Camilo, o Rei de Londrina (e sem exagero)
Não há como negar que Thiago Camilo tem sorte. Depois de ser beneficiado indiretamente pela confusão criada pelo regulamento em Santa Cruz do Sul, o piloto da Ipiranga RCM parte para a pista onde teve, de longe, a maior atuação na sua carreira. Pelo menos a que eu pude presenciar.
Isso aconteceu em 2009, no GT Brasil. Camilo pilotava em conjunto com Norberto Gresse um Porsche, considerado um dos carros mais fracos do grid (quem acompanhou o campeonato sabe da deficiência dos carros alemães).
Além de estar com um Porsche, no lado emocional, Camilo vivia o drama de ver o amigo Felipe Massa passar pelo momento mais difícil da vida, após receber, no dia anterior, uma mola na cabeça nos treinos na Hungria.
A preocupação de Camilo era visível e seu melhor amigo na ocasião virou o telefone, por onde acompanhava as notícias desconexas vindo da Hungria. Contudo, como profissional, era preciso pilotar. E, quando entrou na pista, teve uma das pilotagens mais impressionantes que pude ver.
Responsável por completar a prova, Camilo entrou no carro e voou. Passou o então líder Chico Longo na 35ª volta e, em 11 voltas, deu uma volta em todos, inclusive no segundo colocado. O semblante dele no pódio era de uma pessoa que estava com a cabeça em outro lugar. Tanto que, após deixar o pódio, se mandou para a Europa acompanhar a recuperação do amigo.
A humilhação foi tanta que os responsáveis pela comunicação do evento preferiram não colocar as diferenças no resultado final ao fim do press-release.
Ah, sem contar este episódio, Camilo venceu duas vezes nas três últimas corridas da Stock Car realizadas em Londrina. Tem como não o considerar um favorito? Pelo histórico, sem dúvidas. Agora, ele só precisa torcer para a sorte ficar do seu lado mais uma vez.
O que você faria se…
- Estivesse há dez anos na Stock Car
- Atrás de sua primeira vitória há tempos
- Investindo bastante em todo esse tempo
- Liderando a prova com o acerto da estratégia
- Isso depois de disputar e superar um dos pilotos mais conhecidos
- Sabendo que poderia ser desclassificado por conta de uma norma infeliz do regulamento
- Sabendo, também, que o resultado não seria alterado por conta do mesmo regulamento infeliz
Você...
a) ... entraria de novo nos boxes?
b) ... iria até o fim, mesmo sabendo que daria uma grande confusão?
c) ... Nenhum dos dois. Então, o que você faria?
Minha resposta: pensando bem, revendo a corrida, ouvindo outras opiniões, eu iria na opção B. Que culpa tem o Alceu se quem faz o regulamento permite tantas falhas?
E a sua?
Sorte, mesmo quando tem azar
Querendo ou não, Thiago Camilo foi o grande beneficiado com o que aconteceu em Santa Cruz do Sul.
O atual líder do campeonato viu sua corrida ir para espaço quando o câmbio do carro da equipe Ipiranga RCM o deixou na mão logo no início da disputa.
Camilo é o quarto colocado com 225, contra 232 de Max Wilson, 230 de Cacá Bueno e 226 de Ricardo Maurício. Aí você vai me perguntar: como ele foi o maios beneficiado se ele chegou líder e saiu em quarto?
Eu explico. Vamos levar em conta que os pontos de Alceu e Marcos Gomes fossem, ao invés de suspensos, entregues àqueles de direito, com a ordem de pontuação sendo Cacá - Maurício - Max - Valdeno - Popó - Maluhy - Burti - Ri Spera - Lico - Duda - Julio - Ro Spera - Xandinho - Leite - Khodair. Ele ficaria assim:
1°) Cacá Bueno - 239 pontos
2°) Max Wilson - 236
3°) Ricardo Maurício - 232
4°) Thiago Camilo - 225
5°) Popó Bueno - 222
6°) Átila Abreu - 216
7°) Luciano Burti - 215
8°) Marcos Gomes - 209
9°) Daniel Serra - 207
10°) Allam Khodair - 207
No entanto, como ninguém herdou pontos de ninguém, está assim:
1º) Max Wilson - 232 pontos
2º) Cacá Bueno - 230
3º) Ricardo Maurício - 226
4º) Thiago Camilo - 225
5º) Popó Bueno - 219
6º) Átila Abreu - 216
7º) Luciano Burti - 214
8º) Marcos Gomes - 209
9º) Daniel Serra - 207
10º) Allam Khodair - 206
Ou seja, ao invés de a desvantagem para o líder ser de 14 pontos, agora ela é de apenas sete. Existe ainda um descarte obrigatório, eu sei (que Marcos Gomes jogou no lixo; ou ele vence as três seguidas ou ficará mais um ano na fila), muita água vai rolar embaixo da ponte, mas é apenas uma constatação de que as coisas, mesmo quando dão errado, dão certo para Thiago Camilo.
