Mônaco dá melhor resultado do ano para 5 equipes – e iguala Vettel a Hamilton e Alonso
Sebastian Vettel igualou Lewis Hamilton em número de vitórias (15) e Fernando Alonso em número de poles (20) neste final de semana de GP de Mônaco. A 20ª vitória da história da Red Bull – a primeira foi apenas em 2009 – também foi a segunda nas ruas do Principado.
Esses números, tanto de uma equipe, quanto de um piloto bem jovens, são resultado de uma fase incrível: Vettel já tem 11 primeiras filas e oito pódios consecutivos, enquanto a Red Bull marcou sua 7º pole em sequência.
Jenson Button teve a chance de vencer pela segunda vez – e por um time diferente – em Mônaco, mas teve que se contentar em ser o piloto que deu à McLaren sua 10.000ª volta na liderança. Até domingo, apenas a Ferrari tinha alcançado o feito. Desde o início da parceria Button e Hamiton, o time inglês marcou pontos em todas as 25 provas – Hamilton tem chegado entre os 10 primeiros nas últimas 10 provas.
Enquanto isso, seus rivais da Ferrari – que têm em Fernando Alonso o piloto com a maior sequência nos pontos em andamento, 12 corridas – obtiveram justamente com o espanhol o melhor resultado no Principado desde o segundo lugar de Michael Schumacher em 2002. O alemão venceu por 3 vezes o GP de Mônaco pela Scuderia (97, 99 e 2001).No número absoluto de vitórias, os italianos têm 9, contra 14 da McLaren.
O 65º pódio de Alonso o coloca entre os 5 que mais vezes alcançaram uma das três melhores posições da corrida. Schumacher tem 154, Prost tem 106, Senna 80 e Barrichello 68.
Mark Webber pode não estar tendo a temporada dos sonhos, mas marcou a 10ª volta mais rápida da carreira, sendo quatro neste ano. Na verdade, comparando com o ano passado, o australiano fez um ponto a mais até agora (79 contra 78). Após as primeiras seis etapas de 2010, ele liderava o campeonato, empatado com Vettel. Hoje, o alemão tem 143 pontos.
Os únicos pilotos que pontuaram em todas as provas até agora foram os cinco primeiros da tabela – Vettel, Hamilton, Webber, Button e Alonso. Kobayashi entraria nesta lista, não fosse a desclassificação da Austrália. Além destes, Heidfeld, Sutil e Buemi completaram todas as seis provas.
O japonês, inclusive, obteve sua melhor posição de chegada da carreira com o quinto lugar de Mônaco. Falando em melhores posições, a corrida de domingo marcou os resultados mais altos de Ferrari (2º), Sauber (5º), Force India (7º), Williams (9º) e Hispania (16º) na temporada.
É melhor Hamilton se acostumar
O day after de um belíssimo GP de Mônaco bem que poderia estar focado nas alternativas que o combo Pirelli + Safety Car trouxe até para um palco mais de desfiles que de corrida, nas atuações perfeitas de Vettel, Alonso e Button, guiando no limite pelo apertado traçado monegasco, na surpresa Kobayashi e seu melhor resultado na carreira, nos pilotos que chegaram aos pontos numa driver’s track, como Sutil, Barrichello e Buemi.
Mas todo mundo fala de Hamilton e suas verborrágicas entrevistas após a corrida. Sempre cobramos que os esportistas mostrem a cara e temos que saber que podemos não gostar do que ouviremos quando isso acontecer. Se um piloto não puder soltar os cachorros após uma corrida ruim – e a cena de Vettel fazendo sinal de “maluco” para Webber após a colisão entre os dois na Turquia ano passado vem à mente – o que mais poderá fazer?
Tudo resultado da frustração de um final de semana em que o inglês sabia que poderia bater Vettel, mas no qual tudo deu errado. Resultado da frustração de saber que, ao contrário do que imaginou em seus dois primeiros anos de carreira, mais um ano está passando e, apesar de estar guiando bem, o título parece longe.
