24abr/1311

Coluna do Dé – Um belo GP

A prova do Bahrein, disputada nesse Domingo de Tiradentes, foi, na minha opinião, a melhor e mais disputada corrida até agora. Diferentes estratégias fizeram até os mais experientes analistas coçarem a cabeça na tentativa de entender a disputa.

Já na primeira volta, uma coisa que me impressionou bastante foi a agressividade de Vettel. Cheguei a pensar que ele estava arriscando demais. Freios e pneus frios, carro pesado… Mesmo assim, ele botou por dentro na chicane de alta e ultrapassou Alonso, recuperando o segundo lugar perdido na largada. Logo partiu pra cima de Rosberg e foi apenas uma questão de tempo pra assumir o primeiro lugar.

Todo mundo sabe que, para manter os pneus em boa saúde, é fundamental estar na ponta, sem a turbulência gerada por outros carros. E era isso o que ele queria: ar limpo.

Uma vez na frente, Sebastian impôs um ritmo impressionante, comparado com sua corrida na China. Na volta 21 já estava mais de 14 segundos à frente de Webber, então segundo colocado.

Obviamente, a sorte anda ao lado de quem trabalha melhor e, nesse caso, Vettel foi agraciado também com uma performance ruim de Kimi no sábado e com o problema de Alonso, ao ficar sem DRS durante a prova.

Todos esses ingredientes parecem ter sido essenciais para uma vitória relativamente fácil da Red Bull número um; uma vitória que começou a ser construída na sexta feira e, na minha opinião, um sinal claro de que a equipe e o piloto já entenderam o funcionamento dos Pirelli.

Bahrein teve também várias outras batalhas e a mais 'polêmica' delas foi entre os companheiros de equipe Jenson Button e Sergio Perez. Passei o domingo lendo e ouvindo muita gente condenando o mexicano por seu 'arrojo' exagerado, a começar por Button, que choramingou bastante no rádio. Até acho que Perez foi agressivo, sim, e chegou a tocar no carro de Button, mas, em certos casos é melhor pecar pelo excesso do que pela falta. E vamos combinar, né? Sergio Perez estava devendo uma atuação no mínimo condizente com o seu cargo atual.

Nessa segunda feira, já de cabeça fria, Button disse no Twitter que conversou com Checo e estava tudo certo entre os dois. Cá entre nós, espero que essa conversa não tenha esfriado os ânimos e tomara que outras brigas aconteçam.

Como torcedor de F-1, achei fantástica a atitude de Martin Whitmarsh ao não interferir na disputa entre seus pilotos. Alguém precisa fazer uma camiseta em homenagem a ele dizendo: "Congrats Martin, that's racing!"

Fiquei foi com uma pena horrível de Rosberg. Depois de ser obrigado a pastar atrás de Hamilton na Malásia, por ordens de Ross Brawn, a pole no Bahrein parecia sua redenção. Ele mesmo declarou que esperava que finalmente sua temporada começasse. Pois bem, passou a corrida brigando com quase todo mundo, chegou em nono lugar e ainda viu Hamilton chegar em quinto. Que castigo!

O pódio foi completado pelas Lotus e fiquei surpreso por ambos. Kimi, que largou em oitavo fez uma corrida sólida pra chegar em segundo, e Grojean, que não havia feito nada até agora e conseguiu um excelente terceiro. Aliás, coincidência total, ano passado os três subiram ao pódio nessas mesmas posições. Li em algum lugar que foi apenas a terceira vez que isso acontece!

Paul di Resta, que pra mim era o maior picolé de chuchu, aproveitou o bem equilibrado carro da Force India. Quarto lugar. Outra coincidência com 2012 é que Di Resta chegou a liderar a prova também esse ano.

Se vc pegar o orçamento da Force India e da Lotus e comparar com o da Red Bull vai ver que os resultados deles foram sensacionais!

O Domingo para Ferrari foi um terror. Não entendo uma coisa: por que não disseram pro Alonso não usar o DRS quando este travou pela primeira vez? Fernando teve que entrar novamente no box e aí já era. Na Malásia já haviam errado e agora isso… tão achando que o espanhol faz milagre?

