Há 23 anos…

Confira este especial GP do Brasil que passou no Esporte Espetacular no domingo anterior ao da corrida de 1989, uplodeado por um tal de MrChato27, que deve ser um daqueles loucos que gravava tudo em VHS e agora está desovando tudo no YouTube. Obrigado a ele por compartilhar isso conosco.
Tem um Reginaldo Leme novinho e um Fernando Vanucci imitando barulho de motor de carro ao chamar a matéria sobre os propulsores. São várias materinhas informativas muito boas que fazem falta nos dias de hoje. Eles exploraram muito bem os testes que aconteciam anualmente no Rio. Outros tempos, bons tempos, belos tempos.
São 23 anos de viagem no tempo. Boa trip.
Em tempo: o dono do canal postou mais vídeos! O primeiro, retirado também do "Esporte Espetacular", fala sobre a "nova revolução" da Fórmula 1: o câmbio semi-automático, e os problemas enfrentados por Nigel Mansell, além de uma introdução dos brasileiros e uma volta onboard por Jacarepaguá narrada por Galvão Bueno.
Para encerrar, a matéria do Jornal Nacional do sábado anterior, falando do grid de largada:
Piquet, tricampeão, 25 anos

Piquet e a Williams (clique para ampliar)
Um quarto de século. Quem tem ou já teve 25 anos sabe como essa época é especial. E, mesmo com 60 anos recém completados, em 17 de agosto, Nelson Piquet revive esta sensação.
Foi exatamente há 25 anos que o carioca criado em Brasília entrava para a história do automobilismo ao ser o primeiro brasileiro a conquistar três títulos mundiais. Mesmo não sendo considerado um gênio das pistas, um piloto fora do comum, Piquet tinha outras qualidades que fizeram dele um esportista especial.
Seu espírito "garagista" e a habilidade para mecânica compensavam o maior talento de alguns rivais, como Niki Lauda, Carlos Reutemann e Ayrton Senna. Mas um outro fator, o psicológico, foi talvez mais determinante nas decisões que sua pilotagem ou o conhecimento técnico. Alain Prost e Nigel Mansell que o digam.
Como poucos, Piquet sabia como desestabilizar um rival. Foi assim que, em 1983, desbancou Prost e a favorita Renault para ser bi. Mas, em 1987, era algo diferente e especial. À revista F1 Racing, Piquet contou como fez para desestabilizar o "Leão", um dos pilotos mais rápidos que a Fórmula 1 já viu.
Foi uma batalha que durou dois anos, 1986 e 1987, e calhou com o acidente do dono da Williams, Frank, que estava do lado de Piquet na época. "Nunca havia assinado um contrato na F-1 e Frank me perguntou se queria entrar para a Williams ao lado de Nigel. Disse a ele que pilotaria em apenas uma condição: ser o número 1."
"Quero ser, sem disputa, o melhor piloto. Sei como desenvolver um carro, como vencer um campeonato e quero ajudar eles a fazer isso de novo. Então, tivemos um contrato de 19 linhas e tudo foi resolvido. Mas, antes da temporada de 1986, Frank teve seu acidente. Cheguei para a primeira corrida e não tinha carro reserva, nada, mas não podia falar com Frank, pois ele tinha problemas 100 mil vezes maior que os meus, então calei minha boca e fiz meu trabalho."
"A partir de então, comecei a brigar com Nigel. Era um piloto inglês em uma equipe inglesa, e eu era bicampeão. Ele era nada. Como Hamilton e Alonso em 2007. Era a mesma coisa. Nigel era um cara legal. Tentei começar uma briga com ele pois queria dividir a equipe. Então dizia que sua esposa era feia. O problema é que as pessoas na Inglaterra não brigam com as mãos como no Brasil. Tentei tudo que podia para fazer ele me acertar. Chamei a esposa dele, Rosanne, de tudo o que podia. Mas não tinha nada contra ele, pois ele não era um cara ruim", disse.
