipe. Depois, sorriu.

Toda a polêmica envolvendo a ordem de equipe não obedecida por Sebastian Vettel no último GP da Malásia teve um efeito positivo na equipe Red Bull. Por escancarar algo que há muito tempo era claro, mas não aberto: a relação entre a dupla de pilotos da equipe não é nada boa. O piloto alemão sentou-se sereno diante de uma multidão de jornalistas no paddock de Xangai e deixou isso bem claro numa entrevista memorável.

"Respeito muito Mark como piloto, mas houve mais de uma ocasião em que ele poderia ter ajudado a equipe e não o fez. O que aconteceu na Malásia, acredite ou não, é que eu ouvi a mensagem, mas não a interpretei da maneira que deveria. Pedi desculpas por isso, porque com minha ação acabei me colocando numa posição acima da equipe. Se eu tivesse interpretado a mensagem corretamente, teria refletido no que a equipe queria, que Mark terminasse a corrida na minha frente, e provavelmente teria feito exatamente o mesmo, porque ele não merecia vencer".

O pensamento foi repetido como um mantra durante vinte minutos de uma entrevista concorrida. Concordando ou não com o piloto, foi um alívio ver um personagem importante da Fórmula 1 dizendo o que pensa. Ainda que Vettel tenha mudado um pouco seu discurso em relação ao do domingo malaio, quando afirmou que iria “pedir desculpas para Mark”.

Nas últimas semanas, o alemão pôde refletir com calma sobre as ações da última corrida. E chegou à conclusão de que estava simplesmente reagindo a uma série de ações de seu companheiro de equipe no passado - Webber admitiu ter ignorado uma equipe da Red Bull para não atacar Vettel nas voltas finais do GP da Inglaterra de 2011; e “apertou” o alemão na largada do GP do Brasil do ano passado, fazendo com que ele perdesse posições importantes na corrida que decidia o título.

Ao deixar isto claro no paddock de Xangai, Vettel reforçou sua posição dentro da Red Bull e mostrou um pouco mais da determinação que o colocou num caminho de tantas conquistas. No final das contas, o único efeito do episódio foi que a direção do time avisou internamente que deve liberar a disputa entre seus pilotos em situações similares no futuro. O que corrobora com o pensamento e a ação recente do alemão.

1mai/122

Impacto limitado

O segredo da asa traseira da Mercedes está na pauta em Mugello

A princípio, não seria incorreto dizer que estes três dias de testes no circuito de Mugello podem mudar a cara do Mundial de 2012. As equipes mais poderosas economicamente chegarão com diversas soluções diferentes a serem experimentadas para descobrir o grande segredo dessa temporada, entender o funcionamento dos pneus Pirelli, que mudaram muito em relação ao ano passado.

No caso da Red Bull, por exemplo: o time está em Mugello com o dobro de mecânicos que teve nos testes de pré-temporada, tudo para acelerar o processo de desenvolvimento nessa rara oportunidade de se testar sem ter de economizar pneus ou motores e sem a pressão por resultados. Uma chance de continuar experimentando diferentes versões de escapamento para dar mais estabilidade ao carro.

E, provavelmente, de desenvolver um sistema de duto de ar similar ao da Mercedes, algo que está provando ser fundamental em treinos classificatórios. Aqui também os ricos levam vantagem. Afinal, para fazer um buraco no chassi para que o ar circule da traseira até a dianteira é preciso fazer uma nova homologação na FIA - algo que o regulamento permite (ao contrário do ano passado), mas os complexos crash-tests necessários são bem caros.

Se o quadro aponta tempo bom para as endinheiradas Red Bull, McLaren, Ferrari e Mercedes, o calendário da Fórmula 1 traz esperança para as outras equipes do equilíbrio do início do ano se manter por mais tempo. A próxima corrida é em Barcelona, uma pista conhecida pelos técnicos por ter suas próprias leis - o comportamento do carro pode mudar completamente da manhã para a tarde e ninguém sabe direito a razão: alguns graus de diferença na temperatura, um pouco mais borracha no asfalto e o equilíbrio muda radicalmente.

De lá, a Fórmula 1 parte para três circuitos não permanentes: Mônaco, Montreal e Valência. Ou seja, serão quatro corridas em que as lições colhidas nesta semana em Mugello terão pouca valia. Ou dois meses inteiros. E em dois meses, no ritmo de desenvolvimento da categoria, as coisas mudam rapidamente.

Assim, não se apressem em tirar conclusões do futuro da temporada olhando apenas para os resultados em Mugello. Melhor esperar pelas provas de julho em Silverstone e Hockenheim. Até lá, nem tudo que reluzir será ouro. Melhor para nós e para esse excelente Mundial de 2012.

17abr/121

Quem canta seus males espanta

Onde a F-1 se encontra...