Massa, que todo mundo esperava que fosse dar o 'pulo do gato' ao largar com pneus duros…Felipe aproveitou pra falar um pouco mal do pneus mas na boa, para mim foi má sorte mesmo.

Com esse resultado, a Red Bull está a 33 pontos da Ferrari no mundial de construtores e Vettel a 10 de Kimi e 30 de Alonso no de pilotos.

Enfim, Bahrein 2013 foi um GP sensacional no qual não faltou ação, disputa, velocidade e estratégia. Quem não gosta dessa F-1, bom sujeito não é… ;-)

E que venha o GP da Espanha.

Sobre o autor: Dé Palmeira, ou simplesmente Dé, formou o line up original e clássico do Barão Vermelho, ao lado de Cazuza, Frejat e cia., até 1989, e, entre ensaios e projetos ao lado de Tony Platão, Dado Villa-Lobos e outros grandes nomes da música brasileira, arrumou um tempinho para mostrar seu lado veloz para nós. Quem quiser falar com ele é fácil: @depalmeira.

21abr/132

Corridão

Semanas atrás eu havia dito que o Dream Team da Red Bull acabou. Mas o GP do Bahrein mostrou que, quando tudo está em ordem e o carro se adapta bem à pista, eles voam. Com um pouquinho de sorte, então, melhor ainda.

Sem entrar em polêmicas - já bastam as que já tiveram -, a equipe se focou no trabalho e o resultado pôde ser visto na pista. Em uma corrida onde as disputas foram intensas, Vettel conseguiu abrir mais de 20s para o segundo colocado antes do segundo pit stop, e isso o deu muita segurança para apenas controlar o ritmo depois. Por outro lado, Webber não conseguiu andar no mesmo ritmo, terminando 37 segundos atrás, perdendo o sexto lugar na última volta.

Melhor ainda para a Red Bull não foi a vitória de Vettel, mas o azar da Ferrari. O DRS quebrado de Alonso (que o impediu de somar muitos pontos) e dois furos de pneus no mesmo lado de Massa deu ao time austríaco uma "gordurinha extra" de pontos na disputa dos Construtores. Alonso andava no ritmo de Vettel, mas a ausência do dispositivo foi bastante sentida nas disputas, e o espanhol teve de se contentar com um oitavo lugar. Com os dois furos, Massa amargou um 15º lugar.

As corridas no Bahrein, geralmente chatas, ganharam uma vencedora: a edição deste ano foi a mais movimentada de todas, graças aos acessórios usados para apimentar o espetáculo: DRS, pneus, Kers. Vimos disputas ousadas e arriscadas, como as de Button e Perez, que encheram os olhos dos fãs. Prova de que o formato atual, elogiado recentemente pelo público, é um grande acerto.

Quem merece muitos elogios é a Force India, que colocou Di Resta durante parte da prova em segundo, mas depois caiu para quarto, sem contar as excelentes largadas dele e de Sutil, que acabou se atrasando após perder a disputa com Massa em uma das curvas da primeira volta e não conseguiu se salvar.

A Lotus também foi uma equipe que despontou na corrida e colocou seus dois pilotos no pódio, com Raikkonen em um seguro segundo lugar (evoluindo seis posições), seguido de Grosjean, que repetiu o pódio do ano passado - e evoluiu oito posições!

O contrário aconteceu com a Mercedes. Rosberg, o pole, recebeu a bandeirada apenas em nono, em uma despencada brutal. Hamilton, por sua vez, conseguiu salvar um bom quinto lugar por ter conseguido poupar pneus e atacar no fim, após ter sido punido no grid por trocar o câmbio e sair em nono.

A McLaren também se esforçou e foi recompensada com o guerreiro Perez em sexto, com Button perdendo rendimento no fim e sendo décimo. Mas a disputa entre os dois vai dar o que falar ainda, pois Button reclamou da agressividade do companheiro, considerada exagerada.