Agora, é lidar com as consequências. É impossível não lembrar da explosão de Fernando Alonso após o GP da Europa do ano passado, quando afirmou que a corrida havia sido manipulada com a, na prática, não-punição justamente de Hamilton quando o inglês ultrapassou o Safety Car. Na época, comentou-se na Itália que a FIA teria ameaçado o espanhol, caso ele não se retratasse. Na corrida seguinte, na Inglaterra, mesmo que tenha se sentido novamente prejudicado pelos comissários, não deu um pio sequer e acatou a decisão. O mesmo deve acontecer com Lewis.
Hamilton é daqueles pilotos que jogam o carro na curva e dão duas opções ao adversário: ou você abre, ou batemos. É o estilo Senna – “quando você não aproveitar o espaço, não será mais um piloto” – uma espécie de ultrapassagem por intimidação. Sempre será, ou espetacular, ou polêmico. Depende do que o rival decidir fazer.
É claro que quem arrisca terá dias de China e dias de Mônaco. Em tempos de paranoia com segurança e de linha dura na aplicação de regras, é melhor Lewis se acostumar em dar explicações aos comissários. E, numa F-1 em que os pilotos nem são ouvidos numa questão esportiva como a história da asa traseira em Mônaco, abaixar a cabeça.
Placar de posição de chegada entre companheiros
| Vettel | 6 x 0 | Webber |
| Hamilton | 4 x 2 | Button |
| Alonso | 4 x 2 | Massa |
| Schumacher | 3 x 3 | Rosberg |
| Heidfeld | 3 x 3 | Petrov |
| Barrichello | 5 x 1 | Maldonado |
| Sutil | 3 x 3 | Di Resta |
| Kobayashi | 4 x 2 | Perez |
| Buemi | 6 x 0 | Alguersuari |
| Kovalainen | 1 x 5 | Trulli |
| Karthikeyan | 4 x 1 | Liuzzi |
| Glock | 2 x 4 | d’Ambrosio |
Na última corrida, destacamos os duelos que tinham zero no placar. Hoje, vamos falar dos empates. Schumacher pode estar levando um 5 a 1 em classificação, mas em corrida consegue equilibrar o jogo. Contando apenas as provas em que ambos completaram, o placar também está empatado, em 2 a 2, com Schumi levando a melhor na Espanha e na Malásia.
Na Renault, Petrov vinha novamente superando Heidfeld, algo que também tem sido recorrente em classificações – é outro 5 a 1. Heidfeld superou o companheiro na pista, de fato, na Malásia e na Turquia.
A Force India é mais uma equipe em que as classificações têm sido mais desequilibradas que as corridas, com Paul Di Resta constantemente levando a melhor em cima de Adrian Sutil – 5 a 1, novamente. Porém, a experiência do alemão, principalmente em relação aos pneus, tem feito com que as coisas mudem um pouco aos domingos. Neste GP de Mônaco, Di Resta fez a opção errada – 3 paradas – e ainda levou um drive through por forçar para cima de Jaime Alguersuari.
Emoção em Mônaco prova que Pirelli é decisiva
Austrália, em menor proporção, mas sempre agitada pelos problemas de confiabilidade. Malásia e suas tempestades. China e seu asfalto abrasivo. Turquia e seu sobe e desce. Ano após ano, as quatro primeiras etapas do mundial sempre foram algumas das mais movimentadas. Mas as provas de 2011 já haviam deixado a certeza de que o conjunto pneus Pirelli, asa traseira móvel e Kers havia transformado as corridas. Ficara a dúvida do que ele poderia fazer para Espanha e Mônaco, dois dos circuitos em que vimos os eventos mais monótonos dos últimos anos.
E, mais do que para servir para aprovar as novas regras, as duas provas mostraram que são os pneus que fazem a verdadeira diferença. Com a exceção da Turquia, em que a zona de ultrapassagem pareceu mal colocada, fazendo com que as manobras se tornassem dependentes demais da asa traseira, já era possível perceber que a diferença de rendimento dos pneus era o principal fator de ajuda para a emoção das corridas. E, se alguém tinha qualquer dúvida a respeito disso, Mônaco colocou-a por água abaixo.
Como esperado, praticamente não houve ultrapassagens com a asa. Mas o fato do único piloto que começou onde terminou ter sido Vettel mostra que até a sempre parada Mônaco – aquela mesma prova que Fernando Alonso completou quase inteira com um mesmo jogo de pneus sem maiores problemas ano passado – não ficou imune à degradação.
