13mar/134

Tardes inesquecíveis com um certo Barão Fittipaldi

Meu domingo foi uma loucura. Aliás, os dois primeiros meses do ano foram de completa insanidade. Trabalho muito mais com a F-1 em andamento, mas curiosamente o desgaste é menor. E os últimos dias foram de trabalho intenso e estressante para montar o que será o meu 2013.

Só para se ter uma ideia minha viagem para a Austrália só foi confirmada na quinta-feira. Eu iria ao Rio de Janeiro na sexta e ficaria até domingo de noite para acompanhar o evento no qual Felipe Massa andaria de Ferrari pelas ruas da cidade. Ao saber que viajaria para Melbourne, mudei minha passagem e retornei para Sampa no sábado à noite.

O domingo foi corrido, de trabalho, encontro rápido com a família, ir à missa e arrumação de malas, além de uma última passada na Jovem Pan. Embarquei  à 1h20 da manhã de segunda-feira.

O voo São Paulo-Dubai, apesar de agradável, é sempre desgastante. Ainda não inventaram um jeito de ser voar mais de 14 horas de forma rápida e suave. E essa era a primeira perna de minha viagem.

Quando desembarquei em Dubai, encontrei a turma da TV Globo e ficamos papeando um pouco. O produtor Bruno Almeida conectou-se à internet do aeroporto (sim, é gratuita) e aproveitei para fazer o mesmo em meu celular. Imediatamente recebi minhas novas mensagens de email. Desci o cursor sem abrir nenhuma, apesar de alguns títulos de mensagem terem me chamado a atenção.

Um deles em especial, de Dé Palmeira; o primeiro que cliquei. O título era Barão. Até aí pouco queria dizer, porque Dé é o baixista da formação original do Barão Vermelho e meu grande amigo. Estava a par que a banda tocará em São Paulo no próximo fim de semana e imaginei que podia ser um alerta. Não era. A notícia, que caiu como uma bomba, era que o grande Barão Wilson Fittipaldi tinha morrido.

Foi estranho receber a notícia da morte de um Barão através de outro Barão. Dé sabia que eu o tinha como herói. No ano passado realizei um documentário sobre os 40 anos do primeiro título de Emerson Fittipaldi em que homenageava também o Wilson pai.

O primeiro impacto da notícia foi de absoluta tristeza. Parecia que tinha perdido um parente, alguém muito próximo. Parei em um Starbucks e comprei um café. Fiquei lembrando dos (poucos) momentos em que convivi com o “seu Wilson”. E daí me senti em absoluta paz. Pensei que no fundo era o que o Barão esperava há algum tempo. Ele aguardava o seu momento de “embarcar”, como dizia, e encontrar seu grande amor, a esposa Juzy. Mas mesmo nessa espera sempre foi alegre e positivo.

Minha admiração pelo Barão era antiga, mas cresceu muito nos últimos 10 anos. Eu sempre conheci o que Wilson fez pelo esporte e pelo jornalismo brasileiros, mas foi quando passei a viajar com a F-1 que me dei conta do tamanho deste homem.

Em Monza, 2004, cobria meu segundo GP como repórter titular da Jovem Pan (a estreia havia sido 14 dias antes, em Spa). Lembro-me de antes de ir para Monza ter deixado uma reportagem relembrando o título de Emerson, pois a data caiu no sábado antes da corrida, ou seja, dia do Fórmula Jovem Pan, meu programa semanal. Lembro até hoje o impacto que me causou ouvir aquela reportagem apresentando o programa de Monza. No momento em que ele informava em sua famosa narração “vai ingressar na curva Parabólica” eu apenas olhei de minha posição para a esquerda e vi a curva. Imaginei a Lotus de Emerson abrindo a reta para ser campeão, ao mesmo tempo em que parecia ouvir o Barão ao meu lado gritando que seu filho fazia história como primeiro brasileiro a conquistar a F-1 - “aí vem o vencedor da competição, é o Brasil ganhando o campeonato do mundo”.

Fiquei completamente arrepiado. Me emocionei e precisei me controlar para não chorar. Vale lembrar que tinha 23 anos. Naquele dia senti que ocupava a posição da Jovem Pan das viagens de F-1, que um dia fora de um mestre, de um visionário, de um pioneiro. Eu estava naquele dia em Monza por causa de Barão, assim como outros colegas que vivem e viveram da F1 nos últimos 35 anos. E não seria exagero dizer que muitos pilotos chegaram pelo trabalho dele, que é anterior ao mérito de Emerson. E mais: a F-1 é o que é em nosso país por causa deste homem. É impossível dizer que o Brasil não teria chegado ao topo da F-1 sem Wilson Fittipaldi, mas não é difícil dizer que demoraria bem mais e que nossa história seria bem menor.

Curiosamente, levei sete anos para ver o Barão de perto. Barão vivia no Rio e eu apresentava uma falha grotesca de nunca ter ido à cidade até o começo de 2011. Em agosto do mesmo ano, a CBA fez sua festa de 50 anos e convidou Wilson para ser o homenageado da noite. Antes do evento o Sportv realizou um programa unindo todos os Fittipaldi, do patriarca Barão ao bisneto Pietro, neto de Emerson (a gravação foi na recepção do flat onde Wilson morava no Rio). Graças a Christian, com quem tenho o prazer de dividir as transmissões da JP e quem serei grato eternamente, acompanhei os bastidores da gravação, que foi incrível.

Mas as melhores partes foram antes e depois da gravação. Antes tive a honra de almoçar com Barão, Wilsinho e Christian. Barão estava de ótimo humor, com piadas ácidas e excelente energia de viver. Era incrível um homem de 91 anos com aquele vigor todo. E mais: uma memória impecável. Falamos muito sobre F-1, família e rádio. Tive de me segurar para não chorar umas três vezes, pois era incrível vivenciar aquilo. Estava tendo meu dia de Fittipaldi. Não estavam ali o visionário, o criador dos carros brasileiros na F-1 e o piloto que andou de F-1, Indy e Nascar. Eram avô, pai e filho. E eu...

