Consequências de Campo Grande
O fim de semana da Copa Caixa Stock Car começou agitado no Rio de Janeiro. Antes mesmo de começar, o dia foi repleto de comunicados, protestos e esclarecimentos.
Tudo começou com a organização, defendendo-se sobre os acontecimentos de Campo Grande, quando os pilotos da Red Bull foram punidos erroneamente com "drive through" por terem excedido o limite de velocidade nos boxes _culpa de um problema nos sensores da cronometragem. A organização jogou toda a responsabilidade na Confederação Brasileira de Automobilismo (CBA).
Confira o comunicado na íntegra:
Em respeito aos fãs, imprensa, patrocinadores, equipes e pilotos, a Vicar Promoções Desportivas S/A gostaria de informar que suas atribuições e da Confederação Brasileira de Automobilismo (CBA) são totalmente distintas, e vem esclarecer o que segue:
- que a Vicar Promoções, como o próprio nome diz, é uma empresa que promove eventos esportivos, responsável pela promoção e realização da Stock Car e outros campeonatos do automobilismo brasileiro, gerindo as áreas comerciais e promocionais.
- que a CBA, entidade máxima do automobilismo brasileiro, é a responsável por gerir as competições no que se refere às questões técnicas e desportivas, tendo total gerência sobre as decisões dos comissários, diretores de prova ou qualquer outro oficial de competição nomeado e ou homologado por ela..
- que os vários serviços contratados para a execução das atividades de operar e fiscalizar as competições, tais como sinalização, resgate de pista e médico, todos os oficiais de competição (como diretor de prova, comissários, cronometristas, entre outros), são pagos pelas empresas promotoras para que estejam à disposição da CBA durante todo o evento.
- que todos os recursos físicos, tais como equipamentos eletrônicos, monitoramento das imagens de pista, instalações, mobiliário, safety car, medical car, carros de resgate, ambulâncias, carros pipas, varredeiras, etc., são também providos pelas empresas promotoras para atender as necessidades da CBA.
- que está claro que são de inteira responsabilidade da entendidade máxima do automobilismo brasileiro, CBA, as decisões tomadas pelos seus oficiais, tais como orientações, punições e resultados.
- que a Vicar sempre buscou uma postura parceira da entidade, procurando auxiliar em tudo que esteve ao seu alcance para que o resultado dos trabalhos fosse sempre os melhores possíveis.
- que a Stock Car é uma competição esportiva, assim como tantas outras, sendo que as empresas que as promovem não deveriam ser responsabilizadas por erros e acertos de decisões técnicas e desportivas. Será que as empresas promotoras dos torneios de futebol deveriam ser responsabilizadas por um pênalti mal marcado?
- que pilotos e equipes são filiados à CBA, e nesta relação têm direitos e responsabilidades, portanto quaisquer questionamento relativo às orientações, punições e resultados de pista deve ficar no âmbito da entidade e seus filiados. Não cabendo às empresas promotoras manifestarem-se sobre tais assuntos.
- que a Vicar, juntamente com equipes, pilotos, patrocinadores e demais parceiros, trabalhou muito para levar a categoria ao patamar de profissionalismo e prosperidade que hoje se encontra, principalmente se comparado ao que existia há alguns anos. Obtendo ótima visibilidade institucional, nunca antes alcançada no automobilismo brasileiro. Além disto gerando grande quantidade de empregos diretos e indiretos e a oportunidade para diversos pilotos profissionalizarem-se no automobilismo brasileiro.
Maurício Slaviero
Diretor Geral
Vicar Promoções Desportivas S/A
Poucas horas depois, a Red Bull se pronunciou com uma jogada de mestre, com o objetivo de pressionar ainda mais o campeonato após a punição injusta. O time pintou os dois carros de preto e estampou na testeira que "Corrida tem de ser na pista". Veja como ficaram os carros (clique para ampliar):
Junto ao carro, um comunicado solicitando mudanças imediatas na Stock Car. Veja:
Há nove temporadas, a Red Bull acredita e investe no automobilismo brasileiro, com um único objetivo: brigar por vitórias. Desde seu nascimento, no Brasil e no mundo, a Red Bull tem o esporte a motor como uma paixão que beira o vício.
Infelizmente, uma série de episódios acontecidos nos últimos anos – culminando com a punição dupla por excesso de velocidade em Campo Grande – nos dão a convicção de que a gestão desportiva fora das pistas, realizada pela Confederação Brasileira de Automobilismo (CBA), não está à altura do alto nível de profissionalismo dos pilotos e equipes que participam das competições no Brasil.