Na Espanha, a história foi semelhante: dificilmente vimos uma manobra entre dois pilotos que tinham vida e desgaste de pneus semelhantes.
É claro que a asa e o Kers têm um papel fundamental, de permitir que o piloto se mantenha perto do rival que persegue, mas a manobra em si só tem acontecido se circuito e pneus permitirem.
Neste GP de Mônaco, a McLaren fez de tudo para que Vettel passeasse pelas ruas do Principado, primeiro com a estratégia inexplicável de Hamilton, segundo fazendo dois stints de pneus super macios de Button. Nunca saberíamos se o inglês conseguiria passar o alemão e Alonso nas voltas finais, mas ele certamente aguentaria até o final caso tivesse calçado os macios na segunda parada. A equipe parece ter enfrentado Mônaco como as demais corridas, seguindo os princípios de guardar o máximo de pneus na classificação e de para mais para andar mais rápido na corrida.
Hoje também pudemos ver a boa relação da Sauber com os pneus pagando seus dividendos. Kobayashi largou em 13º para chegar em quinto, fazendo apenas uma parada. Só podemos imaginar o que Sergio Perez faria largando em 10º.
Falando em novatos, Pastor Maldonado foi outro que guiou bem neste final de semana, até ser abalroado por Hamilton nas voltas finais. Di Resta pagou um drive through por uma manobra afoita em Alguersuari, mas também se classificou à frente do companheiro Sutil. O alemão, aliás, tentou o mesmo que Kobayashi e acabou caindo de produção no final, mostrando o quanto o Force India maltrata os pneus em relação ao Sauber. D'Ambrosio foi a única Virgin a chegar ao final. Inclusive, dos seis carros dos times do fundão, só Glock não completou. Trata-se de uma turma de estreantes que tem dado conta do recado, mais do que Hulkenberg, Petrov e companhia no início do ano passado.
Quem não pode dizer o mesmo é Mark Webber. O único com equipamento para enfrentar um iluminado – e sortudo – Vettel fez outra corrida apagada, perdendo ritmo em relação aos três da ponta desde as primeiras voltas. Isso, somado ao fato de termos tido sete pilotos diferentes no pódio até agora – Button foi o primeiro que repetiu um terceiro lugar – fazem com que, embora as corridas tenham sido sensacionais, Vettel dispare na ponta.
Pontuação no sistema antigo e atual
| Pos | Piloto | antiga | atual |
| 1º | Vettel | 58 | 143 |
| 2º | Hamilton | 35 | 85 |
| 3º | Webber | 33 | 79 |
| 4º | Button | 31 | 76 |
| 5º | Alonso | 28 | 69 |
| 6º | Heidfeld | 10 | 29 |
| 7º | Rosberg | 10 | 26 |
| 8º | Massa | 9 | 24 |
| 9º | Petrov | 7 | 21 |
| 10º | Kobayashi | 6 | 19 |
| 11º | Schumacher | 4 | 14 |
| 12º | Sutil | 2 | 8 |
| 13º | Buemi | 1 | 7 |
| 14º | Barrichello | 2 | |
| 15º | Perez | 2 | |
| 16º | Di Resta | 2 |
A aposta da McLaren com Hamilton e outras surpresas na classificação de Mônaco
Mônaco é mesmo um lugar propenso a gerar surpresas. Mas, neste sábado, o resultado incomum não fez favor algum ao campeonato: Lewis Hamilton adotou uma estratégia no mínimo questionável no Q3 e fez com que uma pole position, que se desenhava como uma clara possibilidade, após o inglês liderar o Q1 e o Q2, se tornasse um nono lugar.
Não dá para entender porque a McLaren decidiu fazer apenas uma tentativa no final do Q3 num circuito em que problemas com o tráfego e bandeiras amarelas/vermelhas são comuns. Pensando em economizar pneus super macios em uma prova na qual isso não se desenha como tão importante – espera-se que os ponteiros façam apenas duas paradas – o time jogou a classificação no lixo. Além disso, no circuito em que ela deveria ser priorizada.
Após uma tentativa frustrada pelo tráfego de Felipe Massa, Hamilton acabou tendo uma segunda chance, com a bandeira vermelha de Perez, mas a McLaren errou novamente: no afã de fazer com que seu piloto tivesse pista livre, recolocou-o em primeiro na “fila de espera” para o reinício da sessão, mas cedo demais, o que fez com que as temperaturas de freio e pneus caíssem de forma acentuada.