Se, em 1986, não deu certo, no ano seguinte as coisas foram bem diferentes. Piquet teve a inteligência de perceber as vantagens da suspensão ativa, que ainda estava em fase inicial. Mansell preferiu ficar sem o advento por motivos de segurança, para evitar quebras, deixando para Piquet, achando que o brasileiro se daria mal. Mas quem se deu mal foi ele: em Monza, na Itália, Piquet venceu graças à suspensão ativa.
Mansell sentiu o golpe e a pressão, que ficou maior ainda. Afinal, Piquet torturava o inglês psicologicamente, sumindo até com o papel higiênico quando Mansell estava com diarréia no México. Mesmo com a bunda suja, o inglês venceu na terra do Chaves e também a corrida anterior, na Espanha, e chegara ao Japão com 12 pontos de desvantagem para o brasileiro.
O Leão precisava vencer no novo circuito de Suzuka e na pista australiana de Adelaide, além de torcer contra o brasileiro nessas duas corridas. Foi quando, no treino da sexta-feira, 30 de outubro, Mansell acabou exagerando na sequência de esses inicial e estampou sua Williams nos pneus. Com muitas dores, ele foi vetado da corrida. E, desta forma, sem levantar um dedo, Piquet garantiu o tri. Isso depois de ter sofrido um acidente dez vezes pior que o inglês meses atrás, em Ímola.
Ou seja: foi um título com a cara de Piquet: na base da malandragem e da experiência. Piquet foi o Gene Simmons da F-1: não brilhante, mas genial, extremamente inteligente e oportunista.
Vamos ver alguns vídeos sobre isso:
- Em entrevista a Reginaldo Leme, ele fala sobre essa disputa com Mansell
- Vídeo em baixa qualidade da briga Piquet x Mansell
- Disputa Piquet x Mansell no GP do México
- Disputa Piquet x Mansell no GP da Espanha
- Acidente Piquet em Ímola
- Resumo de 1987 prova por prova
Piquetfiles
Uma homenagem ao sexagenário Piquet com alguns vídeos legais encontrados na grande rede.
1976
Formula Super Vê - Nelson Piquet x Alfredo Guaraná
1978
Uma bela rodada na Áustria
Um grande acidente com Serra, Warwick e uma série de outros na Fórmula 3 inglesa em Brands Hatch
1979
Acidente envolvendo Piquet, Scheckter, Pironi, Tambay e Merzario
1980
Primeira vitória de Piquet em Long Beach, narração de Galvão Bueno
1980
Piquet cabeludão falando sobre o vice-campeonato
1981
Gp dos Estados Unidos completo, com narração de Luciano do Valle
1982
Piquet faz o primeiro reabastecimento da F-1
http://www.youtube.com/watch?feature=fvwp&v=mr2W5U_Svxk&NR=1
1982
O famoso boxe de Piquet em Eliseo Salazar
1982
Reportagem sobre o GP do Brasil de 1982, quando Piquet venceu e foi desclassificado
1983
Piquet vence no GP do Brasil e o Tema da Vitória é executado pela primeira vez na história
1983
Acidente entre Prost e Piquet em Zandvoort
1984
Nelson Piquet vs Marcelo Tas
1984
Comercial Santal
1984
Abandona o GP da Austria, mas antes tira sarro faz mecânicos trocarem os pneus
1985
Comercial Golden Cross com filho Geraldo
1985
Acidente com Riccardo Patrese
1985
Vitória no GP da França
1986
Bastidores do GP do Brasil
1986
Pódio do Brasil com Piquet à frente de Senna
1986
Piquet vence com Senna em segundo na Alemanha
1986
Famosa ultrapassagem em cima de Senna na Hungria
1987
Batida na Tamburello
1987
Senna vs Prost vs Piquet em Jerez
1987
Piquet passa Prost em Detroit
1987
Piquet tira sarro de Prost no pódio em Estoril
1987
Piquet em entrevista para jornalista japonesa
1988
Piquet na chuva em Mônaco
1988
Piquet bate em Detroit
1988
Duelo com Alessandro Nannini em Imola
Duelo com Nannini em Spa
1988
Duelo com Mauricio Gugelmin em Detroit
1988
Mansell bate em Piquet
1988
Piquet bate em Hockenheim
1989
Piquet onboard na Inglaterra
1989
Acidente com Andrea de Cesaris
1989
Acidente com Piercarlo Ghinzani na Austrália
1990
Vitória com Moreno em segundo no Japão
Vitória no GP número 500
1991
Piquet tira sarro de Balestre nos EUA
1991
Comercial da Pirelli com Roberto Moreno
1992
Entrevista Jô Soares
1994
Entrevista Marília Gabriela
Hungaroring, 1986, um documentário histórico