Para que isso finalmente aconteça, acreditamos que seja necessária a implementação, com urgência, de importantes mudanças:
1) Profissionalismo dos Comissários Desportivos:
Em qualquer corrida, as decisões dos Comissários têm o poder de consagrar ou jogar por água abaixo o trabalho dos profissionais que arriscam suas vidas dentro da pista. Trata-se de uma responsabilidade imensa, e que portanto deve ser exercida por indivíduos altamente capacitados e com ampla experiência, não por afiliados políticos de Federações estaduais. Como exemplifica a Fórmula 1 atual, o recrutamento de grandes ex-pilotos é uma das melhores soluções possíveis nessa situação;
2) Consistência e coerência nas punições:
A consequência maior de não possuir Comissários profissionalizados é a repetição frequente de casos de “dois pesos, duas medidas”, em que infrações idênticas são sancionadas de formas diferentes – já que, a cada corrida, diferentes membros de uma respectiva Federação estadual são convocados a atuar como comissários, sem necessariamente ter acompanhado os critérios anteriores utilizados em etapas do mesmo campeonato acontecidas em outros estados. Sem consistência nessas decisões, o espírito esportivo dos resultados fica comprometido;
3) Regulamentos mais claros:
A melhor maneira de evitar “zonas cinzas” nos regulamentos técnicos e desportivos é fazendo uma redação completa e coerente dos mesmos. Textos redigidos da maneira atual, deixando decisões sobre diversos pontos “a critério dos Comissários”, inevitavelmente causarão inconsistências;
4) Transparência nas decisões:
Quando pilotos ou equipes são injustamente punidos por erros que não os seus, o que se espera em um campeonato transparente é que esses erros sejam tornados públicos, de modo a preservar a imagem das partes prejudicadas.
Estamos pedindo demais? Acreditamos que não, e que todas as pessoas que realmente gostam e vivem de corridas em nosso país também adorariam ver esses quatro pedidos atendidos. O automobilismo brasileiro merece – e precisa, para continuar a crescer – ser elevado a um novo patamar de profissionalismo fora das pistas.
Afinal de contas, corrida é na pista.
A CBA ainda não se manifestou. Até as 16h desta sexta-feira. Leiam:
Com relação aos fatos ocorridos durante a quinta etapa do Campeonato Brasileiro de Stock Car V8, disputada dia 5 de junho no Autódromo Internacional de Campo Grande (MS), a Confederação Brasileira de Automobilismo esclarece que:
1) A empresa provedora de serviços de cronometragem reitera que duas aferições realizadas no equipamento utilizado em Campo Grande comprovaram que o mesmo funcionava dentro da normalidade. Em 812 passagens durante a prova ocorreram distorções de medição na ordem de 0,246%.
2) Cabe ao serviço de cronometragem informar aos comissários desportivos o numeral dos veículos que excedem o limite de velocidade na área dos boxes. De posse da informação os comissários desportivos aplicam o parágrafo I do artigo 82 do Regulamento Desportivo da categoria, documento disponível no site da CBA. O procedimento descrito nesse parágrafo foi cumprido de acordo com o estipulado.
3) A escalação dos comissários técnicos e desportivos para atuar em provas de campeonatos brasileiros demanda a presença desses oficiais em seminários e cursos de formação e aprimoramento. Nos últimos dois anos a CBA realizou três seminários dedicados a isso, ministrados por instrutores indicados pela Federação Internacional do Automóvel (FIA) e mantém encontros pontuais para efetuar um treinamento constante desses oficiais.
4) Após o evento em questão foi solicitado à empresa mantenedora dos motores uma análise do sistema de aquisição de dados "onboard" nos dois carros penalizados. O exame mostrou que os pilotos não excederam o limite de velocidade para o local.
5) A empresa provedora de serviços de cronometragem continua investigando possíveis interferências eletro-eletrônicas no local onde o equipamento estava instalado e que poderiam ter afetado aleatoriamente a medição de velocidade.
6) Diante dos fatos já conhecidos é possível entender que as discrepâncias de dados tem origem técnica e não contaram com a interferência dos pilotos. Lamentamos profundamente que o ocorrido tenha causado prejuízos desportivos aos dois competidores envolvidos na situação acima descrita.
Agora, tirem suas conclusões. Todos os lados se manifestaram.
Mais do caso Red Bull/Campo Grande
Tivemos acessos a dados importantes... Confiram:
Vejam abaixo o PI (telemetria) de três carros da A.Mattheis em Campo Grande. Notem que as velocidades de Cacá Bueno e Daniel Serra no pitlane medidos pela ECU são até ligeiramente menores que a de Popó Bueno. Clique na imagem para ampliar.