Após a gravação, Wilsinho, filho mais velho de Barão, me convidou para ficar na casa de seu pai. Achei que incomodaria, mas Wilsinho insistiu. Então, subimos para o apartamento eu, Wilsinho e Barão. Tomei banho e me troquei por lá e enquanto esperávamos para ir ao Copacabana Palace falamos muito. Um dia inesquecível! Para completar, fomos ao evento e Barão mostrou ser quem sempre foi. Em seu breve discurso, simplesmente criticou a destruição de Jacarepaguá. O homem atuante continuava mais que alerta.

Meu segundo episódio com Barão foi ainda mais prazeroso. Eu estava desenvolvendo um documentário na JP sobre a primeira conquista de Emerson na F-1. A ideia consistia em confrontar depoimentos dos rivais pelo título, Emerson e Jackie Stewart. Queria muito ouvir o Barão, mas achei que seria pesado demais ouvi-lo por horas. Por algum motivo não fui atrás disso.

Após 12 meses de produção e entrevistas, tive o estalo de procurá-lo. Isso era agosto, mês de aniversário dele (e meu também), e o especial iria ao ar em setembro. Ou seja, tinha pouco tempo. Liguei para Christian e ele me alertou: “Felipe, vou falar com ele mas não se ofenda se ele não topar. Ele fica cansado em entrevistas”.  Eu disse que entenderia perfeitamente. Cinco minutos e meu telefone toca: “Não sei se demos a sorte do mundo, mas hoje ele está ótimo. Não só topou como ficou contente que você vai. Anota o telefone dele e combine sua ida.”

Liguei imediatamente e falamos por uns cinco minutos. Agradeci a atenção e ouvi como resposta “eu que agradeço”. A voz e a força estavam lá, como sempre foram sua marca. Desliguei o telefone e chorei. Afinal, é raro podermos conversar ao telefone com um ídolo. E mais: sentia-me falando com meu avô, e como falar com avós é gostoso, algo que infelizmente desde 2000 não tenho a oportunidade pois os meus são falecidos.

Marquei a passagem e fui. Fomos eu e minha esposa em uma terça-feira. Chegamos em Santos Dumont e seguimos para a Barra. Quando chegamos fomos recebidos pela acompanhante que há anos cuidava de Wilson, que se chama Tânia. Quando chegamos ela comentou: “hoje ele não está muito bom. Acordou cansado”. Alguns segundos depois aparece na sala o grande Barão, dando realmente mostras de cansaço. Ele se sentou à mesa, respirou fundo e senti que aquele não era um bom dia para uma entrevista. A mesa estava posta para o almoço e ele perguntou: “não vamos gravar?”. Respondi que era pra ele ficar à vontade, para almoçar tranquilo e que falaríamos depois.

Começamos a comer e eu o estimulei com algumas perguntas do passado na F-1. E Barão começou a gostar daquilo. Relembrou episódios, dava risadas e mostrava uma memória invejável. Ao perceber que informalmente havíamos começado a entrevista, dei REC em meu gravador, pus sobre a mesa e comecei a registrar aquele dia histórico para mim, sem perder a cara de bate-papo do almoço.

Barão falou, falou, falou e não parecia cansar. Muito pelo contrário! Empolgava-se a cada história. Empertigava-se em frente ao microfone como se fosse para entrar ao vivo. Ouvi-lo sobre corrida era algo delicioso, mas o que mais chamava a atenção era a seriedade que dava ao ato de falar ao microfone. Era como se não houvesse brincadeira. Aquele era um momento nobre, sério, e que mesmo aposentado e com mais de 90 anos, Barão o fazia como se voltasse ao famoso GP de Bari, quando em 1949 realizou a primeira transmissão transatlântica do Brasil. Assim como um piloto se sente abençoado ao sentar em um cockpit, seja qual for o carro e a ocasião, Barão era um homem de rádio. Aquilo era seu bem maior como profissional. Essa lição jamais esquecerei.

Aquela tarde com o Barão foi um dos dias mais incríveis que já vivi. Mostrei a ele algumas coisas novas da F-1, credenciais, áudios, mp3, e ele parecia ficar encantado, mas ao mesmo tempo saudoso de seu tempo de papel e caneta.

Foi também uma lição acompanhar algumas reflexões do seu Wilson. Ao mesmo tempo que é uma dádiva viver com saúde por tanto tempo, é igualmente um fardo ter uma vida prolongada. Em todas as histórias Barão citava personagens e dizia: “esse já morreu”. Depois de uns oito “esse já morreu” virou seu olhar para o alto e disse “acho que me esqueceram por aqui”. Por três vezes comentou estar aguardando para “embarcar”.

Após tantas reflexões, aconteceu a coisa mais incrível do dia. Pouco mais de um mês antes do encontro, eu narrara o GP do Canadá na JP. Minha esposa disse: “mostre a ele”. Fiquei acanhado. Senti que estava prestes a mostrar ao Pelé o que ele achava de minha primeira partida de futebol. Foram cinco minutos de áudio. Barão ouviu tudo com concentração total. Quando terminou ele olhou para mim e disse: “Rapaz, muito bom. Em linhas gerais tenho isso a dizer. Acho que todas as suas qualidades você conhece. Posso dizer o que poderia melhorar?”. E fez dois comentários precisos de um “mude isso aqui” e “arrume aquilo ali” que foram incríveis. O homem continuava antenado, moderno, na ativa. Aquela foi uma tarde mágica. Uma tarde em um filme de arte. Senti-me vivendo em Cinema Paradiso, o Carteiro e o Poeta, Língua de Mariposas, entre outros.

Um mês depois de meu encontro com Barão exibi a reportagem/documentário dos 40 anos do título de Emerson, a que considero meu maior trabalho até hoje. E posso dizer que tenho muito orgulho de poder ter homenageado Barão em vida. Uma grande alegria para mim. Lembro de enviar a ele uma cópia do programa e ele me ligar para agradecer. Foi a última vez que nos falamos. O vinho que tinha prometido levar a ele para papearmos mais um pouco olhando ao mar está em casa, e prometo ao senhor, Barão Fittipaldi, que quando voltar ao Brasil o abrirei para relembrar de meus momentos inesquecíveis ao seu lado.