Programa oficial do GP da Hungria de 1986
Tudo bem, é em húngaro e vocês não entenderão patavina do que será dito, mas enxergarão e entenderão tudo o que acontece.
Este é um documentário de um momento histórico, a primeira corrida em um país da Cortina de Ferro. Para os que tem menos de 30, o mundo vivia ainda a chamada Guerra Fria entre os países do ocidente, liderados pelos EUA, e o leste europeu, que tinha como referência a União Soviética.
E esta corrida foi a Fórmula 1. Uma prova histórica, para o esporte e para o Brasil, pois contou com uma disputa magnífica entre Nelson Piquet e Ayrton Senna.
Neste documentário, mostram desde a construção de Hungaroring, aterramento, asfaltamento, instalação de arquibancadas, simulação de incêndio e tudo o que se passou até o GP, no dia 10 de agosto de 1986, com eventos suporte e o que mais tem direito.
No fim, você até se familiarizará com a língua húngara. O documentário está dividido em três partes, confira:
Parte 1
Parte 2
Parte 3
O passo que falta para Fernando Alonso

Alonso: a um passo de se eternizar como um dos maiores
Principal piloto da atualidade, Fernando Alonso já pode ser considerado um dos grandes nomes da história da Fórmula 1. Seu "currículo", por sí só, já garante esta vaga.
Vejamos: ele foi o primeiro espanhol a ser campeão mundial e abriu para a Fórmula 1 as as pernas de um mercado que antes era exclusivamente voltado ao motociclismo. Hoje em dia, a Espanha respira automobilismo, novos talentos surgiram e o país é um dos poucos a ter duas corridas no grid.
Outra coisa interessante: ele, por duas vezes, conseguiu deixar Michael Schumacher no chinelo. A primeira foi em 2006, quando, de forma magistral, foi campeão na despedida do alemão. A segunda está acontecendo hoje em dia: mesmo com Schumacher no grid, ele desbancou o alemão como o melhor piloto do grid.
Mais um fator: conseguiu criar um caos dentro da equipe McLaren, em 2007, e uma revolução na Fórmula 1. Perdeu o título de 2007 e sorriu, fez o time inglês perder o campeonato de 2007, o de 2008 e, no mínimo, 100 milhões de reais, além de provocar o afastamento de Ron Dennis.
Continuando: ele é o bicampeão com menor idade (25 anos, 2 meses e 24 dias).
Contudo, falta um pequeno passo para transformar Alonso em mito. O pequeno passo que o fará entrar na turma de Jack Brabham, Jackie Stewart, Nelson Piquet, Ayrton Senna e Niki Lauda (sem contar Juan-Manuel Fangio, Michael Schumacher e Alain Prost). Ou seja, ser tricampeão.
Isso poderia ter acontecido em 2010, mas a história não deixou. Ele não merecia, principalmente pelo que aconteceu na Alemanha há dois anos. Mas neste ano é diferente: ele vem mostrando ser o melhor com corridas superlativas (algumas impressionantes, como em Valência) a bordo de um carro que começou muito ruim e ainda não é o melhor do grid.
E, cá entre nós: com raras exceções (como Jim Clark, Emerson Fittipaldi e Gilles Villeneuve - sem contar Sebastian Vettel, que provavelmente entrará na lista), ser tricampeão é o que separa os grandes pilotos dos pilotos comuns. E, pelo que já vez até agora e, principalmente, neste ano, demorou para Alonso entrar na turminha.
Lembranças de Hockenheim