Só isso já é o suficiente para comprovar o erro. Mas, vejam agora as folhas de cronometragem oficial do pit lane, que são da Copa Caixa, mas estão com o logotipo da Copa Montana. Não é esse o detalhe principal. Cliquem para ampliar:
Como visto acima, Cacá novamente é pego a mais de 140 km/h na segunda passagem ao cumprir a punição. Ou seja, se levassem à risca, ele seria punido novamente. Mas aí, no caso, a corrida já estava perto do fim.
Na folha 2, dá para ver, além do nome errado de algumas equipes (Red Bull virou Raposo 2007; Blau Vogel virou Voguel - Renner Preparações e AMG virou Zamage), que as velocidades de Cacá e Serrinha estão totalmente fora dos padrões. Pena que não temos a câmera onboard para fazer a comparação, mas temos o PI, acima, que não mente.
Com a palavra: Red Bull Racing, Cacá e Serrinha
Merecidamente, a Red Bull bateu forte na Stock Car. Merecidamente pelo fato de seus dois pilotos terem sido punidos injustamente. Quem mandou deixar o búfalo bravo? Por isso, segue comunicado da equipe, na íntegra:
SOBRE CAMPO GRANDE
Na quinta etapa da temporada 2011 da Stock Car, domingo passado em Campo Grande, Cacá Bueno era o terceiro colocado e Daniel Serra o sexto quando ambos os carros da equipe Red Bull Racing receberam penalizações simultâneas por excesso de velocidade nos boxes.
O que já seria uma coincidência bastante improvável mostrou-se claramente um erro técnico da cronometragem ao serem reveladas as velocidades medidas pelo equipamento oficial da categoria para os carros de Cacá e Daniel: superiores a 137km/h e 74km/h, respectivamente, números que, além de estarem bem acima dos 50km/h permitidos, são impossíveis de serem atingidos no ponto de entrada dos boxes (contornado em primeira
marcha), e que imediatamente nos levam a levantar duas questões:
1) Com mais de 100 corridas de Stock Car no currículo, será que o tricampeão Cacá Bueno seria realmente capaz de invadir a área dos boxes a quase o triplo da velocidade permitida, colocando em risco as vidas de todos os profissionais que nela trabalham? Nós acreditamos veementemente que não.
2) Mesmo se Cacá, em um inexplicável surto psicótico-suicida, realmente tivesse feito tal estupidez, será que essa passagem em altíssima velocidade não teria sido facilmente perceptível a olho nu? Nós temos certeza que sim.
A Red Bull Racing acredita que os números altíssimos acusados pelo equipamento de medição deixaram claro e evidente que tais leituras estavam equivocadas. E não entende como, com tamanha margem de dúvida, as punições tenham acontecido, ferindo um dos mais básicos princípios da lei em qualquer lugar civilizado: o da inocência até prova em contrário.
SOBRE DOIS PESOS E DUAS MEDIDAS
A mesma Campo Grande viu ano passado Daniel Serra ter uma vitória incontestável retirada em uma desclassificação altamente controversa. Igualmente controversos foram os critérios de “dois pesos e duas medidas” utilizados pelos comissários de prova da Stock Car ao longo dos últimos 18 meses para punir determinadas infrações:
1) O fato de um piloto fazer seu pit stop antes da abertura oficial da janela de paradas: Foi punido duramente com a desclassificação de um piloto infrator na 9ª etapa do ano passado e de outra forma, muito mais branda (com apenas um drive-through) quando cometido por outro piloto na 12ª e decisiva etapa de 2010, em Curitiba;
2) O fato de um piloto arrancar do seu reabastecimento com o tanque ainda acoplado ao carro: Um piloto infrator na 10ª etapa de 2010 não foi punido de forma alguma, outro infrator na 12ª etapa do mesmo ano foi punido com drive-through e finalmente outro tipo de punição, a inédita “vistoria técnica”, foi aplicada para a mesmíssima infração na 1ª etapa de 2011.
Por si só, a incoerência nos critérios já seria amadorismo puro e simples. Porém, o fato de em ambos os casos a equipe Red Bull Racing ter sido diretamente prejudicada por essa inconstância serve para deixar nossas cabeças cheias de interrogações. (E nossos sacos bastante cheios, também).