Encerro meu texto com uma história bacana. Embarquei no último domingo, uma hora antes de Barão falecer, para uma viagem diferente, transformadora. Meu grande amigo e parceiro conversou com a direção da Jovem Pan para verificar que as agendas estavam muito corridas para os dois lados. Téo saiu da rádio para continuar seu caminho brilhante na TV. E o seu Tuta me comunicou em dezembro, assim que Téo e ele conversaram, que eu seria o seu substituto. Se em 2004, em um sábado em Monza, me emocionei ao ouvir a narração de Barão e perceber que ocupava a função dele de viagens, agora a emoção é dobrada por ter a honra e, claro, a responsabilidade de seguir os rumos de Barão na área em que ele se consagrou.

Só peço duas coisas neste momento. Que Deus o abençoe em seus momentos de eternidade ao lado de sua esposa tão amada. E que você, Barão, coloque sua mão em meu caminho e me abençoe nesta nova empreitada. Obrigado pelos ensinamentos, pela atenção, pelo carinho. E, em nome de muitos brasileiros, obrigado por tudo que você fez pelo esporte, pelo jornalismo e pelo país. Do fundo do meu coração, minha admiração eterna e certeza de que trabalharei muito para honrar o seu legado profissional. Obrigado

7fev/1317

Bruno Senna sai da F-1 e segue para o turismo

Gostaria de escrever um pouco mais sobre Bruno Senna, que anteontem anunciou que correrá o Mundial de Endurance (WEC) pela Aston Martin.

Acredito que agora seja de fato o fim da linha do piloto na Fórmula 1. Depois de um ano terrível com a Hispania, não por sua responsabilidade, claro, uma passagem curta na Renault (hoje Lotus) e um ano completo na Williams, onde faltaram resultados mais expressivos, o brasileiro deixa a categoria e vai competir no turismo.

Aplaudo Bruno Senna pelo fato de não insistir em ficar na F-1 em uma equipe fraca, como Caterham e Marussia. Caso ele tivesse seguido este caminho estaria apenas brincando de ser piloto. Ele mostrou, mais uma vez, que não é um brincalhão, um sem noção. A única boa opção disponível, a Force India, nunca pareceu estar próxima a contratá-lo. Eu escrevi no começo de dezembro que lá ele não andaria. Quando os outros times anunciaram suas duplas víamos que não sobraria nada (de bom) a ele.

Em Penha, durante o Desafio das Estrelas, ele me disse (postei o áudio aqui) que conversava com todas as possibilidades que estavam abertas. E que também poderia terminar como pilotos de testes de algum time. Apurei que o time mencionado era a McLaren. Bruno tentou um espaço por lá, o que não aconteceu. E assim, ficou sem opções e decidiu sair.

Em minha opinião foi o certo, na verdade a única coisa que poderia fazer. Sobre o que decidiu correr (WEC - Aston Martin) fica difícil opinar, pois não sabemos quais cartas estavam em sua mesa. Sei apenas que ele tinha sido convidado para correr no Team Brazil que está sendo formado para a disputa do mundial de GT, algo que me parecia uma melhor opção. Mas repito, não sei detalhes dos acordos (duração de contrato, valores, aberturas para outras categorias).

Seja como for, a história de Bruno Senna termina na F-1. Como disse há algum tempo, eu sempre achei Bruno um bom piloto. A única coisa que me chama a atenção (negativamente) é um piloto com alguma experiência e um belo cheque de patrocinadores não parar em uma equipe por mais de um ano e sobrar no meio do caminho. Será que as equipes avaliaram que, como se diz na linguagem do automobilismo, "ali não vai"?

De qualquer forma, Bruno deixou uma marca. Seu carisma e educação são inegáveis, seus resultados, ainda que não tenham sido históricos, foram ok (as corridas de China, Malásia e Hungria foram excelentes) e agora é partir para frente. Senna sempre teve um perfil adequado ao turismo. Sua velocidade pura não é a melhor, mas apresenta muita consistência em tempos de volta, além de muito conhecimento técnico. Só posso então desejar sorte ao Bruno...

25dez/125

Destaques de 2012

Gostaria de aproveitar o embalo do fim de ano para apresentar os meus destaques do ano na Fórmula 1.

Acho um exercício divertido nesta época em que fazemos os votos para que o próximo ano seja melhor do que o que termina. Imagino que muitos irão discordar de mim, mas chegou a hora de cornetar.

10 - Pódios de Sergio Perez

Já disse antes que para mim Sergio Perez é um piloto bom e promissor, mas não acho que esteja pronto para ocupar uma vaga em um time como a McLaren. Espero que me cale em 2013. De qualquer forma, é inegável que o mexicano fez um bom trabalho até ser anunciado pela equipe de Woking (depois do anúncio, não marcou mais pontos). Seus três pódios (Malásia, Canadá e Itália) foram incríveis. Se conseguir transformar a surpresa em rotina, será grande. Acreditam nisso?

9 - Vitória de Pastor Maldonado

O venezuelano fez besteiras? Ô se fez! Mas convenhamos, quem esperava que ele venceria com uma Williams um Grande Prêmio de Fórmula 1. E mais: um GP normal, sem nenhuma grande adversidade que favoreceu Pastor (ok, Lewis Hamilton foi punido, mas foi porque sua equipe fez uma grande besteira e sendo assim Maldonado mereceu estar onde esteve). Por esse motivo a vitória do piloto está entre os meus destaques do ano. E que continue nos oferecendo alguns bons momentos em 2013.