Como uma noitada em clima de festival musical universitário fez as preocupações sobre o Bahrein desaparecer da cabeça de um grupo de jornalistas ingleses, brasileiros, belgas, dinamarqueses e da dorminhoca garçonete chinesa, no melhor hotel de "Jundiaíng". Mais um pouco dos bastidores da cobertura da Fórmula 1, você lê neste arquivo da TV Blogo. Confira!

15abr/1231

Um vencedor e um equilíbrio históricos

O líder do Mundial que ainda não venceu e o terceiro vencedor em três corridas

Nico Rosberg demorou 110 corridas para vencer pela primeira vez na Fórmula 1. Mas, para ele, a espera demorou um pouco mais. "As últimas 30 voltas duraram uma eternidade. Incrível, parecia que a corrida tinha seis horas, nunca tive uma sensação assim", falou o piloto.

O alemão deu à equipe Mercedes o primeiro triunfo na categoria desde 1955. Foi também, o terceiro filho de piloto vencedor de corridas a também ganhar na Fórmula 1, depois de Graham/Damon Hill e Gilles/Jacques Villeneuve. Keke Rosberg, o pai, se tornou o único a ver o triunfo do filho, já que os outros dois faleceram antes que seus herdeiros estreassem na F-1. Ele acompanhou a prova pela televisão de sua casa na Alemanha.

Numa corrida com muitas variantes estratégicas, largar na pole position foi fundamental. Mas o triunfo teve ajuda da estratégia da Mercedes. Com apenas duas paradas, contra três dos adversários, Rosberg jogou por terra a ideia de que o carro do time sofre um desgaste excessivo da borracha em ritmo de corrida.

Além de ter sido ajudado por um erro na última parada nos boxes do seu principal adversário na prova, o inglês Jenson Button. Com isso, o piloto da McLaren ficou preso atrás de um grupo de carros liderado por Kimi Raikkonen, que estava mais lento mas defendeu bem suas posição antes que ficasse com os pneus desgastados demais. Assim, Button só assumiu a segunda colocação a seis voltas do final, quando a diferença para Rosberg era grande demais para ser recuperada.

"Faz parte das corridas. As outras paradas foram muita boas e sempre tentamos ser perfeitos. Mas fizemos um erro no último que nos custou a chance de lutar pela vitória. Não quero diminuir Nico, que fez uma grande corrida, mas poderíamos ter alcançado mais".

Restou a Button o consolo de deixar Xangai na vice-liderança do campeonato, com 43 pontos. Dois a menos que seu companheiro de equipe Lewis Hamilton, 3º colocado na corrida. Este celebrou o equilíbrio que aconteceu na prova e também o que existe atualmente na F-1 como um todo.

"Incrível como nessa corrida tudo foi muito equilibrado entre Lotus, Red Bull, Sauber, Ferrari, Mercedes e nós. É um baita campeonato. E isso é divertido, eu gosto".

Hamilton está coberto de razão. Em um momento de decisões políticas equivocadas tomadas pelos dirigentes da categoria, a beleza da disputa esportiva mostra que o esporte ainda encanta. E muito.

Do lado dos brasileiros, a corrida da China começou com um susto para ambos. Uma fritada de pneus na primeira curva por parte de Bruno Senna não impediu que ele tivesse um leve toque com a traseira da Ferrari de Felipe Massa e perdesse um pedaço da asa dianteira:

"São coisas que acontecem em corrida, especialmente quando se chega a 280 km/h na primeira curva no meio de um monte de carros. Uma Lotus cruzou na frente do Felipe e ele teve de frear. Acabei espalhando e infelizmente toquei também no (Pastor) Maldonado. A asa do meu carro danificou um pouco mas fizemos um ajuste na primeira parada e isso melhorou o equilíbrio do carro".

A partir dali, o brasileiro da Williams conseguiu imprimir um bom ritmo e ganhou posições no pelotão intermediário mais compacto que a F-1 já viu. A dez voltas do final da prova, apenas 15 segundos separavam o 2º colocado do 14º. Era um gigantesco trem de carros em que os vagões trocaram posições de forma frenética. Bruno encerrou a prova em sétimo e comemorou a segunda prova consecutiva nos pontos.

"Foi uma grande corrida, em que tive de defender e atacar ao mesmo tempo. Passamos do ponto no segundo jogo de pneus e eu perdi posições ali. Quase estragou minha corrida, foi meio no limite. Mas o carro teve potencial para esse resultado".

Já Felipe Massa terminou em 13º lugar depois de tentar uma estratégia diferente. Mas enquanto Fernando Alonso já operou alguns milagres com o F2012, o brasileiro tem no carro a sua cruz e é o único piloto a não ter pontuado neste ano, com exceção dos que defendem as três equipes pequenas da categoria. E as perspectivas para o domingo que vem, no Bahrein, não são de mudanças não. "Teremos o mesmo carro daqui, mas para Barcelona esperamos melhorar e ter um carro mais competitivo".

Sobre o Bahrein eu falo mais amanhã. Enquanto isso, deixe nos comentários suas opiniões e perguntas para a próxima edição do Credencial!