A Red Bull tem o esporte a motor no seu DNA, e por isso, desde 2007, escolhe a Stock Car como palco principal de sua busca por vitórias e títulos no automobilismo brasileiro. Para nós, Stock Car é sinônimo de alta performance e tecnologia, de autódromos lotados, de Ingo Hoffmann, Paulo Gomes, Chico Serra e tantos outros que construíram três décadas de tradição da principal categoria do Brasil.
Infelizmente para nós, no último ano e meio, Stock Car tem sido também sinônimo de amadorismo e despreparo no campo desportivo.
Cacá Bueno: “Lamentavelmente hoje (domingo) me foi tomada a possibilidade de um terceiro lugar, que estava sendo conquistado na pista pela nossa equipe. Fica um sentimento de frustração, de revolta, por uma decisão tão longe da realidade, tomada por quem cuida da cronometragem e do radar. Não é possível que uma categoria tão séria tenha espaço para erros tão absurdos. Só espero que a Vicar, organizadora do evento, e a Confederação Brasileira de Automobilismo, fiscalizadora, tomem alguma atitude que mostre ao público a seriedade e a competência que eles dizem que tem. Credibilidade não se conquista escondendo erros, mas sim os assumindo”.
Daniel Serra: “Foi um erro absurdo, porque é impossível atingir essa velocidade naquele trecho. Fizemos tudo dentro das regras e já comprovamos isso com todas as informações possíveis. Deve-se fazer uma análise para que isso não volte a acontecer. Hoje foi conosco, amanhã pode ser com outros pilotos. Sei que nossos pontos não serão recuperados, mas algo precisa mudar. Não podemos continuar sujeitos a situações como essa, vendo nosso trabalho ser desfeito por mecanismos que não são eficientes”.
Caso Red Bull/Campo Grande
Não, o assunto não morreu. Procurei os pilotos e o setor de comunicação da equipe nos últimos dias para repercutir o assunto, mas eles preferiram não falar até hoje, uma vez que estavam esperando um pronunciamento da Vicar, previsto para esta quarta, sobre o episódio.
Ou seja, podemos ter mais desdobramentos nas próximas horas. Vamos ficar ligados. Enquanto nada sai, vamos ver os instantes finais da prova, extraídos do YouTube.
De carona: a prova de Campo Grande vista por dentro dos carros
As imagens foram produzidas pela Hyset, de Alessandra e Carsten Horst. Agora, com Lico Kaesemodel, também!
Allam Khodair
Thiago Camilo
Tuka Rocha
Lico Kaesemodel
O que os pilotos disseram após a corrida deste domingo da Stock em Campo Grande
Popó Bueno, Comprafacil/A.Mattheis: "Ficamos perto do nosso objetivo, que era um top-5. Mesmo assim, estamos com pontuação consistente em todas as corridas, o que me deixa em posição confortável nesta disputa que ficou ainda mais acirrada depois da corrida de hoje. Todos são obrigados a descartar os dois piores resultados e eu teria pontos a perder. Mas vejo isso como uma vantagem para as próximas três etapas: se por acaso eu não conseguir uma pontuação em uma ou duas corridas, eu tenho pontos das provas anteriores. Já meus concorrentes não podem zerar em duas corridas seguidas daqui para frente."
Alceu Feldmann, Comprafacil/A.Mattheis: "Fiz uma corrida de recuperação. Mesmo saindo lá de trás, sabia que a gente tinha potencial para terminar na zona de pontuação. Fico feliz em marcar estes dois pontos e com certeza teremos um rendimento ainda melhor em Jacarepaguá."
Ricardo Mauricio, Eurofarma RC: "A estratégia para o nosso carro foi trocar os dois pneus direitos, que sofrem maior desgaste por causa da direção das curvas. Na pista somos adversários [em relação a Max Wilson], buscamos o mesmo título e sempre haverá essa competição, mas sempre com muito respeito"
Max Wilson, Eurofarma RC: "Tentamos reduzir o tempo de parada e ainda assim manter o carro competitivo até o final da prova. Na pista somos adversários [em relação a Ricardo Mauricio], buscamos o mesmo título e sempre haverá essa competição, mas sempre com muito respeito."
Ricardo Zonta, RZ Crystal: "O playoff está aberto ainda e estamos a muito poucos pontos do nono colocado. Só não tivemos uma pontuação melhor, pois dois carros rodaram na minha frente e caí para último. Foi uma prova de recuperação."
Sergio Jimenez, RZ Crystal: "A corrida foi boa, e logo na largada consegui duas ultrapassagens. O carro vinha muito bem, mas o que me atrapalhou foi um problema no rádio", afirmou Jimenez. "Demorei muito para entrar no box, porque não conseguia ouvir o pessoal da equipe me chamando para o pit, nem eles me ouviam perguntando quando deveria entrar. Só fui me dar conta de que já tinha passado a hora quando vi pelo retrovisor o Burti e o pessoal que largou na minha frente."