8 - Reestreia dos Estados Unidos no calendário

Infelizmente, não pude ir ao GP dos Estados Unidos pelo problema judicial que envolve DHL e Correios. Só para se ter uma ideia, só obtive meu passaporte na semana passada. Uma grande pena para mim, pois os relatos que ouvi dos colegas de sala de imprensa foram impressionantes. O circuito das Américas, construído em Austin, no Texas, recebeu um super-evento. Uma volta em grande estilo de um país que não pode ficar de fora do calendário por inúmeros motivos. Seja bem-vinda etapa dos Estados Unidos!

7 - Consolidação de Nico Hulkenberg

O alemão não foi ao pódio nenhuma vez. Tampouco largou na pole, como fizera na penúltima etapa de 2010. No entanto, reforçou seu rótulo de principal nome da nova geração. Rápido, consistente e maduro, Hulk era para muitos, inclusive para mim, o companheiro certo para Jenson Button na McLaren. Teve de se contentar com a Sauber, onde espero que consiga ter um bom carro. Ainda é cedo para imaginar onde o alemão pode chegar, mas não vai demorar para que fique claro que uma equipe de ponta é o seu destino mais certo. Acelera Hulk!

6 - Recuperação da Red Bull na reta final

Já deixei claro que para mim definir o campeonato de 2012 como mais um ano com a Red Bull na frente é um grande equívoco. A equipe fez um bom trabalho, claro, mas em minha modesta opinião a McLaren tinha um carro melhor em uma avaliação das 20 etapas do ano. A Red Bull soube minimizar estragos quando estava atrás, além de ser implacável quando o carro era o melhor. E isso veio com Sebastian Vettel, sobre quem falaremos mais adiante. Aqui, novamente meu respeito e admiração a Adrian Newey e sua equipe.

5 - Corrida inesquecíveis

Se voltarmos dois, três anos no tempo, lembraremos de campeonatos equilibrados, mas que contavam na maioria dos casos com corridas chatas. O que vimos em 2011 e 12 foi um festival de belas provas. Chega ser difícil apontar uma, duas ou três. Por isso, escreverei um post específico sobre as melhores corridas da temporada. Na quinta posição apenas a menção honrosa de um campeonato marcado por belas disputas e muitas emoções.

4 - Equilíbrio entre equipes

Já vimos vários campeonatos equilibrados que reuniram duas equipes ou até mesmo apenas dois companheiros de uma mesma escuderia, como Senna e Prost. O que poucas vezes vimos foi um Mundial com possibilidade tão grande de vencedores, de postulantes ao pódio e equipes diferentes brigando pela ponta. Nas cinco primeiras corridas do ano foram cinco vencedores diferentes de cinco equipes diferentes. Nas duas corridas seguintes mais dois pilotos emplacaram vitórias, deixando o histórico número de sete pilotos diferentes vencendo nas sete primeiras corridas. No fim do ano ainda houve um oitavo vencedor. O feito mereceria estar na primeira posição dos destaques do ano, mas acredito que três homens fizeram bonito para estar na frente.

1, 2 e 3 - Fernando Alonso, Kimi Raikkonen e Sebastian Vettel

Acho que a discussão para avaliar quem foi melhor em 2012 é muito complexa. Os três pilotos foram brilhantes, erraram muito pouco e estiveram bem acima de seus companheiros. Por isso acredito que não dê para apontar que Vettel, por exemplo, só se deu bem porque seu carro era muito bom. Seu companheiro, Mark Webber, foi apenas o sexto no geral. Alonso com uma Ferrari fraca brigou até o fim, enquanto Felipe Massa foi o sétimo. E Raikkonen viu Romain Grosjean ser apenas o oitavo. Desta forma, os três merecem aplausos. E de pé! Em minha avaliação, coloco Alonso em primeiro porque foi nítido o que o espanhol fez com uma Ferrari bem abaixo da média. Deu show! Raikkonen pontuou em 19 das 20 provas e só não completou uma volta (a que levou como retardatário na última corrida, em Interlagos). Por ter ficado fora da F-1 por dois anos e com um carro que era "apenas" bom, o finlandês fica em segundo para mim. E Vettel é o terceiro, sem em nenhum momento ficar abaixo dos demais. Foi brilhante e não é à tôa que já é tricampeão. Que os três voltem com tudo em 2013!

E qual o Top-10 para você!? Mandem bala!

4dez/1211

Chances de Bruno Senna na Force India são pequenas

Gostaria de escrever um pouco sobre a situação de Bruno Senna. O brasileiro trabalha nos bastidores para conseguir uma vaga no grid de 2013.

Já escrevi aqui que a experiência que Bruno acumulou no último ano e meio mais os patrocinadores que dispõe fazem do piloto uma boa opção, ainda que ele não tenha impressionado por resultados acima da média.

Hoje, no entanto, apurei que as chances do brasileiro com a Force India diminuíram bastante. O brasileiro neste momento está apenas com chances pequenas na equipe. Ele, mais do que nunca, tem apenas chances remotas de estar na Force India.

A Lotus ainda não anunciou o companheiro de Kimi Raikkonen no próximo. Romain Grosjean, que teve alguns altos e muitos baixos em 2012, ainda é considerado o favorito. Mas se o time estivesse certo do que fazer já teria anunciado qual seu piloto. Muita gente tem procurado a Lotus para oferecer seu trabalho e dinheiro.

A Caterham é a outra opção. Bruno Senna não deixou claro se voltaria para trás para andar em uma nanica. O que pergunto a vocês é: valeria a pena para ele voltar para trás? No lugar de Bruno vocês migrariam para outra categoria em uma condição melhor ou ficariam na F-1 mesmo em uma equipe menor para tentar algo melhor no futuro?

29nov/1215

Alguns comentários sobre o ano de Bruno Senna

Acho que está claro para todo mundo que o desempenho de Bruno em 2012 foi ok. Esteve longe de encher os olhos, mas tampouco pagou mico na F-1. Sua performance em classificações foi muito fraca e aí residiu sua grande dificuldade em conseguir mais pontos e corridas convincentes. Basta lembrar que na corrida em que largou mais à frente no grid o piloto foi capaz de andar entre os dez sempre (Hungria - terminou em 7º).