Por fim, Maldonado, da Williams, e Hulkenberg, da Sauber, merecem destaque no segundo pelotão. Com tudo o que aconteceu em Sakhir, a expectativa é para a corrida em Barcelona seja tão emocionante quanto.

19abr/130

Equilíbrio e degradação, as palavras da sexta-feira no Bahrein

Dez pilotos no mesmo segundo. Este foi o saldo do primeiro dia de treinos no Bahrein. Com manifestações ou não, as sessões aconteceram em um clima de aparente calmaria.

Interessante ver a Lotus mantendo um ritmo constante nesta quarta corrida do ano. É um nítido sinal de que ela veio para ficar, principalmente por conta do bom ritmo apresentado nas simulações de stints longos. Apesar disso, Raikkonen minimizou qualquer tipo de favoritismo.

Depois da chacoalhada na China, a Red Bull parece ter dado uma reagida, em segundo e terceiro, bem próxima de Raikkonen. Era o objetivo da equipe melhorar em termos de performance de corrida e, pelo que vimos, ela deu um bom primeiro passo.

Alonso ficou logo atrás, a 0s156, enquanto Massa liderou pela manhã e fechou o "top 6", com um impressionante Di Resta em quinto. Todos a menos de 0s4 de Raikkonen. No time italiano, a preocupação maior é com a degradação excessiva dos pneus traseiros, e o trabalho girou em torno da minimização desse problema.

Será muito apertada a classificação. Me chamou a atenção o esfarelamento dos pneus, como destacado também pela Ferrari, com a pista tendo uma enorme trilha rodeada de pedacinhos de borracha, o que deve fazer dos pneus as grandes vedetes no Bahrein, assim como foi em Melbourne, Sepang, Xangai e será em Barcelona, Mônaco, Montreal...

A Mercedes que não pareceu ser muito veloz nesta sexta, mas eles podem estar escondendo o jogo. Hamilton derruba um pouco esta tese, afirmando que precisa de mais velocidade, enquanto Rosberg se queixou muito de saídas de frente.

Já a McLaren pareceu se esforçar para ficar em 11o e 13o, mas Button e Perez sabem poupar pneus, o que pode ajudar, mas nem os próprios pilotos estão muito confiantes nisso.

A Toro Rosso despontou na frente de Sauber e Williams no segundo pelotão, com a Caterham levemente levando a melhor contra a Marussia com seu melhor carro. Van der Garde está se saindo uma grande decepção, tomando seis décimos do Bianchi e 1s do Pic.

Um panorama interessante se desenha e seria legal para todo mundo que os cinco primeiros consigam manter essa pequena diferença entre si e que entrem até outros carros, como a Lotus de Grosjean, que timidamente vai se colocando entre os primeiros.

14abr/132

Com Red Bull fraca, Alonso agradece. E vence

Quem acordou "bêbado de sono" às 4 da manhã de um domingão não se arrependeu com a corrida que viu da Fórmula 1 na China.

Tivemos muitas ações, do início ao fim, como a largada espetacular das Ferrari, beneficiando-se de uma bobeada de Kimi Raikkonen, os pit stops logo nas primeiras dez voltas e um jogo de estrategia envolvendo Sebastian Vettel, Jenson Button e Sergio Perez, que iniciaram a corrida com um pneu de maior durabilidade.

Apesar de apostarem em um jogo correto, Vettel e a Red Bull não foram páreo à estabilidade e velocidade de Alonso (e de outros carros, também). O espanhol já havia despachado Hamilton e só controlou a prova no fim. O inglês, que partira da pole, ainda perderia uma posição para Raikkonen, consistente do começo ao fim.

Massa não consegui manter o ótimo início e foi ficando para trás, culpando os pneus. Chegou em sexto, atrás de Button. Vettel também não resistiu e caiu para quarto, uma prova de que a Red Bull não é mais a mesma - até errar, o time errou, não parafusando bem a roda traseira direita, que se soltou na frente de Massa e Vettel.