A sequência de erros do time que mais bem tem aproveitado as oportunidades em termos de estratégia, somada a mais uma tarde apática de Mark Webber, deixaram o caminho livre para Sebastian Vettel fazer sua quinta pole do ano e 20ª da carreira, igualando Fernando Alonso, mas com 95 largadas a menos.
Houve várias estratégias sendo utilizadas no Q3 de Mônaco. A tentativa única de Hamilton, duas voltas rápidas para cada saída ou apenas uma, alguns reabastecendo o carro entre ambas as saídas, outros não (como a Ferrari). Salvou-se quem atacou a primeira volta lançada como se fosse a última.
Com um Q3 tão movimentado, algumas supresas – elas de novo! – ficaram esquecidas. As Renault, perdidas com os pneus super macios, tiveram péssimo rendimento e pararam no Q2. Isso abriu caminho para os novatos Perez e Maldonado, que andaram melhor que seus companheiros com frequencia durante o final de semana. O venezuelano aliás, com uma tocada bonita de ver no Principado.
Outro novato que superou o companheiro – este, um especialista de Mônaco – foi Di Resta, por três milésimos!
Com o resultado de hoje, caiu mais um zero no placar entre os companheiros, o de Michael Schumacher, que não se deixou levar – disse que foi um resultado atípico pela bandeira vermelha. E, por 38 milésimos, Trulli não conseguiu fazer frente a Kovalainen. Com as Hispania fora da classificação, o italiano junta-se a Karthikeyan e Massa entre os que ainda não superaram os parceiros de time na temporada. A “seca” do piloto da Ferrari vem desde o GP da Bélgica – 11 provas – e o de Jarno, desde Abu Dhabi.
Disputa entre companheiros na classificação
| Vettel | 5 x 1 | Webber |
| Hamilton | 4 x 2 | Button |
| Alonso | 6 x 0 | Massa |
| Schumacher | 1 x 5 | Rosberg |
| Heidfeld | 1 x 5 | Petrov |
| Barrichello | 3 x 3 | Maldonado |
| Sutil | 1 x 5 | Di Resta |
| Kobayashi | 2 x 4 | Perez |
| Buemi | 5 x 1 | Alguersuari |
| Kovalainen | 6 x 0 | Trulli |
| Karthikeyan | 0 x 5 | Liuzzi |
| Glock | 4 x 2 | d’Ambrosio |
Diferenças hoje
Vettel x Webber: 0s463
Button x Hamilton: 1s283
Alonso x Massa: 0s394
Schumacher x Rosberg: 1s084
Petrov x Heidfeld: 0s399
Maldonado x Barrichello: 0s281
Di Resta x Sutil: 0s003
Kobayashi x Perez: 0s491
Buemi x Alguersuari: 1s462
Kovalainen x Trulli: 0s038
Glock x D’Ambrosio: 0s822
A tabela mostra uma realidade diferente das pistas
Se há um lugar em que os rivais podem sonhar em quebrar a sequência invejável de pódios de Sebastian Vettel, que já seria de dez provas,
não fosse a quebra do motor enquanto liderava no GP da Coreia do ano passado, é em Mônaco, neste final de semana.
Olhando para a tabela, o campeonato parece decidido. Após cinco provas, Vettel tem 41 pontos de vantagem para Lewis Hamilton, algo que nenhum piloto conseguiu desde que o vencedor passou a levar 25 pontos, no início de 2010.
No entanto, observando o calendário e o último GP, na Espanha, o cenário é diferente.
As características do apertado circuito de rua fazem com que a pressão aerodinâmica, principal vantagem da Red Bull, quase não gere diferença alguma. Em Mônaco, a disputa depende mais da mecânica dos carros, fator em que todos estão mais igualados.
Isso inclui na briga até a Ferrari, ainda mais porque neste final de semana serão utilizados os pneus super macios e macios, um alento para quem perdeu mais de 50s em 26 voltas para a Red Bull de Mark Webber no final do GP da Espanha, calçando os compostos duros.
Mônaco, aliás, não é o único circuito que pode equilibrar as forças. A próxima etapa será no Canadá, outro traçado urbano, cujas características principais são as chicanes e as retas. Ou seja, mais uma oportunidade para carros com boa reaceleração e velocidade de reta. Em outras palavras, outra chance para os rivais da Red Bull.