David Muffato, Itaipava Boettger: "O carro estava espetacular. Larguei bem, consegui ganhar algumas posições e estava na corrida, com uma boa estratégia, de segurar o máximo na pista antes de parar nos boxes. Só que aí quando voltei do pit stop o carro estava com uma vibração muito forte. Precisei fazer uma nova parada e aí tinha quase uma volta de desvantagem para os líderes, não dava para fazer mais nada."
Felipe Maluhy, Officer ProGP: "Foi uma das melhores disputas que já tive na Stock Car e, como as grandes corridas, ela não foi fácil. Depois do pit stop meu carro passou a vibrar fortemente, talvez por algum detrito que se instalou entre a roda e a manga de eixo. Sem dúvida foram emocionantes para quem viu pela TV ou das arquibancadas e para nós, que disputamos palmo a palmo o asfalto de Campo Grande."
Duda Pamplona, Officer ProGP: "Eu fiquei ensanduichado e acabei tendo que tirar o pé, o que me fez perder várias posições na primeira volta. Daí para frente fiz um trabalho de recuperação no qual minha equipe de box foi essencial e me ajudou a ganhar duas colocações em relação à minha posição de largada."
Thiago Camilo, Ipiranga RCM: “Fiz uma boa largada, e apesar de estar por fora, na parte suja da pista, consegui ganhar uma posição. Depois que eu soube que o Átila tinha parado, continuei indo pra cima, mas consciente de que não precisava ser afoito. Nossa estratégia de trocar os pneus traseiros foi traçada desde antes da corrida e deu certo. No fim da corrida, depois que o Cacá Bueno tomou um drive through, eu tinha até condições de atacar mais o Marcos Gomes para tentar subir ao pódio, mas estava muito arriscado e preferi administrar. O Maluhy chegou a me passar, devolvi na mesma volta, e o quarto lugar com a liderança do campeonato ficaram de excelente tamanho. Agora vamos para o Rio, uma pista que gosto muito e é casa do meu patrocinador, com calma para manter essa liderança.”
Lico Kaesemodel, RCM: "Larguei do lado sujo da pista, consegui me livrar das confusões da largada e logo na segunda volta o Diego vem e bate com tudo no meu carro na curva 1. Foi lamentável", disse Lico, bastante irritado ao final da prova. Com o toque, Lico foi parar na areia. "O carro morreu, engatei a ré e não conseguia sair. O resgate chegou logo, me puxou e consegui voltar para a pista na mesma volta. Vim numa corrida de recuperação, mas infelizmente não consegui chegar nos pontos."
Giuliano Losacco, Hot Car: "Foi difícil. Largamos lá atrás e, depois da troca dos pneus no pit stop, o carro não era tão rápido quanto o esperado e não consegui ir mais pra frente. De qualquer forma, é sempre bom marcar novos pontos."
Eduardo Leite, Hot Car: "Infelizmente, depois do pit, meu carro também não apresentou mais o mesmo rendimento e não deu para chegar entre os 15."
Marcos Gomes, Medley Full Time: "Foi muito difícil porque o carro saía de frente desde o começo. Depois que trocamos os pneus traseiros, piorou muito e os dianteiros praticamente acabaram. Fiquei bem mais perto dos playoffs."
Xandinho Negrão, Medley Full Time: "Meu ritmo foi sempre bom e a estratégia funcionou. O problema é que poucos pilotos à minha frente ficaram pelo caminho, o que contrariou a nossa expectativa."
Átila Abreu, AMG: "Foi uma pena. O meu carro estava se comportando como esperávamos e nossa meta era outro pódio. Vamos para a próxima atrás da recuperação, já que ainda estamos numa situação muito boa. Foi um problema elétrico, mas são coisas que acontecem no automobilismo. Vamos revisar o carro todo e levar ensinamentos para o Rio de Janeiro, outra pista que consome muito os pneus. Acho que estaremos fortes para reagir novamente."
Valdeno Brito, Super Cosan Mobil FTS: "Um problema no macaco hidráulico me fez perder dez segundos a mais que o tempo normal do pit stop, e isso me prejudicou bastante. Acabei em oitavo, mas apenas seis segundos atras do terceiro, o que quer dizer que esses dez segundos de perda me tiraram provavelmente um pódio."