Webber ainda erraria feio ao bater em Jean-Eric Vergne, mostrando também que o acontecido na Malásia ainda não passou, pelo menos em sua cabeça. Com a crise na Red Bull, Alonso é quem agradece.

Outros destaques: Hulkenberg, que liderou algumas voltas com a Sauber; Button, que luta com um McLaren ruim para ser quinto; Daniel Ricciardo, em seu melhor fim de semana na carreira, chegando em sétimo, e Jules Bianchi, que segue surpreendendo com a Marussia.

13abr/135

O Dream Team acabou

Não sei se vocês sentiram a mesma coisa que eu na terceira parte da classificação para o GP da China, em Xangai, quando Sebastian Vettel foi para a pista com pneus médios, praticamente abrindo mão da pole e amargando um nono lugar - estratégias à parte -, após Mark Webber parar na pista sem gasolina na fase anterior, por puro erro de cálculo. Para mim, isso sacramentou o fim da fase Vettel/Webber na Red Bull. Desse ano não passa.

Esta nítido que o acontecido na Malásia afetou toda a equipe, não só a dupla de pilotos. A ponto de engenheiros experientes deixarem um carro sem gasolina. Tudo bem que a China não é o palco dos deuses para a Turma do Didi (Mateschitz), mas o que aconteceu neste sábado foi a maior amostra de fragilidade da equipe austríaca desde 2009, quando Vettel entrou por lá. Até a Toro Rosso ficou na frente deles, com Daniel Ricciardo. E, para completar, Webber sairá em último.

Não estou querendo dizer que a Red Bull está fadada ao fracasso. Ela até pode reagir. Mas que a coisa não funciona mais como antes, isso é fato. O que é bom para a F-1, pois Ferrari e Mercedes estão doidinhas para vencer, e a Lotus de Raikkonen, como vimos na Austrália, e a McLaren de Button, que jamais podemos descartar, estão prontos para aproveitar qualquer oportunidade.

Isso também faz a gente pensar que a fórmula atual já não serve mais para a Red Bull e é preciso mudar. Vou além: penso que em 2014 nem Webber, nem Vettel estarão na equipe. A partir daí, podemos imaginar diversos cenários.

<b>Terra da Mercedes<b> - É incrível ver como a Mercedes anda bem em Xangai. É como a Force India, recentemente, em Spa e Monza. Eles podem ir mal o ano todo, mas quando chegam nesses circuitos, eles voam. Não foi um domínio como no ano passado, mas Hamilton tem uma chance real de vitória neste fim de semana, ainda mais sem a presença da Red Bull no pelotão da frente.

E, mais uma vez, preciso destacar o excelente desempenho de Jules Bianchi, quase um segundo à frente do carro mais próximo. Ele veio para ficar e notei que em seu capacete existe um pequeno logotipo da Scuderia Ferrari, na chamada tampa do casco. Prestem atenção na próxima onboard.

Será uma corrida interessante, sem dúvida.

12abr/131

Mais atitude, por favor

Já tivemos duas corridas na temporada e estamos partindo para a terceira. E até agora está difícil de analisar quem é o nome a ser batido ou qual equipe possui o melhor carro. Está tudo muito embaralhado.

Nesta sexta-feira, vimos uma Red Bull mediana, uma Mercedes que começou forte, a Ferrari em boa forma e Raikkonen botando a Lotus lá em cima, com a McLaren se esforçando para colocar seus dois carros entre os dez, sem sucesso, e a Force India só esperando para fatiar o bolo.

Na segunda metade do grid, Sauber e Toro Rosso estão em uma disputa bacana, enquanto a Williams tenta se misturar a eles. No fim do grid, a Marussia, graças ao Bianchi, está cada vez mais à frente da Caterham (foram seis décimos de Bianchi para Garde). Uma virada significante e que, pelo jeito, será uma constante.

O assunto do dia e do fim de semana, no entanto, é a guerra declarada entre Vettel e Webber na Red Bull, que já rendeu muitos cliques e folheadas em revistas e sites especializados. Uma discussão esperada, ainda mais com a revelação recente do alemão, de que devolveu uma fechada recebida na volta inicial do GP do Brasil do ano passado.