Mas enfim, ao analisarmos um piloto não podemos separar classificação e corrida. O pacote é o mesmo. Se o ritmo de prova de Senna era bom, consistente e confiável, sua classificação era péssima. Pesa a favor do brasileiro em sua disputa contra o companheiro Pastor Maldonado o fato de ter pontuado em 10 corrida, enquanto o venezuelano somou pontos em cinco. Ainda assim, Maldonado, além de vencer uma etapa, brigou por ótimas posições no grid e esteve na luta por alguns pódios (de memória, lembro-me de Cingapura, Valência e Abu Dhabi). Ou seja, Bruno esteve aquém do que poderia com seu carro.

Precisamos registrar que o piloto perdeu 15 sextas-feiras, o que não é pouco. Mas ao mesmo tempo que não era pouco, ele precisava contornar a situação. E em apenas alguns casos conseguiu.

Projetando para 2013 a ideia é que Bruno é um candidato à vaga da Force India, ainda que especulações que surgiram no GP do Brasil apontem Adrian Sutil mais forte neste momento. Penso apenas que Bruno dispõe de patrocinadores sólidos e o alemão não estaria forte na competição financeira com o brasileiro. Esse pode ser o "critério de desempate" favorável a Bruno.

Ainda há o boato que Bruno Senna poderia ir à Caterham. Será mesmo? Bruno teve uma experiência péssima na HRT e me pergunto se valeria a pena se envolver novamente com uma nanica. Não acho que sairia de lá caso seguisse esse caminho.

Acho que por tudo o que Bruno passou em sua vida (distância das pistas, perda de quilometragem no kart...) ele merece muito respeito por onde chegou. Ele é um bom piloto, inteligente e muito esforçado, além de educado e boa gente. A única coisa que me faz pensar questionar suas capacidades é ver que mesmo com ótimos patrocinadores ele acaba dispensado. Na Lotus foi assim no término de 2011 e agora a mesma coisa com Valtteri Bottas. Ok, podíamos dizer que Romain Grosjean é francês e Bottas apadrinhado por Toto Wolff, mas duvido que se qualquer uma das duas equipes avaliass Bruno como um talento nato que ele seria dispensado. Antes que me condenem por escrever isso, sigo a mesma tese em relação ao que escrevi quando a McLaren pegou Sergio Perez, antes apadrinhado pela Ferrari, mas que pouco fez para mantê-lo. Será que se avaliassem que ele é O CARA o time italiano jogaria-o fora?

Claro que isso não é uma ciência exata. A mesma Williams abriu mão de Nico Hulkenberg pela experiência de Rubens Barrichello e o dinheiro de Maldonado. Hoje o alemão é considerado o melhor da nova geração no grid. Se nos balizássemos pela escolha da Williams diríamos que Hulk é comum, fraco. Mas ele mostrou do que é capaz. Portanto, nem todas as escolhas são as corretas. Mas me chama sim a atenção que dois times tenham dispensado Bruno, mesmo quando ele parecia uma boa escolha.

E aí, o que pensam do real talento de Bruno? Pode dar a volta por cima? Ou vimos o que tínhamos para ver?

22nov/125

Um pouco mais sobre a decisão da Ferrari em Austin

Gostaria muito de escrever umas linhas sobre o que ocorreu em Austin, domingo passado. Não a corrida, pois dela já escrevi. Queria falar sobre a opção da Ferrari em quebrar o lacre do câmbio de Felipe Massa de forma proposital, o que permitiu que Fernando Alonso mudasse do lado sujo para o limpo, além de ganhar uma posição.

Não vou me focar no lado de Massa em si, pois acho que o companheiro Luis Fernando Ramos foi muito bem no que escreveu. Concordo basicamente com tudo o que foi escrito por ele, e não vejo Felipe em posição e possibilidade para peitar a equipe, como muitos argumentam.

Gostaria, no entanto, de opinar na questão do ético e não ético, legal e ilegal, moral ou amoral... E que fique claro, sem pretender que minha opinião seja a verdadeira, até porque não tenho uma posição clara sobre o que deveria ser considerado correto e errado. A ideia é levantar pontos e, juntos, pensarmos sobre o ocorrido. Enfim, levar a uma reflexão.

O que a Ferrari fez não consiste em nenhuma ilegalidade. Sobre seus pilotos ela pode determinar o que quiser fazer. Ela os paga muito bem e jogo de equipe é algo liberado no regulamento, além de antigo pacas na história do automobilismo. Você não acha isso legal? Então que procure outro esporte para acompanhar. F-1 era, é e sempre será assim.

Mas não quero que pensem que o ocorrido em Austin não me gerou um certo incomodo, não pela atitude da equipe, do piloto beneficiado ou do prejudicado.

Vamos aos exemplos para deixar tudo mais claro. Quando uma equipe tem um piloto liderando e outro em segundo, um em quinto e outro em sexto, um em vigésimo outro em vigésimo primeiro, ou seja, um diante do outro, é compreensível que ela escolha aquele que deseja que termine à frente. O motivo pode ser justo, como um lutando pelo título e outro não, ou injusto, como um ser casado com a filha do patrão e o outro não, mas a equipe determina o que a ela convier. Justo ou injusto, isso é aceito, legal, normal...

Agora o que a Ferrari fez, ainda que legal do ponto de vista do regulamento, fere a forma como eu vejo a questão de ordem de equipe. Você escolher entre dois funcionários seus quem você deseja ganhar é uma coisa. Vamos considerar uma dobradinha. Você tem o piloto B em primeiro e o A em segundo. Portanto, os 43 pontos de uma dobradinha já estão indo para sua conta. Se o time julgar que o A deve estar à frente do B, os mesmos pontos serão somados, ninguém estará envolvido, a não ser a própria.

Isto posto, em minha ótica a manobra da Ferrari para ajudar Alonso não teve apenas Felipe como lesado. Se ele fosse o único, paciência, estariam todos os envolvidos de acordo.