Largada do GP da Alemanha de 1989
Hockenheim era uma daquelas pistas que mexia com os pilotos. As longas retas que cortavam florestas e podiam levar os carros a números superiores a 340 km/h traziam um misto de medo e excitação a todos os pilotos.
Tivemos graves acidentes lá, como as mortes de Jim Clark com um Fórmula 2, e Patrick Depailler, durante testes de F-1 em 1982, mesmo ano em que Didier Pironi em 1982, na chuva com a Ferrari, encerrou sua carreira.
Outras três mortes foram registradas até 1986, quando esta lista se encerrou, e alguns outros acidentes assustadores, como a capotagem de Derek Warwick com seu Footwork no warm up da edição de 1993.
Mas lá também tivemos momentos hilários, como o embate entre Nelson Piquet e Eliseo Salazar, após o chileno, retardatário, tirar o brasileiro da prova quando estava prestes a tomar uma volta.
Hoje em dia, com sua abreviação, Hockenheim não passa de mais uma pista do calendário, com as quatro longas retas transformadas em uma só e todas as curvas lentas foram mantidas. Desde 2001, quando aconteceu a reforma, só corridas chatas aconteceram.
Por isso, para manter viva na cabeça a memória do excitante e respeitado Hockenheimring, vamos ver na íntegra a edição de 1989.
O trenzinho de Piquet

Saudosa Fórmula 1...
Isso é uma coisa que a gente não vê hoje em dia: uma carro de Fórmula 1 com quatro pilotos!
Explico: no fim do GP do México de 1986, Philippe Alliot resolveu dar carona ao companheiro René Arnoux e a Stefan Johansson, então na Ferrari.
Só que, na hora da carona... O carro morreu. E Johansson passou a sinalizar para quem passava, até que Nelson Piquet parou.
Foi quando Johansson, Arnoux e Alliot, este ainda de capacete, subiram no Williams Honda e foram passeando de volta aos boxes.
Historicamente, Piquet sempre parou para dar carona. Uma rápida busca no Google mostra ele dando uma forcinha a Johansson em outra ocasião e, também, a Alain Prost.
Saudosa Fórmula 1...
Quando o Nelson fala, a gente escuta

Piquet: sem papas na língua
Além de ser um dos maiores pilotos de todos os tempos, Nelson Piquet também se preocupa com o esporte que fez sua vida.
O tricampeão mundial sabe as dificuldades de sobreviver no automobilismo, uma vez que sempre precisou se virar sozinho e, inclusive, tentou criar uma liga alternativa nos anos 90, depois de ver que a Confederação Brasileira de Automobilismo estava degringolando cada vez mais.
Aproveitando a exposição gerada pelo GP do Brasil e pela homenagem recebida pelos 30 anos de seu primeiro mundial, Piquet resolveu jogar no ventilador muita coisa que estava engasgada sobre a CBA e alguns de seus membros. Palavras duras, ainda mais vindas de alguém do prestígio de um campeão de Fórmula 1 que não podem ser ignoradas e devem ecoar, para que tenhamos respostas para acusações tão graves.
Nos vídeos abaixo estão o depoimento e as acusações feitas no programa SuperMotor, do canal por assinatura Bandsports. Como nem todo mundo tem TV a cabo e o alcance da Bandsports não é o de canais abertos ou de um SporTV, fiz questão de divulgar. Confiram:
Como Galvão Bueno disse, isso é "Nelson Piquet em estado puro!"
Nelson Piquet, 59
Hoje, dia 17 de agosto, é aniversário de Nelson Piquet. Um dos maiores e mais irreverentes pilotos brasileiros de todos os tempos completa 59 anos.
Para homenagear esta lenda, nada como um especial de quando estava no auge. Seria fácil publicar o ótimo Linha de Chegada feito pela turma de Reginaldo Leme, então decidi vasculhar. Como resultado, achei este programa, dividido em cinco blocos, de 1987, feito pela Rede Manchete, ele ainda com 35.
Entrevistas ótimas com Piquet e pessoas próximas, como sua mãe, Dona Clotilde, falando que o pai ficaria orgulhoso se estivesse vivo vendo o filho ser tri; nosso amigo Lua novinho, novinho, mas com a barba igual, além de Alex Dias Ribeiro, Chico Rosa!
Há também uma situação bem curiosa quando o repórter pergunta a Ayrton Senna de Piquet, e o tricampeão na época fala da fofocaiada que fizeram em torno dos dois na ocasião.
Deliciem-se com as belas histórias contadas pelo tricampeão, de forma divertida, com imagens de vários momentos da carreira.