Para mim é assunto batido. Uma vez que eles tiveram semanas para falar e falar; agora é hora de fazer. Quem quiser ser respeitado precisará construir esse respeito, como Massa está fazendo na Ferrari. Depois de anos na berlinda, ele trabalhou e hoje terminou o dia na frente.

Ou seja, Vettel e Webber precisam parar de chorar e reclamar. Se querem ser os melhores, que vençam. Ou pelo menos se esforcem. E parem de ficar querendo contar com acordos ou ordens de equipe. Isso é coisa de piloto bundão.

28mar/138

20 anos

Hoje, 28 de março, marca 20 anos de um dos dias mais importantes da minha vida. Foi quando eu vi a mágica acontecer. É um daqueles dias que eu não esqueco um minuto sequer do que aconteceu. Foi o dia do GP do Brasil de 1993. Aos dez anos de idade, aquilo ali me marcou mais que qualquer outra coisa. Até hoje me lembro.

Lembro quando caiu uma pancada de água em casa e, 15 minutos depois, desabou no autódromo. Lembro de cada minutinho daquela corrida, dos acidentes de Prost, Fittipaldi, dos carros espalhados na reta, da felicidade que eu senti na hora da bandeirada, ao ver ele ser carregado, o público invadindo a pista. No dia seguinte, comprei todos os jornais, fiz trabalho voluntário para a escola, lembro que foi primeira página da Folha, do Estado, ganhei do meu amigo Caio (sei lá o que aconteceu dele) a revistinha que distribuíam no autódromo e guardei como meu grande prêmio (até hoje). É o símbolo da época mais feliz da minha vida.

Apesar de eu ficar espantado que se completam 20 anos deste dia, e que estou chegando aos 30, eu fico mais é feliz em rever essas imagens. Inclusive, tenho um especial completo sobre 1993 que está em fase de finalização e virará uma série no blog, que deve durar alguns meses.

Vamos nos deliciar com este momento histórico:

24mar/135

De que lado você está?

Quem diria que a gente veria alguém pedir desculpas por ter vencido uma corrida. Afinal, qual o melhor julgamento para se fazer do que aconteceu neste domingo no GP da Malásia de Fórmula 1? É difícil, pois cada um dos lados tem sua razão.

O que aconteceu na Red Bull não é novidade. Já não é de hoje que Vettel e Webber se estranham nas pistas pelo mundo, mas neste caso ficou explícito que o atual tricampeão criou uma situação de mal-estar que já não é novidade na categoria. Teria lhe faltado bom-senso, mas seu instinto vencedor falou mais alto, para o azar do australiano, que se viu totalmente desmoralizado e reclamou com total razão, tendo em consideração seu ponto de vista.

Em 1982, no GP de San Marino, Gilles Villeneuve liderava, com seu companheiro de Ferrari, Didier Pironi, em segundo. Pironi era o mais rápido, mas a equipe havia combinado que as posições seriam mantidas. Na última volta, Villeneuve foi surpreendido por uma ultrapassagem não esperada e, após a bandeirada, prometeu nunca mais falar com o companheiro.

Neste caso, a briga ganhou um desfecho trágico: na ânsia de superar Pironi na classificação para o GP seguinte, na Bélgica, Villeneuve sofreu um acidente fatal. Outro caso histórico é o de Senna e Prost, no mesmo GP de San Marino de 1989. O brasileiro desrespeitou um acordo de cavalheiros e ganhou a ira de Prost e uma rivalidade áspera que marcou sua carreira.

Porém, na F-1 cada vez mais comercial, disputar posição com companheiro de equipe parece ser um crime, é politicamente incorreto. E foi interessante ver isso acontecer com outras equipes além da Ferrari, a "rainha das ordens". Na Mercedes, Nico Rosberg bateu o pé, mas não conseguiu autorização para passar Lewis Hamilton e acatou a decisão da equipe, o que gerou um novo mal-estar.