No entanto, ao empurrar Massa cinco posições para trás e Alonso uma para frente, a Ferrari jogou três pilotos para o lado sujo. Se isso fosse pouca coisa, a Ferrari não teria feito o que fez. Desta forma, Nico Hulkenberg, Romain Grosjean e Bruno Senna foram os três que foram jogados para o "lamaçal". Que fique claro, a questão não é se perderam ou não posição, pois ninguém pode prever o futuro. O próprio Alonso poderia ficar na mesma ou perder posição, mesmo no lado limpo. Mas oito pilotos do lado sujo perderam posições, o que mostra como a Ferrari tinha razão em querer jogá-lo para o limpo. Ainda assim, para fazê-lo jogou três caras do lado sujo.

Fiz esse longo parágrafo para dizer algo que sei que será polêmico, mas enfim é o que eu sinto agora. Para mim o que a combinação Ferrari/Alonso/Massa fez em Austin não é tão diferente do que a Renault/Nelsinho/Alonso. Não acho que são coisas iguais, idênticas. A manobra em Cingapura poderia envolver outros pilotos em relação à segurança, algo que a Ferrari não fez, consequentemente, o episódio Cingapura é mais complexo. Porém, o princípio para mim é o mesmo. É levar uma vantagem diante do prejuízo do outro, algo que não há em uma troca de posições entre companheiros.

Quando a Renault solicitou que Nelsinho batesse ela o fez exclusivamente para que Alonso levasse vantagem. Ela não antecipou que Massa ficaria com a mangueira em seu carro, que outros pilotos perderiam posições e que alguns ganhariam. Ela visou que Alonso se desse bem, ponto, através de uma manobra que poderia atrapalhar os rivais. A Ferrari usou, ainda que com ferramentas diferentes e talvez menos graves, algo que interferia no caminho de outros. Ok, a manobra da Renault poderia afetar o caminho de todos os membros do grid. A Ferrari "intrometeu-se" no destino de três adversários. Mas a matéria-prima, para mim, é de mesma ordem, ainda que em diferente gravidade.

Novamente, que fique claro - não acho que haja nada que possa coibir isso. Se a Ferrari dissesse que o câmbio de Massa estava comprometido, quem poderia questionar? Ainda em tempo: achei correto informarem a real. É menos cínico e até respeitoso com o público. "Fizemos e não estamos tratando vocês como idiotas".

Finalizo esse post dizendo que não acho o que a Ferrari fez lindo, um exemplo a ser seguido, mas está longe de ilegal e bandido. Ela jogou com  regulamento e realizou uma manobra que pode sim dar o título para ela. Uma manobra polêmica, sim, parecida com há que quatro anos atrás tirou-lhe o título. O mundo é mesmo redondo. E dá voltas. E o mundo da F-1, como da maioria dos esportes (negócios), está longe de ser livre de pecados, seja quem for o envolvido.

E vocês pensam o quê do episódio, passados alguns dias para a poeira abaixar?

8nov/128

A luta de Bruno Senna por uma vaga em 2013

Vamos falar um pouco sobre o futuro de Bruno Senna, que em Abu Dhabi teve um fim de semana muito difícil e ainda assim conseguiu terminar entre os dez primeiros com uma prova bastante sólida.

Já falamos aqui que o ano de Bruno não foi dos melhores, aliás como também não foi o de Pastor Maldonado. Apesar disso, a performance do venezuelano, ainda que repleta de erros, foi melhor que a do brasileiro, principalmente na comparação em classificação. A disparidade é enorme na hora de se posicionar no grid. Na pontuação temos 43 a 30 para Maldonado.

Quando cheguei em Abu Dhabi na quarta-feira ouvi as seguintes perguntas de colegas internacionais: "E aí, onde Bruno estará no ano que vem? Stock Car Brasil?". Não foram dois ou três profissionais que me indagaram isso. Foram vários. O episódio reflete o pouco que Bruno impressionou de uma maneira geral.

No dia seguinte na pista eu fui atrás de algumas informações sobre seu futuro. Ficou claro que Senna ainda não foi informado que está fora da Williams, ainda que saiba que a briga é grande e que neste momento não é o favorito. Maldonado segue na frente e a equipe está dividida se quem deve ser o outro piloto é o brasileiro ou o finlandês Valtteri Bottas. A discussão entre os dois envolve a cúpula da equipe, com Frank Williams pendendo para um lado (Senna) e Toto Wolff para o outro (Bottas).

Ainda na quinta, só que durante o jantar, o piloto foi novamente o assunto de nossa discussão. A questão básica era: ok, Bruno pode não estar mostrando muita velocidade, mas ele é um pacote interessante, agora com boa experiência e muita grana de patrocinadores. Em Abu Dhabi, ouvi que seus parceiros estão muito satisfeitos e que devem continuar com ele em 2013. O brasileiro é excelente para os patrocinadores, pois apresenta três características importantes aos clientes: profissionalismo, excelente nível cultural e retorno de mídia.

Se de fato isso acontecer, o brasileiro terá algo próximo a 20 milhões para levar à sua equipe. E a pergunta que fica é: quem não está precisando disso?

Com essa base é difícil imaginar, ainda que seja possível, Bruno Senna sobrar no grid do próximo ano. Se ele estivesse competindo com Fernando Alonso, Sebastian Vettel ou Lewis Hamilton seria uma outra história. Mas quem está sobrando? Alguersuari, Buemi e Sutil? Ok, eles podem ser um pouco melhor ou um pouco pior, mas numa situação dessas a equipe quer ter o dinheiro como critério de desempate. E o valor que Bruno tem é muito alto.

Neste momento as chances de Bruno Senna sair da Williams existem e não são pequenas. Toto Wolff hoje mesmo elogiou muito Pastor e disse que Bruno está tendo um ano ok. Além disso, "temos uma perspectiva de longo termo com Bottas, que é considerado o new kid on the block". Dá para ler nas entrelinhas o que ele pensa! Mas ainda há mercado além da Williams, no caso, a Force India.

