14jul/111

Apagando o fogo

Incêndio de Tuka Rocha (Miguel Costa Jr.)

A temporada 2011 da Stock Car não vem sendo das mais fáceis. Como diria uma pessoa próxima a mim, "o problema é que tudo acontece somente na Stock Car".

Polêmicas fora das pistas (como a envolvendo um diretor de prova e pilotos após o acidente fatal de Gustavo Sondermann), polêmicas dentro das pistas (como a punição errônea aos dois pilotos da Red Bull em Campo Grande) e um incêndio assustador com Tuka Rocha no Rio, entre outras coisas (divulgadas ou não) que só serviram para aumentar a enxurrada de críticas que a categoria sofre _seja por quem vive o universo e milita pelo melhor, seja por quem tem o prazer apenas de criticar.

Contudo, existe um trabalho para melhorar as coisas. No caso do acidente de Tuka Rocha, apurações e soluções imediatas foram tomadas. Após uma semana e meia de estudos sobre o que teria provocado o incêndio no carro de Tuka, a JL, fabricante dos protótipos da Stock Car, já anunciou mudanças para a próxima corrida. Essas mudanças, discutidas e aprovadas em reunião da JL com equipes, pilotos, Vicar e dois representantes da CBA, serão as seguintes:

- Substituição do material de absorção de impacto lateral;
- Remoção da entrada de ar do teto;
- Troca do material do visor da parede corta-fogo;
-Vedação completa da parede corta fogo-traseira;
-Tratamento anti-chamas de novos componentes em locais que serão orientados pelo fabricante e serão vistoriados pela CBA;
- Substituição da mangueira na saída do respiro do tanque até a parede corta fogo por um tubo de alumínio.

Representando a JL, Zequinha Giaffone deu seu parecer:

"Após vários estudos de imagens de TV, fotos e no carro de Tuka Rocha, concluímos que o fogo começou na fibra externa onde é colocado o material especial de absorção de impactos laterais. O indício é que o escapamento colocou fogo na peça, como pode ser observado em uma das imagens capturadas da transmissão de TV (na foto acima)."

"O tanque de combustível ficou intacto e também não houve nenhum vazamento de óleo. O pneu traseiro também não teve relação direta: só furou porque superaqueceu."

"Fizemos testes separadamente (foto ao lado) ateando fogo no material de absorção e ele não incendiou daquela maneira. O mesmo ocorreu com as partes de fibra com tratamento anti-chamas, mostrando que são eficientes de forma isolada. Ou seja, elas só são inflamáveis se expostas ao fogo sob uma convergência de fatores, como ângulo do vento e posicionamento das peças de fibra ao seu redor. Porém, mesmo sendo um caso isolado, não queremos correr riscos e vamos trocar o material."

A CBA também opinou, por meio do comissário Jean Brambilla:

"Os trabalhos realizados pelo construtor indicaram uma série de ações e soluções que serão tomadas em conjunto com a promotora da categoria e a CBA. Vamos acompanhar os resultados obtidos com essas alterações para evidenciar a funcionalidade dessas propostas. Nos próximos dias o Conselho Técnico Desportivo Nacional, CTDN, emitirá um adendo técnico para especificar essas modificações, que envolvem alterações que tratam das condições de segurança do piloto."

Agora, é torcer para que as modificações deem certo. E, sinceramente, esperar por um período de calmaria na categoria, que precisa ser lembrada por suas disputas dentro das pistas, e não pelas negatividades, como vem sendo o caso.