No entanto, Vettel já é maior que a Red Bull, o que não é o caso de Rosberg com a Mercedes, e a Red Bull precisa mais dele que o contrário. Ele sabe disso e fez valer esse direito. Se ele desrespeitar o chefe, sem problemas; se Rosberg, você ou eu desrespeitarmos o nosso, é demissão na certa.

Na visão pura do esporte, Vettel fez certo e Rosberg, errado. Na visão política do esporte, Rosberg acertou e Vettel pecou. Isso tudo pode fomentar a mídia em torno da F-1, mas gera uma profunda discussão sobre a legitimidade da categoria em permitir que o mais rápido vença. Cabe a você escolher um lado.

Rapidinhas:

- Na Austrália, Ferrari e Lotus se sobressaíram; na Malásia, foi a vez de Red Bull e Mercedes. E na China, quem será que dará as cartas? A Mercedes venceu no ano passado, com Rosberg.

- Massa fez o que podia. A Ferrari não foi páreo para Red Bull e Mercedes e foi até bom para Alonso abandonar, assim ele também não "passaria vergonha", apesar de que foi muito teimoso ao seguir na pista de bico quebrado. Possíveis pontos que podem fazer falta.

- Hamilton andou bem e mostrou que ganhou moral rápido na Mercedes. E o fato de ter errado os boxes e ter parado na parte da McLaren em seu primeiro pit stop já se transformou em um dos grandes momentos do ano.

- Hulkenberg fez uma grande corrida com a Sauber e deixou Perez, ex-Sauber, para trás.

- Por pouco Valtteri Bottas não pontuou. Maldonado abandonou novamente.

- Bianchi novamente colocou a Caterham e Chilton no bolso.

- Pra encerrar como foi a primeira reação dos pilotos após o pódio.

22mar/131

Kimi, Lotus e Pirelli, os nomes da sexta-feira

Kimi e Lotus na frente... é a F-1 2013 mostrando as caras

O primeiro dia de treinos livres na Malásia me impressionou duplamente. Primeiro pelo ritmo de Raikkonen e da Lotus, mesmo que apenas 0s092 à frente de Massa, o terceiro colocado, que também chamou a atenção. Segundo, pelo jeito que os pneus Pirelli se degradaram durante a primeira sessão e parte da segunda.

Ninguém esperava um Raikkonen no topo das tabelas. Brigando pelas primeiras posições, sim, mas não diretamente pelo primeiro lugar com vitória logo de cara. E uma das provas de que a Lotus, cujo carro é equilibradíssimo, está no páreo é o sexto tempo de Romain Grosjean, a 0s6 do parceiro.

Todos achavam que seria mais um ano em que a Red Bull fosse sobrar e não é isso que estamos vendo até agora e podemos não ver, pelo jeito. O páreo está bem mais apertado que a própria equipe imaginava. O que é bom para a F-1.

Vettel em segundo não quer dizer muita coisa, pois o problema da Red Bull é em ritmo de corrida, que começa bem e vai decaindo. Massa à frente de Alonso empolga. Webber tomou quatro décimos de Vettel, mas ficou bem próximo de Alonso.

Perez foi melhor que Button na sexta-feira no duelo da "rebaixada" McLaren

A Mercedes lidera o grupo que vou chamar de Série B, com Rosberg e Hamilton separados pela Force India de Di Resta e Sutil logo atrás, fechando o "top 10", com a "rebaixada" McLaren (Perez à frente de Button, vale ressaltar) e Sauber na sequência (Hulk adiante de Gutierrez).

Toro Rosso lidera a Série C, com a Williams de Maldonado entre Vergne e Ricciardo, e um surpreendente Bianchi (Marussia) logo atrás, à frente de Bottas (Williams), Pic, Garde (ambos da Caterham) e Chilton.

Incrível o detalhe do desgaste dos pneus em Sepang

Agora, que coisa impressionante foi ver os pneus Pirelli se despedaçando. Em câmera lenta era ainda mais impactante ver os tecos de borracha se soltando e descolando da banda do pneu. E isso refletindo nitidamente nos tempos de volta. É algo que acredito ser proposital da Pirelli justamente para provocar mais ação na corrida, mas o calor malaio também contribui para aumentar esse desgaste.