O que acham que deve acontecer com Bruno Senna em 2013?

16out/127

Algumas considerações sobre a renovação de Massa

Passadas algumas horas do anúncio da renovação de Felipe Massa com a Ferrari gostaria de escrever sobre a novidade.

Admito que após o início desastroso de ano imaginei que Massa não teria seu contrato renovado. Era injustificável naquele momento uma permanência na equipe.

Após Mônaco sua performance melhorou bastante, mas a ausência de pontos do brasileiro continuava pesando contra ele. Em Spa embalou. E a Ferrari ficou feliz da vida porque nunca escondeu que Massa era o piloto ideal para a posição, desde que melhorasse seus resultados.

A sensação que dava é que o time esperava melhores performances para ter argumento para a renovação. Como anunciar à sua torcida apaixonada que Massa ficaria por mais um ano somando apenas os pontos que os pilotos de Toro Rosso ou Williams tinham? Isso sem falar que seu companheiro estava brigando pelo título. Era algo impossível.

Enquanto esperava a evolução de Massa, a Ferrari mantinha-se em silêncio. Não comentava os nomes de Sergio Perez, Nico Hulkenberg, entre outros. Segundo se comenta nos bastidores, Fernando Alonso era o maior defensor de Massa.

Tenho uma visão diferente da maioria dos comentários que tenho lido por aqui (me refiro aos leitores, não a outros companheiros de imprensa, até porque ainda não tive tempo de ler ninguém). Vejo que todos diminuem o fato dele ter renovado. Chamam Massa de capacho, segundão e tal. Sinceramente, não entendo alguns comentários.

Antes de mais nada, ficaria muito surpreso se no ano que vem Massa andasse de forma diferente do que fez em 2010, 11 e 12. Não há elementos que nos façam crer que ele terminará o Mundial colado em Alonso. Acho, sim, que a ele caberá um papel coadjuvante na equipe. Portanto, não pretendo vender ilusões, algo que nem o próprio Massa costuma fazer. Se ele guiar como tem feito nas últimas etapas estará atendo às expectativas do time.

Aos que dizem que ele deveria ser “homem” e “guerreiro” e procurar outro lugar eu respondo com outra pergunta: que lugar? Depois de um ano como esse, onde vocês acham que Massa estaria com espaço livre? Se não fosse a Ferrari, dificilmente seria outro lugar. Sendo assim, não há como questionar sua permanência na equipe. E mesmo que ele pudesse optar, vocês preferem Force India a Ferrari? Ou então correr na Stock no lugar do Alceu Feldmann?

Se Massa estivesse andando bem e pintasse uma vaga em uma Mercedes ou uma Lotus, que o permitissem guiar sempre para seus próprios resultados eu defenderia a ideia dele seguir esse caminho. No entanto, o cenário era bem diferente.

Na história da F-1 sempre houve primeiro e segundo piloto, em umas equipes mais em outras menos, mas sempre existiu. Se cabe a Massa o papel de segundo de Alonso, eu sinceramente não acho depreciativo, ainda mais se pararmos para pensar que o espanhol é o melhor do grid atual e um dos melhores da história. Naturalmente que isso é duro de entender para um torcedor, que busca ídolos para torcer. Se seu desenho em assistir à F-1 é para ver brasileiro ganhando, talvez o momento não seja dos melhores para fazer em relação a Massa. Ainda assim, acredito que ele mereça respeito pelo que fez e pelo que faz. Desonesto ele não é. Tampouco fica iludindo a torcida com falsas promessas, pois sempre foi muito claro ao admitir sua péssima fase.

Naturalmente, se a diferença entre “escuderias” não fosse tão grande (por isso acima mencionei a Lotus, que no papel é bem menor que a Ferrari, mas que há alguns anos faz projetos bem honestos) é uma outra história.

Acho que se Massa pudesse estar em uma equipe menor que a Ferrari (refiro-me a status, porque equipe boa é a que faz bons carros) mas eficiente e que desse a ele um ambiente 100% favorável ele mudaria de ares. Acho! No entanto, hoje ele não se encontra nessa posição e diante do que foi o ano inteiro ele tem mais é que comemorar sua renovação. É uma chance a mais em um mercado em que não se costuma ver segundas chances.

11out/120

Avaliações sobre um ano de altos e baixos da Williams e as performances de Senna e Pastor

Semana passada, no auge da polêmica gerada pelas declarações de Rubens Barrichello e a resposta de Bruno Senna, comentei em meu blog que iria escrever nesta semana sobre o ano da Williams. Acho que hoje é um bom dia para cumprir minha promessa e o farei também aqui em minha coluna do TotalRace.

Começo com o fim de meu texto da semana passada. Para mim, a Williams tem muito menos pontos do que deveria. Não precisava ser gênio para verificar que a equipe inglesa  teria dificuldades quando anunciou seus dois pilotos titulares. Eu mesmo escrevi aqui em janeiro (e não quero me gabar, porque era óbvio demais) que Bruno Senna e Pastor Maldonado, pela pouca idade, neste momento seriam ótimos segundos pilotos. Argumentei ainda que não pretendia com aquele texto defender Rubens Barrichello. Referia-me apenas ao fato dos dois serem jovens e pouco rodados para carregar uma equipe nas costas. O experiente no caso poderia ser qualquer um, não apenas Barrichello.

Se Maldonado não tivesse colocado o carro da Williams em primeiras filas e até vencido uma corrida, talvez pensássemos que o projeto era apenas bom, e que os dois pilotos faziam o possível. Mas com base no que ele fez, sabemos que o carro é bem mais que isso, até porque ele teve performance forte em pistas diferentes.