Até chegarmos a um circuito em que o time de Vettel e Webber dominou ano passado, em Valência, temos um mês, tempo suficiente para que equipes com grande poderio técnico e financeiro, como McLaren e Ferrari, recuperarem um pouco mais de terreno. E o GP da Espanha mostrou que, pelo menos para o time de Hamilton e Jenson Button, a diferença já está bem menor.
O traçado de Barcelona é daqueles que privilegiam os melhores carros, aqueles com aerodinâmica mais desenvolvida. E esse é o grande segredo da Red Bull. O fato de Hamilton ter chegado a menos de um segundo de Vettel, numa disputa franca, e de Button ter terminado em terceiro, à frente de Webber, mostra que a diferença real é menor que aquela que a tabela insinua.
A vantagem de Vettel nos pontos tem muito a ver com o início titubeante dos rivais – e para dizer a verdade, é a mesma do ano passado, caso o alemão não tivesse tido tantas quebras no início da temporada – mas há uma tendência de que os grandes encostem que pode salvar um campeonato que anda muito disputado dentro das pistas, mas monótono na hora de contabilizar os pontos.
Coluna publicada no Jornal Correio Popular
Como é possível ultrapassar nos boxes com os Pirelli
Os pneus Pirelli não só mudaram a cara das corridas em si neste ano, propiciando muitas disputas, como também alteraram as estratégias.
O primeiro fator é o início das corridas já no sábado, obrigando os times a encontrarem o equilíbrio entre fazer a melhor classificação possível enquanto buscam guardar pneus para o domingo.
O segundo é resolver o dilema entre a chamada track position, ou seja, o posicionamento do piloto em relação a seus rivais na pista, e o desgaste de pneus.
Claramente, com os Pirelli quem faz a parada primeiro se dá melhor. Isso porque a degradação é tão grande que, mesmo um pneu sem a temperatura ideal rende mais.
No entanto, se a parada for muito antecipada, inicia-se um efeito cascata: o piloto sempre vai parar antes do rival, inclusive no último stint, o que o deixará vulnerável a um ataque final.
Portanto, quando se está grudado num carro, mas não se consegue ultrapassar, muito provavelmente porque a janela em que o pneu permite melhor rendimento, nas primeiras 3 ou 4 voltas, já passou, as equipes têm um grande problema pela frente: parar uma volta antes e ganhar a posição, ou seja, ter track position, ou estender os stints o máximo possível para ter pneus mais novos no final da prova?
A McLaren tem escolhido a segunda opção. Sempre busca deixar seus pilotos na pista o máximo possível com os pneus mais rápidos. Parece o melhor a fazer, contando que o carro tenha ritmo para perseguir o rival de perto – estamos falando de cerca de 1s ou menos que podem ser ganhos com a parada.
Num ano em que se ultrapassa aos montes, não deveria ser problema, mas vimos vários pilotos com dificuldades, especialmente na Austrália e na Espanha, circuitos em que tradicionalmente as manobras são mais raras. E esse cenário certamente se repetirá em lugares como Valência ou Hungria. E aí entra essa nova maneira dos pneus interferirem na prova.
Aprofundando nesta questão, aquele primeiro quesito, de guardar pneus para a corrida, torna-se ainda mais importante quando a ultrapassagem não sai. É que o pneu macio novo dura entre 3 e 4 voltas a mais. Assim, o piloto consegue manter-se na pista por mais tempo no stint que considerar ideal para conseguir o chamado undercut, que é justamente antecipar a parada para obter a vantagem necessária para parar e voltar na frente do rival.
Em determinados casos, esse pneu macio pode fazer com que parar uma vez a menos que os rivais seja interessante. Não é coincidência que, até agora, a estratégia preferida pela Ferrari tenha sempre sido a de maior número de paradas em todas as corridas. Afinal, é o único carro que tenta lutar com os ponteiros sempre tendo usado todos os pneus macios na classificação. Ou seja, já entra na corrida tendo que fazer essas 3 ou 4 voltas a mais no pneu duro, pois seus macios não aguentariam. E ainda há quem diga que a classificação perdeu a importância.