A moral da história é que em Sepang o essencial deve ser administrar os pneus. É ter frieza na hora da corrida. E aí é que a Lotus pode dar o bote novamente; afinal, frieza é com Kimi mesmo. Com chuva então é aquele caos como na corrida de 2001, relembrado pelo vídeo abaixo… O fim de semana promete um caldeirão de emoções!

19mar/133

Mais uma maratona!

Acordar as 5 da manhã ninguém gosta. Ainda mais no fim de semana. Mas todo mundo estará tinindo em pé às 4h45 neste domingo, pode ter certeza. Teremos desta vez mais uma maratona de velocidade, mas, neste caso, com as duas principais categorias de monopostos do mundo!

A Fórmula 1 vai até a Malásia em sua primeira dobradinha do ano. Com previsão de chuva para o domingo, segundo o site oficial, mas com temperaturas na casa dos 34ºC. Será um fim de semana certamente bem desgastante, onde os pneus terão ainda mais importância, uma vez que em Sepang o consumo é bem maior, mesmo sendo uma pista com um ótimo asfalto.

Foi uma corrida que no ano passado viu pole de Lewis Hamilton (então na McLaren), vitória de Fernando Alonso (Ferrari) e melhor volta de Kimi Raikkonen (Lotus). Mas, por outro lado, nos outros dois anos anteriores, quem mandou foi a Red Bull, com duas vitórias de Sebastian Vettel, uma pole de Vettel e outra de Webber, com o australiano fazendo as duas melhores voltas.

Imprevisível saber o que vai acontecer no fim de semana, né? De previsível, só os horários das provas, que você pode ver abaixo:

Treino livre 1: quinta-feira (21), 23 horas (canais SporTV)
Treino livre 2: sexta-feira (22), 3 horas (canais SporTV)
Treino livre 3: sábado (23), 2 da manhã (canais SporTV)
Tomada de tempos: sábado (23), 5 da manhã (Rede Globo, Rádio Jovem Pan)
Corrida: domingo (24), 5 da manhã (Red Globo, Rádios Jovem Pan, Bandeirantes, Globo/CBN)

Do outro lado do mundo, nas ruas de St. Petersburg, nos Estados Unidos, a Fórmula Indy dá o pontapé inicial na temporada 2013 com dois brasileiros: Helio Castroneves e Tony Kanaan. Helio é o atual vencedor da prova e segue na Penske, com chances de vitórias e títulos, com Kanaan tendo uma companheira de equipe à altura em Simona de Silvestro para fazer a KV finalmente decolar.

Ao contrário do que acontece em outras categorias, na Indy a estabilidade é o grande negócio. Os principais nomes seguem em suas equipes de direito, como Will Power (Penske), Dario Franchitti (Ganassi), Ryan Hunter-Reay (Andretti), Scott Dixon (Ganassi), com nomes que podem surpreender, casos de James Hinchcliffe (Andretti), Graham Rahal (RLL), Simon Pagenaud (Schmidt) e Josef Newgarden (Sarah Fisher).

As atividades da Indy são no período da tarde e ainda não sabemos se a Band transmitirá ao vivo ou será a Bandsports, que negocia para exibir também os treinos classificatórios. Veja os horários:

Treino livre 1: sexta-feira (22), das 12h10 às 12h55
Treino livre 2: sexta-feira (22), das 15h40 às 16h25
Treino livre 3: sábado (23), das 11h25 às 12h10
Classificação parte 1, grupo 1: sábado (23), das 15h05 às 15h15
Classificação parte 1, grupo 2: sábado (23), das 15h20 às 15h30
Classificação parte 2: sábado (23), das 15h40 às 15h50
Classificação parte 3: sábado (23), das 16h às 16h10
Warm up: domingo (24), das 09h45 às 10h15
Corrida: domingo (24), das 13h30 às 15h45 (Band ou Bandsports)

Com esses horários, não há o que temer e o que perder!