Sendo assim, parece estranho ver o nome da Williams apenas acima dos de Toro Rosso e das três nanicas (Caterham, HRT e Marussia). Para mim é claro que o ano é marcado pela igualdade entre escuderias. Mas no saldo geral do ano McLaren e Red Bull foram os times mais fortes. Ferrari e Lotus chegam na sequência. E daí, ao menos para mim, temos a equivalência de Mercedes (que começou forte mas ficou), Williams e Sauber. A Force India, que tem um belo carro, foi até mais linear que as rivais em relação ao TOP-10, mas não teve nenhuma pista em que pudéssemos imaginar o time vencendo, como aconteceu com outras. Tanto que não tem nenhum pódio.

Tendo esse tipo de referência, não temos como negar que a Williams deveria ter mais pontos. Não dá para fazer como Rubinho, que disse que a equipe teria de somar o dobro dos pontos, mas certamente o correto era a soma de mais pontos, e não poucos.

É difícil encontrar razão para isso, mas como disse acima era óbvio que a Williams pagaria caro com os cheques polpudos que recebeu de seus dois pilotos os erros de suas escolhas. O que escrevi no começo do ano é que tanto Pastor quanto Bruno seriam ótimos segundos pilotos neste momento de suas carreiras. Jovens e com boa velocidade, aproveitariam as chances dadas pela equipe, além de aprender com alguém mais capaz (repito, neste momento).

Maldonado se mostrou um ótimo personagem à F-1. Chama mais atenção em equipe do meio do grid do que muitos em time de ponta. Fala com confiança impressionante e dispara algumas pérolas corrida sim, corrida....sim. E isso é ótimo para o esporte.

Além disso, não podemos diminuir o fato de ter vencido uma corrida, largado na primeira fila um par de vezes e ter mostrado um ritmo assustador em algumas provas. Mas igualmente é assustadora sua incidência de problemas. Tanto que de Barcelona, local onde venceu, em diante só voltou a pontuar em Suzuka, domingo passado. Em Cingapura, é verdade, deu um azar tremendo, mas antes foi responsável por inúmeras barbeiragens.

Andava entre os primeiros em Melbourne e Valência (bateu nas últimas voltas em ambas), além de largar bem posicionado em Spa, quando queimou largada de forma grotesca para depois bater em Timo Glock (????). Ou seja, ele teria condições de ter muito mais pontos e não os tem em grande parte por suas falhas.

Bruno Senna também teve bons momentos, como Malásia, China e Hungria. E foi só. Seu problema em classificações se transformou em um grande fardo para ele, que não consegue dar o salto de qualidade que precisava. Muito menos atabalhoado que Pastor, Bruno conseguiu equilibrar o jogo com uma consistência maior que a do venezuelano; a classificação mostra 33 a 25 para Pastor, o que não é um drama.

Fica claro, no entanto, que Pastor mostrou em alguns momentos que pode fazer a diferença, algo que Bruno ainda não conseguiu e precisa muito fazê-la. Se não for para ficar na Williams, que sirva para credenciá-lo a outro time.

Acho importante repetir: acredito que com alguém mais experiente, ambos estariam rendendo mais. Não apenas pela questão de aprender com quem sabe, mas por receberem uma pressão menor. Alguém tem alguma dúvida que Lewis Hamilton (que fique claro, não pretendo comparar o inglês com o brasileiro ou o venezuelano) rendeu muito mais em 2007 tendo um Fernando Alonso ao lado do que um Heikki Kovalainen? Não só pelo que aprendeu, mas tudo o que fazia, em tese, era lucro, enquanto que a Alonso cabia brigar com todos no grid. É inegável que a coisa mude em um cenário, digamos, mais confortável como esse.

2out/126

Fim de carreira melancólico para Schumacher

Gostaria de escrever um pouco mais sobre assuntos relacionados à sexta-feira agitada da semana passada. Dei algumas pinceladas sobre o que pensei de tudo o que aconteceu, mas claro que algumas pontas ficaram descobertas.

Desta forma, hoje irei me focar um pouco na cronologia em que tudo aconteceu porque se pararmos para pensar tem muita coisa fora do lugar.

Convenhamos, uma notícia como a de sexta deveria ser primeiro anunciada pela Mercedes ou por Hamilton, não? Qual a manchete ideal: "Hamilton sai da McLaren e segue para a Mercedes" ou "McLaren anuncia Perez como companheiro de Button"?

Sabendo disso, fiquei com a clara impressão que a McLaren fez questão de "jogar no ventilador" a novidade que tinha, o que provocaria correria no boxe do time alemão. Me pareceu um certo ressentimento e, claro, a McLaren não deve a Mercedes ou a Hamilton a espera em anunciar o que fará, mas nas entrelinhas tive a ideia de que queriam dar a notícia primeiro.

Até porque, ao fazer isso, gerou duas situações. A primeira, que imagino ser o foco da equipe inglesa, é que todos sabiam onde Hamilton estaria antes mesmo do piloto anunciar. Tiraram a força, a pompa do anúncio dele. E a segunda, que talvez seja apenas um efeito colateral, é que Michael Schumacher tomou um "passar bem" digno de piloto dispensado em início de carreira.

Eu duvido que a Mercedes faria algo sem pensar em um anúncio decente a Schumacher. Com a velocidade da McLaren, não restaram muitas opções ao time que informou que Hamilton seria seu novo piloto e que Schumi, portanto, estaria fora. Ou seja, "passar bem" heptacampeão.

Agora ficam os boatos de que ele poderia competir pela Sauber, o que me surpreenderia demais. Como disse quando ele retornou e quando Rubens Barrichello ficou barganhando sua vaga na Williams é que não acho que ninguém deva opinar nas escolhas pessoais de qualquer outro cidadão. Se Schumacher quis voltar, seja para ganhar dinheiro, seja por acreditar que a Mercedes, nascida da vencedora Brawn, seria campeã, seja porque ficar em casa com esposa e filhos estava um saco, é um direito dele, só dele. Seja como for, ele faz o que quiser.

No entanto, por mais que a Sauber faça uma boa temporada em 2012 não dá para argumentar que ele irá lutar para vencer. Se pensava que isso era possível na Mercedes, ok, cabia isso há três anos. Na Sauber, no caso, não. Portanto Schumi, time to go.