Alan Hellmeister, Scuderia 111: "Na teoria nossa estratégia poderia ter rendido um resultado bastante positivo, e como precisávamos somar muitos pontos para entrar nos playoffs, fomos para o tudo ou nada. Só que meu carro não se comportou bem com os pneus mais desgastados, e meus tempos de volta subiram muito a partir da metade da corrida. Perto do fim, por outro problema, ainda tive que abandonar."
Julio Campos, Scuderia 111: "Usamos um acerto bastante conservador, para poupar ao máximo os pneus já que eu vinha de trás e não precisava ter o mesmo ritmo do Alan, que andava no grupo da frente. Com isso, atrasamos ao máximo minha parada e cheguei a ocupar, em dado momento, a segunda posição na corrida. Estava brigando em um pelotão que terminou entre o 10o e o 13o lugar, o que teria representado uma grande evolução para a gente em uma corrida que parecia perdida por nossa posição de largada. Só que meu carro apagou antes mesmo da parada nos boxes, e tive que abandonar. Deve ter sido por algum problema elétrico, ainda não sabemos o que aconteceu."
Rodrigo Navarro, Qualicorp JF: "Como tem muita sujeira fora do trilho é muito complicado de você fazer uma ultrapassagem que não seja na reta oposta que é clássico. Conseguimos levar o carro até o final sem nos envolvermos em batidas e toques, infelizmente, ainda fora da zona de pontuação."
Rodrigo Sperafico, Prati-Donaduzzi JF: "Está difícil essa minha missão de terminar a corrida, o pessoal se enroscou na frente, tomei uma pancada por trás e acabei ficando preso na brita. Arrebentou a correia do alternador e consequentemente pararam todas as funções de bateria, de bomba de óleo, acabei que fiquei na pista. Tinhamos um carro bom pra corrida, esse foi um ponto positivo, ter deixado o carro motiva ainda mais para a etapa do Rio de Janeiro. O foco é tentar sempre melhorar o carro, isso nós conseguimos. O objetivo continua sendo terminar a corrida. Está difícil, mas vamos ficar batendo sempre nessa tecla até se concretizar."
Tuka Rocha, BMC Vogel: "Sabia que teria que fazer uma corrida de recuperação, depois dos problemas que tivemos na classificação. Foi uma prova bastante emocionante, bem movimentada para mim da largada à bandeirada. Infelizmente os pontos não vieram, foram até relativamente poucos abandonos para esta prova, mas mesmo assim estou satisfeito com a evolução do ritmo de corrida. Sabia que aqui era uma corrida onde seria difícil ultrapassar, mas usando o push-to-pass consegui fazer boas manobras. Não conseguimos um lugar na zona de pontuação não pela performance de hoje, mas sim pelos problemas que enfrentamos na classificação. Por isso, nosso foco para a próxima etapa será melhorar o comportamento do carro com pneus novos, para que a gente possa sair bem mais à frente no grid e, aí sim, lutar por boas colocações no domingo."
Com a palavra: Romera, Daniel e Boesel
Com a colaboração de Chicão, locutor oficial da Stock Car, ao fundo.
Vitória emocional na Copa Montana
Rafael Daniel, melhor amigo. Leandro Romera, companheiro de equipe. Pedro Boesel, vítima do mesmo acidente, Alexandre Gramacho, chefe de equipe de seu maior título. Esta configuração, nesta ordem, formou o pódio da etapa de Campo Grande da Copa Chevrolet Montana.
Foi em Campo Grande que Gustavo Sondermann vencera sua última corrida na vida, e Rafael, o companheiro inseparável, foi o responsável por vencer a prova no dia em que completam dois meses de sua ausência. Ao sair do carro, vestiu a camiseta número #4. O choro foi coletivo.
A vitória de Daniel veio após uma intensa disputa com o pole Galid Osman. A perda de rendimento do piloto da Carlos Alves possibilitou a ultrapassagem do piloto da Gramacho e uma distância consolidada.
Mais atrás, Galid, Romera, João Pretto e Boesel seguiram em bela disputa, com Romera e Boesel sobrevivendo ao caos. Com o resultado, Daniel toma a ponta do campeonato. No fim da entrevista coletiva, Boesel constatou tudo o que foi dito no primeiro parágrafo.
Burti vence a segunda na carreira após grande pilotagem em Campo Grande
Vitória merecida de Luciano Burti (Itaipava Boettger). Fez valer o traçado limpo na largada e pilotou em um ritmo consistente o tempo todo, que rendeu na manutenção da ponta com o encerramento da janela no pelotão da frente. Depois, abriu uma vantagem segura e só administrou. Esta foi sua segunda vitória na carreira.