14abr/128

Uma corrida imperdível

Kobayashi é um dos incontáveis candidatos a vencer amanhã, tamanhas as incertezas em Xangai

Os ingredientes para um domingo épico em Xangai foram temperados com uma das classificações mais surpreendentes da história recente da Fórmula 1 neste sábado. A primeira pole-position de Nico Rosberg na categoria, com o companheiro de equipe Michael Schumacher largando a seu lado, era inesperada. Mas talvez nem tanto quanto o japonês Kamui Kobayashi em terceiro e o finlandês Kimi Raikkonen em quarto no grid.

A perspectiva de emoção fica ainda maior pelo conhecido fato de que, nas duas primeiras corridas do ano, os carros da Mercedes apresentaram na corrida um ritmo infinitamente pior que o da classificação. Não é por menos que um feliz Nico Rosberg foi bem cauteloso ao analisar suas chances na prova. “Temos de trabalhar duro para tentar entender e melhorar o ritmo de corrida – e temos melhorado ultimamente. Mas é muito difícil saber o quão bem iremos amanhã e se é o bastante para vencer”.

Fiz questão de abordar Kobayashi com esse dado. A Sauber costuma apresentar um bom ritmo de prova. Perguntei se ele pensava na possibilidade de vencer. "Não estou pensando nisso. A melhor coisa é pensar em mim mesmo e o que tenho de usar no carro para ter a melhor performance. Nunca largamos desta posição, então isso é diferente. Vamos ver o que podemos fazer amanhã."

Falei com Monisha Kaltenborn, a diretora do time, que seguiu a mesma linha. “É difícil falar sobre colocações. Muita coisa precisa combinar: estratégia, acerto, a forma do piloto..”, respondeu, pedindo licença em seguida para dar um apertado abraço no piloto japonês. O time suíço tem um dos melhores climas internos no paddock e isso está ainda mais claro neste ano em que bons resultados estão acontecendo.

A queda da temperatura ambiente na parte final do treino explica em parte o grid embaralhado do GP da China. Como a janela ideal de funcionamento dos pneus Pirelli é muito pequena, carros que privilegiaram um acerto com mais downforce se deram bem - caso de Mercedes e Sauber. E os favoritos patinaram, caso de McLaren e também da Red Bull. E, num certo grau, de Kimi Raikkonen.

Assim, não são poucos os que apontam boas chances para o finlandês na prova de amanhã. No final do dia hoje, quando quase uma centena de personagens no paddock se encontraram para uma corrida coletiva (a pé) pela pista, falei com o engenheiro de Kobayashi, o italiano Francesco Nenci, sobre a possibilidade de vencer. Ele imediatamente apontou para o colega do lado, que trabalha na Lotus com o finlandês. “Quem está com chances melhores é ele”.

Seria legal. Mas não se pode e nem se deve descartar a força de McLaren e Red Bull. Se o clima esquentar amanhã, como diz a previsão, seus carros não sofrerão como hoje e Button, Webber, Vettel e principalmente Lewis Hamilton virão babando do meio do pelotão. Vai ser um espetáculo bonito de se ver.

Uma última informação relevante para acompanharmos esta corrida. Ao contrário do que aconteceu nas duas primeiras corridas do ano e também na pré-temporada, aqui em Xangai são os pneus dianteiros que estão sofrendo desgaste maior. Um domingo com temperaturas mais altas pode jogar o desgaste novamente para os traseiros. Por isso que Kaltenborn citou o acerto como um dos fatores decisivos para amanhã. Quem deixou a dianteira mais “presa” (ou com melhor aderência) se beneficiou hoje, mas pode inversamente sofrer bastante amanhã. Num dos grids mais equilibrados que eu já vi - apenas seis décimos de segundo separaram os quinze (!) primeiros no Q2 -, faltam dedos nas mãos para apontar pilotos que podem vencer a prova.

Assim é bom demais!

13abr/124

Pelo mundo afora

Anda, anda, anda!

Quem não se irrita com um engarrafamento daqueles? Agora imagina pegar um desses na parte final de uma viagem que dura 31 horas? A saga da ida para a China, com filmes, livros e glórias (virtuais) no futebol está contada no meu relato na TV Blogo. Confere lá que vale a pena!

13abr/129

F-1 Acústico

Vrrrruuuuuuuuóóóóóóóóómmmmmm

Já postei isso na versão anterior do blog, mas é um fenômeno tão bacana que fiz questão de repetir. Abaixo temos um minuto do som dos carros de Fórmula 1 rasgando a reta dos boxes em Xangai. O formato da cobertura da arquibancada ali cria uma atmosfera inexistente em outras pistas, como se fosse uma corrida dentro de um ginásio. Clique no link para ouvir e, se quiser, baixe o arquivo para colocar como um toque barulhento do seu celular!

LINK PARA OUVIR E BAIXAR

F-1 Acústico by Luis Fernando Ramos Ico