Definitivamente, este deve ser seu ano. A não ser que o destino, que o vem ajudando até agora, decida mudar o curso do vento. O que, cá entre nós, seria uma baita injustiça.
De carona: Santa Cruz do Sul
Vá junto com o atual líder do campeonato em um passeio por um dos circuitos mais seletivos do Brasil:
Papel de Parede III – Monza
O wallpaper desta semana nada mais é que uma digna homenagem a um dos maiores pilotos da história do esporte. Foto linda, que merece estampar o desktop de muita gente. Aproveitem!
Itália, 1978 – um GP que não terminou
De longe, foi o GP da Itália mais complicado dos últimos 35 anos. Era para ser um fim de semana calmo, mas tudo resolveu acontecer no mesmo dia.
O acidente de Ronnie Peterson na largada, os atos heróicos de nomes como James Hunt e Clay Regazzoni para tirar o sueco do carro, as duas horas de atraso por conta do atendimento, outro acidente de Jody Scheckter na volta de aquecimento da relargada, que danificou a proteção e fez com que pilotos ameaçassem não correr, caso reparos não fossem feitos. Isso sem contar punições por queima de largada no complemento da prova.
Foi uma zona.
No fim, a corrida aconteceu com 19 carros, com todos correndo por obrigação, sabendo que o estado de Peterson era ruim. Mesmo assim, fizeram uma boa prova. Destaque para a atuação de Nelson Piquet, que era apenas um estreante, campeão da F-3 inglesa, e foi o nono.
Foi uma corrida daquelas que mudaram a história da F-1. Mas não interrompeu a sequência de acidentes fatais, algo que se repetiria quatro anos depois, em 1982 (outro ano negro), com Riccardo Paletti, continuando em 1986, com Elio de Angelis, até acabar em 1994.
Um resumo de aproximadamente 30 minutos, dividido em duas partes, explica bem como foi aquele fim de semana. Parafraseei Zuenir Ventura e seu livro "1968 - O Ano Que Não Terminou", pois esta corrida segue viva na cabeça de muita, muita gente. Quem não viu, esta é a chance:
De volta no tempo – Indy 500 de 1955
Nessas minhas andanças pela internet, consegui encontrar uma raridade: um documentário sobre as 500 Milhas de Indianápolis de 1955.
O filme de 27 minutos foi patrocinado na época pela Bardahl, que fez um belo de um merchãn nos primeiros minutos de disputa.
O vídeo, com imagem impecável, foi muito bem produzido, com imagens que mostram bem como era o automobilismo naquela época. Arriscado, apaixonado.
As baratinhas, os capacetes, a comunicação pelas boas e velhas placas, pilotos/mecânicos, acidente fatal tratado com naturalidade, Indianápolis em sua essência, o vídeo vale muito a visita. Existem muitos detalhes para serem apreciados, comparados, analisados.
O acidente fatal foi comovente, de um piloto em seu auge. Bill Vukovich liderava e buscava sua terceira vitória consecutiva no superspeedway. No vídeo, foi reportado com frieza, inclusive mostrando os membros da equipe esperando sua passagem na reta, o que não aconteceu.
Apesar da constante mutação, o automobilismo é inabalável em sua emoção. E notem: aos 12:57 de vídeo, uma bandeira do Brasil, um país até então sem tradição até no futebol, aparece tremulando.
De carona: Thiago Camilo, Salvador
Confira, de dentro do carro do piloto da Ipiranga RCM, os principais momentos do GP da Bahia da Copa Caixa Stock Car. Sinta o gostinho de vencer uma corrida junto com o atual líder do campeonato:
Esporte (ponto final)
Um projeto bem bacana foi lançado nesta semana, o Esporte (ponto final), onde grandes personalidades contam momentos marcantes de sua carreira. O primeiro vídeo tem Oscar, do basquete, e Sócrates, do futebol.
Sócrates, inclusive, passa por momentos difíceis, sendo internado novamente por complicações médicas. E exaltar sua história gloriosa no esporte é a maior forma de dar energias positivas ao craque. Assista e divulgue!