Allam Khodair (Blau Vogel) teve mais trabalho. Acabou ficando no bolo atrás de Burti e ralou para voltar à segunda posição, seu melhor resultado na temporada. Já Marcos Gomes (Medley Full Time) largou em terceiro e nesta posição ficou.
O bicho pegou nas posições seguintes, com Thiago Camilo (Ipiranga RCM), Felipe Maluhy (Officer ProGP) e Ricardo Maurício (Eurofarma RC) brigando ferozmente pelas outras posições do "top 6".
Mauricio e seu parceiro, Max Wilson, foram advertidos por uma disputa acirrada, que gerou uma lavação de roupa suja pelo rádio. Já a dupla da Red Bull, Cacá Bueno (que liderou parte da prova) e Daniel Serra, foram punidos com um drive-through por excesso de velocidade nos boxes.
Classificação:
1. Thiago Camilo, 81 pontos
2. Átila Abreu, 71
3. Max Wilson, 59
4. Cacá Bueno, 58
5. Ricardo Maurício, 54
6. Luciano Burti, 41
7. Marcos Gomes, 40
8. Popó Bueno, 39
9. Allam Khodair, 34
10. Duda Pamplona, 33
11. Ricardo Zonta, 29
12. David Muffato, 22
13. Daniel Serra, 22
14. Giuliano Losacco, 20
15. Júlio Campos; 18
16. Xandinho Negrão, 15
17. Valdeno Brito, 12
18. Diego Nunes, 7
19. Eduardo Leite, 6
20. Cláudio Ricci, 3
21. Alan Helmeister, 2
21. Alceu Feldmann, 2
23. Lico Kaesemodel, 1
23. Denis Navarro, 1
Com a palavra: os que não marcaram a pole; quer dizer… Os que quiseram falar
Cacá Bueno, Red Bull: "Analisando a pontuação da temporada, a ordem de largada ficou boa. Vou sair na frente de quem está nos primeiros lugares na classificação geral. Mas eu esperava muito mais. A pista estava bem mais quente em relação ao treino da manhã e a gente sentiu o acerto com a mudança da temperatura. Tínhamos tudo para estar na primeira fila. Não largar na frente pune muito, mas amanhã o desgaste vai exigir de todos. O ritmo será surpresa. Não espero uma corrida fácil. Não tem como apontar favorito."
Daniel Serra, Red Bull: "Foi bom, mas eu esperava brigar pelas três primeiras posições. O carro ficou um pouco diferente na classificação e não foi possível fazer um tempo melhor. Para a corrida, será fundamental o estudo da estratégia, porque o desgaste aqui é muito grande. É como se você tivesse dado o dobro do número de voltas. Não vai ter como ser agressivo o tempo inteiro. Vai ter a hora certa de atacar."
Popó Bueno, Comprafacil/A.Mattheis: "É uma situação inaceitável em qualquer tipo de categoria do automobilismo, ainda mais em uma de alto nível, como a Stock Car. Nunca vi isso em toda minha carreira, é uma total falta de profissionalismo. Não estou colocando em dúvida a volta do Thiago Camilo, que é ótimo piloto e corre por uma boa equipe. O problema é este suposto tempo ser colocado depois do final do treino, o que me impossibilitou de buscar na pista a minha classificação para o Q2. Não fosse este problema, talvez a gente conseguisse um lugar mais à frente no grid, mas mesmo largando na sexta fila acredito que tenho condições de buscar minha classificação para a Super Final aqui. Estou com cinco resultados no top-10 e preciso de uma pontuação alta, de sexto lugar para cima. É isso que vou buscar na corrida de amanhã."
Alceu Feldmann, Comprafacil/A.Mattheis "Esta corrida será bem movimentada, com muita gente tendo dificuldade para se manter na pista devido às mudanças constantes de condição de pista."
Luciano Burti, Itaipava Boettger: "E com a sujeira o piloto não pode cometer erros. Se você sai um pouquinho do traçado, ou escapa da pista, ou acaba rodando. Isso é muito bom, mostra o trabalho que vem sendo feito pela equipe. O carro está mais uma vez muito competitivo, mas o mais importante é não perder o foco, que é sair daqui com um bom resultado."
David Muffato, Itaipava Boettger: "Às vezes, um pequeno deslize pode comprometer todo o trabalho na corrida. Foi basicamente o que aconteceu conosco nas duas etapas mais recentes. Então, dentro do possível o ideal é adotar uma postura mais conservadora para chegar bem ao final. Não está ruim, considerando que estamos largando dentro da zona de pontos e temos uma corrida longa e desgastante pela frente. O segredo me parece ser a paciência na primeira parte da prova. Quem souber poupar o equipamento para as voltas finais terá vantagem."
