Indy 500, a retrospectiva definitiva – Parte 5 – do céu ao inferno nos anos 90

O espetacular acidente de Stan Fox em 1995 (IndyCar Media)
Nos anos 90, a Fórmula Indy foi do luxo ao lixo. A década viu um aumento vertiginoso de pilotos estrangeiros no grid, do interesse midiático e do público, e, com isso, o aumento dos interesses dos envolvidos. Este último detalhe foi o que acabou gerando o rompimento da categoria em duas no ano de 1995, com as 500 Milhas ficando do lado de Tony George, que liderava um dos lados do racha.
Com isso, o campeonato perdeu força, mas as 500 Milhas, não. Mesmo com nomes menos prestigiados, a corrida seguiu firme e forte, com bom público e a continuidade da história. Aconteceram casos curiosos nos anos 90, como a vitória do holandês voador Arie Luyendyk, de Jacques Villeneuve, o mega acidente no fim da edição de 96, a prova de 98 acontecendo em plena terça-feira por causa da chuva.
Foi a época onde os americanos tiveram de dividir o círculo da vitória com os estrangeiros, com apenas cinco edições ficando "em casa": a de 1991, com Rick Mears; 1992 e 1994, com Al Unser Jr.; 1996 com Buddy Lazier, e 1998, com Eddie Cheever. A invasão estrangeira viu Luyendyk ganhar duas vezes (1990 e 1997), Emerson Fittipaldi vencer novamente, desta vez com suco de laranja, e Kenny Brack sentir o gostinho doce da vitória, assim como Villeneuve. A edição épica de 1992, com a chegada mais apertada de todos os tempos da prova, foi explicada no especial do TotalRace.
Mas também tivemos o lado triste, com as mortes de Jovy Marcelo (1992) e Scott Brayton (então pole-position de 1996), e acidentes espetaculares, como o de Stan Fox (1995), Nelson Piquet (1992) e Mears (1991). Foi uma época de transição, definitivamente, mas uma transição forçada, para baixo, por conta de interesses particulares que visavam tudo, menos o crescimento do esporte.
Em destaque, um vídeo que não é da corrida, mas marcou tanto quanto uma: a vez em que os dois carros da Penske, dos dois então últimos vencedores, Emerson Fittipaldi e Al Unser Jr., não conseguiram se classificar para a prova de 1995, após os carros Penske não conseguirem obter tempo e ficarem de fora, mesmo utilizando equipamentos emprestados da equipe Rahal.
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Túnel do tempo: 15 anos do terrível acidente de Christian na Austrália

A dor de Fittipaldi, acompanhada ao vivo pelo mundo todo
Há exatos 15 anos, em 6 de abril de 1997, Christian Fittipaldi sofria o que seria o acidente mais grave de sua carreira e um dos momentos mais torturantes para quem viu pela televisão.
O acidente aconteceu logo na largada da etapa de Surfer's Paradise. No meio das imagens dos carros para todos os lados, deu para ver Fittipaldi como um míssil em direção ao muro.
Mais impressionante que a imagem do acidente é a dor do piloto preso no carro sem nenhum anestésico. Veja as imagens do acidente:
Confira também um depoimento de Fittipaldi ao jornalista Marcos Júnior Micheletti, do portal Terceiro Tempo, de Milton Neves.
Se você não tem como assistir ao vídeo, ele disse o seguinte: "Nunca senti algo parecido na vida. Foi um impacto com o muro na frente e bem violento. Quebrei a perna direita por estar com o pé no freio. Meu corpo todo foi para a frente, o pé ficou preso contra pedaleira e minha perna não cedeu."
"Consequentemente, minha perna não cedeu e ela absorveu todo o impacto, quebrando na parte de baixo. Junto com isso quebrei o pé esquerdo, mas foi uma fratura bem pequena e quando o carro parou, pensei que nunca mais sentaria num carro de corrida. A dor que senti na hora é algo que nunca havia sentido na vida."
"Meu pé estava preso no meio da pedaleira e a equipe médica teve de fazer um trabalho para me tirar do carro. Na hora, dentro do cockpit eu ficava desmaiando de dor. Me retiraram para o centro médico e para o hospital, onde fui operado na mesma noite e saí da sala de cirurgia com uma haste e quatro parafusos na perna."
Hoje, Christian é pai de Manoela, corre no Brasil no Trofeo Línea, com participações na F-Truck, e comenta F-1 para a Rádio Jovem Pan.