Tuka Rocha, BMC Vogel: "Começamos bem ontem, mas infelizmente não conseguimos evoluir nada para hoje, porque tivemos uma quebra de motor no treino que acabou prejudicando a nossa classificação. Não consegui fazer voltas competitivas, o que é uma pena, porque a equipe tinha um bom acerto. Nossa esperança é ter uma corrida de recuperação, como fizemos no Velopark. Mas aqui é um pouco diferente, porque nós não andamos de maneira competitiva devido a todos estes problemas. Então, temos que esperar arriscar uma estratégia ousada para chegar até o final, tentar acumular o máximo de experiência possível e quem sabe conquistar pontos."
Giuliano Losacco, Hot Car: "Mudamos o acerto para tentar algo novo e melhorou. Mas fomos para a tomada no escuro. O ideal seria ter encontrado este caminho antes e ter ao menos um treino livre para trabalhar um pouco mais."
Eduardo Leite, Hot Car: "O carro foi evoluindo, mas não conseguimos um bom acerto para virar com os pneus novos no classificatório. Ainda não conseguimos identificar o motivo. Agora é tentar pontuar, como nas outras corridas, e ficar livre dos incidentes na pista."
Rodrigo Sperafico, Prati-Donaduzzi JF: "Acho que temos potencial para andar bem na corrida. O desempenho está melhor com pneu velho do que com pneu novo. Além disso, como já havia previsto, essa será uma prova de resistência, pois além do asfalto abrasivo, o calor é intenso dentro do cockpit. Não existem muitos pontos de ultrapassagem nesse circuito, por isso tirar proveito de uma entrada do carro de segurança é primordial para ganhar algumas posições."
Lico Kaesemodel, RCM: "Vai ser mais uma luta amanhã. Logo na minha primeira entrada na pista, dei uma escapada entre as curvas 2 e 3 e isso já estragou minha classificação.... Na segunda entrada ainda consegui baixar meu tempo, mas não o suficiente ... De qualquer maneira, como essa pista é muito abrasiva e a expectativa de desgaste de pneus é grande, minha esperança é o bom acerto que temos para o carro que é bastante consistente nas corridas. Só preciso escapar das confusões na largada."
Thiago Camilo, Ipiranga RCM: "Não sei se eu iria muito mais para frente, mas a chance de estar melhor no grid era muito boa. Mas a corrida aqui vai apresentar muitas possibilidades. A pista muda muito de condições, é abrasiva, provocando um desgaste altíssimo de pneus. Então, o acerto para esta situação e a estratégia de pit stop podem trazer grandes mudanças."
Átila Abreu, AMG: "O que vai definir o vencedor desta corrida é o carro mais consistente e não o mais rápido. Estamos no bolo dos pilotos que vão brigar pelo pódio e este será meu objetivo. Arriscamos e fizemos um acerto diferente, que não funcionou como imaginávamos. Será uma corrida de chegada. Temos que ser constantes e receber a bandeirada para pontuar bem. Teremos que economizar os pneus e trocar os quatro no pit stop. Vai ser uma corrida crítica."
Xandinho Negrão, Medley Full Time: "Será uma corrida de sobrevivência."
Marcos Gomes, Medley Full Time: "É possível que muitos cheguem ao final com os pneus na lona. Quem não souber economizar vai se dar mal."
Felipe Maluhy, Officer ProGP: "O asfalto está muito abrasivo. E isso vai exigir muito dos pneus. Os freios, que há algumas corridas era uma preocupação, já não preocupam mais, graças às recentes alterações feitas nesse sistema."
Duda Pamplona, Officer ProGP: "A estratégia de cada corrida é um quebra cabeça, que vamos montando examinando as peças. Aqui em Campo Grande vamos jogar com a intensidade do desgaste dos pneus e a temperatura ambiente para definir o ritmo mais seguro de corrida."
Ricardo Zonta, RZ Crystal: "Não passamos pneus pela manhã, e ficamos sem referência para a classificação. O carro acabou mudando de comportamento e nos pegou de surpresa. Achei que ia dar para passar ao Q2."
Sergio Jimenez, RZ Crystal: "Não conseguimos fazer o carro com pneus novos, não aproveitamos os pneus. Vamos mexer um pouco no equipamento e o objetivo neste domingo é ficar na pista para obter quilometragem."











